quinta-feira, 6 de maio de 2021

OS “RABUGENTOS” APRENDEM COM MAIOR FACILIDADE

 

Numa pesquisa recente publicada na revista “animals”, Peter Pongracz do Eotvos Lorand College de Budapeste na Hungria, especialista de interacções entre cães e humanos, junto com alguns colegas, descobriram que os cães que agruparam como “rabugentos” aprendem mais e melhor que os extramente despreocupados. Estes cientistas atribuíram a designação de “rabugentos” aos cães com as seguintes características: prontidão para ladrar, rosnar ou estalar os dentes quando perturbados; resistência à chamada; protecção da comida; enérgicos e stressados. Cães assim, são na boca dos abrigos, pelas dificuldades que criam, animais que precisam de proprietários realmente particulares (experientes e firmes).

Curiosamente, anteontem, numa conversa sobre cães com o José António, condutor do FSM Doc, como tantas vezes tenho dito, exclamei: “na verdade só tenho um aqui um cão, o resto são uns simpáticos ’cãezinhos’ a quem contamos uma história, que fazem umas habilidades e eventualmente algumas maldades que lhe ensinaram”, aludindo à ausência de seriedade e de carácter da maioria dos cães actuais, mais propícios à rendição do que à resistência, mais temerosos do que resilientes, o que os impede de serem impolutos e incorruptíveis, sendo por isso impróprios para se defenderem a si e aos seus.

Sempre que aparece um cão mais difícil logo se fala de reeducação, mesmo que o animal nunca tenha sido alvo de qualquer processo pedagógico. E, na ausência de quem o “reeduque”, porque é mais barato e os resultados parecem fiáveis, toca a castrar o animal ou entregá-lo a quem o queira, quando não o mandam abater, abate cruel e injustificado a que chamam agora de “eutanásia” para não melindrar ninguém. Neste descarte, para além dos donos, pode incluir-se um número razoável de “treinadores” que a última coisa que quer é ver-se em apertos. Privados consecutivamente do património genético destes cães, andamos a apaparicar os filhos de outros de qualidade manifestamente inferior, que se “desmancham” ao ser contrariados e que carecem de ser continuamente estimulados.

Quando trato deste assunto vem-me logo à memória um proprietário de um Cão de Pastor Alemão residente lá para os lados de Leiria, que confiou a educação do seu cão a um treinador militar, jovem “conhecedor” do assunto que deu umas quantas aulas ao cão com o animal encerrado dentro do canil e ele cá fora. No dia em que abriu a porta ao cão, acabou todo mordido e demitiu-se imediatamente daquele encargo. Sim, os bons cães não são fáceis, resistem desalmadamente aos nossos desejos, estudam-nos, procuram as nossas vulnerabilidades, ameaçam-nos, sentem os nossos medos, podem atacar-nos e tentam continuamente surpreender-nos e desnudar-nos. No entanto, quando por fim aceitam a nossa liderança, podemos confiar neles sem qualquer reserva, porque dificilmente alguém conseguirá extrair-lhes os propósitos, banalizar o seu serviço e substituir-nos, mesmo perante séria desvantagem. Estes são os cães cujo código de vida é inviolável, que aceitam uma só liderança e avançam para toda e qualquer missão. 

Não há, não houve e nunca haverá muitos cães assim, eu tive o privilégio de ter dois destes valentes: o Pastor Alemão preto-afogueado “FLICK” (Kuklhonn-Horst da Quinta do ABC) e o Rottweiler “ROGER” (Aushi das Buganvílias), companheiros insubstituíveis porque não existem dois cães iguais, animais de uma dedicação exclusiva, de extrema prontidão e insubornáveis, uns valentes de quem me orgulho ter sido dono e mestre, aumentando com o passar dos anos a saudade que tenho deles. Deram trabalho a ensinar e pregaram-me alguns sustos, mas depois de delapidados deram-me imensas alegrias. Se você tem um cão difícil, ameaçador, resmungão, desobediente e agressivo procure-nos, parabéns pelo seu excelente cão, será um privilégio torná-lo útil e controlado.

SOZINHO TERIA MORRIDO!

 

Na cidade francesa de Relecq-Kerhuon, na Bretanha e no Departamento de Finistère, na manhã de ontem, Quarta-feira, dia 05 de Maio, um incêndio deflagrou na residência de um homem de quarenta e poucos anos que se encontrava a dormir profundamente e que não deu pela propagação das chamas. O pequeno cão que tinha em casa procura-o e ladra para que ele acorde, permitindo-lhe escapar com vida. O alerta foi dado às 06:50 para os bombeiros e para a polícia. Ao chegar ao local, os bombeiros fizeram vários check-ups ao residente após a inalação de fumos. No meio daquela confusão, o cão, um mestiço de Beagle, desaparece e é mais tarde apanhado por um amigo do dono. Com a habitação profundamente danificada pelo fogo, o proprietário canino foi acolhido por um dos seus familiares. De acordo com Laurent Péron, Prefeito de Relecq-Kerhuon, que visitou o local, o homem ficou a dever a vida à acção do cão, porque caso estivesse sozinho provavelmente teria morrido.

Esta acção canina repete-se vezes sem conta um pouco por todo o lado e todos já ouvimos relatos semelhantes, assim como outros em que os cães foram buscar auxílio para os seus donos sinistrados, encarcerados, doentes, inanimados e por vezes até mortos. Penso que uma das melhores prendas que se pode dar a um idoso solitário, caso aprecie e tenha condições para isso, depois de esgotadas todas as possibilidades de viver com a família, é oferecer-lhe um pequeno cão que lhe servirá de companhia, alarme e de veículo para a sua reinserção social na vizinhança. Em simultâneo, o cão levá-lo-á ao estabelecimento de rotinas, à procura de maior higiene e reavivar-lhe-á a memória e os interesses. Ao fazer isto, mesmo sem ter necessidade de intervir em qualquer incidente, o cão estar a dar vida ao idoso pela companhia que lhe dá e que não se coaduna com estados depressivos, letargia ou pensamentos suicidas.  

quarta-feira, 5 de maio de 2021

RECORDE DIÁRIO DE LEITORES

 

Ontem atingimos o recorde diário de leitores deste ano – 357, com os leitores dos Estados Unidos no 1º lugar do TOP 10 DE LEITORES POR PAÍS. O recorde diário de leitores de sempre deste blogue foi alcançado no ano transacto – 666 visitas. Continuamos a fazer tudo ao nosso alcance para merecer o interesse daqueles que nos visitam e esperamos que se multipliquem cada vez mais. Obrigado a todos.

ALL WE NEED IS BOBTAILS

 

Um dos mais famosos, icónicos e carinhosos cães ingleses está agora em vias de extinção, um cão que marcou pelo menos duas gerações. Estamos a referir-nos ao Old English Sheepdog, também conhecido como Bobtail e que ficou famoso numa música dos Beatles. Quem o diz é o Kennel Club britânico no seu site, que colocou o Bobtail pela primeira vez na lista das raças nativas vulneráveis, aquelas que têm menos de 300 registos anuais de cachorros e que assim correm o risco de desaparecerem das ruas e parques britânicos. No ano passado, apenas 227 cachorros Bobtails foram registados no Reino Unido, que é número mais baixo de cachorros conhecido desta raça.

Na década de 60 do século passado, o ancestral Old English Sheepdog ou Bobtail era um cão de grande sucesso devido à sua associação às tintas Dulux, que fizeram dele sua mascote e utilizavam-no nos seus anúncios, o que contribuiu amplamente para a sua popularidade na Grã-Bretanha e na Austrália, vindo a ser apelidado de “Dulux Dog”. Esta marca de tintas britânica adoptou o Bobtail como emblema e continua ainda hoje a exibi-lo nas suas campanhas publicitárias, nomeadamente num vídeo posto a circular em Março deste ano.

Também os Beatles muito contribuíram para a popularidade deste cão na década de 60, ao dedicarem-lhe em 1968 a canção “Martha My Dear”, uma faixa escrita por Paul McCartney em homenagem à sua Bobtail de dois anos. A cadela Martha foi fotografada inúmeras vezes com o seu dono e com o lendário conjunto musical de Liverpool, aparecendo furtivamente nos clássicos clips "Strawberry Fields Forever" e "Something" dos Beatles. A raça viria a atingir o seu auge em 1979, com quase 6.000 registos, o que lhe permitiu na altura ocupar o nono lugar entre as raças mais populares do país.

Hoje, a sobrevivência do ancestral English Sheep Dog encontra-se seriamente comprometida, ao ser considerado “vulnerável” pelo Kennel Club, devido a um declínio acentuado da sua popularidade. Bill Lambert, seu porta-voz, dá como razões para a possível extinção desta raça canina “as mudanças de estilo de vida que não se coadunam com cães que exigem muito cuidado e exercício, e que não são adequados para viver em espaços pequenos” (this fellow é um criador e adepto incondicional de Bull Terriers, concorrente a shows de conformação, já vai na sua 8ª geração e é vice-presidente do “Bull Terrier Club” desde 1980).

Tal como sucede com as vacinas contra o Covid -19, cujos benefícios são bastante superiores aos riscos, também os benefícios de se ter um Bobtail superam amplamente as possíveis dificuldades que possa causar. Disposto a comprovar o que acabo de dizer, vou adiantar algumas razões que justificam o Bobtail como um excelente cão de família, sem omitir os contras inerentes à sua escolha. Para começar, nunca me recordo de ter ouvido dizer que um Bobtail tenha mordido ou mandado alguém para o hospital!

Para contrabalançar e não fugir à verdade, avanço primeiro com os contras na aquisição de um Old English Sheepdog. O primeiro e maior contra tem a ver com o seu grooming que geralmente não dispensa a colaboração de um profissional (tosquiador); exige comida de alta qualidade, seja industrial ou caseira; tende a babar-se muito depois de comer ou beber, ao ponto da pelagem à volta da sua boca ficar amarela; requer exercício diário adequado e estimulação mental, não o tendo pode tornar-se indisciplinado, entediado e destrutivo.

O Old English ladra alto e retumbante; durante o primeiro ano de vida não deverá exercitar-se demais, por causa do seu rápido crescimento e para protecção das suas articulações e ossos; tende a sofrer de ansiedade de separação quando deixado sozinho por muito tempo; por ser cão de vontade própria, não dispensa um líder firme, o treino adequado e a sociabilização precoce; as guloseimas no treino têm que ser dadas com “conta, peso e medida”, porque tende à obesidade. Tudo o que aqui adiantei como “contras”, à excepção do grooming, que facilmente se resolve com os bons ofícios de um profissional, pode ser atenuado no lar e facilmente consertado no treino.

Estamos a falar de um cão com um característico porte de urso, de natureza suave e agradável, naturalmente vigilante, corajoso, inteligente, ágil e ao mesmo tempo bondoso, um óptimo companheiro para as crianças com as quais é cuidadoso, paciente, brincalhão e protector, capaz de viver num apartamento desde que o seu exercício diário seja garantido, que adora passar o tempo na companhia da família e que se dá bem com outros cães e animais de estimação, muito embora possa ser ciumento.

O Bobtail apresenta uma alta capacidade de aprendizagem (aprende com facilidade), é responsivo e pode vir a ser um óptimo cão de guarda, já que de alarme sempre o será. Em termos de guarda, quando próprio para isso, estamos perante um guardião seguro que, ao invés de inventar serviço e varrer tudo a eito, consegue estabelecer claramente a diferença entre amigos e inimigos, o que muito o abona em termos de segurança e facilita o seu controlo. 

Os Old English Sheepdogs são geralmente cães saudáveis ​​com uma esperança de vida útil de 10-12 anos. Como a maioria das raças, encontram-se sujeitos a alguns problemas de saúde, tais como: displasia coxo-femoral; displasia do cotovelo, cataratas, atrofia progressiva da retina, hipotireoidismo e surdez. Para sua garantia e bem-estar do animal, na hora de comprar um cão destes procure um criador que já tenha feito o despiste destas doenças. Valendo-nos dos Beatles, “All we need is Bobtails”, companheiros poderosos, valentes e ao mesmo tempo enternecedores, amigos que muito respeitamos e que não queremos ver desaparecer.

PS: Estes cães foram apelidados de “Bobtail” por causa da amputação da sua cauda que os identificava como cães de gado, cujo trabalho consistia em mover vacas e ovelhas de um lugar para o outro. Dispensados do pagamento de impostos, era importante serem reconhecidos e eram-no pela amputação da cauda.

O DESPIQUE ENTRE O PURO E O HÍBRIDO

 

Por razões alheias ao treino, ligadas ao alcance da maioridade do híbrido e agravadas pelo cio das cadelas, o HIB Dingo e o FSM Doc não se suportam e não fora o cuidado dos seus condutores, hoje só teríamos um deles, séria dificuldade que precisa rapidamente de ser ultrapassada e que os obriga a treinar juntos para que a familiarização fornecida pelo trabalho facilite de algum modo a sua sociabilização. É histórica a animosidade que os Filas nutrem pelos outros cães e todos sabemos o que presidiu à criação do Doberman. Se nesta matéria, a da sociabilização, um Fila já não é pêra doce, imagine-se um híbrido de Fila de S. Miguel com Doberman, como é o caso do Dingo, um poderoso gigante a rondar os 70 cm de altura e com mais de 40 kg de peso. Em consciência, nenhum deles podemos recomendar para gente simpática que apenas deseja um cão amoroso, muito embora haja excepções e os Filas sejam de uma dedicação extrema aos seus donos. Ontem, ao final da tarde, o Dingo e o Doc foram convidados a ultrapassar os mesmos obstáculos de endurance: um exel com 1,2 m de comprido, constituído por 3 verticais (60, 100 e 110 cm) e um duplo de arcos excêntricos distantes entre si 50 cm.  

Como ambos são excelentes atletas e nesse aspecto bem acima dos cães comuns, ultrapassaram os obstáculos propostos conforme o esperado, com alguma folga e em segurança, constatando-se de imediato duas coisas - o Híbrido tem ainda mais para dar e o Fila é um especialista, pormenores que se vêem na saída dos saltos e na sua trajectória de curvatura.

À partida poderá parecer estranho, mas ambos operam mais pela memória afectiva do que pela mecânica, alcançando pela primeira maior predisposição laboral, não dispensando por isso a recompensa e um maior envolvimento emocional por parte dos seus condutores, sendo o Híbrido neste aspecto mais exigente, cuja presença do Fila na sua construção eliminou de uma vez a frieza e a mecanicidade reconhecidas no Doberman.

Como não podia deixar de ser, ambos são portadores de fortes impulsos à luta e ao poder, diferindo nos impulsos ao alimento e ao movimento. O Híbrido, liberto pela presença do Doberman dos problemas estomacais que normalmente afectam os Filas, come tudo oque lhe puserem à frente e o Fila é um verdadeiro “pisco” a comer. O Híbrido, apesar da sua extraordinária elasticidade, manifesta uma marcha solta e desengonçada, que é o seu andamento preferencial, galopando esporadicamente num galope largo mas cadenciado. O Fila tem um extraordinário impulso movimento, é de fácil transição em qualquer dos andamentos naturais, é muito rápido e faz do galope o seu andamento preferencial quando solto ou chamado para os obstáculos. Graças a estas mais-valias é um especialista nos obstáculos, dando a impressão de ter nascido para eles.

Mas se um tem a “febre dos paus”, o outro é um guardião de mão-cheia, um verdadeiro Sansão canino capaz de derrubar e vencer qualquer valente. Trabalhar estes dois cães e assistir à sua evolução, é um prazer que me invade a alma e acalenta o coração, olho para eles e outro mundo começa, não um fictício, mas o da satisfação: o proveniente dos sonhos transformados em realidade.

terça-feira, 4 de maio de 2021

COM AMOR ATÉ OS SURDOS OUVEM!

 

Ao olhar para trás, para as décadas que levo a ensinar cães, não tenho dúvidas quanto à razão que me levou a fazê-lo, que nada teve a ver com a minha promoção social, com o alcance de alguma vantagem ou com a procura de um negócio chorudo, queria simplesmente conseguir falar com eles, conseguir ouvi-los, entendê-los e fazer com que me entendessem e, nisso sigo até à presente data - bendita loucura que me traz de pé. Na maioria dos casos fui bem-sucedido e se não o fui totalmente, foi porque alguns donos me empastelaram, voluntária ou involuntariamente, a comunicação com os seus cães, que de alguma forma não foram ouvidos e muito menos respeitados, sendo esta é a única mágoa que levo desta actividade. Como não foram os desaires que me trouxeram até aqui, alegro-me de sobremaneira por ter ensinado vários donos a comunicar com os seus cães surdos através da linguagem gestual.

Por mero acaso tomei conhecimento de uma linda história contada pela BBC no seu site no dia 12 de Abril do mês passado, a história da Peggy, uma cadela pastora Border Collie abandonada depois de ficar surda que, após ter encontrado um novo lar e uma nova família, aprendeu a compreender os sinais das mãos e a linguagem corporal dos seus novos donos para voltar à sua actividade preferida – orientar e reunir rebanhos novamente.

Ao perder a audição, muito embora fosse uma excelente e eficiente pastora, a Peggy (na foto seguinte) foi entregue pelo seu dono inicial, um fazendeiro e ovinicultor inglês, à Royal Society for Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA) de Norfolk em 2018, no leste de Inglaterra, entidade equivalente à nossa Sociedade Protectora dos animais - SPA ou à Liga Portuguesa dos Direitos do Animal – LPDA (não sei bem a qual). Certo é que a Peggy foi adoptada por Chloe Shorten, uma voluntária local da RSPCA, cujo marido é pastor em Norfolk.

“Sentimos que a Peggy queria trabalhar e a partir daí começámos um longo processo para ensiná-la a pastorear e trabalhar com um pastor sem a ajuda de comandos verbais”, disse Chloe Shorten à BBC. “Começámos por ensiná-la a olhar para nós e ver os sinais das nossas mãos. Por exemplo, um polegar para cima significava 'boa menina' ”, acrescentou ela. “A aprendizagem foi reforçada com experiências repetitivas e positivas e, ao invés de se usar um comando verbal para uma determinada ação, usámos um gesto de mão”, disse Chloe Shorten à BBC. Com a ajuda de um treinador de cães pastores, Peggy assimilou e entendeu o significado de muitos sinais das mãos e certas posturas corporais. A cadela demorou a aprender esta nova linguagem, mas agora os seus donos já conseguem comunicar com ela facilmente (na foto abaixo vê-se Chloe Shorten na frente de sua casa, na companhia de um cordeiro e dos seus três cães pastores, incluindo Peggy, deitada no canto inferior direito da imagem).

Apesar de ter 10 anos de idade e de estar oficialmente aposentada, a Peggy não deixa de ir trabalhar com o marido de Chloe Shorten, acompanhando os outros dois cães pastores. Amada pelos seus donos, que não querem perdê-la por nada deste mundo, a Peggy uma coleira com GPS para o caso de se afastar demais, já que não consegue ouvir o chamamento dos seus donos. “É incrível vê-la reiniciar uma nova vida e dividi-la connosco. Ela é a prova viva de que conseguimos ensinar coisas novas a um cão, independentemente da sua idade ou deficiências ”, conclui Chloe Shorten. Aos Shorten, sem margem para dúvidas, posso chamar de companheiros de jornada, porque nutro do mesmo sentimento com os cães em geral e particularmente com aqueles que precisam de ser reabilitámos e ensinados a ultrapassar as suas incapacidades ou insuficiências – com amor até os surdos ouvem!

PS: Há muito que sei que um centro canino é acima de tudo uma oficina de consertos (de homens e cães).

TULAREMIA: OS CÃES NÃO A APANHAM, MAS PODEM TRANSMITI-LA

 

Depois de relatado um caso de peste de lebres no distrito alemão de Paderborn, no estado de Nordrhein-Westfalen, a zoonose foi também detectada noutra lebre no distrito de Mettmann. Diante deste panorama, porque a doença, contrariamente à mixomatose, é transmissível aos humanos e, na pior das hipóteses pode ser-lhes fatal. Caminhantes e donos de cães estão a ser avisados para terem maior cuidado. Esta zoonose também conhecida por Tularemia é causada pela bactéria Francisella Tularensis. A lebre castanha que morreu de Tularemia foi encontrada em Heiligenhaus, conforme consta na revista online “SuperTip”.

Esta doença bacteriana ocorre principalmente em roedores selvagens, os animais infectados perdem peso, ficam com o pelo desgrenhado, cambaleiam e mostram-se apáticos, morrendo invariavelmente de envenenamento sanguíneo. Além de lebres, coelhos, ratos e esquilos, os pássaros podem também ser afectados, pelo que lebres e coelhos mortos não devem ser tocados e a sua presença deverá ser comunicada às autoridades sanitárias regionais competentes. 

Por norma, os cães não são infectados, mas podem transmitir o perigo patógeno aos seus donos, pelo que devem ser conduzidos à trela nos campos e andar somente nos trilhos oficiais para as caminhadas. Se apesar de todo o cuidado, algum cão entrar em contacto com um animal doente ou morto, a associação de caçadores distritais de NRW aconselha o uso de luvas descartáveis e a lavagem cuidadosa da cabeça e do focinho do animal (cão). 

As pessoas podem ser infectadas pela Tularemia através de feridas abertas, pelas membranas mucosas, pela membrana conjuntiva ocular ou pela inalação de pó contendo patógenos. Apesar do quadro clínico ser muito variado, os sintomas da doença são próximos aos de uma gripe, sendo os principais: febre; dor de cabeça; arrepios; gânglios linfáticos inchados; diarreia e exaustão. A doença é tratável por antibióticos. Contudo, se a Tularemia não for reconhecida e tratada a tempo pode vir a ser fatal. De acordo com o Instituto Robert Koch, a taxa de mortalidade é então superior a 30%. Felizmente, estes casos são relativamente raros (em 2019 foram relatados 72 casos do patógeno da tularemia na totalidade do território alemão). Ainda não se ouviu falar de semelhante doença aqui, mas se ela vier, já sabemos como proceder. Sem ninguém me ter dito para o fazer, ao entrar em casa, depois de ter ido à rua com o meu CPA negro, calço umas luvas descartáveis e lavo-lhe as patas e o focinho, não consentindo durante a caminhada que ninguém lhe faça festas. Não é porque tema a Tularemia, que nem sabia que existia, mas porque o Covid anda aí e continua a matar.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

O RUKY JÁ CHEGOU AOS PERCURSOS DE ENDURANCE

 

O cachorro CPA Ruky está a evoluir razoavelmente na obediência, a dar os primeiros passos na disciplina de guarda e a surpreender do ponto de vista atlético, porque ultrapassar em segurança obstáculos de endurance aos 8 meses de idade e com mais de 40 kg de peso não é para todos. Hoje venceu uma sequência de verticais elevadas a 120 cm e fê-la à trela por impropriedade técnica do seu condutor, que ainda não domina e não sabe aplicar os comandos direccionais que lhe permitem conduzir este “bom gigante” em liberdade (árduo trabalho vamos ter pela frente Noé). À parte disto, o Ruky começou a aprender hoje o “ladra” por indicação verbal e gestual, como forma de avisar os donos de algo anómalo e para intimidar estranhos indesejáveis. O cão vai no bom caminho e a instrução do dono ainda agora começou; o cão aprendeu rapidamente e espera-se que aconteça o mesmo com o dono, para que possa controlar eficazmente este pujante Pastor de “encher o olho”.

NÃO FIZERAM POR MENOS!

 

A noite de ontem foi de muito trabalho para a polícia de Nordrhein-Westfalen porque no município alemão de Bönen, no Distrito de Unna, na região administrativa de Arnsberg, porque uma Pastora Alemã em fuga chamada “Mira”, manteve-a ocupada durante seis horas na sua perseguição e captura. A polícia chamou para a espectacular operação um caçador munido com uma arma de tranquilizantes e um helicóptero com uma câmera de imagem térmica, enquanto a cadela deambulava pelas ruas da cidade, inquietando os transeuntes e autoridades, pela proximidade da A2 e pelo perigo que o animal representava para os condutores de carros e motas.

A cadela (na foto abaixo) acabaria por ser detectada pelo helicóptero da polícia e imobilizada pelos dardos tranquilizantes, que a princípio não surtiram o efeito esperado pelo stress vivido pelo animal. Depois de capturada foi entregue ao seu dono que a levou a um veterinário, onde se verificou ter as patas doridas. A polícia justificou a odisseia com a necessidade de evitar possíveis acidentes a automobilistas e motociclistas, também devido à proximidade com a auto-estrada A2, caso a cadela conseguisse lá chegar-

Esta acção da polícia de Nordrhein-Westfalen não deve ser encarada como “excesso de zelo”, mas como um preocupação sincera e lícita com a vida dos seus cidadãos, compromisso que naturalmente assumiu com eles e que reafirma diariamente desta e de outras maneiras. Não sei se aqui alguém daria ordem a um helicóptero para levantar e dar caça a um cão fugitivo, mas que devia, devia, porque a que a nossa vida é igual à dos outros e só vivemos aqui uma vez.

DOIS VISTANTES DO TOGO

 

Este blogue recebeu esta semana dois visitantes da República do Togo, país da costa ocidental de África junto ao Golfo da Guiné, onde os portugueses chegaram em 1490, estabelecendo ali, como de resto nos países vizinhos, um entreposto comercial de escravos, pelo que ao Togo e à região à sua volta viria a denominar-se “Costa dos Escravos”. Como não é muito comum termos leitores africanos, exceptuando os das ex-colónias portuguesas, destacando-se os moçambicanos, angolanos e cabo-verdianos, é com muita alegria que saudamos estes leitores do Togo, endereçando-lhes desde já o nosso sincero bem-vindo.

Esperamos que continuem a procurar-nos, que as nossas publicações sejam do seu interesse e que mais togoleses nos visitem, porque este blogue tem como destinatários todos aqueles que gostam de cães ou que sobre eles procurem informação, independentemente da sua raça, cor da pele, sexo, política ou credo. Deseja-se também que toda a população do Togo seja vacinada quanto antes contra o Covid-19. Resta-nos agradecer a visita desta dupla de togoleses e desejar-lhes saúde e prosperidade.

CERIMÓNIA DE BOAS-VINDAS AO NOSSO AMIGO JOCA

 

O nosso amigo Joca (José António Costa e Silva) decidiu visitar-nos no Sábado e baixou à Pista Táctica, sem contudo se fazer acompanhar pela sua companheira ucraniana, cuja beleza e simpatia a todos cativa (ficará para uma próxima vez). Muito felizes com a sua presença, logo tratámos de endereçar-lhe uma “cerimónia de boas-vindas” condigna – convidá-lo a participar no passarinho, sendo ele a “ave” escolhida para o efeito. O “Passarinho” é uma manobra defensiva que consiste em dividir os binómios escolares em duas alas colocadas frente a frente, com uma distância entre si que possibilite a passagem de um indivíduo em segurança, indivíduo voluntário que vai ataviado de alguma coragem e protecções omissas. Esta manobra é também uma solução colectiva para um problema individual, porque através da prestação dos cães mais velhos, os mais novos depressa seguem o seu exemplo.

O Joca esteve à altura dos acontecimentos e apesar de se encontrar pesado, foi de uma leveza extrema, fenómeno que a física só por si não consegue explicar. Como seria de esperar, saiu da “cerimónia de boas-vindas” ileso, até porque é exigível aos condutores caninos, a bem dos demais, que tenham força suficiente para segurar os seus parceiros de 4 patas, porque doutro modo melhor será dedicarem-se ao mushing (alguns mostraram queda para isso). Somente o inofensivo Ruky conseguiu agarrar o Joca pelo flanco esquerdo, mais para o beijar do que por outro motivo qualquer, já que este simpático cachorro CPA é de uma doçura extrema. Contudo, o Joca sentiu a adrenalina subir-lhe à cabeça almoçando depois como um nababo, melhor dizendo, como um sultão. Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Clarinda/Luna; Gonçalo/Ária; José Maria/Jay; José Maria/ Süße; Noé/Ruky; Paulo/Bohr, Pedro Baptista/Lord e Pedro/Rodrigues/Luna. O dono do Soneca ficou a dormir ou tentou adormecer-nos (o dia estava claro demais para “pregar olho”), sentiu-se a falta dos irmãos Mendonça, o Paulo Jorge foi um excelente fila-guia e a reportagem fotográfica coube à Joana, que apaixonada pela câmera, tirou quase 60 fotos!

A IMPORTÂNCIA DO “JOGO DA PASSAGEM”

 

O “Jogo do Passagem” consiste em colocar os binómios da classe escolar “em frente por 1” (numa fila), depois solicitar aos condutores que segurem a trela só na mão esquerda, para que possam com a direita passar um objecto ao condutor imediatamente atrás de si ou à sua frente, correndo o dito objecto todos os condutores da fila, da frente para trás e vice-versa. Quando usado assim, o “Jogo da Passagem” aponta para cinco objectivos, a saber: 1º _ Tornar os condutores mais hábeis e ousados; 2º _ Combater o atraso de alguns binómios; 3º _ Reforçar o espírito de equipa; 4º _ alcançar gradualmente a sociabilização dos cães e 5º _ Ensaiar a futura condução dos animais em liberdade.

Quando temos uma classe mais adiantada ou binómios que se destacam na disciplina de obediência, antevendo a futura condução em liberdade dos seus cães e procurando a supremacia dos comandos verbais em relação aos ajustes fornecidos pela trela, esta deverá ser colocada livremente sobre os ombros dos condutores e as correcções a haver deverão ser operadas pelos comandos verbais. 

Conforme se pode ver nas fotos que ilustram este texto, o “Jogo da Passagem” fez parte do nosso treino de anteontem, Sábado, sendo uma mochila semivazia o objecto a passar. Por gentileza, a menos que se manifestem contrariamente, sempre que na classe há senhoras, os objectos a passar serão mais leves. Inversamente, numa classe de maduros ou teimosos, o objecto a passar tenderá a ser mais pesado (pedras, pneus ou objectos maiores e mais difíceis de equilibrar, muito embora o objectivo seja o mesmo. Respeitamos nisto um princípio que para nós é básico: a quem muito é dado, muito é exigido.

domingo, 2 de maio de 2021

“TROCA” EM CRUZAMENTO FRONTAL E EM CORRIDA

 

Usamos o comando de “troca” nas situações em que importa proteger os nossos cães e para evitar confrontações com outros, sejam eles pessoas, cães ou outros animais (gatos, porcos, coelhos, galinhas, furões, etc.). O comando serve para trocar o lado de condução do cão, tanto da direita para a esquerda como inversamente, passando o animal na mutação pelas costa do seu condutor. Atendendo à sua importância para a salvaguarda do cão e dos demais, o “troca” carece de passar a automatismo e acontecer o mais rápido possível. Executá-lo em marcha sempre será mais fácil do que fazê-lo com a cão a galope, fazê-lo a 10 metros de distância da pessoa ou animal não requer grande destreza e prontidão, agora tirar um cão a galope da frente de um potencial opositor no último momento, por não ser tarefa fácil, precisa de treino assíduo, particularmente diante de cães agressivos e donos distraídos, e foi isso que trabalhámos também na manhã de ontem, Sábado. O GIF acima testemunha um desses momentos e mostra o empenho da Clarinda ao acompanhar gente bem maior do que ela. Resta dizer que o trabalho correu conforme o esperado, estando por isso todos os seus participantes de parabéns.

GARBO E CONHECIMENTO CIENTÍFICO

 

Dando cumprimento ao exposto no texto “CONDUÇÃO: IMPACTO VISUAL, RESPIRAÇÃO E ENTOAÇÃO DOS COMANDOS”, constante no II Livro desta escola, na página 70, convidámos ontem os nossos binómios, depois de lhes termos explicado a importância da mímica no adestramento, a evitar a sobrecarga do impacto visual sobre os seus cães e a conduzi-los de forma erecta, o que levou os animais a uma melhor predisposição laboral e à graciosidade de movimentos – o garbo dos donos contagiou a prestação dos cães. Na foto acima, durante o período destinado á obediência linear, é possível ver a prestação dos binómios Gonçalo/Ária e Noé/Ruky. No GIF abaixo, exactamente no mesmo momento da aula, vemos os binómios José António/Doc e Pedro Baptista/Lord.

Os reparos necessários levaram os binómios a vencer alguns quilómetros, tanto a passo como em corrida, a recompensar os animais e a desenvolver o espírito de equipa através da cumplicidade binomial. Na verdade, à luz do que fazemos saber no texto atrás citado, um vulgar condutor de cães é avaliado pela sua postura, pelo modo como respira e pela entoação dada aos comandos quando se movimenta com o seu cão lado-a-lado. Os nossos entenderam a lição e o resultado está à vista – os cães desfilaram de cabeça levantada e em porte majestoso.

QUEM QUERIA A SÜSSE MORDER: A MANGA OU O NOÉ?

 

A pequena cachorra CPA negra Süße (diz-se “sussa” em português), a rasar os 5 meses de idade, está no GIF acima a atacar furiosamente a manga. Perante tal investida, pergunta-se: quem queria ela morder, a manga ou figurante (Noé)? Não restam dúvidas, ela queria morder a manga! Se continuar assim e ficar por isto, não terá qualquer préstimo como guardiã, porque sempre procurará o “rebuçado” da manga ao invés de travar e/ou agarrar possíveis invasores, ladrões e agressores que por norma não andam com uma manga às costas. Assim, em paralelo com o treino da manga e sem protecções ocultas no figurante, a cadelinha deverá perseguir e agarrar o pretenso meliante. O GIF acima serve apenas para demonstrar a 1ª fase da captura e a determinação desta valente cachorra negra. No GIF abaixo vemos a arremetida da cachorra sobre o figurante, que não tem qualquer tipo de protecção e que devido à sua falta de experiência, foi agarrado onde não esperava, saindo do embate com um pezinho no ar ligeiramente picado por uns dentinhos de leite.

Felizmente a Süße tem uma margem de progressão imensa, gosta do que faz e comporta-se como um macho, porque apesar de ser fêmea, nova e pequena, é dotada de um forte impulso à defesa e portadora dum sentimento territorial muito elevado, sendo própria para a defesa pessoal e para guardar o interior de uma habitação. Ontem mostrou o muito que tem para dar e a todos encantou. 

LORD: DER WEIMARANER TRAKTOR

 

Todos os cães que treino me são caros, pese embora as suas diferenças, porque me revejo em todos e com todos aprendo. Tal qual avô rendido ao encanto dos netos, até chego a achar graça aos disparates e diabruras de alguns, mas não é por isso que o Weimaraner Lord me cativa, mas sim pela sua extraordinária voluntariedade, rasgado empenho e nobreza de carácter. Se houver cães com “letra grande”, o nome do Lord será escrito com maiúsculas – um verdadeiro tractor que arranca e leva tudo na frente. No GIF acima vemo-lo a transportar alegremente um pau na praia com sensivelmente 45 mm de diâmetro e 1 metro de comprido e no seguinte “a encher a boca” num ataque à manga.

O Lord é um daqueles cães multifacetados que na gíria se diz que é “pau para toda a obra”, um cão caçador que se presta a vários tipos de caça, um guardião a quem confiaria, caso fosse meu, a parte que lhe competia da minha segurança. Oxalá o Pedro Baptista leia estas considerações e ouse trabalhar o Lord com maior assiduidade, porque o cão merece, tem muito para dar e não pára de surpreender-nos – felizmente temos um Lord, ainda que de 4 patas!

“EXPRESSO MADEIRENSE” A PASSAR REVISTA!

 

A foto acima reporta-se a um dos momentos do “quieto” solicitados este fim-de-semana com os cães em “senta”. Conforme se pode ver, o cachorro CPA Ruky, na escola conhecido como “expresso madeirense”, vá-se lá saber porquê, como é seu hábito, levantou-se e foi “passar revista às tropas, provavelmente à procura de comparsas para a brincadeira, desobedecendo mais uma vez à ordem do seu pacato dono. Na foto são ainda visíveis a Doberman Ária e FSM Doc, estando este último sentado tão a gosto que lembra a vaquinha do presépio. Quanto ao “expresso madeirense”, cujo dono tem por hábito trazê-lo solto e deixá-lo brincar com os outros cães por tempo indeterminado (o cachorro já atingiu a maturidade sexual), o acerto dono tenderá a resolver o problema mais cedo do que o esperado.

GANHAR A CONCENTRAÇÃO DO FSM DOC

 

Devido à perigosidade que acompanha os Filas de S.Miguel, que avançam deliberadamente e em força sobre os seus opositores, produzindo repetidos ataques cirúrgicos que visam enfraquece-los gradualmente, o FSM é uma arma excelente e como qualquer arma precisa de “segurança” para não disparar acidentalmente. Como estamos a falar de cães de defesa pessoal e de guarda, a dita “segurança” passa pelo seu absoluto controlo para reduzir a zero o risco de acidentes. Para que tal seja suceda é necessário que o cão opere a fixação exclusiva na pessoa do dono, o que equivale a dizer que o animal precisa de evoluir sempre com os olhos postos no seu líder, sendo importantíssimo que se concentre nas ordens e não se disperse no ambiente circundante. Existem vários exercícios para isso, estando o José António a executar um deles no GIF acima para ganhar a concentração do FSM Doc, literalmente um estarola de bem com a vida. O exercício junta a seguintes figuras de obediência: lateralizar à direita; troca; lateralizar à esquerda; cruzar(8); junto; alto; senta; deita; morto e gira – 10 comandos para pôr o cão no “bolso” e "em segurança".

VLAD E DOC: OS IRMÃOS METRALHA

 

Os FSM Vlad e Doc são irmãos de ninhada e bem díspares no que concerne ao seu comportamento e aptidões, muito embora prà “traulitada” tenham desempenhos idênticos. O Vlad é um cão mais sério, menos disponível, de presença dissimulada, concentrado e com uma altíssima capacidade de aprendizagem. O Doc, quando comparado com o irmão, é em muitos casos o seu oposto, porque é alegre, não se cansa de brincar, mostra uma disponibilidade enorme, desconcentra-se com grande facilidade e é de fácil ensino. A foto acima, da autoria do José António, condutor do Doc, captou-os sentados lado-a-lado nó pódio, onde a disparidade das postura indicia as suas diferenças de comportamento. Este Sábado, vindo do nada e sem ser chamado, mal começaram os ataques à manga, o Vlad irrompeu pela Pista Táctica adentro e só parou porque foi travado pelo Adestrador junto ao figurante. Contrariado, desapareceu sorrateiro como havia chegado. Morfologicamente parecidos e sempre prontos para defender e atacar, eles são uns verdadeiros “irmãos metralha”.