terça-feira, 5 de julho de 2022

VAMOS LÁ FALAR SOBRE BANHOS E CHAMPÔS

 

Como por norma não costumo treinar cães malcheirosos e carentes de banho, a pensar na saúde da sua pele, não aconselho o banho a nenhum deles, a não ser nas situações emergentes ou naquelas estritamente necessárias, recomendando somente a limpeza diária com os seus seis acessórios (quando tal é possível), a saber: a cardadeira, os 3 pentes, a luva e o pano húmido de camurça. Todavia, contrariamente aos gatos, que se limpam sozinhos, existem raças caninas que podem não dispensar um banho semanal e outras em que é conveniente dar-lhes 2 ou 3 banhos anuais, o que nos remete imediatamente para a escolha dos champôs adequados para a higiene dos nossos cães.

Há quem suponha por ignorância, que a pele dos cães seja igual à nossa, quando na verdade ela é mais sensível, fina e frágil do que a humana. A espessura da pele canina é bastante inferior à encontrada nos homens, cerca de 20 a 40 micrómetros contra  50 ou 60 micrómetros. A somar a isto, a pele do cão tem um pH quase neutro, entre 6 e 7, enquanto a humana tem um pH mais ácido, pois está entre 5,5 a 6, tudo isto para explicar que é nocivo e por isso proibido usar os nossos produtos de higiene nos cães. E, se não devemos usar os nossos champôs nos cães, muito menos devemos usar os que se encontram â venda em drogarias ou os destinados a bebés. Para lavar os cães só devemos utilizar um champôs específicos para eles, porque consideram a natureza da pele canina e os seus agentes de limpeza e possíveis perfumes respeitam as necessidades e tolerância da sua epiderme.

Os champôs para cães são compostos de dois tipos de tensioactivos: tensioactivos aniónicos e catiónicos, que uma vez juntos formam a espuma de lavagem. O seu equilíbrio é essencial porque, se dosados ​​incorrectamente, podem ser irritantes. Por vezes é melhor apostar num champô para cão mais suave, mesmo que ele faça menos espuma. Tal como acontece com os champôs para humanos, os champôs caninos podem conter: conservantes (parabenos, fenoxietanol e trietanolamina), cores artificiais, emolientes (vaselina e parafina), perfumes que podem incluir ftalatos, repelentes e antibacterianos obedecendo a fórmulas especiais. A bem da epiderme dos cães é altamente recomendável procurar as fórmulas que sejam o mais naturais possíveis, como o caso das baseadas em manteiga de cacau, óleo de coco, minerais ou óleos essenciais.

Ao escolher o champô para o seu cão, você vai er que ter em conta a pele e a pelagem do animal, sendo o comprimento do pêlo um factor determinante. Nesta opção o melhor que tem a fazer é consultar o parecer do veterinário, porque ele melhor do que ninguém saberá dizer-lhe que tipo de pele tem o seu cão, que pode ser oleosa ou seca, havendo para cada uma delas um champô específico. A pele oleosa é a que mais produz sebo e que apresenta uma película gordurosa protectora da pele do animal. Para esses cães, a escolha de um fórmula clássica é suficiente porque lavará a sua pele sem alterar o seu equilíbrio. Ao invés, um cão com pele seca segrega menos sebo, sendo próprio destinar-lhe uma fórmula enriquecida com óleo vegetal. Existem também champôs específicos, ditos de tratamento, para atender a necessidades específicas: anticomichão, antipulgas, contra a queda do pêlo, repelentes de carraças, hipoalergénicos, etc.  Como raramente as suas fórmulas são saudáveis, devem ser usados ​​pontualmente durante todo o tratamento.

Onde devemos comprar o champô para o nosso cão? É possível comprar champô para cães nos supermercados ou nas pet shops. Esses produtos são muito acessíveis e, na maioria dos casos, as fórmulas oferecidas têm controle veterinário, o que não irá dispensar um olhar atento à sua composição, pois importa privilegiar os mais naturais, como já o dissemos atrás. Estes champôs, o que muitos desconhecem, encontram-se também nas farmácias e nos veterinários, sendo as suas fórmulas mais saudáveis e adequadas às necessidades dos nossos cães. Como se antevê, o ideal é consultar o veterinário que presta assistência ao seu cão.

Quando se tornar urgente dar banho ao seu cão, escove-o demorada e criteriosamente para tirar a sujidade entranhada e os pêlos mortos, escolhendo de seguida o local onde pretende banhá-lo, se na banheira, chuveiro ou ao ar livre. Banhe-o com água morna para evitar choques térmicos e a aversão aos banhos. Quando estiver a ensaboá-lo, não lhe lave a cabeça, porque o champô pode entrar em contacto com os olhos e ouvidos do animal e causar irritação. Depois de ensaboá-lo, passe-o bem por água e seque-o numa toalha. Se o seu cão é daqueles que não poderá dispensar os banhos regulares, então acostume-o desde cedo a essa higiene, tendo sempre o cuidado de o recompensar, porque há cães que não apreciam banhos e outros até que têm aversão à água. Volto a enfatizar que o banho é apenas recomendável quando o animal está de tal maneira sujo que não nos resta outra opção.

Nos tempos em que a “Couraça” era a melhor pasta de dentes e a tropa mandava desenrascar, lavávamos os cães com o multiusos “sabão azul e branco”, também conhecido por “sabão macaco”, com sabão de alcatrão ou com um sabonete de glicerina. Hoje, porque tudo evoluiu e os cães estão a ser objecto de maior cuidado, existem champôs específicos para os mais variados tipos de pelagem (lisa, crespa, encarolada, curta e comprida), menos nocivos e champôs de tratamento mais eficazes. Importa guardar que os champôs para humanos são nocivos para os cães, não devendo por isso ser neles utilizados. Por outro lado, compreendemos agora porque há por aí muitos cães indevida e precocemente carecas.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

O HÁBITO NÃO FAZ O MONGE

 

Em criança conheci um velho cabo de infantaria da Guarda Nacional Republicana que dizia, não sei se em tom de chacota ou para se convencer, que lhe arrancaram o coração no dia em que ingressou naquele corpo especial de tropas, aludindo à natureza do seu serviço e responsabilidade, que estavam para além e acima dos seus sentimentos pessoais. Mais tarde vim a verificar o contrário e debaixo das diferentes fardas encontrei gente assim mascarada tão ao mais sensível que os demais. Exemplo disso foi o ocorrido na cidade alemã de Bochum, cidade independente no estado federal de Nordrhein-Westfalen, localizada na região do Vale do Ruhr, entre as cidades de Essen e Dortmund, onde uma equipa policial vinda num carro-patrulha descobriu um pequeno cão, a lembrar um Chihuahua, sozinho numa rua, levando-o dali para a esquadra.

Ao chegar lá, os polícias de plantão virão quão frágil era e verificaram que era tão pequenino que cabia dentro do seu chapéu de serviço. E, quando deram por isso, já o cãozinho lhes tinha dado a volta à cabeça, ao ponto de lhe terem atribuído o nome de “Anton” e de querem ficar com ele. De coração entristecido e a despeito dos seus sentimentos pessoais, cumpriram com as disposições legais em vigor e foram entregar, como lhes competia, o pequeno cão ao abrigo de animais da cidade, não sem antes o terem abraçado, conforme noticiou esta segunda-feira um porta-voz da polícia.

EVASÃO DE CERCAS, ESCADAS, FISGAS E PASSO DE CORRIDA.

 

O treino de sábado incidiu maioritariamente sobre a endurance, muito embora as restantes disciplinas cinotécnicas fossem também abordadas, pelo que dividimos a aula em duas pares: uma dedicada à ginástica e outra à obediência. Atendendo à idade dos cães presentes e ao treino que já levam, a pensar na sua salvaguarda e possível necessidade de evasão, depois de dividirmos o exercício por fases, optámos por ensinar ao CA Oliver e à CPA Kira o salto sobre uma cerca de rede, naquele caso específico elevada a 110cm. Antes da prestação destes cães, que saíram dali a ultrapassar a cerca em liberdade, coube ao CPA Bohr dar o mote e exemplificar o exercício. Na foto acima estamos perante uma imagem rara, ao vermos um Cão de Água Português a elevar-se sobre um obstáculo para além de 110 cm de altura e na segunda, sem razão para qualquer espanto, vemos a CPA Kira a fazer o mesmo.

Vencido este obstáculo, passámos para a escada de alvenaria em caracol, obstáculo já conhecido dos binómios presentes, cuja repetição, pelo aumento da experiência, transmite maior serenidade e confiança a condutores e cães. Com o cachorro CPA Marquês presente, considerando a sua robustez e que muito brevemente já vai fazer 6 meses de idade, também o convidámos para a execução daquelas escadas, que ele venceu com relativa facilidade.

Com os ritmos vitais dos cães mais acelerados por causa do calor e querendo juntar o útil ao agradável - o descanso ao trabalho – optámos por treinar o “quieto” à distância com os cães à sombra. Curiosamente, talvez por não ter atingido ainda a sua maturidade sexual ou por estar mais cansado, o cachorro CPA Marquês foi o que melhor se comportou.

Mudando de cenário e de obstáculos, passando da alvenaria para a natureza, rumámos ao já nosso conhecido “Jardim das Fisgas”, um pequeno olival que alcunhámos e cujas oliveiras apresentam troncos bifurcados, em forma de fisga (estilingue no Brasil), recriando com essa disposição a “vertical cruzada”, obstáculo artificial e próprio das pistas tácticas. Como seria conveniente e indicado, coube ao cachorro CPA Marquês, estreante nestas andanças, a fisga mais baixa, para que confortado com a experiência feliz, venha a mostrar o desejo de ultrapassar fisgas mais altas.

O Oliver, o nosso Cão de Água voador, por se elevar na vertical como um helicóptero, pleno de força e genica alcançou a “fisga 3”, que se eleva a mais de 1 metro de altura. Encantado com o cão e querendo ser engraçado, o Carlos Silva, seu condutor, apontando para um plátano com um tronco de 4 m de altura, disse: “Qualquer dia é aquele!” Se ao invés de um Cão de Água tivesse um Catahoula Cur, tal proeza poderia ser possível. Vale a pena ver alguns vídeos destes cães a trepar às árvores, apesar do condicionamento poder habilitar qualquer cão para o efeito, desde que aconteça no tempo certo e o animal tenha as características morfológicas necessárias.

Se o desempenho atlético do Oliver se deve à prática consecutiva e aturada dos obstáculos, o mesmo não se pode dizer da valente e versátil CPA Kira, que em menos de 2 meses na escola (vai fazê-los na próxima sexta-feira), conseguiu equiparar-se aos cães que se encontravam na escola há mais tempo. Assim, como seria de esperar e com um à vontade tremendo, também ela ultrapassou a fisga de 1 m de altura, salto que já exige alguma precisão. A foto seguinte desnuda o arrojo desta CPA, que mesmo com o seu condutor imobilizado atrás da linha de salto, avança confiante e segura para o obstáculo.

Vencidas as fisgas e depois de um breve momento de supercompensação, passámos para a execução dos comandos de “à frente” e “atrás” sobre escadas para aliviar os animais de algum toque inadvertido nos obstáculos anteriores, procedendo em simultâneo à sua recuperação e musculação. Na foto seguinte, sem deixar dúvidas a ninguém, é possível ver a energia do CA Oliver na execução do comando “à frente”.

O desempenho do cachorro CPA Marquês nestes comandos direccionais foi satisfatório e melhorá-lo-á com a idade, o tempo e o treino. Para além de ter melhorado no “quieto”, este cachorro está também a melhorar substancialmente na sociabilização, devendo agora ser convidado amiúde para o churro e para jogos de atenção, nomeadamente para a prática da emboscada epara as induções possíveis.

Já sem a presença do Oliver, convidámos os binómios Joana/Marquês e Miguel/Kira para vários exercícios de obediência visando o controlo dos cães, o avivar da sua marcha e o reforço da sua sociabilização. O CPA Bohr não participou na totalidade dos exercícios por ser o cão do fotógrafo.

Donos e cães respeitaram as figuras e os alinhamentos requeridos, acatando as correcções e procurando a excelência no seu desempenho, o que sempre reconforta quem ensina e é causa de espanto para quem observa.

Com um círculo de 36 m delimitado por frondosas árvores, os binómios atrás citados evoluíram na obediência linear de modo irrepreensível, controlando os condutores com mestria tanto as evoluções como as imobilizações dos seus companheiros de 4 patas. Durante a obediência linear houve ainda lugar ao “passo de corrida”, visando a maior destreza dos binómios e a marcha em suspensão dos cães.

Apesar de mal se conhecerem e de pouco terem trabalhado juntos, a Kira e o Marquês, como é tão comum observar entre Pastores Alemães, absorveram rapidamente o escalonamento social fornecido pela matilha escolar. Na foto abaixo, depois de terem andado em sentido de colisão, vemo-los virados um para o outro, aguardando pacientemente a chegada dos seu donos.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios:  Carlos/Oliver; Joana/Marquês; Miguel/Kira e Paulo Bohr. A reportagem fotográfica e a sua edição foram da responsabilidade dos fregueses do costume. O Pedro Rodrigues não há quem o veja e o Jorge Filipe quem lhe ponha vista em cima.  O dia esteve óptimo, o trabalho rendeu e todos regressaram felizes a casa.

domingo, 3 de julho de 2022

O MUNDO À NOSSA VOLTA: O AMUO DE BOLSONARO

 

Eu não aprecio as políticas de Jair Bolsonaro, actual presidente do Brasil, os seus discursos populistas, as desculpas esfarrapadas que encontra, as asneiras que faz e diz em nome da nação que representa. Penso até que o homem só se representa a si próprio e que anda por demais enfronhado com o seu culto pessoal e empenhado em arranjar “encosto” para amigos e familiares, numa formação oligárquica de compadrio igual a tantas outras que o Brasil tão bem conhece. Para não me alongar mais sobre o assunto, acreditar em Bolsonaro é para mim sinónimo de ignorância, pelo que jamais poderia ser presidente de qualquer outra nação civilizada, livre e democrática.

Mas a minha opinião vale o que vale e ainda vale menos quando me pronuncio sobre assuntos de uma país estrangeiro, que não me diz respeito e no qual não exerço o meu direito de voto, verdades desconsideradas por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, nesta sua última viagem oficial ao Brasil, quando entendeu sentar-se tanto com Bolsonaro como com Lula da Silva, num gesto de profundo desrespeito pelo presidente brasileiro democraticamente instituído e ainda no poder. Como resultado deste imbróglio, Jair Bolsonaro e bem, desmarcou um encontro que tinha sido previsto para Brasília com o presidente português, assim como o respectivo almoço onde ambos pretensamente confraternizariam.

Mais uma vez o excessivo paternalismo de Marcelo traiu-o, já que ele não foi a Terras de Vera Cruz para dar lições de democracia ou “lançar achas” para dentro da sociedade brasileira, já em chamas e a pagar o preço das suas opções. Marcelo foi ao Brasil representar o País e prestou um mau serviço à nossa política externa, aos portugueses e aos brasileiros, porque não soube respeitar o seu anfitrião e tratou as instituições dos últimos como se fossem abstractos poderes coloniais. Ao imiscuir-se daquele modo na política brasileira, a vergonha que Marcelo está a passar, está a passá-la a todos nós. Quereria este senhor tão ilustre e de tão provecta idade lançar um novo “grito do Ipiranga”? Se foi, não seria o primeiro português a fazê-lo (o outro nasceu em Queluz), mas penso que não teria a mesma sorte, porque vai sair do Brasil agachado, não como um paladino da liberdade, mas como um malfadado paladino da mediocridade – Chumbou, Sr. Professor! E depois, Bolsonaro aproveitou a ocasião para virar-lhe as costas e mandá-lo com indiferença àquela parte malcheirosa – o traque guerreiro abafou o ósculo da paz! 

MAIS UMA TRAGÉDIA NA PÁTRIA DOS INSÓLITOS

 

Parece impossível o que por vezes acontece na Índia perante os bons e muitos crânios que deu, dá e continua a dar ao mundo, país onde a miséria mata mais do que o crime e onde é possível tudo acontecer, inclusive o impensável. Na enfermaria geral de um hospital privado em Panipat, cidade indiana pertencente ao estado Haryana, quando se encontrava na cama coma sua mãe, com a avó e uma tia a dormir naquela mesma enfermaria, um bebé com 3 dias de vida foi raptado, morto e desconjuntado por cães na noite do dia 28 de junho.

A polícia encaminhou o cadáver do recém-nascido para autópsia no hospital civil local e deu início às investigações. A direcção da maternidade onde tudo aconteceu não respondeu às acusações de que foi alvo e onde cães assassinos ou esfomeados entraram furtivamente, sendo um deles encontrado no exterior com o bebé na boca. A família ainda levou o recém-nascido para dentro, mas os médicos já o encontraram morto, com feridas de múltiplas dentadas. Coisas da índia? Nem tanto, porque os incidentes por descuido onde a ignorância e a miséria são endémicas não se restringem só à Índia, muito embora sejam recorrentes nesta grande nação.

ONTEM SURPREENDI-ME EMOCIONADO

 

Ontem de manhã, durante a minha já histórica caminhada matinal e ao chegar a um espaço aberto, ouvi um chilreado agradável que já conhecia, senti-me refrescado e emocionei-me, quando olhei para o céu e vi as andorinhas na sua azáfama. Ao vê-las assim, automaticamente, senti-me regressar à infância e à aldeia onde nasci. Continua a ouvir-se por aí em tom jocoso, porque o racismo existe e é impiedoso, que “é possível tirar um africano de África, mas que é impossível tirar-lhe esse continente da cabeça”. Sem querer justificar o injustificável, há alguma verdade nisto se considerarmos o apego forte e quase inexplicável que cada um tem à terra que o viu nascer, seja ele africano, europeu ou asiático. A chegada destas aves graciosas sempre esteve para mim relacionada com algo de bom, como uma manifestação do relógio biológico apostado em sintonizar a vida de homens e animais. Quando as andorinhas chegavam, sinal da estabilidade do bom tempo, juntavam-se os canários para acasalar e tosquiavam-se os machos, os burros e os cães lanosos, aguardando-se a tosquia das ovelhas para algumas semanas depois. As andorinhas não chegaram ontem, mas chegaram quase um mês atrasadas e em menor número, também elas vítimas das alterações climáticas que fatidicamente pairam sobre nós – o nosso mundo já não é o mesmo, está dar as últimas!

sábado, 2 de julho de 2022

NÃO FOI GUARDA-REDES NEM APANHA-BOLAS

 

Ontem à tarde continuei o programa de sociabilização do Tommy, um Schnauzer que me toca o coração e que necessita de alcançar a plena sociabilização, não por ser verdadeiramente perigoso, mas pelo incómodo que causa, ladrando a tudo e a todos quando sai com a sua dona. O nosso passeio durou mais de duas horas e o pequeno cão nunca ladrou. Pensando na reabilitação do cão, procurei cruzar-me com as mais diversas pessoas, nomeadamente com aquelas cuja apresentação, comportamento e particular poderiam fazê-lo ladrar. Como já esperava, o cãozinho comportou-se à altura, o que não significa que o problema esteja resolvido de uma vez por todas, mas que a anterior sessão de treino surtiu efeito. Satisfeito, muito satisfeito com a prestação do Tommy, decidi pô-lo à prova diante de um garoto que jogava à bola, deixando o animal sentado enquanto me afastava dele.

Apesar das negaças que o garoto lhe fez, o pequeno Schnauzer não mostrou qualquer interesse pela bola que saltitava à sua volta, não se prontificando naquela ocasião como guarda-redes ou apanha-bolas, o que para outros cães seria um osso bem duro de roer. Contudo, conduzir o Tommy à trela não é uma tarefa fácil e cómoda atendendo ao seu tamanho e peso, porque mal se sente na perna, é pouco visível pela visão periférica e circula bem abaixo do meu joelho, o que me impede de tocá-lo e senti-lo. Caso se lembre de se cruzar na minha frente, é bem possível que me passe uma rasteira e eu acabe estatelado no meio do chão. Felizmente, até hoje isso nunca aconteceu e espero que nunca venha a acontecer, já que estou a trabalhar afincadamente para que depressa alcance a condução em liberdade (solto, sem trela).

Depois do teste do pequeno futebolista e da bola, que não podia ter corrido melhor, o Tommy continuou o seu passeio pela cidade concentrado e tranquilo sem que ninguém desse pela sua presença, apesar de se ter cruzado com muitos cães e com pessoas passíveis de lhe causar alguma estranheza ou desconfiança. Nesta sua excursão pedagógica contou com a presença do Binómio Paulo/Bohr, amigos que muito bem conhece e que sempre o têm acompanhado no seu processo de sociabilização. Não restam dúvidas: o Tommy tem tudo para vir a ser um verdadeiro campeão!

SOLTÁ-LO PODE MATÁ-LO!


Todos os anos, particularmente na primavera e no verão, morrem cães envenenados por plantas e cogumelos venenosos no nosso país, nomeadamente aqueles cujos donos soltam-nos pelos campos afora, gente de falsa fé que crê que o mal só acontece aos outros. Caro leitor, não cai na esparrela do facilitismo, informe-se sobre as nossas plantas e cogumelos letais, aprenda a conhecê-las, grave-as na memória e evite os locais onde poderão ser encontradas. Por precaução, como tantas vezes tenho dito, antes de soltar o seu cão, bata prévia e minuciosamente os terrenos onde pretende soltá-lo, particularmente se o animal é daqueles que não rejeita pedaço e que deita a boca a tudo, seja carne, seja peixe, fruta ou vegetais, também se tiver o mau-hábito de se esfregar por toda a parte, tendência mais comum de encontrar entre os cães caçadores, que assim tentam ocultar o seu odor nas fezes do animal que perseguem. Convém não esquecer que muitas raças caninas, apesar de viverem hoje na cidade e dentro de apartamentos, foram criadas para caçar e ainda conservam um aguçado instinto de caça, como são os casos do Labrador, do Golden, do Beagle, do Podengo, dos diversos Perdigueiros e de tantos outros.

Para se precaver a si e ao seu cão de intoxicações e acidentes graves, importa identificar as plantas e os cogumelos seus causadores. Por ordem alfabética vou adiantar os mais perigosos, colocando após a sua descrição uma foto da planta. 1. ACÓNITO – cientificamente conhecido por Aconitum napellus, da subespécie lusitanicum, planta muito comum em Portugal, com floração no verão e que é altamente tóxica para os sistemas cardiovasculares e nervoso. Quando ingerida, provoca ardor e uma sensação de queimadura na boca e na garganta, para além de náuseas, vómitos e insuficiências respiratórias que podem induzir à morte.

2. ANJO-DA-MORTE – cientificamente conhecido por “Amanita verna”, este cogumelo pode matar quando ingerido e tem matado muita gente. Totalmente branco e com um pé entre os 7 e os 13 cm, tem um chapéu achatado e apresenta as lamelas serradas. Felizmente não é muito frequente em Portugal, mas pode ser facilmente confundido com outras espécies comestíveis.

3. ANJO-DESTRUIDOR-EUROPEU – trata-se de um fungo designado cientificamente por “Amanita virosa”, que é nativo da Europa e como tal de Portugal também, normalmente encontrado em florestas de coníferas (arbusto e árvores) e faias. Aparece sob a forma de cogumelo totalmente branco no verão e no outono. Quando ingerido, por ser rico em micotoxina, substância produzida pelos fungos que provocam efeitos tóxicos em pessoas e animais, acaba por causar danos no fígado e nos rins. Quem sobreviver ao envenenamento, poderá vir a necessitar de um transplante de fígado.

4. CHAPÉU-DA-MORTE – Mais um cogumelo do género Amanita, cientificamente designado por Amanita phalloides, que é o mais venenoso e um dos mais comuns entre nós, facilmente encontrado perto de carvalhos, coníferas e nogueiras. 50 gramas deste cogumelo bastam para causar a morte a um adulto, Como sucede com os outros Amanitas, os seus sintomas são repartidos em 3 fases. Na primeira (de 6 a 24 horas após a ingestão) podem ocorrer no intoxicado náuseas, vómitos, diarreia, febre, taquicardia, hipoglicemia e hipotensão. De 1 a 2 dias após a ingestão, dá-se o início da segunda fase, caracterizada por sintomas gastrointestinais e deterioração das funções renais e hepáticas. Entre o 3º e o 5º dia ocorre a 3ª fase, altura em surgem danos irreversíveis no fígado intoxicado, que poderá vir a necessitar de um transplante hepático para sobreviver.

5. CICUTA – a Conium Maculatum, assim se designa cientificamente a Cicuta, já fazia estragos antes das antigas civilizações egípcia, grega e romana, diz-se inclusive que Sócrates foi condenado à morte por ingestão de uma tisana desta planta. Presente em todo o território nacional, a Cicuta apresenta uma toxicidade muito alta devido aos alcalóides que contém em todas as suas partes. O Envenenamento por esta planta apresenta os seguintes sintomas: ardor na boca e na garganta, náuseas, vómitos, diarreia, paralisia progressiva dos músculos, esfriamento das extremidades e convulsões.

6. DEDALEIRA – cientificamente conhecida como Digitalis purpurea, planta nativa de Portugal, a Dedaleira é também conhecida popularmente como abeloura, alcoques, beloura, boca-de-sapo, calças-de-cuco, erva-de-deira, estira-fois ou estoirotes. Devido a uma toxina que contem – a digitoxina – actua ao nível do coração e que pode provocar ataques cardíacos. Apesar da ingestão das folhas ou das flores poder também matar, a sua forma mais venenosa resulta da infusão das suas folhas.

7. EMBUDE – nativo do  mediterrâneo e do oeste europeu, por isso encontrado por todo o País Continental, o Oenanthe crocata é também conhecido como arrabaça, canafreicha, enanto-de-cor-de-açafrão, prego-do-diabo, rabaças ou salsa-dos-rios. Provoca ardor na boca e na garganta, náuseas, vómitos e diarreia. Quando ingerida, pode provocar convulsões e até a morte por paragem cardiorrespiratória. Esta planta é parecida com a Cicuta, mas com folhas que lembram a salsa. Crê-se que os Sardis, habitantes da cidade bizantina com o mesmo nome, hoje na Turquia e mencionada no livro bíblico do Apocalipse, usavam o Embude para envenenar os seus inimigos, já que o seu veneno pode matar em apenas 3 horas (e ainda há quem tenha medo de ir para a América Central por causa das batracotoxinas). Todavia, gostava eu de saber porque a comem os patos com farelo e não morrem.

8. ERVA-MOURA – A Erva-Moura, que deve o nome Solanum nigrum à ciência, é uma planta semelhante ao tomate e à beringela, que apresenta folhas largas, flores brancas e frutos negros com o tamanho dos mirtilos. A planta é venenosa por causa da solanina, particularmente nos frutos, um glicoalcalcaloide tóxico de sabor amargo, produzido naturalmente pela planta como mecanismo de defesa para se proteger de animais insectos e micro-organismos. Apesar de ser originária da Europa e da Ásia, a Erva-Moura está hoje presente em todo o mundo de modo silvestre. A sua ingestão causa os recorrentes sintomas de ardor na boca e garganta, náuseas, vómitos e diarreia, para além de gerar convulsões e paragem cardiorrespiratória.

9. ESTRAMÓNIO – conhecida popularmente por trombeteira, figueira-do-diabo, erva-do-diabo, erva-das-bruxas, erva-dos-mágicos, pomo-espinhoso, figueira-brava ou figueira-do-inferno, a Datura stramonium é uma planta invasora e não nativa de Portugal, que foi introduzida no Continente e na Ilha da Madeira pelas suas supostas propriedades medicinais e psicotrópicas, A sua flor branca lembra uma trombeta, as suas folhas são verde-escuro e dá um fruto semelhante a um ouriço, que quando seco, contém no seu interior muitas sementes negras. A planta é rica em atropina, causando a sua ingestão delírios, alucinações, desorientação e insónia, podendo ainda causar convulsões e morte por paragem cardiorrespiratória.

O rol das plantas tóxicas e venenosas não se esgota aqui, porque há ainda que considerar as plantas, arbustos e árvores exóticas invasoras, presentes nos parques públicos e nos jardins das nossas casas, como é o caso do OLEANDRO (Nerium oleander), também conhecido por loendro, loandro, aloendro, loandro-da-índia, alandro, loureiro-rosa, adelfa, espirradeira, cevadilha espirradeira ou flor-de-São-José, arbusto ornamental todo ele tóxico, que tem como princípios activos a oleandrina e a neriantina, substâncias extraordinariamente tóxicas, bastando uma simples folha para eliminar um homem de 80 kg, muito embora a ocorrência de vómitos evite o desfecho fatal. O contacto com a pele também apresenta riscos, por isso se aconselha o uso de luvas no seu manuseio (cuidado com as varas que cortamos para o nosso cão ir buscar). Já escrevi no meu caderninho, no momento de me encontrar com o meu Criador, vou colocar-lhe uma dúvida que me assola há anos: Se os oleandros são assim tão tóxicos, porque razão abundam nas creches e escolas portuguesas?

Para seu maior descanso, quando soltar o seu cão no campo, ponha-lhe um açaime para reduzir praticamente a zero os riscos de envenenamento. Há no mercado para esse efeito açaimes ergonómicos, eficazes, práticos e leves. E, quando intentar construir um jardim, informe-se primeiro da toxidade das plantas que irá lá colocar, pois a tal obriga o respeito pela vida do seu cão, pormenor que os arquitectos paisagistas nem sempre têm em conta. De açaime posto e à trela dificilmente algum cão será envenenado, mas se a sua opção for soltá-lo, então siga escrupulosamente as nossas recomendações para que o infortúnio não lhe bata à porta e venha a ficar sem o cão.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

St. BOHR: PATRONO DOS DESAJEITADOS E AJEITADO PARA TODOS

 

Ainda antes de atingir a idade adulta, já o CPA Bohr era um atleta de nomeada, quiçá por ser alto e se encontrar sempre dentro do peso atlético e por tanto abaixo do peso de estalão, encontrando-se o seu coeficiente de envergadura entre 2.94 e 1.94, o que é mais fácil de encontrar nas cadelas mais pequenas, naturalmente mais aligeiradas, uma vez que o dimorfismo sexual está presente no Pastor Alemão, assim como na maioria das raças lupinas e caninas. Como nasceu para correr e saltar, sempre se prestou como subsídio de ensino para aqueles condutores mais apáticos, menos disponíveis e pouco engenhosos, parcos de incentivo e de tíbios comandos, o que eventualmente resultou na queda de alguns, por ausência de preparo, de “pedalada” e também de robustez física. Ainda hoje é requisitado para esse fim, mas com menor frequência e perante obstáculos de fácil solução. Atendendo ao seu estado etário e à sua propensão é agora convidado para exercícios mistos de obediência e ginástica, espaçados, compassados e há muito seus conhecidos. Na foto abaixo, como recordação da sua ida à feira, vemo-lo sentado dentro de um alvo “carrinho de choques” (fez sensação), aguardando confiante que o tirem de lá.

Ontem prepusemos-lhe dois exercícios de ginástica a partir de 5 separações de ferro passíveis de duplo uso e elevadas a pouco mais de 60 cm do solo, convidando-o que as saltasse em serpentina. Como se pode ver no GIF seguinte, o “Santo Bohr”, sem fazer milagre algum, ultrapassou as separações com o mesmo à vontade com que salta para dentro da bagageira de um carro.

Perante tamanha confiança e afirmação, o Adestrador decidiu complicar a vida ao sapiente cão, ao pedir-lhe que fizesse alternadamente “up” e “abaixo” naquelas separações férreas e tubulares. O cão executou o novo exercício com rapidez e desembaraço, demorando o condutor a acertar o seu lugar na progressão (o Paulo nunca foi de grandes correrias, o correr complica-lhe com os nervos e já lá vão 57 anos – haja respeito!).

Assim passámos mais uma tarde com o patrono dos desajeitados que a todos se presta, debaixo de uma brisa refrescante de noroeste que foi muito bem-vinda. A reportagem fotográfica, a sua montagem e edição coube aos mesmos. A Kira ficou a apanhar banhos de sol à sombra; o Tommy a ver o mundo pela varanda; a Luna e a Keila a dormitar no sofá ou a pular junto a um eucaliptal e a “Bela Vista” a ladrar para quem passa. Hoje retomaremos os nossos trabalhos.

ENSINADOS A PROTEGER UM BEM ESSENCIAL

 

Há um ano e meio que a multinacional francesa VEOLIA utiliza cães para detectar fugas de água nas redes sob sua responsabilidade, tendo ao seu dispor uma equipa de dois tratadores e quatro cães, respectivamente dois mestiços de Pastor Alemão, um Malinois e um Border Collie com os nomes de Nina, Kyrie; Nanky e Kelly, que intervieram pela primeira vez na Bretanha, anteontem, quarta-feira, dia 29 de junho, mais precisamente em DOL–de-BRETAGNE (Ille-et-Vilaine).

Estes cães detectam as fugas através do cloro presente na água e que é usado no seu tratamento. Um dos binómios, o constituído por François Bourdeau e pela Nina resultou de uma reconversão, uma vez que o condutor veio do exército (onde passou 22 anos) e a cadela fez toda uma carreira na procura de desconhecidos. À medida que a idade da aposentadoria se aproxima, foi oferecida ao militar a possibilidade de desenvolver uma parceria com a Veolia para treinar cães na detecção de vazamentos de água, continuando assim a valer à sociedade e aos cidadãos. O outro tratador é uma senhora, chama-se Nathalie Delon e é a primeira mulher a obter um diploma nesta especialidade, que também passou pelo exército antes de abraçar este projecto.

Os cães passaram na sua formação por várias etapas, sendo primeiro examinado o seu estado de saúde para garantir que reagem bem ao cloro. Os testes de campo começam quando o veterinários dão luz verde, primeiro em redes onde se sabe haver fugas. Os cães durante o treino superaram todas as expectativas, detectando 92% dos vazamentos. O aprimoramento técnico de homens e cães, que aconteceu em paralelo, transportou-os à fase operacional que teve início em 2021. Referindo-se aos cães, François Bourdeau esclarece: “São animais amigáveis, fáceis, equilibrados e acima de tudo muito Brincalhões.” Este condutor divide a mesma forma de educar os cães com a sua companheira – tudo através da brincadeira – porque eles não devem sentir que estão a trabalhar.

A intervenção dos cães farejadores é decidida em função da dificuldade do terreno e do tipo de condutas, nas situações que as soluções habituais não podem ser implantadas. Indo mais fundo na questão, David Maisonneuve, gerente técnico de redes de água da Veolia, justifica assim o uso dos cães: “Nas áreas rurais, para grandes tubulações ou mesmo para redes com pouco acesso, precisávamos de outra abordagem.” Há que louvar a inovação, que já acontece também noutros países, agradecer aos cães e a quem teve a idéia de usá-los para este fim, esperando que alguns destes especialistas caninos cheguem a Portugal quanto antes, pois estamos a falar de um bem essencial e imprescindível à vida, ainda mais que a Veolia já tem algumas concessões em Portugal, a água francesa é igual à portuguesa e ambas são tratadas com cloro.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ KING SHPHERD: EVOLUÇÃO OU INVOLUÃO?, editado em 01/05/2022

2º _ CIDADE MARAVILHOSA, CHEIA DE ENCANTOS MIL, editado em 14/04/2022

3º _ A VIDA NÃO ESTÁ FÁCIL NO BAIRRO VANIER!, editado em 17/06/2022

4º _ OSSOS DO OFÍCIO E FALTA DE EXPERIÊNCIA, editado em 22/06/2022

5º _ INTERAJUDA E PROGRESSO, editado em 20/06/2022

6º _ CAMINHADA HERÓICA EM GDYNIA, editado em 28/06/2022

7º _ COOPERAÇÃO ENTRE A AUSTRÁLIA E A PAPUA NOVA GUINÉ, editado em 27/06/2022

8º _ SEXTA-FEIRA DE MEIA-VOLTA VOLVER, editado em 26/06/2022

9º _ DE MOCHILA ÀS COSTAS E COM O CÃO LADO, editado em 23/06/2022

10º _ CAMARADAGEM,CRIANÇAS, PASSAGENS ESTREITAS E VERTICAIS CRUAS, editado em 26/06/2022

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º França, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Portugal, 5º Canadá, 6º Países Baixos, 7º Irlanda, 8º Alemanha, 9º Suécia e 10º Rússia.