segunda-feira, 11 de novembro de 2019

AS RESPOSTAS DE JULIA BLÜMER

Hoje, em matéria de informação, quem perde o fio à meada nunca mais o apanha e eu não me quero ver nessa situação. O T-Online, o maior portal de notícias da Alemanha, publicado e propriedade da empresa de media digital multicanal Ströer, com mais de 179 milhões de visitas por mês, decidiu entrevistar a psicóloga animal JULIA BLÜHER sobre o comportamento de cães agressivos, bem como receber dicas para evitar os seus ataques.
Perante a questão “Porque os cães atacam as pessoas, nomeadamente os seus donos?”, Blüher respondeu: “Os cães são animais de caça e cada um deles deve ser avaliado individualmente. Na maioria dos casos eles querem proteger a sua matilha – a família, o proprietário ou o seu território - podendo também defender-se quando maltratados. Se você cair de costas num ataque e deixar a sua garganta desprotegida, muitos cães podem mordê-la. Em suma, os cães raramente matam pessoas e o contrário acontece com mais frequência.”
“Existem cães agressivos por natureza?” Diante da questão Blüher disse: “A agressão nem sempre é agressiva e é também necessária no reino animal, por exemplo, para resolver conflitos com mais clareza e rapidez. Existem raças cuja irritabilidade racial é racialmente mais baixa. No entanto, todo o cão pode tornar-se numa arma através de mãos humanas e também é verdade que certas raças caninas são mais perigosas que outras por causa da sua potência de mordedura.
Esta psicóloga animal adianta 3 conselhos, caso alguém seja confrontado num passeio com um cão agressivo e solto: Evitar o contacto visual, não fazer movimentos bruscos e não irritar o animal. Se o seu próprio cão evidencia um comportamento agressivo, você deverá procurar ajuda profissional: "Pare imediatamente de fazer o que provoca o cão, não gaste muito tempo a fazer experiências com ele e peça ajuda a um bom psicólogo animal", disse ainda Blüher.
Quando questionada acerca de quando usar o açaime, Blüher adiantou: “ Um açaime é sempre útil quando importa proteger terceiros (pessoas e cães). Não obstante, os proprietários caninos devem prestar muita atenção a este método, porque antes de recorrerem ao açaime, deverão adestrar primeiro os seus cães, para que os animais não o vejam como algo desagradável e um castigo.
Diga-se em abono da verdade, que Blüher não nos trouxe nada de novo, tanto do ponto vista erudito como do prático. Ao invés, parece-nos alguém com pouca experiência que adquiriu conceitos politicamente bem aceites. Os cães não são só perigosos por poderem ser armas na mão dos humanos ou pela sua potência de mordedura – há cães que nascem perigosos, usando a terminologia de Blüher, “indivíduos cuja irritabilidade racial é racialmente mais alta”. Quando Blüher diz que o dono de um cão agressivo deverá procurar a ajuda de um bom psicólogo animal (guten Tierpsychologen), está a alvitrar a hipótese de haver bons e maus. E se assim é, parece-nos que ela pertence à segunda categoria, porquanto tem pouca experiência, é tenrinha, pouco fundamentada e carece de maior cautela.
Quem já passou pela Acendura sabe que ensinamos e praticamos tudo isto, ensino que estendemos a todos, independentemente do seu sexo ou idade, porque os cães procuram primeiro as presas que lhes garantam o maior sucesso nas capturas, escolhendo preferencialmente os mais pequenos, os fracos e os indefesos.

sábado, 9 de novembro de 2019

NÃO HÁ NADA TÃO PREJUDICIAL A QUEM TRABALHA DO QUE QUEM NADA FAZ!

Como não podíamos arranjar melhor introdução para este tema, agradecemos aos nossos leitores que cliquem em https://www.youtube.com/watch?v=_pElp6M8ec4. Agora, bem ambientados, passemos a um grotesco incidente ocorrido na Escócia. 
Para as pessoas cegas, o seu cão-guia é o companheiro mais importante, porque permite-lhes deslocar-se em segurança praticamente para toda a parte. Não obstante, alguns activistas dos direitos dos animais entendem o treino dos cães-guia como um abuso?! O escocês Jon Attenborough, de trinta anos de idade, nasceu com um olho cego e perdeu a visão no olho esquerdo há cinco anos devido a glaucoma. O seu Labrador Sam foi especialmente treinado para ser cão-guia e vive desde então com ele, sendo um companheiro constante e o seu melhor amigo.
Attenborough disse ao serviço de notícias escocês STV News que o Labrador melhorou substancialmente a sua qualidade de vida, apesar de haver quem não se agrade disso. Activistas dos direitos dos animais têm-no atacado porque não entendem a necessidade de um cão-guia. O último ataque verbal, que ocorreu num bar, incomodou particularmente Attenborough: "A minha amiga e eu estávamos ali, sem pensar em nada de mal, quando uma activista dos direitos dos animais disse de maneira bastante agressiva que éramos cruéis porque possuíamos cães-guia, que os cães não deveriam estar deitados no chão de um bar, mas a brincar no campo, apesar já ser uma hora da manhã."
Attenborough disse que este não foi o primeiro incidente em que foi acusado de abuso ao viajar com o Sam, mas que foi o mais agressivo: "Ela gritou na nossa cara e tivemos medo de que passasse a vias de facto, caso o marido não a levasse dali.” De acordo com Attenborough, os cães-guia são provavelmente os melhor cuidados, têm uma dieta adequada, acompanhamento médico-veterinário e fazem exames regulares de saúde. “Sam é o meu melhor amigo, vamos a todos os lados juntos, ele nunca está sozinho e está comigo 24 horas por dia, 7 dias por semana. Não entendo o que esses activistas querem.” Alguns activistas dos direitos animais acreditam que é errado criar cães-guias em vez de treiná-los em casa, uma vez que os animais jamais dariam o seu consentimento?! Sobre este assunto, o Especialista Tony Harvey, da Guide Dogs Scotland disse à STV News: “Do ponto de vista humano, nós chamamos a isto trabalho, mas para eles (cães) é na verdade um feito de aprendizado.”
Só nos falta ser obrigados a comemorar a subida ao poder dos ignorantes e papalvos, cujo subjectivismo tende a ser palavra de lei pela ditadura das minorias que engloba toda a casta de excepcionais.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

WORKSHOP SOBRE RECUSA DE ENGODOS EM GÉNOVA

Em Génova já não há muitos lugares disponíveis para participar num workshop gratuito sobre recusa de engodos. Numa cidade onde infelizmente têm acontecido várias mortes de cães por iscas, os proprietários caninos, nos dias 12 e 13 de Novembro, podem aprender como ensinar os seus cães a ser indiferentes aos engodos, mediante os ensinamentos de Ivan Schmidt e Virginia Ancona, treinadores de cães e especialistas em reabilitação comportamental reconhecidos internacionalmente.
O curso “Indiferença às Iscas” não garante que “o animal não tire nada do chão, mas oferece a possibilidade de aprender técnicas para melhorar a indiferença e a recusa- explicou Schmidt. A experiência e os testemunhos têm ensinado que, desde a segunda/terceira sessão de trabalho, a indiferença canina aumenta em média 75%. Os dois dias do curso acontecerão em Paveto. Se Génova fosse aqui ao lado, apesar de saber como operar a recusa de engodos, eu ia lá estar, esperançado em aprender algo de novo.

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: O IRMÃOZINHO

Os pais andavam contentes com a novidade e ansiosos por contá-la ao filho. Finalmente a mãe arranjou coragem e disse-lhe: “Meu filho, vou dar-te uma novidade, mas antes queria que me dissesses se gostavas mais de ter um mano ou uma mana?” O garotinho foi rápido na resposta: “Nem uma coisa nem outra, o que eu gostava mesmo era de ter um cachorrinho.”

VAMOS LÁ ANDAR COM A SALSA EM LIBERDADE!

A nossa amiga Salsa, a Cão de Gado Transmontano, já aprendeu a andar ao lado da sua dona e está a começar a acompanhá-la para todo o lado. Quando os cães chegam a este nível, outro começa para os seus donos, que livres da trela, terão que aprender a comunicar com os cães de modo eficaz sem o subsídio do utensílio. Se até à condução em liberdade é o cão quem mais aprende, depois dela começa a instrução mais incisiva do dono.
Quando os nosso cães começam a dar os primeiros passos na condução em liberdade, para que os seus condutores aprendam a importância da sua postura (impacto visual) no rendimento dos cães, convidamo-los para um conjunto de exercícios em que colocam as mãos atrás das costas e na nuca, o que também serve para reforçar os comandos verbais sem a ajuda da trela. Quem tem um menino de colo pode também usá-lo para o mesmo propósito.
Sempre temos dito e não nos cansamos de repetir, que o “junto” é “ombro direito do cão, joelho esquerdo do dono” e que o binómio evoluiu alinhado quando o cão alinha a sua pata da frente pelo pé projectado do seu dono. Para que melhor entendimento do que acabámos de dizer, vale a pena observar a foto seguinte.
Quando se conduz um cão com um miúdo ao colo e não convém acordar a criança, a linguagem gestual terá que socorrer a verbal, substituindo o seu volume pela cumplicidade nas acções. Seja em que circunstância for, os cães não ouvem ou obedecem melhor se lhes berrarmos aos ouvidos (o mais comum é suceder o contrário).
Na eventualidade de transportarmos uma criança ao colo, o cão deverá evoluir com a cabeça para a frente e não virada para o seu condutor, porque doutro modo, com a visibilidade reduzida e atento à criança, o condutor pode tropeçar e estatelar-se no chão, levando consigo a sua preciosa carga.
Não é preciso ser muito perspicaz ou entender muito de cães para se perceber o método por detrás dos exercícios solicitados a um cão, isto se entendermos a linguagem mímica dos cães, visível na suas expressões faciais e na linguagem da sua cauda. Ao olharmos para a cauda da Salsa, pergunta-se: que método de ensino lhe foi aplicado? Expressará ela alegria e confiança ou insegurança e medo? Os cães sempre falam e só os cegos não conseguem ouvi-los!
A condução dos cães em liberdade é um verdadeiro “kit de mãos livres”, porque possibilita o transporte dos mais variados utensílios aos condutores. Se tivermos o cuidado de irmos repetindo o nome dos objectos que transportamos para os cães, daí a pouco tempo, eles saberão diferenciá-los e começarão a transportá-los para nós.
Por vezes um olhar vale mais do que mil palavras. Na foto abaixo é possível observar o carinho que a dona dispensa à cadela, através de uma mirada plena de ternura, como que a dizer: “Salsa, não estás sozinha, eu estarei sempre contigo!”
E quando assim se trabalha, os cães instam em ficar ao lado dos donos e não fogem para o canil, preferindo ficar às portas de casa, prontos para novas jornadas e sempre disponíveis para os desafios que terão pela frente, somente porque se sentem amados e seguros.
Para a semana voltaremos a estar com a Salsa e estamos perfeitamente convencidos que ela irá de fazer tudo para nos agradar, porque se ela é grande, o seu coração não é menor!

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
3º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUÍÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
4º _ CHINESICES OU TALVEZ NÃO, editado em 12/06/2017
5º _ AO ENTARDECER COM O VENTO SUÃO, editado em 28/05/2016
6º _ UM DINGO VINDO DO CÉU, editado em 05/11/2019
7º _ ELA NÃO SERÁ ESQUECIDA!, editado em 07/11/2019
8º _ A OPÇÃO BELGA NOS PASTORES HOLANDESES, editado em 25/09/2016
9º _ MEDO DO FOGO-DE-ARTIFÍCIO? NÃO, OBRIGADO!, editado em 05/11/2019
10º _ MALVENTO EM BENEVENTO, editado em o3/11/2019

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia, 4º Região Desconhecida, 5º Estados Unidos, 6º Reino Unido, 7º Ucrânia, 8º Alemanha, 9º Egipto e 10º Irlanda.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A SÍNDROME DO CÃO PRETO

A SÍNDROME DO CÃO PRETO ou SÍNDROME DO GRANDE CÃO PRETO é um fenómeno no qual os cães pretos são desprezados na adopção em favor dos outros cor mais clara.  Os abrigos de animais nos países de língua inglesa costumam usar o termo BBD, ou cão preto grande, para descrever o tipo de raça mista maior, de cor escura, que costuma ser ignorada pelos adoptantes. Vários abrigos de animais no Estado de Wyoming, nos Estados Unidos, apostados em levar de vencida esta síndrome, comemoraram no 1º dia do mês passado, dia 1 de Outubro, o DIA NACIONAL DO CÃO PRETO, estabelecido para consciencializar as pessoas acerca das dificuldades que os cães negros enfrentam na hora de serem adoptados.
“Todos sabemos que os cães pretos são frequentemente esquecidos nos abrigos, em particular os grandes doggos”, diz o BLACK DOG ANIMAL SHELTER de Cheyenne. Com a criação do Dia Nacional do Cão Preto, as pessoas são incentivadas a considerar a adopção de cães negros nesse feriado, já que eles são menos propensos a serem adoptados unicamente por causa da sua côr, segundo diz o NATIONAL DAY CALENDAR. Independentemente do comportamento, tamanho, criação, carácter ou idade, o fenómeno persiste. O Black Dog Animal Shelter disse na ocasião que as pessoas poderiam comemorar o dia dando aos cães pretos algum amor: “Hoje dê um abraço ao seu cão negro por nós e um beijo, muitos beijos para os cães pretos.”
A experiência que temos com cães negros veio-nos da criação, treino e coabitação com Pastores Alemães negros, animais asseados por natureza e com um odor muito menos intenso que os seus congéneres de outras cores, mais-valias que não são específicas da raça e que se estendem às demais que têm cães negros. Os cães negros tendencialmente atingem as maturidades mais cedo e prontamente assumem os serviços deles esperados. Para nós, adeptos de cães de trabalho, maldição é não ter um cão desta côr às nossas ordens, nem que seja por breves momentos.

"PEÇO A DEUS QUE ELE RENASÇA COMO MEU FILHO NA PRÓXIMA REENCARNAÇÃO"

Em Mundamuhan, na Índia, Som, de 3 anos e Prachi de 6, ambos netos do Sr. Samantray, brincavam na entrada da casa quando uma cobra de dois metros veio na sua direcção. Assustado, Prachi segurou o irmãozinho e começou de imediato a chorar. O cachorro Rottweiler da família, ao ver as crianças em perigo, lançou-se sobre a cobra e matou-a. Infelizmente aquele réptil mordeu-lhe duas vezes e o valente cachorro ficou gravemente ferido. Levado à pressa para um clínica veterinária, viria a morrer alguns momentos depois. A esposa do Sr. Samantray disse acerca da acção do animal ao Daily Star: “Jamais esquecerei o maior sacrifício de Laden (assim se chamava o cão) pela minha família. Peço a Deus que ele renasça como meu filho na próxima reencarnação.” Querê-lo-á como filho pela valentia ou pelo amor à família? Só ela saberá. Certo é que ficou profundamente agradecida ao animal e o caso não é para menos. Somados os prós e os contras, não me inibo de o dizer, são muito mais as vidas que os Rottweilers têm poupado do que aquelas que têm ceifado – um dia há-de fazer-se justiça a este nobre, valente e excelente companheiro, que não quer ser filho de ninguém, preferindo apenas estar ao nosso lado.

NEM A CAVALO ESTAMOS SEGUROS!

Em Imst, cidade do Estado Federal Austríaco do Tirol, situada no Rio Inn, a cerca de 50 quilómetros de Innsbruck, na passada Segunda-feira, dois Pitbulls atacaram e feriram um cavalo e o seu cavaleiro. O dono dos cães já é reincidente neste tipo de episódios depois doutro que provocou na Primavera. O cavaleiro estava a viajar entre Imst e Tarrenz quando a sua montada foi atacada pelos cães.
Os Pitbulls morderam o cavalo três vezes antes de serem controlados pelo seu dono, sendo depois açaimados por ele. Quando o cavalo acusou os golpes e vacilou, o cavaleiro caiu dele e contraiu contusões. O cavalo fugiu para o estábulo mais próximo e o cavaleiro foi conduzido ao hospital de Zams. O dono dos cães, um rapazola de 23 anos de idade, acabou identificado. Porque será que certa gente nutre uma especial predilecção por Pitbulls, será para fazer bem ao próximo ou para dar azo aos seus pesadelos incontidos? Os jovens precisam de mudar o mundo, não de acabar com ele à dentada!

ELA NÃO SERÁ ESQUECIDA!

Quão doce é saber que existem cães treinados para proteger a biodiversidade e as espécies ameaçadas, uma lufada de ar fresco face aos disparates perpetrados por alguns cães urbanos, que não tendo mais nada que fazer, depois de adorados, ainda são capazes de atacar os seus donos ou o seu agregado familiar, poluindo também constante e irreversivelmente as nossas calçadas com as bostas que ninguém deseja. Os cães foram escolhidos e domesticados para servir, interacção que originalmente não pressupunha a sua adoração ou o desenvolvimento de um número infindo de taras. Deixemo-nos de rodeios, de acordo com as suas características e propensão, os cães nasceram para trabalhar, foram obra de quem precisava deles e só assim serão felizes. A prová-lo este o facto de inventarem serviço quando não lhes dão nada que fazer, antes de serem alcançados pela apatia e letargia, quando se transformam em passarinhos de quatro patas sem pio pendurados às janelas, indiferentes às moscas que os apoquentam – que triste forma de vida!
Não foi assim que aconteceu com a TULA, uma cadela da raça CANE DA PASTORE MAREMMANO-ABRUZZESE, vulgo Pastor de Maremma, que ao longo de 8 anos, junto com a sua irmã EUDY, tem guardado pinguins reprodutores na MIDDLE ISLAND, perto de Warrnambool, no sudoeste de Victoria, na Austrália, missão que assumiu a partir dos dois anos de idade.
As duas irmãs serviram de inspiração para o filme Oddball de 2015, que conta a história de um cão Pastor de Maremma treinado para proteger um santuário de pinguins dos ataques de raposas (as raposas, que não são nativas, chegaram à Ilha no início deste Milénio, quando o mar baixo e o acúmulo de areia criaram uma passagem entre o Continente e a Ilha). “Depois de 8 anos a proteger a Middle Island, a Tula agora a aposentar-se das suas funções”, segundo fez saber alguém do PROJECTO MAREMMA PENGUIN em Middle Island no Facebook.
"Ela, juntamente com sua irmã Eudy, são os verdadeiros heróis do projecto e sem elas o projecto não teria sido tão bem-sucedido. Queremos agradecer muito a Tula pelos seus incansáveis esforços". O projecto foi criado em 2006, quando o tamanho da colónia de pequenos pinguins diminuiu drasticamente na Ilha. Graças à predação das raposas, havia menos de 10 pinguins na colónia. Os Maremmas - que são tradicionalmente criados para proteger rebanhos de ovelhas e, mais recentemente, galinhas, foram colocadas na ilha para proteger os pinguins durante a época de reprodução. A experiência foi pioneira no mundo e tem feito maravilhas em prol da  população de pinguins desde então, com 182 pequenos pinguins registados na colónia em 2017.
A Tula, que até agora tem sido o principal cão guardião, não desistirá completamente de suas funções de proteção, porque os Maremmas são cães de trabalho e, como tal, não gostam de ficar sem fazer nada. Depois de deixar Middle Island, esta cadela veterana, agora a braços com alguma artrite, vai para uma fazenda onde pode proteger galinhas, além de ajudar a treinar os cães guardiões mais jovens. Eudy, por outro lado, continuará a trabalhar na ilha por mais uma temporada. Oddball, o cachorro que serviu de personagem no filme, morreu tristemente em 2015. Embora seja internacionalmente o mais conhecido, o Oddball passou apenas duas semanas em Middle Island a proteger pinguins. O seu curto período de trabalho provou que os cães podem ser usados para proteger os pássaros que não voam, e essas duas semanas levaram ao projeto que ainda hoje está em operação. Ninguém imaginaria, atendendo à distância, que os Maremmas chegariam tão longe, já que os seus créditos nunca foram postos em causa.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

APANHAR FEZES EM NOME DA CIÊNCIA

Um grupo de pesquisadores pede aos visitantes do Parque Nacional do Pacífico que recolham fezes de lobo para identificar, através das mudanças da dieta, a sua consanguinidade e excursões territoriais. O Parque Nacional do Pacífico, localizado na Columbia Britânica é uma das jóias naturais do Canadá. Com 511 Km2 de área, ele alberga várias espécies animais e os lobos são uma delas. Um grupo de pesquisadores lançou um projecto para entender melhor os hábitos destes carnívoros e reduzir os riscos de interacção com seres humanos, pedindo a colaboração dos visitantes do parque numa tarefa específica. O projecto, chamado Wild About Wolves, começou em 2018 e terminará em 2023 e é da responsabilidade de biólogos e veterinários da Agência Canadiana de Parques Nacionais.
Entre as várias acções que está a levar a cabo destacam-se as fotos dos excrementos de lobo e a contínua comunicação com os povos indígenas ao redor do parque, com o objectivo de anotar os seus encontros com estes canídeos selvagens. O projecto também inclui a análise de excrementos de lobo. No entanto, devido à vasta extensão do parque, os pesquisadores solicitam apoio para a colecta dessas fezes àqueles que gostam de acampar ou fazer caminhadas na área. Para esse fim, o Wild About Wolves iniciou uma campanha em Outubro nas redes sociais para solicitar a colaboração dos visitantes do parque. "Você está interessado em ciências naturais, lobos e coexistência?" - mencionava a mensagem. “Estamos à procura de voluntários para recolher excrementos cientificamente nos próximos 12 meses. Fornecemos material e aconselhamento ”, adiantavam os responsáveis pelo projecto, adicionando um número de telefone e um endereço de email ao corpo da mensagem.
As análises laboratoriais permitirão obter mais informações sobre a alimentação desses lobos, o grau de consanguinidade entre as diferentes alcateias e a sua deslocação no campo. O primeiro estágio é treinar voluntários para reconhecer as fezes da espécie e pesquisar os locais mais prováveis onde poderão ser encontradas. Além de urina e pêlo, os lobos também usam as suas fezes para marcar território. As pessoas que participarem desta iniciativa deverão tomar nota da localização dos excrementos graças ao uso de geolocalizadores. Todd Windle, chefe do projecto Wild About Wolves, disse ao portal Westerly News que os voluntários provavelmente encontrarão matéria fecal apenas uma ou duas vezes por mês, mas que somarão experiência para fazer mais descobertas ao longo do tempo.
Windle disse também que a colecta de fezes de lobo é menos malcheirosa que a dos cães domésticos: "O excremento de um carnívoro selvagem é na verdade menos fedorento e menos desagradável do que aquele que resulta da comida processada para cães", disse ele. Segundo cálculos das autoridades provinciais, o número de lobos na Colúmbia Britânica permanece estável desde a década de 1970 (cerca de 8.500 exemplares). Porém, um programa autoriza a sua caça em determinadas áreas desde 2015, com o intuito de proteger o Caribu. Diferentes organizações criticaram a iniciativa, adiantando que é possível cuidar melhor deste cervo recorrendo a outros métodos.

A SALSA CONTINUA A “VOAR” E A VIR QUANDO A CHAMAM

A Salsa, a Cão de Gado Transmontano com quem dividimos as nossa manhãs, está agora a treinar o “aqui” a grande distância, apesar de não se agradar ainda disso, por se sentir sozinha e desconfortável ao ver a dona afastar-se, problema que o treino aturado e a recompensa pelo acerto resolverão. Entretanto, porque se trata de um animal jovem, vamos intercalando a obediência com exercícios de ginástica, tirando partido do que temos à disposição.
Durante a aula de hoje fomos alternando os momentos de condução à trela com alguns de condução em liberdade. Esta cadela gigante respondeu afirmativamente a ambos, e se melhor não fez, tal ficou a dever-se à ausência de experiência e à distracção da sua condutora, com a qual mantém hoje profícua amizade e cumplicidade, emoções visíveis na mímica da sua cauda, oscilante e embandeirada. Sexta-feira voltaremos a encontrar-nos.

EX-JAGDKOMMANDO POSTO NA RUA COM CÃES E TUDO

Ao tomar conhecimento desta notícia lembrei-me imediatamente de um homenzinho gorducho, a lembrar o “Weihnachtsmann” e a viver no Sul do Brasil, outrora amigo do copo, como o seu pai já havia sido, e ávido pelo poder, que de costas para o púlpito e num raro momento pedagógico, disse-me: “Os homens só caem por apego ao poder, pela ganância do dinheiro e por amor às mulheres.” Este septuagenário senhor (será octogenário?) caiu pela primeira razão que apontou e o Jagdkommando austríaco de que vamos falar pela última, ao dizer que “a sua ex-esposa se aproveitou dele e que ele foi suficientemente estúpido para deixar que isso acontecesse.”
O Jagdkommando é um grupo de tropas de Operações Especiais austríaco, aperfilhado inicialmente pelos Rangers norte-americanos, que tem como missão desenvolver Operações Aerotransportadas, operar o Reconhecimento Especial, evoluir em cenários de Guerra Não Convencional, operar o Contra-terrorismo e proceder ao Resgate de Reféns. Os soldados desta unidade são profissionais altamente treinados, cujo treino completo e rigoroso permite-lhes assumir tarefas ou situações que superam as capacidades e a especialização das unidades convencionais. A sede desta unidade encontra-se em Wiener Neustadt e o seu lema é “Numquam Retro” (nunca recuar/retroceder). O ex Jagdkommando de que vamos falar, agora com 50 anos, é apenas identificado pela imprensa de língua alemã como Thomas R., o que se compreende.
O nosso Thomas R., ontem à tarde, mercê de dívidas contraídas, por decisão do Tribunal de St. Pölten, viu a sua casa em Gemeinlebarn, de 73 m2 com jardim, ir a hasta pública. O lance mínimo foi de 55.000 € (o valor das dívidas  junto com o das despesas judiciais) e a casa acabou por ser vendida por 120.000€. Foi dada a possibilidade ao ex-soldado do Jagdkommando de morar naquela habitação até à próxima Primavera, altura em que será obrigado a abandoná-la, levando consigo a sua esposa actual com 70% de invalidez e quatro cães. Dessa altura em diante, segundo disse, irá viver com a sua família para uma caravana num acampamento próximo. Ao ver a sua casa leiloada, o pára-quedista viu-se dominado por pensamentos suicidas, mas ao pensar na esposa e nos seus cães, todos necessitados dele, abandonou tais ideias. O que ele mais deseja e precisa é de encontrar um emprego, o que não é nada fácil para quem está prestes a fazer 51 anos de idade (velho demais para trabalhar e novo de mais para ser reformado).
É bem possível que este ex-soldado tenha sido um militar brioso e excepcional, predicados que podem ou não valer para as “guerras da vida”, onde não há superiores hierárquicos a olhar por subordinados e as adversidades não podem ser vencidas a tiro ou à facada. Desejamos a melhor sorte para o Thomas, para a esposa e para os quatro cães. Apesar da desgraça que se abateu sobre o homem, de uma coisa podemos estar certos – continuará a ser o herói dos seus cães!

نهم از ایران / 9 DO IRÃO

Os iranianos, muito embora o termo “iraniano” englobe 15 etnias no mínimo(1), andam há séculos em guerra com os cães, demasiado tempo a desaproveitar a amizade e o proveito de uma espécie animal que veio para servir. Exceptuando o galgo, que pode até dormir na tenda do seu dono quando ambos vão caçar na companhia da águia, todos os cães são considerados impuros e prejudiciais aos crentes do Islão, sendo por isso objecto de reprovação e de acérrima perseguição. Por tudo isto, não é nada fácil viver no Irão e ter um animal de estimação, mormente um cão. Ontem, inesperadamente e pela primeira vez, tivemos 9 leitores iranianos, gabamos-lhes a coragem e esperamos que continuem a visitar-nos.
Lamenta-se também que o Ocidente e o Irão estejam geralmente de costas viradas um para o outro, que a desconfiança mútua ainda não tenha dado lugar a uma cooperação sincera entre estes dois mundos totalmente díspares, mas igualmente importantes para a salvaguarda do planeta e para o bem-estar, fraternidade e paz da humanidade. As gerações vindouras terão um duro trabalho pela frente para alcançarem a paz entre aqueles que temos antagonizado, apesar de não lhes restar outra opção, atendendo ao mau estado em que o nosso mundo se encontra. Apostada em construir pontes e a viver o futuro já hoje, a Acendura Brava chama de bem-vindos todos quantos a procurarem, venham lá donde vierem!
(1)No território iraniano são reconhecidos numerosos grupos étnicos distintos, sendo os principais: os Persas ou Parsi; os Azeris; Assírios; Circassianos; Gilakis e Mazandaranis; Curdos; Pachtuns; Baluchis; Lurs; Turcomanos; Bakhtiaris; Ghashghais; Árabes; Arménios; Turcos; Judeus e Ciganos.