domingo, 6 de dezembro de 2020

MENSAGEM DE NATAL

 

Natal é a altura do ano em celebramos o Nascimento de Jesus Cristo, o Deus que se fez homem para pagar o preço dos nossos pecados, morrer na cruz e que ao ressuscitar venceu a morte, provando que há vida para além dela e que a eterna comunhão com Deus está ao alcance de todos aqueles n’Ele crerem. Assim, o natal não são luzes, presépios e prendas, faustosas jantaradas familiares ou excelentes ocasiões de negócio, que outra coisa não são do que idolatria, apostasia e tradições que em vão tentam encobrir a verdadeira mensagem redentora e universal do Natal – já nasceu o nosso Salvador! Todos os anos celebramos o Natal e nem por isso estamos mais fraternos uns com os outros, montamos o presépio e ignoramos os apelos de ajuda dos mais necessitados à nossa volta, isolamo-nos cada vez mais e desprezamos tudo o que nos incomoda. Mesmo assim, dizemo-nos cristãos e justos, apesar de nos esquecermos de Deus, não nos arrependemos da nossa avareza, surdez e desrespeito pelos outros, como se eles não contassem e não fossem para Deus também importantes, como se a mensagem da salvação fosse só para nós e remível pela maior ou menor riqueza de cada um.

O Emanuel, o Deus connosco, disse a determinada altura do seu ministério: "Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros." Deus deu a Fé aos homens para que reconheçam os seus erros, lhe peçam perdão e se apossem da justificação alcançada por Cristo em prol da humanidade. Infelizmente não é assim que procedemos no natal, altura em que por natureza somos ainda mais egoístas. Se ao menos a época que celebramos servisse para eliminar antigas inimizades e rancores, para levar comida a quem tem fome, para eliminar muros e estabelecer pontes com os outros, para ajudar quem se encontra de rastos; para socorrer os aflitos e para levar paz a quem vive em angústia, não tenho dúvidas – o mundo seria substancialmente melhor, mais justo e fraterno, um lugar mais agradável para se viver.

Os desejos que formulei atrás, atendendo à natureza humana, parecem pura utopia, porque ano após ano a história repete-se e os comportamentos não mudam, apesar do Nascimento do Filho de Deus ser uma Boa Nova e trazer ao mundo uma esperança confiável, que há-de cumprir-se. Contente por isso e eternamente grato, sinto-me ao mesmo tempo triste, porque as promessas de Deus são tratadas como loucura e substituídas pelo deus que carregamos dentro da barriga ou na carteira, um Deus que ao contrário do verdadeiro, continua a apelar aos homens de má vontade, os seguem as suas próprias inclinações e que desprezam Deus. Tenho pena deles, porque a Fé que Deus me deu continua a alegrar-me no Natal, altura em que retempero as minhas forças e sigo adiante. Grato a Deus pelo que Ele fez mim, ao arranjar-me um Salvador, convido todos os meus leitores a procurar o Deus-Menino e a fazer deste mundo um lugar francamente melhor, já neste Natal.

IR AO ENCONTRO DAS CRIANÇAS

 

No momento pandémico que vivemos, onde todos somos cada vez mais desconfiados e menos calorosos, importa urgentemente valer às crianças, dar-lhes experiências felizes e devolver-lhes a alegria. Assim, onde houver crianças, nós estaremos lá, levando-lhes os nossos cães para que possam brincar e aprender a respeitar os animais, reinventando velhos ritos que possibilitaram e possibilitam a comunicação interespécies. Ontem, no início dos trabalhos, conforme atesta o GIF acima, pedimos ao Jorge que ensinasse ao Soneca o “salto de reverso” para que o Labrador completasse o giro em torno da sua pessoa. Aproveitando a presença do filho mais novo do Jorge, o Simão, chamámos para o nosso meio outro menino que se deleitava a observar-nos, constituindo-se ambos num só obstáculo para interagirem com os nossos cães. No GIF abaixo vemo-los a constituírem um túnel para o Soneca passar.

A preocupação com a sociabilização dos cães é uma tarefa prioritária que abraçamos desde sempre, a pensar nos demais e na coabitação harmoniosa dos nossos cães na sociedade. Sociabilizar os cães com as crianças é uma tarefa obrigatória e nobre, porque elas disputam, junto com os idosos, o primeiro lugar das vítimas dos nossos companheiros de 4 patas. No GIF seguinte, os dois meninos constituíram-se em vertical crua para o CPA Bohr ultrapassar.

Chamo à atenção dos nossos leitores para o cuidado do CPA Bohr ao passar por debaixo das pernas dos garotos. Empenhado em não os derrubar e magoar, planou literalmente junto ao solo para que nada lhes acontecesse, cuidado que obviamente merecesse ser destacado e que é visível no seguinte GIF.

Encantada com a educação dos cães, a mãe do menino que convidámos para os nossos trabalhos, também ela proprietária de um CPA e de um Labrador, foi igualmente convidada para conduzir o Labrador Soneca e executar com ele o tricomando básico è trela.

Como o entendimento entre a jovem mãe e o Soneca aconteceu de modo surpreendente, pusemos o Labrador a defendê-la, o que veio a acontecer. A senhora mostrou-se segura no seu desempenho e em nenhum momento colocou em risco a integridade física do Adestrador.

Para culminar uma experiência que dificilmente esquecerá, convidámos a jovem senhora a conduzir o Soneca sobre uma sebe com 1 m de altura e com a mesma largura. Apesar do salto não ser nada fácil, em termos de técnica de condução, só nos resta dar os parabéns à condutora pelo seu acerto.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Jorge/Soneca e Paulo/Bohr. O pequeno Simão funcionou como recrutador e o Paulo Jorge respondeu pela reportagem fotográfica. A pouca afluência de alunos ficou a dever-se à proibição de circulação entre concelhos, medida decretada para mitigar o número de infectados pelo Sars-cov-2. A Tempestade Dora não quis nada connosco e houve quem à nossa frente fosse dar um mergulho até à praia. Como hoje é dia de estágio, só retomaremos os nossos trabalhos amanhã. Continuação de bom fim-de-semana. 

sábado, 5 de dezembro de 2020

A ESTRANHA MORTE DE DEBORAH ROBERTS

 

Veio agora a lume nos media britânicos, o caso de Deborah Mary Roberts acontecido no passado dia 08 de Julho deste ano, estrangulada até à morte pelos seus próprios cães num estranho acidente enquanto caminhava com eles - os Bull Terriers Tyson e Rubi. Ao que tudo indica as trelas dos cães enrolaram-se ao pescoço da dona quando esta caiu. Ao vê-la caída nos chão, os animais começaram vigorosamente a puxar as trelas na tentativa de ajudar a dona, senhora de 47anos. Mas, ao fazer isso, os cães acabaram por estrangulá-la. No inquérito sobre a sua morte veio a saber-se que Deborah Roberts caminhava na companhia de uma criança e que esta correu para encontrar auxílio, vindo a encontrar dois trabalhadores que ao chegarem junto de Deborah viram-na inconsciente. Os serviços de emergência foram chamados, mas apesar dos esforços para salvá-la, a Sra. Roberts, uma trabalhadora de armazém, infelizmente morreu.

No mesmo inquérito veio a saber-se que a falecida, mãe de quatro filhos, sofria da “Doença de Huntington”, uma doença degenerativa do sistema nervoso central, causada pela perda de células numa parte do cérebro (gânglios da base). Esta falta afecta a capacidade cognitiva, o equilíbrio emocional e a motricidade. É uma alteração hereditária do cérebro que afecta pessoas de todas as populações, em todo mundo. O seu nome vem do médico George Huntington, que fez a primeira descrição do que chamou “Coreia Hereditária”. O termo “Coreia” tem origem na palavra latina choreus (que se refere a “dança”) devido aos movimentos involuntários, uns dos sintomas principais desta doença. Os indícios surgem muito gradualmente, geralmente entre os 30 e os 50 anos. No entanto, pode por vezes atingir crianças ou até idosos. 

Na maior parte dos casos, os doentes conseguem ser independentes durante vários anos após o aparecimento dos primeiros sintomas desde que bem acompanhados por médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, nutricionistas e outros profissionais. Nos Estados Unidos da América existem actualmente cerca de 30 mil indivíduos com esta enfermidade. Em Portugal, apesar de não existirem valores absolutos, alguns estudos indicam uma prevalência semelhante à de outros países ocidentais, entre cinco a 12 doentes por cada 100 mil habitantes. É uma patologia que pode passar de geração em geração através da transmissão do gene alterado. Homens e mulheres têm a mesma probabilidade de o herdar de um dos progenitores afectados. Aqueles a quem não lhes é transmitido, não desenvolvem a doença, nem a podem passar aos seus filhos e outros descendentes. Existe um teste genético disponível, para determinar se uma pessoa em risco é portadora ou não do gene da doença de Huntington.

De volta ao acidente, num comunicado, um dos trabalhadores contou que os cães da Sra. Roberts começaram “a chorar” ao vê-la inconsciente. O legista assistente de North and Central Wales East, David Pojur, disse que ela poderá ter tropeçado como resultado de sua condição degenerativa, mas disse ignorar qual a razão das trelas estarem no seu pescoço. Descrevendo as circunstâncias do caso como “trágicas”, o legista observou que os cães não eram perigosos, mas sim “animais amorosos e cuidadosos”. Um dos filhos da defunta, Robert, disse acerca deles no inquérito: “Eles são cachorros lindos. Se você os conhecesse agora, eles simplesmente pulariam sobre si e enchê-lo-iam de lambidelas. Tudo o que eles estavam a fazer era tentar ajudar a minha mãe quando ela caiu." Outro Filho da falecida, Callum, contou como sua mãe “adorava passear com os cachorros” e que fará muita falta à sua família e amigos. Em declarações ao North Wales Live, adiantou: “Ela era uma pessoa muito enérgica, com um sorriso muito contagiante, que amava os seus amigos e família. Ela faria qualquer coisa por qualquer um. Ela fará falta a todos.”

A morte de Deborah Mary Roberts, tomando em consideração o seu quadro clínico, os depoimentos das testemunhas (criança e trabalhadores) e o parecer do médico-legista, aponta para um conjunto de circunstâncias extraordinárias, de difícil comprovação, raramente vistas e por isso mesmo estranhas.

METER O ROSSIO NA RUA DA BETESGA

 

Conseguir fazer passar ou ocultar um cão em passagens difíceis e por isso inesperadas deverá fazer parte dos destinados ao resgate e à guarda, visando a prestação de socorro e a ocultação dos animais quando necessário, o que torna estes cães atleticamente muito precisos e específicos, uns verdadeiros especialistas na prestação de salvamento, na ocultação, na invasão e na evasão. Ontem convidámos o CPA Bohr para ultrapassar a base de um candeeiro público de ferro que se encontra assente sobre uma pequena coluna quadrada, à noite e debaixo de chuva intensa. A maior medida do quadrado da base do candeeiro é de 40cm, o que obriga a um salto preciso, agachado e serpenteado. Vale a pena observar o movimento da cabeça do animal no GIF acima e não esquecer que estamos perante um animal perto dos 70 cm de altura. No Gif seguinte, num plano de pormenor, vemos o cão saltar a base de 90 cm e a serpentear perante os pés do candeeiro.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Clarinda/Keila; Paulo/Bohr e Pedro/Luna. Aproveitámos a ocasião para ligar as orelhas à Luna, a tempestade Dora não nos causou qualquer entrave e o Paulo Jorge assumiu a reportagem fotográfica. Hoje retomaremos os nossos trabalhos noutro local e abraçaremos outras tarefas das quais daremos notícia.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

34 NOVES FORA 7

 

Na cidade alemã de Leipzig, uma mulher de 34 anos, decidiu sair novamente com o seu cão, por volta das 03h00 da madrugada, para o Lene-Voigt-Park da cidade. Quando menos esperava, foi atacada por dois homens que a puxaram para um arbusto, apostados em despi-la. Contudo, os agressores sexuais, que se comunicavam em língua estrangeira, não conseguiram estuprá-la, porque o cão mordeu um deles numa perna e ambos puseram-se em fuga. A polícia procura agora por eles. Onde é que esta mulher tinha a cabeça? Com 34 anos já devia ter mais juízo, ser mais previdente e menos confiada. Não seria de prever que algo assim poderia ocorrer? Há gente que infelizmente não tem a maturidade própria da sua idade, indivíduos a quem se deverá fazer a “prova dos 9” ao seu numero de anos para se encontrar a sua idade real, o que neste caso daria “7” e, se assim fosse, tudo estaria completamente explicado.

A RAINHA ESTÁ DE LUTO

A rainha do Reino Unido, Elizabeth II, agora com 94 anos, sofreu uma grande perca, o seu Dorgi Vulcano morreu com 13 anos de idade, ficando a soberana apenas com um cão para a acompanhar. “Dorgi” é o nome dado a um híbrido de Dachshund com Corgi e os da casa real foram criados pela própria rainha.

Elizabeth foi toda a vida uma amante declarada de cães e sempre viveu acompanhada por uma grande matilha. Diz-se que ao longo destes anos já teve mais de 30 cães e que por vezes os exalta acima de tudo e de todos. De acordo com fontes próximas do Palácio, a morte de Vulcano foi muito sentida pela rainha e não se sabe se o Vulcano terá um sucessor (provavelmente não terá atendendo à provecta idade da senhora). Resta-nos enviar os nossos respeitosos sentimentos de pesar a Elizabeth II, que certamente ignorará a nossa existência e não se preocupará em saber quem somos. 

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: O "AMIGO” DA SOGRA

 

Dois amigos de longa data cruzam-se na rua e um deles circula apressado com o seu cão. O outro, estranhando tal pressa, interroga-o acerca do seu destino. O dono do cão responde-lhe que vai com o animal ao veterinário porque ele tem mordido a sua sogra! Ao ouvir tal, o amigo pergunta-lhe se vai abatê-lo por causa disso. “Cruzes, canhoto! Vou simplesmente afiar-lhe os dentes!” - respondeu o dono do cão.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

 

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:

1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015

2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016

3º _ DOBERMAN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, editado 06/03/2016

4º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015

5º _ NÃO HÁ CAVALO QUE NÃO RECUE NEM CÃO QUE NÃO O FAÇA, editado em 03/12/2020

6º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011

7º _ MAIS UM EXCELENTE LOBEIRO, editado em 02/12/2020

8º _ NA ÚLTIMA NOITE DE NOVEMBRO, editado em 01/12/2020

9º _ O QUE VAI QUERER: UM HÍBRIDO OU UM RAFEIRO?, editado em 02/12/2020

10º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

 

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:

1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Reino Unido, 6º Irlanda, 7º Filipinas, 8º Angola, 9º Moçambique e 10º Canadá.

NOVIDADE DE DESAFIO E PRONTA RESPOSTA


Ontem, depois dos 10 minutos de relaxe, iniciámos a nossa sessão de treino convidando o FSM Doc para a transposição de uma vertical crua de grande dimensão, visando a sua preparação atlética para diversas funções, salto que efectuou à trela devido à exagerada altura do obstáculo proposto, conforme se pode ver no GIF acima. O trabalho específico incidiu totalmente sobre a prontidão de resposta ao comando de “aqui”, feito à distância, em liberdade e com um obstáculo pelo meio.

Devido à necessidade premente de alcançar os requisitos técnicos que o seu cão exige, muito insistimos como o José António para que os alcançasse. Devido a esse cuidado, que se estendeu por horas, o binómio Paul/Bohr acabou por não ser convocado e ficar em casa, provavelmente a aguardar com alguma ansiedade o início do jogo do Benfica. A reportagem fotográfica esteve a cargo do Adestrador e da Isabelinha, a noite esteve serena e sentimos a falta do binómio Jorge/Soneca. Hoje retomaremos as nossas actividades com a mesma vontade e paixão.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

SETE FILIPINOS

 

Este blogue foi visitado esta semana por 7 filipinos, país e arquipélago situado no sudeste asiático, onde Fernão de Magalhães chegou em 1521 aquando da sua viagem de circum-navegação ao serviço do rei de Espanha. Não é comum entre nós termos num só dia sete visitantes filipinos, novidade que se saúda, que se espera ver repetida e estendida a outros países asiáticos. O país do sudeste asiático que mais leitores nos dá é o Vietname, logo seguido pela Indonésia.

Aos recém-chegados leitores filipinos agradecemos a visita, estendemos-lhes o nosso sincero bem-vindo, desejamos continuar a merecer o seu interesse e se possível estabelecer com eles intercâmbio nas áreas da canicultura, cinofilia e cinotecnia.

SE ATERRAREM EM MALTA, VÊ-LO-ÃO POR LÁ


Chama-se Żekkin, é um Labrador Preto (na foto abaixo)e foi treinado pela Força de Fronteira do Reino Unido, considerada líder mundial no treino e manutenção de cães detectores. Após um programa de treino rigoroso e de um profícuo relacionamento com o seu novo treinador, é a mais recente aquisição da equipa K9 da Alfândega de Malta, tendo interceptado no mês passado 16.295€ não declarados no Aeroporto Internacional de Malta, pertencentes a um cidadão indonésio que estava a caminho de Istambul.

Sinalizado pelo cão, os funcionários da alfândega perguntaram ao indonésio qual a quantia em dinheiro que transportava. Este disse que levava apenas 3.000€, montante bem abaixo dos permitidos 10.000€. Os funcionários da Alfândega confiaram no parecer do cão e procederam a buscas, vindo a encontrar um total de 16.295€. Segundo o procedimento em uso naquela ilha, o passageiro concordou em assinar um acordo extrajudicial e foi libertado após o pagamento de uma multa. Żekkin foi patrocinado pelo Banco Central de Malta, no que contou com a gratidão da Alfândega de Malta, que espera agora melhores resultados na luta contra o movimento ilegal de dinheiro. Já sabem, se viajarem para malta de avião e não quiserem apanhar com um Labrador pela frente, é melhor não levarem mais de 10.000€ na carteira!

AUTONOMIA CONDICIONADA E ALCANCE ÚTIL DAS PISTOLAS

Todos os cães de guarda deverão alcançar a autonomia condicionada – trabalhar à distância e em liberdade – para se protegerem a si mesmos e aos seus donos dos atiradores de pistola, encetando depois as suas acções defensivas binomiais com maior segurança. No GIF acima, sob o comando do José António, vemos o FSM Doc num exercício de condução nuclear, onde evolui sem a companhia do seu condutor, dando assim início aos rudimentos da autonomia condicionada. Hoje trabalha a 10 m de distância do dono e futuramente a 10 vezes mais, mediante linguagem gestual, um apito de ultra-sons ou de um dispositivo electrónico próprio. A quantos metros do dono deverá trabalhar minimamente um cão de guarda? Para lá dos que são determinados para os alcances prático e útil da maioria das pistolas – 50 metros - porque um meliante obrigado a disparar para além dessa distância durante a noite, coisa que só fará em último caso, dificilmente acertará no dono ou no cão, a menos que seja um atirador exímio, caso contrário será dominado pelo stress ao denunciar a sua presença e ter comprometido a sua fuga. Para maior segurança de donos e cães, procuramos que trabalhem eficazmente a 100 metros de distância entre si, valendo-se primeiro de superfícies totalmente planas como campos de futebol e depois de terrenos gradualmente mais acidentados. A autonomia canina condicionada compreende a execução pronta de todos os subsídios de imobilização, direccionais e defensivos próprios de um cão de guarda em abono da sua salvaguarda e operacionalidade.

NÃO HÁ CAVALO QUE NÃO RECUE NEM CÃO QUE NÃO O FAÇA

Recuar não é um andamento preferencial em cavalos e cães, que só farão uso dele descontinuadamente nas situações onde não lhes restar outra opção, já que nasceram para andar para a frente. Não obstante, não há cavalo que não recue nem cão que não o faça, dependendo o primeiro das ajudas que lhe derem no solo ou montado e o segundo do condicionamento, muito embora neste caso a tarefa seja facilitada ou dificultada pela morfologia de algumas raças caninas. Fazer recuar continuadamente um cão sobre um tronco estreito e irregular, como se pode ver no GIF acima, apesar da maioria dos cães ter uma visão monocular superior à dos humanos, não é tarefa fácil, porque obrigará o animal a substituir a visão pelo tacto, tornando-o na circunstância sentido director. Se reparamos com atenção no movimento das patas do cão em exercício, vemos que ele se apoia francamente de mãos e tacteia cuidadosamente com os pés, ou seja, que a abertura de anteriores é maior do que a visível nos seus posteriores, coisa própria dos Filas e S. Miguel que são seleccionados por essa flexão para morderem abaixo do úbere das vacas. A substituição momentânea de um sentido director canino por outro, currículo obrigatório para os cães mais concentrados e cúmplices, visa em primeira instância a sua salvaguarda, não havendo nisto qualquer violência, porque trocam quase automaticamente de sentido director, passando naturalmente da visão para o olfacto quando lhes convém. Lamentavelmente, o Cão de Fila de São Miguel continua a ser um livro por abrir para a maioria dos portugueses, um cão rústico, fiel, versátil e valente que nada fica a dever aos seus iguais de génese germânica.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

O QUE VAI QUERER: UM HÍBRIDO OU RAFEIRO?

 

Com a queda em flecha da procura dos cães com pedigree, só restarão aos amantes de cães no futuro imediato duas opções: ou escolherão um híbrido, hoje descrito como “Designer dog” (cão de desenho) ou optarão por um comum rafeiro. Enquanto o processo de clonagem for demasiado dispendioso, os profissionais que precisam de cães para trabalhar continuarão a optar pelos híbridos, como fazem agora com Pastores Alemães, Belgas e holandeses, opção que lhes garante à partida menor margem de erro devido à raiz comum que une as três raças. Como os termos “híbrido” e “mestiço” se confundem na cabeça de muitos, importa esclarecer quais as suas diferenças.

Os cães híbridos são, tecnicamente, cães mestiços, rafeiros, mas contrariamente aos rafeiros, provêm de progenitores puros, ainda que de raças diferentes, que foram deliberadamente cruzados um com o outro para criar o híbrido desejado. Os homens têm criado ao longo de séculos vários híbridos, o que levou ao desenvolvimento de novas raças caninas que se mantêm até aos dias de hoje. No entanto, a popularidade e o marketing das actuais raças de “cães de design", ou cães híbridos, começaram a aumentar no último quartel do século XX. A razão para criar um cão híbrido, quando levada a sério, é desenvolver um cão que tenha as qualidades ou mais-valias de duas raças de cães distintas. Crê-se que o “termo “Designer Dog” se popularizou nos media depois de muitas celebridades terem demonstrado o seu interesse pelos cães híbridos.

Em síntese um rafeiro ou mestiço provém de progenitores sem pedigree e por vezes é tão cruzado que só Deus sabe o que entrou na sua construção, Deus e os bruxos, porque palpites é coisa que por aqui não falta. Contrariamente, o cão híbrido ou designer dog provém de dois cães puros, com pedigree, ainda que de raças diferentes. Estes cães são normalmente alcunhados a partir das duas raças que entram na sua construção (ex: Cocker Spaniel + Poodle= Cockapoo; Maltês + Poodle= Maltipoo; Pug + Beagle= Puggle; Schnauzer + Poodle= Schnoodle e Pitbull + Husky= Pitsky (híbrido sobre o qual já nos pronunciámos). Informa-se os possíveis interessados que já existe nos Estados Unidos um livro de registo para os cães híbridos: o American Canine Hybrid Club.

PS: Se você procura apenas um cão familiar, dito de companhia, que lhe seja obediente, fácil de adestrar e grato, o melhor que tem a fazer é adoptar um cão de abrigo. E, se alguém lhe disser o contrário, não tenha dúvidas - estará perante um inveterado mentiroso ou diante um louco incurável.

MAIS UM EXCELENTE LOBEIRO

 

Antes de falarmos sobre o cão, como grande é o número de leitores brasileiros deste blogue, importa explicar-lhes o que se entende por “lobeiro” no português de Portugal, uma vez que assim tratamos uma variedade cromática presente no Cão de Pastor Alemão (CPA). “Lobeiro” neste caso significa da cor do lobo, um variedade bicolor que ao invés de ter “capa preta”, tem-na cinzenta, conservando por debaixo desta uma côr fulva que lhe faculta regular a pelagem de acordo relógio biológico. Esta variedade cromática presente nos Pastores Alemães é a última a deixar-se “estragar”, a abandonar o olfacto como sentido director e a substituí-lo pela identificação à vista, sendo por causa disso e de muita ignorância, considerado lerdo, desconfiado e arredio. O facto de demorar a alcançar a sua maturidade emocional e de ter uma curva de crescimento mais longa, tem também sido mal interpretado, porque os animais que mais depressa se fazem são os mais rudimentares. Por causa desta demora, há décadas que esta variedade é beneficiada com a negra, que como se sabe é precoce. Esta junção entre negros e lobeiros sustentou durante décadas as chamadas linhas laborais do Pastor Alemão e parece estar de volta.

O lobeiro que destacamos esta semana chama-se Lear, tem dois anos de idade e é o mais recente recruta de Kings District RCMP (Polícia Montada do Distrito de Kings, Canadá). Este cão veio literalmente de uma longa linhagem de cães policiais.  O seu pai também o foi e a sua mãe fazia parte do programa de criação da Polícia Montada. Foi treinado em Alberta e só em Setembro deste no começou a trabalhar na nova Scotia, província marítima do leste do Canadá, virada para o Oceano Atlântico. O seu treinador e parceiro é o RCMP Cpl. Jeff Wall, que não poupa elogios ao cão. Lear e Wall foram treinados como um binómio de serviço policial geral, o que implica rastrear suspeitos, encontrar pessoas perdidas e ajudar os investigadores na linha de frente a encontrar pistas, podendo também derrubar suspeitos, se necessário. Tudo assenta sobre a capacidade do cão rastrear um odor humano fresco. Convém não esquecer que alguns factores ambientais podem por vezes apresentar desafios extras. Extremo calor ou frio e ventos fortes podem afectar a capacidade de um cão de detectar um determinado odor, assim como uma área carregada de múltiplos odores, o que geralmente acontece quando familiares e outras pessoas bem-intencionadas estão também à procura duma pessoa desaparecida, como foi o sucedido na busca do Sunken Lake.

Perguntar-nos-ão: mas afinal o que fez este CPA lobeiro (Lear) de extraordinário para ser considerado um excelente exemplar de trabalho? Apesar de só ter sido dado apto para o serviço 2 meses antes, em setembro, o Lear ajudou a encontrar um homem de 76 anos em Nova Scotia, dado como desaparecido da sua residência, nas cercanias de Sunken Lake, em 26 de novembro deste ano. A operação de busca iniciou-se perto da casa do desparecido e o nariz do Lear foi encontrá-lo ileso 4 quilómetros mais adiante numa floresta, depois de várias horas de busca, façanha pouco comum para um novato, o que de imediato destaca duas coisas: a genética do Lobeiro e o seu superior aproveitamento. Quanto mais medito sobre Pastores Alemães lobeiros, que os há também de pouco préstimo quando mal seleccionados ou parcialmente aproveitados, considerando as suas mais-valias e o seu aproveitamento, acho que mereciam e merecem ter uma escola só para eles, para que não se confundam ou dispersem entre os demais. E sabem que mais, se eu fosse para o mato, que já não tenho idade para isso, considerando a minha sobrevivência e a do animal, preferiria levar um lobeiro comigo do que um cão doutra variedade cromática presente no CPA. Quem é conhecedor de cães sabe que em algumas raças há cães para todas as idades e eu sei-o, por isso tenho agora um ajuizado e convencional CPA negro, um cão que não hesitará em deitar-se na minha frente para que eu não me estatele no chão, o que, diga-se de passagem, poderá vir a dar muito jeito.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

DOIS PASTORES ALEMÃES SEQUESTRAM CARRO DA POLÍCIA EM MÖNCHENGLADBACH

Ontem de manhã, na cidade alemã de Mönchengladbach, no Estado de Nordrhein-Westfalen, próxima da fronteira germano-holandesa, a polícia local foi alertada para dois Pastores Alemães que circulavam livremente pelos espaços públicos. Foi destacado um carro-patrulha para o local e os solícitos agentes da autoridade saíram de imediato da viatura policial, ávidos de detectar os dois cães que vagueavam livremente e a seu bel-prazer. Inesperadamente, ao verem os polícias a abandonar o carro-patrulha, os dois Pastores Alemães saltaram para dentro da viatura e sentaram-se, um no lugar do condutor e outro no do pendura, cumprindo o ditado que diz: “quem vai ao mar, perde o lugar”.

Surpresos com o sucedido, não querendo correr qualquer risco e perante o desejo dos cães em permanecer na viatura, os polícias chamaram os bombeiros para removê-los, que acabaram por levá-los  para um abrigo em caixas de transporte. Pode ser que este insólito incidente venha a servir de inspiração para um filme sobre cães em Hollywood, já que parece tirado de uma cena de ficção.   

COM O NATAL À PORTA LEMBREI-ME DAS AZEVIAS

 

É próprio dos mais velhos sentir saudade de tempos idos em determinadas datas ou épocas do ano, até porque se lembram de acontecimentos passados com mais clareza do que alguns dos mais recentes. Com o Natal a aproximar-se, liturgicamente começa amanhã, lembrei-me de umas azevias que a mãe de uma aluna minha fazia e que a filha, religiosamente e ano após ano, me oferecia por ocasião da época natalícia. Eu não sei se a dita senhora ainda é viva (queira Deus que sim), nem sequer recordo o seu nome, lembro-me apenas que era uma avó baixinha, magra, leve de osso, introvertida e vestia de negro (seria alentejana?). Quanto às azevias, para desencanto do meu palato, há dez anos que deixei de saboreá-las, o que é maldade suficiente para um homem guloso da minha idade. Não me sobrando outra solução, lá terei que ir comprar azevias (oxalá tenha sorte e encontre algumas deliciosas).

QUANTO MAIS SÃO MENOS FAZEM

 

O tempo em que vivemos é caracterizado por aquilo que não queremos sem sabermos muito bem para onde vamos, pleno de indecisões e parco de consensos, apesar de nunca antes termos estado tão unidos. Bad Pyrmont é uma cidade alemã no distrito de Hamelin-Pyrmont, no estado de Niedersachsen, pouco conhecida para além das fronteiras germânicas e que ontem foi notícia por conta do ataque mortal de um American Staffordshire Terrier sobre um pequeno cão rafeiro. Tudo se passou perto de uma farmácia onde os donos do staffie se dirigiram, deixando-o preso e sem açaime ali perto. À passagem de um casal que se fazia acompanhar de um pequeno cão rafeiro, o Staffordshire soltou-se e de imediato atacou o cãozinho. Num instante, segundo a polícia, formou-se uma grande multidão de transeuntes, não sendo nenhum deles capaz de salvar a vida ao infeliz rafeirinho, sendo caso para se dizer “quanto mais são menos fazem”! Tudo se passou com os donos do staffie dentro da farmácia, donos cuja experiência será agora avaliada para legitimar a posse de um cão destes, sendo também investigado se o cão é ou não reincidente nestes actos, uma vez que o Hameln Veterinary Office e o Public Order Office da cidade de Bad Pyrmont receberam relatórios sobre o incidente e serão eles a deliberar sobre o assunto.

Perante a venda a granel de cursos de obediência básica (de eficácia duvidosa) e diante de métodos que só actuam para quem os dispensa, também farto da infodemia que rodeia este assunto, geralmente originária de gente urbana que só tem contacto com animais nas férias de agosto quando se desloca à sua terra natal, vou pronunciar-me sobre o caso enquanto adestrador com razoável experiência. Independentemente dos eventuais cursos em que o Staffie tenha sido aprovado, os seus donos encontram-se claramente desaprovados quando à sua responsabilidade civil, cívica e social, porquanto não pensaram nos demais quando não açaimaram o cão, o que teve como consequência directa a morte do pequeno rafeiro, o que só por si é motivo bastante para perderem a posse do Staffordshire que não quiseram ou não souberam sociabilizar. Valerá a vida do rafeiro menos do que a do molosso de arena? Se as autoridades atrás indicadas entenderem manter a posse do cão aos donos, no mínimo e a pensar no bem-estar de todos, deverão em contrapartida exigir-lhes que o sujeitem a um processo de reeducação, donde obrigatoriamente terá que sair aprovado.

Cães como estes, de ânimo descomunal, grande força física e potente mordedura, não são para toda a gente, por mais interessados e empenhados que se mostrem os seus donos à partida, porque exigem-lhes em simultâneo valentia (o que nunca foi fácil de encontrar), uma disponibilidade imensa e treino aturado. Sem estas condições, primordiais para a inserção harmoniosa destes cães na sociedade, será muito difícil inibir ou cessar os seus ataques à voz (debaixo de comando) e ainda mais à distância. Perante as dificuldades em alcançar este condicionamento, pergunto: “Qual seria o percentual dos binómios aprovados? Não tenho dúvidas, perigosamente baixo!

Por outro lado, por razões que só os instintos podem explicar e eles são difíceis de contrariar por serem acções automáticas, haverá circunstâncias em que seremos obrigados a cessar os seus ataques e a abrir-lhes os maxilares para que não danifiquem seriamente ou matem as suas presas ou opositores, tarefa que exige sangue-frio, treino e prontidão para quem a executa e também o máximo cuidado com o cão agressor, que dispensa ser agredido, ferido ou nocauteado. Apesar desta acção ser duma simplicidade extrema, infelizmente muito poucos, por uma razão ou por outra, conseguirão levá-la a cabo. Este trabalho é uma obrigação escolar que deverá ser sempre endereçada aos donos deste tipo de cães, para que saibam executá-lo diante de necessidade. Escusado será dizer que caberá aos adestradores dar início à tarefa e repeti-la quantas vezes for necessário até que os donos se apropriem dela. O desaproveitamento dos alunos humanos nesta matéria, obrigará os seus cães a sair invariavelmente à rua de açaime posto, como manda a lei.

Como sabemos que a maioria dos donos visados não fará isso ou fá-lo-ão somente nas circunstâncias em que acharem necessário, para evitar males maiores, o melhor que há a fazer é aconselhá-los a castrar os seus cães, independentemente da raça dos animais estar correcta ou não nos seus papéis de identificação, já que não faltam por aí “jacarés” identificados como “libelinhas”, cães de arena alcunhados de rafeiros (vira-latas; guaiopecas, stray dogs; pariah dogs, etc.). Diante do que adiantei, os donos do Staffordshire assassino dificilmente manteriam a sua posse. 

NA ÚLTIMA NOITE DE NOVEMBRO

 

Ontem, na última noite do mês de Novembro deste ano, depois de termos trabalhado duas horas antes do anoitecer, empreendemos um passeio pela cidade, onde as velhas ruas de traçado medieval reluzem com as luzes e enfeites de natal, agora desertas e presságio de uma noite de consoada menos concorrida e mais saudosa, graças ao confinamento que separa as famílias. Com toda a cidade para nós, aproveitámos para tirar algumas fotos que espelham bem a época do ano que atravessamos.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Jorge/Soneca; José Maria/Jay; José Maria/Mel e Paulo/Bohr. Trabalhámos em altitude, sentimos a falta da Patrícia, e as fotos foram da autoria do Paulo Jorge. Amanhã retomaremos os nossos trabalhos com alegria e menos restrições (se o tempo estiver de feição).