segunda-feira, 4 de setembro de 2023

BLOODY SUNDAY IN OLDHAM

 

Na cidade de inglesa de Oldham, pertencente à grande Manchester, de acordo com algumas testemunhas, atiradores da polícia mataram ontem, domingo, dois cães a tiro depois destes terem atacado uma mulher e o seu Cockapoo, cães que as mesmas testemunhas consideraram “perigosos e fora de controlo”. Um homem foi preso na sequência do ataque em Moorside na manhã de domingo. A polícia armada e um helicóptero policial foram chamados ao local após relatos de que dois cães que se encontravam “soltos” atacaram uma mulher e o seu pequeno cão, senhora que mais tarde deu entrada no hospital com várias feridas de dentadas. Fotos da cena mostram dois cães – um que parece ser um híbrido de Pastor Alemão com Husky e o outro de raça grande do tipo Bulldog – ambos vagando soltos. Alguns moradores postaram mensagens num grupo local do Facebook pedindo aos pais que não deixassem os seus filhos sair enquanto aqueles cães estivessem soltos. Outros descreveram o seu horror ao ver um dos cães morto a tiros. O outro cão, que havia fugido, foi posteriormente rastreado por policiais por meio de helicópteros da polícia e foi também morto a tiros a uma curta distância.

Uma testemunha disse: “Cerca de cinco carros de polícia não identificados vieram apitando e estacionaram em frente à nossa propriedade. Vimos vários polícias a sair com armas e tasers. "Eles aproximaram-se do cão que se encontrava na rua ao lado e contornaram-no. Em três segundos, eles atiraram nele à queima-roupa. Houve uma grande comoção, vários polícias corriam pelo outro lado da propriedade, impedindo que os carros subissem pela rua sem saída. “Então um polícia veio e explicou o que tinha acontecido. Ele disse que os cães também haviam estado soltos há algumas semanas e atacaram alguém. Como se encontravam numa área habitacional e se aproximavam da porta das pessoas, a polícia não queria que as pessoas corressem qualquer risco, realçando que aquela tinha sido uma situação lamentável para todos. Outra testemunha disse: "Os cães estavam soltos. Liguei para a polícia e eles chegaram aqui em cinco minutos. Trouxeram oito carros e um helicóptero. Os cães atacaram a mulher e seu cão em Haven Lane. A polícia veio e resguardou-se dentro dos carros, mas os cães pulavam sobre as viaturas tentando alcançá-los. Foi horrível.”

Um porta-voz da Polícia da Grande Manchester disse: “Por volta das 8h15 desta manhã (domingo), a polícia foi chamada por relatos de dois cães soltos na área de Moorside, em Oldham. Polícias especializados e serviços de emergência compareceram no local e descobriram que outro cão e um membro parte do público havia sido mordidos pelos dois cães perigosos que agiam de forma agressiva. “A pessoa ferida e o cão estão a receber tratamento médico. Infelizmente, devido à natureza do incidente, os dois cães foram destruídos humanamente como medida de segurança devido às circunstâncias e aos ferimentos causados." No sábado, duas mulheres foram levadas ao hospital após um ataque de cães num campo de jogos em Leigh. Um helicóptero da polícia foi mobilizado como parte da resposta ao incidente em Howe Bridge, Atherton, por policiais armados.

Alguma coisa há que mudar no que concerne à lei dos cães perigosos e às abordagens policiais, porque se as coisas continuarem como até aqui, todos os cães são perigosos, mesmo aqueles que nunca o foram. De um jeito ou de outro, situações destas têm de acabar, porque ninguém gostará de ter à sua porta mais um lamentável “Bloody Sunday”.

JUSTAMENTE CONDENADOS

 

Um casal inglês que criava huskies para competir em equipas de trenós puxados por cães recebeu penas de prisão suspensa depois que um dos seus cães matou sua filha. Kyra King, de três meses, foi atacada em 06 de março de 2022 em Lincolnshire enquanto seus pais exercitavam os 19 cães na floresta. O seu pai, Vince King, de 55 anos, e sua mãe, Karen Alcock, de 41 (ambos na foto seguinte), admitiram estar encarregados de um cão fora de controlo. O juiz do Lincoln Crown Court disse: "Não tenho dúvidas de que vocês dois desejam todos os dias poder voltar no tempo." King, do Castle Dyke Bank, Nova York, Lincolnshire, foi condenado a 10 meses de prisão, com suspensão de dois anos, e a 100 horas de trabalho não remunerado. Alcock foi condenada a 8meses, também com suspensão por dois anos e a cumprir 80 horas de trabalho não remunerado, conforme ditou a audiência desta segunda-feira. O tribunal ouviu que o casal praticava corridas com huskies há vários anos, que treinava regularmente com duas equipas de cães e  que competia a nível nacional. Os serviços sociais não levantaram anteriormente objecções sobre a proximidade dos cães em relação ao bebé. Em 06 de março de 2022, o casal estava a exercitar os huskies de King em Ostler's Plantation, perto de Woodhall Spa, por volta das 23h30 GMT, segundo foi informado ao tribunal. King e Alcock estavam a dar de beber a alguns cães na sua carrinha antes de guardá-los outra vez nas suas caixas.

A bebé Kyra estava a dormir no seu carrinho ao lado da porta aberta do pendura. O tribunal ouviu que um dos cães, uma fêmea de Husky Siberiano chamada Blizzard, saltou para a frente da carrinha e saiu pela porta junto à qual se encontrava a criança, acabando por atacá-la. Pai e mãe tentaram ressuscitar a filha, mas ela foi declarada morta no local após sofrer “ferimentos graves”, segundo foi adiantado no tribunal. A juiz Catarina Sjolin Knight disse que as tentativas do casal de salvar a filha “assombrá-los-ão sem dúvida por toda a eternidade”, dizendo também que Kyra era um “bebê muito querido e amado” e que o casal havia traçado planos para manter a filha e os cachorros separados. “Não havia nada que desencadeasse o ataque [da Blizzard] a Kyra, mas nesta ocasião ela estava perigosamente fora de controlo”, disse a juiz Sjolin Knight. “Ter um cão é um privilégio e, para muitos, um prazer, mas traz um fardo pesado sob a Lei de Cães Perigosos. "[A Blizzard] fez uma coisa terrível que nenhum de vocês estava à espera e que pesará muito sobre vós para o resto das vossas vidas." A juiz questionou se o ataque poderia ter sido “razoavelmente previsto” e disse que foi o resultado de uma “trágica conjunção de circunstâncias”.

King e a sua ex-parceira Alcock não foram arredados da criação cães, mas foi dada uma ordem para a destruição da cadela assassina. O Detective Craig Davey, da Polícia de Lincolnshire, disse a propósito: “O que aconteceu com esta menina de três meses é algo que irá assombrar todos os envolvidos nesta investigação, assim como o público em geral que tanto tem investido na justiça para Kyra e para os seus pais. A sentença de hoje traz justiça para Kyra, mas acho que poderia falar por todos quando digo que a tristeza por uma perda sem qualquer sentido permanecerá entre nós”. Este caso em Lincolnshire é 1 em mil, porque raramente os pais são responsabilizados criminalmente por haverem negligenciado a protecção dos seus bebés e filhos. No Lincoln Crown Court fez-se justiça!

AQUILO QUE OS RESPONSÁVEIS PELOS HOTÉIS CANINOS DEVERIAM PERGUNTAR E OS DONOS DIZER

 

Por princípio, ninguém vai deixar os seus cães a um hotel canino para ficar sem eles, muito embora haja quem lá os vá meter para nunca mais os ver, o que ano após ano infelizmente sempre se repete. Dos muitos itens que devem constar na folha de hospedagem de um cão, um dos mais importantes é o respeitante aos medos e aversões do animal, para que de nenhuma maneira se fira ou venha a pôr-se em fuga, pormenor que os responsáveis de muitos “hotéis à papo-seco” esquecem ou ignoram, que somado à omissão dos donos sempre acaba lamentavelmente com cães desparecidos e até mortos.

Ao mesmo tempo importa saber se o novo hóspede é de tendência fugitiva, propensão que tende a agravar-se com a ausência do dono. Também se é perito em abrir portas e janelas – um Houdini canino – para impossibilitar que se venha a pôr em fuga. Debaixo do mesmo propósito, se porventura as paredes e redes das boxes do hotel não forem elevadas até ao tecto, mesmo que tenham 2 metros de altura, importa saber se o cão a hospedar está acostumado a subir muros e paliçadas, assim como a cortar corda.

Os canis em áreas onde se costuma soltar fogo-de-artifício, também junto a hospitais, aeroportos e estações ferroviárias, não deverão ser exteriores e a paredes das suas boxes internas deverão ter isolamento acústico. Os itens de uma folha de hospedagem correcta são mais de 60, apenas me referi a estes porque actualmente parece ser moda em Portugal deixar fugir os cães dos hotéis, o que é um tremendo certificado de irresponsabilidade para os seus proprietários e pode converter-se num profundo desgosto para os donos – “Quem não sabe ser caixeiro, fecha a loja!” – ou terei que dizer que o barato sai caro?

CHECK-UP A UM GRUPO ESCOLAR

 

Segundo os actuais padrões da cinotecnia, já adoptados há mais de meio século, nenhum exercício solicitado a um cão poderá dispensar a sua alegria, já que a ausência desta condição, por apelar à violência, é uma forma de tortura e como tal um crime público, próprio de quem não aprendeu ainda a lidar com as suas frustrações. Assim, mais importante do que um cão fazer um obstáculo, é avaliar o modo de como é feito, porque ele denunciará a justeza ou a impropriedade do método imputado ao animal – a arte de ensinar ou educar cães não se coaduna com a atabalhoada política de que os fins justificam os meios. Se assim fosse, bem depressa as reguadas voltariam à instrução primária humana como o melhor subsídio pedagógico. Se tardiamente abandonámos as reguadas, porque insistimos em escravizar os cães, porventura aprenderão melhor à berlaitada? É isso que fazemos quando desprezamos o seu prazer em aprender, erro troglodita que de uma assentada semeia a desconfiança e o medo, comprometendo em simultâneo a cumplicidade, a interacção e o desempenho dos animais. Depois da enumeração sumária destes princípios gerais e à luz do reforço positivo, vou passar à analise de cada um dos binómios pertencente a um grupo escolar em exercício na sua Pista Táctica, visando exclusivamente o bem-estar animal e a consequente progressão binominal.

BINÓMIO JOSÉ ANTÓNIO/DOC – Há que salientar em primeiro lugar o cuidado que o José António dedica ao seu Fila de S. Miguel, cuidado que o destaca dos demais. Ninguém duvida dos vínculos afectivos existentes entre dono e cão, assim como ninguém pode pôr em causa a margem de progressão do animal. Contudo, duas impropriedades laborais carecem de ser vencidas, a menor velocidade na execução dos obstáculos e a pouca tenacidade nas capturas, ambas ligadas a uma e só causa – à insuficiência na hora de recompensar – o que leva muitas vezes o Doc a sair dos obstáculos como quem já cumpriu a sua obrigação e não como quem sabe que vai receber uma recompensa, avidez que o tornará mais célere e decidido. Por outro lado, a recompensa com o brinquedo da sua eleição, reforçará no Doc a decisão nas capturas, impelido que vai pela posse do brinquedo. No passado, o Doc estava ser ensinado a trazer vários objectos à mão do dono visando o socorro deste, o que lhe conferia maior força de mordedura e maior utilidade. A dispersão de golpes de um Fila não se coaduna com o beliscar efusivamente e por sistema de um fato de ataque, porque a sua menor força de mordedura e tendência para ataques de esquiva carecem de ser vocacionadas para acções cirúrgicas e eficazes que necessariamente carecem de condicionamento prévio, uma vez respeitadas as suas características peculiares. Os Filas de S. Miguel, contrariamente ao comum dos Pastores Alemães, trabalham mais com a memória afectiva do que com a memória mecânica, não dispensando por isso um acompanhamento mais tangente e a experiência feliz. O desenvolvimento excepcional da memória mecânica do Doc ficou a dever-se em primeiro lugar à sua precocidade laboral ligada à dedicação de que foi alvo. José António: Recompensa e serás recompensado!

BINÓMIO AFONSO/THOR – Foi ao Afonso que no passado dediquei mais tempo, o que rapidamente o transformou num exímio praticante da Técnica de Condução, sendo nisso superior a muitos franco-atiradores na nossa praça que são autênticos “ceguinhos” nesta habilitação. Apesar de introvertido e por isso mesmo amigo dos seus próprios juízos, que por vezes não confessa, o Afonso é simultaneamente dedicado e meigo, dando-lhe estas duas últimas condições potencial para se vir a transformar num bom adestrador, quando menos sujeito a nefastas influências externas. O Thor denuncia o que acabei de dizer acerca do seu condutor, porque o adora e espera mais dele, desafiando-o invariavelmente para a brincadeira, brincadeira sobre a qual construirá o Afonso um parceiro ideal. Afonso: Os cães não são só trabalho, também precisam de brincar e muito!

BINÓMIO SVETLANA/VLAD – A Svetlana tem uma habilidade natural para o adestramento canino e tem tudo para nele vir a ser bem-sucedida, desde que respeite a sua própria identidade e não aja contra a sua sensibilidade, que não é pouca, porque vale mais a sua originalidade do que qualquer cópia fiel que queira adoptar. Tímida, cuja gaguez lhe entrava a falsa extroversão, o que denuncia uma apropriação distante da sua, a Svetlana dá a impressão de ter medo de ser quem é e de desagradar, indecisão que por vezes lança o Vlad na confusão, sem saber que dona tem e aquilo que o espera, muito embora a evolução do cão que deva a ela. Svetlana: Não precisas de te armar em durona na pista, tira a máscara, pois basta seres igual a ti própria para teres um cão à tua imagem.

BINÓMIO JOSÉ MARIA/ COM UM DOS SEUS OU COM TODOS – Tecnicamente o José Maria está melhor, emocionalmente nem por isso, por razões que transcendem a minha abrangência enquanto adestrador canino. Com tanto cão para trabalhar, não sei se chegará com algum ao estrelato ou se tão pouco chegará a conhecê-los todos segundo o seu particular. O José Maria está melhor, os cães é que não, pois continuam agachados e a carregar a garupa às costas, com as orelhas abatidas e as caudas a denunciar no mínimo insegurança, o que temerão eles? José Maria: Precisa de mudar radicalmente de atitude em relação aos cães, de ir ao seu encontro e descobrir o muito que têm para lhe oferecer. Não perca tempo, a vida deles é muito curta!

BINÓMIO PAULO/BOHR - O Bohr deve ser um dos lobeiros mais felizes do mundo, porque brinca em casa, na rua e na escola, brinca em todo o lado e não se cansa de troçar da cara do dono, nem que para isso tenha que o chantagear desmesuradamente. Sabidão, sempre acaba por fazer o dono desistir dos seus intentos. Cão de trabalho? Só nas mas minhas mãos! Paulo: Já não vais a tempo de apanhar a carruagem laboral, coisa que já sabes e que pouco te importa. Apesar dos incómodos que te podem causar, os trabalhos actuais do Bohr visam a sua qualidade de vida e longevidade.

Antes de avaliar o Fila Thor no que à segurança diz respeito, quero aqui salientar um sujeito que desconhecia e que me apareceu na pista – o Slad - penso que é assim que se chama e ao que tudo indica é filho do Ivan. Este jovem demostrou especiais aptidões para o adestramento, pelo que nisso deveria ser aproveitado. Quanto ao Thor, mostrou especiais aptidões para desempenhar futuros serviços de segurança, podendo transformar-se num sério e excelente guardião.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Afonso/Thor, José António/Doc, José Maria/Drako, José Maria/Schwartz, José Maria/Süße, Maria/Dobby, Paulo/Bohr, Svetlana/Vlad. Durante o treino ainda apanhámos três molhas de curta duração, o que não impediu o normal desenvolvimento dos trabalhos. O Plano de Aula foi cumprido e suas observações foram agora expostas. O Jorge Filipe não compareceu e todos regressaram a casa bem-dispostos. 

O BAPTISMO DE FOGO DA MARIA E DO DOBBY

 

”O baptismo de fogo da Maria e do Dobby” não se reporta à sua estreia em combate ou à sua participação num conflito qualquer, mas à sua estreia na Pista Táctica e nos desafios binominais que ela promove. Independentemente dos desafios que ali encontrou, a Maria já trazia uma vantagem de casa – a disponibilidade do Dobby – que nunca por nunca a deixará ficar mal e que sempre enaltece a raça a que pertence. Na foto acima, tirada durante a obediência linear, vemos a Maria com o Dobby no lugar de Fila-guia e na seguinte vemos o mesmo binómio a ultrapassar um arco de 50 cm de diâmetro e elevado a 80 cm do solo, obstáculo até ali desconhecido para o cão, mas que ele ultrapassou como se já fosse seu conhecido (felizmente que ainda existem cães assim!).

Todos os desafios colocados ao CPA Dobby foram por ele vencidos, apesar de estar a entrar pela primeira vez numa pista de obstáculos tácticos. Na foto abaixo vemo-lo a executar o baloiço, obstáculo que ele também venceu apesar dos entraves técnicos da sua dona e condutora.

Não como praxe, mas como parte das nossas idiossincrasias, convidámos a Maria como figurante para a manga, tendo como oponente o mui cuidadoso CPA Bohr, santo protector de todos os inexperientes figurantes, próprio para a fotografia e amigo de quem o provoca.

Como boa ribatejana, a Maria citou bem, não se encolheu, aguentou a carga e o cão encheu a boca, como era esperado. Esta figurante de ocasião não enfrentou só este pastor, mas também um Fila de S. Miguel para enriquecer o seu quadro experimental.

Foi um “baptismo” e pêras, a Maria disse ter gostado da experiência, muito embora tenha saído dos trabalhos perto da exaustão, porque o ritmo laboral na Pista Táctica é substancialmente mais rápido do que o solicitado em jardins e outros espaços públicos. Ontem começou uma nova etapa na formação do binómio Maria/Bobby, esperam-se excelentes resultados!

domingo, 3 de setembro de 2023

MAFIOSO NAPOLITANO TRAMADO POR UM CANICHE

 

LUIGI CACCIAPUOTI (na foto seguinte), um mafioso italiano que se encontrava em fuga e um dos líderes da máfia napolitana com 64 anos de idade, foi finalmente preso pela polícia italiana na sexta-feira, dia 25 de agosto, depois de haver desaparecido deste o passado mês de fevereiro sem deixar rasto. Condenado a 15 anos de prisão por “associação mafiosa”, a sua captura foi confiada aos Carabinieri e à Direcção Antimáfia do distrito de Nápoles.

Com o passar do tempo, as investigações permitiram constatar que o sexagenário se encontrava localizado nos arredores da cidade de Villaricca. No entanto, as inúmeras buscas realizadas na área não tiveram qualquer sucesso durante muito tempo. Mas um dia, os polícias que se encontravam espalhados pelas ruas da cidade, avistaram um caniche dentro de uma casa a olhar através de uma janela entreaberta numa grande villa”, explicaram os carabinieri num comunicado à imprensa. O animal era bem conhecido dos carabinieri por pertencer a uma mulher da comitiva de Luigi Cacciapuoti. A partir daí, a polícia cercou a casa para prender o mafioso. Este último estava então “deitado à beira da piscina”, a ler um artigo sobre a Camorra, a máfia napolitana. O homem foi preso sem oferecer qualquer resistência. No seu comunicado de imprensa, os carabinieri anunciaram “o fim de uma caçada humana que durou vários meses”.

Como os cães se tornaram inseparáveis dos homens e vice-versa, a maneira mais fácil de conhecer os passos dos donos é seguir os cães, o que vulnerabiliza de sobremaneira aquelas pessoas que vivem sós e que são frágeis, sujeitando-as com mais facilidade aos assaltos e pior do que isso, a todo o tipo de abusos e sevícias, pelo que deverão precaver-se contra possíveis emboscadas. Nesse sentido, deverão os donos sair em horários seguros e para trajectos concorridos, não muito distantes de uma esquadra da polícia ou de um posto da GNR e por locais que não permitiam a ocultação de toda a casta de meliantes. Em alguns casos, sair à noite pode ser proibitivo ou obrigar à companhia de alguém conhecido. Por outro lado, varie os percursos de saída e de entrada em casa, porque os cães tanto podem entregar os ladrões à polícia como entregar os seus donos nas mãos dos ladrões!

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

VIVA O CHILE!

 

Hoje retomámos os trabalhos com o Ozzy e começámos por acostumá-lo a ir com a dona ao multibanco, onde deverá permanecer quieto sem se importunar com o ambiente à sua volta, o que por enquanto não é totalmente possível porque não se sente confortável com o movimento na sua retaguarda, pelo que terá que aumentar os seus passeios ao exterior e familiarizar-se com tudo o que nele há. Conforme suspeitei, este Yorkshire não tem uma relação segura com a música e com os músicos, pelo que seguidamente o convidei para ouvir um pequeno concerto de gaita-de-foles, onde se mostrou pouco à vontade perante um tocador empenhado.

Uma menina de 2 anos de idade, que viemos a saber chamar-se Cláudia, chamou-me à atenção e prontamente coloquei o Ozzy a seu lado, que por norma não aprecia este tipo de companhias (azar o dele!). A pequenina estava no jardim com a mãe, duas primas e com a avó, todas chilenas e simpáticas, que de imediato se prontificaram a colaborar connosco, conforme se pode ver na foto seguinte. Curiosamente, a menina respondia a todas as perguntas que lhe eram feitas com um sonoro e bem perceptível “obrigado”.

Apercebendo-me que a sua avó se sentia perfeitamente à vontade connosco, no intuito de melhor sociabilizar o Ozzy, convidei-a para conduzi-lo por breves instantes, porque importava tranquilizar o terrier e não criar-lhe aversões ou aumentar as inimizades (trabalhar com Yorkshires exige rara sensibilidade).

Aproveitando a boa disposição do Ozzy, atrelámo-lo ao carrinho da menina para que gradualmente associe os carrinhos de bebé e os seus passageiros ao trabalho e passe a respeitá-los, ao invés de ladrar-lhes e confundi-los com presas a capturar.

Com a noite a cair rapidamente e a anunciar chuva, despedimo-nos daquelas chilenas e demos por encerrados os nossos trabalhos – vivam o Chile e as chilenas!

VIRÁ AINDA A SER USADO NA GUERRA DA UCRÂNIA?

 

O Exército dos Estados Unidos está a experimentar armar um cão-robot com seu rifle de próxima geração. O robot, um veículo terrestre não tripulado quadrúpede (Q-UGV) Vision 60, fabricado pela Ghost Robotics, também está equipado com um conjunto sofisticado de sensores para vigilância e outras funções de apoio para o Exército. Está a considerar-se integrar o Rifle Sig Sauer XM7 no robot, o que não é a primeira tentativa dessa inovação, pois o Exército já testou anteriormente o uso da carabina M4A1 em um Q-UGV. No entanto, se eles experimentassem o rifle Sig Sauer XM7, seria um novo desenvolvimento na exploração das capacidades de robôs não tripulados que imitam as habilidades dos cães.

A capacidade única do cão-robot é a de atravessar diferentes tipos de terreno que os veículos com rodas podem não ser capazes de percorrer. O Exército também está a desenvolver outras plataformas robóticas, incluindo o veículo robótico de combate Project Origin, que é maior e pode ser usado em várias formações. O rifle XM7 e o seu equivalente e o rifle automático XM250, foram escolhidos para substituir a carabina M4 e a arma automática de esquadrão M249 nos arsenais do Exército de acordo com o programa Next Generation SquadWeapon (NGSW) em 2022.

Eles usam munições de 6,8 mm e serão adoptados pelo Exército na próxima década. Embora as forças de operações especiais dos EUA já os prefiram, alguns soldados expressaram preocupações de que o tamanho e o peso do XM7 possam prejudicar o seu desempenho como um rifle de infantaria padrão. Em 2021, a Ghost Robotics apresentou o Vision 60 numa feira comercial do Exército em Washington, DC. O cão-robot de quatro patas foi projectado para receber um rifle com capacidade para 10 tiros e conseguir atingir alvos até três quartos de milha de distância, muito embora o sistema de demonstração não fosse autónomo, já que exigia um operador humano para controlar a máquina e disparar o rifle remotamente.

O Vision 60 ainda não é capaz de disparar de forma independente, mas é um desenvolvimento promissor na área da robótica. Quando questionado sobre as declarações de Singh, o representante do DEVCOM, Tim Ryder, informou ao Military.com que o Comando do Futuro do Exército ainda está a pesquisar a implementação da integração homem-máquina. No entanto, ele também enfatizou que a criação de um protótipo não implica necessariamente que os cães-robot venham a ser utilizados em situações de combate (blá, blá, blá). “Essas plataformas com pernas têm algumas promessas que identificamos, principalmente do ponto de vista da mobilidade”, disse o chefe da filial do sistema robótico desmontado do Centro de Sistemas de Veículos Terrestres do Exército, Milot Resyli. “Existem [no entanto] limitações para elas do ponto de vista da resistência, bem como da capacidade de carga útil e do poder que eles podem suportar”, acrescentou.

Virão os cães-robot ainda a ser usados na Guerra da Ucrânia onde dariam tanto jeito enquanto avanço tecnológico no modo de fazer a guerra? Queira Deus que não e que a paz chegue quanto antes. Bom seria que as máquinas não matassem seres humanos, mas este desejo parece já ter sido ultrapassado com o uso continuado de drones naquele conflito.

ARMAS À DISCRIÇÃO E CÃES À BALDA

 

Nenhum norte-americano em tempo de paz e dentro do seu território está livre de apanhar um tiro ou de ser severamente mordido por um cão, enquanto as autoridades do país pactuarem com a venda livre das armas de fogo e prestarem pouca importância aos cães perigosos, que por lá são mais do que muitos, causando mais vítimas anuais do que ursos e aligatores juntos, o que não deixa de ser uma tremenda estupidez. Desta vez as más notícias vêm do Condado de Rutherford, na Carolina do Norte, onde as autoridades locais estão a investigar o ataque de vários cães sobre um garoto de 12 anos.

De acordo com o Gabinete do Xerife, Hunter Bishop, assim se chama o rapaz, estava a andar de bicicleta na área de Grassy Knob Road no passado sábado, quando foi atacado por vários cães, não sendo as autoridades informados do sucedido até à passada segunda-feira. Amber Barnes, a mãe do garoto, disse que o seu filho teve que passar por várias cirurgias em consequência daquele ataque e que ainda será sujeito a mais por conta das grandes lacerações causadas por “pelo menos 10 Pit Bulls perigosos”, que se encontravam soltos e “pareciam desnutridos”.

O Gabinete do Xerife acrescentou que os donos dos cães não foram ainda acusados, mas que elementos do seu staff se reunirão com promotor público para decidir se as acusações são apropriadas enquanto decorre a investigação. De momento não há qualquer informação sobre o que terá acontecido aos cães, mas sabe-se que foi criada uma conta no GoFundMe no nome do garoto para ajudar nas despesas hospitalares e noutras relativas à sua convalescença e recuperação. O sucedido só me merece o seguinte comentário: como é bom nascer e viver do lado de cá do Atlântico Norte!

SERRALHA: APANHAVAM-NA, DEIXAVAM-NA SECAR DE UM DIA PARA O OUTRO E DAVAM-NA AOS COELHOS.

 

Ao preço que os legumes estão, muita gente limita o seu consumo ao mínimo, nomeadamente os mais velhos que tanto precisam deles e que menos dinheiro têm. No entanto, quem tem filhos não pode fugir às despesas, muito embora as crianças de hoje tenham outras preferências, quiçá incutidas pelos erros alimentares dos seus pais. Quem confecciona diariamente comida para os seus cães e enriquece as suas dietas com verduras, sabe quanto isso lhe pesa na carteira, para além de nem sempre encontrar os vegetais que procura. Contudo temos uma alternativa barata e ao alcance de qualquer um – a Serralha – uma planta herbácea, espontânea que existe em todo a parte e que tem o nome científico de Sonchus oleraceus, reconhecida desde a antiguidade como comestível, sendo ideal para substituir os espinafres ou o alho francês no arroz a distribuir aos cães. Na confecção dos pensos caninos, que são normalmente cozidos, prefiro usar as plantas mais desenvolvidas, migando miudinho talos e folhas, ao invés de optar pelas plantas mais tenras e jovens, cujas propriedades a desaparecer com a fervura.

Esta planta herbácea muito do agrado dos coelhos bravos, era outrora apanhada, deixada a secar de um dia para o outro e distribuída depois aos coelhos domésticos. Como planta comestível que é, ela não é boa só para os cães, mas também para os humanos quando cozida, frita ou refogada, em recheios e massas de pão, panquecas, omeletes, em saladas e até em sumos compostos. Quando comida em salada (crua), o seu sabor é ligeiramente amargo, nada que uma pitada de sal e um pouco de azeite não resolvam. Há quem diga que o seu paladar lembra o dos espinafres, muito embora eu o acho mais parecido com o da rúcula, o que para os cães não é nenhum problema, já que têm menos papilas gustativas do que nós.

A Serralha pode ser usada na alimentação dos cães e na nossa em conjunto com outros vegetais, fazendo uma excelente parceria com a urtiga silvestre (Urtica dioica L.) nos pensos de arroz ou massa destinados aos nossos fiéis amigos, desde que respeitadas as necessárias proporções, não apresentando o seu consumo qualquer contra-indicação. A Serralha é rica em propriedades medicinais, fibra cálcio, fósforo, manganês, magnésio, ferro, potássio, cobre e zinco, também nas vitaminas A, B, C, D e E. Contém também flavonóides, compostos antioxidantes, antivirais, antibacterianos e anti-inflamatórios que podem ser encontrados em alguns alimentos, especialmente nas plantas medicinais, frutas e vegetais.

É normalmente requerida para o tratamento do vitiligo, é usada como estimulante do apetite, melhora a digestão, fortifica o sistema nervoso e pode fortalecer a imunidade. Há quem diga que pode também prevenir a anemia, mas certo é que torna a pele e os cabelos mais saudáveis, o que é uma óptima notícia para o manto dos cães. As propriedades da Serralha não se esgotam aqui, quer convertida em chá ou usada como cataplasma. Recorri à distribuição desta herbácea perante cães com dificuldades metabólicas e intolerâncias alimentares específicas. No passado falei dos benefícios para os cães da urtiga comum e hoje falei da serralha, basicamente para estimular nos meus leitores a curiosidade que leva ao saber, para que melhor possam sobreviver com os seus cães enquanto outros claudicam.

PS: Convém não confundir a Serralha (Sonchus oleraceus) com a dente-de-leão (Taraxacum officinale). A Serralha quando é jovem é idêntica ao dente-de-leão, mas quando cresce fica com um caule longo e produz um cacho de flores amarelas nas pontas. O Dente-de-leão não tem caule e produz apenas uma flor muito maior.

JOGOS PARA NÃO SER SURPREENDIDO PELA VELHICE

 

É de suma importância manter os cães activos à medida que a idade avança, para que não percam abruptamente capacidades e comprometam com isso o seu bem-estar e longevidade. Como a velhice é também nos cães um processo irreversível, importa que a alcancem saudáveis e a gozem sem maiores contratempos. Para que ela não apanhe o Bohr desprevenido e o remeta à inutilidade precoce, diariamente desafiamo-lo para um percurso de condução nuclear, visando a recapitulação dos seus códigos e a conservação da sua autonomia, para que não se aniche indevidamente debaixo das pernas do dono e acabe por não fazer nada, “dolce far niente” de quem o Paulo é sócio desde o dia que nasceu e que tem nele um estatuto perpétuo. O percurso de ontem consistiu na execução de um Slalom e consequente entrada num trajecto circular executado em dois planos, com o condutor a deslocar-se apenas num pequeno segmento de recta. O desempenho do veterano “Lobeiro Maravilha” pode ser visto no GIF acima.

E BRASÍLIA SE APRESENTOU

 

Desenganem-se aqueles que pensam que os brasileiros que estão agora a colonizar-nos regressarão um dia ao Brasil, porque eles vieram para ficar, estão por todo o lado, não se importam de ter filhos e são cada vez mais. Nem todos os que vieram e vêm são descendentes directos e exclusivos de portugueses, o que não impede que alcancem a nossa cidadania e venham a ser pais de uma nova leva de portugueses. A maioria dos que chegam vem para trabalhar e é de baixo nível cultural (há excepções), mas a língua comum vem em seu auxílio e depressa se integram. Também não faltam turistas brasileiros, os mais endinheirados e aqueles que já cá têm família a residir. Como difícil é não encontrar um brasileiro, ontem, no decorrer do treino, deparámo-nos com uma família vinda de Brasília, constituída por um casal de avós, gente de meia-idade, por um filho advogado e um netinho que não herdou da avó os olhos azuis, que vieram a Portugal visitar parentes. Encantados com as prestações do CPA Bohr, acabaram por interagir a gosto com ele e constituíram-se em obstáculos humanos, proeza que coube à avó e ao neto. Na foto acima vemos o Pastor lobeiro literalmente a rastejar por debaixo do garotinho que por pouco não foi parar ao chão. Na foto seguinte podemos ver a avó e neto a constituírem-se num obstáculo vertical, com a avó a abrigar o neto como as galinhas fazem com os pintos (avó é avó!).

Estava na cara que aquela gente era descendente de portugueses, denunciados que foram pelos seus traços fisionómicos. Se porventura falassem o português de Portugal, dificilmente alguém diria que eram brasileiros, julgá-los-iam do norte do País, donde provavelmente terão vindo os seus antepassados, considerando a sua baixa e atarracada estatura, os olhos e cabelos claros e a ausência de melanina nas mãos, não se lhes antevendo outras origens a não ser a peninsular. Durante 30 minutos conviveram connosco e com o Bohr, um cão de que dificilmente se esquecerão, pelo que fizeram com ele e pelas muitas fotografias que lhe tiraram.

E o Brasil em Portugal é tal, que há momentos em que pedimos uma informação na rua e alguém acaba por nos responder dolentemente no gerúndio. O Brasil acima do Equador está a crescer “a olhos vistos”, o que não é de espantar, porque fomos para lá de barco em viagens que duravam meses e os brasileiros chegam-nos semanalmente de avião! E o mais engraçado disto tudo, é que precisamos destes imigrantes para suportar o nosso estado social, porque o Portugal dos portugueses tem “velhos do Restelo” a mais e jovens dispostos à aventura a menos. Sim, quer nos agrade ou não, bem depressa as margens do Ipiranga serão trocadas pelas dos rios portugueses. Como já hoje acontece, quando a velhice e a doença nos baterem à porta, olharemos à nossa volta e possivelmente só veremos brasileiros! À parte disto, Brasília apresentou-se e esteve connosco.

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: IMBRÓGLIO

Um casal jovem sem filhos está na sala de estar com o seu cão a ver a televisão. De um momento para o outro, a jovem quebra o silêncio e diz: “Meu querido, meu querido fofinho!” O marido ao ouvir tal pergunta-lhe o que deseja, merecendo dela a pronta resposta: “Cala essa boca tonto, de ti não quero nada, estou a falar com o cão!”

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ 3 CAMARADAS A LABUTAR PRÀ LONGEVIDADE MÚTUA, editado em 30/08/2023

2º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015

3º _ DOENÇAS CARDÍACAS RELACIONADAS COM DIETAS CANINAS, editado em 28/08/2023

4º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015

5º _ CUIDADOS PALIATIVOS PARA CÃES EM BAVENT, editado em 28/08/2023

6º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE, editado em 11/05/2016

7º _ HIGH DRIVE OZZY: PLAYING “STAY” IN DIFFERENT PLACES, editado em 26/08/2023

8º _ COMO DEFENDER-SE DO ATAQUE DE UM JAVALI, editado em 19/08/2019

9º _ OS CÃES DOS SALOIOS, editado em 24/08/2009

10º _ FRAUDE DESMASCARADA, editado em 28/08/2023

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º Estados Unidos, 2º Portugal, 3º Brasil, 4º Alemanha, 5º Suécia, 6º Reino Unido, 7º Espanha, 8º Rússia, 9º Moçambique e 10º Países Baixos.