sexta-feira, 4 de junho de 2021

SONECA: PRONTO PARA O QUE DER E VIER

 

O Labrador Soneca é um dos cães de que me orgulho e tenho toda as rações para isso, porque é simultaneamente rústico, célere e resistente, humilde, inteligente, alegre, combativo e valente – um espanto de cão – a que normalmente se chama “uma força da natureza”. Ultimamente tem vindo pouco às aulas porque o seu dono arranjou uma segunda actividade económica para fazer frente à vida, mas quando vem, enche a escola de alegria e contagia os outros cães. Extraordinariamente obediente, aprovado no contra-ataque e um atleta de eleição, o Soneca aparece no GIF acima, na companhia do FSM Doc, a ultrapassar um muro de alvenaria com 200 cm de altura. No GIF abaixo vemo-lo num exercício de endurance onde é visível o seu espectacular desempenho partindo unicamente embalado pela ordem emitida pelo dono, que para acompanhá-lo, teve que adiantar-se primeiro.

Ontem foi também dia obrigatório de visita ao “espelho de solo”. No GIF seguinte, sem comandos verbais e recorrendo apenas à linguagem gestual, vemos a execução do Soneca, um verdadeiro hino à arte, fruto de um condicionamento rigoroso e acertado (mesmo assim o Jorge é capaz de fazer melhor).

Este cão desperta emoções a que ninguém pode ficar indiferente, por ser dedicado e fiel, uma alma nobre que nasceu e veio para servir. Quando o vejo correr, arrebata-me e leva-me com ele, apesar de hoje já não conseguir acompanhá-lo. É evidente que estou por detrás da sua formação, mas ele não me deve nada, eu é que sou seu devedor. Obrigado Soneca pelo bem que me fazes!

COMO GENTE GRANDE

 

À Carolina e ao Diogo, filhos da Miriam e do Gonçalo, foi-lhes concedido o prazer de conduzir à trela dois cães escolares, pois não queremos nem cinófobos nem cães infanticidas, enquanto a Ária não se encontra pronta para isso. Os meninos conduziram os cães como gente grande, concentrados no que estavam a fazer e atentos ao desempenho dos animais. Na foto acima vemo-los a deitar os seus ocasionais companheiros de 4 patas, curiosamente com ajuda de mão em sincronia com o movimento dos cães – no seu primeiro momento. Neste exercício de liderança foram amplamente aprovados e certamente voltarão a ser convidados quando a ocasião se proporcionar. Parabéns miúdos!

A SUBIR HÁ UM SANTO QUE AJUDA MAIS DO QUE OS OUTROS

 

Ontem, depois de consultado, convidámos o Noé para subir uma ravina com o cachorro CPA Ruky. Apesar da irregularidade do piso e do soltar de pequenas pedras, o Ruky ajudou decisivamente o seu dono a chegar ao topo da ravina, funcionando literalmente como um veículo tractor. O GIF acima disso dá testemunho e o seguinte mostra o Ruky a escalar um muro de pedra com 150 cm de altura.

Este cachorro CPA adora o dono, apesar deste ser por vezes demasiado chilreador e ríspido com ele, embaraçado que anda com os seus achaques. O Ruky, apesar do seu tamanho, é um jovem carente de afectos e de aprovação, que não deve e não pode ser criado debaixo de um regime de inibição a bem da sua saúde e bem-estar, muito menos sujeito a um regime de constante ameaça como sucede em casa, onde um velho fura-bardos, um gavião Accipiter nisus granti, está constantemente a ameaçá-lo. O passarão já não tem remédio, mas o cachorro tem e precisa de ser amado, que vão em encontro das suas necessidades para amanhã valer naturalmente aos seus.

LEVAR ALEGRIA ÀS FAMÍLIAS

 

Numa altura em que todos estamos a reaprender a conviver uns com os outros e a quebrar pouco a pouco as barreiras erigidas e impostas pelo Covid 19, os nossos cães continuam a trazer alegria às famílias que connosco se cruzam, a ir ao encontro dos ensejos das crianças e a tornar os dias mais risonhos para todos. Assim aconteceu ontem e assim voltará a acontecer, há que agradecer ao binómio José António/Doc a disponibilidade e a colaboração neste fraterno propósito.

UM DIA EM CHEIO PARA UMA DESCONHECIDA FELIZ

 

Enquanto decorriam os nossos trabalhos de ontem, reparámos numa senhora que os seguia demoradamente e com algum interesse. Ousámos convidá-la para as nossas actividades e ela disse-nos que adorava cães, que não tinha medo deles e que tem alguns. Aproveitámos a sua disponibilidade e boa disposição para nos ajudar na recusa de engodos, tarefa que desempenhou alegre e na maioria dos casos sem sucesso. A foto acima reporta-se a um momento destes e a seguinte ao momento em que se prontificou a ser obstáculo humano.

Encantada com a obediência demonstrada pelos cães e feliz no seu meio, à guisa de agradecimento, ensinámo-la a fazer o “cruza” com o Labrador Soneca, cão que executa este movimento com rara celeridade. A simpática senhora substituiu algum embaraço pelo acerto nas ordens e tudo correu conforme o esperado para seu regozijo.

Agradecemos-lhe a colaboração e desejámos-lhe um bom fim-de-semana, sem contudo chegarmos a saber tampouco como se chamava. Os cães simpatizaram com a senhora e ela acabou também por contribuir para a sua sociabilização e incorruptibilidade. Dificilmente voltaremos a vê-la, mas valeu a pena tê-la conhecido.

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: COISAS DE ALENTEJANOS

 

Um homem tido como violento e bruto entra na frutaria de um alentejano com o seu cão solto. Sem que ele veja, o animal começa a lamber a fruta pelos expositores afora, o que muito desagrada ao dono da loja. Apanhando um pano molhado de um alguidar e o dono do animal distraído, o alentejano prepara-se para dar com o trapo encharcado no focinho do cão. Quando ia para fazê-lo, o dono do cão vira-se repentinamente e o alentejano diz para o cão: “Boby, não vês que a fruta não está lavada? Deixa-me lavá-la primeiro!”

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ CRIMES DA VELHA NA NOVA BRANDENBURG, editado em 28/05/2021

2º _ RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS, editado em 28/05/2021

3º _ PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: MAIS VALIA TER FICADO QUIETA, editado em 28/05/2021

4º _ À BOLEIA DO BOHR, editado em 28/05/2021

5º _ CAMPANHA DE SENSIBILIZAÇÃO, editado em 30/05/2021

6º _ $ 35 MILHÕES PARA A TRACTIVE, editado em 27/05/2021

7º _ TUDO EM FAMÍLIA, editado em 26/05/2021

8º _ GUARDA-REDES ATROPELA CÃO COM CORTA-RELVA, editado em 28/05/2021

9º _ A “TROPA” DE SÁBADO, editado em 29/05/2021

10º _ LÁ VAI MAIS UM POR NÃO TER DONO, editado em 30/05/2021

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º França, 2º Estados Unidos, 3º Portugal, 4º Brasil, 5º Turquia, 6º Canadá, 7º Alemanha, 8º Reino Unido, 9º Itália e 10º Angola.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

UM DIA NA VIDA NO MAX

Hoje levámos o CL Max para uma calçada à beira-mar bastante concorrida por toda a sorte de cães, alguns deles soltos e irritadiços, mormente os pequenos que insistem em ladrar por temer rosnar aos maiores, temendo que eles devolvam a ameaça e partam para cima deles. Levámos o cão para ali por causa da sua sociabilização e para preparar o seu condutor para situações idênticas. Dono e cão precisam de mais treino nesta matéria, é isso que aconselhamos. Durante o trajecto escolar o binómio praticou o “junto”, sendo depois o cão convidado para a transposição dos bancos sui generis á disposição dos viandantes, para lhe manter o interesse e evitar a saturação. Na foto acima vemos o Max dentro de um deles e no Gif abaixo vemos o binómio num exercício de destreza para o seu condutor, que independentemente das situações e condições, é obrigado a ter controlo absoluto sobre o animal.

Depois de termos usado os saltos como recompensa, foi pedido ao Max que permanecesse quieto e na posição de “deita” à ordem do dono. Esta figura de imobilização foi primeiro solicitada em cima dum banco e a pouca distância do dono.

Mediante as respostas positivas que o cão nos foi dando, fomos gradualmente aumentando a distância entre ele e o seu dono, assim como o tempo de permanência na figura. Não fomos além dos 50 metros de distância para não ensinarmos o Max a fugir e termos que recapitular tudo desde o início.

A colocação em cima do banco foi estratégica e pretendia evitar tanto a distracção como a fuga do cão. Como nada disso aconteceu, passámos a imobilização para o solo e o Max comportou-se conforme o esperado, apesar do número de transeuntes e de muitas novidades com as quais não estava ainda familiarizado.

Para memorização de alguns automatismos e das consequentes ajudas, pedidos ao binómio que percorresse alguns muretes rústicos que se encontravam no jardim por nós escolhido, para alegria do cão e em prol do desembaraço do dono e condutor. A expressão mímica da cauda deste Castro Lobeiro denuncia a confiança e a alegria com que partiu para a execução dos muretes.

Quando acabamos o trabalho no jardim e antes de partimos para outro ecossistema, tirámos uma foto ao Zé e ao Max, com o condutor, como é sem mau-hábito, debaixo de tensão e a esganar o seu companheiro de 4 patas, que dispensa tal aperto e não o merece.

Já noutro local, ensinámos o Zé a rodar o Max (a inverter o sentido de marcha) numa superfície estreita para quando for necessário. Rapidamente o cão aprendeu a rodar e o dono não lhe ficou atrás, funcionando ambos como um verdadeiro binómio. 

No regresso ao carro, colocámos o Castro Laboreiro dentro de uma canoa para que se acostume a ficar quieto onde lhe mandam e ali permaneça até que seja chamado. O cão mostrou alguma resistência por causa do desequilíbrio fornecido pela canoa.

 

Colocámos o binómio junto a uma pintura mural alusiva à pesca e aos pescadores para uma memorização descontraída das seguintes ordens sequenciais: “roda”; “alto”; “senta” e “quieto”; “de pé”; “em frente” e “junto”. O binómio ficou bem na fotografia em todos os aspectos.

Para a posteridade e ainda falando em fotografias, o Adestrador fez questão de tirar uma foto com o Max, cachorro com quem mantêm um perfeito entendimento e que muito admira pela sua capacidade de aprendizagem, surpreendentemente bem acima do que é expectável na raça.

O GIF seguinte testemunha o trabalho desenvolvido no jardim e o tricomando básico (“alto; “senta” e “deita”) solicitado sobre um vistoso banco multicolor, onde o desempenho do Zé rasou a perfeição, sucesso que também se deve à disponibilidade do cachorro.

Tirando partido de dois bancos de jardim geminados, que formavam um túnel entre si, convidámos o Max a internar-se nele, solicitando ao seu condutor o desembaraço necessário para não deixar fugir o animal.

No final da aula, depois de nos termos refrescado numa esplanada, pedimos a uma das suas empregadas que passeasse o Max por breves instantes, para aquilatar da instalação dos comandos ministrados até aqui. Valendo-se dos comandos certos, a jovem e cão irradiaram cumplicidade e interagiram seguros.

Assim foi mais um dia na vida do Max e na minha, onde  fomos amigos e parceiros. Pelo que é e pelo potencial que tem, este cão já arranjou lugar na minha galeria dos cães especiais, daqueles que é impossível alguém esquecer-se pela sua qualidade e desempenho. Virá a ser um cão valente se souberem cuidar dele e equipá-lo convenientemente, um daqueles amigos que nunca nos abandonam por pior que seja a refrega – um cão com nobreza de carácter.

APANHADO EM FLAGRANTE PELO OLHO MÁGICO

 

Na comuna francesa de Choisy-le-Roi, no departamento francês de Val-de-Marne e região de Île de France, na noite de domingo, 30 para segunda-feira, 31 de Maio, um homem filmou o seu vizinho a maltratar um cão pelo olho mágico da porta. Depois chamou a polícia, encaminhou as imagens para a Associação Acção de Protecção aos Animais e esta apresentou uma queixa-crime contra o vizinho, que se diz ser dono do animal maltratado e que acabou detido pela polícia, segundo adianta o Le Parisien, devendo o homem comparecer hoje a tribunal. Entretanto, os seus três cães foram levados para local seguro.

“Quando nos acercámos do animal, ele estava com vários hematomas no focinho, principalmente ao redor dos olhos e estava também a sangrar”, explicou Anne-Claire Chauvancy, presidente da associação atrás citada ao jornal Ile-de-France. Os outros dois cães apresentavam indícios de prováveis maus-tratos, além de fracturas, acrescenta o diário. Uma primeira queixa em 2019 teria sido arquivada. Lamentamos o sucedido com os cães, esperamos que seja feita justiça e nada mais temos a acrescentar sobre este deplorável crime e o seu autor que, a ser verdade o que se diz dele, merece sem sombra de dúvidas uma pena de prisão efectiva. Não obstante, temos algo interessante a dizer sobre a localidade de Choisy-le-Roi, que ganhou esse nome em 1739, porque Luis XV escolheu os seus terrenos para caçar.

250 TURCOS

 

Desde o início desta semana até agora, este blogue já recebeu a visita de 250 leitores turcos, afluência pouco comum deste país euro-asiático. Esperamos que o seu interesse continue e que mais turcos nos procurem. Quero aqui mencionar, porque foi para mim uma surpresa, o garbo, o aprumo e a classe, que a guarda presidencial turca a cavalo tem demonstrado nas visitas de estado e na entrega de cartas credenciais ao presidente da república, desempenho uns furos acima de algumas das suas congéneres europeias (falo com conhecimento de causa).

Pondo de parte as cerimónias protocolares, é de todo o nosso interesse estabelecer intercâmbio com estes leitores acerca da canicultura e da cinotecnia turcas, conhecer os seus cães mais ao pormenor, os critérios que regem a sua selecção e os propósitos que presidem à sua criação, muito embora já saibamos da valentia e qualidade dos seus molossos guardadores de rebanhos. A todos agradecemos a visita e estendemos o nosso bem-vindo.

A AFINAR UM E A ENCAMINHAR O OUTRO

 

Ontem pela tarde, o Adestrador decidiu pegar no FSM Doc e dotá-lo de novas competências interdisciplinares ligadas essencialmente ao resgate e à evasão. Casualmente, enquanto procedíamos ao treino do Doc, encontrámos dois senhores de abastadas primaveras que por momentos observaram o desenrolar dos nossos trabalhos. Ao reparem no desempenho do cão, um exclamou incrédulo e estupefacto: “Os filas também são capazes de fazer isto?” No Gif acima vemos o Doc a caminhar sobre um murete de cimento com apenas 10 cm de lado objectivando o desenvolvimento do seu equilíbrio e o cumprimento absoluto das ordens. No Gif abaixo, agora conduzido pelo dono, vemo-lo a saltar uma vertical crua de difícil execução, obstáculo de endurance já seu conhecido que executou à primeira e em segurança.

Mais para lhe melhorar a capacidade de concentração do que por outro motivo qualquer, o Adestrador pediu-lhe que progredisse sobre um tubo de ferro, pondo as patas do lado esquerdo num lado do tubo e as do lado direito no outro. Com isso acabou por reproduzir o andamento típico dos bracos na abordagem da caça, que colocam os pés no mesmo sítio das mãos para que a sua progressão não seja detectada, andamento que neles é instintivo, mas que num Fila é antinatural e só possível mediante condicionamento. Caso importasse fazer de um fila um cão de aponte, este seria um dos métodos para o alcançar.

O GIF seguinte reporta-se ao mesmo trabalho, ainda que captado num plano frontal. A maior dificuldade nesta tarefa para os cães que têm como andamento preferencial a marcha, como é o caso do Fila, é que eles tentam obliquar de traseira para evitar o passo de andadura, pelo que a velocidade de execução carece de ser controlada e o condutor de evoluir no sítio certo.

Entretanto chegou o Noé com o CPA Ruky e a ocasião proporcionou-se para introduzir o cachorro ao muro de 200 cm com chamada. O CPA tem, como se pode ver no GIF abaixo, capacidade atlética de sobra para vencer o obstáculo com êxito, o que ele nem tem e precisa urgentemente é de um “junto” aceitável para o efeito, uma vez que parte à desfilada, salta antes ou depois da linha de chamada e invariavelmente agachado, o que dificulta ainda mais a marcação do salto, problema que se deve ao pouco rigor do Noé no “junto” e à ausência de uma cadência de marcha (o “junto” é o primeiro dos comandos que ensinamos na Escola, por onde andará a cabeça do Noé?)

Foi ainda pedido ao Noé, com todas as cautelas e com a sua anuência, não fosse o homem desmanchar-se, que descesse uma pequena encosta de pedra com o Ruky, fazendo uso do comando de “atrás” já assimilado pelo cachorro. O animal, como era esperado, permaneceu atrás e segurou o dono, garantindo-lhe a descida.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: José António/Doc e Noé/Ruky. A tarde esteve cinzenta e amena, com a serra enevoada e com pouca visibilidade, condições nada condizentes com o tempo de Verão que se aproxima. Os objectivos foram alcançados e todos regressaram incólumes e felizes a casa. Apesar de ausente, o Paulo Jorge, como é seu hábito, acabou por fazer a montagem fotográfica. 

terça-feira, 1 de junho de 2021

A VELHA QUESTÃO DO AÇAIME

 

Anteontem, Domingo, em Montreal, maior cidade da província canadiana do Quebec e o segundo município mais populoso do Canadá, uma jovem, Vanessa Piliguian, foi atacada por um Cão de Pastor Alemão quando estava a andar de bicicleta com o namorado num caminho estreito. Segundo ela, o cão rebentou com a trela, só a largou depois de lhe ter infligindo um golpe profundo e o dono do animal não o conseguiu controlar em momento algum.

Perante o ataque do lupino, a jovem diz ter gritado o nome do namorado, Jordan Kardassilaris (ambos na foto abaixo), ter entrado em pânico, não ter conseguido deixar de chorar e que esteve prestes a hiperventilar, adiantando ainda que o cão não tinha açaime. Quer agora fazer algo mais para garantir que os donos dos cães cumpram as regras que a lei estabelece. Para evitar situações como essa, Montreal actualizou o seu estatuto de cães perigosos há três anos atrás, após a morte de Christiane Vadnais, que morreu após ter sido atacada por um cão no seu quintal. 

Uma das disposições que entrou em vigor no passado mês de Janeiro, determina que qualquer cão que pesa mais de 20 quilos deve andar à trela quando se encontrar passear. O casal disse que o cachorro parecia pesar mais do que isso e não estava com o açaime posto. O namorado de Piliguian disse que as regras deveriam ser ainda mais rígidas. "Basta colocar um açaime no cão, pelo menos", disse Jordan Kardassilaris. "Se tivesse açaime, não teria atingido e mordida a minha namorada. Teria sido um resultado muito diferente; talvez um hematoma, não um corte numa das pernas." O diploma legal ali em vigor determina que o açaime só é obrigatório se o cão estiver avaliado como potencialmente perigoso. O casal apresentou queixa na polícia e, enquanto esperam por notícias, agradecem que o incidente não tenha tido piores consequências.

Entendemos nós, atendendo ao conhecimento e à experiência que adquirimos no adestramento ao longo de décadas, para se evitarem ataques caninos deste tipo, apesar da medida ser antipopular e não agradar por isso aos políticos, que todos os cães acima dos 20 kg fossem obrigados a usar açaime nos espaços públicos, independentemente de serem considerados perigosos ou não, cabendo às polícias fiscalizar o seu uso e qualidade, porque até o mais inofensivo cão se entusiasma com um cinófobo e a maioria dos proprietários caninos tem dificuldade em controlar os seus cães por ausência de uma liderança capaz, sendo essa uma das principais razões que os leva a procurar-nos, isto para já não falarmos da ausência de robustez física, de défice de atenção, do necessário equilíbrio emocional e por aí adiante.

Se a regra internacional fosse: “quem não consegue controlar o seu cão, não o pode ter”, não seria só o número dos ataques caninos que diminuiria, mas também o dos próprios cães. É verdade, cruzarmo-nos com certos donos e cães na rua pode ser uma verdadeira roleta russa. Lamento dizer isto por razões óbvias, mas os governos não estão a proteger as possíveis vítimas dos cães, a prová-lo estão inúmeras mortes de crianças e idosos que chegam diariamente ao nosso conhecimento, para já não falarmos dos sobreviventes que sairão marcados, mutilados e incapacitados para toda a vida. Os cães não terão direito a ser quem são e ver-se livres do açaime? Sem dúvida! Devendo para o efeito ser-lhes criados espaços próprios, amplos e seguros onde não colidam com quem não os aprecia, teme e facilmente se constitui em sua presa.

Dentro em breve, em todo o território alemão, vai ser lançada uma habilitação, tipo carta de condução, que possibilita a aquisição de um cão, o que é sem dúvida um avanço em termos cognitivos e pedagógicos. Contudo, transformará tal formação um cordeiro num leão, conseguirá transformar um submisso num líder? Em termos de liderança terá sensivelmente o mesmo sucesso que têm tido os workshops dedicados aos novos líderes empresariais, sucesso que geralmente não ultrapassa e se queda pelas boas intenções. Não conseguindo os homens, neste caso os donos, transcender-se nesta matéria, há que dar condições aos cães para que ninguém seja mordido e as organizadas sociedades democráticas têm obrigação de fazê-lo, antes que o mundo acabe à dentada!

TOME ATENÇÃO ESTE VERÃO

 

Com o Verão à porta, as temperaturas começam a subir e é impensável deixar cães fechados dentro de automóveis, pois correm o risco e perecer, mesmo que seja só por breves instantes, porque por vezes demoramo-nos mais do que à partida pensávamos e essa demora pode ser fatal para um animal encarcerado e sem ventilação dentro de uma viatura. Na cidade alemã de Overath, distrito de Rheinisch-Bergischer Kreis e região administrativa de Köln, no Estado de Nordrhein-Westfalen, a polícia local libertou ontem, segunda-feira, dia 13 deste mês, um cão que se encontrava encerrado dentro de um carro superaquecido e com as janelas fechadas há 45 minutos, debaixo de sol forte e com uma temperatura externa de 24 graus celsius.

Um porta-voz da polícia disse que um transeunte tomou conhecimento da presença do cão dentro do carro por volta das 18 horas de Segunda-feira. Devido à aflição, o animal agachou-se dentro do carro estacionado e começou a ladrar alto. Ao inteirar-se da situação, o transeunte alertou imediatamente a polícia. Quando os agentes policiais chegaram ao local, tentaram primeiro entrar em contacto com a proprietária da viatura, mas sem sucesso. Após isto e sem hesitar, os agentes da autoridade partiram um dos vidros do carro com um martelo de emergência. Quando finalmente o ar fresco entrou no carro, o animal deixou de ladrar e foi-lhe dada água pelos serviços de emergência.

Imediatamente após a operação de resgate, a proprietária do cão e do carro apareceu e mostrou-se “intrigada” diante dos polícias, a quem disse que esteve ausente por pouco tempo e que o seu carro tinha ventilação, contrariando aquilo que as autoridades tinham constatado, que a senhora de 47 anos deixou o animal encarcerado e abafado durante pelo menos 45 minutos. Em face disto, espera-a uma pesada acusação por violar a Lei do Bem-estar Animal. Caro leitor, não incorra na mesma situação e perigo, ao sair do carro leve o seu cão sempre consigo e se não o puder levar, mais vale deixá-lo em casa onde não correrá risco de vida.

BIENVENUE À PARIS DES CHÈVRES

 

Paris é muito mais do que a mera capital de um país chamado França, considerando a liberdade, a cultura e o progresso que tem legado à Humanidade, à Europa e ao Mundo. Costuma também ditar a moda, ser conhecida como cidade luz e cidade do amor, exercendo grande fascínio sobre os povos das Américas que todos os anos a procuram avidamente como se de uma peregrinação obrigatória se tratasse – há quem vá a Meca e quem vá Paris! Ultimamente a cidade tem sido palco de muitos confrontos e convulsões sociais, exactamente como sempre foi e provavelmente continuará a ser.

Na passada Quinta-feira, dia 27 de Maio, no seu 17º arrondissement, a cidade assistiu a algo insólito, à prisão de um homem pela polícia quando estava prestes a entrar no Métro com duas cabras supostamente roubadas, uma vez que já havia passado os pórticos da Estação Pont Cardinet.

As duas cabras, segundo confirmou fonte policial, são sapadoras e usadas para comer a vegetação ao longo das linhas da Société Nationale des Chemins de fer Français (SNCF), empresa ferroviária e uma das principais empresas públicas francesas (e nós que pensávamos que a ideia das cabras sapadoras havia sido nossa!). As cabrinhas são conhecidas dos residentes do distrito e retornaram às suas obrigações sãs e salvas.

Ignora-se onde se encontra o presumível ladrão, cuja omissão da identidade sugere tratar-se de alguém que não deve ser discriminado ou de um pobre coitado para quem Paris não sorriu. È possível que associado ao que dissemos atrás, também não goze de grande saúde mental. Assim, contrastando o parnasiano com o bucólico, apraz-me dizer: “Bienvenue à Paris des Chèvres!