quinta-feira, 5 de outubro de 2023

SERÁ TOTALMENTE VERDADE O QUE DIZ ANDREW KNIGHT?

 

Se todos os cães fossem submetidos a uma dieta vegana nutricionalmente completa, isso ajudaria a alimentar quase 450 milhões de pessoas, um número superior ao de toda a população da UE. Para os gatos, isto equivaleria a quase 70 milhões, mais do que as populações de França ou do Reino Unido. Fazer isso também ajudaria a poupar mais emissões de gases com efeito de estufa produzidos pelo Reino Unido ou pela África do Sul (para cães), ou por Israel ou pela Nova Zelândia (para gatos). Estes são os resultados de uma pesquisa liderada pelo professor Andrew Knight, da Universidade de Winchester, que já publicou uma série de estudos sobre o impacto das dietas à base de vegetais na saúde dos animais de estimação. Esta última análise – publicada na revista Plos One – descobriu que cães e gatos consomem cerca de 9% de todos os animais terrestres abatidos para alimentação – ou seja, quase sete mil milhões por ano. E isto sem contar as espécies aquáticas como os peixes, que seriam muito mais elevadas (o que é mais difícil de calcular porque os dados são fornecidos em termos de peso dos mariscos e não do número absoluto de animais).

Dado que a carne tem um clima, uma utilização do solo e uma pegada hídrica muito mais elevadas do que os alimentos à base de plantas, se todos os cães do mundo se tornassem veganos, libertariam terras maiores do que o tamanho da Arábia Saudita ou do México e poupar-se-ia mais água doce do que toda a água doce renovável na Dinamarca. Para os gatos, isto significaria mais terra do que o Japão ou a Alemanha, e poupar-se-ia mais água do que a disponível na Jordânia. A pesquisa também calculou o impacto da transição dos humanos para uma dieta baseada em vegetais. Se isso acontecesse, alimentaria 5,3 mil milhões de pessoas – cerca de dois terços da população mundial, poupando também mais emissões de gases com efeito de estufa do que as emitidas pela Índia ou por toda a UE, mais água renovável do que a disponível em Cuba e mais terra do que a área da Rússia e da Índia juntas (o maior e o sétimo maior país do mundo). Os números calculados são surpreendentes e mostram o impacto potencial que uma dieta vegana pode ter nas alterações climáticas, na escassez de água e na insegurança alimentar. E os investigadores dizem que todas estas estimativas são conservadoras!

“Acho que os verdadeiros impactos ambientais da comida para cães são, na verdade, maiores do que os encontrados nos meus resultados; provavelmente substancialmente maior”, disse Knight à startup britânica de comida vegana para cães The Pack numa postagem de blogue publicada no site da marca. “Por outro lado, os benefícios da transição para dietas veganas nutricionalmente saudáveis são provavelmente muito maiores do que os mostrados no meu estudo – que já mostra benefícios muito grandes.” De acordo com a investigação, ao considerar o número total de cães e gatos que poderiam alternativamente ser alimentados com os alimentos veganos, a poupança de energia resultante dessa transição vegana ascendera a entre 150-190% de toda a população global de cães e gatos (em 2018). “Os donos de animais de estimação que se preocupam com o meio ambiente ou com a saúde de seus animais deverão considerar alimentos veganos nutricionalmente saudáveis”, disse Knight, que chamou o estudo de “revolucionário”. “Sabemos há muito tempo que as dietas baseadas em vegetais são melhores para o planeta, mas não considerámos seriamente os impactos dos alimentos para os animais de estimação. No entanto, os alimentos para animais de estimação têm impactos ambientais profundos”.

Só nos EUA, por exemplo, a produção de alimentos secos para cães e gatos equivale a 25-30% de todas as emissões relacionadas com o consumo de animais pelos americanos. E, globalmente, os alimentos para cães e gatos emitem cerca de 64 milhões de toneladas de carbono por ano – o que equivale a mais de 13 milhões de carros. “Tem havido muitos pedidos de mudança na dieta humana, mas praticamente nenhum pedido de mudança na dieta de cães ou gatos. Isto deve-se em parte ao pressuposto de que consomem relativamente poucos produtos pecuários e que o que consomem são principalmente subprodutos da produção de alimentos humanos e, portanto, é uma 'reciclagem' benéfica”, disse Knight ao The Pack. “Mas, na verdade, o que este estudo mostra é que o único benefício do uso de subprodutos em alimentos para animais de estimação à base de carne é que eles são mais baratos do que a carne de qualidade humana. O impacto ambiental real do uso de subprodutos é maior do que se os animais de estimação fossem alimentados com carne de qualidade humana. Isso ocorre porque o uso de subprodutos exige a produção de mais animais do que a produção de carne de qualidade humana. É menos eficiente por carcaça.” Num comunicado, Knight acrescentou: “Estudos em larga escala mostraram também que os resultados para a saúde tanto de cães como de gatos são tão bons ou melhores”.

Estudos sobre comportamento alimentar demonstraram que cães e gatos comuns apreciam alimentos veganos tanto quanto apreciam aqueles feitos de carne. No mês passado, Andrew Knight foi coautor de um estudo conferido por pares em grande escala, revelando que os gatos com uma dieta vegana podem ser mais saudáveis do que aqueles com uma dieta baseada em carne, desafiando a noção de que os felinos são carnívoros obrigatórios. Uma pesquisa publicada no ano passado por Knight e outros pesquisadores adiantou que as dietas veganas são a escolha mais saudável e menos perigosa para os cães. A Associação Veterinária Britânica, que anteriormente desencorajava os consumidores de alimentarem os seus animais de estimação com proteínas alternativas, está agora a rever o seu conselho. Além disso, em Fevereiro, o organismo industrial UK Pet Food publicou novas directrizes que reconhecem que os nutrientes de origem animal podem ser obtidos sinteticamente ou a partir de novos ingredientes, desde que sejam cuidadosamente formulados por nutricionistas de animais de estimação altamente qualificados. “Há poucas evidências de efeitos adversos em cães e gatos com dietas veganas”, afirmou. Isso coincide com o crescente interesse em alimentar os nossos pets com alimentos voltados para o futuro.

O mercado de alimentos veganos para cães está avaliado em 11,5 mil milhões de libras em 2023 e deverá atingir 21 mil milhões de libras em 2033, relata o Guardian. A ração vegetal para cães já é uma categoria estabelecida, com marcas como Wild Earth, Omni e The Pack sendo algumas das mais populares (a Wild Earth também fabrica ração para cães cultivada em células). Embora a comida vegana para gatos seja ainda muito mais específica, um número crescente de marcas está a trabalhar com carne vegetal ou cultivada para gatos, como a BioCraft Pet Nutrition (anteriormente Because Animals), a Bond Pet Food e a Marina Cat. “A mudança está a acontecer, mas não acontecerá da noite para o dia, onde todos os supermercados de repente terão grande disponibilidade destas marcas”, disse Knight ao Pack. “Na verdade, tenho ouvido falar de escassez de alimentos veganos para animais de estimação em várias regiões do mundo, e sabemos que a conveniência do consumidor é um factor chave para determinar se produtos como estes terão sucesso. Portanto, é muito importante que isso seja abordado. “Acho que estamos a assistir aos problemas iniciais que ocorrem quando surge uma indústria disruptiva e novos produtos ficam disponíveis. Sempre há um período em que a demanda supera a oferta e a oferta precisa de actualizar-se. Estamos a passar por isto neste momento com alimentos veganos para animais de estimação.” Estará o Professor Andrew Knight totalmente certo? O futuro próximo o dirá!

TIROL: VACAS, CÃES E DONOS

 

No estado federal austríaco do Tirol todos os anos e várias vezes no decorrer de cada ano, relatam-se incidentes que envolvem a tríade “vacas, cães e donos”, acabando alguém por sair deles seriamente magoado, apesar dos repetidos avisos das autoridades e das cercas protectoras que ali são colocadas. Estava eu a pensar que este ano seria um ano atípico, que ninguém iria incomodar uma vaca e acabar por pagar dolosamente o preço dessa afronta. Mas não, ontem à noite, uma caminhante de 51 anos de Ehenbichl, na cidade tirolesa de Ausserfern, foi atacada e pisada por várias vacas num pasto.

A senhora estava a andar na área atrás designada com os seus dois cães quando de repente um deles foi atacado por uma vaca. Quando a austríaca tentou afastar a vaca para valer ao seu cão, ela foi atacada e ferida por outras vacas. Acabou sendo levada para o Hospital Reutte, conforme informou a polícia local e os seus cães foram encaminhados para um veterinário. Apesar daquele pasto se encontrar cercado e bloqueado por uma barreira na altura do incidente, ele era acessível a pedestres e ciclistas, segundo disseram as autoridades. Concluída a protocolar vistoria, o dono das vacas irá ser denunciado ao Ministério Público.

Não me recordo de haver notícia de uma vaca que tenha atacado um cão preso à trela, a menos que o seu dono tenha invadido indevidamente algum pasto. Assim como todos temos o direito e até o dever de brincar com os nossos cães, também somos obrigados a respeitar o gado alheio, porque não é ele que vem ter connosco, somos nós que vamos perturbá-lo ao invadir o seu espaço. Os donos prevaricadores, que soltam os seus cães arbitrariamente por todo o lado, costumam dar-se mal com as vacas, o que não é mau de todo atendendo a que “o prejuízo sai à casa”. Já nos prados das ovelhas o problema é mais sério, porque os cães soltos sempre acabam por matar algumas delas, para desgosto e prejuízo dos ovinicultores, que tendo oportunidade, acabarão por matar a tiro os cães perseguidores ou travar-se de razões com os seus proprietários (quando as discussões não passam das palavras, não virá disso grande mal ao mundo, o que nem sempre acontece). Caro leitor respeite o gado e a propriedade alheia – circule com seu cão à trela ao redor dos pastos e de outros recintos ligados à exploração pecuária, evitando sempre que possível invadi-los. A observância deste procedimento poderá salvar-lhe a vida a si e ao seu cão, fazer com que retornem ilesos a casa. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

UM LEITOR JORDANO

 

Ontem este blogue teve um visitante oriundo da Jordânia, país que raros leitores nos dá, tal como a Tunísia, o Egipto, a Síria, o Líbano, a Arábia Saudita e o Iémen. A Jordânia é um país de elevado desenvolvimento humano, multi-étnico, onde existe paz social, com uma economia de "renda média alta" e interessante para investidores externos, com muitos motivos de interesse histórico e com uma população hospitaleira, apesar de ser uma nação geoestratégica e ter países vizinhos muito turbulentos.

Quero agradecer a visita deste leitor jordano e o seu interesse, estender-lhe o nosso mais sincero bem-vindo e desejar-lhe as maiores felicidades, desejando simultaneamente à Jordânia e aos jordanos que continuem na senda do progresso, da prosperidade e da paz. 

COMEMORAR OS 50 ANOS A PEDALAR DO CAIRO À CIDADE DO CABO

 

Helen Smith, uma escocesa de West Lothian, pretende comemorar o seu 50º aniversário a pedalar 10.000 km para angariar dinheiro para uma instituição de caridade que lhe é querida, a Guide Dogs Scotland, pedalando deste do Cairo no Egipto até à Cidade do Cabo na África do Sul, o que fará no próximo ano. Para realizar este seu desejo, Helen vai tirar um ano sabático do seu trabalho na “Leonardo”, em Edimburgo. Amante de cães, ela sabe o quanto a Guide Dogs Scotland é importante para as pessoas com perca de visão e o trabalho árduo que é necessário para treinar os animais.

Confessa-se ansiosa pela viagem em janeiro e o calor de 40 graus será o maior desafio que irá ter de suportar em cima da bicicleta. Helen disse ao jornal Courier: Do Cairo à Cidade do Cabo é o maior ciclo da viagem – estou a pedalar por um continente inteiro. Eu sempre quis ir ao Egipto e ver as Pirâmides, fazer um safari na Tanzânia e ver os animais, ver as Cataratas Vitória e o Botsuana, há muitas coisas na minha lista de desejos que posso marcar. Andar de bicicleta também significa ver as coisas ao nível do solo. É muito diferente. “Ao pedalar, você vai rápido o suficiente para percorrer os quilômetros, mas lento o suficiente para realmente absorver tudo. Portanto, trata-se também de me desafiar e fazer algo diferente e único e chegar ao fim e dizer ‘uau, consegui pedalar todo este caminho’”.

Helen disse que decidiu ajudar os cães-guia porque tem plena consciência do que isso significa para as pessoas que aquela instituição de caridade ajuda. Referindo-se ainda à viagem disse: “Por ser uma viagem tão grande, pensei que seria um desperdício se não tentasse fazer algo de caridade. “Eu investiguei algumas instituições, mas sou louca por cães. Como tive os meus próprios cães, então decidi fazer algo que fosse de alguma forma ligada a eles (cães-guia), animais que pelo que fazem, fazem tudo valer a pena. Acho incrível como se pode treinar um cão para ser os olhos de alguém que tem perca de visão ou visão restrita e devolver-lhe a independência que perdeu, e eu sei o quão difícil pode ser treinar cães.” Esta ciclista entusiasta que já percorreu trilhos no Peru, no Vietname e nos Himalaias, sai do Cairo no dia 12 de janeiro e deverá chegar à Cidade do Cabo em maio, admitindo que andar de bicicleta com a humidade e o calor africanos irá ser “muito difícil”. “Eu viajo no dia 30 de dezembro para me aclimatar um pouco ao calor e poder pedalar em qualquer temperatura de até 40 graus, o que não deixa de ser assustador, mas espero que o cenário me distraia um pouco”, disse confiante. Assim são os escoceses, sempre loucos e desportistas, umas vezes por boas causas, outras nem tanto.

AINDA SOBRE A IMPORTÂNCIA DA RECOMPENSA

 

Quando se ensina um cão para guarda sem recorrer à recompensa, a captura tende a ocupar o seu lugar, o que dificulta de sobremaneira a cessação dos seus ataques, que para acontecer imediatamente, irá necessitar de meios declaradamente violentos, o que para além de atentar deliberadamente contra o bem-estar animal, gera inevitáveis atrasos no travamento dos ataques inusitados, delongas que poderão ser fatais para quem os sofre – os cães deverão operar por força da recompensa e não por acções de auto-satisfação que a desconsideram e favorecem os seus instintos, não tardando por isso a tentar impor a sua própria vontade e a tornar-se incontroláveis. À luz de que direito treinaremos cães assim? Caberá a alguém fazê-lo? Ao cidadão comum não será certamente!

RECEITA DE IMPOSTOS SOBRE CÃES ATINGE RECORDE NA ALEMANHA

 

O imposto sobre cães trouxe às autoridades fiscais alemãs mais dinheiro do que nunca, de acordo com o Escritório Federal de Estatística Alemão (Statistisches Bundesamt), oficialmente abreviado por “StBA”, autoridade federal alemã pertencente ao Ministério Federal do Interior, que recolhe e analisa informação estatística sobre a economia, a sociedade e o ambiente. A comida para cães e gatos também está ficar mais cara, assim como os serviços veterinários. Os municípios nunca ganharam tanto dinheiro com cães como no ano passado. Os cofres públicos receberam cerca de 414 milhões de euros no ano passado, conforme anunciou quarta-feira o Serviço Federal de Estatística. "Um novo valor recorde." Para as cidades e municípios, isto significou um aumento de 3,3 por cento em comparação com 2021. A receita do imposto sobre cães aumentou consistentemente nos últimos anos, até 44 por cento numa comparação de dez anos: em 2012, o imposto sobre cães rendeu 288 milhões de euros às cidades e municípios.

Os cães estão entre os animais de estimação mais populares na Alemanha, principalmente durante a pandemia do Covid-19, quando muitas pessoas compraram um amigo de quatro patas. O imposto sobre cães é um imposto municipal. O montante e a estrutura do estatuto fiscal são determinados pelo respectivo município, o que equivale a dizer que são os municípios a estipular o valor do imposto sobre cães. Em muitos lugares o valor que os donos têm a pagar dependerá do número de cães que possuem e da sua raça, pelo que “receitas fiscais mais elevadas não significam necessariamente que o número destes animais de estimação também tenha aumentado”, fez saber o StBA.

Manter um cão é um factor de custo que vai além do pagamento de impostos: os preços dos alimentos para cães e gatos aumentaram em média 11,8% em 2022. Para efeito de comparação: a inflação geral foi significativamente mais baixa, de 6,9%, no mesmo período. Um aumento significativo dos preços pode também ser observado actualmente (Escritório Federal de Estatística). Os donos de animais de estimação tiveram que pagar em média mais 15,9% pela comida de cães e gatos em agosto do que no ano anterior. Mais caras estão também as visitas aos veterinários, que foram 27,2% mais caras no passado mês de agosto do que no ano anterior, resultado do ajuste na tabela de honorários dos veterinários ocorrido no final de novembro de 2022 – A taxa de inflação em agosto foi claramente inferior:6,1%!

Diante destes dados divulgados pela Reuters, dpa, três coisas ficam claras na Alemanha e no resto do Mundo: os cães nunca renderam tanto dinheiro; apesar de serem para os ricos, nunca houve tanta gente com cães e tantos a passar dificuldades por causa deles. Não foi só a pandemia que levou a uma maior procura de cães, mas também o apelo constante à adopção dos animais de abrigo, que lhe foi anterior e que continuou a suceder-lhe. O dinheiro que alguns gastariam com os filhos, está agora a ser transferido para o bem-estar e subsistência dos seus cães.

UM PASSEIO PARA RECUPERAR O PASSADO E CONSTRUIR O FUTURO

 

Com muito mais facilidade se eliminarão erros, lacunas, impropriedades, violências e outras más experiências nos cães do que nos humanos, não é fácil, mas é possível, porque doutro modo qualquer processo de reeducação canina estaria votado ao fracasso. Para o bem e para o mal, os cães acreditam nas histórias que lhe contamos, não naquelas que alguns lêem para eles, mas nas resultantes da comunhão de vida com os seus líderes, experiências felizes realmente regenero-transformadoras. Na sua infância e juventude, o Luca, o nosso Beagle, passeou muito pouco no meio da cidade, pelo que nela se sente incómodo e tende a rebocar a dona. O facto de ter sido castrado também não lhe abona muito em termos de valentia e a ausência de longos passeios diários muito tem atentado contra a sua propensão excursionista, pois apesar de pequeno, não deixa de ser um cão de caça e como tal não é um cão próprio para apartamento, onde enclausurado tende a ladrar desalmadamente. Como caçador também não é bobo e não se inibe em mostrar os dentes quando se sente ameaçado ou abusado. Ontem, ao cair da tarde, saí com o binómio Andreia/Luca para um passeio citadino, visando a recuperação do equilíbrio emocional do cão e a capacitação da sua condutora através do deambular pelas ruas apinhadas de gente e do concurso a pequenas tarefas. Na foto acima vemos este binómio a executar um banco de pedra pouco elevado e na seguinte a proceder à introdução e aprendizagem das escadas.

É por demais evidente que a evolução do Beagle acontecerá ao ritmo da aprendizagem da sua dona, porque o pequeno cão caçador não aprende sozinho e é socialmente dependente. Já há muito que sabemos quão importantes são para o ensino de um cão a postura corporal do seu condutor, a sua respiração e o seu modo de entoar os comandos, tripla condição pela qual avaliamos os comuns condutores de cães. Apesar de arredada do exercício físico continuado, a Andreia não aumenta facilmente o seu ritmo respiratório e é calma e comedida na entoação dos comandos, denunciando uma empatia assaz louvável. Contudo, tem que lutar contra uma postura corporal curvada e pouco elegante, que normalmente induz o cão ao stresse e a rebocá-la. No adestramento é o cão que deve olhar para o dono e não contrário, porque doutro modo assiste-se a uma indesejável inversão de papéis. E porque é justo dar o mérito a quem o tem, no que concerne à sua postura corporal, a Andreia em apenas duas aulas tem melhorado bastante. Ontem, de forma bem descontraída, também iniciámos o ensino do “quieto” ao Luca e o Beagle respondeu afirmativamente ao comando (foto abaixo).

Isto foi sucintamente o que andámos a fazer no dia em que a Zezinha não compareceu e a sua ausência foi notada, o que não impediu o cumprimento do Plano de Aula e o alcance das suas metas e objectivos. Pelo trabalho realizado, estão a Andreia e o Luca de parabéns. 

OSO: QUEBRA-FRONTEIRAS E COMPANHEIRO DE DESAFORTUNADOS

 

A crise migratória que se vive na fronteira norte entre o México e os Estados Unidos, feita num só sentido e cada vez mais frequente, é pródiga em imagens de profundo desespero por parte dos milhares de desafortunados que tudo fazem para alcançar a terra dos “gringos” (1), esperando encontrar ali uma vida melhor. Há oito dias atrás, terça-feira 26 de setembro, aconteceu um episódio possível mas até agora nunca visto, cujo vídeo se tornou viral nas redes sociais, o relativo ao “Oso” (urso), um pequeno cão que seguiu sete imigrantes através dos portões da cerca fronteiriça que separa as duas nações e que após ser detido pelas autoridades norte-americanas, foi de novo deportado para território mexicano.

O pequeno cão não foi encontrado por acaso naquela área de Tijuana, uma vez que foi abandonado por turistas numa das praias e adoptado pelos pequenos comerciantes da região. De acordo com os moradores locais, o Oso é muito carinhoso e brincalhão, o que tem levado os vendedores dali a amá-lo e a cuidá-lo, excepto quando decidiu seguir o rasto do “american dream”. Penso que a presença deste cão entre os imigrantes latino-americanos sensibilizou muita gente, emprestando maior dramatismo àquela costumeira e enfadonha migração, potenciando a fragilidade e a miséria dos seus companheiros de infortúnio, já que homens e cães estão condenados a viver juntos e a ter um futuro comum. Pondo de parte a comovente história do Oso, a quem desejo longa vida, adianto que o Ministério da Saúde mexicano diz existirem 22 milhões de cães no seu território (nenhum país da América Latina tem tantos), dos quais 10 milhões não têm casa e vivem na rua. Por sua vez, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou no ano passado que 70% dos cães no mundo são, infelizmente, vadios. O Dia Internacional do Cão Abandonado (stray) é comemorado todos os anos no dia 27 de julho e tem como principal objectivo promover a adopção responsável dos cães que procuram um lar.

(1)Nome, por vezes depreciativo, atribuído pelos latino-americanos aos norte-americanos quando falam deles, um sinónimo de “Yankee”.

terça-feira, 3 de outubro de 2023

SALVAR PLANTAS NATIVAS DE ASSASSINO SILENCIOSO

 

Em Nova Gales do Sul (NSW), na Austrália, dois cães detectores de odores foram especialmente treinados para farejar uma doença transmitida pelo solo que danifica as plantas nativas e que ameaça a saúde e a resiliência dos parques nacionais, viveiros e jardins públicos. Com o financiamento do SAVING OUR SPECIES PROGRAM do governo de NSW, adestradores especializados têm treinado Alice, uma Springer Spaniel e Echo, um Spaniel da Bretanha, a identificar um patogénico chamado PHYTOPHTHORA CINNAMOMI, que pode causar doenças em milhares de espécies de plantas nativas, danificando permanentemente os ecossistemas e destruindo o habitat da vida selvagem nativa, incluindo o Bandicoot Castanho do Sul e o Rato Esfumaçado.

Depois de 10 meses de treino, a Alice e o Echo podem agora distinguir com segurança plantas infectadas de plantas não-infectadas num ambiente de laboratório e estão a aprender como detectar o patogénico latente no solo, bem como em veículos, roupas e equipamentos de corte. Estes cães têm praticado em plantas fornecidas pelo NORTHERN BEACHES COUNCIL, que está a trabalhar afincadamente para proteger a grevillea de Caley (Grevillea caleyi), criticamente ameaçada, contra infecções.

Com base no sucesso deste teste, o governo de NSW está a conceder uma doação adicional de 50.000 dólares americanos para aprimorar as habilidades dos cães e enviá-los para testar o solo no Parque Nacional Barrington Tops e no Parque Nacional Scheyville, onde a Phytophthora representa uma séria ameaça para várias espécies de plantas ameaçadas. O projecto de 2 anos envolverá o Serviço de Parques Nacionais e Vida Selvagem de NSW, a TATE Animal Training Enterprises, a Universidade de Sydney, o Jardim Botânico da PlantClinic de Sydney, o Conselho de Praias do Norte e o Departamento de Planeamento e Meio Ambiente de NSW.

Como em Portugal o PHYTOPHTHORA CINNAMOMI também se encontra presente, afectando principalmente o CASTANHEIRO (Castanea sativa), a AZINHEIRA (Quercus ilex) e várias espécies do coberto arbustivo como as dos géneros Cistus, Lavandula, Phyllirea e Genista. O SOBREIRO (Quercus suber), que é mais resistente à doença, é igualmente afectado na presença de outros factores debilitantes. O patogénico infelizmente já cá está e provavelmente há mais tempo do que julga, quando viremos a ter cães para nos ajudar a detectá-lo? Mistérios!

MRS HEATHER ESQUECEU-SE QUE AS VACAS MARRAM E PISAM AS PESSOAS

 

No dia 13 de Maio, dia de peregrinações e milagres em Fátima, nos arredores de Magherafelt, cidade e freguesia no Condado de Londonderry, na Irlanda do Norte (prefiro Ulster), ao chegar a casa depois de vir do trabalho, Heather Vance decidiu dar um passeio com o seu cão Trigger perto da fazenda da sua família. “De repente, ele (o cão) saltou para um campo onde 18 cabeças de gado pastavam e que imediatamente começaram a rodeá-lo”, relembra Heather. Pouco depois de entrar naquele campo, o invasor cão de família levou uma marrada de uma das vacas numa vala. Instintivamente, Heather transpôs a cerca para acudir ao seu animal de estimação. “Eu tinha acabado de me abaixar e de colocar a minha mão na coleira dele e logo a seguir os animais começaram a pisar-me, o que demorou algum tempo e eu fiquei ali simplesmente deitada com fortes dores no meu corpo”. Mrs. Vance acabou por sofrer uma fractura na clavícula, um cotovelo fracturado, três facturas na pélvis e extensos danos nos tecidos moles da coxa.

Apesar de ter ficado tombada no campo e sem telemóvel (celular), a sinistrada conseguiu chegar a uma estrada próxima, onde foi avistada por um vizinho. Depois de uma avaliação médica inicial, uma ambulância aérea foi chamada para levar a senhora ao Royal Victoria Hospital, em Belfast, onde ficou internada durante mais de 6 meses. Infelizmente, o cão dela, Trigger, teve que ser sacrificado como resultado dos ferimentos. “Isso foi tão devastador para mim e facilmente poderia ter sido eu”, disse Heather, acrescentando: “Para qualquer um que esteja a ouvir a minha história, eu diria apenas que sim, os animais podem parecer lindos no campo, mas são muito perigosos. Tenho sorte de estar viva aqui hoje para contar esta história e não acho que teria sobrevivido sem a ambulância aérea.”

O que a senhora Vance não disse e não reconheceu, é que foi ela que condenou o pobre cão à morte quando o trouxe solto junto àquelas cercas de gado. Ter-se-ia esquecido que as vacas marram e pisam as pessoas? Infelizmente não é a única a incorrer nesta tolice, pois não falta por aí quem proceda de igual modo, com sérios prejuízos para o gado e para os seus produtores, como sucede amiúde nas Ilhas Britânicas, na Europa continental e em vários países da Commonwealth. Exige-nos o bem-estar animal e o respeito que é devido à propriedade alheia, que junto a estábulos, cercas, prados e locais de transumância, circulemos com os nossos cães atrelados. Lamentavelmente, tanto na Irlanda como na Grã-Bretanha poucos procedem assim, mau-hábito que já levou a infindáveis quezílias, a encarniçadas agressões e ao abate de alguns cães. Creio que Mrs Vance terá aprendido a lição, mas não tenho a certeza. Apesar dos hábitos não serem regulamento, há alguns muito difíceis de eliminar, como explicava um velho saloio relembrando um cura já desaparecido: “Estão-lhes na massa do sangue!”

METERAM-SE NA BOCA DO URSO COM O CÃO E MORRERAM TODOS JUNTOS

 

Na passada sexta-feira, no BANFF NATIONAL PARK, no Canadá, um casal e o seu cão foram atacados por um urso pardo que os feriu mortalmente, conforme fizeram saber os media canadianos. O incidente ocorreu no parque nacional mais antigo do país, na província ocidental de Alberta. “Eles eram parceiros de longa data que amavam a natureza e eram inseparáveis”, disse um membro da família à emissora CBC, que continuou: “Eles viveram no deserto e eram duas das pessoas mais cautelosas que conheço.” Diz-se que as vítimas conheciam e seguiram as regras habituais para se protegerem dos ataques dos ursos. A autoridade do parque já tinha recebido uma denúncia sobre um possível ataque de urso através de um dispositivo GPS na noite de sexta-feira, segundo adiantou no Facebook. Como devido ao mau tempo nenhum helicóptero conseguiu descolar, uma equipa especialmente treinada para lidar com ataques de animais selvagens tomou a rota terrestre até o Vale do Rio Red Deer, no Parque Nacional de Banff, mas era tarde demais. Durante a operação, a equipa de resgate descobriu um urso pardo que se comportava de forma agressiva, que foi abatido para protecção do público. Algumas partes daquele parque nacional foram temporariamente fechadas. Ataques fatais de ursos contra pessoas são extremamente raros, disse um especialista à CBC. Como protecção contra os ataque dos ursos, ele aconselhou viajar em grupos, fazer barulho e levar o spray contra ursos.

As razões que presidiram a este ataque ainda estão por apurar, mas creio que levar um cão para uma zona de animais selvagens pode não ser a melhor das opções, particularmente para locais onde já foi sinalizada a presença de ursos, animais que são simultaneamente omnívoros e um dos maiores carnívoros terrestres. Como foi dito no parágrafo acima, os ataques fatais contra pessoas são extremamente raros, já o mesmo não se passa relativamente aos animais, pois os ursos pardos chegam a abater veados e até alces para comer. É bem possível que tenha sido a presença do cão a despoletar o ataque do urso, por se sentir ameaçado, por ver invadido o seu território ou simplesmente estar faminto. Penso que o cão ao invés de proteger os seus donos, obrigou-os a protegê-lo e isso ter-lhes-ia sido fatal.

Com experiência de causa, aconselho os meus leitores a deixarem os seus cães em casa quando se deslocarem a áreas ou reservas onde existam grandes animais selvagens, não só para preservação dessas espécies, mas também para vossa própria segurança e dos cães, devendo obedecer ao mesmo cuidado em qualquer santuário de animais independentemente do seu tamanho e envergadura. Lembro que cães e gatos são predadores excepcionais, responsáveis pelo desaparecimento de várias animais que outrora vinham até à nossa porta e do cantar dos pássaros que embelezava as nossas manhãs.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

UNS BRINCAM E OS OUTROS CHORAM!

 

Hoje de manhã, dia 2 de setembro, alguém perdeu uma familiar da forma ignóbil no município austríaco de Naarn, localizado no distrito de Perg, no estado da Alta Áustria, quando um American Staffordshire atacou uma corredora. A jovem (diz-se que tinha entre 20 e 40 anos), cuja identidade ainda não tinha sido determinada, sucumbiu aos graves ferimentos no local. Averigua-se agora se o cão se encontrava solto ou não. Certo é que conseguiu libertar-se do dono e atacar a corredora que se aproximava provavelmente da casa do seu proprietário. Foi ordenada uma autópsia. O dono do Staffordshire foi também ferido no incidente e acabou levado para a Clínica Kepler em Linz. A equipa de intervenção em crimes compareceu no local e prestou apoio aos familiares da vítima.

Sempre que tomo conhecimento de incidentes destes lembro-me imediatamente daqueles meninos que por este mundo afora se dedicam a instigar cães a morder e que depois dificilmente conseguem travar os seus ataques, dando azo a disparates que podem ferir ou tirar a vida a alguém, brincadeiras que poderão causar dolo, pranto e consternação a terceiros. Nenhum cão destinado às diferentes áreas da segurança estará verdadeiramente pronto enquanto a prontidão dos seus ataques não for igual à da sua cessação. Os insensatos satisfazem-se em ver os seus cães a morder e, quando assim é, depressa abandonam as escolas caninas, felizes como poucos, mas com pouco ou nenhum controlo sobre as suas “armas animais”. Eu, caso tivesse um Staffie, só abriria porta da minha casa depois de o ter bem seguro e se porventura fosse agressivo, não hesitaria em colocar-lhe um açaime, porque sei os estragos que um cão destes pode causar, sem avisar, numa fracção de segundo. Teria o dono do Staffordshire de Naarn conhecimento do cão que tinha? Se tinha, foi negligente e se não tinha, a sua ignorância foi responsável por uma morte!

PRESA CANÁRIO: TO BE ADDED TO IRELAND’S RESTRICTED BREEDS LIST

 

Até à presente data nenhuma raça canina é proibida na Irlanda, mas 10 delas são consideradas “restritas” e como tal obedecer a certas regras que passam, entre outras obrigações, por circular com os seus donos nos espaços públicos à trela e açaimados. Segundo o jornal Sun, a raça Presa Canário irá ser também restrita em território irlandês. Já em dezembro do ano transacto, o mesmo estava a ser considerado.

Sucintamente, o Presa Canário é um cão grande espanhol do tipo mastim ou cão de captura, originário da região autónoma das ilhas Canárias e encontra-se principalmente nas ilhas de Gran Canaria e Tenerife. A raça é conhecida por ser agressiva e necessitar por causa disso de ser precocemente sociabilizada. Apesar de ser mais previsível que o Cane Corso, divide com ele uma peculiar e muitas vezes trágica característica – todo o desconhecido é um intruso!

Heather Humphreys (na foto seguinte), Ministra irlandesa da Protecção Social, informou: “ Esta lista (a dos cães restritos) não foi actualizada nos últimos anos. O meu departamento propôs nela incluir a raça Presa Canário.” A lista actual das raças restritas é composta pelas seguintes raças: Pitbull Terrier Americano Bull Terrier Inglês: Staffordshire Bull Terrier; Bull Mastiff; Doberman Pinscher; Rottweiler; Pastor Alemão (Alsaciano); Ridgeback da Rodésia; Akita japonês; Tosa Japonesa e cão banido (o que é fruto do cruzamento de qualquer uma das raças mencionadas ou de qualquer das suas linhagens).

Os cães pertencentes às “raças restritas” são obrigados a circular naquela Ilha açaimados em público e sempre à trela, trela que deverá ter menos de 2 metros (6,5 pés) de comprimento e ser suficientemente forte, caso contrário, justifica-se uma trela de corrente de aço. Estes cães são obrigados a usar coleiras com informações sobre os seus proprietários, nomeadamente o seu nome e endereço. Só os maiores de 16 anos poderão conduzi-los (já gora atendendo à perigosidade de alguns animais desta raça, por que não 18 anos?).

Quem me conhece sabe que não sou um especialista a subir às árvores para fugir aos cães, que nunca conheci nenhum que confundisse com um tigre ou um leão. Contudo, aconselho os jovens adestradores, mais infamados do que experientes, que tanto o Presa Canário como o Cane Corso até aos “mais pintados” são capazes de fazer grande moça, porque se há coisa que abominem, obedecer a desconhecidos é a principal delas. Em abono da segurança de todos os agentes de ensino envolvidos no condicionamento de um cão destes, independentemente de vir a ter aulas individuais ou colectivas, ele deve a princípio ou definitivamente ser açaimado durante as lições, particularmente nas aulas colectivas, onde se fazem presentes diferentes escalões etários, normalmente gente de bem com a vida, que transporta cães simpáticos e que sem dificuldade envereda pela extroversão e pela exagerada exposição gestual.

Como estes cães são fortemente hierárquicos, arreigados aos seus hábitos de origem e naturalmente restritos de relacionamento, assim como resistem às guloseimas e se desinteressam por brinquedos, também tendem a resistir à dor e a fazer dela motivo mais do que suficiente para se vingarem. Creio que as autoridades irlandeses agiram duplamente bem quando não proíbem nenhuma raça canina e justaram às restritas o Cane Corso. Escusado será dizer que existem Presas Canários e Cane Corsos que são verdadeiros anjos, porque doutro modo acabariam eles mesmos por exterminar a sua própria raça.

PS: De acordo com registos históricos, o grande conquistador extremeño Hernán Cortez usou com êxito mastins espanhóis na destruição do Império Asteca de Moctezuma II na conquista do México.

BINÓMIOS DA NATO NA LITUÂNIA

 

Onze (11) binómios militares de 11 nações aliadas da NATO reuniram-se em KAUNAS, na LITUÂNIA, no dia 12 do corrente mês para treino táctico-prático como parte do exercício ENGINEER THUNDER 23. Imagens divulgadas por esta Aliança mostram binómios aliados a trabalhar no ESTÁDIO DARIUS E GIRENAS. Os cães para ali destacados foram usados na detecção de explosivos e sujeitos a treino físico, sendo depois convidados para momentos de supercompensação.

O soldado lituano Zovile, convidado a pronunciar-se sobre o desempenho dos binómios, disse a propósito: “Temos os cães e eles fazem a maior parte do trabalho. É claro que precisamos dar-lhes instruções, mas eles usam o nariz, os sentidos e devem mostrar-nos onde estão os explosivos". “É sempre bom ver como os tratadores de outros países comunicam com os seus cães e como trabalham com eles. Portanto, não só podemos fazer exercícios diferentes, ter ideias diferentes, mas também obter muita experiência a partir de outros tratadores que podem estar a trabalhar há mais tempo, os problemas que tiveram e como os resolveram”.

Os cães de trabalho militares fazem parte das forças da NATO e segundo esta desempenham funções na polícia militar, na engenharia e nas unidades de operações especiais aliadas. Zovile continua: “É muito, muito importante para mim. Somos um apoio aos soldados de outras nações e da nossa própria nação. Queremos proteger a vida. Queremos proteger o território, os edifícios e assim por diante. Esta é uma brincadeira na companhia de um cão. E é muito, muito importante brincarmos juntos, o condutores e os cães. E depois disso, quando encontra os diferentes tipos de explosivos, cada cão fica muito feliz porque sabe que vai ter a oportunidade de brincar junto com o seu tratador/condutor.”

“O trabalho do cão é com o nariz, e isso não se consegue, no meu ponto de vista, com uma máquina. Essa é, para mim, a maior diferença entre ele e uma máquina. E também, como eu disse antes, você tem uma ligação afectiva com o seu cão. Eu gosto mais deste tipo de trabalho porque posso brincar com eles (cães). Com uma máquina você não pode brincar. Você faz o seu trabalho, coloca-a numa caixa e pronto. Aqui você nunca termina. Você está sempre ocupado com o seu cão e é disso que eu gosto”, rematou o mesmo soldado.

Os cães militares, também conhecidos como “cães de guerra” (o tema é delicado e importa não ferir susceptibilidades), são dignos do nosso maior apreço e respeito, porque foram ludibriados mediante o treino para tarefas relacionadas com a segurança pública e a guerra, avançando para as distintas missões para poupar vidas humanas. Durante as duas guerras mundiais ocorridas no século passado e nos conflitos que continuam a ocorrer nos nossos dias, muitos já foram deixados para trás e abandonados à sua sorte, feridos, amputados e abatidos. Alguns chegam a receber medalhas pelo seu sacrifício, mas como não sabem para que servem, não lhes dão grande atenção! E porque são amigos que morrem nós e soldados como os outros, sempre que vejo passar algum, perfilo-me comovido por breves momentos, apesar de todos eles serem apátridas por incompreensão.

domingo, 1 de outubro de 2023

LUCA: O 1º DIA

 

Deu ontem entrada nas nossas fileiras um novo binómio, o constituído pela Andreia e pelo Luca. A Andreia é uma esmerada mãe de 3 filhos e o Luca é um Beagle adulto, castrado, extraordinariamente dócil e de propensão atlética, não fora ele um típico “fox hunter”. Chegou-me às mãos depois de andar a veranear por alguns espaços onde a sua dona entrou cheia de espectativas e de lá saíram com uma mão cheia de nada, com o Luca “diagnosticado” como portador de “deficit de atenção”.

Ao reparar na vivacidade deste pequeno cão de caça e sabendo que do ponto de vista atlético os Beagles “não têm espinhas”, introduzi-o eu mesmo à Pista Táctica com uma trela emprestada pelo Paulo Jorge, já que a trela que a dona carregava era imprópria por ser extensível e de fita (curiosamente, ninguém tinha ensinado a Andreia a pegar numa trela correctamente até ali). Como se houvesse nascido na Pista ou para ela, o Beagle foi vencendo um a um todos os obstáculos propostos, primeiro na minha mão e depois guiado pela dona, senhora que ao mostrar-se atenta, seguiu na íntegra as indicações que lhe foram dadas, tornando aquela abordagem aos obstáculos numa experiência feliz.

O Luca tem pinta de super-herói, neste caso de super-cão e demonstrou-o logo no seu primeiro dia de escola, ao avançar sem hesitações para cima do baloiço, onde demonstrou uma serenidade pouco usual nos estreantes. Há que reconhecê-lo: o sucesso do Beagle no aparelho ficou a dever-se ao cuidado da dona em auxiliá-lo.

Espero que este binómio recém-chegado, que tem tudo para vencer, continue na senda do progresso e abrace a cumplicidade que torna possível o entendimento interespécies. Sejam bem-vindos Andreia e Luca!