quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

SPOT – A ESPERANÇA DOS CÃES GUERREIROS

SPOT, o cão-robot criado pela BOSTON DYNAMICS, está agora a ser usado pela POLÍCIA DO ESTADO DE MASSACHUSETTS para ajudá-la nas situações mais perigosas. Foi o ESQUADRÃO ANTIBOMBA DA POLÍCIA quem e o alugou depois que a Boston Dynamics decidiu em Setembro oferecê-lo a empresas ou organizações que poderiam ajudar a desenvolver as suas habilidades. O cão-robot só foi usado duas vezes até ao presente momento, unicamente como um “DISPOSITIVO MÓVEL DE OBSERVAÇÃO”, sendo enviado a lugares onde foi “os olhos e os ouvidos” da Polícia no terreno, sem arriscar a vida de um ser humano. David Procopio, porta-voz da Polícia de Massachusetts e a propósito do Spot disse: “A tecnologia robótica é uma ferramenta valiosa para a aplicação da lei devido à sua capacidade de fornecer dados nas situações de ambientes perigosos.”
Ao saber do uso do Spot por parte da Polícia de Massachusetts, a UNIÃO AMERICANA PELAS LIBERDADES CIVIS (ACLU) (1) criticou aberta e fortemente a falta de detalhes sobre o uso do cão-robot por aquela polícia, por ignorar e temer o seu arsenal. Segundo esta ONG fez saber, avanços tecnológicos como o Spot são implantados antes que os sistemas sociais, políticos e jurídicos norte americanos possam responder. “Precisamos de mais transparência das agências governamentais, que devem ser francas com o público quando usam novas tecnologias" - disse Kate Crockford, gerente da divisão de Massachusetts da ACLU, TechCrunch (se eu fosse norte-americano ou residisse nos Estados Unidos também não estaria à vontade). Debaixo destes receios e exigindo ser esclarecida, a ACLU solicitou formalmente à Boston Dynamics que torne públicos todos os documentos relativos ao armamento de qualquer robot.
Depois disto, a Boston Dynamics enviou uma declaração por escrito à ACLU, adiantando-lhe que os contratos de aluguer relacionados com o Spot não permitem que seja usado para ferir ou intimidar pessoas. Este cão-robot consegue suportar cargas de 14 kg, levantar-se depois de cair e trabalhar a temperaturas entre -20 a 45 graus celsius. Tem uma autonomia de 90 minutos e uma velocidade de 4,8 km/h, pode mover-se de acordo com as instruções fornecidas, evitar obstáculos e manter o equilíbrio em circunstâncias extremas, sendo em simultâneo resistente à água, pormenor que o torna numa ferramenta de trabalho versátil.
Se o Spot continuar a dar mostras da sua utilidade, operacionalidade e competência como até aqui, é possível que o recrutamento de cães para as guerras tenha os dias contados. Também os cães de guarda poderão vir a ser substituídos por robots destes em armazéns, quintais e moradias, o que se saúda atendendo aos riscos que correm. Faltará muito para que homens e cães não tenham nada que fazer? Já faltou mais!
(1) A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) é uma ONG norte-americana sediada na cidade de Nova Iorque cuja missão é "defender e preservar os direitos e liberdades individuais garantidas a cada pessoa neste país pela Constituição e leis dos Estados Unidos".

EDEKA: CORTAR O MAL PELA RAIZ

PREÂMBULO: Por razões óbvias, por aquilo que sabemos, dizemos, ensinamos e fazemos, no que concerne ao cuidado com o bem-estar dos cães, encontramo-nos num patamar um pouco acima do ocupado pelo cidadão comum, o que não quer dizer que sejamos adeptos do populismo barato, desajustado e desengonçado que se aproveita dos entusiastas dos cães para vender a sua mercadoria ou alcançar o poder, dando muitas vezes voz a uns quantos cuja sanidade mental e discernimento intelectual são justificadamente postos em causa pela sua irrazoabilidade, ignorância e inexperiência. Se antigamente era uma elite profissional que se pronunciava sobre os cães, hoje qualquer um fala deles julgando o todo pela parte num subjectivismo que abraçou sem reservas o mais descarado antropomorfismo. Com estes não queremos nada!
Dito isto, vamos à notícia. A filial EDEKA da Meyer em Neumünster, pertencente à maior empresa de supermercados da Alemanha, que detém actualmente uma quota de mercado de 26%, escreveu no Facebook: “Os nossos membros animais da família Meyer decidiram por unanimidade – não comprar mais fogo-de-artifício, queremos devolver algo aos nossos e a todos os narizes de pêlo e ao meio ambiente, não voltando a contribuir para a enorme poluição por partículas e para o grande susto dos animais, esperamos que nos entenda.” Para além disto, o mesmo supermercado insiste que não é “basicamente contra os fogos-de-artifício, mas defender uma “solução pública” para que estes fogos sejam “ordenados”. Mais dois supermercados da Edeka acabaram por decidir não vender fogo-de-artifício, conforme noticiou o "Schleswig-Holsteinische Landeszeitung".
Entre as cidades alemães livres do fogo-de artifício estão München, Stuttgart, Hannover, Hamburg e Köln. München (Munique), por exemplo, proibiu fogos-de-artifício na cidade velha e na zona de pedestres. A proibição generalizada dos fogos-de-artifício na Alemanha ainda não foi planeada, segundo foi confirmado através de uma pesquisa levada a cabo pela imprensa alemã, que envolveu a consulta de 53 cidades e municípios na semana passada. Não obstante, os fogos-de-artifício são completamente proibidos no Mar do Norte, nas Ilhas de Föhr, Amrum e Sylt na véspera de Ano Novo, como já havia acontecido nos anos anteriores. Apesar dos fogos-de-artifício colocarem em risco a segurança, aumentarem a poluição do ar e a sonora, nenhuma das cidades pesquisadas quer proibi-los, proibindo-os apenas em zonas onde a segurança dos cidadãos possa estar em causa.
A proibição dos fogos-de-artifício, por todas as razões apontadas, seria cortar o mal pela raiz. Ao não vendê-los, a filial da Edeka em Neumünster está a contribuir para isso. Nas razões que apontou para não tornar a vender fogo-de-artifício, os responsáveis desta superfície comercial “esqueceram-se” que os estouros não prejudicam só os cães, assustando-os, mas também os humanos doentes, mais fragilizados e carentes de descanso. De uma coisa podemos estar certos - nesta Passagem do Ano haverá menos fogos-de-artifício na Alemanha.

4 INSTANTÂNEOS DE 1 MILHA

Hoje, pela manhã, continuámos o trabalho de adaptação do CPA Bohr à trela de suspensão e fizemo-lo ao longo de uma milha pelo espaço urbano, aproveitando no trajecto cenários para futuras ilustrações a partir daquilo que nos foi apresentado. A foto de cima refere-se à entrada de um comboio fantasma numa feira e a seguinte reporta-se a um carrossel alusivo à falecida actriz Marilyn Monroe.
É árdua a vida desta gente dos carrosséis, porque vive com o mínimo de condições e dorme por onde acampa, geralmente dentro de contentores e debaixo de uma política de puro desenrascanço. Aproveitámos um dos seus veículos tractores para tirarmos uma foto com o cão sobre um dos seus pneus.
Numa avenida muito movimentada, à porta de uma empresa que vende materiais de cozinha, fomos surpreendidos por dois bonecos alusivos àquela actividade, companheiros perfeitos para o Bohr posar para a fotografia.
No final da caminhada fomos visitar o Boris, o cachorro Boerboel que ontem deu entrada nas nossas fileiras, para vermos se estava bem, porque ainda se encontra “costurado” por causa do ataque de um Border Collie adulto, reincidente nestas proezas e a necessitar urgentemente de ensino, o mesmo que o seu dono não reclama, mas que inevitavelmente precisa, face ao bem-estar de ambos e ao dos outros.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

A PESTE SUÍNA AFRICANA NÃO IRÁ DAR DESCANSO AOS CÃES ALEMÃES

Com o aumento dos javalis e a proliferação da “Peste Suína Africana” que carregam, cresce na Alemanha o número de cães treinados para encontrarem as carcaças destes porcos selvagens, porque importa recolhê-las quanto antes por serem uma fonte incrível de infecção, sendo igualmente necessário desinfectar completamente as áreas ao seu redor, já que o vírus é altamente contagioso e muito estável. Para os porcos selvagens e domésticos a infecção é por norma fatal, sendo no entanto inofensiva para os humanos. A situação agrava-se quando a peste suína africana é agora comum na Ásia e na Europa Oriental. Um surto da doença seria economicamente catastrófico para os suinicultores germânicos.
As autoridades dos estados federais alemães há muito tempo que tomam medidas para evitar um surto na doença nos seus territórios. Segundo Hubertus Lehnhausen, Chefe do Departamento florestal e de Caça do Ministério do Meio Ambiente do Saarland, existe apenas um treino especial para cães de busca de cadáveres no seu estado e foi ele quem teve a ideia do projecto. Nem sempre é fácil para os seres humanos detectarem as carcaças numa área grande e a passagem por uma área restrita poderá acarretar o risco de propagar ainda mais a doença, já que o vírus pode ser transportado pelo calçado e pelos pneus.
Além disso, um javali contaminado, quando assustado, poderá estender a contaminação a outras áreas. O próximo exame para cães de busca de carcaças está agendado para antes do Natal. Reinhold Jost, Ministro do Meio Ambiente, diz ser necessário treinar mais cães para esse fim, pelo que o seu Ministério elaborou o curso com a mais alta autoridade da caça, com a Associação de Caçadores do Saar e com uma escola canina particular. Depois de devidamente preparados, os cães entrarão em campo.
Os cães destinados a este trabalho carregam consigo um dispositivo de localização que aparece numa tela junto ao centro de coordenação de actividades, para que nenhuma carcaça seja desprezada e o esforço dos cães desaproveitado. Actualmente a Saxónia está a realizar um exercício de doença animal em larga escala, com a duração de vários dias, para que numa emergência, a interacção entre as autoridades, municípios, agricultores e caçadores funcione. Após a activação do Centro Estadual de Controle de Doenças de Animais e o estabelecimento de uma equipa de crise, ontem em Thümmlitzwald, no Distrito de Leipzig, treinou-se a localização, recuperação e remoção de javalis mortos.
Conhecendo os alemães como conheço, dificilmente a Peste Suína Africana passará por eles e escapará aos seus cães. Desconheço se o Governo Português tem algum plano de contingência para este surto, apesar dos seus 39 ministros. Se não tiver e o azar nos tocar à porta, nem tudo é mau - depressa se livrará dos suinicultores e das suas reivindicações!

NOVO BINÓMIO ESCOLAR

Deu hoje entrada nas nossas fileiras o binómio constituído pelo Nuno Paz e o Boris. O Nuno adora o cão e este é um sobrevivente. Estamos a falar de um Boerboel com 6 meses de idade que conseguiu ultrapassar a parvovirose que o acometeu há poucos meses atrás. O Boris apresenta-se neste momento demasiado tímido e franzino para a sua idade, carente de sociabilização e do ânimo que a matilha espontânea escolar lhe dará, menos valias agravadas por ter sido vítima do ataque de um Border Collie (que fez moça e obrigou a tratamento veterinário). Apostados na recuperação do Boerboel e confiantes na disponibilidade do seu dono, estendemos-lhes o nosso bem-vindo e votos de franco progresso.

NADA QUE NÃO HOUVÉSSEMOS JÁ SUSPEITADO

Segundo um recente estudo da Universidade Britânica de Sussex, publicado na revista Royal Society, no passado dia 27, os cães são mais sensíveis à fonética humana do que anteriormente se pensava. Como se desconhecia até agora como percebiam os cães a fala humana e a sua fonética, uma equipa da Universidade atrás citada levou a cabo uma experiência com 70 cães domésticos de diferentes raças, proferindo-lhes várias sílabas sem sentido para eles, ditas por pessoas desconhecidas: 13 homens e 14 mulheres.
Observando a reacção dos cães a diferentes estímulos sonoros, pelo chamado método de “habituação-desabituação”, os pesquisadores descobriram que os cães foram capazes de reconhecer as palavras ditas (“ocultaram”; “tinham” e “quem”) por diferentes oradores. O que equivale a dizer que os cães conseguiram “generalizar os fonemas independentemente das pessoas que os pronunciaram" - explica David Reby, professor de Etologia da Universidade de Lyon Saint-Etienne e co-autor do estudo.
“Até agora pensava-se que a capacidade de categorizar palavras, sem treino prévio, estava reservada para os humanos. Neste estudo sugerimos que não é esse o caso”, acrescenta Holly Root-Gutteridge, da Universidade de Sussex, também co-autora do estudo (na foto seguinte). "Esse tipo de reconhecimento do fonema é um pré-requisito da linguagem, porque para falar, você deverá ser capaz de identificar a mesma palavra através de diferentes falantes", disse a pesquisadora.
Este estudo sugere também que os cães conseguem, através de algumas palavras sem sentido para eles, detectar pessoas que desconhecem, sendo “capazes de formar rapidamente uma representação da voz”, outro pré-requisito para entender a fala, disse David Reby. Ainda que outros animais como chinchilas e ratos tenham evidenciado habilidades do mesmo tipo, mas com treino prévio, esta “foi a primeira vez que fizemos isto espontaneamente”, referiu entusiasmada Holly Root-Gutteridge.
Diante deste pronunciamento científico, que não é absoluto, facilmente se compreende quão fútil é andar a ensinar cães em língua estrangeira para que não sejam manietados por terceiros ou venham a obedecer a estranhos, pois não basta conhecer os códigos, já que os cães sabem diferenciar os diferentes emitentes, ensurdecendo-se ou revoltando-se contra quem indevidamente os quiser ludibriar ou subjugar. E, particularmente diante dos mais frágeis, ainda podemos contar com o treino da “contra-ordem” para que não se venham a render facilmente.

SÓ LHE FALTOU ATENDER O TELEFONE!

Enquanto procedíamos à instrução do CPA Bohr, dando-lhe rédea livre para correr a seu bel-prazer, deparámo-nos com um pequeno Bulldog Francês tigrado que vinha no nosso encalço. O seu dono, ao ver o tamanho do Pastor Alemão, temeu o pior, mas foi imediatamente serenado e esclarecido, porque o Bohr encontra-se perfeitamente sociabilizado e é extraordinariamente tolerante com os outros cães. O dono do pequeno Bulldog chama-se Raul Neto e tem 58 anos de idade, o cão chama-se Gaspar e já conta 6 primaveras. O Sr. Raul foi até há pouco tempo atrás fustigado por um cancro, que felizmente conseguiu ultrapassar. Durante o tratamento prolongado, o Gaspar permaneceu sempre ao seu lado, vigiando-o no leito e fazendo-lhe companhia, tal qual um cuidadoso enfermeiro contratado. A dedicação do Gaspar foi tal, que o seu dono disse-nos que “só lhe faltou atender o telefone!” E quando existem cães assim, não faltam por aí donos agradecidos. Decidimos contar-vos esta história de vida com o consentimento do Sr. Raul, homem para quem o Gaspar é muito mais que um mero cão.

SALVADOR DE COALAS

Chama-se Taylor, é uma English Springer Spaniel, tem 4 anos de idade, procura coalas desde as 8 semanas de vida e tem vindo a ser usado no resgate dos que se encontram feridos pelos incêndios florestais que grassam na costa norte de New South Wales, na Austrália, sendo por isso um excelente cão de detecção para a conservação e uma ferramenta ultimamente muito solicitada. Se não houver muito vento, a Taylor senta-se junto à árvore onde se encontra o animal vivo como modo de sinalização. A raça English Springer Spaniel foi criada há centenas de anos para usar o nariz e encontrar pequenos animais para caçadores, mas hoje assistimos a uma inversão do seu papel e é agora usada para fins de conservação. Inevitavelmente, falar do Taylor é falar de Ryan Tate seu treinador e parceiro (ambos na foto que se segue).
Durante as acções binomiais de resgate, a mulher de Tate deu à luz gémeos, o que não o impediu de continuar o seu trabalho com a cadela, já que a sua mulher reconheceu a urgência e importância das suas missões, sendo ela também um conservacionista e uma apaixonada pela natureza. O exemplo da Taylor é válido para todos os cães de caça, a bem da biodiversidade, já que quase todos podem ser reeducados para proteger e resgatar as espécies cinegéticas que perseguem até aos dias de hoje. Não é assim tão difícil, basta haver vontade! 

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

ELEMENTAR CARO HOLMES!

Vamos supor que a frase “Elementar, meu caro Watson” tenha aparecido nalgum livro de Sherlock Holmes, porque na verdade ela nunca apareceu em nenhum dos 56 contos ou 4 livros escritos por Sir Arthur Conan Doyle. A frase apareceu pela primeira vez em 1929 no filme “O Retorno de Sherlock Holmes”, mas acabou por popularizar-se graças à escritora Edith Meiser, que escreveu a série “The New Adventures of Sherlock Holmes”, transmitida no Reino Unido pela rádio BBC entre 1939 e 1947. 
Mesmo assim, vamos supor que Holmes sempre disse a frase, porque desta vez o Dr. Watson devolve-a, não como uma personagem fictícia, mas na figura de um cão homónimo que é o primeiro companheiro de quatro patas a ajudar testemunhas no Tribunal Distrital de Stuttgart e em todo o Estado alemão de Baden-Württemberg.
Trata-se de um Golden Retriever, de seu nome Watson, com 3 anos de idade, que ajuda as testemunhas nas audiências em Baden-Württemberg, principalmente vítimas traumatizadas, quando necessitam de confiança e estabilidade, conforme adiantou o Ministro da Justiça, Guido Wolf (CDU), quando apresentou o Projecto PräventSozial em Stuttgart. A adestradora deste cão de terapia, Sabine Kubinski, fez questão de contar o primeiro trabalho que teve no tribunal: “ Tratava-se de uma testemunha deficiente mental que o Watson conseguiu relaxar. Durante o interrogatório em Outubro, o cão permaneceu sempre ao lado desta testemunha e quando ela ficava nervosa, recuperava a estabilidade ao acariciá-lo.” Kubinski disse ainda que “se as vítimas estiverem mais calmas no tribunal, isso poderá melhorar as suas declarações.”
O Ministro atrás citado está convencido que Watson prestará relevantes serviços nos tribunais de Baden-Württemberg e que uma vez aprovado como judiciário, abrirá o caminho para outros cães com o mesmo propósito. De Stuttgart a Lisboa são 2.225 km de carro, distância que alguns dos nossos emigrantes já percorreram e que no Brasil não é nada por aí além. Assim, estou em crer que brevemente também teremos cães destes nos nossos tribunais, porque tudo o que é válido na Alemanha não merece aqui qualquer tipo de contestação.

PRÁTICA DA TRELA DE SUSPENSÃO

Com o Paulo de férias, apesar do frio que se fazia sentir pela manhã e que tanta falta já fazia (já me sentia a viver a sudeste das Montanhas do Atlas), decidimos ajudá-lo na condução com a trela de suspensão, para que se familiarizasse com o seu uso e experimentasse as suas vantagens ao conduzir o CPA Bohr, começando por coisas tão corriqueiras como ir tomar um café matinal numa esplanada.
A trela de suspensão, ao ter menos de metade do comprimento da escolar, possibilita um controlo superior dos cães e um maior apoio por parte dos seus condutores, reforçando por isso a unidade binomial e eliminando medos ou respostas causados pelo inesperado, que não sendo ultrapassados, poderão constituir-se em traumas de difícil solução.
Gente pendurada em escadas, máquinas em movimento, o cair de certos materiais e o seu transporte, são situações que podem amedrontar os cães ou despoletar a sua agressividade pela estranheza ou desconfiança que provocam. Com a trela de suspensão, os cães evoluem mais seguros nestas situações e podem ser prontamente travados se necessário.
O responsável de uma loja mais depressa aceitará a entrada de um cão assim atrelado do que outro com uma trela comprida, considerando a sua segurança e a dos seus clientes. Já sabíamos disto, mas fomos comprovar se era verdade ou não. Como a foto abaixo testemunha, foi-nos facultada a entrada numa loja de moda feminina e masculina.
Na era da reciclagem, pedimos ao Paulo que carregasse uma porta destinada à bricolagem com o Bohr preso a si. Apesar do comprimento e volume daquele acessório, o Paulo pôde carregá-lo comodamente sem se preocupar com o cão, que em nenhum momento temeu a porta.
Em matéria de defesa pessoal, a trela de suspensão garante uma vigilância mais activa e apertada, porque os cães distraem-se menos e estão sempre junto dos donos. Por outro lado, a trela de suspensão é muito mais eficaz na cessação dos ataques inusitados.
Depois do conjunto de experiências efectuado, tirámos uma foto ao binómio em exercício junto a uns balões decorativos de uma óptica desesperadamente à procura de clientes, que por força da exagerada concorrência, viu-se obrigada a encher balões.
No dia em que Greta Thunberg chegou a Lisboa, sem “o homem dos beijos” para a receber, levámos de vencida mais uma aula matinal, com o sol baixo e o frio a enregelar-nos as mãos – afinal o Outono voltou!

QUEM DISSE QUE DOMINGO É DIA SANTO?

É comum ouvir-se dizer que Domingo é “Dia Santo” aludindo sobretudo a um dia de folga dedicado ao descanso. Se a maioria das pessoas não trabalha aos Domingos, há cães que nem aos Domingos lhes dão descanso, como foi o caso do ocorrido na cidade alemã de Edenkoben, no Distrito de Südliche Weinstraße, no Estado da Renânia-Palatinado, no último Domingo.
Uma esposa aflita de 55 anos contactou a polícia local para participar o desaparecimento do seu marido na manhã de Domingo, conforme informou a polícia hoje. Apesar da invernia que se fazia sentir, várias patrulhas policiais foram enviadas para encontrar o desaparecido sem sucesso. Não encontrando quem queriam, os polícias destacados decidiram seguir o cão do homem, vindo a encontrá-lo no meio de uma vinha, caído no chão, emporcalhado e apresentando algumas feridas no rosto, tudo porque havia consumido álcool em excesso.
Atendendo às condições climatéricas é possível que o cão tenha livrado o dono de um grande susto e quiçá de sucumbir. Um amigo assim nunca tem folgas, a sua lealdade leva-o a trabalhar 365 dias por ano e ninguém o vê queixar-se!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

ADVENTO VIRAL DE TRELA À CINTA

Com o 13º mês a ser pago em Novembro e com o consumismo que por aí grassa, tão agressivo que o “Papa Chico” considerou-o um novo vírus contra a fé, atacando-a pela raiz, o Advento já não é um período de preparação para o Natal, mas o seu prolongamento comercial, debaixo de conselhos do tipo “compre hoje que pode esgotar-se” ou de iniciativas como a “Black Friday”. Debaixo deste contexto descemos à cidade, sem nada para vender ou comprar, unicamente apostados na sociabilização dos nossos cães, amigos que merecem o nosso melhor e que carecem de constante adaptação, já que tudo muda e passa num instante.
E como trelas com mais de 1 metro de comprimento podem dificultar o controlo dos cães, principalmente nas ruas densamente povoadas e repletas de cães sofrivelmente educados (estamos a ser generosos), optámos por conduzir os nossos cães com “trelas de suspensão”, acessórios suspensos nos cintos que têm apenas 50 cm de comprimento, mas que permitem aos cães sentar-se e deitar-se naturalmente.
O treino ocorreu neste Sábado ao cair da noite e a coluna escolar foi capitaneada pelo José Maria e pela CPA Mel, Porque o Paulo Jorge, que já tinha trabalhado de manhã com o CPA Bohr, ficou encarregue da reportagem fotográfica.
Para além dos aspectos ligados ao controlo dos cães, a trela de suspensão acaba por ser um “kit de mãos livres”, obriga à concentração dos condutores, promove a supremacia dos comandos verbais e facilita a condução em liberdade. Na foto seguinte podemos ver a escola a executar um “Slalom de Esferas, tendo na frente o nosso “Crocodile Dundee”, o José António, que a princípio sentiu algumas dificuldades na adaptação ao novo acessório.
Treinar na via pública não é tarefa fácil, porque a desconfiança pode tomar conta dos cães e a distracção dos donos, particularmente quando os binómios “invadem” eventos muito concorridos, movimentados e ruidosos. Diante destas dificuldades, o melhor que há a fazer é levar a cabo pequenas sessões de treino de cada vez, antes que o disparate aconteça e surja o irremediável, aproveitando-se as pausas para os reparos necessários.
O nosso amigo Afonso, honra lhe seja feita, porque trabalhou para isso, já consegue andar coma Nasha em liberdade por toda a parte, apesar do reduzido número das suas primaveras, sendo causa de espanto e admiração para quem o observa a conduzir assim a Fila que lhe pertence.
Sábado contámos com a presença do Henrique, menino responsável e ajuizado que deu boa conta de si e soube conduzir com rigor a sua dócil Serra da estrela, espelhando um senso de responsabilidade louvável e incomum na sua idade. Na foto abaixo vemo-lo a correr com a sua cadela, empenhado em vencer o exercício que lhe foi distribuído.
Com tanta gente a passar na nossa frente e com o fumo das castanhas assadas no ar, também perante alguns curiosos, treinámos e reforçámos o “quieto” a diferentes distâncias para o usarmos êxito nas mais variadas situações e lugares. Em primeiro plano vemos o José Maria a atrair a atenção da CPA Mel e ao fundo a Svetlana a deitar o CPA Bohr.
Compenetrada no estava a fazer, a classe escolar quase que passou despercebida no meio da “Feira de Natal”, porque os cães mostraram-se bem enquadrados com os donos e estes sabiam ao que iam. E como nestas coisas há sempre uma excepção que confirma a regra, a Fila Lexa mostrou-se bastante incomodada ao andar por aquelas paragens.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Afonso/Nasha; Henrique/Serra; José António/Ben; José Maria/Mel, Svetlana/Bohr e Tomás/Lexa. A reportagem fotográfica esteve a cargo do Paulo Jorge e do José António e sentimos a falta do Jorge e do Soneca.
Voltaremos para a semana com outras actividades e desafios. Até lá, uma profícua semana de trabalho para todos – o País agradece.