sexta-feira, 8 de setembro de 2023

QUÉBEC: ÂNSIA DE MATAR LEVA AO ENGANO

 

A Sûreté du Québec (polícia de segurança pública) está a investigar a morte de dois cães em Les Îles-de-la-Madeleine (1) que foram mortos por engano no lugar de outros três considerados perigosos e contra os quais havia uma ordem de abate, engano que gerou raiva nos residentes e solidariedade para com o seu dono. O município emitiu recentemente um comunicado a confirmar que no dia 26 de julho foi emitida uma ordem de eutanásia para três cães que um veterinário externo, contratado pelo município, considerou perigosos: um husky, um Malamute e um labrador (grandes feras, sem dúvida!). No dia 2 de setembro, dois cães correspondentes às descrições de dois dos três cães “perigosos” foram entregues ao município e apresentados como se fossem os cães condenados à prisão. Os dois cães não usavam crachás de identificação e foram sacrificados. No dia seguinte, “de acordo com informação muito preocupante recebida pelo município de um cidadão, os cães entregues na véspera eram na verdade cães de outro dono”, referiu o comunicado do município. “Uma investigação está em andamento para esclarecer as circunstâncias excepcionais deste caso e confirmar a identidade dos cães sacrificados.” Entretanto, os três cães considerados perigosos não foram localizados pelo município. Uma porta-voz de Les Îles-de-la-Madeleine, Isabelle Cummings, disse ao Montreal Gazette que o município apresentou uma queixa oficial à Sûreté du Québec e que uma investigação está em andamento.

Nenhum comentário adicional será feito pelo município, disse ela. O porta-voz da Sûreté du Québec, a sargento Hélène St-Pierre, disse na quarta-feira que os investigadores estão a tentar determinar se um crime foi cometido e que ela não faria mais comentários no momento. Relatos da mídia local e comentários nas redes sociais sugerem que o município interveio junto do dono dos três cães em questão após denúncias de que andariam soltos e que teriam matado vários gatos. Os cães teriam sido avaliados por um veterinário, que concluiu que eram perigosos e com alto risco de reincidência. Quando o proprietário não cumpriu a ordem de trazer os cães para eutanásia, foi emitido um mandado de apreensão dos cães. O proprietário então declarou que os cães haviam escapado. Não está claro quem trouxe os dois cães para eutanásia em 2 de setembro. No Facebook, os moradores locais expressaram indignação e compaixão pelo dono dos dois cães que foram sacrificados por engano. “Talvez eu esteja levando isso muito a sério”, escreveu uma mulher, “mas chorei o dia todo por causa disso e, quando cheguei a casa, abracei meu cão com muita força”. “Todo o dono de um cão fica profundamente comovido com esta história. Pessoalmente, quando chegar em casa, vou colocar um microchip no meu!” escreveu outro. “… Todos nos sentimos solidários com esta família. Estamos sentindo uma mistura de tristeza, ódio e raiva.”

Uma pessoa observou que esta não é a primeira vez que o município de Les Îles-de-la-Madeleine eutanasia um cão errado. Em fevereiro de 2008, o Tribunal de Quebec emitiu uma ordem para o município pagar 600 dólares a Georgina Deraspe depois que o seu cão foi sacrificado por engano. De acordo com essa decisão, em 21 de fevereiro de 2008, Deraspe percebeu que o seu cão, um Cairn Terrier, estava desaparecido. O animal estava registado no município e na época tinha uma etiqueta de identificação na coleira. Uma semana depois, Deraspe soube que um veterinário havia sacrificado o seu animal de estimação por ordem de um inspector municipal. O cão entrou no quintal de uma creche e a dona da creche entrou em contato com a prefeitura para informar que o cão representava perigo para as crianças sob seus cuidados. De acordo com os documentos judiciais, o inspector levou o cão ao veterinário e pediu-lhe que sacrificasse o animal imediatamente. “Nem antes nem depois do cão ser morto (o inspector) se deu ao trabalho de verificar o número inscrito na etiqueta que lhe teria permitido entrar em contato com o dono”, escreveu o juiz Jean-Paul Lecoste na sua decisão. “É difícil não caracterizar a conduta desse funcionário como falta de julgamento. Ele não apresentou nenhuma explicação séria que justificasse não ter verificado o número da etiqueta, exceto que (o cão) era perigoso. Poderíamos compreender se fosse um Doberman ou um Pastor Alemão, mas era um cachorro pouco mais perigoso do que um Poodle (Caniche).”

Asneiras destas, que outra coisa não são do que acções criminosas, acontecessem um pouco por toda a parte, como se estivéssemos rodeados de cães assassinos, altamente perigosos e violentos, quando na verdade acontece o contrário e nunca se viu tanto cão manso, mesmo entre aqueles cujas raças granjearam fama como más. Espero, quando a eutanásia vier a ser posta em prática no País, que não se abatam pessoas por engano ou por conveniência de terceiros, como tem vindo a suceder com os cães.

(1)As Îles de la Madeleine (Magdalen Islands em inglês) são um arquipélago no Atlântico Norte situado no Golfo de São Lourenço, no Québec.

BEM-ESTAR E FELICIDADE

 

Bem que o título acima poderá servir de introdução ao que aconteceu na aula de ontem à noitinha, porque a procura do bem-estar dos cães ligou-se à felicidade dos donos. Na foto que introduz este relato podemos ver a Margarida a exercitar-se com o seu querido Ozzy ao colo, encantado da vida, porque é do colinho que ele gosta mais. Na foto que se segue vemos o Yorkshire a passar por dentro de um separador e só assim nos apercebemos o quão pequenino ele é.

Ontem o trabalho foi quase dedicado em exclusivo à obediência e sociabilização, daí termos encetado um percurso ribeirinho com 3 km de extensão, onde nunca faltam crianças, trotinetas, bicicletas, corredores e crianças em algazarra. O Ozzy portou-se muito bem e o Dobby lá deu, indevidamente “um arzinho da sua desgraça”, ao reagir negativamente a uns “canitos” ladradores quase insignificantes, de famélica apresentação e ruim pêlo. Na foto abaixo, lado a lado, perfilados e como meninos bem-comportados, vemos os dois cães sentados sobre dois pequenos bancos alinhados,, mas separados entre si.

Deste exercício de “quieto” evoluímos para outro mais exigente, colocando os dois cães sobre o mesmo banco, um atrás do outro, cumprindo as ordens que lhes foram dadas e aguardando o chamamento dos seus donos. Ao colocar o Yorkshire na frente do Pastor Alemão exigi um pouco mais do pequeno terrier, que ainda hoje mostra alguma insegurança quando tem um cão na sua retaguarda. O CPA Dobby, por sua vez, não é um cão que adore cumprimentar os outros e se o deixarem tentará agredi-los. Obrigado a refrear os ímpetos, o Lupino respondeu afirmativamente à solicitação que lhe tinha sido dada (houve paz na capoeira!).

Também a Maria teve oportunidade de se exercitar num aparelho de manutenção física, observada pelo seu fiel Dobby, que sentindo-se em terreno frequentado por gatos, estava com um olho na dona e outro a perscrutar a eventual presença de um gato. Como a Maria pretende o Dobby para guarda, não lhe sobra outro remédio do que sair mais vezes com o cão à rua e por mais tempo, para que ele se familiarize mais depressa com toda a sorte de animais, chegando ao ponto de ignorá-los completamente. Por outro lado, ao fazer isto, a Maria está a conhecer melhor o seu companheiro, a adivinhar-lhe as intenções, a trabalhar por antecipação e a alcançar o seu controlo atempadamente. Se assim não proceder, arrisca-se a ver o seu cão a caçar gatos, patos e galinhas, ao invés de se interessar pelos possíveis intrusos, que não miam, grasnam ou cacarejam, evoluindo por norma no mais profundo silêncio.

A Aula correu bem no geral, os cães adoram-na e os donos saíram dela felizes, numa noite aprazível como há muito não acontecia. E quando assim é, só fez falta quem lá esteve. 

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: O CÃO VINDO DE ÁFRICA

 

Dois amigos que já não se viam há algum tempo decidem ir tomar um café juntos e pôr a conversa em dia. Um deles ao reparar no cão do outro, exclamou: “O teu cão é mesmo assustador! Onde é que o arranjaste?” O outro não demorou a responder: “Comprei-o quando estive de férias em África e acabei mesmo agora de lhe cortar a crina!”

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015

2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE, editado em 11/05/2016

3º _ COMO DEFENDER-SE DO ATAQUE DE UM JAVALI, editado em 19/08/2019

4º _ MARAVILHAS TECNOLÓGICAS: O CÃO-GUIA ROBÓTICO, editado em 05/09/2023

5º _ CHECK-UP A UM GRUPO ESCOLAR, editado em 04/09/2023

6º _ O CÃO AZUL: O SANTO GRAAL DO CPA, editado em 30/05/2016

7º _ BLOODY SUNDAY IN OLDHAM, editado em 04/09/2023

8º _ A IMPORTÂNCIA DOS CÃES DETECTORES DE ORNITORRINCOS, editado em 06/09/2023

9º _ RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS, editado em 01/09/2023

10º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º Portugal, 2º Estados Unidos, 3º Brasil, 4º Alemanha, 5º Suécia, 6º Angola, 7º Itália, 8º Reino Unido, 9º Moçambique e 10º Taiwan.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

LAGUNA BEACH: NOVA LEI PARA REGULAMENTAR O LADRAR CANINO

 

Na cidade californiana de Laguna Beach, nos Estados Unidos foi aprovada uma nova lei que regulamenta o ladrar dos cães e que define quando alguém deve chamar a polícia para se queixar dos seus donos. "O que a cidade está a tentar fazer é avançar na direcção de um padrão mais baseado em evidências, porque anteriormente a definição de latidos incómodos estava essencialmente 'nos ouvidos de quem os ouvia'", disse Penny Milne, vereadora da cidade de Laguna Beach (na foto seguinte). “Se um vizinho pensasse que era um incómodo, então isso seria qualificado como um incómodo, o que era uma desvantagem para o dono do cão”. Pela nova portaria, a partir de amanhã, sexta-feira, uma denúncia poderá ser registada no Laguna Beach Animal Control quando o denunciante gravar 30 minutos de latidos incessantes ou documentar 60 minutos de latidos intermitentes num período de 24 horas. Os policias poderão então emitir uma advertência aos infractores ou uma multa de 100 dólares, que pode chegar a 500 para infracções subsequentes.

"Gostei. Acho que é uma óptima ideia", disse a moradora Hailey Gill. “Sei que para mim ter paz é muito importante. Sou uma pessoa muito tranquila, então quando estou no meu quintal e os cães começam a ladrar isso atrapalha-me. Acho uma boa ideia.” A pitoresca cidade litoral é conhecida por ter bairros montanhosos onde as casas são construídas próximas umas das outras, o que faz com que o ladrar dos cães possa ser ouvido em vários quarteirões. Um proprietário canino, Scott Rydholm, recusou a ideia de alguém ser forçado a gravar um cão a ladrar por 30 minutos consecutivos. “Isso também me parece um pouco excessivo”, disse Rydholm. “Após 30 minutos de gravação de um cão a ladrar para reclamar, os donos deverão saber qual a coisa certa a fazer. E se o cão estiver a latir assim, eles deverão cuidar dele.”

Penso que a nova redacção desta lei em Laguna Beach serve mais os donos que não têm controlo sobre os seus cães do que aqueles que são incomodados por eles. Creio que existirão muitos eleitores com cães nesta pequena cidade californiana, mas nem todos com o controlo necessário sobre os seus pets. Por outro lado, é possível que haja por lá alguma gente com sérias dificuldades de raciocínio.

TAIWAN: OFERTA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO PARA AUMENTAR A TAXA DE NATALIDADE

 

Com a China mais pronta do que nunca para deitar a unhas a Taiwan, a ilha enfrenta outro grave problema – tem uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo – o que ameaça decisivamente a sua economia e soberania. Um bilionário candidato à presidência de Taiwan propôs aumentar a taxa de natalidade, em contínua queda livre, oferecendo aos casais animais de estimação gratuitos, caso tenham um filho. Terry Gou (na foto seguinte), fundador da Foxconn, fornecedora da Apple, anunciou a sua intenção de concorrer à presidência como candidato independente na semana passada. Falando sobre como irá decorrer a sua campanha, Gou disse aos seus apoiantes num templo da cidade de Taipei, na sexta-feira, que o declínio da taxa de natalidade em Taiwan poderia ser resolvido dando aos novos pais um gato ou um cão.

Taiwan tem uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, com muitas pessoas a responsabilizar o alto custo de vida, as dificuldades de acesso a creches e outras pelo fenómeno. O rápido envelhecimento da população ameaça a própria existência de Taiwan . Entretanto, a posse de animais de estimação está a disparar, com relatos anedóticos a sugerir que muitos casais estão a escolher animais ao invés de crianças. Gou está convencido que as pessoas poderão estar motivadas para assumir ambos. “Dê à luz um filho e eu deixo-o criar você criar mais um pet”, disse ele, segundo tradução da Formosa TV . “Um gato, um cão. Dê à luz dois e eu deixá-lo-ei adoptar mais dois. Conseguir um animal de estimação em Taiwan não requer autorização do governo. Gou disse que visitou recentemente um abrigo de animais e sentiu que dois problemas poderiam ser resolvidos juntos. “Se não houver taxa de natalidade no futuro, quem cuidará dos nossos amigos peludos?” - disse mais tarde aos repórteres. “Então eu uni estas duas questões. Você não pode esperar que eu sozinho proponha uma política completa para cada pequeno assunto. Acrescentar e multiplicar amor, esse é o meu objectivo.”

A proposta foi criticada por alguns políticos do governo e grupos de bem-estar animal. Gou disse que durante as últimas eleições presidenciais propôs subsídios governamentais para custear a educação dos filhos até aos seis anos de idade, mas que isso não foi implementado. Promete agora consertar as relações com a China e impulsionar a economia de Taiwan. Gou tem até novembro para reunir as 290 mil assinaturas necessárias à sua candidatura, mas já abalou a corrida presidencial. Ele será o terceiro candidato da oposição, ao lado de Hou You-ih do KMT e de Ko Wen-je, do Partido Popular de Taiwan. O candidato do Partido Progressista Democrático no poder, o vice-presidente Lai Ching-te, continua na frente com cerca de um terço das intenções de voto nas sondagens. A presidente Tsai Ing-wen deverá deixar o cargo em janeiro, depois de dois mandatos. Analistas políticos dizem que a entrada de Gou ameaça dividir ainda mais as intenções de voto da oposição. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

VERGONHAS DA GUERRA ISRAELO-PALESTINIANA

 

De acordo com a agência de notícias MEM – MIDLEEASTMONITOR, pró palestiniana, na sua edição online de ontem, soldados israelitas ameaçaram mulheres palestinianas com um cão para obrigá-las a despirem-se. Cinco membros femininos de uma família palestiniana, uma mãe, uma filha e três noras, com idades compreendidas entre os 53 e os 20 anos, foram forçadas a ficar nuas debaixo da ameaça de um cão de guerra e das armas dos soldados, durante um ataque em julho no sul de Hebron, na Cisjordânia, sob o pretexto de terem armas escondidas debaixo das roupas. As forças israelitas realizaram este ataque através de um incursão matinal na casa da família palestiniana Ajluni, acordando 26 pessoas naquela casa, incluindo 15 crianças com idades entre os 4  e os 17 anos. Enquanto os soldados do sexo masculino revistavam os membros da família do sexo masculino sem exigir que se despissem, as mulheres soldados levaram as mulheres da família para outra sala em momentos separados e obrigaram-nas a despir-se. De acordo com as mulheres palestinianas, os soldados femininos israelitas ameaçaram largar os cães sobre as mulheres se elas resistissem e, por vezes, soltaram os cães perto delas, na tentativa de assustá-las e fazê-las obedecer.

Apesar de terem tirado as roupas exteriores, restando pouco para esconder quaisquer armas potenciais, as mulheres ainda foram forçadas a ficar nuas. Além de recorrerem à presença de cães, os soldados também teriam usado as suas espingardas para ameaçar as mulheres para que lhes obedecessem e também para impedir a intervenção dos membros masculinos da família. Forçar palestinianos a despirem-se é comummente utilizado pelas forças de ocupação israelitas (IDF), como uma ferramenta de humilhação que é frequentemente requerida nos postos de controlo e por vezes nos raids a casas palestinianas. A utilização de cães de guerra para obrigar as mulheres palestinianas a obedecer é vista pelas visadas como outro nível de humilhação e trauma, tendo este vergonhoso procedimento aumentado nas operações em toda a Cisjordânia durante o ano passado.

Os anos passam, o número de mortes e humilhações aumenta, cresce o desejo de vingança e a solução “uma nação dois estados” tarda em acontecer. Sem solução aparente à vista, esta conflito parece perpetuar-se e ser presságio do Armagedom há muito anunciado. 

FILADO DENTRO DO SEU PRÓPRIO QUINTAL POR DOIS PIT BULLS

 

Hoje, terça-feira 06 de agosto, na zona nordeste da cidade texana de San António, um homem de 46 anos, quando se encontrava sentado dentro do seu próprio quintal, no quarteirão 9.500 da rua Heidelberg, foi severamente atacado por dois cães de um vizinho, depois de haverem rastejado sob uma cerca, mordendo-lhe ambos os braços e a barriga, causando-lhe ferimentos graves segundo disse a polícia. A vítima está em estado crítico num hospital, depois de ter sido resgatado por vizinhos e pessoas próximas da boca dos cães, um casal da raça American Staffordshire Terrier, comummente conhecidos ali como Pit Bulls e que não estavam esterilizados, segundo disseram os funcionários do Animal Care Services (ACS). Os cães foram levados pela ACS e ficarão de quarentena durante 10 dias. A investigação a decorrer determinará qual o seu destino, estando o seu dono a cooperar com a investigação, que poderá enfrentar acusações criminais segundo o Departamento de Polícia de San António (SAPD).

A mesma polícia adiantou que houve outras três ligações relacionadas com animais para os mesmos endereços, mas com outros cães envolvidos. O vereador do Distrito 2, Jalen McKee-Rodriguez, cujo distrito inclui a residência onde ocorreu o ataque, aproveitou a ocasião para se mostrar, disse lamentar o incidente, desejou rápidas melhoras ao sinistrado, enalteceu o que tem feito pelo controlo dos cães perigosos e adiantou um conjunto de promessas relativas à segurança das pessoas. Este foi o mais recente de vários ataques caninos ocorridos em San António, incluindo um que foi fatal. No fim-de-semana, um homem de 33 anos foi preso depois do seu cão solto ter atacado outro homem de 68 anos de idade. No mês passado, um grande júri do Condado de Bexar indiciou um casal de San António em conexão com um ataque canino fatal ocorrido no início deste ano (o assunto não merece qualquer comentário da minha parte, porque a notícia é por si mesma esclarecedora).

A IMPORTÂNCIA DOS CÃES DETECTORES DE ORNITORRINCOS

 

Encontrar um ornitorrinco selvagem é difícil. Primeiro é preciso encontrar a entrada de uma toca, geralmente escondida por erva alta e arbustos à beira de um ribeiro. Os túneis são estreitos, até 10 metros de comprimento e cheios de becos sem saída, de terra aterrada e múltiplas entradas. Para além disso, os ornitorrincos movem-se constantemente entre diferentes tocas. Nalgum lugar, se não tiver sido alertado por uma abordagem desajeitada, está o esquivo ornitorrinco, a dormir cerca de 17 horas diárias, enrolado num ninho de folhas nativas de junco. Torna-se mais fácil pedir ajuda ao Kip, um cão farejador, porque ele demora apenas alguns minutos a descobrir o ornitorrinco, animal que tem um estatuto icónico na Austrália, muito permanece um desconhecido, nomeadamente o seu número populacional – o que dificulta travar o seu lento declínio. Estes animais são notoriamente difíceis de encontrar ou capturar e é aí que entram os seis cães especialistas que fazem parte do programa de cães de detecção de vida selvagem no Santuário de Healesville, na região de Victoria. Esses cães - incluindo um cruzado de kelpie, um labrador e um cruzado de spaniel – foram treinados para encontrar animais selvagens (ou as suas fezes) pelo odor e podem detectar ornitorrincos vivos nas suas tocas.

Os métodos de treino são semelhantes aos usados nos cães detectores de drogas, mas os cães detectores de vida selvagem precisam de ser capazes de trabalhar em ambientes acidentados, como um riacho de montanha, e não ameaçarem qualquer vida selvagem que encontrem. “Quando os nossos cães encontram os alvos, não queremos que eles apalpem ou ladrem”, diz a treinadora Naomi Hodgens. “Queremos apenas que eles se sentem e olhem. É importante que estes cães sejam específicos para detectar onde está o ornitorrinco vivo, porque eles movimentam-se nas suas tocas.” Uma demonstração de um cão detector de vida selvagem foi mostrada a dezenas de especialistas em ornitorrincos que se reuniram para a primeira conferência no Healesville Wildlife Sanctuary na semana passada para discutir o futuro das espécies nativas ameaçadas. Cães farejadores também têm sido usados para encontrar pássaros e morcegos atingidos por turbinas eólicas e detectar a fertilidade dos Demónios da Tasmânia nas suas fezes. Nos Estados Unidos, chegaram até a ser utilizados para detectar espécies de baleias a bordo de um barco, detectando o cheiro das fezes dos Cetáceos a flutuar na superfície das águas . A doutora Jessica Thomas, especialista em ornitorrincos de Healesville, disse que a espécie era particularmente vulnerável às condições climáticas extremas provocadas pelas mudanças climáticas.

Os incêndios podem secar completamente os pequenos ribeiros e levar sedimentos para os rios onde os ornitorrincos vivem, enquanto as inundações ameaçam os jovens nas suas tocas por não saberem ainda nadar. O ornitorrinco está listado como ameaçado de extinção no sul da Austrália e vulnerável em Victoria. Os humanos precisam de parar com as alterações/agressões ao habitat dos ornitorrincos, disse Thomas, apontando como a introdução bem-sucedida de áreas de proteção marinha foi uma bênção para espécies oceânicas vulneráveis. “Temos que proteger os cursos de água, a sua vegetação e os invertebrados (que os ornitorrincos comem) e deixá-los fluir da forma como devem fluir.” Existem outras maneiras de encontrar vida selvagem. No Parque Nacional Kosciuszko, em NSW, pesquisadores da Western Sydney University testaram fragmentos de DNA de ornitorrinco em riachos e cursos de água para ver a extensão de seu alcance. Eles detectaram ornitorrincos em cursos de água em altitudes muito mais altas do que o esperado, pelo menos 1.650 metros acima do nível do mar e em pequenos riachos onde não haviam sido detectados anteriormente. “Isto destaca a necessidade de aumentar a nossa cobertura de dados sobre ornitorrincos”, disse o pesquisador Breony Webb na conferência de Healesville.

A aparência incomum do ornitorrinco confundiu os cientistas europeus quando o encontraram pela primeira vez, declarando que o corpo preservado do ornitorrinco que haviam examinado era uma “falsificação”, feito de vários animais costurados uns nos outros. Em Victoria e NSW houve mais de 40 anos de pesquisas sobre ornitorrincos, mas Queensland só tem dados limitados sobre o sudeste do estado, disse Tamielle Brunt, oficial do projecto Wildlife Queensland PlatypusWatch . Em última análise, uma população saudável de ornitorrincos significa ecossistemas saudáveis de água doce, disse Brunt. “Independentemente de você se preocupar com o ornitorrinco, você deve se preocupar-se consigo mesmo e com a água doce, porque a água é a força vital deste país.” Durante o mês de setembro, a Australian Conservation Foundation está a incentivar as pessoas a avistar um ornitorrinco como parte de seu projecto de ciência Cidadã Platy , que incentiva as pessoas a irem até ao riacho ou rio local, tentar avistar um ornitorrinco e registar o que avistaram. No ano passado, ornitorrincos foram registrados em 59 locais onde a espécie não era registada há mais de uma década e em 45 locais onde foram documentados pela primeira vez. Grande parte da biodiversidade mundial está em declínio. Globalmente, foram reconhecidos casos de recuperação, mas na maioria dos casos, as espécies ameaçadas não estão a recuperar e a Austrália é um exemplo típico desta tendência global.

Valham-nos os cães de conservação e os que protegem as espécies em perigo das invasoras, dos predadores e dos caçadores furtivos, que apesar da sua abnegação e esforço, acabam muitas vezes por ver os seus protegidos a ser consumidos pelo fogo ou afogados em torrentes inesperadas e colossais. Os cães conseguem descobrir facilmente os ornitorrincos, mas estes só sobreviverão se os homens não espatifarem os seus habitats. 

DESVENDAR UM “ATAQUE INCOMPREENSÍVEL”

 

Em França, uma mulher de 32 anos foi gravemente ferida por dois cães na quarta-feira, dia 30 de agosto de 2023, perto de La Rochelle, quando passeava o pequeno cão dos seus pais, um Pinscher, na cidade de Sainte-Soulle (Charente-Maritime). Os cães agressores, dois Epagneul Breton, saíram-lhe ao caminho perto de uma fazenda, conforme relatou o jornal diário Sud-Ouest. Ao tentar defender o seu cão, a jovem foi mordida várias vezes nas mãos, braços, pernas e ancas, segundo detalhou o citado diário. Uma vez hospitalizada, precisou de ser operada duas vezes. “Ela estava coberta de sangue, despedaçada, como se tivesse sido atingida por um machado”, confidenciou o irmão da vítima, um bombeiro que interveio depois de ser alertado por um vizinho. A caminhante apresentou queixa à gendarmaria de Nieul-sur-Mer, assim como sua mãe, cujo cão ficou também ferido. Para o dono dos spaniels, este ataque é “incompreensível”. Os cães viviam livremente nas terras agrícolas sem nunca terem mordido em ninguém até àquele momento, sendo encerrados logo após o incidente. O Prefeito de Sainte-Soulle, Bertrand Ayral, rotulou o incidente de “acidente dramático, mas isolado”.

Vamos lá desmistificar aquilo que para o agricultor francês, dono dos Epagneul Breton, é um “ataque incompreensível”. Se há cães com um inveterado e forte instinto de caça, no topo da sua lista encontramos o normalmente simpático e dócil Epagneul Breton, um cão de aponte de históricos e reconhecidos créditos cinegéticos. Como cão de caça que é, sabe usar os dentes e se não for condicionado previamente, poderá até despedaçar a caça. Dois cães destes, a conviverem diariamente e a caçar juntos, ao estimularem-se mutuamente, constituem-se de facto numa matilha caçadora. A invasão do seu território pela caminhante despertou-lhes a curiosidade e a presença do Pinscher o seu instinto de caça. Ao tentar ocultar e proteger o pequeno cão, a jovem ainda mais acirrou nos cães o desejo de caçá-lo, mordendo-a na tentativa de alcançá-lo. Assim, o Pinscher foi a causa do ataque e o seu responsável o dono dos cães, que ao invés de os ter presos, tinha-os à solta, considerando o seu histórico social anterior. É bem provável que a jovem naquelas circunstâncias tenham entrado em pânico, o que poderia ainda contribuir mais para aquele desfecho. A exclamação do agricultor que o levou a considerar aquele ataque de “incompreensível”, fez-me lembrar aqueles vizinhos que diariamente dão de comer a cães abandonados e por vezes até algum tipo de abrigo. Mas se algum desses animais causar algum acidente, bem depressa dirão que o animal é um desconhecido e que não tem dono, como se ele houvesse caído ali de pára-quedas. 

BAIXA SAXÓNIA: UM EXEMPLO A SEGUIR QUANTO ANTES

 

O estado federal de Baden-Württemberg, localizado no sudoeste da Alemanha e a leste do Alto Reno, gostaria de fazer o mesmo que já acontece na Baixa Saxónia, tornar obrigatório um certificado de especialização para todos os proprietários caninos. Os ataques caninos a humanos na Alemanha aumentaram nos últimos anos. Entre 2008 e 2017, houve até cinco casos, em Baden-Württemberg, em que tais ataques terminaram fatalmente para as pessoas. Isto significa que este estado federal, juntamente com a Renânia do Norte-Vestefália e Hesse, registou o maior número de incidentes fatais envolvendo cães. Os políticos querem intervir e tornar obrigatória a prova de perícia para os proprietários. Mas embora o projecto esteja incluído no acordo de coligação do governo preto-verde (CDU, CSU e ALIANÇA 90/Os verdes), pouco aconteceu até agora. As pessoas costumam falar sobre a carta de condução para cães quando o que realmente querem dizer é prova de experiência. Portanto, é importante esclarecer brevemente as diferenças entre os dois termos. Tanto o certificado de perícia quanto a carteira de habilitação canina consistem numa prova teórica e prática. Porém, quando se trata da prova de competência, o foco está mais nas habilidades do dono do cão, por isso a prova prática também pode acontecer com um cão já treinado.

Em princípio, não existe uma regulamentação nacional na Alemanha que exija uma carta de condução para cães ou uma prova de especialização. Cabe, portanto, aos estados estabelecer as suas próprias regulamentações para a criação de cães. A Baixa Saxónia, por exemplo, é actualmente o único estado federal que exige uma prova de perícia. De acordo com o Ministério de Defesa do Consumidor da Baixa Saxônia, os donos dos cães devem cumprir o seguinte: 1 _ Prova teórica e prática de especialização: A prova teórica deve ser realizada antes da compra do cão, a prova prática deve ser realizada no primeiro ano de guarda do cão; 2 _  Os cães com mais de seis meses deverão ter um microchip de identificação inserido; 3 _ Os proprietários devem contratar um seguro de responsabilidade civil para cães com mais de seis meses e 4 _ Quem quiser manter cães considerados perigosos precisa de uma autorização da autoridade responsável¨. Mas nem todos os estados federais têm regulamentações tão rígidas. Na Baviera, por exemplo, ninguém precisa apresentar carta de condução para cães ou um comprovante de especialização. A única excepção é a relativa aos cães considerados perigosos, que exige dos seus donos a apresentação da “certidão negativa”, somente passada mediante exame oficial.

O plano está em vigor há muito tempo, mas ainda falta implementação. Segundo o acordo de coligação, Baden-Württemberg pretende seguir o exemplo da Baixa Saxónia e introduzir um certificado de especialização obrigatório para todas as pessoas que comprem um cão até ao final de 2026. De acordo com o jornal Badische Zeitung, um projecto de lei correspondente está actualmente a ser elaborado. No entanto, existem dúvidas quanto às exigências a atribuir às pessoas que possuem cães há anos. Além disso, ainda não foi estipulado quem irá atestar a perícia dos donos na compra de um novo cão.

Se uma lei destas entrasse aqui em vigor, a diminuição do número de incidentes com cães seria brutal, o que seria uma excelente notícia para o público no geral e também para os cães. Entre outras coisas, acabariam os cães à solta, as brigas entre cães diminuiriam drasticamente, assistiríamos a menos inúteis e malvadas agressões aos animais, deixaríamos de ver crianças a conduzir cães maiores e mais pesados do que elas e velhinhas a reboque de cães poderosos e fugazes. Como seria bom seguirmos o exemplo da Baixa Saxónia e não um futuro modelo espanhol ao qual sempre acabamos por subtrair algo, como foi o caso do “Atestado de Robustez Física e Psicológica” para os donos dos cães perigosos, que aqui nunca foi exigido, apesar de Portugal ser o segundo país da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) com maior consumo de antidepressivos, conclusão apresentada num post do “Instituto + Liberdade” publicado a 10 de outubro do ano transacto, dia em que se celebrou o Dia Mundial da Saúde Mental.  

UNIDOS PELA OBEDIÊNCIA E PELA SOCIABILIZAÇÃO

 

O CPA Dobby e o Yorkshire Terrier Ozzy não têm nada em comum, mas une-os a necessidade de serem obedientes e bem-sociabilizados, sendo abrangidos de igual modo pelos benefícios da disciplina da obediência canina. Já do ponto de vista atlético, os seus requisitos são completamente díspares, como diferentes são os propósitos do seu adestramento. Se porventura quiséssemos fazer deles cães de detecção, aí sim teriam currículos iguais, ainda que com abordagens diferentes. Na obediência caminham a passos largos para o sucesso e estão a assumir a sociabilização como modo de vida. Na foto acima vemo-los junto a uma típica barraca de feira e na seguinte a evoluírem sobre uma passagem estreita circular sem atropelos, cada um no seu lugar, silenciosamente e a respeitarem a distância entre si.

O CPA Dobby que dava a impressão de ser estouvado, comportamento incutido pela dona por desgoverno, para além de já não atacar ninguém como fazia no passado recente em cada aula, já consegue fazer saltos de precisão, conforme se pode ver na foto seguinte, onde aparece a saltar um boca-de-incêndio. A foto não tem grande qualidade por ter sido tirada ao anoitecer e o animal se encontrar em movimento, o que é um problema para a maioria dos telemóveis.

Na cidade também temos um “extensor de solo” para avivar a marcha dos cães ou valer-lhes quando eventualmente se magoam. Na foto abaixo vemos a Margarida com o Ozzy a fazê-lo, Ali, o pequeno terrier ganha asas e coloca algumas dificuldades de equilíbrio à sua dona, que ê obrigada a acelerar o passo sobre um piso irregular.

No final da aula de ontem tirei uma fotografia aos dois binómios presentes na instrução, com os cães deitados de frente um para o outro, tendo como pano de fundo o rio e um cargueiro a passar, paisagem que se prestaria por certo a uma romântica aguarela.

O treino correu com a normalidade necessária, as metas e objectivos foram alcançados, a Maria não caiu (o que se saúda) e a anunciada chuva não se dignou acompanhar-nos. Agora já anoitece mais cedo e as aulas terminam à luz dos candeeiros, o que não deixa de ter o seu quê de solidão, encanto e mistério, desde que as melgas (pernilongos) não nos ataquem!

terça-feira, 5 de setembro de 2023

DOIS CÃES NUM HOSPITAL PEDIÁTRICO NO IOWA

 

O Hospital Infantil Stead Family da Universidade de Iowa trouxe dois novos cães, Corrin e Nacho, para terapia assistida por animais a pacientes através de um novo programa neste outono.  Financiado por doadores do UI Center for Advancement, o Wags and Waves Facility Dog Program apoiará os pacientes da mesma forma que muitas pessoas sentem a companhia e o apoio de seus próprios animais de estimação. Corrin é uma mistura de Golden Retriever, Labrador chocolate e Poodle e Nacho é uma mistura de Poodle com Golden Retriever. Os cães oferecem nas instalações terapia assistida por animais e o site da UIHC avança algumas das maneiras pelas quais os cães apoiam os pacientes num ambiente pediátrico. Isto inclui incentivar a recuperação, caminhar com os pacientes, fornecer apoio emocional e auxiliar no processo de internação hospitalar. As especialistas em vida infantil Emily Bradley e Aly Humphrey cuidam dos cães. Humphrey disse que a presença deles já causou impacto na vida dos pacientes. Os especialistas em vida infantil ajudam os pacientes jovens a preparar-se e a entender porque razão estão no hospital e ajudam-nos a suavizar esse  processo. Humphrey disse que houve um paciente que ficou introvertido durante a sua estadia no hospital, mas que depois de ver os cães ficou muito mais activo.

“Trabalhámos com um paciente que nunca saía do quarto e que assim que viu os cães, mudou o seu comportamento, ficando mais motivado para se levantar”, disse Humphrey . “O médico parou-me esta manhã e disse-me: 'Muito obrigado por ir vê-los com Corrin, pois fez uma grande diferença.'” Bradley disse que Nacho fornece uma energia calmante em qualquer ambiente onde se encontre. “O Nacho é tão calmo que a sua presença diminui a nossa ansiedade”, disse Bradley. Quando os cães não estão a trabalhar no hospital, eles voltam para casa com os seus tratadores principais. Os cães recebem também adestradores secundários que cuidarão deles caso um dos adestradores principais não possa. Tanto Nacho quanto Corrin vêm de uma organização sem fins lucrativos com sede em Milton, na Geórgia, chamada Canine Assistants. Os cães estão condicionados nos comportamentos necessários para os serviços gerais de mobilidade, resposta a convulsões, alertas para diabéticos e prestação de companhia.

A Diretora Executiva de Assistentes Caninos, Jennifer Arnold, disse que sua missão de vida é ajudar as pessoas a entenderem como trabalhar acertadamente os cães. “Devo muito aos cães e vou passar o resto da minha vida tentando convencer o mundo de que existe uma melhor maneira de interagir com eles”, disse Arnold. Os assistentes caninos usam uma abordagem baseada no vínculo afectivo estabelecido com os seus cães para treiná-los. Arnold disse que em vez de usar comandos directos, eles procuram entender e adaptar-se àquilo que o cão está a sentir para recriar esse vínculo. “Os nossos cães aprenderão conceitos e a responder sim ou não a perguntas binárias. Eles já aprenderam o conceito de serem gentis”, disse Arnold. “Os cães são criaturas esperançosas.” Os Assistentes Caninos pedem apenas que os hospitais para os quais enviam os seus cães paguem o serviço antecipadamente.

As opiniões dividem-se quanto à presença de cães nos hospitais e noutras unidades de saúde, mas o Hospital Infantil Stead Family da Universidade de Iowa parece não ter tido qualquer problema em usá-los nas suas instalações junto aos seus pacientes, reconhecendo ao invés as suas mais-valias.

MARAVILHAS TECNOLÓGICAS: O CÃO-GUIA ROBÓTICO

 

Os deficientes visuais poderão contar em breve com um novo tipo de companheiro – o cão-guia robótico. Isso deve-se aos alunos do Centro D-ITET de Aprendizagem Baseada em Projetos do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique - ETH Zürich (que é considerada a quinta melhor universidade do mundo no ramo de engenharia e tecnologia, pela QS World University Rankings by Subject), que têm estado a trabalhar para dar vida a versões artificialmente inteligentes do melhor amigo do homem. O emblemático projecto Robot-dog está a ser desenvolvido por pesquisadores da instituição atrás citada, juntamente com outras inovações de inteligência artificial que ajudarão na produção de carros autónomos e de drones voadores. Aqueles que adoram os seus cães-guia ainda não precisam de se preocupar com a possibilidade da sua dispensa, porque os pesquisadores reconhecem que nada se compara a um cão verdadeiro. No entanto, os pesquisadores esperam que os seus avanços possam proporcionar uma alternativa mais barata quando não houver cães-guia disponíveis ou que possam vir a ser usados em operações de resgate.

“O objetivo principal do projecto Robot-Dog é ajudar as pessoas cegas a navegar na sua vida quotidiana”, diz o estudante de doutorado Davide Plozza. “Cães-guia custam muito dinheiro para serem treinados e o nosso objetivo é desenvolver um sistema robótico que seja capaz de navegar de forma autónoma num ambiente invisível e guiar pessoas cegas, evitando obstáculos”. Ao explicar como o Robot-Dog foi criado, acrescentou: “Para atingir esse objectivo, usamos um cão robótico disponível comercialmente e construímos hardware adicional, incluindo novos sensores e uma unidade computacional adicional”. O Robot-Dog Flagship Project no PBL tem como objetivo competir nos ICRA 2024 Quadruped Robot Challenges (QRC), que acontecerão no Japão.

Quase sem darmos por isso, os robots fazem cada vez mais parte das nossas vidas, ainda que nem sempre os vejamos, o que não será por muito tempo. Mais depressa do que se julga, a actual geração de cães esterilizados não deixará semente, haverá centros de treino para cães-robot, o que será uma boa notícia para o Paulo Jorge e para todos os apaixonados pela Inteligência Artificial – o futuro já está a entrar-nos pela porta! 

CPA DOBBY AOS PÉS DA MIL-HOMENS

 

Samora Correia é uma cidade de gente historicamente honrada, determinada e valente, profundamente ligada à tauromaquia e aos seus maiores vultos, não sendo por isso de estranhar que alguns dos seus monumentos estejam ligados “à festa brava”. À falta de melhor poiso, a Zezinha foi deitar o seu pastor alemão junto à estátua de Maria Mil-homens, uma cavaleira tauromáquica nascida em Samora Correia a 03 de dezembro de 1928, que foi a primeira mulher portuguesa a actuar formalmente como cavaleira nas nossas praças, história que o Dobby ignora e para quem a estátua não tem qualquer sentido, porque a sua dona não se desloca a cavalo e pede-lhe sempre para andar a seu lado, sendo ela na verdade a sua heroína, mais valiosa do que mil homens! Também o Dobby nasceu para se destacar dos demais cães, mas não pode fazê-lo sozinho e só a sua dona poderá ajudá-lo a ascender ao lugar que por direito lhe pertence – seria tão bom se os cães pudessem aprender sozinhos!

PERRICE DE GENTE GRANDE

 

Preteri o termo “rabinice” em função de “perrice” por duas razões: primeiro porque “rabinice” é um termo xenófobo que pode ofender os rabinos e os judeus em geral, tal como o verbo “judiar”, que também significa troçar ou fazer mal a alguém e depois porque “perrice” é sinónimo de “rabinice”, não tem conotações racistas, é mais usado nos distritos mais a norte do país e advém da palavra castelhana “perro” que significa cão, o que nos aproxima mais do nosso ofício. As maldades de gente grande que quero contar-vos dizem respeito a um casal francês de Dieppe (Seine-Maritime), ele com 29 anos e ela com 27, que foram detidos na passada quinta-feira, dia 31 de agosto, por terem partilhado nas redes sociais um vídeo onde aparece a jovem a bater no seu Staffordshire Terrier com um varão de cortina.

O vídeo remonta há um ano atrás e foi rapidamente apagado, não sem antes ser visto por uma associação de protecção animal (SPA), que apresentou queixa a 27 de agosto na gendarmerie de Louviers, no departamento do Eure-et-Loir. O casal acabou preso, a polícia deslocou-se a sua casa com a Sociedade Protectora dos Animais e esta recolheu os dois cães e os dois gatos que ali encontrou. De acordo com a investigação policial, os cães, que pertencem à classificação de ”perigosos”, não tinham sido declarados. O jovem de 29 anos que filmou a cena, foi interrogado pela polícia por “cumplicidade em graves abusos animais”. Por sua vez, a sua companheira de 27 anos, foi interrogada por ter cometido graves abusos. Ambos reconheceram os factos e terão que se explicar em tribunal no dia 07 de novembro. Perante os factos apraz-me dizer que há gente que tarda em amadurecer ou que nunca amadurece. Este casal de Dieppe provavelmente acabará só por ser multado e não me admirava nada que venha a ser reincidente neste crime!  

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

À TERCEIRA FOI DE VEZ!

 

Vamos lá conhecer a história de um rafeiro que não esperou ser adoptado e que tratou ele mesmo da sua adopção. Tudo se passou na vila de Bellaire, condado de Antrim, no estado norte-americano do Michigan, onde um cão rafeiro a quem foi posto o nome de “Scout”, escapou três vezes com sucesso de um abrigo para animais na procura de um lar permanente. Um dia, em meados de julho, o Controlo de Animais do Condado de Antrim foi chamado ao Centro Médico Meadow Brook, onde encontrou um cão do seu abrigo, Scout, enrolado no sofá da sala de espera. O animal havia-se escapado na noite anterior do abrigo que ficava na mesma rua e de alguma forma conseguiu escalar uma cerca de arame de 3 metros, outra cerca de privacidade sólida de 1,80 m, atravessar uma estrada movimentada sem ser atropelado, encontrar a casa de repouso, entrar pela sua porta da frente sem se intimidar e se enrolar-se ali num sofá para dormir.

O Controlo de Animais capturou o cão fugitivo e levou-o de novo para o abrigo, donde escapou alguns dias depois e reaparecer no sofá da sala de espera do Meadow Brook. Novamente capturado e enviado para o canil, o Scout voltou a fugir para o mesmo local pela terceira vez, o que obrigou a equipa daquele centro médico a sentir a necessidade de tomar uma decisão. “Sou uma pessoa que olha para os sinais exteriores e, se é para ser, é para ser”, disse Marna Robertson, administradora daquele lar de idosos ao Free Press. “Ele fez isso uma vez, duas vezes, três vezes e obviamente isso é algo a que você deve prestar atenção. E perguntei à equipa: Bem, ele quer estar aqui, alguém gostaria de ter um cão?” Adoptado formalmente pela casa de repouso, Scout, no dizer do seu pessoal, deveria ter sofrido abusos na sua vida passada, o que não impediu que rapidamente começasse a fazer amizade com os residentes. O Centro Médico Meadow Brook é uma instituição de cuidados permanentes ou de longa duração, que acolhe pacientes com demência, idosos sem qualquer apoio familiar e aqueles que se encontram na fase terminal das suas vidas. Diante deste panorama, a presença do cão por perto revelou-se numa adição de valor inestimável.

Aconteceu no Michigan e acontece vezes sem conta por esse mundo afora, como se os anjos adoptassem figuras caninas para melhor valerem aos homens. As fugas encetadas por este cão mostram que muros com 2 metros de altura são facilmente ultrapassados pelos cães, que bastam saltar 70 cm na vertical para os vencerem sem grande dificuldade, pelo que ninguém se julgue seguro atrás de um muro ou cerca com essas dimensões, mesmo que o animal em questão nunca tenha entrado numa pista de obstáculos.