domingo, 6 de agosto de 2023

UM INCIDENTE E UM CONSELHO

 

Os bombeiros são na sua maioria gente boa, exceptuando aqueles poucos que ateiam fogo para depois irem apagá-lo e os que provocam acidentes para virem a ser chamados. Os bombeiros austríacos e alemães passam a vida a resgatar cães e sentem-se bem ao fazê-lo. Ontem à tarde, sábado, na cidade medieval austríaca de Kitzbühel, no Tirol, um cão caiu no inundado rio Kitzbüheler Ache, que levava uma forte correnteza e ter-se-ia afogado se não fosse socorrido.

Foi o próprio cão que chamou a atenção para si mesmo ao ladrar e uivar. Vários transeuntes deparam-se com o animal naquelas revoltosas águas e avisaram a polícia e os bombeiros. Dois bombeiros desceram por uma escada e resgataram o assustado animal daquela difícil situação.

São e salvo, o cão foi entregue ao seu dono, participando no seu resgate três veículos e 12 homens sob o comando do comandante de pelotão Marco Eller e da polícia.

Este incidente que acabou por ter um final feliz, o que nem sempre acontece, trouxe-me à memória uma dificuldade muito comum entre as raças molossóides, aquelas cujos indivíduos apresentam cabeças maciças, redondas ou em cubo com um focinho geralmente curto, lábios espessos e longos, stop considerável, corpo maciço e frequentemente gigantesco, como são os casos do Rottweiler, dos diversos Buldogues, do Cão da Serra da Estrela, do Castro Laboreiro, do Rafeiro Alentejano, do Bouvier Suíço e do Dogue de Bordéus, entre outros. Ao contrário dos Terra Nova, que também são molossos e excelentes nadadores, a maioria destes cães não nada naturalmente por desuso dos membros posteriores, pelo que carecem de aprender a fazê-lo sob o risco de morrerem afogados. Para se evitarem duras resistências e algumas escaramuças, é conveniente que comecem a nadar aos 4 meses, na “idade da cópia”, altura em que tendem a seguir os cães adultos que se tornarão seus mestres. O Verão é uma óptima estação para ensinar o seu cão a nadar correctamente, com a 4 patas abaixo da linha de água, poupando assim os bombeiros que tanta falta fazem no combate ao flagelo dos fogos florestais. O conselho está dado!

MEDITANDO...

 

Assim como não se deve ter um arma de fogo em casa para não se ceder à tentação de usá-la num momento de exaltação, também os cães perigosos não são meros animais de companhia pelos males que podem causar. Se somos contra a venda livre e indiscriminada de armas de fogo, como podemos consentir que cães-arma possam estar ao alcance de qualquer um, ferindo, amputando e matando crianças, adultos e idosos? Todos sabemos que o mal não está nos animais, mas em quem os cria, vende, procura e instiga. Será porventura a morte à dentada menos cruel e agonizante que mereça ser considerada?

TAMBÉM SE ROUBAM CÃES NA AUSTRÁLIA

 

Disposto a tudo, um casal de Melbourne (na foto seguinte) oferece 10.000 dólares pelo cão que um desconhecido lhes roubou, ladrão que foi captado por imagens CCTV a aproximar-se da casa de Melbourne momentos antes de roubar o cão no jardim  da frente. Os últimos dias têm sido um verdadeiro pesadelo para o casal de Melbourne, Courtney Beaumont e Lucas Brown, cujo cão foi raptado no Domingo passado, há 8 dias atrás. Desesperados pelo retorno seguro e imediato do “Leo”, um cruzamento entre um Labrador e um Dogue de Bordéus, eles oferecem agora 10.000 dólares. “Ele é o nosso filho, faríamos qualquer coisa por ele”, disse Lucas ao Yahoo News Australia na passada quarta-feira. “Esperamos apenas que o tenham levado para obter ganhos financeiros e possam ser persuadidos a devolvê-lo.”  

Leo (na foto abaixo) foi sequestrado por um homem desconhecido que conduzia um Toyota Kluger prateado. Imagens de CCTV adiantadas pela Polícia de Victoria na segunda-feira mostram o infractor a aproximar-se da propriedade de Brunswick por volta das 16h15. O homem sai do carro e abre o portão da frente onde Leo estava, levando-o depois para o seu carro antes de se ir embora, disse a polícia.

Fomos às compras durante 20 minutos e quando voltámos o cão já havia desaparecido”, disse Lucas Brown ao Yahoo. Até agora “nada de substancial” resultou da recompensa do jovem casal, continuando o paradeiro de Leo desconhecido, o que tem levado Courtney a dizer à 9 News que estes momentos têm sido bastante horríveis.

A polícia disse que as matrículas do carro do ladrão haviam sido roubadas com o registo TCD849. O polícia sénior Jessie Coletti disse que o ladrão já deveria atempadamente rondado a propriedade donde sequestrou o animal. Este é o último incidente de uma série de roubos de cães nos últimos tempos, supondo-se que os animais de estimação roubados sejam vendidos com lucro no mercado. No início deste ano, uma senhora de Perth fez um apelo emocionado pelo retorno seguro dos seus dois King Charles Cavalier Spaniel que foram roubados da sua casa em pleno dia.

Também na Austrália, o roubo de cães está a dar novas oportunidades aos criminosos, tudo porque os cães têm agora mais valor para os seus donos e para quem os procura. Há cinquenta anos atrás alguém compraria ou roubaria um cruzado? Só se fosse um caçador nunca visto ou um exímio cão de pastoreio! O mundo mudou de tal maneira que os filhos deixaram de ser desejados e os cães tomaram o seu lugar.

sábado, 5 de agosto de 2023

FOI VER OS COMBOIOS E LESIONOU DOIS

 

Infelizmente, o aumento de cães nos lares não diminuiu o número dos alienados, que parecem ter encontrado nestes animais um meio fácil para explanar as suas recônditas loucuras. Ontem, na cidade alemã de Stuttgart, capital e maior cidade do estado alemão de Baden-Württemberg, na sua estação ferroviária principal, um cão mordeu duas pessoas e acabou entregue ao serviço de emergência animal. O seu proprietário, um homem de 40 anos, estava a passear o seu Doberman pela linha do comboio quando este mordeu a perna a um homem de 41 anos de idade, que sofreu pequenas dentadas e que recusou receber tratamento médico, segundo informou ontem a polícia federal.

À saída da estação ferroviária principal, alguns minutos depois, o mesmo Doberman feriu levemente uma das coxas de um cidadão com 48 anos de idade. Diante da reincidência e do despropósito, os polícias no local apreenderam o animal ao dono e entregaram-no aos cuidados de emergência animal. Face aos dois incidentes, o dono do Doberman irá responder por danos corporais negligentes, cidadão que segundo a polícia parecia irracional e não cooperativo.

Pelos estragos provocados, o cão não parece ser perigoso, saber morder ou ser deliberadamente agressivo, ainda que o seu dono eventualmente o quisesse. Será que foi treiná-lo a atacar prá estação principal dos comboios de Stuttgart por falta de cobaias?  Se foi, não teve muita sorte e provavelmente ainda terá menos quando pensar em reaver o cão!

AI, AI, O QUE VAI LÁ PELO HAVAI!

 

Parece que tudo o que não presta neste mundo propaga-se à velocidade de cruzeiro! O Havai, por razões que não vou agora enumerar, é um dos 50 estados dos States, um arquipélago vulcânico isolado no Pacífico central, a 7.618 km da California e a 6 horas e 37 minutos de avião, a 7.409 Km da Nova Zelândia e a 9 horas e 16 minutos de voo. Não obstante o seu isolamento geográfico, lá acontecem incidentes em tudo iguais aos que sucedem nos diferentes continentes. Um homem que se acredita ter cerca de 70 anos morreu ao ser atacado por quatro cães na Ilha Grande, segundo informou a polícia. Este homem, que foi tratado por uma equipa médica no local, acabou por morrer a caminho do Hospital Comunitário de Kona, de acordo com a fonte atrás citada. A polícia foi alertada por uma testemunha que viu a vítima a ser atacada no bairro Hawaiian Ocean View Estates por quatro cães de grande porte. Esta mesma testemunha conseguiu afugentar os cães e chamar as autoridades. “Actualmente não há evidências de que a vítima tenha provocado este terrível ataque. Este incidente é uma tragédia sem sentido que poderia ter sido evitada", disse o chefe da polícia do condado do Havaí, Ben Moszkowicz (na foto seguinte). Apesar dos donos dos cães não se encontrarem em casa quando tudo ocorreu, a polícia conseguiu contactá-los.

Polícia que está agora a verificar as alegações de que os animais já haviam sido relatados como cães vadios. Os donos dos cães agressores entregaram-nos junto com mais 10 cachorrinhos ao controlo dos animais do condado. Num comunicado, as autoridades policiais dizem estar a investigar se tudo não resultou de uma falha negligente em controlar um cão perigoso. Deixar de tomar as medidas necessárias para evitar um ataque de cão não provocado que resulte em ferimentos graves ou em morte, é crime de acordo com a lei do condado. Se vierem a ser condenados, os donos dos cães agressores podem enfrentar uma multa de até US$ 25.000; 10 anos de prisão; o confisco dos cães e o seu respectivo abate. O nome da vítima só será divulgado depois dos seus familiares serem notificados.

Ninguém merece morrer assim e desconfio que nenhum havaiano o deseje. Por todo o lado há gente responsável e irresponsável, mas ninguém até agora conseguiu impedir um louco de ter 1, 2 ou mais cães. Não me parece que os cães do ataque fatal sejam por demais perigosos, há coisas que não encaixam. Se os ditos cães fossem uns assassinos sedentos de carne humana, como poderia a testemunha conseguido afugentá-los sem sofrer qualquer arranhão? Terá ido de armadura, usou um drone militar ou já conhecia os cães?

ENSINAR A TRACCIONAR PARA O CASO DE VIR A SER PRECISO

 

Apesar de não ser um adepto confesso do Mushing, sei bem o que é, aquilo a que se propõe e as regras a que obedece, que são válidas para a generalidade dos cães salvo alguns pequenos detalhes ligados às diferentes morfologias caninas. Ensino os cães saudáveis a traccionar para o caso de vir a ser preciso, como prestação de socorro e a pensar no transporte de algum sinistrado. Na nossa sessão de treino matinal de hoje, depois do período dedicado à obediência, o tempo do trabalho específico foi preenchido pelo ensino da tracção e todos os cães presentes foram para ela convidados, sem acessórios próprios para a sua prática, mas reproduzindo uma situação emergente, pela codificação (assimilação) da ordem dada que tende a ultrapassar várias dificuldades. Considerando em primeiro lugar o bem-estar do artista convidado, um garoto de 6 anos e dos cães concorrentes a esta habilitação, partiu-se do simples para o complicado no reboque de uma trotineta com um pequeno passageiro que em valentia tem o dobro do seu tamanho. Os cães foram convidados um a um pelos seus donos a rebocar individualmente a passo a trotineta num terreno já seu conhecido - no círculo de obediência, primeiro isolados e depois com um cão em cruzamento frontal (foto acima). Com todos os cães aprovados, passou-se ao exercício da tracção com dois cães já conhecidos um do outro e pertencentes ao mesmo dono, ainda que díspares de morfologia e envergadura (foto seguinte).

Para maior segurança da criança participante, os donos e condutores dos cães deslocavam-se ao seu lado. Perante a resposta afirmativa dos animais, foi-lhes solicitada a transição do passo para a marcha, o que obrigou o seu condutor também a correr para lhes servir de incentivo. A disposição dos cães não poderá ser arbitrária, pelo que importa escolher qual o cão que melhor se adapta para circular do lado do dono e aquele irá por fora, para que se constituam numa verdadeira equipa e dividam equitativamente o esforço entre si.

Como não há nada que veterano CPA não aprenda sem grande dificuldade, também o convidámos para a tracção na companhia do seu velho e vigoroso amigo – o Soneca - cão que na verdade “é pau para toda a obra”. Com o lupino ao lado do dono e com a obediência cega do bracóide, tudo correu literalmente sobre rodas, tanto a passo como em marcha, apesar dos dois cães terem os seus estranguladores presos na mesma trela.

De dois passámos para três cães, o que obrigou à troca de condutor, dando lugar a um mais hábil e experiente, capaz de manter a disciplina interna do grupo animal e motivá-lo para o esforço pretendido, o que veio a acontecer conforme o esperado. Depressa aprendeu o garoto a ter o pé o pé direito sobre a mola do travão, porque trabalhar com cães principiantes obriga a muita cautela.

Escolhemos o cão que mais garantias dava para executar o reboque da trotineta a galope num percurso circular com o dono a seu lado, que jamais seria possível sem a destreza e o à vontade do garoto (chama-se Simão), que dia após dia não pára de nos surpreender (tem pinta de atleta e resiliência que sobre para isso).

Finalmente chegou a hora da verdade: um percurso linear a galope sem o acompanhamento do dono, mas iniciado pelo seu chamamento. O Simão nunca tinha andado tão rápido de trotineta e o pai no final do percurso mostrou qualidades para ser um bom guarda-redes! O S.L.Benfica não anda à procura de um para substituir Odisseas Vlachodimos?

O calor não nos atrapalhou os trabalhos porque só começou a sentir-se depois das 13 horas. A Maria e o Dobby não compareceram para grande tristeza nossa, porque a simpática ribatejana teve que valer à sua mãe num momento de especial aflição. Deseja-se que tudo não passe de uma indisposição passageira, que a anciã recupere rapidamente e que a Maria retome o seu lugar entre nós. Quanto ao dia de trabalho, não poderia ter sido melhor aproveitado.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

EM PUBLIER NEM TODOS FICARAM SATISFEITOS

Chegada a época balnear, as autarquias por todo o lado tentam disponibilizar algumas praias para cães, o que não é tarefa fácil e, quando as arranjam, nem sempre são do agrado da totalidade dos proprietários caninos. Quando não há a possibilidade de conciliar o interesse geral com as pretensões dos donos dos cães, os animais acabam por ver interdito o seu acesso às praias durante a época balnear, o que ninguém deseja porque os cães trazem dinheiro, os seus donos votam e não são assim tão poucos. 

A prefeitura de Publier, cidade na região de Auvergne-Rhône-Alpes, no Departamento de Haute-Savoie, decidiu reservar uma praia que margeia o Lago Léman para cães nadadores, situada no nível do parque Mottay, que é acessível por uma escada e que se estende ao longo de aproximadamente 150 metros, interditando o acesso aos cães nas restantes praias entre 15 de julho e 15 de setembro, podendo circular em todas as áreas de passeio em Publier, desde que sejam mantidos à trela.

A atribuição desta praia pelas autoridades de Publier, onde os cães poderão tomar banho sem coleira e terão que ser amarrados quando se encontrarem fora de água, não foi bem acolhida por todos os proprietários caninos, enquanto uns receberam a notícia com entusiasmo, outros expressaram a sua insatisfação, argumentando alguns que a praia é pequena e intransitável nalguns lugares. “É impossível estender ali uma toalha porque o lugar é muito pequeno. Decepcionante”, escreveu um internauta na página do Facebook da cidade.

Como nunca será possível por razões de vária ordem misturar cães com o comum dos veraneantes nas praias mais emblemáticas, as autarquias terão que fazer um esforço em termos de qualidade nas actuais e nas futuras praias para cães, de modo a garantir que donos e animais se sintam ali comodamente. 

O MAIS RECENTE CÃO FERROVIÁRIO DE QUE HÁ NOTÍCIA

 

Não se sabe por que carga de água e ainda ninguém me conseguiu explicar, porque razão os cães do leste europeu e os seus descendentes tendem a ser “cães ferroviários”, em apanhar comboios sozinhos. Há quem diga e até faz algum sentido, que tal se deve à sua necessidade de sobrevivência, isto se considerarmos os cães que andam no metropolitano de Moscovo, que apanham as composições para os lugares onde sabem que há comida. Contudo, não faltam cães ao longo da história que o fazem meramente por prazer ou para reencontrar alguma amigo no vagão-restaurante. Assim como há cães que gostam de andar de comboio, também os há que gostam de andar de carro, não faltando por aí cães que detestam pôr lá os pés (estamos a falar de indivíduos). O mais recente cão ferroviário de que há notícia chama-se Balou, é um pastor do leste europeu, um Ovcharka com 3 anos e meio de idade, que hoje, sexta-feira 04 de agosto, pela manhã, foi surpreendido a viajar sozinho de comboio RE12 entre Erftstadt e Köln, numa viagem com a duração de 15 minutos.

O maquinista da composição informou a polícia federal da estranha presença daquele passageiro isolado e o cão acabou por ser recolhido por alguns agentes policiais na estação Köln-Süd, sendo depois levado para uma esquadra de polícia onde “obviamente se sentiu ali confortável”, segundo adiantou a polícia federal numa nota. Após a sua recolha, a polícia começou a procurar o dono do animal através do Twitter.

Pouco tempo depois, a sua proprietária entrou em contacto com a polícia, logo após se ter apercebido do desaparecimento do animal, confessando que ele estava novamente a passear de comboio. “O meu cão gosta de andar de comboio”, disse ela. Ao que parece, o cão já sabe abrir sozinho as portas do comboio e foi por isso que se escapou de casa. Dona e cão reencontraram-se finalmente num abrigo para animais no distrito de Zollstock, em Köln.

Cães como este deverão ter gravado na coleira o endereço e contactos dos seu donos para facilitar o seu reencontro e diminuir possíveis riscos. Valendo-me da ironia, a dona do Balou deveria tirar-lhe o passe social para que as suas viagens de comboio se tornassem mais baratas!

ILHAS DO CANAL VARRIDAS À DENTADA

 

Raramente temos notícia das ilhas de Guernsey e Jersey situadas no Canal Inglês (Canal da Mancha), no dito Arquipélago Normando, que foram a única parte do território britânico que a Alemanha nazi ocupou durante a II Guerra Mundial. Curiosamente, 8% da população da Ilha de Jersey é portuguesa, na sua maioria gente oriunda da Ilha da Madeira que trabalha nos sectores do turismo e da indústria hoteleira. Jersey é agora notícia porque mais de 1.000 pessoas na última década foram parar às emergências médicas depois de terem sido atacadas por cães, segundo dados fornecidos pela ITV News. Dentadas e unhadas de cães mal comportados parecem ter-se tornado ali cada vez mais frequentes, com os anos de 2022 e 2021 a registarem o maior número de lesões desde 2012. No quinquénio de 2017-2021, o tratamento das feridas causadas pelos cães custou ao governo de Jersey mas de 150.000 libras esterlinas britânicas.

Os proprietários caninos nas Ilhas do Canal precisam de obter uma licença tirada no salão paroquial local, esquema que visa ajudar a identificar os animais violentos, mas cuja eficácia pode ser colocada em causa. Mike Jackson, polícia em St. Brelade, pronunciou-se acerca do assunto nestas palavras: “Estamos a lidar com cães mais ou menos identificáveis. Se as pessoas tiverem um problema com algum deles, a melhor coisa a fazer é conseguir descrevê-los pormenorizadamente e se o seu dono voltar para o carro, tirar-lhe o número da matrícula, porque dessa forma a identificação pode ser feita.” Muitos tipos de cães, nos quais se incluem o Pit Bull Terrier e o Tosa; são proibidos nestas ilhas. O treinador Jon Bennett adianta que a culpa do mau comportamento dos cães se deve mais aos donos do que aos animais por prescindirem do treino e não lhes estabelecerem regras (e não é que o homem parece ter toda a razão?). “Se você não treinar o seu cão, ele treina-se a si mesmo e pode seguir por um mau caminho”, disse ele.

Há que pôr cobro à situação porque a Ilha vive do turismo. Penso que nenhum turista estará na disposição de ser mordido por um cão, fugir à frente doutro ou agredir algum antes de ser mordido. Escusado será dizer que são os forasteiros que levam cães deste calibre para aquelas ilhas, porque os seus residentes jamais quererão afastar quem lhes traz o sustento. 

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: COISAS DE LOURAS

 

Uma jovem mulher loura está sentada numa manicura a fazer unhas de gel e de repente vê entrar uma amiga sua de longa data que se senta a seu lado. A loura, visivelmente desesperada, diz para a amiga: “ O meu adorável cãozinho fugiu de casa!” Ao ouvir tal, querendo ajudar, a amiga foi rápida na resposta: “Coloca um anúncio no jornal!” Ainda mais desesperada, a loura diz para a amiga: “ Anúncio para quê? O meu fofinho não sabe ler!”

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE, editado em 11/05/2016

2º _ SELECCIONAR CÃES: O EXEMPLO NEOZELANDÊS, editado em 01/08/2023

3º _ INESPERADO ACHADO NUMA VILA BRITÂNICA ROMANA, editado em 31/07/2023

4º _ COMO DEFENDER-SE DO ATAQUE DE UM JAVALI, editado em 19/08/2019

5º _ PENSEI LOGO NUM AFRO-AMERICANO, editado em 31/07/2023

6º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015

7º _ FOI UM CÃO, MAS PODIA SER OUTRA CRIANÇA OU DESEQUIBRAR-SE SOZINHA, editado em 29/07/2023

8º _ AS JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE E AS SUAS ESTRATÉGIAS, editado em 02/08/2023

9º _ O CÃO AZUL: O SANTO GRAAL DO CPA, editado em 30/05/2016

10º _ DESFILE EVOCATIVO COM MAIS DE 60 BINÓMIOS, editado em 03/08/2023

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º Estados Unidos, 2º Brasil, 3º Portugal, 4º Alemanha, 5º Suécia, 6º França, 7º Moçambique, 8º Suíça, 9º Espanha e 10º Itália.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

DESFILE EVOCATIVO COM MAIS DE 60 BINÓMIOS

 

Anteontem, terça-feira, dia primeiro de agosto, mais de 60 binómios policiais e militares reuniram-se e marcharam em conjunto na cidade canadiana de Woodstock num desfile para homenagear um Pastor Alemão que morreu em serviço no mês passado e que foi agora objecto de uma evocação. Taz, assim se chamava o desafortunado cão policial, ingressou no Serviço de Polícia de Woodstock em 2021. Ele foi lembrado com um cão-polícia com alta energia e extremamente capaz, que adorava saltar para dentro de uma lagoa quando não estava a trabalhar.

“Ele foi um bom cão comunitário e um cão de rastreamento eficaz, sendo incrível em todas as disciplinas– nunca foi um problema”, disse o Sargento do Serviço de Polícia de London, Travis Wintjes, que ajudou a treinar o Taz, explicando que todos os adestradores de cães mantém uma forte ligação com os animais mercê do trabalho conjunto e que a comunidade policial K9 é muito unida, pelo que a morte do Taz, ocorrida no cumprimento do dever, foi sentida por todos eles. 

A polícia de Woodstock diz que o Taz e outro cão, o Striker, foram destacados como parte de uma investigação de drogas em Stratford em 03 de julho, quando ambos pareciam ter ingerido metanfetamina cristal (1), o que traz mais uma vez à baila rumores nunca comprovados e por isso mesmo infundados acerca dos cães de detecção serem de alguma forma toxicodependentes.


 Foi administrado “Narcan” (2) aos dois cães, que foram levados apressadamente para uma clínica veterinária. O Striker sobreviveu, mas o Taz infelizmente não. No desfile, que começou às 11h00 de anteontem, para além dos 60 binómios já mencionados, estiveram também presentes tocadores de gaitas de foles, polícia montada e outros polícias que marcharam pela Finkle Street até ao Reeves Community Complex, onde um serviço memorial privado foi realizado.

Como o público não pôde estar presente naquela evocação solene, dezenas de membros da comunidade alinharam-se nas ruas para homenagear o falecido Pastor Alemão lobeiro. ”O nosso filho é polícia e é muito importante garantirmos o nosso apoio aos polícias e ao seu trabalho, sejam eles cães ou o que quer que sejam, porque eles estão cá para nos ajudar e proteger, pelo que precisamos de agradecer tudo aquilo que fazem por nós, disse uma pessoa que assistiu ao desfile com seu cão à CTV News. “Ver estas pessoas todas a fazer fila nas ruas para assistirem ao desfile de homenagem ao Taz foi algo realmente especial para o serviço policial”, disse Shaylyn Jackson, oficial de serviço comunitário da polícia de Woodstock. A meu ver, todos os homens e animais que morrem no cumprimento do dever são dignos de idêntico cortejo e da mesma evocação solene.

(1) A metanfetamina, popularmente conhecida como cristal quando produzida clandestinamente, é uma droga sintética estimulante cujos efeitos se manifestam no sistema nervoso central e periférico. (2) Medicamento feito à base da Naloxona, uma droga antagonista dos receptores opioides, criada pela farmacêutica Sankyo nos anos 60 do século passado, que é comercializada sob várias marcas como Narcan, Nalone e Narcanti.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

AS JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE E AS SUAS ESTRATÉGIAS

 

Sejamos sinceros, a igreja católica já se encontrava moribunda antes da denúncia dos escândalos sexuais perpetrados pelo seu clero, quiçá por ter posto a palavra dos concílios em pé de igualdade com a de Deus ou por ter cavado um profundo fosso entre a sua hierarquia e os seus seguidores, talvez também por causa do aumento das sociedades laicas e pela inadequação da sua mensagem para os jovens, muitos deles já filhos de pais descrentes ou há muito afastados da igreja romana, sequelas de uma visão eclesial mais ritual do que cristocêntrica. Diante deste panorama, a igreja romana foi obrigada a mexer-se e continua a fazê-lo através das Jornadas Mundiais da Juventude, obra do papa polaco Karol Józef Wojtyła (1920-2005) que para o seu pontificado escolheu o nome de João Paulo II, quiçá um dos grandes obreiros da queda da União Soviética ou quem lhe deu o golpe de misericórdia.

A escolha de Portugal como sede para actual Jornada Mundial da Juventude é antes de tudo político-estratégica, porque em termos de doutrina é vaga e nada trouxe de novo. O seu lema, escolhido pelo próprio Papa «Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lucas 1, 39) é exemplo disso e não esconde o seu principal objectivo ao denunciar em simultâneo as suas estratégias. Quando é perguntado aos jovens participantes nas Jornadas o que os fez vir a Lisboa, a resposta é quase sempre a mesma: “ Venho ver o Papa e conhecer outros jovens de lugares e culturas diferentes”. Mas terá vindo o Papa só para conhecer jovens de lugares e culturas diferentes? A quem darão as Jornadas maior visibilidade? Os políticos envolvidos dizem que é para Portugal, mas será?

Um acontecimento destes num país que nunca realizou uns jogos olímpicos e que tem apenas 11 milhões de habitantes irá captar obrigatoriamente as atenções de todos os canais televisivos, carregando o Papa e a igreja católica para dentro dos lares de todos, mesmo daqueles que dificilmente poriam os pés nas igrejas – as Jornadas servem em primeiro lugar para divulgar a igreja romana e transmitir as suas mensagens com o dinheiro dos contribuintes, como ela historicamente sempre fez, mostrando nisso uma habilidade quase sobrenatural que remonta a época do imperador romano Constantino. E se porventura este catequisar imposto puder surtir efeito, certamente será em Portugal, considerando o seu passado católico e a sua vocação ultramarina, que não deu só “novos mundos ao Mundo”, mas que criou novas culturas e que optou por necessidade pela miscigenação, aproximando dessa forma os povos uns dos outros, transmitindo-lhes em simultâneo um catolicismo misturado com o misticismo de cada lugar.

Se o objectivo imediato das Jornadas é difundir a mensagem católica pelo mundo, este obedece a um outro mais amplo e a médio prazo – à reconversão católica da Europa e do Mundo através dos jovens – e finalmente a outro a longo prazo que aponta para o repovoamento das igrejas romanas, uma vez que o futuro pertence aos jovens. Contudo, as famílias das nações mais prósperas têm poucos filhos e eles superabundam nas mais pobres, pelo que essa reconversão só será possível através de jovens vindos do exterior como é o caso dos imigrantes, que ainda crêem no papismo e de quem o Papa nunca se esquece nas suas prédicas e orações. Consciente desta necessidade, o Vaticano não pode desprezar a importância estratégica de Portugal e da língua portuguesa, enquanto pilares seguros para a aceitação de todos os povos, nomeadamente dos seus jovens. Estou convencido, e não estou acossado por nenhuma febre nacionalista ao dizê-lo, que a esmagadora maioria dos jovens que vieram até Lisboa nunca esperou ser tão bem recebida pelos portugueses, confessando muitos que se sentiram como na sua própria casa. E se em termos de importância missionária não se deverão desprezar os portugueses, muito menos deverá a igreja católica fazê-lo com os brasileiros, para quem este Papa parece ter chegado atrasado diante da proliferação e importância das ditas “igrejas evangélicas” no Brasil.

Conseguirá este Papa jesuíta alcançar os seus intentos? Bem que o Bispo de Leiria-Fátima deveria ofertar-lhe uma pesada maquia do tesouro do santuário, porque Jorge Mario Bergoglio fará mais pela igreja católica portuguesa em 5 dias do que todos os seus prelados desde o Terramoto de Lisboa de 1755. Por outro lado, para não se faltar à verdade, o êxito das Jornadas passa por não massacrar os jovens com doutrinas, mas deixá-los ser quem são, entregues à sua irreverência, a cantar e a dançar.

Se por acaso houvesse uma citação bíblica que dissesse que Maria dançava, logo este Papa diria: “Dancemos todos com ela!”  No meio desta pândega, Cristo fica para depois, quiçá para nunca! 

terça-feira, 1 de agosto de 2023

SELECCIONAR CÃES: O EXEMPLO NEOZELANDÊS

 

A Nova Zelândia irá gastar mais do que 1,7 milhões de dólares neozelandeses (quase um milho de euros) num novo projecto liderado pela indústria para melhorar a criação de cães de fazenda (pastores de gado). A iniciativa terá uma duração de três anos, será apoiada pelo governo do país e aplicará a metodologia actualmente em uso na criação de ovelhas e de gado de elite (não brincam em serviço!). Estima-se que existam actualmente cerca de 200.000 cães de trabalho nas fazendas da Nova Zelândia. O projecto de NZ$ 1,77 milhões é apoiado pelo governo através do seu Fundo de Alimentos e Fibras Sustentáveis, com o Ministério das Indústrias Primárias a investir NZ$ 770.000. A Massey University, a Focus Genetics e a VHL Genetics contribuirão com 1 milhão de dólares americanos e serviços. O Ministro da Agricultura da Nova Zelândia, Damien O’Connor, disse que o objectivo do projecto é minimizar os riscos para os agricultores na selecção de um novo cão. “Sabemos que os cães de trabalho desempenham um importante papel em milhares de fazendas da Nova Zelândia, ajudando a movimentar e a reunir o gado em toda a região de ovinos e bovinos. Um bom cão também faz maravilhas pelo bem-estar do fazendeiro (…) Montar uma equipa de cães é um investimento significativo para os pastores e este projecto dar-lhes-á maior segurança na escolha dos cachorros”, disse ele.

O projecto será liderado pelo AL Era Center for Genetics and Breeding, um campus satélite da Massey University em Ruakura. A equipa de selecção trabalhará também com parceiros da indústria, com a Pamu, com a Beef and Lamb New Zealand (B+LNZ) e com a New Zealand Sheep Dog Trial Association para envolver os agricultores e os seus cães em todo o país. “Os nossos trabalhadores que quatro patas são uma contribuição valiosa para a produtividade nas fazendas, bem como para a saúde mental e bem-estar dos agricultores”, disse O’Connor. “Este projecto será a investigação genómica mais detalhada das raças de cães de fazenda da Nova Zelândia até o momento, com potencial para melhorar a saúde, o bem-estar e o desempenho no trabalho dos cães. “Uma parte do projecto identificará as características desejadas dos cães de fazenda e desenvolverá novos critérios de previsão genómica para ajudar na seleção de cães melhorados”, acrescentou. “Outra envolverá o sequenciamento do genoma e a genotipagem (1) para estabelecer uma compreensão básica das mutações causadoras de doenças recessivas que podem ser transmitidas por essas raças. “Através deste projecto, podemos esperar ver cães com melhor saúde e demonstrando superior desempenho no trabalho (…) Assim, com o tempo, o 'melhor amigo' do agricultor tornar-se-á um amigo 'ainda mais valioso”, acrescentou o mesmo ministro.

Sem qualquer sombra de dúvida, este projecto científico é um excelente exemplo de uma parceria público-privada bem conseguida em prole da pecuária e dos superiores interesses da Nova Zelândia, que assentam economicamente em parte sobre o trabalho dos cães pastores. Ao levar a cabo um projecto destes, os neozelandeses estão a contribuir definitivamente para o avanço da canicultura no seu país e no mundo, a estripar dela o amadorismo que até hoje tem obstado ao seu avanço científico.

(1)Processo laboratorial para determinar variantes genéticas no ADN de um organismo biológico (ex.: exames de genotipagem; genotipagem do VIH).

FREIBURG: GUERRA CONTRA EXCREMENTOS DE CÃES NOS CEMITÉRIOS

Na cidade alemã de Freiburg im Breisgau, pertencente ao estado federal de Baden-Württemberg, são cada vez mais os cidadãos que reclamam contra a presença de excrementos caninos nos cemitérios, sendo os mais afectados o cemitério principal, o cemitério de Bergäcker e o cemitério de Zähringen, onde para além das áreas abertas, os ditos cocós também se fazem presentes nas sepulturas individuais! Diante deste inqualificável desmazelo e profunda falta de respeito, as autoridades da cidade “puxaram dos galões” e fizeram saber numa declaração: “Este comportamento é imprudente. Um cemitério é um lugar de luto e de lembrança para muitas pessoas, portanto os cães e os seus excrementos não são ali bem-vindos”, lembrando depois aos seus cidadãos o Estatuto dos Cemitérios em vigor na cidade, nomeadamente o § 6 parágrafo 3 do Estatuto do Cemitério que proíbe a entrada a cães, exceptuando os cães-guia. Depois deste aviso, a cidade pede o cumprimento destas regras.

É muito triste quando as autoridades de uma cidade são obrigadas a manifestar-se num caso destes, que parecendo anedótico, acaba por desrespeitar de modo despudorado os direitos dos outros e ferir os seus sentimentos. Espero que aqui ninguém se lembre de ir passear cães para os cemitérios e deixar por lá os dejectos dos animais, transformando aqueles locais, que para alguns são sagrados, em autênticas esterqueiras, pois para isso já cá temos as nossas calçadas, onde infelizmente a qualquer momento podemos borrar um pé todo e acabar por cair. Como seria necessário um polícia para cada badalhoco e tal não é possível porque não lhe sobraria tempo para mais nada, o melhor seria, para além da aplicação da pesada coima em vigor, confiscar os cães aos donos que não apanham os seus excrementos e que estão literalmente a borrar-se para os demais – “Para grandes males, grandes remédios” – adivinha-se a chegada de leis mais duras se entretanto o merdelim não parar de aumentar.