domingo, 7 de abril de 2019

OPERAÇÃO POMBO E RESGATE DO SRD BRUNO

Ontem, ao iniciar os trabalhos de fim-de-semana, lembrei-me de São Paulo Capital, no Brasil, que num só dia pode fazer as 4 Estações do Ano, porque aqui tão depressa fazia sol como chovia. Perante a incerteza das condições meteorológicas optámos por trabalhar nos espaços urbanos que nos garantiriam um abrigo seguro em casa de necessidade.
Valendo-nos de um muro de canteiro, recapitulámos o “deita” para as pequenas Doberman, solicitando ao Paulo, condutor do CPA Bohr, que deitasse o seu companheiro à distância e unicamente através da linguagem gestual, trabalho ao alcance de ambos que nem sempre acontece.
Depois de umas merecidas férias no Alentejo, o Doberman Zeus regressou a casa e aos treinos. Na foto seguinte podemos vê-lo deitado entre malmequeres, um pouco contrariado quiçá por não se ter agradado do cheiro daquelas flores.
Com o decorrer do tempo e do treino, a Doberman Lupa tem vindo a destacar-se nas aulas de ginástica e guarda, evidenciando em cada uma delas uma excelente disponibilidade. Naturalmente atenta e sedenta de alvos é por demais fotogénica. Na foto abaixo, pela postura que demonstra, faz lembrar o deus egípcio Anúbis.
Com o Jorge a trabalhar no fim-de-semana, coube à Liliana conduzir o Soneca, novidade que foi do agrado do cão para espanto da sua condutora circunstancial. O binómio funcionou em pleno e venceu todos os desafios que lhe foram propostos.
Num dos momentos de supercompensação fomos interpolados por duas senhoras que se disseram detentoras de um cão por demais anti-social. Como moravam perto do local onde nos encontrávamos a treinar, pedimos-lhes que nos trouxessem o cão, um SRD lobeiro chamado Bruno, com 7 anos de idade, a rondar os de 20 kg e com algumas cicatrizes na córnea. Vencida a natural desconfiança inicial, o pequeno cão integrou-se plenamente na matilha escolar e acabou por participar nos nossos trabalhos. Na foto seguinte podemos vê-lo a fazer cruzamento frontal com o Labrador Soneca.
Como tradicionalmente somos uma escola de formação para condutores, pedimos à recém-chegada Paula, condutora do SRD Bruno, que conduzisse o CPA Bohr debaixo da nossa supervisão, experiência que correu segundo o esperado e que permitiu à Paula inteirar-se melhor sobre os nossos propósitos e conteúdos de ensino.
O Soneca parece ter ganho asas nas mãos da Liliana. Num dos saltos para cima de um banco de Jardim, mercê da vontade com que o fez, surge na foto abaixo com as orelhas erectas, lembrando um ignoto lupino vermelho ao invés de um bracóide de orelhas tombadas.
Num dos intervalos dos trabalhos pedimos à Paula e à Liliana que posassem para a posteridade com os seus cães, respectivamente o Bruno e o Soneca, que contra todas as expectativas ficaram bons amigos.
Fizemos também questão de juntar numa foto todas as senhoras presentes no treino deste fim-de-semana, senhoras que mostraram boa disposição, apego ao trabalho, vontade de aprender e espírito de equipa.
E, para que os cavalheiros presentes não se sentissem discriminados, acabámos por tirar-lhes também uma foto junto com os seus cães, animais que não se interessam por fotógrafos e que indevidamente adoram correr atrás de pombos. Como com a sociabilização não se brinca, todos os cães presentes foram obrigados a familiarizar-se com aquelas aves, ao ponto de se desinteressarem delas.
Os binómios Liliana/Soneca e Paula/Bruno foram convidados para permanecerem ao lado de uma gorducha criatura, obra de um escultor português a quem as influências do colombiano Fernando Botero não deverão ser alheias. As fotografias que tiramos, para além de ilustrarem os nossos trabalhos, servem para acostumar os cães ao buliço citadino e aos seus imprevistos.
O “Gang dos Doberman” foi também convidado para um “boneco” junto de um lago decorativo, vendo-se em primeiro plano a Andreia com o Zeus, cão que se viu aflito para caber no parapeito que lhe foi destinado.
Toda a classe foi convidada para um exercício com maior grau de complexidade, que exigia dos condutores destreza física e obediência dos cães, para que os primeiros não se estatelassem no chão e os segundos acabassem pisados.
Neste exercício que exigia também equilíbrio dos condutores, que eram obrigados a saltar de bola em bola, a melhor performance pertenceu à Andreia a conduzir o Zeus, no que foi secundada pela Liliana com o Soneca.
A Andreia ainda teve tempo para uma pretensa chamada telefónica a partir de um telefone público, simulacro que visou a melhor adaptação canina aos espaços urbanos. O Zeus não criou qualquer tipo de problema como se pode ver.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Andreia/Zeus; João/Lupa; Liliana/Soneca; Paula/Bohr; Paula/Bruno; Paulo/Bohr e Svetlana/Russa. A Pétia não se fez presente, a Carla tem que reforçar a sua liderança sobre a Maggie e os Juniores do Clã Mendonça não foram vistos. A Reportagem fotográfica esteve a cabo do Adestrador e do Paulo Jorge, os trabalhos não se estenderam para a parte da tarde e demos por falta do José Maria e da CPA Mel. Como resultado dos benefícios adquiridos, a Paula acabou por inscrever o SRD Bruno na escola, que doravante participará nos nossos trabalhos.
E das actividades de ontem é tudo, num dia em que alguns se assustaram com a chuva e preferiram o doce aconchego do lar. Com chuva ou sem ela, para a semana há mais! E se ela vier, que venha em força, porque o País está bastante carenciado dela.

sábado, 6 de abril de 2019

NOVA AMEAÇA PARA OS HUMANOS?

Pesquisadores da Universidade de Seul, na Coreia do Sul, alertam para novos vírus da gripe em cães semelhantes ao da gripe suína que se está a espalhar na Ásia, temendo que eles venham a infectar também os humanos e que se constituam numa nova epidemia. Já no primeiro ano do Novo Milénio (2000), cientistas da equipa do Dr. Daesub Song, encontraram os primeiros patogénicos do chamado vírus da gripe canina (CIV), conforme atesta um estudo publicado em Setembro de 2018 na revista American Society for Microbiology mBio e onde consta que os cães foram infectados com uma mutação do vírus da gripe aviária H3N2. Doze anos depois, os pesquisadores encontraram outra mutação num cão com um agente da gripe suína, transformando-se o vírus CIV num novo, vírus que os cientistas baptizaram como “CIVmv”. A partir daqui, os casos de assim cães infectados aumentaram na Coréia do Sul, Tailândia e China, registando-se também os primeiros casos nos Estados Unidos.
Convém relembrar que a gripe suína expandiu-se nos anos de 2009 e 2010 e que em Junho de 2009, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou uma epidemia a nível mundial. Só na Alemanha, o vírus da influenza A H1N1 matou mais de 250 pessoas. A entidade atrás citada viria a declarar o fim da pandemia em Agosto de 2010. Os cientistas coreanos, depois de estudarem os genomas de 16 cães da região de Guangxi, no Sul da China, descobriram que “o desenvolvimento dos vírus da gripe canina (CIVs) em cães asiáticos está a tornar-se cada vez mais complexo e representa uma ameaça potencial para os seres humanos". De acordo com o presente estudo, a capacidade do vírus da gripe A de passar de animais para humanos representa uma ameaça persistente de pandemia. Aves e porcos são considerados os principais portadores da diversidade genética viral, em oposição aos cavalos e aos cães que até agora só lhes era conhecido o vírus da influenza A, o que os tornava inofensivos para os seres humanos.
Porém, os tipos de vírus encontrados nos cães que os cientistas coreanos observaram continham partes que estão presentes em porcos e que são semelhantes ao vírus pandémico da gripe suína. Para além disto, estes pesquisadores descobriram mais três mutações em cães e assumem que não serão as últimas, considerando que em Guangxi vivem muitos cães vadios e que isso deverá ser considerado como uma disseminação adicional de vírus. Como são esperadas outras mutações, a vigilância adicional torna-se urgentemente necessária “para entender a completa diversidade genética da CIV no sul da China, o surgimento e a resistência dos vírus nas várias populações de cães da região e o risco de desenvolvimento progressivo do vírus".
Para aquilatar da possível transmissão destes vírus para os humanos, Song e a sua equipa infectaram furões com o CIV, porque estes animais têm células hospedeiras semelhantes às dos humanos, que viabilizam a transmissão do vírus. Os furões infectados com o vírus CIV apresentaram os mesmos sintomas visíveis nos cães, a saber: tosse, espirros, olhos lacrimejantes e pingo no nariz, perda de apetite e apatia. A somar a isto, os Mustelídeos domésticos infectados rapidamente se envolveram a lutar uns com os outros. Os pesquisadores da Universidade de Seul vêem nisto um perigo oculto na possível transferência para humanos. Aguardam-se novos desenvolvimentos.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
3º _ COMPANHEIROS DO ARCO-DA-VELHA, editado em 02/04/2019
4º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 19/08/2013
5º _ CANE CORSO: O CÃO QUE NÃO BRINCA EM SERVIÇO, editado em 30/01/2017
6º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015
7º _ CONVERSAS SOBRE PASTORES ALEMÃES À MESA DO CAFÉ, editado em 09/08/2014
8º _ DOBERMAN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, editado em 06/03/2016
9º _ O ESTRANHO ANÚNCIO DOS PASTORES ALEMÃES CASTANHOS, editado em 26/04/2013
10º _ OS VELHOS PAPÕES DO SUL DA EUROPA, editado em 03/04/2019

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Brasil, 2º Portugal, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Rússia, 6º Irlanda, 7º Alemanha, 8º Ucrânia, 9º Suíça e 10º Região desconhecida.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

PERNAS PARA QUE VOS QUERO!

Segunda-feira, pelas 17 horas, na moderna e independente cidade alemã de Kassel (outrora Cassel), no centro daquele país, um homem de 56 anos e o seu cão foram atacados por um Doberman que se encontrava à solta. O incidente aconteceu na Kassel Luisenplatz, o Doberman regressou para o dono depois do ataque e este desapareceu sem deixar rasto, depois de mandar ficar de boca fechada uma testemunha ocasional. O Doberman atacou primeiro o cão e só depois o seu dono, cidadão que recebeu dentadas numa perna e numa mão ao tentar proteger o seu companheiro, que depois de se dirigir à polícia, foi receber tratamento hospitalar. O proprietário do cão agressor, que é agora procurado pela polícia, é descrito como tendo entre 30 e 35 anos, um 1,80 metros de altura, ser louro, esguio e atlético, ter o cabelo curto e encontrar-se na ocasião com vestuário não desportivo.
Esta laia de terroristas urbanos não existe só na Alemanha, aqui também os há, plebe que intencional ou acidentalmente causa vítimas e que se põe em fuga sem lhes prestar socorro. Como a maior parte destes confrontos acontece mais à noite, depois do horário laboral e do jantar, há que evitar as zonas menos iluminadas e mais recônditas, locais preferenciais dos donos dos cães agressivos, onde rotineiramente tendem em soltá-los. Nos seus passeios, para maior segurança dos seus cães e para sua salvaguarda, opte por percursos policiados ou por locais muito movimentados, tenha sempre o seu cão debaixo de olho e se possível evite soltá-lo, isto se não quiser ficar sem ele, ficar você mesmo ferido ou ver-se envolvido em cenas de pugilato. Lembre-se: com bandidos destes todo o cuidado é pouco!

quarta-feira, 3 de abril de 2019

OS VELHOS PAPÕES DO SUL DA EUROPA

Uma fräulein, que o jornal Bild online designa apenas por Celine B., moça de 20 anos, proprietária de um cão e residente em Bönen, comuna burguesa do Distrito de Unna, na Renânia do Norte- Vestefália/Alemanha, decidiu ligar para o número de emergência no passado Domingo, supostamente porque dois homens do Sul da Europa tentaram roubar o seu cão “Mailo”. Para além disso, lançou um alerta no Facebook onde dizia: “Cuidado com os seus cães na área ao redor de Bönen!" Chegou também a contactar a redacção do Bild para contar a sua história. Porém, quando reunida com dois investigadores da polícia que procediam à reconstituição do crime, a moça optou por ficar calada e não se manifestar, admitindo posteriormente que havia inventado aquela tentativa de roubo, segundo fez saber Thomas Röwekamp, porta-voz da polícia.
De modo intencional ou não, esta menina andou a brincar com o fogo, diante dos actuais populismos, exacerbados nacionalismos e subida ao poder de vários grupos de extrema-direita, manifestamente neonazis e convictamente anti-imigrantes. Estaria com esta “brincadeira” a reforçar as suas convicções, a procurar prosélitos ou a apelar a uma nova Kristallnacht contra os nativos do Sul da Europa? Historicamente, os povos da Europa Meridional são vistos com algum desdém pelos alemães, como mão-de-obra-barata e gente rudimentar, apesar de portugueses, espanhóis, italianos, gregos e até turcos, terem ajudado de sobremaneira na reconstrução da Alemanha do pós-guerra. A desconfiança alemã relativa aos povos do Sul da Europa tende a reverter-se no bode expiatório da sua sociedade, como se tudo o que é mau viesse dos imigrantes e os alemães fossem uma raça assaz virtuosa, pura e … superior.
Também temos por cá manifestações idênticas de racismo e xenofobia, exactamente pelas mesmas “razões”, só que os nossos alvos são outros: os africanos, os asiáticos, os romenos e os ciganos (os portugueses tendem a confundir os dois últimos, o que é uma tremenda injustiça para os restantes romenos). Nem todos os trabalhadores do Leste são vistos da mesma maneira, já que são poucos os que têm a aceitação dispensada aos ucranianos, normalmente ortodoxos, trabalhadores esforçados, instruídos e portadores de uma cultura que não desprezam. Aqui ninguém se preocupa com os diferentes credos, muito embora os muçulmanos, por razões históricas e do passado recente, sejam vistos com alguma desconfiança, desconfiança que é agravada pela diferença de alguns costumes. Contudo, ninguém é preto ou monhé se for rico ou ocupar um lugar de destaque na administração pública (julgo desnecessário citar exemplos).
Se teimosamente continuarmos com dificuldades em aceitar-nos uns aos outros tal qual somos e, se a religião, a política e a economia não nos unem, que seja o amor pelos cães uma das pontes possíveis para o mútuo entendimento, mútuo entendimento que é um dos principais objectivos deste blogue, que a todos ouve, responde e que a ninguém vira a cara. Sim, os cães são para nós um instrumento para a paz, jamais um pretexto fratricida! Gente como a fräulein Celine B. não precisará de tratamento? É melhor que o faça quanto antes para que ninguém venha a pagar pelas suas maluqueiras.

terça-feira, 2 de abril de 2019

COMPANHEIROS DO ARCO-DA-VELHA

Treinar cães entre civis em qualquer parte do mundo não é uma tarefa fácil e em Portugal muito menos, considerando o carácter passional de muitos dos nossos compatriotas, o individualismo inveterado que patenteiam e que obsta ao necessário espírito de equipa, dificuldades infelizmente hoje reforçadas pela contestação gratuita a qualquer tipo de autoridade. A vulnerabilidade que acompanha grande número de proprietários caninos, para quem desistir é tão natural como trocar de camisa, quando somada à sua falta de pontualidade, escassa carga horária, ausência de ambição, desprezo pela recapitulação e outros (muitos) interesses, acaba por condicionar negativamente todo e qualquer programa de adestramento previamente delineado, por atentar contra o cronograma de actividades e obrigar à constante mudança de planos de aula. Este caos, que acabará por levar ao desaproveitamento de avultado número de cães, atinge outras áreas e actividades na nossa sociedade, ao ponto de transformar um esforçado ucraniano com 30 anos de Portugal num refinado preguiçoso e um austero pregador teutónico num borracho incorrigível.
Transitando para o que nos toca, importa dizer que os nossos trabalhos de Sábado iniciaram-se com percursos urbanos pré-determinados, visando o melhor controlo dos condutores sobre os cães e um desempenho binomial confortável e descontraído, percursos desenvolvidos em forma de gincana entre árvores e mesas de jardim.
O andamento natural solicitado aos cães foi o passo, para que melhor atentassem para os donos e pudessem acompanhá-los em qualquer velocidade ou andamento nos mais variados percursos. Na foto abaixo podemos ver o desempenho confortável e seguro do binómio Paulo/Bohr.
Logo no início dos trabalhos fomos visitados pela Joana Moura, ex-aluna que entre nós cresceu e que vai terminar agora o Curso de Medicina. “Como quem sabe nunca esquece” e importava alentar os condutores presentes, pedimos à Joana que conduzisse por momentos o CPA Bohr, pedido a que acedeu prontamente e de modo descontraído.
Entre exercícios e sempre a pensar na melhor preparação do CPA Bohr, o Adestrador aproveitava os obstáculos mais intrincados para esse efeito, apostado em melhorar a resposta do Pastor Alemão e aumentar a sua capacidade de resolução.
Quando menos esperávamos, fomos surpreendidos por uma tuna académica constituída unicamente por mulheres que, com a irreverência e arrojo próprios da idade, cantavam e encantavam todos os que por ela passavam. Pedimos-lhes que nos deixassem colocar os cães a seu lado, para melhor  acostumá-los aos diferentes ruídos e sons, à música, aos músicos e aos dançarinos de ocasião. O Adestrador deu o exemplo e tudo parecia correr conforme o esperado. Só que a Doberman Lupa não se agradou muito da tocadora do tambor e do seu instrumento, entendendo-os respectivamente como presa e corneta de caça.
Perante a excitação das manas Doberman, optámos por afastá-las um pouco daquela tuna, tendo o cuidado de acalmá-las, conforme atesta a foto seguinte onde vemos a Svetlana a serenar a Russa.
Ainda que relutante a princípio, o Bohr acabou por aproveitar aquele concerto de jardim, indiciando estar a tomar conta das ofertas. O Paulo também apreciou a apresentação e a sua alegria encontra-se estampada na foto que se segue.
Aproveitando as novidades na transição dos ecossistemas, o Adestrador ia descobrindo novos obstáculos para o CPA Bohr. Na foto abaixo podemos ver o cão a vencer um obstáculo tipo alvo elevado a 90 cm de altura.
Com o José Maria e o João como testemunhas, o Bohr foi ainda convidado para vencer um obstáculo estreito e sem balizas, executando um salto de precisão sobre uma caixa metálica cuja utilidade continuamos a desconhecer.
Em substituição da “Mesa Alemã” e da “Passerelle”, valemo-nos de dois bancos de jardim para convidar os cães a deitar-se correctamente, primeiro na base mais larga e depois na mais estreita. Na foto seguinte vemos a prestação do José Maria e da Mel, onde é visível o indesejável encaracolar da cadela, invariavelmente sujeita a poucas sessões de treino.
Em baixo podemos ver a execução correcta de uma das Doberman, obra do João que na ocasião se prontificou a executá-la. A posição de esfinge da cachorra não deixa dúvidas a ninguém e a alegria do seu condutor ocasional muito menos.
Perante as dificuldades de acerto do José Maria e da excelência da CPA Mel, o Adestrador veio em socorro do binómio e exemplificou como executar correctamente a tarefa, realçando o particular e importância das ajudas a aplicar.
O Afonso, por desígnio do pai, acabou por executar a mesma tarefa com o CPA Bohr, trabalho que executou de modo deficitário, uma vez que o CPA aparece de cauda recolhida, quiçá por se sentir incomodado e estranhar aquela liderança.
A Svetlana conseguiu deitar correctamente a Doberman Russa sem maiores dificuldades. Contudo, o desaprumo de joelhos desta cachorra russa é por demais notório, uma vez que não consegue encostar totalmente os anteriores no solo, menos valia morfológica que não impede grandemente o seu desempenho laboral.
Como o trabalho da manhã deu frutos, o José Maria conseguiu deitar correctamente a CPA Mel no “Espelho de Solo”. Se repararmos com atenção no pé esquerdo deste condutor, vemos que se encontra a pisar levemente a trela, o que indicia dificuldades no “quieto” quando a cadela se encontra deitada, dificuldade que obviamente terá breve duração.
A foto seguinte, típica do Paulo Jorge e digna de antologia, com o seu quê de deselegante e caricato, parece sugerir que o João se está a borrar para a cadela ou a ameaçar dar-lhe com o traseiro caso não se deite, quando na verdade se está a levantar, depois de se ter dobrado para ajudar a cachorra no exercício. No entanto, desconhece-se o porquê da cara de espanto do José Maria.
José Maria que experimentou com a CPA Mel, pela primeira vez, a subida e descida de uma escarpa pedregosa, onde foi por demais evidente a inexistência e socorro do comando de “atrás”, uma vez que a cadela avança na frente do seu condutor, provocando-lhe insegurança, desequilíbrio e desconforto.
Quando as balanças acusam a sobrecarga e um homem ultrapassa os 100 kg (fala a experiência), a melhor maneira de descer uma ravina “é de quatro”, isto se não quisermos descer mais depressa que o esperado. Aqui a Doberman também não foi simpática, porque ao invés de obedecer aos comandos do dono, que lhe solicitava quer a imobilização quer o “atrás”, antes quis embalar na descida.
No meio de tanta azáfama fomos surpreendidos por dois arco-íris, que engalanaram a cidade e que nos acompanharam até ao final dos trabalhos, dando-lhes um carácter simultaneamente intemporal e mítico, apesar de serem simples fenómenos da refracção da luz.
Este Sábado bem podia chamar-se de “O Sábado do José Maria”, porque o homem “foi a todas” e nem hesitou em ser cobaia, mostrando uma prontidão louvável mercê das suas disponibilidades física e anímica. Na foto abaixo vemo-lo prontíssimo para arrancar.
As Doberman gostaram deveras daquela presa, porque se mostrava bem, provocava quanto baste e fugia como uma desalmada. Também, se assim não fosse, o José Maria teria levado para casa alguns mimos inesperados.
A dispensa ou inexistência de protecções levou o homem a defender-se como pôde, defendendo vigorosamente o seu refúgio da invasão das cadelas, que apesar da resistência oferecida e dos golpes desferidos não desistiram dos seus intentos.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Afonso/Bohr; Afonso/Lupa; Joana/Bohr; João/Lupa; José Maria/Mel; Paulo/Bohr e Svetlana/Russa. Os donos do Bjorn aproveitaram o fim-de-semana para ir à Ilha da Madeira, o dono do Soneca foi obrigado a trabalhar no Sábado e a Carla não deu sinal de vida. No próximo Sábado descobriremos novas aventuras lado-a-lado com os nossos cães, provavelmente sem a companhia do Arco-da-Velha.