segunda-feira, 5 de agosto de 2019

MODO SINGULAR DE LIDAR COM A TRAIÇÃO

Uma enfermeira de 38 anos, a trabalhar na Cidade do Cabo, na África do Sul, foi presa na passada Sexta-feira e levada no mesmo dia a tribunal, por supostamente ter postado um vídeo nas redes sociais onde aparecia a obrigar outra mulher a comer as fezes do seu cão. Elizabeth Williams, assim se chama a arguida, de Elsies River, permanecerá sob custódia policial até ao final desta semana, altura em que irá comparecer diante do Tribunal de Magistratura de Goodwood, segundo informa o Daily Voice.
Os sul-africanos reagiram com grande indignação à publicação daquele vídeo com 4 minutos de duração, onde Williams supostamente força outra mulher a comer as fezes do seu cão, como punição por esta se haver deitado com o seu marido. A executora aparece no vídeo a falar afrikkans, dizendo para a outra que coma as fezes do cão, que coma e não fale, porque doutro modo vai apanhar. Quando a mulher sentada relutantemente dá a primeira dentada, Williams diz-lhe que é assim que deve ser e quando a desgraçada começa a vomitar, avisa-a que a sua casa se encontra limpa. A mulher continua sentada faz mais barulho, prende a garganta e parece engasgada. A enfermeira diz-lhe para engolir e que pode escolher o modo de o fazer: se suavemente, de modo firme, a escorrer pela boca abaixo ou doutra maneira qualquer.
No final do vídeo a enfermeira fala para a camera e informa do marido do que fez àquela mulher. A vítima, de 27 anos, acusou-a judicialmente de agressão, danos corporais graves, intimidação e crime na semana passada. A Comissão de Direitos Humanos da África do Sul diz que já está a investigar o incidente. A porta-voz do Tybergerg Hospital disse à News24 que Williams já trabalha ali há 4 anos e que ainda não foi suspensa ou colocada em licença compulsiva porque a investigação interna ainda está por concluir.
Este é sem dúvida um modo singular de lidar com a traição e uma aplicação inesperada das fezes caninas! A África do Sul ainda tem muito para andar.  

O LONGÍNQUO ORIENTE CHEGOU EM FORÇA

Ontem o nosso blogue foi visitado por 30 indonésios, número pouco comum para leitores daquelas paragens. Não sabemos ao certo quais os artigos que mereceram o seu interesse. Hoje fomos visitados por mais de 70 japoneses (o número não pára de aumentar) e sabemos claramente qual o artigo que mereceu o seu interesse: “NÃO HÁ BELA SEM SENÃO: A CAPNOCYTOPHAGA CANIMORSUS”, editado em 01/12/2017.
Resta-nos acusar as visitas, agradecê-las e desejar que se multipliquem, porque somos um espaço aberto de intercâmbio dedicado aos cães e aos seus apaixonados, apostados numa informação independente e sempre prontos a divulgar os motivos, as lições e os resultados que adquirimos com a nossa experiência, nesta já longa caminhada binomial, muito mais gratificante do que cansativa. Sejam bem-vindos!

NÃO LHE DEVERIAM TER PEDIDO O CERTIFICADO DE VACINAÇÃO ANTI-RÁBICA?

Na França, na cidade de Montpellier e no Bairro de Petit-Bard, aglomerado habitacional maioritariamente árabe-muçulmano, a polícia viu-se obrigada a prender um homem na noite do passado Sábado, que se apresentava muito agitado e manifestamente bêbado. Este indivíduo, de 35 anos de idade, acabara de bater num cão e de jogá-lo do 3º andar do seu prédio abaixo, tentando depois escapar-se pelas varandas do imóvel, hipoteticamente por ter sido mordido pelo cão, que miraculosamente se salvou.
Depois de preso, o homem recusou-se a fazer o teste da alcoolemia e no seu lugar pregou uma valente dentada na coxa de um dos polícias, que ficou com um dia de incapacidade total para o trabalho. Colocado sob custódia, ele irá ser presente hoje a tribunal, acusado de actos de crueldade contra um animal, rebelião e ultraje e violência contra agentes de autoridade. Também a SPA local, SPA Montpellier Méditerranée Métropole, o equivalente à nossa Sociedade Protectora dos Animais, vai mover-lhe um processo, por ter conhecimento do crime e ter sido ela a tratar e a recuperar o desafortunado cão.
Por prevenção e protocolo é comum nestes casos, nos de mordedura por animais, injectar nas vítimas um soro antitetânico e pedir o certificado de vacinação anti-rábica do cão agressor. Apesar do cão aqui ser outro, atendendo à estupidez do ataque, deveria ter-lhe sido exigido a apresentação de um certificado idêntico. Ter um vizinho muçulmano não significa que o nosso cão venha a correr risco de vida, mas viver com ele num gueto muçulmano é esperar somente o inevitável, porque os cães na boca dos radicais islâmicos são animais impuros que corrompem e emporcalham os fiéis. Deseja-se que o policia mordido não venha a sofrer futuramente de algumas destas pancas, em abono de si próprio, da força que serve e da sociedade que o reclama.

NINGUÉM QUER OS DESGRAÇADOS

De acordo com o relatório revelado pelo canal alemão de televisão ARD no seu programa “REPORT MÜNCHEN”, revista televisiva sobre eventos políticos, que teve com parceiros de investigação o GUARDIAN britânico e o centro de busca CORRECTIV, com base em centenas de documentos internos da FRONTEX, agência europeia que visa prestar assistência aos países da UE na correcta aplicação das normas comunitárias em matéria de controlos nas fronteiras externas e do reenvio de imigrantes ilegais para os seus países de origem, com sede em Varsóvia, na Polónia, membros desta autoridade, devidamente fardados, infligiram maus-tratos a refugiados, promoveram-lhes caçadas com cães e não hesitaram em atacá-los com sprays de gás pimenta, agressões também perpetradas por guardas fronteiriços na Bulgária, Hungria e Grécia, numa clara violação dos Direitos Humanos. Segundo o mesmo relatório agora tornado público, a Frontex não implementou quaisquer medidas contra estes abusos.
Por conta desta inacção, que a muitos choca, há quem acuse a Frontex de conivência e cumplicidade. Outro relatório a que os jornalistas tiveram acesso faz saber que, nos voos de deportação, os menores foram embarcados desacompanhados e que os refugiados foram sedados. Comportamentos destes levaram Andreas Potakis, Comissário dos Direitos Humanos condenou o ocorrido, lamentando estes padrões de comportamento no seio da autoridade fronteiriça europeia. Como é do conhecimento público não existe na prática um consenso relativo às políticas de emigração da UE, uma vez que diversos estados-membros optam por diferentes estratégias.
O comportamento abusivo de alguns países europeus em relação à emigração lembra, e em alguns casos é idêntico, às políticas fronteiriças do Sr. Trump, tão condenadas aqui na Europa, mas igualmente praticadas, porque ninguém quer os desgraçados - teme-se pela miséria! Diante da situação actual, vivemos numa guerra global e aberta entre ricos e pobres, com uns a defenderem a sua riqueza e outros a querê-la também para si, peleja em tudo igual à verificada entre os cães, que não gostam de repartir os seus repastos, mesmo que não tenham fome.
Portugal sempre oferece os seus bons ofícios aos imigrantes que chegam à Europa e nisto é incorrigível, mas porque será que depois de cá chegarem, logo se escapam para outros países europeus mais prósperos, apesar de receberem aqui melhores apoios que muitos nacionais, gente há muito acostumada a esconder a sua própria miséria? Deseja-se que seja encontrada uma solução para esta guerra, que faça regressar os cães às suas boxes e que reduza a zero o número de vítimas.

UM TEM NOME DE PINTOR, MAS É O OUTRO QUE PINTA A MANTA!

Os cachorrinhos cinzentos CPA da Carla têm agora pouco mais de 4 meses, já trocaram os dentes, pesam mais de 21 kg e recomendam-se, mostrando-se atentos a tudo o que se passa ao redor da casa dos donos e ladrando sem excepção a quem se aproxima dela, comportamento tipo já esperado. Um chama-se MONET (na foto acima), quiçá em homenagem ao pintor francês Oscar-Claude Monet (1840-1926), considerado o mais célebre dos pintores impressionistas. Este cachorro é o mais sociável e encontra-se na “fase do coelho”, caracterizada pela desproporção do tamanho das orelhas em relação ao da cabeça, o que é mais comum de acontecer nas fêmeas e nos machos que virão a ter crânios mais estreitos. Quanto ao SILVER (na foto seguinte), que não tem nome de pintor, mas que não o inibe de “pintar a manta”, porque se mostra implacável diante de estranhos independentemente da hora do dia ou da noite em que se apresentem, o nome veio-lhe da transformação de “Silva”, nome que lhe foi posto pelo Benjamim da casa - o Lourenço, para “Silver”, numa clara alusão à sua pelagem cinzenta. Este cachorro já ultrapassou a “fase do coelho” e já transitou para a de caçador (basta apreciar a atenção presente na sua expressão facial).
Resta-nos elogiar a Família Leitão pelo cuidado dispensado aos seus cães, particularmente a Carla, uma matriarca como poucas, que apesar dos seus múltiplos afazeres com o trabalho, a casa, os seus 3 filhos e mais 4 cães, ainda consegue arranjar tempo para se dedicar a estes cachorros, que graças ao apoio recebido, mostram-se bem-integrados, confiantes e felizes.

domingo, 4 de agosto de 2019

REPÔR A ORDEM, MAIS DO MESMO E GUEST STAR

Ontem dedicámos a instrução à recapitulação e ao aprimoramento dos exercícios anteriormente adiantados. Devido à repetida inimizade entre as cadelas Mel e Lexa, que se ficou a dever à impropriedade dos seus líderes, o adestrador viu-se obrigado a manter a ordem na classe e a reatar a harmonia entre as beligerantes (foto acima). Como seria de esperar e face às circunstâncias, acabámos por recorrer às manobras de sociabilização animal conforme atesta a foto seguinte.
Com a chegada das Fila de S. Miguel Lexa e Nasha, o macho da mesma raça, Ben, transitou de ícone forçado da paisagem alentejana para uma escola de boas maneiras, onde teve com padrinho o nosso amigo e aluno José António.
Como o calor que se fazia sentia era muito, os condutores mais frágeis e menos adaptados viram-se obrigados a abandonar os trabalhos e a procurar uma sombra, o que se compreende em circunstâncias deste género.
Enquanto a classe descansava, o binómio Jorge/soneca continuava a trabalhar. Acabámos por surpreende-lo no aprimoramento do “para trás”, comando direccional não natural de difícil execução. Cão e homem fundiram-se numa só vontade e desejo.
Transitaram deste trabalho para a “Imobilização à linha”, jogo que rotineiramente ensinamos como reforço da obediência e também a pensar na salvaguarda dos cães, quando urge que a sua imobilização aconteça de modo automático e pronto.
A pedido do seu condutor, o Adestrador introduziu a cadela CPA Mel neste jogo próprio para cães mais adiantados no ensino. Como se calcula, apesar da experiência ter sido prometedora, a cadelinha irá necessitar de três coisas: recompensa, cumplicidade e treino aturado.
Com o Labrador Soneca (a estrela da companhia) a levar de vencida o “cruza”, o Jorge convidou-o mais uma vez para o “oito”, movimento que o cão executa à volta das pernas do seu condutor. Apesar do calor não permitir muita insistência, o binómio conseguiu atingir os seus intentos.
Constituiu-se para nós num ponto de honra fazer do Labrador Soneca um guardião, tarefa que muitos julgavam e julgam impossível, por via da extraordinária docilidade presente na raça, tendencialmente mais indicada para fazer amigos do que para expulsar inimigos. Com o figurante na sua frente, o pequeno Labrador de 8 meses, mostrou-se decidido e pronto para capturá-lo.
Esta semana, por ocasião das aulas nocturnas, o Soneca tem sido sujeito à melhoria da sua capacidade de impulsão, trabalho que agora está a dar frutos e que o faz atacar cada vez mais alto e em suspensão.
Quando se agarra à manga não a larga, mesmo que o suspendam ou derrotem, mostrando idêntico interesse no figurante, quer ele carregue consigo a manga ou não.
Nesta jornada de capacitação do Soneca torna-se importante aumentar, gradualmente, o tamanho e o peso dos figurantes, para que futuramente não seja surpreendido e de algum modo se atemorize.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Afonso/Nasha; João/Lexa; Jorge/Soneca; José António/Ben; José Maria/Mel; Jessy/Blaze e Svetlana/Lexa. Os fotografias foram da responsabilidade do José António e do Paulo Jorge. O Aníbal e o Max encontram-se a banhos. Espera-se que o pequeno Max, um cruzado de Teckel, não tenha ido com a maré. Os cachorros CPA da cinzentos da Carla, agora com 4 meses de idade, já ultrapassaram os 21 kg, segundo nos informou. Tomás Mendonça encontra-se neste momento em Nova Iorque, onde está a gozar umas férias inesquecíveis.
Boa semana para todos os nossos leitores e amigos, quer estejam de férias ou não, a quem alertamos para os perigos que o Verão pode trazer para os seus cães. Voltaremos a encontrar-vos com novos desafios e narrativas, de acordo com o amor que nutrimos pelos cães.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

PIADA PARA O FIM-DE-SEMANA: A OVELHA MENTIROSA

Um cowboy, ao sair duma cidade, encontra um índio junto à sua tenda com um cão ao lado. Encantado com o animal, pergunta ao índio se pode falar com o cão, ao que este lhe responde: “cão não falar”. O cowboy insiste, vira-se para o cão, pergunta-lhe como vai a vida e o cão responde que vai bem, o que deixa o índio estupefacto. O cowboy continua e pergunta-lhe se aquele índio era o seu dono e se o tratava bem, ao que o cão disse que sim, que o levava a passear duas vezes por dia, dava-lhe comida boa e levava-o até ao lago uma vez por semana para brincar. Com o índio cada vez mais incrédulo e baralhado, o cowboy pergunta-lhe se pode falar com o cavalo dele e o índio responde que o cavalo não fala. Apesar da má resposta, o cowboy pergunta para o cavalo se está bem, se o índio é o seu dono e se o trata bem. O cavalo responde-lhe que está óptimo, confirma que o índio é o seu dono e que o trata muito bem, que o escova regularmente, livra-o dos parasitas e que até lhe construiu um estábulo para não ficar à chuva e ao frio. Em seguida, o cowboy pergunta para o índio se pode falar com a ovelha dele. O índio balbuciando, responde apressadamente: Ovelha mentir!

COISAS DE CONTAE na GAILLIMHE

Eu tenho um profundo respeito e admiração pelos celtas, dos quais descendo vagamente, mas compreendo pouco a pouco como foi fácil para os germanos varrê-los dos seus territórios antes da nossa Era e nos seus alvores. Através do INDEPENDENT.IE online fiquei a saber da morte de uma sexagenária pelos cães do seu filho, 3 PRESAS CANÁRIOS, no Condado de Galway (CONTAE na GAILLIMHE em irlandês), acontecida há dois anos atrás, na tarde de 4 de junho de 2017 e só agora com pronunciamento legal. A Sr.ª Teresa McDonagh, de 64 anos, telefonou para o seu filho Martin a avisar que iria visitar os seus netos e assim fez. Ao aproximar-se da casa deste, em Knockarasser, perto de Moycullen, foi atacada pelos Presa Canários dele, que na altura se encontravam soltos na frente da habitação. A pobre senhora, que ainda foi alvo de ressuscitação cardiopulmonar por parte da nora, viria a morrer em consequência dos graves ferimentos infligidos pelos cães, que devido à sua severidade, assustaram tanto a equipa médica como a polícia que acorreu ao local.
Quando inquirida acerca dos acontecimentos daquele trágico dia, Sheryl McDonagh, a nora da vítima, disse tê-la encontrado de cabeça para baixo e que foi ela a dar o alarme, ao telefonar para o marido que se encontrava a caminho de Adare, no Condado de Limerick. O que a levou a procurar pela sogra foi ter reparado que os seus 3 cães encontravam-se com as patas ensanguentadas. Depois de os prender num barracão correu para a sogra e administrou-lhe respiração cardiopulmonar. No seguimento do inquérito, Sheryl confirmou que ela e o seu marido já tinham tido um Rottweiler e um Pastor Alemão sem qualquer problema, mas que tanto eles como os actuais nunca foram acorrentados. “Só agora é que eu percebo como eles são perigosos”, disse ela (diante duma afirmação destas, ou quer passar por ingénua ou é mesmo tola!).
No seguimento do inquérito judicial, chamado a pronunciar-se, Martin McDonagh, filho da vítima e marido de Sheryl, disse que havia comprado dois cachorros de Presa Canário há 8 anos por 500 euros (o terceiro cão é filho destes), animais que viu anunciados no sie “Done Deal” e que já lhe chegaram de orelhas cortadas. Adiantou que comprou estes cães por acontecerem vários arrombamentos naquela área habitacional (afinal os cães não eram para dar beijinhos a ninguém!). Declarou como “incidental” a criação de Presas Canário que acabou por fazer, num total de vinte e tal cachorros que vendeu entre 100 e 250 euros. Martin disse ainda que estava ciente de que o carteiro “estava com medo” dos cachorros e, que por esse motivo, mudou o lugar da sua caixa do correio. “Se alguém achava que os animais eram capazes de matar alguém, então deveria ter-me contado e os cachorros teriam sido mortos”, disse ainda (será que o homem comprou aqueles cães sem se informar primeiro acerca deles? Se o fez, não o deveria ter feito, uma vez que tem 4 filhos e qualquer um deles poderia acabar “acidentalmente” nas potentes mandíbulas daqueles cães!).
O dito carteiro, o Sr. Barry Haddock, também foi chamado a depor e contou durante o inquérito vários incidentes ocorridos com aqueles cães em 2015, dois anos antes da morte da senhora Teresa McDonagh, altura em que os pneus da sua carrinha foram perfurados pelos daqueles animais, viatura que abanava bastante quando isso sucedia. Em certa ocasião, um dos cães saltou um muro e furou-lhe um dos pneus da carrinha, enquanto conversava com o seu dono acerca de um incidente anterior (bons indícios!). Haddock concluiu durante o inquérito judicial que “ Há 25 anos a trabalhar na An Post (correios), nunca tinha visto cães tão ferozes como aqueles” (sem querer incriminar ninguém, gostava de saber o porquê da preferência por pneus).
O irmão de Martin, Gerry McDonagh, também chamado a depor, disse que no dia da morte de Teresa não esteve presente, por ter ido levar o seu pai, Eddie, ao hospital de Galway, por causa de uma queda que ele deu. Contudo, não se escusou em dizer que o seu pai já o havia alertado para a possibilidade de haver problemas com aqueles cães (um patriarca sensato!). Gerry disse ainda que estava sempre nervoso na presença dos cães e que “não tinha como aterrar de helicóptero no quintal do irmão”. Também um tal de Brendan Hynes foi ouvido e confirmou ter recebido um telefonema do dono dos cães na tarde 04 de junho de 2017, pedindo-lhe que fosse a sua casa e atirasse nos animais quando fizessem menção de atacar a sua mãe. O pedido feito ao Sr. Hynes resulta de ter uma licença de porte de arma e de abater texugos para o Departamento de Agricultura (?!).
Quando solicitada a pronunciar-se, Rita Gately, a veterinária do Condado de Galway (Co Galway), começou por afirmar que não existia qualquer queixa sobre aqueles cães, que os dois cães adultos pesavam 46 e 43 kg e que não tinham os microchips obrigatórios quando examinados depois de mortos (why not?), enquanto o cachorro deles resultante tinha um microchip, mas ainda por registar. Esta veterinária fez ainda saber que o Presa Canário não se encontra na lista dos cães perigosos ali (estará nela o Lulu da Pomerânia?), que a raça é rara e que é do tipo molosso, originária das Ilhas Canárias para agrupar o gado e que pode ter sido usada como cão de luta e também como cão de guarda. Um pouco para serenar os ânimos e esconder a incompetência, Ms Gately disse que o Departamento de Desenvolvimento Rural e Comunitário estava a realizar uma revisão da legislação sobre controlo de cães e que ela fazia parte de um grupo de trabalho com esse objectivo.
A patologista consultora chamada ao processo, Brigit Tietz, disse que a sra. McDonagh sofreu graves traumas nas pernas, fracturas e múltiplas lacerações nos braços e no tronco, adiantando que morreu de choque hemorrágico resultante de ferimentos maciços em ambas as pernas. A sra. Rosaleen Heffernan (filha da vítima) descreveu a sua mãe como uma "mãe, esposa e tia amorosa", que era "muito elegante, adorava cozinhar e fazer panquecas para os netos.” O júri aceitou o veredicto da desventura (acidente) e endossou quatro recomendações feitas pelo médico legista Dr. Mc Loughlin, que recomendou a adição daquela raça à lista dos cães perigosos ou restritos; que os cães a ela pertencentes deverão permanecer atrelados e açaimados; que os seus donos deverão ter uma licença especial e um treino igualmente especial e que o Conselho do Condado de Galway deverá submeter à apreciação a actual revisão do Governo sobre a legislação relativa aos cães.
Numa declaração lida pelo advogado Mike Ward após a audiência, Christy, Gerry e Eamonn McDonagh, Rosaleen, Flan Heffernan e Rebecca King disseram que foram "devastados" pela trágica perda de sua mãe e disseram cumprir as recomendações do legista. "Os filhos e netos de Teresa McDonagh foram roubados do seu generoso amor e carinho" e o que tornou tudo mais trágico é que ela ia visitar os seus netos”... "A família espera que a lei seja mudada para que os donos dos cães perigosos sejam obrigados a contê-los e mantê-los em recintos onde não possam causar ferimentos ou a morte a qualquer pessoa.” – assim termina o comunicado.
A família de Sheryl e Martin McDonagh livrou-se de boa, porque noutras latitudes seria acusada de homicídio por negligência. Torna-se evidente que não queriam matar a mãe, mas não acredito, de maneira nenhuma, que desconhecessem os cães que tinham, a sua história e carga genética, assim como a sua propensão para atacar fosse quem fosse. Será que a Internet ainda não chegou à República da Irlanda? Nesta história há muita coisa mal contada e ela começa a desvendar-se no propósito que levou à compra daqueles cães. O tribunal entendeu que a justiça já havia sido feita, já que o feitiço se virou contra o feiticeiro, o que nestes casos não é assim tão incomum. Se for possível estabelecer uma relação entre Presas Canários maus e donos impróprios, não tenho dúvidas ao afirmar que o número dos últimos sufocará sem grande dificuldade o número dos primeiros.

SERVIÇO POSTAL NORTE-AMERICANO PRESTA HOMENAGEM AOS CÃES MILITARES

O Serviço Postal norte-americano (correios) anunciou em Fevereiro deste ano que iria homenagear, numa das suas colecções de selos “para sempre”, “os corajosos e leais cães de trabalho militares da nação”. A tão aguardada homenagem foi divulgada ontem e os selos apresentam as 4 raças que comummente servem as forças armadas: Pastor Alemão, Retriever do Labrador, Pastor Belga Malinois e Pastor Holandês. Os cães militares norte-americanos tiveram o seu baptismo de fogo logo na I Guerra Mundial e estima-se que actualmente 2.300 estejam a desempenhar missões nas bases americanas espalhadas pelo mundo.
A homenagem é justa e peca por ser tardia, se considerarmos há quanto tempo marcham os cães do “Tio Sam” para a guerra e o número de homens a quem valeram e pouparam a vida. Não a fazer, seria no mínimo ingratidão e uma tremenda injustiça. Por tudo o que os seus cães fizeram, os norte-americanos têm todas as razões e mais alguma, para se relembrarem orgulhosamente dos seus cães, apesar de terem deixado para trás, abandonado à sua sorte, um grupo deles no Vietname, cujo fim facilmente se adivinha. Depois de muitos anos a preferir o abate destes cães ao invés de os realojar (rehoming) ou entregar a quem com eles cerrou fileiras, lado a lado e por toda a parte, os veteranos cães militares são finalmente objecto de maior respeito, as suas vidas começam a ser poupadas e o seu bem-estar considerado.

SABIA QUE…

Sabia que o Governo Japonês autorizou o desenvolvimento, para além dos 14 dias, de embriões animais contendo células humanas para transplante em animais de aluguer? Este apoio governamental nipónico visou dar luz verde à equipa liderada pelo Dr. Hiromitsu Nakauchi, um cientista japonês de células-tronco da Universidade de Tóquio, que lidera também uma outra equipa na Universidade de Stanford, na California/USA. O objectivo final do Dr. Nakauchi (na foto seguinte) é produzir animais com órgãos feitos a partir de células humanas que poderão, eventualmente, ser transplantados para pessoas (têm sido utilizados vários ratos para o efeito). A autorização atrás referida acaba por se constituir num passo decisivo para a potencial criação de seres quiméricos.
Para além das questões bioéticas associadas a estes desenvolvimentos científicos, que não deverão ser desprezadas e da muita especulação que rodeia estes trabalhos, à qual a ignorância não é alheia, estamos diante de avanços médico-científicos de extrema importância, enquanto a vida for o maior dos bens e a saúde a sua pedra basilar. Com o contributo do trabalho de investigadores assim, a humanidade virá a ter uma maior e salutar esperança de vida. Virá a ser imortal? A imortalidade continua a ser o maior desafio dos homens, mas ignoro se alguma vez a alcançarão, gostaria que sim, mesmo que não me coubesse a mim, apesar de não faltar por aí quem diga que o mundo acabará ou será transformado antes que tal aconteça.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ UMA VERMELHA VINDA DO AZUL INFINDO, editado em 01/08/2019
3º _ “PARA TRÁS”, CORTE DE CORDA, AVANTESMA E AULA TEÓRICA, editado em 29/07/2019
4º _ CADA UM TEM A SUA: A PROCESSIONÁRIA DOS CARVALHOS, editado em 30/07/2019
5º _ OS “PETISCOS” À CORTE GARCIA, editado em 29/07/2019
6º _ O CANIL, editado em 29/12/2009
7º _ NEM TANTO AO MAR, NEM TANTO À TERRA, editado em 21/11/2017
8º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
9º _ PACHÓN NAVARRO: UNIR EL PASADO AL PRESENTE, editado em 01/07/2015
10º _ O ADESTRAMENTO NA ERA DO HÁPTICO: A MENSAGEM TÁCTIL, editado em 30/07/2019

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Reino Unido, 6º Irlanda, 7º Região Desconhecida, 8º Moçambique, 9º Angola e 10º Canadá.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

A FRIDA FOI APOSENTADA!

FRIDA, a Labradora dourada, agora com 10 anos, que esteve ao serviço da Marinha Mexicana e que passou a sua vida a resgatar sobreviventes, foi finalmente aposentada, segundo um comunicado de imprensa no site do governo mexicano. No desempenho das suas funções, a Frida encontrou 41 corpos e uma dúzia de pessoas vivas (sobreviventes).
Tornou-se célebre quando participou num grupo de busca de 15 equipas cinotécnicas da Marinha Mexicana, aquando do Terramoto ocorrido em 19 de Setembro de 2017, de magnitude 7,1, na Cidade do México. Os seus prestimosos serviços viriam mais tarde a ser requisitados no Haiti e no Equador, países também assolados por violentos terramotos, segundo dá conta a Associated Press.
No Verão passado, durante uma cerimónia, foi-lhe erigida uma estátua onde se encontra acompanhada pelo seu treinador, ISRAEL ARAUZ, no Parque Ecológico da Cidade de Puebla. Na frente do binómio assim imortalizado encontra-se uma placa com os seguintes dizeres: “Memoráveis símbolos da força que os mexicanos podem ter quando decidem unir-se por grandes causas".
O Almirante Eduardo Redondo Arámburo (na foto seguinte), Subsecretário Naval Mexicano disse a propósito: “Frida conquistou o coração de todo o México e também de milhares de estrangeiros ... O seu latido sempre trouxe esperança, e em momentos de dor e incerteza ela trouxe alívio."
A aposentadoria desta prestável e dedicada cadela fez parte do programa do “DIA INTERNACIONAL DO SALVADOR DA MARINHA”, que foi celebrado na passada Segunda-feira, ocasião em que a Frida foi presenteada com um brinquedo que celebrou a sua dispensa do serviço.
Oxalá outras Fridas venham em nosso socorro quando precisarmos. A esta só nos resta dizer: lo hiciste bien, gracias, descansa ahora.
PS: Já havíamos feito menção do trabalho desta cadela de resgate e salvamento no artigo “CHAMA-SE FRIDA E JÁ AJUDOU A SALVAR 52 PESSOAS”, editado em 24/09/2017.

UMA VERMELHA VINDA DO AZUL INFINDO

Na madrugada de hoje, vinda dos Açores, deu entrada nas nossas fileiras a cadela Fila de S. Miguel GAMASHA DA CASA DO ILHÉU, exemplar fulvo raiado nascido em 06/02/2017, registado no Livro de Origens Português sob o número LOP540026 e da criação do Sr. LUIS BETTENCOURT FREITAS. Esta cadela, cuja morfologia e carácter muito nos agrada, irá ser primeiro treinada e aprovada nas disciplinas de obediência, pistagem, guarda e endurance, para depois poder ser seleccionada para reprodução conforme as nossas expectativas.
Neste momento a NASHA, nome pelo qual responde, encontra-se distribuída ao Afonso para efeitos de treino básico, jovem que está vivamente alertado para as suas responsabilidades pedagógicas, que deverão estar sintonizadas com as metas e objectivos que previamente traçámos. Desejamos boa sorte para ambos e muitos desafios ultrapassados. Aproveitamos para agradecer ao criador da cadela as excelentes condições em que nos foi entregue. No vasto firmamento de estrelas que construímos ao longo dos anos, será que iremos ter uma nova com o nome de Nasha? Tudo leva a crer que sim!