quinta-feira, 5 de maio de 2022

CELEBRAR GOLOS COM UM CÃO AO LADO PODE SER MUITO PERIGOSO!

 

Na noite de ontem, por ocasião do jogo de futebol entre o Real Madrid e o Manchester City a contar para a UEFA CHAMPIONS LEAGUE, no município alemão de Wittenborn, localizado no distrito de Segeberg, no estado de Schleswig-Holstein, tanto a polícia como o serviço de emergência do distrito Segeberg foram accionados porque um cão havida ferido gravemente à dentada o seu dono e duas visitas da casa, enquanto assistiam pela televisão ao referido jogo. Os três homens tiveram que ser levados aos hospitais mais próximos com feridas graves nos seus braços e pernas. O ataque sangrento aconteceu durante a semifinal da Liga dos Campeões que opunha o Real Madrid aos ingleses do Manchester City, equipa comandada pelo catalão Pep Guardiola  e que o conjunto espanhol venceu por 3 a 1, marcando Karim Benzema (na foto seguinte) 2 dos 3 golos que deram a vitória à equipa merengue.

De acordo com as investigações preliminares, diz-se que o cão saltou do seu assento e atacou inesperadamente o seu dono quando este comemorava um golo. Quando os amigos deste acorreram ao seu auxílio foram também severamente mordidos. Como o cão mordia “a torto e a direito” e nada o fazia demover dos seus intentos, os homens deitaram mão a uma faca e começaram a esfaqueá-lo para o demover das suas dolosas intenções. Como resultado disto, o animal acabou por morrer pouco tempo depois ao ser ferido por várias facadas. A polícia não revelou qual era a raça do cão. As investigações policiais procuram agora apurar como tudo aconteceu e caso o falecido animal tenha sido classificado no passado como perigoso, também isso será averiguado. Diante do ocorrido, já que por vezes as coisas acontecem onde menos se espera, pelo sim, pelo não, é melhor assistir aos jogos em casa e ali celebrar os golos do que ir celebrá-los à casa de um amigo que tenha um cão. 

AS RAZÕES DE NÃO COMENTARMOS AS NOTÍCIAS SOBRE CÃES EM PORTUGAL

 

Já vários leitores nos inquiriram sobre as razões de raramente comentarmos as notícias sobre cães em Portugal e como ultimamente esta questão tem sido mais levantada, passamos de imediato às razões que nos levam a esta tomada de posição. Em primeiro lugar, não comentamos estas notícias pela ausência de rigor que é comummente substituída pelo sensacionalismo; depois, porque são normalmente divulgadas e comentadas por quem nada sabe sobre o assunto, as mesmas pessoas que dizem e escrevem sobre o marido que abateu a esposa a tiro, que noticiam a queda de uma pessoa dentro de um poço, sobre a fatalidade de um nado-morto, etc., jornalistas sem conhecimento de causa e por isso mesmo distantes das questões relativas aos cães, que acabam por manifestar a sua opinião pessoal ou o parecer do consenso geral, o que nos afasta dos reais motivos dos incidentes e que por conseguinte nos impede de alcançarmos as verdadeiras conclusões, que normalmente usamos para evitar a trágica repetição destes incidentes. Penso que já é altura das agências noticiosas portuguesas recrutarem verdadeiros experts na matéria para inquirir, noticiar e comentar as notícias relativas aos cães, coisa já existente por essa Europa fora, onde raro é o pasquim que não tenha um especialista em animais. Este é o nosso ponto de vista!

PASSAR DAS 09H15 PARA AS 12 HORAS ÀS 7 DA TARDE

 

Sei onde ouvi, mas não me recordo quem mo disse pela primeira vez (teria lido algures?). Certo é que me apropriei do conceito “quando o não está garantido, vamos à procura do sim”, o que me tornou mais renitente, resiliente e apto para enfrentar uma grande variedade de desafios sem me dar previamente por vencido. Ultimamente, quando esperava só apanhar cãezinhos fáceis de ensinar e sem grandes handicaps, sucedeu-me exactamente o contrário e viu-me confrontado com problemas de difícil solução. Podia ter dito que não e adormecer para o outro lado, mas não, compadeci-me de donos e cães, senti o seu desalento e dispus-me imediatamente a ajudá-los, chegando a convidar alguns donos para trazer os seus cães, como foi o caso do CPA Bock, cão que apresentava uma divergência de mãos das 09h15 para as 12 horas, o que lhe dificultava a marcha, impedia a pronta transição dos andamentos, inviabilizava-lhe os saltos e causava-lhe dolorosos impactos ao solo. Ontem, às 07h00 da tarde, com a temperatura mais baixa como convinha, pu-lo a saltar sobre pequenos obstáculos naturais e artificiais, para aumentar a sua confiança, vencer os seus receios e aprender a usar convenientemente as mãos nos saltos (a convergi-las). Este fortalecer do carácter pela transposição de obstáculos já dotou o Bock para a protecção dos seus e para a perseguição de intrusos. Na foto acima vemo-lo a saltar um obstáculo extensor artificial elevado a 50 cm e com 120 cm de comprimento. Em baixo, podemos vê-lo a saltar um obstáculo composto (duplo) de pequenas dimensões.

Depois de aprovado nos obstáculos acima, na foto seguinte, junto com o dono, que lhe serviu de subsídio de ânimo (de estimulo e de motivação), vemos o Bock a saltar uma sebe natural com 50 cm de altura e 120 cm de largo, problema que ambos resolveram com relativa facilidade graças à prévia preparação.

Como importa terminar uma tarefa ou exercício quando os cães alcançam o sucesso, para que não se saturem, tragam a moral em alta ao retornar a escola e aceitem com confiança possíveis novos desafio, o Bock foi depois convidado para fazer em liberdade um circuito elevado e de ângulos rectos de modo célere, como sinal de agrado pelo trabalho que desenvolveu, já que corria alegre com o seu dono seu lado.

Na foto seguinte vemos os binómios que ontem participaram nos nossos trabalhos, tendo ao centro a Silvana, também dona do CPA Bock e uma presença agradável no nosso grupo, que continuar a manter o seu carácter familiar.

O CPA Bock já evoluiu muito e ainda tem muito mais para evoluir. Até aqui tem sido uma aposta ganha e a sua transformação tem sido surpreendente para os donos, gente que terá de continuar a acreditar na sua reabilitação. No resto, o cão adora vir para a escola e não pode ver um banco de jardim que logo pede para o saltar.

BOHR: CAMPEÃO DE SALTOS EM FISGA E MUITO MAIS

 

No que diz respeito à cabeça, o Bohr é um genuíno Rhein-Möselring e um lobeiro tipo, muito embora seja de pêlo comprido e tenha 1/8 da variedade negra uniforme na sua construção. Ao longo destes anos, para além de se ter revelado um excelente cão de terapia, as suas performances atléticas têm sido excepcionais e só ao alcance de cães lendários. Quando um cão é de terapia, neste caso de apoio emocional, não se pode extrair dele todo o seu potencial, por se encontrar cativo à pessoa que o conduz e às suas expectativas. No exterior, o saltos em visga, por entre os troncos das árvores, reproduzem os saltos sobre as verticais cruzadas, ainda que as primeiras sejam de execução mais difícil por se constituírem em obstáculos tipo alvo e apresentarem diferentes ângulos de abertura. No GIF acima vemos o Bohr a executar um salto em fisga sobre uma laranjeira, elevado a 1 m de altura e com uma abertura de 45º. No GIF seguinte vemo-lo a caminhar sobre um parapeito em curva com uma largura inferior aos 10 cm.

Depois, para reforçar a unidade de propósitos com o seu dono e não se distrair, pusemos à sua direita o CPA Bock, que caminhava num plano inferior ao seu lado. O objectivo deste trabalho é o de adaptar os cães às passagens estreitas e em condições distantes das ideais antevendo a sua possível prestação de socorro.

O Bohr é do ponto de vista atlético um verdadeiro leão, ainda que por vezes conduzido por um cordeiro tímido e pouco aplicado, para quem é suficiente ter o cão a seu lado. Conhecedor das poucas exigências do seu dono e do carinho que nutre por si, este lobeiro de pêlo comprido tornou-se perito em fazer lograr os intentos do seu líder (?!), habilidade que faz quase instintivamente.

Participaram nos trabalhos de ontem os seguintes binómios: Lucas/Bock e Paulo/Bohr. A Silvana, elemento neutro do Bock, participou nos trabalhos activamente, tanto como fotógrafa como modelo, sendo nisso acompanhada pelo filhinho que carrega na barriga (deverá sair de lá a gostar de cães!).

QUARTA-FEIRA DE MIND GAMES E OBEDIÊNCIA

 

O treino de quarta-feira ao final do dia foi dedicado aos mind games e à obediência, visando a solução de vários jogos cognitivos e a obediência pronta e imediata dos cães. Na foto acima vemos 3 binómios nos exercícios cognitivos e na seguinte o pequeno Schnauzer na introdução aos saltos verticais.

Finalmente e depois de muitos reparos ao seu condutor, o CA Oliver conseguiu executar um conjunto de exercícios em liberdade, não antes de se ter posto em fuga, impropriedade que queremos ver sanada de uma vez por todas, por ser absurda face àquilo que ensinamos e perigosa para a integridade do animal. Por razões ligadas a edição deste blogue, os binómios Patrícia/Keila e Pedro Rodrigues/Luna não aparecem nesta reportagem fotográfica, apesar de terem vencido com denoto as tarefas que lhe foram exigidas. Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Ana Paula/Tommy; Carlos/Oliver; Lucas/Bock; Patrícia/Keila; Paulo/Bohr; Pedro Rodrigues/Luna e Yasmine/Ouki.

LOVE AT SUNSET

 

Apesar do título acima o sugerir, não vou falar de nenhum romance ou filme, mas do encontro inesperado que o CPA Bock teve ontem com uma cadelinha Pug ao pôr-do-sol. Quando o lupino se encontrava num momento de supercompensação, sempre com os olhos na dona que é o seu Deus, eis que surge uma simpática cadelinha Pug, que apesar do seu reduzido tamanho, decidiu saltar para cima do canteiro onde se encontrava o Pastor Alemão. Bem-comportado, o Bock recebeu a cadelinha com raro cuidado e num ápice trocaram carícias, como se o mundo ao seu redor pouco importasse e só eles existissem. A foto acima é uma demonstração cabal da sociabilização que preconizamos, um hino à sociabilização entre iguais e um convite para a harmonia universal.

terça-feira, 3 de maio de 2022

A DONA DE HINDENBURGSTRASSE

 

Hindenburgstrasse é uma rua no município alemão de Möglingen, no distrito de Ludwigsburg, na região administrativa de Estugarda, estado de Baden-Württemberg, onde uma cadela Pastor Alemão causou um verdadeiro caos ontem, terça-feira dia 02 de maio, segundo fonte policial, autoridade que foi chamada ao local através de uma chamada de emergência efectuada por testemunhas por volta das 17h00 locais, altura em que o animal impediu uns trabalhadores da construção civil de descer dos andaimes onde estiveram a trabalhar. Nas palavras dos agentes da autoridade que se deslocaram à ocorrência, o animal “mantinha os trabalhadores sob controlo”.

Além disso, a cadela lupina já havia mordido no braço de um morador que se encontrava no outro lado da rua. Quando a polícia chegou ao local, já um homem se havia escapulido para dentro de um reboque, permanecendo o animal na sua frente a ladrar e a rosnar-lhe. À chegada do carro-patrulha, a cadela correu primeiro para os agentes e depois atravessou a estrada de Hindenburgstrasse, onde viria a ser atropelada por uma Nissan conduzida por um motorista de 68 anos.

Miraculosamente, a Pastora Alemã sobreviveu ao atropelamento, ainda que ferida, correndo depois para uma casa ao encontro do seu dono, homem que declarou aos agentes policiais não se ter apercebido da fuga do animal. A cadela viria a ser cuidada pelos adestradores da polícia e pelo seu dono. Também um ciclista que se pôs em fuga teria sido atacado pelo animal, pessoa que a polícia procura agora contactar. Entretanto, o proprietário da destemida cadela, sem dúvida a dona daquela rua, está sob investigação policial para se determinar se o ocorrido resultou de um descuido, de um acidente ou de uma arbitrariedade. Cadelas assim nunca houve muitas (eu vi muito poucas) e deverão ser sempre treinadas para que possam ser controladas e virem a ser úteis.

APONTOU-LHE UMA PISTOLA À CARA

 

Amigos meus exegetas, confiantes em milenares profecias e observadores dos sinais dos tempos não têm dúvidas – o fim do mundo aproxima-se – e aparentemente parecem ter razão, considerando os conflitos existentes por toda a parte, as alterações climáticas e a violência que grassa nas famílias e nas nossas sociedades. Para lá do bem-estar, da terapia e da ajuda que os cães nos prestam, eles são agora também causa de muita discórdia e de um sem número de atritos de consequências inimagináveis. Um dos apelos mais veementemente repetidos nesta plataforma tem sido o de aconselhar os donos dos cães a circular com eles à trela na via pública, sabendo de antemão os perigos que os animais correm, os acidentes que podem causar e as acesas discussões que podem gerar, como aquela que vou agora narrar, ocorrida no passado domingo, simultaneamente este ano “Dia do Trabalhador” e “Dia da Mãe”, na cidade alemã de Mainz, capital do estado federal de Rheinland-Pfalz.

O incidente ocorreu, segundo avançou a polícia local, por volta das 22h25, quando um cavalheiro de 58 anos passeava com o seu cão solto numa zona verde no cruzamento da Weisenauer Weg com a Alte Mainzer Straße. Ao ver outro cão que se aproximava, o cão do cinquentenário ladrou-lhe, obrigando o seu dono a agarrá-lo pela coleira. O dono do cão recém-chegado não gostou daquela recepção e lentamente puxou uma pistola preta que trazia à cintura e apontou-a à cara do proprietário canino de 58 anos, ameaçando-o de seguida. Felizmente não passou das ameaças e retirou-se na direcção de Vogelsbergstrasse, deixando em estado de choque o seu opositor, que se calcula deverá ter temido o pior. A polícia está agora a tentar identificar aquele dono munido de arma de fogo, cuja descrição aponta para um homem entre os 45 e 55 anos, com cerca de 175 cm de altura e com uma tatuagem na barriga da perna, que vestia na altura um blusão preto, calções pretos e um boné de basebol também preto, fazendo-se acompanhar por um Pastor Alemão igualmente preto.

Como a violência nos nossos dias parece pairar no ar e qualquer coisa, por mais insignificante que seja, lhe serve de rastilho, somos obrigados a proteger-nos e a proteger os nossos cães, evitando conflitos desnecessários de imprevisíveis consequências. Em Mainz não houve tiros, mas infelizmente virão a ecoar noutro lugar e por razões igualmente fúteis. Lembro aqui que a lei obriga à condução atrelada dos cães na via pública e que ela não só protege as pessoas, mas também os próprios animais, tanto do seu despreparo como da maldade humana. 

O QUE NOS DIZEM AS CARAS DELES

 

Tendo a morfopsicologia como pano de fundo, ferramenta que auxilia na identificação dos comportamentos, vou tentar identificar o que ia na cabeça dos cães que ontem se fizeram presentes na classe de instrução. Convém dizer que por força do convívio com os humanos, seres que fazem a identificação preferencialmente com os olhos, os cães tendem a imitá-los, transferindo a identificação do olfacto para a visão, pelo que se torna mais fácil entender as suas aspirações, porque onde estiverem os seus olhos aí estarão também o seus interesses. Para o acerto das emoções detectadas muito contribuiu a linguagem das suas orelhas e o conhecimento prévio dos animais nas mais variadas situações, que serão aqui resumidas num só adjectivo. Assim, na foto acima, temos o Schnauzer Tommy – O EXPECTANTE – e na foto seguinte – O CÉPTICO – aqui interpretado pelo Ouki, o Akita Inu.

Seguidamente temos a cachorra CPA negra Gaia, mais conhecida por “Bela Vista”, animal vigoroso e irrequieto, daqueles de quem se diz “partirem a loiça toda”. Com a ajuda deste esclarecimento, é fácil interpretar o estado de espírito que atravessava naquele momento, sendo a “CONTRARIADA”.

Terminamos com a foto do Oliver, o nosso Cão de Água Português, um camarada sui generis, tendencialmente irreverente e resiliente, pródigo em atitudes dissimuladas e um chantagista emocional inveterado. A câmera captou-o num dos seus momentos mais comuns, quando “pensa” em aprontar, pelo que pode ser identificado como – O ARDILOSO.

Graças à compreensão da mímica dos animais, o adestradores mais atentos e experimentados conseguem antever reacções e comportamentos individuais, conhecimento tantas vezes entendido como extra-sensorial, quando na verdade resulta da cuidada observação visual. Participaram nos trabalhos de ontem os seguintes binómios: Ana Paula/Tommy; Carlo/Tsuki; Carlos/Oliver; Jorge/Gaia; Paulo/Bohr e Yasmine/Ouki.

NOVO BINÓMIO

 

Deu entrada nas nossas fileiras, no passado dia 1º de Maio, o binómio constituído pela Ana Paula e pelo Tommy. A Ana Paula é uma senhora madura, alegre e bem-disposta; o Tommy é um Schnauzer anão sal e pimenta, agora com 13 meses de idade, cheio de vigor e com uma extraordinária capacidade de interacção, que ao 2º dia do treino, sem qualquer preparação prévia, já conseguiu ficar “quieto” entre os seus recém-conhecidos colegas de classe, conforme atesta a foto seguinte.

Desejamos para ambos o maior progresso no adestramento e tudo faremos para que isso aconteça, certos do interesse da condutora e do potencial deste encantador e irreverente Schnauzer. Para eles vai daqui o nosso caloroso bem-vindo.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

ENSINE O SEU CÃO A NADAR ENQUANTO É TEMPO

 

Apesar de poucos, bastava um para ficarmos preocupados, todos os anos morrem cães por afogamento em Portugal e mais morrerão enquanto houver poços destapados e encobertos pela vegetação, assim como donos que trazem os seus cães soltos para ambientes aquáticos sem se certificar previamente se animais sabem nadar ou se é seguro fazê-lo, tolices que não precisamos de importar e que são também visíveis além-fronteiras, como a sucedida na cidade alemã de Hamburg no Öjendorfer Park (Öjendorf), ontem à tarde, domingo, onde um Labrador a nadar num lago perdeu a força e correu risco de vida, obrigando a sua dona em pânico a atirar-se à água para o salvar, colocando-se ela também em apuros, conforme informou um porta-voz dos bombeiros locais que disse ainda que a operação de resgate de ambos aconteceu por volta das 16h00. Os bombeiros foram alertados para o incidente por transeuntes e segundo informações iniciais, o cão jogou-se à água e teria nadado para bem longe, acabando por cansar-se e perder as forças. Os bombeiros resgataram a dona da água, senhora que sofreu hipotermia e que acabou socorrida pelos paramédicos. O cão foi levado de barco para a costa e ambos voltaram pouco tempo depois a casa, sãos e ilesos.

Ao contrário do que muita gente pensa, nem todos os cães sabem nadar, nem mesmo entre aqueles a quem historicamente são atribuídas façanhas ou parcerias em meios aquáticos, pelo que importa ensinar todos os cães a nadar correctamente e prepará-los para o exercício natatório, que só deixará de ser extenuante, desagradável e inseguro, quando os animais vencerem finalmente o stress e se deslocarem na água com o mesmo à vontade como o fazem em terra firme, adaptação que não acontece de um momento para o outro. Para que um cão não se estoire precocemente e aprenda a nadar correctamente, é preciso que aprenda a usar anteriores e posteriores em simultâneo debaixo da linha de água, servindo-se da cauda como leme. Para que isso aconteça é necessário irmos para dentro de água com ele e com a ajuda da trela avançarmos na sua frente, puxando-o para diante para que não possa levantar os seus membros anteriores e aprenda a usá-los debaixo de água. Depois dos animais aprenderem a nadar correctamente e se sentirem cómodos dentro de água e de nela acompanharem os seus donos para toda a parte, é altura de convidá-los a transportar objectos e de irem buscá-los para onde forem jogados. Normalmente servimo-nos inicialmente da foz de alguns rios ou de pequenas baías marinhas para estes trabalhos. E, quando assim acontece, o utilidade dos cães aumenta e poderão vir a abraçar outras especialidades ao seu alcance.

No intuito evitar várias lesões (temporárias ou permanentes) que tanto poderão colocar a saúde como a vida dos animais em risco, por melhor que saibam nadar, os cães só deverão ir para dentro de água quando a sua temperatura for igual ou superior aos 15º celsius, particularmente quando são apenas nadadores esporádicos. Cães experimentados no salvamento dentro de água poderão trabalhar em temperaturas abaixo da atrás indicada e em situações adversas, como sucede com os cães usados pelas guardas costeiras de alguns países, que usam cães maiores e melhor adaptados para a dureza e risco deste exigente trabalho. Como se depreende, escola canina que não se preocupa em ensinar os seus cães a nadar, para além de não estar a prepará-los correctamente, está a fazer das suas vidas uma verdadeira “roleta russa”. E o que dizer daqueles donos que soltam os seus cães em ambientes aquáticos sem primeiro saber se os animais sabem nadar ou não? Até para se ser cão é preciso ter sorte!

PS:Os cachorros podem iniciar a aprendizagem da natação logo na “idade da cópia”, aos 4 meses de idade.

VOADORES, MAS NÃO KAMIKAZES

 

“Desempanar” Akitas é um processo mais moroso do que desempanar um automóvel, porque a máquina não é teimosa nem nos chantageia despudorada e emocionalmente como fazem estes cães japoneses, principalmente os machos, que persistem em viver no seu pequeno mundo sem dar cavaco a ninguém, cães cujos interesses nem sempre casam com os dos seus donos, como se vivessem numa realidade à parte e ocasionalmente nos visitassem. Por tudo isto, os Akitas deverão ser educados num quadro de precocidade laboral, não só por causa da sua necessidade de sociabilização, mas também para que não se transformem em macambúzios e em companheiros presentes invariavelmente ausentes. Para que mais depressa constituam equipa com os seus donos precisam da novidade de desafios, de um conjunto de experiências variado e rico onde obrigatoriamente terão que ser bem-sucedidos. Foi isso que fizemos com os nossos no sábado e saímo-nos muito bem. Pelas dificuldades criadas treinar convenientemente um Akita adulto deveria fazer parte da formação dos futuros adestradores caninos. No GIF acima vemos os binómios Yasmine/Tsuki e Carlo/Ouki a ultrapassar um regato e na foto seguinte, já na companhia do CPA Jonas, vemos os dois Akitas a retemperar as forças.

Todos os binómios presentes foram convidados a vencer um túnel bastante apertado com os cães em liberdade. No GIF seguinte podemos apreciar o desempenho seguro da pequena Tsuki, que parece talhada para estas aventuras e que não se intimida perante a variedade dos obstáculos que é convidada para ultrapassar.

Na foto abaixo vemos o Carlo a ensinar pacientemente a pequena Tsuki a descer umas escadas de alvenaria já gastas pelo tempo, exercício que é dificultado pela altura em que é desenvolvido. Este trabalho exige dos condutores temperança, paciência e destemor para melhor poderem valer aos seus cães. Se porventura num exercício destes o dono de um cão tiver medo de subir ou sofrer de vertigens, deverá ceder temporariamente o comando do animal a um colega de classe liberto desses problemas, que fará o obséquio de habilitar o cão no exercício.

O GIF que se segue mostra o trabalho de equipa que foi necessário para introduzir o Ouki às escadas. A Yasmine cumpriu a sua parte na tarefa e conseguiu retornar ao ponto de partida com o cão ileso. Se repararmos com atenção no GIF, no momento do “roda” (da inversão do sentido de marcha), o Ouki hesitou e até tentou rodar no sentido contrário, chegando a tirar um posterior das escadas, situação perigosa qua Yasmine venceu com a serenidade exigível.

Também a Tsuki foi convidada para vencer o mesmo obstáculo, seguiu com atenção as indicações do seu condutor, rodou à primeira e desceu as escadas desembaçada e elegantemente como se fossem já suas conhecidas. Sabemos do valor desta cachorra e estamos certos que jamais nos decepcionará.

Nos anos que leva connosco, o CPA Bohr é já um veterano nestas andanças. No GIF abaixo vemo-lo a subir rapidamente as escadas, a rodar, a sentar-se e a deitar à voz do dono, para depois descê-las de modo célere e confiante.

No passado sábado à tarde, o Adestrador foi avaliar um cão cuja dona pretendia ensiná-lo entre nós. Tratava-se de um Schnauzer anão, de côr sal e pimenta, de nome “Tommy”, com 1 ano de idade, não-castrado e com problemas de sociabilização com crianças e outros cães, o que tem causado alguns embaraços à sua dona. Aprovado pelo Adestrador, o Tommy recebeu imediatamente a sua primeira lição e passou à familiarização com aqueles que tratava como seus inimigos, vindo depois a comportar-se decentemente conforme se pode ver na foto seguinte, sentado ao lado do CPA Bohr que foi requisitado para aquela ocasião.

Participaram nos trabalhos de sábado os seguintes binómios: Ana Paula/Tommy; Carlo/Tsuki; Patrícia/Keyla; Paulo/Bohr; Pedro Mortágua/Jonas; Pedro Rodrigues/Luna e Yasmine/Ouki. Ao que tudo indica, o Jorge Filipe ficou apeado e por causa disso não pôde comparecer aos trabalhos. Estivemos à conversa com a Sónia e constatámos que o Shane continua com o seu mau feitio. Como de costume o CA Oliver ficou a estagiar mais um fim-de-semana, provavelmente a ler o Volume II do nosso manual escolar. A manhã esteve quente e o Zéfiro praticamente não se fez sentir, o calor não nos afectou nem atrapalhou as tarefas estipuladas no Plano de Aula. Os Akitas parecem ter ganhado asas, mas na nossa mão jamais serão Kamikazes.

domingo, 1 de maio de 2022

JONAS: BONITO E FUNCIONAL

 

O CPA de linha estética Jonas tem sido alvo de todo o meu saber e dedicação ao acompanhar o seu crescimento e treino, apostado em que atinja a funcionalidade inerente à sua raça e que é pouco visível na linha de criação a que pertence. Bonito sempre foi, agora está um matulão (rijo, refilão e forte) e queremos transformá-lo gradualmente num cão de trabalho, dentro daquilo que ele tem para dar e segundo o treino aturado de que tem sido alvo. Na disciplina de obediência nunca nos criou grandes problemas, mas do ponto de vista atlético sempre foi altamente deficitário, sendo primeiro necessário operar-lhe a correcção de aprumos, tanto dianteiros com traseiros, para que conseguisse locomover-se e transitar naturalmente nos quatro andamentos naturais (passo; passo de andadura; marcha e galope). “Inesperadamente”, o Jonas está agora a mostrar aptidões dificilmente visíveis nos seus ascendentes directos, mudança que me enche o coração de alegria por ter acreditado no meu trabalho, no dono e no cão - valeu a pena! Ainda falta algum caminho para andar, considerando o uso, a aptidão e a salvaguarda do cão. No GIF acima, na companhia do dono, vemo-lo a saltar um pequeno regato e no seguinte a subir e a descer uma escada de difícil execução em liberdade.

Não é o primeiro Pastor de Alemão de linha de beleza que capacito, mas cada um deles apresenta problemas funcionais individuais, produto de uma selecção dominada pela subjectividade e pouco preocupada com o bem-estar destes cães, cuja utilidade dificilmente transcende a veleidade dos shows de morfologia. Felizmente, o Jonas irá mais além e todos fazemos por isso, porque é um dos nossos e nunca desistimos de ninguém. Força Pedro, nós acreditamos em ti e no Jonas, estamos cá para vos valer nos desaires, ajudar a levantar-vos e acompanhar-vos na senda do êxito. 

MISSÃO SKATE

 

Ciclicamente sujeitamos os nossos binómios à “MISSÃO SKATE” para que os nossos cães não se sintam tentados a perseguir crianças e skates, trabalho igual a tantos outros que visa travar acções instintivas indesejáveis. Trabalhos destes carecem de reavivamento porque são de alguma forma contra a natureza dos animais e por isso mesmo facilmente esquecidos. Ontem contámos com a colaboração de dois miúdos traquinas para o alcance desta meta. Um andava de Skate contra os cães e o outro gritava desalmadamente enquanto corria. No GIF acima vemos o trabalho do miúdo do Skate, com os cães mais adiantados no ensino em liberdade e os restantes à trela. Nem uns nem outros esboçaram qualquer tentativa de dar caça e abocanhar aquele pardal sobre rodas, o que realça o excelente trabalho e cuidado dos seus condutores.

UMA FAMÍLIA ÀS DIREITAS!

 

Sempre que surpreendemos alguém a observar demoradamente os nossos trabalhos, invariavelmente acabamos por convidá-lo para participar nas nossas tarefas e assim aconteceu ontem, sábado, mais uma vez, quando convidámos uma mãe para conduzir alguns dos nossos cães. Por norma, devido à sua mansidão e suavidade de condução, o cartão-de-visita escolar é a SRD Keila, que sempre acaba conduzida por um ou mais estranhos que não cabem em si de alegria ao vê-la obedecer-lhes. Na foto acima vemos a mãe em questão a conduzir a Keila descontraidamente. Como esta condutora de ocasião mereceu estar à altura da situação, senhora cujo nome já esquecemos, convidámo-la depois para conduzir o CPA Jonas, que apesar de contrariado de início, lá se dispôs a segui-la.

Conduzir um cão matulão como o Jonas deserto de ir para o dono, como que a dizer “tirem-me deste filme”, não se revelou uma tarefa fácil, mas a jovem mãe não se atrapalhou, mostrou garra e determinação, evidenciando ser uma líder inata.

De um momento para o outro, inesperadamente, surge-nos um miúdo fortalhaço com 7 anos de idade, que estranhando ver a mãe a passear os cães, lhe perguntou o que estava ela ali a fazer. Ao aperceber-se da manobra, também ele quis conduzir um cão e acabou por ser acompanhado pela SRD Keila. Na foto abaixo vemos mãe e filho na execução do “junto”, simultaneamente alegres e compenetrados, conduzindo a senhora o Akita Inu Ouki.

Para o à vontade desta família muito contribuiu o facto de ter em casa um híbrido de Setter Irlandês, cão bastante alegre, disponível e airoso, resgatado de um abrigo e portador de um desequilíbrio articular que sofreu antes de ser resgatado. Ontem encontrámos uma “família às direitas” e gostaríamos de voltar a encontrá-la, gente que gosta de cães como nós!

KING SHEPHERD: EVOLUÇÃO OU INVOLUÇÃO?

 

Como preâmbulo ao tema, para desencanto de muitos, lamento reafirmar pela enésima vez que nenhuma das raças formadas a partir do Cão de Pastor Alemão (CPA) conseguiu ultrapassá-lo na sua capacidade de aprendizagem, excelente interacção e rara versatilidade laboral; que não é necessário cruzá-lo com outras raças para que venha a ser maior, porque a riqueza e o acerto nas suas dietas dispensa facilmente a hibridação para esse fim, desde que se proceda a uma política de criação de “quadro aberto”, evitando-se ao mínimo a consanguinidade e a endogamia pela parceria entre as variedades dominantes e recessivas presentes na raça. Com uma selecção assim é possível produzir cães com mais de 74 cm de altura e acima de 50 kg de peso, como outrora produzimos e que foi razão de espanto para muitos.

Contudo, aprendi pela experiência que um CPA macho para ser excelente não precisa de ter 65 cm ou mais e que os cães desta raça acima dos 68 cm ou são excepcionais ou de pouco préstimo, acontecendo com mais frequência o segundo caso. Se há que melhorar o CPA, esse beneficiamento deverá considerar a origem da raça e não os seus recentes e adulterados sucedâneos, porque a infusão de sangue novo tem potenciado a parte em prejuízo do todo que sempre enalteceu este excelente cão alemão, que não sendo um especialista, é o mais multifacetado dos cães. A raça não precisa que lhe acrescentem algo, mas que lhe devolvam aquilo que lhe roubaram nos últimos 60 anos, pois não é um Ovcharka e a sua aptidão está a anos de luz de um instintivo Malamute do Alaska.

Vamos ao KING SHEPHERD como forma de resposta a um email que me enviaram no passado sábado, dia 23 de abril e que dizia assim: “Boa tarde. Encontrei teu contato e estou em Curitiba brasil. Bom trocar informações. Você cria ou sabe que tem o king shepherd? Abraços. Atenciosamente (…)”. Originário dos Estados Unidos, o King Shepherd, para todos os efeitos um “designer breed”, foi desenvolvido a partir de 1990 pelos criadores norte-americanos Shelley Watts-Cross e David Turkheimer, através da hibridação do Cão de Pastor Alemão com outras raças, como foi o caso do Pastor de Shiloh e do Malamute do Alasca. Alguns autores, ao debruçarem-se sobre as origens desta raça híbrida, reconhecem a presença do Cão de Montanha dos Pirineus e do Akita na sua formação. Pastores Alemães de pêlo comprido originários da Europa também estão por detrás do King Shepherd, cujos criadores pretendiam que ostentasse uma pelagem comprida. A recorrência inicial ao Pastor de Shiloh (um híbrido de CPA com Malamute do Alasca) dizem, serviu para elevar as melhores qualidades do Pastor Alemão?!

O propósito dos criadores desta raça híbrida era o de criar um cão semelhante ao Pastor Alemão na sua natureza e aparência, contudo maior e com menos problemas de saúde de origem genética, apesar de ser menos longeva do que o cão alemão na sua origem. A meu ver, debaixo do pressuposto selectivo atrás adiantado, os cães ganharam tamanho e perderam aptidão, tornando-se cães para adorar e não para guardar, facto comprovado por muitos autores ao tratarem-nos como “fofos” e “excelentes cães de companhia”, comportamento a que a grande infusão de sangue spitz não é alheia. A raça continua em formação e não é ainda reconhecida pelo AKC (American Kennel Club), mas já é reconhecida pela American Rare Breed Association (ARBA), World Wide Kennel Club (WWKC) e Eastern Rare Breed Dog Club (ERBDC), entre outras organizações menos conhecidas.

No geral, o King Shepherd é um excelente cão de família, particularmente para quem tem espaço, porque estamos a falar de um cão gigante, cujas fêmeas pesam entre 35 e 50 kg e medem de 63,5 a 68,5 cm; os machos pesam entre 41 e 68 kg e medem de 68,5 a 78,7 cm. Cão de grande adaptabilidade, vive bem dentro de um apartamento, não querer donos com muita experiência em cães, tolera amplitudes térmicas, mas não aprecia ficar sozinho. De fraco sentimento territorial, é amigo da família, recomendado para crianças e tolera com facilidade as pessoas estranhas. Tido como muito inteligente, é fácil de treinar, ladra pouco e raramente uiva, adora brincar e requer algum exercício diário.

O King Shepherd é acima e tudo um cão para se disfrutar, não para trabalhar, porque a excessiva infusão de sangue de Malamute do Alasca surripiou-lhe o melhor que o Cão de Pastor Alemão tinha para lhe dar, conservando deste apenas a aparência, pelo que aparenta uma coisa quando na verdade é outra, na diferença que vai entre uma arma a sério e outra de brincar, sendo por isso deficitário nas áreas da protecção e segurança, o que o coloca em “maus lençóis” quando usado para isso, porque ao ter uma presença intimidatória devido ao seu tamanho, os seus oponentes tudo farão para eliminá-lo. Adoro todos os cães, mas procuro para o meu gasto sempre os que são de trabalho, aqueles que me poderão valer a mim e aos outros, com os quais me entendo às mil maravilhas, que me socorrem quando for caso disso e que dificilmente me deixarão só. Quando era criança queria um cão para brincar, agora que sou maduro procuro um para me ajudar. Assim, não procuro um cão para adorar ou por me parecer bonito, mas um que faça equipa comigo e que zele pelo meu bem-estar por pior que seja a jornada, escolha que dificilmente recairia sobre o King Shepherd, rei só no tamanho, grande sem ser grande coisa. Por tudo isto, face ao Pastor Alemão na sua origem, considero o King Shepherd uma involução do excelente lupino germânico.