terça-feira, 15 de dezembro de 2020

NEM ESPANTALHOS NEM POLÍCIAS-SINALEIROS

 

Se Marcel Marceau, o mímico mais popular do período pós II Guerra Mundial ainda andasse por cá, provavelmente compreenderia o que vou tentar explicar nas seguintes linhas, porque é da relação necessária entre a mímica, as emoções e os sentimentos que vou tratar, enquanto mais-valia para a comunicação interespécies e ferramenta óptima para o adestramento, não pretendendo com isto escrever algum tratado (já me rendi ao de Wittgenstein) ou tornar canónico o que agora digo. Muito se tem falado acerca do “reforço positivo”, método revolucionário no adestramento canino, cujos resultados não merecem contestação ao conciliar mais gente com os seus cães. Contudo, a sofreguidão canina não pode ser resposta para tudo, porque continua a haver cães que não são gulosos, outros que não se deixam subornar e outros ainda que comem apenas o essencial sem abdicar das suas tendências ou afectos, tornando assim acessórias tanto a comida quanto a brincadeira, sendo por isso mesmo os mais carenciados de treino e de controlo.

Quando optámos por associar a linguagem gestual aos comandos verbais fizemo-lo para ajudar os condutores caninos mais inibidos ou introvertidos, os de voz mais fraca e não modelada, os menos expressivos, também para aqueles com dificuldades particulares na liderança, surgindo a mímica como reforço e complemento dos comandos verbais, o que acabou também por facilitar o entendimento das pretensões dos donos pelos cães, pondo-os em sintonia pela cumplicidade que o gesto oferece. A prová-lo está o facto de qualquer uma das linguagens poder substituir a outra.

Porém, cada gesto deverá transportar a carga emotiva necessária ao comportamento canino solicitado, porque a linguagem gestual outra coisa não é que um conjunto de sentimentos, emoções e sensações que a mímica consegue transmitir e até massificar. Compreenderão os cães essa mímica? É evidente que sim, compreendem-na até primeiro do que a linguagem verbal, porque também usam uma mímica própria para se comunicarem entre si. Se entendermos o adestramento como um acto de amor, que é assim que eu o entendo, então a mímica será o melhor dos canais para transmiti-lo aos cães, disso resultando potentes laços afectivos comuns, em tudo superiores à mais esmerada disciplina, que é por norma vã diante da afeição, mesmo nos cães!  

A maior dificuldade no adestramento não reside nos cães, mas nos donos, por não conseguirem que os seus cães os entendam, problema de comunicação gerado pelo emissor da mensagem e não pelo receptor, que só o amor poderá resolver e conectar. E, se a linguagem mímica é o melhor dos seus canais, ela terá que ser uma expressão desse e de outros sentimentos que tornarão mais célere o cumprimento das ordens que, por via disso, se transformará para os cães em código de vida. Se destituirmos cada gesto da sua própria carga emocional, para além de podermos induzir os animais ao engano, o que tantas vezes sucede, não passaremos de meros espantalhos ou de pretensos polícias-sinaleiros.

Acontece, com mais frequência que o desejável e isso não deve ser coisa nova, que grande número dos condutores caninos que recebemos parece ser insensível, apresentar sérias dificuldades em amar ou em demonstrá-lo aos animais, o que lamentavelmente acaba por condicionar o ensino dos seus cães e constituir-se numa tremenda dor de cabeça para os adestradores, que a princípio só cá estarão para treinar cães. Dificilmente alguém conseguirá ensinar outro a amar sem se envolver com ele, particularmente quando um é mestre do outro e são de sexo diferente, o que por vezes dá azo a alguma confusão, a uma “restemenga”(1) de difícil solução que tende a perpetuar-se e que não acontece só no mundo dos cães, mas que se estende aos cavalos, também ele pleno de afeições, onde sobram equitadores que saltam facilmente de uma montada para a outra sem precisar de pedir autorização (há quem lhes chame marialvas).

Tomadas as devidas salvaguardas para evitar o problema acima exposto, alunos com estas dificuldades, tantas vezes oriundas de situações de desprezo, recalcamento, más escolhas e revolta, visando a protecção da sua auto-estima, deverão ter aulas particulares para não exporem as suas dificuldades aos demais e virem a ser ridicularizados. Os gestos simples da vida, tornados linguagem no adestramento, irão fazer com que pouco a pouco descubram uma nova forma de estar, caracterizada pela alegria oriunda da fusão de sentimentos entre homens e cães, funcionando a linguagem gestual como terapia para os donos e como prática de bem-estar para os cães. Por tudo isto, não devemos surripiar o conteúdo aos gestos, antes devemos torná-los expressivos e e plenos de intencionalidade para serem entendidos imediatamente pelos cães. Como levantámos apenas a ponta do véu e o assunto é apaixonante, retomá-lo-emos oportunamente.

(1) Grande quantidade de coisas que se colhem ou que se apanham, que se ganham Ex.: Ontem fui ao laranjal e trouxe cá uma restemenga de laranjas (in blogue “Ecos da Morracha”);  

FABRICAR SONHOS

 

Quando vamos ao encontro da ficção estamos de alguma forma a “fabricar” um ou mais sonhos dos donos, que amanhã poderão atingir o estrelato com os seus cães, ao invés de ficarem grudados para sempre no desempenho e performances dos seus mestres. Aliás, a grandeza e utilidade de um mestre mede-se pela qualidade dos seus alunos, porque se não produzir uns tantos melhores do que ele, não acrescentou nada ao seu ofício e em nada valeu ao mundo, já que este é feito de mudança e não dispensa o progresso. Ontem a aula foi nocturna e pouco concorrida, o que não significa que não tenha sido bastante exigente. No GIF acima vemos o binómio Paulo/Bohr numa evolução que tanto pode ser lúdica quanto marcial, dependendo o seu uso da necessidade e das circunstâncias. No GIF seguinte vemos o binómio Jorge/Soneca numa sequência própria para a ficção infanto-juvenil, porque caso se destinasse a um público maior, o binómio teria que se esmerar mais um pouco (muito) para convencer alguém com a sua dramatização.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Jorge/Soneca e Paulo/Bohr. A noite esteve amena e, apesar de não termos qualquer registo fotográfico, os cães presentes interagiram com alguns transeuntes. A reportagem fotográfica e a sua edição couberam ao Paulo Jorge. Continuamos a acusar a falta da Clarinda, da Patrícia, do Pedro e dos seus cães. Hoje retomaremos os nossos trabalhos com estes ou outros binómios, sempre a pensar no bem-estar dos cães e na felicidade dos donos.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

SEMPRE OS MESMOS!

 

Desta vez aconteceu em Horst, pequeno município alemão no distrito de Steinburg, no Estado de Schleswig-Holstein, na passada Sexta-feira pelas 19h10, quando 3 Huskies em fuga irromperam por um prado e perseguiram 3 alpacas. Uma chamada de emergência fez chegar a patrulha policial ao local, exactamente no momento em que os cães já haviam encurralado uma alpaca e estavam a mordê-la. A alpaca, que se encontrava prenhe, ficou gravemente ferida e foi levada para uma clínica em Hannover, não havendo a certeza de que sobreviverá. Os proprietários das alpacas conseguiram fechar dois huskies num estábulo e o terceiro escapou-se, vindo mais tarde a ser agarrado pelo seu proprietário. As duas alpacas restantes, uma delas também grávida, ficaram com os seus donos e a gestante corre o risco de perder a sua cria. Parece que estes huskies são reincidentes nas fugas, cabendo ao órgão regulador responsável decidir sobre as medidas a aplicar ao seu dono.

Agora raramente se vê um, já foram moda, quiçá pelos seus brilhantes olhos azuis, ainda que nem todos os tenham. Estamos o falar dos Huskies, cães por norma independentes e que suscitam uma imensa ternura a quem se apaixona por eles, apesar de serem fugitivos inveterados e caçadores incansáveis. Com estas duas características, não é difícil imaginar que fujam para caçar e que a avidez das presas acabe por impedir-lhes o regresso a casa ou o encontrar o caminho de volta. Quando um Husky se solta numa aldeia não vai para os pontos mais altos e longínquos da localidade, vamos encontrá-lo a arranhar uma capoeira ou a perseguir rebanhos, por vezes até manadas, mas nunca de bois, com os quais invariavelmente se dão muito mal. Quem tem cães desta raça, não quer perdê-los e não está disposto a pagar indemnização atrás de indemnização, o melhor que tem a fazer é educá-los para que não fujam e respondam invariável e prontamente à chamada do dono, o que em si já não é tarefa fácil. Com uma carga instintiva superior à encontrada noutros cães e de grande desempenho atlético, mesmo depois de comprovadamente ensinado, o Husky não deverá circular em liberdade ao lado do dono, porque de um momento para a outro, por razões que nem ele sabe, poderá pôr-se em fuga e dizer adeus ao seu dono para sempre (não é por acaso que os Huskies encabeçam a lista dos cães desaparecidos por toda a parte onde os há).

O MISTERIOSO ATAQUE CANINO DE PADERNE

 

Na pacata freguesia de Paderne, pertencente ao Concelho de Albufeira, no Distrito de Faro, uma alemã de 59 anos, Ulrike Klein, veterinária de profissão, foi atacada por uma matilha de 5 cães quando empreendia uma corrida, sofrendo ferimentos na cabeça, cara, pernas e braços. “Vieram em matilha e morderam-me em todo corpo. Apareceu uma pessoa num carro, senão tinha morrido” - disse ela, que acabou transportada em estado considerado grave pelos Bombeiros de Albufeira para o hospital de Faro, onde acabaria por ser operada. A GNR já identificou o proprietário dos cães agressores, que se encontram agora de quarentena.

Não faltará por aí quem alvitre e invente causas prováveis para este ataque, cujo relato nos media parece dizer mais do que aquilo que encobre. Estranha-se me primeiro lugar a pessoa da vítima, uma veterinária, pessoa naturalmente acostumada a lidar com cães e a ser persuasiva quando necessário. Ao dizer que foi salva da morte por uma pessoa que passava de carro, Ulrike apercebeu-se que não estava na presença de meros cães abandonados, mas de outros letais, cuja raça compreensível ou incompreensivelmente não é divulgada, pormenor importante para se compreender se aquele ataque obedeceu a condicionamento anterior ou a um apelo instintivo, muito embora a natureza dos golpes infligidos mostre que os animais actuaram em grupo e que de alguma forma, acidentalmente ou não, já estavam acostumados a fazê-lo, porque doutro modo, na ânsia da captura da presa, acabariam por inibir-se uns aos outros, o que parece não ter acontecido. Os ataques à cabeça da vítima, o que felizmente não são muito comuns, parecem uma importante questão a considerar.

Por outro lado, em nenhum momento dos relatos, que são consistentes uns com os outros e que apontam para a mesma fonte da notícia, se diz que os cães se encontravam esfomeados ou maltratados, o que de certa maneira justificaria um ataque instintivo, próprio de matilhas hierarquicamente escalonadas sem qualquer interferência humana. Será a pequena matilha uma fracção doutra maior dedicada à caça grossa ou será uma matilha funcional própria para a defesa de um território, accionada acidentalmente pela passagem da alemã em corrida? Como as autoridades terão como sabê-lo e as respostas não se esgotam aqui, aguardamos com alguma expectativa as suas conclusões, desejando desde já uma rápida e total recuperação a Ulrike Klein.

RESQUÍCIO DA IDADE DA PEDRA LASCADA

 

Há coisas que acontecem nesta evoluída e altaneira Europa, que de tão primitivas que são, até julgamos serem mentira ou oriundas de fake news. Segundo informou o “La Dépêche de Louviers” na passada quinta-feira, semanário francês editado em Évreux, na Alta Normandia, Uma mulher de 48 anos morreu no dia 14 de Novembro no Hospital Elbeuf (Eure) após ter sido mordida por cães. Tudo aconteceu uns dias antes, no dia 6 de novembro, quando 3 dos 10 cães com quem vivia, pretenderam atacar a sua filha de 12 anos. Ao intervir, a senhora foi mordida nas pernas e na cabeça. Na altura do ataque, o companheiro desta mulher não se encontrava presente, mas quando retornou a casa, ao invés de a levar a um centro clínico ou a um hospital, prestou-lhe ele mesmo os primeiros socorros. Uma semana depois e perante o agravamento do estado de saúde da mulher, decidiu finalmente chamar os bombeiros. Transportada em estado grave para o hospital, a mulher viria a morrer no dia seguinte.

De acordo com o relatório da autópsia, a senhora morreu devido à infecção das suas feridas e à falta de cuidados. No decorrer das investigações que ocorreram após a sua morte, veio a descobrir-se que os cães se encontravam subnutridos. Na última terça-feira, dia 08 do corrente mês, o companheiro da vítima e um dos seus filhos com 22 anos de idade, foram detidos pela polícia por “não assistência a pessoa em perigo” e “maus-tratos a animais”, pelo que virão a ser julgados no próximo mês de Fevereiro pelo tribunal de Évreux, na capital do departamento francês do Eure. Perante tamanho fatal despropósito e compreendendo de imediato a marginalidade que o rodeou, dispensamo-nos de quaisquer comentários. Não obstante, caso os arguidos venham a ser condenados a penas de prisão efectiva, não creio que o isolamento dos demais contribua só por si para a supressão ou erradicação da sua profunda ignorância.

domingo, 13 de dezembro de 2020

FESTA DA VIDA E BAPTISMO DO NOÉ

 

Ir ao encontro de uma manhã cinzenta, húmida e plena de neblina em Dezembro, subir a uma serra e ter o mar por companhia, é participar na festa da vida e vivê-la intensamente com os nossos cães. Ontem iniciámos os nossos trabalhos com exercícios simples de ginástica e equilíbrio, visando a conservação dos índices atléticos dos animais e o robustecimento do seu carácter visando as suas futuras prestações enquanto cães de utilidade. A foto acima mostra três dos binómios da classe na obediência linear, tão compenetrados que parecem fazer parte da paisagem, ainda que primeiro condutor evolua com o cão atrasado, o segundo vá curvado e só o último progrida conforme o desejado (quem é que disse que as fotos não têm um fim pedagógico?). Na foto seguinte, num dia que ficará para a história, por ter chegado pela primeira vez a horas, vemos o José Maria dentro do fosso a passar o tronco com o seu CPA.

Com o pequeno CPA Ruky louco por aprender e pleno de energia, começámos a ensinar o seu dono a mandá-lo sentar, exercício que venceram sem qualquer dificuldade sobre uma plataforma estreita, estratégia que poupa esforço ao condutor e que condiciona o cachorro a sentar-se alinhado sem maior resistência ou delonga. A foto desnuda um condutor novato (2ª lição) porque o Noé já deveria ter passado toda a trela para a mão esquerda, para libertar a direita para a linguagem gestual.

Apesar de não termos levado para a serra qualquer fato ou manga, não deixámos de proceder ao “baptismo” do Noé, que se viu obrigado a escapar do Soneca e a trepar precariamente um pedaço de rede elástica. O Noé comportou-se à altura e apraz-nos tê-lo como companheiro de jornada, para além de adorarmos o Ruky que alvitra um futuro promissor.

No final mandámos também o Jorge fazer de presa para o cachorro CPA Jay, animal de comportamento frio, muito alto e dado a ataques superiores, o que poderá dificultar a defesa dos seus golpes na captura. Não temos investido muito nas acções defensivas com este cachorro, não tanto por ele, mas pela ausência de controlo por parte do seu dono, que de “pro” não tem nada e que de amador tem tudo. Tão amador que não ajudou (acompanhou) o cão, ficando este à espera dele sem saber o que fazer - a aguardar ordens.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Jorge/Soneca; José Maria/Jay; Noé/Ruky e Paulo/Bohr. Ficou claro que temos ainda muito trabalho pela frente. A reportagem esteve a cabo do Paulo Jorge e a Carla Costa finalmente deu notícia. Sentimos a falta da Patrícia e do Pedro, assim como do Gonçalo, da família e da Ária. Hoje é dia de estágio para todos e para todos desejamos um resto de fim-de-semana feliz.

sábado, 12 de dezembro de 2020

SEGURANÇA E CELERIDADE

 

A esmagadora maioria das tarefas entregues aos cães de trabalho, nomeadamente as relativas à prestação de socorro, exigem acções seguras e céleres, que não ponham em risco a integridade dos animais nem a vida das vítimas. No GIF acima podemos ver o José António a ensinar o FSM Doc a descer de um muro de 200 cm, para que não se atire do seu topo e venha a lesionar-se. Na saída de muros até 300 cm de altura, visando a segurança dos cães, não se deve permitir que saltem para o solo de uma altura superior a 150 cm. Por esta razão, quando se executa uma sequência de muros, os de 250 e os 300 cm deverão ter acoplados na sua saída mesas cuja altura respeite esta medida. Ainda que à partida não pensemos nisso, o comando de “aqui” pode constituir-se também, em caso de necessidade, numa prestação de socorro, caso o dono esteja a ser agredido, assaltado ou sequestrado, pelo que se deseja que aconteça o mais rápido possível. No GIF seguinte, visando a melhoria dos índices de prontidão do FSM Doc, vemo-lo a responder rapidamente ao comando de “aqui”.

Ontem a chuva não nos poupou e o sol decidiu tirar umas férias. Treinámos intencionalmente à chuva, porque queremos que os nossos cães tenham, sempre que isso for possível, igual desempenho debaixo de diferentes condições meteorológicas. O binómio presente no treino cumpriu com as metas e objectivos propostos, mostrando dono e cão uma disponibilidade a todos os títulos louvável.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

CLIODHNA AND FOXY

 

Cliodhna O'Leary, uma residente em Macroom, cidade irlandesa no Condado de Cork, a meio caminho entre as cidades de Cork e Killarney, criou duas crias de raposa depois que a mãe destas morreu, quando tinham apenas algumas semanas de vida, levando-as para casa e constituindo-as parte da família.

Uma das raposinhas, um macho, infelizmente, morreu nos últimos meses vítima de atropelamento. A raposinha sobrevivente recebeu o nome de Foxy, julga-se um cão, vive em liberdade, vem quando é chamada e vem comer à mão. A raposinha adora os cães da Cliodhna, particularmente Essie, que por sua vez não é grande fã da raposa, o que não impede que bebam e comam juntas. A foto seguinte disso dá mostra e recebeu mais de 7.000 likes quando foi postada no Facebook.

Estima-se que existam cerca de 150.000 e 200.000 raposas na Irlanda, altamente adaptáveis e encontradas nos mais variados habitats, áreas urbanizadas inclusive. Cliodhna é um nome com uma grande carga mitológica, uma deusa do amor e da beleza e também padroeira do Condado de Cork, sendo simultaneamente uma alma penada e uma fada. Depois do que aconteceu com a Foxy, e com a Cliodhna, a deusa com este nome passou a ser também a “deusa das raposas” (Foxy na foto abaixo).

Cães e raposas podem reproduzir-se, os híbridos mais comuns e de mais fácil obtenção são os resultantes de raposo com cadela. Em tempos idos, quando a ignorância grassava e o empirismo era a madre de todas as ciências, alguns caçadores tinham por hábito prender uma cadela com o cio a uma árvore e esperar que algum raposo a fecundasse durante a noite. Conheci alguns híbridos destes e ainda tenho entranhado na minha memória o seu stress e mau odor. No geral, nunca foram bons caçadores, porque raramente interagiam com os donos, preferindo comer a caça ou pôr-se em fuga quando soltos. Assim, a história real de Cliodhna é um relato acerca de dois seres excepcionais. Longa vida parar ambas!

NEM OS CÃES DO MONSIEUR LE MAIRE ESCAPARAM!

 

Na cidade francesa de Corneilhan, perto de Béziers, no Departamento de Hérault, três cães foram envenenados nas últimas semanas, pretensamente por terem ingerido um produto muito tóxico enquanto passeavam numa das ruas mais movimentadas da cidade. Face ao problema, o Presidente da Câmara decidiu apresentar queixa contra desconhecidos. Dois dos cães envenenados morreram: um spaniel e um Jack-Russel. A artéria onde tudo aconteceu dá acesso a uma área de lazer bastante frequentada por muitos caminhantes, pais e crianças. “Não me atrevo a imaginar a tragédia que seria se uma criança colocasse esse produto na boca”, afirmou o Maire de Corneilhac.

Os cães do próprio Maire (pai e filho) foram envenenados, o mais novo logo no passado mês de junho. No seguimento da queixa apresentada, a polícia de Murviel-lès Béziers abriu uma investigação. Um vereador da mesma autarquia queixa-se do desaparecimento de vários gatos no mesmo bairro durante as últimas semanas. Quando uma situação destas é declarada em determinada área, aqui, na França e em toda a parte, o procedimento correcto é: muita atenção, cães com açaime e conduzidos à trela.

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: UM ÁRBITRO SEM SOLUÇÃO

 

Num jogo de futebol, um dos jogadores contesta a decisão do árbitro, não se conforma e a discussão sobe de tom. A determinada altura, no calor do momento, o jogador pergunta para o árbitro se ele tem um cão e ele responde-lhe que não. “Desculpe-me, foi sem intenção, cego e ainda por cima sem cão!” 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015

2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016

3º _ O CÃO AZUL: O SANTO GRAAL DO CPA, editado em 30/05/2016

4º _ DOBERMAN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, 06/03/2016

5º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011

6º _ SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA?, EDITADOEM 02/05/2015

7º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015

8º _ IR AO ENCONTRO DA CRIANÇAS, editado em 02/12/2020

9º _ UM CALIFORNIANO VALENTE, editado em 08/12/2020

10º _ MENSAGEM DE NATAL, editado em 06/12/2020

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º Estados Unidos, 2º Brasil, 3º Portugal, 4º Irlanda, 5º Alemanha, 6º Reino Unido, 7º Moçambique, 8º Filipinas, 9º Angola e 10º Rússia.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

NOVO BINÓMIO

 

Deu entrada ontem nas nossas fileiras, dia 09 de Dezembro, o binómio constituído pelo Sr. Noé Camacho e pelo cachorro CPA Ruky. Esta vai ser uma excelente oportunidade para o proprietário do cachorro aprender a criá-lo e a educá-lo de acordo com os princípios expectáveis da raça. O cachorro, agora com 4 meses, apresenta uma excelente cabeça e ossatura, o que é cada vez mais raro nos dias que correm, apesar de evidenciar um exagerado abatimento de metacarpos. O seu peso e envergadura estão de acordo com a idade que atravessa e o seu carácter evidencia-se próprio para o adestramento. Na idade da cópia, iniciará o seu processo pedagógico hoje. Resta-nos felicitar dono e cão, desejar-lhes as maiores felicidades entre nós e um franco indíce de progresso. Sejam bem-vindos!

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

CONHEÇA A ESTRANHA TIA WEN DE CHONGQING?

 

Há vinte anos atrás, Wen Junhong salvou um cão abandonado das ruas de Chongqing, no sudoeste da China, hoje divide sua casa com mais de 1.300 e eles continuam a chegar. Depois de resgatar aquele primeiro cão, um pequinês a quem chamou de Wenjing - "gentil e quieto" em chinês - Wen descobriu que não conseguia parar, movida por preocupações relativas às dificuldades que os cães enfrentam nas ruas da China, desde acidentes a raptos para o comércio de carne de cão. "É importante cuidar desses cães", disse ela. "Cada um de nós deve respeitar a vida, e a Terra não é apenas para os humanos, mas para todos os animais." A posse de cães era anteriormente considerada um passatempo burguês e proibida sob a liderança do fundador da China comunista - o Presidente Mao.

As opiniões sobre os animais de estimação mudaram drasticamente desde então e a posse disparou, mas o país ainda não tem uma lei nacional de bem-estar animal e existem dezenas de milhões de cães e gatos vadios, de acordo com a instituição de caridade “Animals Asia”. Os animais abandonados raramente são esterilizados, agravando o problema e colocando mais pressão sobre os centros de resgate de animais superlotados e com poucos recursos. Além dos animais de estimação abandonados e vadios que regularmente são deixados no seu jardim, Wen diz que recebe ligações "todos os dias para ajudar mais cães". E não são só os cães que cativam a senhora de 68 anos, porque também vive com 100 gatos, 4 cavalos, alguns coelhos e pássaros. “Algumas pessoas dizem que sou psicopata”, admite ela. O seu dia começa às 4 da manhã com uma tarefa nada invejável, a de limpar 20-30 barris de dejectos de cães durante a noite e cozinhar mais de 500 kg de arroz, carne e vegetais para os animais. Os resíduos são queimados no quintal, enviando uma nuvem contínua de fumo para o céu. Um punhado de cães corre solto ao redor do prédio, enquanto um Pitbull Terrier amarrado na porta das traseiras rosna e ladra para os estranhos que passam.

Todos os quartos da casa de dois andares estão cheios de gaiolas, empilhadas umas sobre as outras. Cercada por cercas e portões trancados, a sua localização na encosta é a mais recente de uma série de casas, depois que as reclamações dos vizinhos a forçaram ao afastamento. Wen financia a sua operação com o produto da venda do seu apartamento, empréstimos de até 60.000 yuans (9.100 dólares), com a sua pensão e com economias de uma carreira anterior como técnica ambiental. Ela também recebe doações depois de chamar a atenção nas redes sociais, onde foi apelidada de "Tia Wen de Chongqing". Wen espera que a atenção leve a adopções, mas os recém-chegados superam em muito os que estão a ser realojados. Wen tem sofrido ataques online, depois que algumas fotos dos seus dos animais foram postadas. “Viver em uma gaiola tão pequena não é melhor do que ser um cachorro de rua?”, questionou um crítico nas redes sociais. Os cães grandes são mantidos do lado de fora e os pequenos em gaiolas dentro de casa. "Se todos os cães forem soltos, eles lutarão", disse Wen.

Alguns cães tentam roer as barras, enquanto outros ladram implacavelmente e lutam uns com os outros. Um rafeiro ladra com qualquer um que passe até que Wen cubra a sua gaiola com um casaco. Ela tem seis funcionários, que dormem num quarto sobre uma pilha alta de sacos de ração. Um deles, Yang Yiqun, mostra braços e as mãos cobertos de cicatrizes e arranhões. "Gosto dos cães, mesmo que me mordam", diz o estóico empregado de Sichuan que trabalha com Wen há cinco anos. Apesar do seu amor pelos animais e de uma equipa sempre pronta para ajudá-la, a Tia Wen está sob muita pressão para lidar sozinha com tamanho problema. Ela espera em vencer o desafio, mas admite vir a perdê-lo. Se entretanto não receber mais apoios, nomeadamente internacionais, o trabalho que desenvolveu ao longo de duas décadas poderá esfumar-se e ter sido em vão.

ADVOGADO MORTO NA TERRA DOS CÃES ESFOMEADOS

 

Gente miserável e cães vadios não faltam na Índia, onde uns e outros costumam ser notícia pelos piores motivos. Abdul Majeed Rather, um conhecido advogado em Dewanbagh Baramulla, morreu ontem no Hospital de Srinagar, para onde foi enviado após ter sido severamente atacado por uma matilha de cães vadios. O ataque aconteceu durante a rotineira caminhada matinal deste advogado, que acabou mordido na perna, no rosto e nas costas pelos cães vadios, o que levou à falência de vários dos seus órgãos. De acordo com alguns dos seus familiares, Majeed, sofreu graves lesões nas costas depois de ter caído durante o ataque dos cães. Ele foi levado imediatamente para o Government Medical College Baramulla, onde foi tratado e, após o seu agravamento, foi transferido para o Hospital SMHS de Srinagar, onde ficou em tratamento 21 dias. Neste mesmo hospital viria a entrar em coma e foi colocado no ventilador, sendo também obrigado a diálise. Acabou por morrer na manhã de ontem, Segunda-feira, dia 7 deste mês.

Considerado nobre e sóbrio por natureza, a morte de Abdul Majeed Rather chocou toda a comunidade de advogados, além dos residentes da cidade de Baramulla que se juntaram numerosamente  ao seu funeral, realizado por volta das 14h30 em Dewanbagh Baramulla. O falecido deixa duas filhas, um filho e uma esposa. Enquanto isso, várias organizações religiosas e não religiosas mostraram-se chocadas com a sua morte. O falecido é sobrinho de um famoso advogado regional, o Dr. Abdul Salam Rather. Várias individualidades acusaram as autoridades de mudez face ao problema dos cães vadios na área, exigindo-lhes uma solução rápida e permanente para o problema, antes que mais vidas humanas sejam ceifadas ou prejudicadas. Duvido que as autoridades locais resolvam imediatamente o problema, apesar de desejar que mais ninguém morra ali à boca dos cães. Atendendo ao número dos seus habitantes, os problemas da Índia são problemas de todos nós, pelo que a resolução do problema dos cães vadios passará necessariamente pelos bons ofícios das ONG’s internacionais apostadas em resolvê-lo.

USAF: CÃES-ROBOT PRONTOS PARA A GUERRA!

 

Nos últimos cinco anos, os cães-robots tornaram-se virais em vídeos on-line que mostram-nos a abrir portas, a fazer exercícios aeróbicos, a carregar camiões e a fazer outras acrobacias. Nesta era da pandemia, eles têm sido usados para promover o distanciamento social e reduzir os riscos com equipes médicas nos hospitais. A Boston Dynamics, com sede em Massachusetts, está por detrás da maioria destes exemplos. Mas outra empresa está a revolucionar o que as versões robóticas do melhor amigo do homem podem fazer e diz que sua última criação pode estar pronta para a guerra. Em janeiro, o empreiteiro Ghost Robotics do Departamento de Defesa colocará quatro de seus robots semiautónomos na Base Aérea de Tyndall, na Flórida, no que poderá ser um passo importante na introdução de cães-robots em zonas de conflito. Os caninos de alta tecnologia, conhecidos como Vision 60, estão a ser apontados como um reforço de segurança e fazem parte de um plano para substituir as câmeras de vigilância fixas na base da Força Aérea, segundo adiantaram autoridades militares.

A Ghost Robotics prevê um cenário, num futuro não muito distante, onde os cães-robots irão para além do simples patrulhar. “Podemos vê-los em zonas de guerra, a desactivar bombas, a patrulhar e a seleccionar alvos, provavelmente em 2022”, disse Jiren Parikh, executivo-chefe da Ghost Robotics. “Eles podem realmente tornar-se nos melhores amigos de um combatente.” Os militares dizem que os robots têm potencial para serem usados num "ambiente de contingência, desastre ou implantação". Na base da Força Aérea, os robots permitirão que os seres humanos se concentrem noutras tarefas. Fundada em 2015, a Ghost Robotics, com sede na Filadélfia, projectou a alternativa drone de quatro patas para “sentir o mundo” e permanecer equilibrada ao rondar pela água, erva alta e outros terrenos. Os caninos computadorizados podem operar em temperaturas abaixo de zero e foram feitos para mover-se como animais reais, segundo diz esta empresa. Também chamados de “veículos terrestres não tripulados” ou UGVs, os cães-robots podem subir degraus, correr e virar-se na vertical se forem derrubados.

O ingrediente secreto são os motores que controlam as pernas e se ajustam com base nas mudanças na pressão sobre o solo. Depender principalmente de motores para navegação diferencia as máquinas da Ghost Robotics dos dispositivos da Boston Dynamics, que dependem de uma série de sensores. “Um princípio fundamental de design para nossos robots com pernas é a complexidade mecânica reduzida em comparação com outros robôs com pernas e até UGVs tradicionais com esteiras sobre rodas”, diz Ghost Robotics no seu site. Boston Dynamics, uma pioneira em cães robóticos, é uma empresa muito maior, empregando até 4.000 pessoas em nove escritórios regionais. Ghost Robotics tem menos de 25 funcionários. As máquinas do tamanho de um cão da Ghost Robotics têm câmeras e sensores integrados para monitorar intrusos ao longo do perímetro da base. Os robots têm uma autonomia até 7 horas e meia antes de precisarem de recarregar. Estas máquinas, que não se destinam a substituir cães militares reais, podem ser montadas em 15 minutos e os seus membros danificados podem ser substituídos ainda mais rápido, disse Parikh. As máquinas são equipadas com Wifi e 4G LTE para enviar informações ao vivo para sua operadora.

A Ghost Robotics já despachou mais de 100 de seus cães-robôs em 2020 e planeia enviar mais de 250 em 2021. Os robôs fazem parte da ambição dos militares por um Sistema de Gestão de Batalha Avançado que usa uma rede de inovações, como inteligência artificial e robótica, para detectar e defender-se contra ameaças. No mês passado, os robots caninos mostraram as suas potencialidades durante um teste na Base Aérea de Tyndall, onde foram operados por controle remoto. Assim que forem programados com um caminho de patrulha a seguir, eles circularão de forma semiautónoma com seus manipuladores capazes de controlá-los por meio de fones de ouvido de realidade virtual quando necessário, adianta a Força Aérea. A colaboração destes cães robots acabará por libertar o pessoal militar para outras tarefas. Em setembro, os robôs Vision 60 foram também usados durante um exercício de segurança na Base Aérea de Nellis no Nevada. A Ghost Robotics não tem conhecimento de planos imediatos para armar os robots, embora existam aplicativos para desactivar bombas.

Há também e em contraposição, um esforço conjunto da Human Rights Watch para impedir que robots autónomos letais sejam implantados e os Estados Unidos, até agora, recusaram-se a assinar. Tyndall é a primeira base militar dos Estados Unidos a integrar os robots em tempo integral. Esta mudança dá seguimento a uma colaboração já existente entre a Ghost Robotics e o Exército Australiano. Em 2019, a Austrália fez experiências para descobrir qual o potencial dos robôs no "futuro da guerra terrestre". Adianta-se que o preço de um destes robots começa em torno de 1 milhão de dólares. O que acabámos de noticiar é o último grito em matéria de cães-robots para fins militares. Oxalá os cães de lata substituam rapidamente os de carne e osso, porque mais vale juntar um monte de sucata, custe lá o que custar, do que ceifar a vida de um fiel camarada. 

UM CALIFORNIANO VALENTE

 

Na noite anterior ao “Dia de acção de Graças”, no passado dia 25 de Novembro, em Nevada County, no estado norte-americano da California, quando se encontrava em casa, Kaleb Benham começou a ouvir barulhos estranhos vindos da frente da sua habitação, denunciados pelo ladrar do seu cão “Buddy”. Levantou-se e reparou que um urso com cerca de 60 kg estava prestes a matar o seu cão. Sem hesitar e de mãos livres, o californiano lançou-se imediatamente sobre o urso, determinado a salvar a vida ao seu cão, agarrando-o pelo pescoço e desferindo-lhe imediatamente um soco no focinho para o fazer sangrar e outro num olho, o que levou o urso a largar o cão e a pôr em fuga. Apesar desta acção poder ter sido fatal para o homem e para o cão, ambos tiveram sorte, talvez a mesma que protege os audazes.

Uma vez livre do urso, Benham agarrou no cão e levou-o imediatamente ao hospital veterinário mais próximo, que infelizmente se encontrava encerrado. Num hospital seguinte, o cão viria a ser operado por mais de três horas. Benham assistiu à operação do Buddy atrás de uma divisória, tomou consciência da gravidade das suas feridas e viu-o ser remendado pouco a pouco, achando que ia perder seu amigo. Depois de horas de espera que pareceram infindáveis, houve boas notícias – o Buddy sobreviveu à operação! Na plataforma GoFundMe , Benham pediu de cerca de 2.000 euros para cobrir os custos dos cuidados médico-veterinários. As pessoas mostraram-se felizes em dar apoio financeiro aos dois amigos, o objetivo foi rapidamente alcançado e a conta foi declarada encerrada, o que também não é normal, porque muitas vezes os responsáveis permitem que a campanha continue, mesmo depois de o valor de doação ter sido alcançado.

Depois de ultrapassado o perigo, Benham afirma que o Buddy se recuperará satisfatoriamente, mas que provavelmente não voltará a ser o mesmo, porque as feridas são profundas e estão a cicatrizar lentamente. O urso mordeu o cão perto de um olho, furou-lhe um lábio e arrancou-lhe parcialmente uma orelha que teve que ser recolocada. Infelizmente, o acto heróico de Kaleb Benham em prol do Buddy, que recebeu bastante atenção por parte das redes sociais, não será suficiente para impedir que o urso volte a rondar a sua casa, pelo que o bravo californiano não poderá dormir descansado. Estamos convencidos que Benham voltará a expulsar o urso caso seja necessário. É de louvar a sua responsabilidade e amor pelo Buddy, cão que ele resgatou de um abrigo há anos atrás. Como não nos cansamos de dizer: até para se ser cão é preciso ter sorte!   

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

UM FRANCÊS AMBICIOSO

 

Benjamin Borg, um residente na cidade francesa de Toulouse, homem de 34 anos, acaba de fundar a associação “La Cape”, associação que se propõe ajudar vítimas de stress pós-traumático, confiando a cada uma delas um Labrador ou um Golden Retriever. A associação nasceu no passado mês de Junho e é a primeira do género em França. Borg procura agora cães das raças atrás indicadas para valer a soldados, polícias, gendarmes bombeiros e cuidadores, necessitando para isso de financiamento que procura em parceiros privados, comunidades locais e indivíduos. As 34 anos, Borg já foi de tudo um pouco: marinheiro, bombeiro e responsável pela reprodução de cães-guia. No entanto, a vida deste toulousain gira há uma década em torno de duas raças caninas em particular: o Retriever do Labrador e o Golden Retriever.

A La Cape tem como objectivo criar, educar e entregar cães gratuitamente, para depois garantir o seu acompanhamento dos 2  aos 10 anos, altura em que os cães atingem a aposentadoria. Destina-se a vítimas de atentados, mas também a militares, policias, gendarmes, bombeiros e prestadores de cuidados, serviço já existente nos Estados Unidos e Canadá, assim como em alguns países europeus como a Irlanda, a Holanda ou Croácia. De uma coisa estamos certos: não irão faltar clientes a Borg, considerando os sobreviventes dos vários atentados que tem ocorrido em França, muitos deles a braços com distúrbios comportamentais e sociais, com depressões várias e tentativas de suicídio.

Borg, que já foi delegado do Retriever Club da França, explica assim a validade dos cães no auxílio às vítimas: “Quando o seu dono entrar em agorafobia, pânico ou outros ataques, também quando começar a agir em sequências repetitivas, o cão virá a empurrá-lo com a cabeça ou a tocar-lhe com a pata. E se isso não for suficiente, ele (o cão) pode pressionar um botão de suporte remoto ou ir chamar alguém. Se isso acontecer à noite, o cão acenderá uma luz, trará o medicamento e se necessário apertará também um botão.” Borg é muito claro no que concerne ao papel dos animais: “os cães não são um remédio nem uns psiquiatras de 4 patas, vêm junto com os medicamentos.”

Na La Cape também é possível ser-se voluntário, família anfitriã ou doador, sendo os donativos essenciais para esta associação, cuja gestão obrigou o seu fundador a retomar os seus estudos no ano passado para validar o mestrado 2 em gestão e administração de empresas, que ele obteve com distinção. O tema da sua tese: “ Um trabalho sobre a viabilidade do projeto de criação La Cape", foi validado pelos seus professores da Sorbonne. O vento corre de feição para este toulousain e desejamos que seja sempre bem-sucedido, que agarre com “unhas e dentes” este projecto e não se disperse noutros como o fez no passado. Desconhecemos se em Portugal existe alguma associação ou serviço destes. Contudo, ela seria muito bem vinda!

domingo, 6 de dezembro de 2020

ESTRANHO ATAQUE CANINO NA TERRA NATAL DE EINSTEIN

 

Em Ulm, cidade alemã do Estado de Baden-Württemberg, situada nas margens do Rio Danúbio, na fronteira com a Baviera, terra natal de Albert Einstein e cidade que tem a torre de igreja mais alta do mundo, com 161,53 m, uma senhora de 57 anos foi mordida pelo seu próprio cão enquanto dormia e ficou gravemente ferida, ao ponto de não conseguir falar. Esta senhora ainda ligou várias vezes para o vizinho na noite de ontem, Sábado, mas não conseguiu falar com ele de vida á gravidade das suas feridas (a foto abaixo ilustra apenas a temática e não espelha nenhum dos intervenientes).

Não obstante, o vizinho veio a cuidar dela e encontrou-a gravemente ferida no corredor, o que o levou a chamar a equipa de emergência médica, vindo a senhora a ser transportada para um hospital. No seguimento das diligências, o vizinho avisou o filho da vítima que tinha o cão em sua posse. Não está ainda claro porque razão o cão, um Labrador, atacou a dona enquanto esta dormia. As suposições são muitas e algumas credíveis, mas só a vítima poderá esclarecer como tudo aconteceu, caso saiba ou queira fazê-lo. Contudo, custa-me acreditar que tudo se originou a partir dum pesadelo do cão. Se o animal já vive com a senhora há algum tempo e nunca se manifestou agressivo, então o seu ataque foi provavelmente de natureza defensiva e se o foi, resta saber do que se estava a defender.