quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

HOJE SUOU-SE A CAMISA!

A manhã de instrução de hoje começou bem cedo, antes das 09 horas, debaixo de neblina cerrada e com o orvalho a cair repetidamente das árvores. Importava primeiro acostumar a Maggie à sua nova fatiota e nada melhor do que fazê-lo a trabalhar, tanto no círculo de obediência como nos obstáculos. A Bull Terrier gostou da experiência e andou toda a manhã vestida com o seu colete tricolor, sem mostrar qualquer intenção de o tirar.
Depois pegámos nos cães grandes (Pastores Alemães e Doberman) e começámos pela condução linear, evoluindo dali para a troca de condutores e para a transposição de um triplo com 40 cm de altura e 60cm de largura. Na foto abaixo podemos ver a Svetlana a conduzir o CPA Capo sobre este obstáculo.
Com o Capo entregue à Svetlana, a Carla convidou o Zeus para o mesmo obstáculo e o Doberman saltou-o irrepreensivelmente devido à velocidade empregue pela sua condutora de ocasião.
Ao ver que os cães estavam a ser prejudicados pelas fracas performances das suas condutoras, o adestrador achou por bem convidar as senhores para uns sprints, para gradualmente poderem melhorar o seu arranque. Como se pode ver abaixo, o convite foi aceite, o empenho foi notório e o exercício voltará a ser repetido.
Depois evoluímos para o círculo de obediência e para a condução com a trela suspensa (pendurada ao pescoço), condução que antecede e prepara os cães para a condução em liberdade, Aproveitámos este tipo intermédio de condução para melhorar a postura das condutoras e diminuir o seu indesejável impacto visual sobre os cães.
Como complemento aos benefícios adiantados atrás, também para combater o stress, as condutoras entregaram uma bola entre si, sempre em andamento e controlando os cães à voz.
No intuito de procurar a supremacia dos comandos verbais sobre a indução da trela, convidámos as condutoras para “a condução de mãos dadas”, exercício que não lhes causou grandes dificuldades. e seguiu-se-lhe um momento de supercompensação.
Já noutro terreno, numa pista de aterragem para helicópteros, valemo-nos doutros obstáculos para ensinar às condutoras o lugar exacto da marcação dos saltos. Na foto a seguir podemos ver a Svetlana a conduzir o Zeus sobre uma vertical de rede com 1 metro de altura.
A Carla, a quem coube conduzir os seus dois CPA’s (Capo e Prada), esteve bastante empenhada e conseguiu alcançar todos os objectivos propostos. Na foto abaixo podemos vê-la a conduzir a Prada sobre uma pequena bicicleta.
Esta Quarta-feira a Svetlana ganhou cor e ânimo, nunca se deu por vencida e levou o Zeus a aceitar todos os desafios colocados na sua frente. O Doberman não se assustou com a apresentação do obstáculo e ultrapassou-o facilmente.
Depois chegou a vez de fazer o “Duo” acoplado a um obstáculo, saltando o Capo sobre a Svetlana e o Zeus, Zeus que na passagem da Carla tentou capturá-la conforme testemunha a foto seguinte.
Há que dar os parabéns à Svetlana pelo excelente salto que proporcionou ao Zeus sobre a Carla e Capo, tornados parte da vertical de rede que foi ultrapassada com mestria e rara beleza.
O Adestrador ainda teve tempo e vontade para exemplificar como ultrapassar os obstáculos presentes, nomeadamente o composto pela vertical de rede e pelo binómio Sveta/Zeus.
Esta Quarta-feira todos “suaram a camisa”, trabalhou-se muito e bem como preparação para as futuras jornadas que aí vêm. Pelo trabalho realizado, condutoras e cães estão de parabéns, elogio que merecem pela aplicação demonstrada.

COMER DEBAIXO DE ORDEM

PRINCÍPIO GERAL: QUALQUER AGRESSÃO OU PREPOTÊNCIA DESMESURADA SOBRE UM ANIMAL QUE ACEITA A HIERARQUIA IMPLICA SEMPRE NUMA DESPROMOÇÃO MAIOR DO QUE O DESEJADO PELA EXPERIÊNCIA E ACEITAÇÃO DA DERROTA, MORMENTE QUANDO O AGREDIDO OU SUBJUGADO É UM CACHORRO COM IDADE INFERIOR AOS 4 MESES OU UMA FÊMEA QUE AINDA NÃO ATINGIU A MATURIDADE SEXUAL.
Vamos agora debruçar-nos sobre um caso concreto onde o princípio atrás adiantado deverá ser observado. Um cachorrinho, com idade compreendida entre os 2 e os 3 meses, separado dos seus irmãos de ninhada e recém-chegado ao seu novo lar, ao ser-lhe distribuído um penso de carne, sôfrego, ataca e fere a mão do seu dono.
Numa situação destas, segundo o consenso popular e o parecer de alguns adestradores pouco recomendados, o dono deverá partir para cima do cachorro e mostrar-lhe quem ali manda, suspendendo o pobre coitado no ar, esfregando-o no chão, apertando-lhe as goelas, dando-lhe duas ou três cacetadas com um jornal ou adiantando-lhe dois sopapos. E tudo isto porquê? Para que não volte a repetir a ”proeza” e para impedir que no futuro venha a atacar o dono. O medo tem nisto tudo uma importante palavra a dizer!
Para quem já se esqueceu, relembramos que o primeiro comando de obediência a instalar num cachorro é a atribuição do seu nome, que funcionará daí em diante como um “CÓDIGO PIN”, não sendo por isso desejável que muita gente o saiba, particularmente pessoas que encontramos na rua, para quem o cão deverá ser um “NO NAME” ou ter outro nome, visando o seu bem-estar, segurança, controlo e serviço. Do mesmo modo, a primeira regra a ensinar a um cachorro é que só deve comer debaixo de ordem e não quando lhe apetece, considerando a coabitação harmoniosa do cão assim como a salvaguarda e bem-estar da família que o adoptou.
Nos casos em que os cachorros têm a ração à descrição tal não é necessário, sendo necessário somente quando lhes damos pensos frescos de carne, tanto crus quanto cozidos. A ordem a instituir é “COME” e só depois dela terá o cachorro autorização para comer. Para que a ordem surta efeito é necessário estabelecer um protocolo com o cachorro, o de esperar quieto até que o mandem comer. Enquanto hesitar e resistir a aquietar-se, não terá ao seu dispor a comida que tanto deseja. Este aguardar da ordem é de suma importância para a futura recusa de engodos, porque devido ao condicionamento operado, o cão não comerá comida jogada no chão sem ordem expressa do dono.
Mesmo nos casos em que os cachorros já morderam os donos, o procedimento é igual e será igualmente eficaz. O dono um condutor de um cão, como qualquer tutor ou professor, deverá ser tardio em irar-se, porque doutro modo denunciará as suas dificuldades ao animal, o que não é nada aconselhável, já que o cão, sentindo-o em apuros, tudo fará para o demover dos seus intentos. O melhor entendimento possível entre homens e cães resulta da interacção que a cumplicidade oferece e que não dispensa como alicerces as regras e os códigos que a sustentam. Agora já todos sabemos qual é a primeira regra a ensinar a um cachorro recém-chegado a casa, que veio para ser amado e não para “começar a enfardar”.

VETERINÁRIOS VIENENSES CHEGAM-SE À FRENTE

Preocupada com os ataques caninos que continuam a suceder em solo austríaco, a CÂMARA VETERINÁRIA (ÖTK) apresentou na Terça-feira o novo “CERTIFICADO DE CÃO ÖTK”, que foi aprovado pelo DEPARTAMENTO PARA O BEM-ESTAR ANIMAL. Trata-se de um curso dado e certificado por veterinários, destinado a todos os proprietários caninos, sem o qual, já a partir de Julho do próximo ano, não poderão cuidar dos seus cães. Veterinários especialmente treinados ensinarão aos donos tudo o que deverão saber sobre o correcto comportamento dos seus cães. O modelo do curso vem da Baviera, será implementado em Viena com poucas alterações, terá uma duração de 12 horas e no final será entregue um certificado.
Os veterinários intervenientes, para poderem passar este certificado, foram primeiro aprovados um curso de treinadores de cães. A partir de Janeiro começarão a ensinar os primeiros proprietários caninos. O preço do curso será determinado pelos próprios veterinários, sabendo-se que cursos comparáveis custam entre 120 e 200 euros. Para além destes cursos, a Câmara Veterinária exige um banco de dados canino nacional. Os veterinários pretendem com estas medidas preparar convenientemente os futuros donos, combater os ataques caninos com um melhor conhecimento animal e padronizar na Áustria os diferentes regulamentos relativos à posse de cães. Apesar de já aprovado pelo Departamento de Bem-estar Animal, a Câmara Veterinária espera que a Cidade de Viena aprove o CERTIFICADO CÃO ÖTK” como um certificado de competência.
Apesar de aparentemente esquecida, longe do mar e abrigada à sombra da Alemanha, a Áustria não dorme e em matéria de novidades sempre anda na crista da onda. O “modelo bávaro” agora adoptado pelos veterinários austríacos, que louvamos como uma tentativa séria para combater os ataques caninos, mas que consideramos insuficiente, terá alguma validade em Portugal? Felizmente não teremos necessidade dele ou doutros para já, porque até os cães são contagiados pela brandura dos nossos costumes.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

OS VALENTES TAMBÉM PRECISAM DE CONFORTO

A MAGGIE apesar de disponível, decidida e valente como poucos, também carece de ser acarinhada e protegida, porque a relação entre homens e cães é baseada numa franca permuta que visa o bem-estar bilateral e o alcance da cumplicidade. Como a sua pelagem não permite a absorção dos benefícios oferecidos pelos raios solares e trabalha invariavelmente à noite, para que “não bata o dente” e se sinta confortável nas horas mais frias, terá que se acostumar a uma vestimenta de lã para esse efeito. De momento sente-se espartilhada e incomodada com a deferência, mas com o decorrer do tempo acostumar-se-á ao acessório.
Não são só os cães brancos de pelo raso que passam horrores no Inverno, mas também os que não têm pêlo duplo, os de peso inferior aos 15 kg, os de idade igual ou superior aos 8 anos, os braquicéfalos, os demasiado magros, os convalescentes e os que apresentam problemas cardíacos, respiratórios ou articulares. A pernoita ao ar livre de cães debaixo destas condições deverá ser evitada no Inverno, pelo que deverão ser recolhidos ao anoitecer ou ataviados de equipamento térmico eficaz. Convém relembrar que a inadaptação de algumas raças caninas em relação ao relógio biológico deve-se acima de tudo ao excessivo manuseamento de que foram alvo por parte dos homens. Assim sendo, há que proteger os valentes!

TRAGA LÁ O CÃOZINHO E FIQUE NOSSO CLIENTE!

O dístico “DOG FRIENDLY” tem livrado muitos da ruína e enriquecido uns tantos em curto espaço de tempo. Com o número de cães a aumentar como nunca e por todo o lado, qualquer indústria ou negócio terá que considerar a sua existência, porque doutro modo só perderá clientela. Também não poderá desprezar as épocas festivas do calendário, nomeadamente o Natal, hoje transformado na festa maior do consumismo. Com o rumo que isto tudo está a levar, não me admirava nada que dentro em breve surja um “CÃO NATAL”, um “SANTA HOUND”, um “SANTA DOG” ou que o trenó do Pai Natal passe a ser puxado por Huskies ou Malamutes que substituirão as renas já muito vistas e por isso fora de moda. Não creio que tal seja imprescindível para tornar cada Natal especial, apesar de haver por aí quem diga o contrário (ver o cartaz abaixo).
Em Caister, Norfolk/ Inglaterra, a Sr.ª Sue Henney, proprietária de um pub local “The Ship Inn”, resolveu dar no passado Sábado um “Christmas doggy dinner” (um jantar de Natal para cães), recebendo 36 clientes caninos tão diversos com os Pugs e os Irish Wolfhounds. Do menu constaram o peru, o pudim de yorkshire, porco enrolado, ervilhas e cenouras, cardápio que donos e cães adoraram, ao ponto dos últimos terem lambido os pratos ao calor da lareira. Os cães foram ainda objecto de uma sessão fotográfica e cada um deles levou de presente para casa duas tortas especiais para cães. Teria sido isto uma tradicional refeição de Natal em família ou algo feito em sua substituição? Cada um saberá de si e com o que conta!
A proprietária do pub, depois de ter dito que o seu estabelecimento é Dog Friendly e que adora receber cães, adiantou que já tinha visto um jantar assim em Bedfordshire e Hertfordshire, o que a levou a querer a realizar uma iniciativa idêntica, apesar da ideia parecer um pouco louca. Como tudo correu às mil maravilhas, Sue Henney espera realizar outro jantar no próximo ano.
Com as famílias em crise e com os indivíduos cada vez mais rodeados por cães, não faltará por aí quem queira aprender as suas 7 “vozes” como quem aprende mandarim, dedicando-se a bufar, ganir, gemer, ladrar, latir, rosnar e uivar. O melhor Natal para os cães é aquele que é passado na companhia dos donos, o melhor Natal para os donos será só na companhia dos cães? Se assim for, mal, muito mal vai o mundo!

O QUE SERÁ MAIS IMPORTANTE: A EDUCAÇÃO OU A PUNIÇÃO?

Nada melhor do que aprender com as lições dos outros para não cairmos no mesmo erro. Em New South Wales, na Austrália, as autoridades municipais optaram por aumentar as multas relativas aos ataques caninos na tentativa de travá-los, já que entre 01 de Abril e 30 de Junho deste ano ocorreram ali 1245 ataques, numa população estimada em 7 797 000 de habitantes. Estes ataques causaram ferimentos leves em 177 pessoas, 133 receberam tratamento médico, 31 vítimas foram hospitalizadas e 303 pessoas escaparam ilesas.
Para se ter uma ideia concreta acerca do número e aumento destas multas em New South Wales, adianta-se que o proprietário ou encarregado de um cão que persegue, ataca e morde uma pessoa ou animal, quer cause lesão ou não, vê a sua multa agravada de 550 para 1.320 dólares; o proprietário de um cão ameaçador ou perigoso que não cumpre com uma exigência legal será multado em 1.760 dólares e não em 1.320 como até aqui; qualquer pessoa que permita a reprodução de um cão perigoso já identificado ou que anuncie a sua disponibilidade para isso, outrora multada em 1.320 dólares, passará a pagar 1.760 e uma pessoa que aceite ser proprietário de um cão ameaçador ou perigoso já proposto ou confirmado, será sujeito a uma multa de igual montante (1760 dólares), tudo isto ao abrigo do Companion Animals Act de 1998 e já posto em prática a 31 de Agosto deste ano.
Os cães que mais ataques perpetraram foram: American Staffordshire Terrier (155 casos), Bull Terrier (Staffordshire) (110), Australian Cattle Dog (69), Pastor Alemão (68), Rottweiler (29), Mastiff (28) Labrador Retriever (27) Husky Siberiano (27) e Kelpie Australiano (26). Destacam-se nesta lista os Labradores e os Huskies, animais pouco ou nada propensos a ataques, será que sofrem ali alguma depressão equivalente à Seasonal Affective Disorder (SAD) que tanto apoquenta os ingleses no inverno? E se o clima não for o responsável por este comportamento, das duas uma: ou são híbridos destas raças ou as suas brincadeiras e alegrias estão a ser confundidas com ataques (1)!
Os especialistas em cães da região disseram que a educação e tão importante como a punição. Wendy Ellis, instrutora-chefe e vice-presidente do Denison Dog Training Club, em Bathurst, convidada a pronunciar-se sobre o assunto, disse que os ataques caninos podem ser evitados com a educação do dono e do cão, que os cães devem ser socializados cedo e muitas vezes em um ambiente seguro e controlado tanto para eles como para os donos, que as crianças devem ser educadas para saber como abordar um cão sem que ele não se sinta ameaçado e que é preciso sabedoria para se escolher uma raça canina, porque se os futuros donos não poderem educar e exercitar os seus cães de acordo com a sua raça, então não deverão optar por ela. Debi Coleman, treinadora de cães na cidade Orange disse, entre outras coisas, que seria ideal se os conselhos locais pudessem ajudar a financiar programas de educação para os donos, já que muitos deles não estão cientes das situações que induzem aos ataques caninos.
A nosso ver, a melhor resposta para a ignorância não é a punição, mas sim a educação. Quem deverá ser punido exemplarmente é aquele que, tendo sido educado, comete deliberadamente actos próprios de ignorante. Do mesmo modo, a prevenção sempre será mais útil do que a punição, uma vez que poupa as vítimas e impede o seu dolo. Por este andar, há que dar razão aos adestradores australianos, à medida que o número de cães aumenta e os seus ataques não cessam, o treino de donos e cães deverá tornar-se obrigatório nas nossas sociedades, porque só assim conseguiremos reduzir drasticamente o número dos ataques caninos que tanto nos atormentam, pois mandar um cão para uma escola sem o dono lá meter os pés de nada vale, o que sucede aqui muitas vezes, quando é exigido a alguém um certificado de obediência básica do seu cão. Mais cedo ou mais tarde, o ensino dos líderes caninos terá que acontecer e os futuros donos terão que reunir todas as condições para isso!
(1)Já tivemos Huskies e Labradores a atacar, mas o seu percentual dentro das duas raças não ultrapassou 0,321%.  

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

CÃES E DRONES COMO OUTRORA GALGOS E ÁGUIAS

Apesar da falcoaria estar a renascer, longe vão os tempos em que os homens caçavam a cavalo, acompanhados de uma águia e um lebrel, modalidade cinegética que árabes e mongóis ainda conservam na sua cultura e tradições. Um caçador assim munido, usufruindo da interacção dos dois animais, um que operava por via aérea e outro por via terrestre, bem depressa e com grande eficácia via satisfeitos os seus intentos, tornando-se assim num exímio caçador e num predador de topo.
Chegados à era das novas tecnologias, com um maior respeito pelo bem-estar dos animais que nos rodeiam, os cães outrora caçadores tornaram-se animais de busca, resgate e salvamento, trabalhando agora em parceria com drones no lugar das águias, para valerem mais depressa a quem necessita do seu socorro. Este novo método cinotécnico, pelo que tem de peculiar, veio agilizar tanto a captura como o resgate de pessoas.
Desde o ano passado que a combinação cão/drone é usada na Suíça por ganhar mais tempo, ser mais eficiente e ser mais rápida a encontrar pessoas desaparecidas. No fim-de-semana que ontem findou, numa busca de 10 milhas ao redor de New Ash Green, Kent/UK, no intuito de encontrar Sarah Wellgreen, desaparecida desde a noite de 09 de Outubro último (há 8 semanas), também foram utilizados cães e drones, ainda que infrutiferamente.
Como se depreende, também os cães terão que se adaptar às novidades tecnológicas para melhorar as suas prestações, trabalhando em parceria com máquinas que substituirão pelo tempo necessário a presença física dos seus condutores, que continuarão a gerir o seu esforço e acções invariavelmente por controlo remoto, o que não sendo uma tarefa de fácil absorção, é felizmente possível graças à extraordinária adaptabilidade canina. No dia em que conseguirmos dotar as máquinas de células animais, o que não deve demorar muito, até os cães serão dispensados das suas históricas e usuais tarefas.

GOVERNO DA TURÍNGIA FINANCIA CERCAS E CÃES GUARDAS DE REBANHOS

O número de lobos na Europa tem vindo a aumentar, principalmente em França, Alemanha e Itália. O aumento desta espécie, que por um lado se saúda, para além de levar os lobos à procura de novos territórios (cada vez mais perto dos aglomerados humanos), está a criar sérios problemas e prejuízos aos ovinicultores, que sempre acabam por perder algum efectivo dos seus rebanhos. Consciente do problema, o Estado alemão da Turíngia aprovou uma nova directiva de financiamento para protecção contra os ataques dos lobos, assinada pela Ministra do Meio-Ambiente Anja Siegesmund (verdes), que estipula que a totalidade dos custos, com cercas especiais e cães guardas de rebanho, será coberta pelo Estado Livre da Turíngia e não apenas parte como até aqui.
Este financiamento não se restringe apenas ao famoso território lupino de caça de Ohrdruf (1), mas abrange toda a Turíngia. No Campo de Treino Militar desta cidade, pertencente ao Distrito de Gotha, foi detectada uma loba pela primeira vez em 2013, que veio a copular com um cão doméstico gerando híbridos, podendo alguns ainda viver com a mãe. O alargamento territorial dos lobos pode ameaçar, mais uma vez, a sobrevivência da sua espécie, uma vez que o número de híbridos cresce a um ritmo assustador. Como vai o crescimento populacional do Lobo Ibérico em Portugal? Sofreu igual aumento? Não têm entrado novas alcateias pelo Gerês? O questionamento é premente, já que temos algures um Centro de Recuperação do Lobo Ibérico. Quantos lobinhos nasceram no ano passado? Quantos são esperados este ano? Estarão por lá a seguir a estratégia correcta?
(1)Cidade alemã em cujos arredores funcionou, entre 1944 e 1945, um campo de concentração adstrito ao de Buchenwald, que chegou a albergar 20.000 prisioneiros, na sua maioria russos, polacos, judeus húngaros, alguns franceses, checos, italianos, belgas, gregos, jugoslavos e alemães. O campo foi construído originalmente para as tropas da Wehrmacht em 1940.

UMA FOTO QUE CORRE MUNDO!

Desde Domingo que esta foto corre mundo através Twitter. Trata-se do caixão de George HW Bush, ex-Presidente dos Estados Unidos, iluminado e envolto na bandeira americana com um labrador deitado ao seu lado. Este cão de serviço, treinado pela ONG America’s Vet Dogs, só ficou à disposição do falecido em Junho deste ano, após a morte da sua esposa que ocorreu na Primavera. O dedicado Labrador chama-se Sully, auxiliava o ex-Presidente num sem número de tarefas quotidianas, acompanhou-o nos últimos momentos da sua vida e vela agora o seu cadáver. Jim McGrath, porta-voz do recém-falecido, escreveu a propósito sob a foto: “Missão completa, missão cumprida”. Nada temos a acrescentar e nem é preciso!

domingo, 2 de dezembro de 2018

OS NEGÓCIOS “TOCA E FOGE” E OS TIMINGS DO ADESTRAMENTO

Segundo ouvi dizer, os melhores negócios são os do tipo “toca e foge”, do “toma lá, dá cá e toca a andar”, que não desperdiçam oportunidade e que dão acesso a outros mais rentáveis, porque no mundo dos negócios o tempo é na realidade dinheiro e é-o de tal forma que, de um momento para o outro - num ápice, algo que valia milhões passa a não valer coisa nenhuma. No adestramento continuado e interdisciplinar também há timings a cumprir, o que sempre obrigará a um cronograma previamente delineado, para que o ensino ministrado esteja de acordo com a idade dos cães e permita que cresçam física e cognitivamente de acordo com a maior ou menor plasticidade que atravessam. Para que isso aconteça é preciso estabelecer metas e objectivos, adequar os métodos aos indivíduos e arranjar para cada cão uma carreira sucedânea ao ensino básico, já que importa não perder tempo diante da escassa esperança de vida canina.

O “BOLO DOS AGUADOS” E A INAPETÊNCIA CANINA

Não poucos proprietários caninos, alarmados com a possível ausência ou diminuição de apetite dos seus cães, querendo vê-los possantes e desconsiderando as possíveis causas da anorexia e hiporexia dos animais, acabam por dar-lhes algo parecido com o “BOLO DOS AGUADOS”, receita tradicional em uso na Galécia até há 50 ou 60 anos atrás, destinada às crianças magras e franzinas, de quem se dizia terem ficado assim por desejar algo que não puderam comer, ficando por isso “aguadas”. Por curiosidade, adianta-se que este bolo era feito de farinha de milho e toucinho do bom, aos quais se juntava umas folhas de tanchagem1 (na foto seguinte). Por fim, era distribuído à criança ou adolescente uma tigela de vinho tinto verde quente com açúcar. Resta dizer que naquele tempo a maioria das crianças não comia o que devia e que não era fácil encontrar um médico pelas aldeias. Após ingerir o bolo, o paciente recuperava o apetite, mas a subnutrição iria continuar a afligi-lo.
A maior ou menor apetência dos cães é em primeira instância decorrente do impulso herdado ao alimento, assentando por isso numa razão genética, por norma resultante de uma selecção arbitrária que poderá passar pela má escolha dos reprodutores. Mesmo que ambos os reprodutores patenteiem um excelente impulso ao alimento, isso não implica que toda a sua prole o tenha, porque não há ninhadas que sejam 100% excelentes e sobram por aí muitas ruins, o que exalta a importância de saber escolher um cachorro e de nele identificar, para além do impulso ao alimento, os outros 5 que dele decorrem e que para ele concorrem, a saber: ao movimento, à defesa, à luta, ao poder e ao conhecimento. Assim, descender de bons pais, não é condição absoluta para se ter um bom cão, há que saber escolhê-lo, o que infelizmente não está ao alcance de toda a gente (sempre será mais fácil escolher cães pela sua morfologia/aparência externa).
Exceptuando os casos em que a excessiva manipulação humana procurou o contrário, criando raças comilonas e pouco activas (obesas), por razões que até hoje não consigo ou não quero compreender, os impulsos herdados ao alimento e ao movimento costumam andar a par e passo: se um cão é enérgico, come bem; se mal se mexe, pouco come. Para além das razões genéticas por detrás da anorexia e da hiporexia, subsistem razões ambientais que se encontram cativas à menor saída dos cães à rua e à ausência de exercício diário regular e apropriado. Justificadamente, havendo pouco ou nenhum desgaste, os cães não terão necessidade de maiores consumos de energia.
Como todos sabemos da relação entre menor apetite e menor desenvolvimento, alguns donos que resistem desesperadamente às evidências e que não se conformam com a sua sorte, tentam por todos os meios ao seu alcance forçar os seus cães a comer mais, caindo no erro de mudar constantemente a dieta dos seus animais, como se estivessem continuamente a ministrar-lhes o “Bolo dos Aguados”, o que ao invés de os tornar maiores e mais robustos, acabará simplesmente por torná-los mais gulosos e progressivamente menos ávidos de alimento. Em síntese, o problema da inapetência canina começa por ser genético e agrava-se por razões ambientais, podendo também acontecer por acção de condicionamento específico, nem sempre à luz dos direitos e bem-estar dos animais.
1TANCHAGEM, designada cientificamente por PLANTAGO MAJOR, é uma planta silvestre nativa da Europa que os europeus espalharam pelo mundo, geralmente encontrada em locais húmidos. As suas folhas e sementes são adstringentes; os seus princípios activos são o tanino, a pectina, a mucilagem (substância viscosa vegetal), alguns glicosídeos e Vitamina K. À Tanchagem são reconhecidas propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e analgésicas. 

sábado, 1 de dezembro de 2018

O BURGER KING JÁ SABE QUE OS CÃES VENDEM

A cadeia de fast-food BURGER KING já se apercebeu-se que os cães são uma marca que vende e há 3 dias atrás lançou um produto gratuito por tempo limitado a que chamou DOGPPER, destinado aos nossos amigos de 4 patas.
Trata-se de um biscoito em forma de osso com sabor a churrasco, somente disponível para os clientes que concorrem ao serviço DoorDash (que fazem o seu pedido a partir de casa) e que encomendam a popular sanduíche Whopper.
No dizer oficial desta cadeia de restaurantes, o Dogpper é “uma solução para os clientes que pretendem desfrutar do seu pedido em casa sem serem interrompidos pelos seus animais de estimação”.
É possível que esta iniciativa da Burger King seja um ensaio para outra maior, que decididamente não será gratuita. De qualquer modo, estamos perante um presente de Natal, ocasião excelente para se testar o lançamento de um novo produto e aquilatar da sua procura e aceitação.

MENSAGEM DE NATAL

No Natal o que se devia celebrar era o Nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus que se fez homem para nos reconciliar com o Pai – o Mensageiro da Paz e o Salvador do Mundo. Todos sabemos que o Natal actual é tudo menos isso, que o consumismo desalojou o religioso e que por causa disso a angústia usurpou o lugar da esperança para muitos, ao ponto de abominarem a época natalícia e tudo o que lhe diz respeito.
Como cristão, para além dos aspectos soteriológicos e como decorrência deles, entendo o Natal como uma excelente ocasião para a paz, para a fraternidade e para o perdão. Como o assunto principal deste blogue prende-se com a temática canina, com o adestramento dos cães e o preparo dos homens, desejava neste Natal que todos se tratassem reciprocamente como tratamos os nossos cães e não como os cães se tratam uns aos outros.
Um bom Natal para todos, pacífico, fraterno e solidário, repleto de esperança no mundo que há-de vir - não estamos sós, temos Deus connosco!