domingo, 21 de abril de 2019

NÃO FAÇAS COMO OS COWBOYS E BANDOLEROS…

Apostado em aproveitar o potencial da Maria, o Adestrador “desencantou-lhe” um Pastor Alemão negro (Blaze) para trabalhar na aula de ontém. Como primeira advertência disse-lhe que ao segurar na trela não fizesse como os cowboys e bandoleros, que tradicionalmente conduzem os seus cavalos com as rédeas quase à altura das suas bochechas, que um cão é regularmente conduzido com a trela curta e a mão que a segura deve cair naturalmente sobre a coxa do condutor, que de maneira nenhuma deverá evoluir de “asa aberta” (com os braços afastados do tronco) como fazem os galos ou a fazer manguitos constantemente (com os braços dobrados). É esta explicação que o Adestrador está a dar à menina na foto acima, lição que ela aproveitou quando convidada a conduzir a Bull Terrier Maggie, como confirma a foto seguinte.
A ênfase do treino recaiu sobre o comando de “quieto” num jardim público medianamente frequentado. Na foto que se segue vemos um desses momentos e o José Maria parece estar a dizer para a CPA Mel que se ela se mexer vai levar um tiro. O que pretenderia este condutor com o indicador apontado?
Com o comando totalmente instalado e sem que contasse, a Maggie acabou com um boné na cabeça, obra de um malandro que muito a estima e que sabe a quanto se presta. A pose da cadela e a admiração do João desnudam o carácter descontraído que acompanhou os trabalhos.
Num dos momentos do quieto à distância, o à vontade demonstrado pelos cães surpreendidos (Lupa, Russa e Maggie) lembrou de imediato “os três da vida airada”, uma vez que cada um deles permaneceu na figura como lhe deu na gana, não tanto por culpa sua mas de quem os liderou.
Com a pequena Maria a Fila-guia, a coluna escolar “andou sobre rodas”, acabando o treino por ser duro para os condutores, que invariavelmente se viram obrigados a maior empenho físico conforme podemos ver estampado no binómio Afonso/Lupa.
Depois das ausências que já não estranhamos, a Carla participou nos trabalhos escolares deste Sábado trazendo consigo a Maggie, que apesar de se encontrar no pico do cio, não causou problemas adicionais aos machos presentes em classe. Esta vinda da Bull Terrier, atendendo à condição que momentaneamente atravessa, é uma ocasião óptima para melhorar a liderança da dona e aumentar a sua submissão.
Em poucos dias o CPA Max está a alterar o seu comportamento, mostrando avanços consideráveis no seu processo de ensino. Para além disso, quando convidado a saltar, fá-lo naturalmente e com rara beleza. E, para quem duvida, basta apreciar a foto seguinte.
A alegre CPA Mel, propriedade do José Maria, foi surpreendida pela nossa camera num dos momentos em que lhe foi solicitado o “quieto”, onde infelizmente não esteve tão bem quanto o esperado, menos vaia cuja culpa não lhe pode ser imputada.
Atendendo à frescura matinal e à obediência incondicional que esperamos dos nossos cães, a transição da obediência linear para a dinâmica obrigou a desempenhos em “passo de corrida” e solicitou o galope aos cães.
Blaze, o “bom gigante”, um fenómeno de concentração e disponibilidade, acompanhou com denodo a Maria em todos os desafios propostos, ajudando-a a crescer em saber e experiência no mundo da cinotecnia.
A Svetlana continua em boa forma física, sendo melhor a acelerar do que a travar. Na foto seguinte vemo-la a conduzir a Doberman Russa, que sem dificuldade transpôs o banco colocado à sua frente.
Porque importava melhorar a capacidade instantânea de salto dos cães, no período dedicado à ginástica cinotécnica, houve lugar a transposições consecutivas (nem sempre sem atropelos), onde a classe de alguns binómios contrastou com o atabalhoamento de outros.
A foto que se segue tornar-se-á histórica e recordará para sempre a comunhão de actividades entre pai e filha, ainda que a mais nova, inebriada pelos cães, tenha provocado precocemente o “estoiro” do pai.
Num momento técnico incorrigível podemos ver a sincronia entre o gesto e a acção, com a Maria a mandar deitar o Blaze. O facto da menina indicar com o gesto o 3º tempo e marcar com a trela o 1º ficou a dever-se à “esperteza” do cão, que sentindo a insegurança da menina, resistia a deitar-se, dando para isso um passo em frente.
Também o CPA Bohr foi parar às mãos da Maria, que com ele treinou e exercitou o tri-comando básico, mostrando-se o cão algo incomodado com a novidade da experiência por se ver privado do seu dono (como sempre).
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Afonso/Lupa; Aníbal/Max; Carla/Maggie; José Maria/Mel; Maria/Blaze; Paula (F)/Bruno; Paulo/Bohr e Svetlana/Zeus. O Soneca e os donos não compareceram, porque a Liliana e o Jorge tiveram que trabalhar este Sábado; a Família Carvalho ficou em casa a celebrar a Páscoa com os seus, incluindo com o Bjorn e a reportagem fotográfica esteve a cargo do Adestrador e do Paulo Jorge.
Para a semana retomaremos os trabalhos no ecossistema a combinar. Bom fim-de-semana para todos.
PS: Atenção à validade das coleiras anti-parasitas. 

sexta-feira, 19 de abril de 2019

SALVE MARIA!

Antes de falar sobre a Maria, uma menina de 11 anos que recentemente conheci, vejo-me obrigado a falar sobre o escritor português António ALVES REDOL, homem que conheci pessoalmente mas à distância, porque a PIDE1 espreitava e este vila-franquense, apesar de respeitado, estava rotulado como comunista. Vi-o um par de vezes nos passeios para onde me levavam aos fins-de-semana, quando fartos do bacalhau de Bucelas e dos peixes de Cascais, íamos até Vila Franca de Xira comer as tão afamadas eiroses2, das quais nunca consegui agradar-me e visitar um parente que ali foi Comandante dos Bombeiros durante anos. Desde muito cedo, talvez cedo demais e por iniciativa própria, comecei a ler alguns clássicos da Literatura Portuguesa e um dia, não sei como me foi parar às mãos, descobri o livro “CONSTATINO, GUARDADOR DE VACAS E SONHOS” e fiquei fã de Alves Redol, vindo a ler outras obras suas. Talvez por causa da minha tenra idade e mau juízo de valores, apanhei asco aos naturais da Beira Baixa, que para mim, a partir de determinada altura, nada mais eram do que gaibéus3 ou ratinhos, uns “feijões de duas caras” ou uns fura-greves.
Contudo, a vida encarregou-se de me mostrar o contrário e hoje nutro um profundo respeito pela gente da Beira Baixa, cuja presença nas nossas fileiras sempre se destacou (são tantos os exemplos que seria enfadonho recordá-los todos). Vamos lá à história da pequena Maria, também ela ainda descendente desta plebe. Vai fazer no Domingo uma semana, ao importunar o seu cachorro Pastor Alemão de 8 meses, quanto este se encontrava a comer, a menina recebeu uma dentada superficial no peito e os seus pais, alarmados com o sucedido, levaram-na ao hospital, onde se veio a constatar ser uma ferida sem gravidade e que tudo não passou de um susto. O Max, assim se chama o cachorro, é um aluno recente das nossas classes, um inibido declarado que a medo morde tudo o que dele se aproxima. Depois do sucedido seria normal que a menina tivesse ficado traumatizada, mas não foi esse o caso!
Apostada em ultrapassar a situação, em compreender melhor o Max e ajudá-lo, a Maria pediu ao pai que a deixasse acompanhá-lo nas idas do cão ao treino. Como a sua disposição não nos suscitou qualquer dúvida, acabámos por passar-lhe o cão para a mão e promovê-la automaticamente a condutora cinotécnica (dentro das maiores cautelas), ideia que foi totalmente do seu agrado. Alertada para a possibilidade do cão se mandar para cima de quem estiver mais perto, particularmente crianças, idosos, gente com dificuldades locomotoras e minorias raciais, a miúda agarrou-se à trela, estribou-se nos procedimentos, assimilou os códigos e avançou decidida por entre as gentes, demonstrando uma segurança que até o próprio cão contagiou, merecendo de quem por ali passou rasgados elogios.
Com o desenrolar do treino fomo-nos apercebendo das qualidades presentes naquele corpo franzino e pedimos à menina que passasse com o seu Pastor Alemão pelo meio de dois homens, patrulha diariamente escalada para a apanha de pequenos lixos abandonados nas calçadas. Confiante e com a moral em alta, a garota venceu o desafio com a maior das facilidades, conforme atesta a foto seguinte.
Sempre em crescendo operativo e cada vez mais confiantes no trabalho da Maria, pedimos-lhe que passasse com o CPA por debaixo dos braços daqueles homens que carregavam as suas bengalas da apanha do lixo, motivo mais do que suficiente para que o Max lhes apalpasse as calças. Qual quê? Mesmo com a pequena condutora agachada, o cão não tugiu nem mugiu e nunca tirou os olhos da miúda.
No final e a título de recompensa, porque não só os cães que precisam de ser recompensados, os homens também, explicámos à Maria como pôr o Pastor Alemão a saltar um banco de jardim, decisão que foi do agrado dos dois, já que nenhum deles se cansou e ambos mostraram disposição para mais.
Por mais amargos que sejam os anos e árduos que sejam os dias, vale a pena viver mais um para encontrar uma garota assim: pequenina talvez, mas cheia da mais feroz ambição! Obrigado Maria, eu acredito em ti.
(1)Polícia política do Salazarismo e Marcelismo. (2)Enguias. (3)Jornaleiro da província portuguesa do Ribatejo ou da Beira Baixa que vai trabalhar para as lezírias durante as mondas.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
3º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015
4º _ MAX E CORRECÇÃO DE ERROS, editado em 15/04/2019
5º _ DOBERMAN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, editado em 06/03/2016
6º _ O MEU CÃO JÁ ATACA À MANGA!, editado em 15/04/2019
7º _ O QUE NOS RESERVA O PITSKY, editado em 03/04/2017
8º _ CÃO DE GADO TRANSMONTANO AVALIADO NOS STATES, editado em 12/03/2018
9º _ QUEM DIRIA!, editado em 16/04/2019
10º _ O ESTRANHO ANÚNCIO DOS PASTORES ALEMÃES CASTANHOS, editado em 26/04/2013

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Brasil, 2º Portugal, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Rússia, 6º Alemanha, 7º Ucrânia, 8º Irlanda, 9º Suíça e 10º Cabo Verde.

terça-feira, 16 de abril de 2019

EM STUTTGART OS FINS NÃO JUSTIFICAM OS MEIOS

Um treinador de cães e proprietário de um canil foi condenado ontem pelo Superior Tribunal Regional de Stuttgart ao pagamento de uma multa no montante de 4.000€, por haver espancado e chutado várias vezes cães enquanto os criava e treinava, vindo a trancar 3 em caves onde a luz não entrava e prendendo outro a um aquecedor. Em vão, o condenado tentou defender-se ao dizer que só carregava nos cães caso o atacassem e sobre o aprisionamento dos animais adiantou que só os trancava à noite como parte do treino. Segundo o parecer deste tribunal, o treino não justifica a dor infligida aos animais. Fez-se justiça! Para melhor compreensão e conhecimento doutros detalhes consulte por favor a Revista Focus online.

QUEM DIRIA!

No privado e mui reputado hospital Klinik Hirslanden, na Suíça, pesquisadores desta unidade hospitalar, quando procuravam descobrir se havia risco para a saúde dos humanos ao usarem um scanner também usado para exames veterinários, depois de examinarem 18 barbas e o pescoço de 30 cães de diferentes raças, descobriram que os homens com barba carregam mais germes do que os cães, incluindo bactérias mortais, segundo fez saber o Professor Andreas Gutzeit ao dizer: “Os pesquisadores descobriram uma carga bacteriana significativamente maior nos espécimes retirados das barbas dos homens quando comparada com a encontrada na pele dos cães".
Razão tinha a minha avozinha que dizia que a barba não era muito higiénica e que quem a tivesse tinha que a manter asseada e muito bem cuidada. O facto da barba humana carregar mais germes que os encontrados na pele dos cães, não dispensa os últimos da sua higiene diária, porque também eles podem ser uma ameaça para a nossa saúde. É curioso reparar, num País que tem mais animais de estimação do que crianças, que a maioria dos donos não procede à limpeza diária dos seus animais, desconhecendo em simultâneo como o fazer e ignorando quais os acessórios que fazem parte de um kit de limpeza, não sendo por isso de admirar o cheiro nauseabundo que sai de algumas casas. A quem caberá promover uma campanha esclarecedora sobre o assunto?

segunda-feira, 15 de abril de 2019

O MEU CÃO JÁ ATACA À MANGA!

Sempre que alguém me diz “o meu cão já ataca a manga”, eu não sei se hei-de rir ou chorar, porque quem mo diz, di-lo como se o seu cão já se encontrasse preparado, tivesse sido aprovado ou confirmado como guardião pelo simples facto de se agarrar (atacar) a uma manga. Há até quem faça vídeos desse “momento solene”, onde invariavelmente sucedem três coisas, separadamente ou em conjunto: o cão ensurdece-se para o dono, a cobaia sai tranquilamente e a fera fica agarrada à manga, como se esta fosse um rebuçado, vício que na guarda real não lhe augura grande futuro e que a poderá relegar para o “corredor da morte”, atendendo à menor piedade e maior violência dos assaltantes actuais.
Adianta-se que, apesar de muitos cães para guarda passarem na sua formação pelo ataque à manga, o método não é obrigatório, pode ser dispensável e até contraproducente diante da natureza de alguns serviços de segurança caninos, porque um condicionamento assim acaba por anular-lhes a vantagem do efeito surpresa, uma vez que mordem onde é esperado – no braço esquerdo, já que a maioria dos centros caninos apenas possui mangas para esse braço, a despeito da maioria das pessoas ser destra, algumas sinistras e uma minoria ambidestra. Não haverá mangas para o braço direito? Valerá a pena ensinar um cão a atacar um braço que lhe é dado para morder, sujeitando-o depois ao contra-ataque? Cães cujo ataque é conhecido e esperado não intimidam ninguém, a menos que os larápios, ao avistarem um cão assim, logo se agachem como fazem as galinhas na presença do galo, o que obviamente é pouco provável.
Os cães são animais de hábitos e fatalmente chegam a adquirir alguns que atentam contra os seus instintos mais básicos – os ligados à sua sobrevivência, acontecendo o mesmo com os seus ataques. Os cães que transitam do ataque à manga para o ataque ao fato, inicialmente procurarão o braço esquerdo do figurante, apesar deste poder ser atacado nos mais variados pontos. Ao invés, os cães que transitam do ataque sistemático ao fato para o ataque esporádico à manga tornam-se indefensáveis e nisto reside uma das suas vantagens, apesar do fato causar igualmente habituação, pelo que a seu tempo deverá ser substituído por protecções ocultas.
É evidente que o ataque ao braço esquerdo pressupõe o contra-ataque do agressor (que geralmente não passa duma simulação) e a esquiva dos cães aos seus golpes, coisa que no ataque à manga é substituído pelo enfardar de umas inofensivas varadas que não impedem o cão de largar a manga, mau hábito que na eventualidade de alguma situação real deixá-lo-á em muito mau-estado. Se os porcos atacassem à manga dariam menos trabalho a matar, porque uma vez nela agarrados e ligeiramente levantados, enfiar-se-lhes-ia um canivete debaixo do anterior esquerdo, bem direitinho ao coração. Andará por aí alguém interessado em matar cães de guarda assim? Antigamente os meninos rabinos pintavam paredes, hoje divertem-se a fazer ataques à manga. O ataque à manga é um estreito istmo por onde se passa, donde dificilmente se sai e que pode ser fatal para os cães.

MAX E CORRECÇÃO DE ERROS

No Sábado passado recebemos um novo binómio, o constituído pelo Aníbal e pelo cachorro CPA Max, um preto-afogueado de linha laboral, recessivo em negro, com 8 meses de idade, que empurrado pela maturidade sexual, tende a desafiar tudo e todos, tanto em casa como na rua. A maior parte das suas arremetidas provém conjuntamente da desconfiança (medo) e da ausência de sociabilização. Não lhe sobrando outro remédio, entrou imediatamente em classe e absorveu alegremente os conteúdos de ensino que lhe foram transmitidos. A foto seguinte testemunha a entrada deste binómio nas nossas fileiras.
Como o Max (o nome parece-nos familiar) iria entrar na “troca de condutores” e não demonstrava nenhuma vontade para isso, pois “virava o dente” para qualquer um, o Adestrador achou por bem iniciá-lo nessas andanças para proteger a integridade de todos os condutores em classe, como é seu dever e obrigação. O cachorro, que se fará um matulão, como bom Pastor Alemão que é, bem depressa assimilou os comandos mais rudimentares.
O primeiro conteúdo de ensino a ser recapitulado foi a “Evolução por Esquadras”, porque importava dotar a classe de unidade de propósitos e pôr cada binómio a trabalhar para o colectivo escolar. A “Evolução por Esquadras” é a melhor das estratégias para combater os condutores invariavelmente distraídos ou atrasados, considerando os alinhamentos que requer.
Numa das “Frente por 1” solicitadas, coisa que mui raramente sucede, o Paulo Jorge conseguiu levar o Bohr perfeitamente alinhado e sincronizado, conforme atesta a foto abaixo, onde o enquadramento do binómio é louvável. Enquanto isso, já alguém se queixava da dureza do treino, ao ponto de procurar um banco próximo para descansar.
Conhecedores da disponibilidade do Luis Carvalho, passámos-lhe para a mão o CPA negro Blaze, um cão que lembra um relógio suíço pela sua concentração e superior desempenho, apesar dos seus 50 e tal quilos e 73cm de altura. No final dos trabalhos, o Luis dirigiu-se ao dono do Blaze e disse-lhe, caso alguma vez não estivesse satisfeito com o cão, que não se importaria de ficar com ele. É evidente que não obteve resposta.
O binómio abaixo, constituído pela Paulinha Mãe e pelo SRD Bruno, apesar desta ser apenas a sua segunda aula, conseguiram acompanhar os trabalhos da classe e usufruir dos seus benefícios, muito embora a condutora tenha confessado que se encontrava um pouco exausta, esforço visível no rubor das suas faces.
Ainda que a lei exija que todos os cães, sem excepção, circulem na via pública atrelados, um dos objectivos do treino, visando um conjunto de actividades esperadas dos cães, é a condução em liberdade, circulando os cães soltos ao lado dos donos como se estivessem atrelados. Como sempre sobra gente distraída, que não sabe o que dizer e malbarata os comandos verbais, passámos á “condução sem mãos”, com a trela pendurada aos ombros na tentativa de corrigir esses erros. O exercício solicitou aos condutores que colocassem as mãos atrás da nuca. Na foto seguinte vemos a Doberman Russa a desprezar a sua condutora e a tentar fugir. Também o CPA Bjorn vai “despegado” da dona, contudo por uma razão que se aceita: o dono que ele tanto adora, estava a dar atenção a outro cão.
O exercício com “as mãos atrás das costas” obteve maior sucesso, mesmo para quem o experimentou pela primeira vez, como foi o caso do Aníbal e do Max que aparecem aqui como filas-guia.
O pequeno Labrador Soneca é só “Soneca” de nome, porque é alegre, adora o conviver com outros cães e aprende com relativa facilidade. No fundo da coluna, seguro como Napoleão a caminhar para Batalha de Austerlitz, vê-se o Luis Carvalho descontraído com o CPA Blaze, cão que tudo fez para que o seu condutor de ocasião se sentisse feliz.
No intuito de evitar que os nossos cães confundam os alheios que como presas, quando se cruzam a correr ou apressados, também para garantir a fixação exclusiva na pessoa do dono, desenvolvemos várias corridas de 30m de extensão com 2 binómios a par. A Russa, conduzida pela Svetlana, não ligou nenhuma para o Soneca e o pequeno Labrador parece querer compreender qual o desejo da cadela. Se a Liliana tivesse um cão maior ninguém a apanhava.
Na foto seguinte, entre os dois binómios em exercício, está um trio de alemães que se agradou do treino e que tirou imensas fotos dele. Nesta mesma foto é visível o empenho dos binómios, muito embora o Luis vá “a passear na Avenida” e a Paulinha filha tivesse que lutar contra a sinusite.
Espantoso foi o comportamento do CPA Max, que foi abrindo o livro ao longo do treino, desprezando alvos antigos e trocando-os pela novidade do trabalho. Na foto abaixo podemos ver a alegria com que acompanhou o seu condutor. Temos cão!
Dentro do mesmo propósito, o de familiarizar os nossos cães com o comportamento estranho dos alheios, procedemos ao cruzamento frontal em corrida. Na foto que se segue vemos a Pétia com o Bjorn a cruzar com a Liliana e o Soneca. O Soneca vai embeiçado pela dona e Bjorn olha para tudo menos para a Pétia.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Aníbal/Max; João/Lupa; Liliana/Soneca; Luís Blaze; Paula(M)/Bruno; Paula(F)/Bruno; Paulo/Bohr; Pétia/Bjorn e Svetlana/Russa. O José Maria desencontrou-se connosco, a Carla não compareceu e as fotos ficaram a cargo do Adestrador.
Para a semana teremos outra sessão de treino, esperançados que o tempo não nos pregue alguma partida e que a chegada da Páscoa seja um bom presságio para todos. Até lá!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
3º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015
4º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 19/08/2013
5º _ O ESTRANHO ANÚNCIO DOS PASTORES ALEMÃES CASTANHOS, editado em 26/04/2013
6º _ EU QUERIA UM PASTOR ALEMÃO, DE PREFERÊNCIA TODO PRETO!, editado em 05/06/2010
7º _ SABIA QUE … , editado em 10/04/2019
8º _ OPERAÇÃO POMBO E RESGATE DO SRD BRUNO, editado em 07/04/2019
9º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
10º _ ANTES DE EXTERMINAR AS VISITAS, editado em 10/04/2019

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Brasil, 2º Portugal, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Rússia, 6º Angola, 7º Alemanha, 8º Irlanda, 9º Japão e 10º Espanha.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

SABIA QUE…

Sabia que na semana passada veterinários do Reino Unido trataram um cão infectado por leishmaniose que se acredita ter sido transmitida por outro cão? Se o assunto lhe interessa veja o que diz a esse respeito a revista BMJ, uma das mais influentes e conceituadas publicações sobre medicina no mundo e subsidiária da British Medical Association. Também a Science Daily online se debruça sobre o assunto. Para saber o que ela diz basta clicar em https://www.sciencedaily.com/releases/2019/04/190404214750.htm. Assim, lamentavelmente, por mais isolados que os britânicos queiram ficar, persistam no Brexit, resguardem os seus cães e sujeitem os continentais a quarentena, nada impedirá que a leishmaniose ultrapasse o Canal da Mancha e faça por lá vítimas.

ANTES DE EXTERMINAR AS VISITAS

Há quem adore assustar os outros e que debaixo desse propósito procure um cão de raça mal-afamada, tida como feroz, assassina e própria para “acagaçar trinta”. Indivíduos com este desejo, quando não são delinquentes, marginais ou bandidos, são na sua maioria pouco experientes em cães e também deles receosos, acabando muitas vezes por sujeitar o seu agregado familiar e amigos aos humores do cão que não souberam escolher, não entendem e não conseguem regrar, por desconhecerem à partida que cães duros exigem donos experientes e inabaláveis. No meio desta gente ainda se destacam alguns idealistas urbanos plenos de boas intenções, que desconhecendo que o Céu e Inferno estão cheios delas, procuram provar que todos os cãezinhos são bons, que os donos é que os fazem maus, a despeito da selecção continuada e aturada para o fim procurado.
Vamos a um caso concreto que nada tem a ver com os perfis psicológicos atrás adiantados, mas que diz respeito a uma senhora que tem dificuldades em segurar a sua cadela quando tem visitas em casa. Ao que parece, o animal, um molosso médio com forte potência de mordedura, agora dentro de casa, não se agrada das visitas e trata-as como intrusos, distribuindo-lhes “mimos” quando a ocasião o propicia, não sendo a sua dona capaz de se fazer respeitar, nem tampouco de adivinhar e travar os seus intentos. Se a situação não se alterar, é óbvio que com o passar do tempo a cadela tornar-se-á cada vez mais violenta e motivada.
Os maiores disparates nesta e noutras áreas a que tenho assistido, têm sido obra de gente confiada, que remete para a sorte a clarividência que necessita, mercê da sua boa natureza e rara sensibilidade. No que concerne à relação homem-cão, pessoas com estas características tendem a ser por demais permissivas, pouco ou nada cautelosas e a tratar os animais como se fossem pessoas, apesar das diferenças que estão à vista de qualquer um, trocando invariavelmente o uso da razão pelo apelo sentimental. Se eu tenho uma cadela que morde nas visitas e eu não o consigo evitar, a primeira coisa a fazer é afastá-la delas, prendê-la enquanto durar a visita numa dependência da casa menos utilizada ou num canil se o houver (neste caso concreto há um e bom).
É evidente que esta solução não é e não pode ser definitiva, porque ao menor descuido logo surgirá o disparate. Por outro lado, a não-aceitação da autoridade da dona pela cadela, poderá levar ao total descontrolo do animal, à sua participação nas discussões e disputas domésticas mais acesas, achando por bem “pôr na ordem” quem muito bem entender ou quem obste à sua autonomia e vontade. Episódios destes não são infelizmente raros e no princípio até lhes achamos graça.
Se o encarceramento no canil não basta e ainda pode torná-la mais agressiva, o que fazer com a cadela antes de proceder ao extermínio das visitas? Mantê-la invariavelmente açaimada, encerrá-la para sempre numa box, esterilizá-la, descartá-la, aplicar-lhe uma coleira de choques eléctricos, colocar-lhe um estrangulador de repreensão e castigo (bicos) ou proceder à sua reeducação em regime de internato? Nenhuma destas soluções poderá dar-nos garantias absolutas, porque os cães aprendem a tirar os açaimes com facilidade, a abrir portas e a espreitar oportunidades, a esterilização só por si poderá não alterar o comportamento, o descarte do animal está fora de questão, os demais acessórios dolorosos também e o regime de internato poderá não ser capaz de transferir, na íntegra, a autoridade do reeducador para a pessoa da dona.
Como a cadela adora a sua família adoptiva, é de natureza submissa e muito meiga, ao ponto de “apresentar serviço” por não lhe atribuírem nenhum, detalhes que facilitarão a sua hierarquização e aceitação do novo lugar social, o maior trabalho a desenvolver será com a dona, senhora muito simpática, concordata e altruísta, que abomina confrontações, constituir-se em oposição ou marcar posição – uma excelente amiga, mas uma péssima líder e, a cadela aproveita-se disso (quem disse que os cães são parvos?).
Apesar da transformação de um subordinado em líder não ser tarefa fácil, a dona da cadela ver-se-á obrigada a isso, para bem do seu agregado familiar, amigos, visitas, desconhecidos e até da própria cadela, cujo descontrolo, a continuar, poderá colocar-lhe a vida em risco. Em termos de escalonamento social importa que a dona cresça para que a cadela diminua e para a inversão de lugares muito contribuirão os simulacros a realizar, que repetirão vezes sem conta os mesmos episódios até lhes alterar o seu final. Estamos convencidos que esta senhora conseguirá alcançar os seus intentos, como estamos convencidos que não irá querer mais uma cadela igual ou com as mesmas características (ela até é uma apaixonada confessa pelos adoráveis Shih-Tzus).