terça-feira, 18 de setembro de 2018

PODIUM E CONDUÇÃO À ARREATA

O PODIUM é um obstáculo constituído por várias bases alinhadas, de distância igual entre si e a diferentes alturas, em disposição de escada, que tanto pode ser feito de modo ascendente como descendente se a sua inclinação e bases o permitirem sem pôr em risco a integridade dos cães. Como em quase todas as transposições, quando feito à trela, manda a técnica que o condutor se adiante em relação ao cão para ajudá-lo a vencer o obstáculo, tanto na sua entrada, como na suspensão e na saída.
Os cachorros CPA CAPO e PRADA que estão ao nosso encargo, agora quase a fazer 8 meses de idade, já fazem este obstáculo sem precisar de ajuda e estão a saltar cerca de 2m entre as bases, distância que para a sua idade é excelente. Hoje coube ao Prado ser convidado para o Podium e conforme se pode ver fê-lo perfeitamente à vontade.
Os mesmos cachorros, conduzidos pela sua dona, saíram para o exterior debaixo da “CONDUÇÃO À ARREATA” (presos numa só trela sem que esta fosse de dupla prisão), manobra que visa o emparelhamento de dois cães pertencentes à mesma pessoa. Para melhor comodidade de cães e donos, o cachorro mais alto deverá ir pelo lado de fora.
Quando os cães são da mesma altura e estádio etário, os cães a colocar junto ao condutor deverão ser: os mais agressivos; os menos disciplinados; os de difícil controlo; os mais medrosos; os menos atletas e as fêmeas. Não havendo a paridade atrás adiantada, serão os cachorros, os cães convalescentes e os mais idosos que circularão junto à perna esquerda do condutor.
Escusado será dizer que os cães deverão evoluir segundo o alinhamento previamente estipulado pelo seu condutor, circulando sem pesar na trela e alinhados entre si. A condução à arreata é também uma manobra de sociabilização animal, um dos exercícios demonstrativos mais cabais do seu alcance.
O cumprimento das ordens solicitadas aos animais neste tipo de condução, maioritariamente comandos direccionais, de travamento e atenção, deverá exigir dos cães uma resposta pronta e sincrónica, servindo por isso como um precioso auxiliar de ensino, quer se procure a obediência ou a sociabilização.
E a da juventude lupina é tudo por hoje, amanhã terão pela frente outros desafios, agora devem estar a descansar à sombra de algum QUERCUS SUBER ou debaixo de algum telheiro onde o vento corra, descanso que merecem pela aplicação que tiveram.

UM DIA NA VIDA DO ZEUS

O Zeus, o jovem Doberman que estamos a ensinar, teve ontem um dia de treino muito preenchido, trabalhando em dois turnos: um diurno e outro nocturno. Começou por recapitular os comandos direccionais que havia aprendido no dia anterior, visando a sua instalação e prontidão, executando o “à frente” e o “atrás” em escadas, para que a sua condutora se apercebesse do seu uso/utilidade e o cachorro musculasse em simultâneo.
Com o “à frente” já assimilado e o “atrás” a necessitar de aperfeiçoamento, passou-se para o ensino do “quieto”, primeiro a 3 metros de distância do animal (com a trela estendida no chão) e depois a maiores distâncias pelo tempo julgado necessário. O cachorro assimilou o comando sem maiores dificuldades e iremos já ver porquê, para além de aquilatarmos do seu uso prático.
Começamos por deixar o Doberman sentado à porta de um estabelecimento comercial, enquanto a sua dona entrava e a procedia a pretensas compras, para que o animal se acostume a esperar por ela quando necessário, quedo e mudo. Intencionalmente começámos por executar esse travamento à porta fechada, pela linguagem gestual e através de uma vidraça.
Evoluímos depois para uma nova circunstância, agora diante de uma loja de porta aberta e com a dona mais distante no seu interior. Também aqui o Doberman não mostrou grandes dificuldades, permanecendo como lhe houvera sido exigido.
Como cão urbano que é, considerando as inúmeras estradas que a urbe tem e a sua salvaguarda, insistimos amiúde no condicionamento “alto - senta - quieto” junto às passadeiras para peões, que ao passar a automatismo, fará com que o animal procure essas passagens protegidas e sempre mantenha os procedimentos correctos: parar, observar e finalmente passar, procedimento que os cães abandonados mais curiosos aprendem por observação dos transeuntes.
A assimilação do comando de “quieto” possibilitou-nos tirar várias fotos do Zeus junto a uma pintura de rua. Atendendo às cores usadas naquele mural, silhueta do cachorro parecia fazer parte daquela imagem, que mostrava um choco em frente de uma traineira e em mar revolto.
Lembrando a coabitação harmoniosa em sociedade que se deseja, que jamais acontecerá sem o alcance de uma sociabilização irrepreensível, também para a fotografia, convidámos o binómio para se integrar noutra pintura urbana, preenchendo um “boneco” ainda por acabar.
Com a temperatura a ultrapassar os 30 graus celsius, fomos obrigados a curtas sessões de treino e a aumentar os momentos de supercompensação, ocasiões que foram aproveitadas para reforçar os vínculos afectivos do binómio em treino.
No treino nocturno, agora com a presença e colaboração do binómio Paulo/Bohr, a ênfase caiu sobre a condução atrelada e linear, para reforço dos comandos direccionais e de imobilização até aqui exercitados.
No final do treino, como testemunho da hora e do local de quem trabalhou, os dois binómios foram convidados para posar junto a um majestoso repuxo, queda de água que nada importunou os animais, quiçá mais interessados em observar os patos circundantes.
E assim se passou mais um dia de trabalho na vida do Zeus, o jovem Doberman castanho, um cão que ao ser recompensado hoje, devolverá o dobro de tudo aquilo que recebeu amanhã.

domingo, 16 de setembro de 2018

UMA ESTRANHA FORMA DE PAGAMENTO!

Em NEUHAUSEN, município alemão de Esslingen, região administrativa de Stuttgart, no Estado de Baden-Württemberg, na noite da passada Quinta-feira, num restaurante situado na SCHARNHÄUSER Straße, um homem de 26 anos que se encontrava visivelmente embriagado, anteriormente identificado como ladrão, pretendia sair do estabelecimento atrás citado com uma garrafa de vinho por pagar. Surpreendido por uma empregada do restaurante, o larápio deu ordens ao seu cão, um rafeiro de grande porte, para atacá-la, sendo a jovem de 22 anos transportada ao Hospital de Neuhausen em consequência dos ferimentos infligidos pelo animal. Devido ao dolo causado e segundo a polícia, o ébrio irá ser presente a tribunal.
Episódios destes remetem-nos para os cuidados a haver na selecção e capacitação de cães para guarda, que só deverão ser aceites pelo equilíbrio e idoneidade encontrados nos seus condutores, já que um cão assim tanto serve para atacar como para defender, tanto para guardar como para roubar, porquanto é uma arma e como tal, nada deverá estar ao alcance de todos ou ser distribuída arbitrariamente, como acontece nos Estados Unidos e noutros países “sem rei nem roque”, onde a vida humana tem pouco ou nenhum valor. Um cão poderá ser usado para protecção e segurança, mas nunca para a coacção deliberada, nua e crua, porque não o queremos para criminoso, agente subversivo ou terrorista.

sábado, 15 de setembro de 2018

BERGNEUSTADT: UMA SOLUÇÃO INTELIGENTE

Os alemães são conhecidos por terem regras para tudo, e de tal maneira as têm, que chegados à aposentadoria e cansados de obrigações, rumam para os países do sul, avessos às regras que dizem respeitar e que tradicionalmente cultuam o individualismo, locais excelentes para se morrer em paz (descansado). Por causa disto é comum ouvirmos de tugas emigrados em terras teutónicas que a Alemanha é um país bom para se trabalhar e mau para se viver!
Na cidade de BERGNEUSTADT, pertencente ao Oberbergischer Kreis, distrito administrativo da Renânia do Norte-Vestefália, em Koln (Colónia) e ao Conselho Regional da Renânia/Alemanha, o principal comité do seu Conselho aprovou por unanimidade um novo tarifário relativo aos “cães perigosos” e aos comuns, visando um duplo objectivo: dissuadir a aquisição de cães considerados perigosos e reverter as receitas desse licenciamento para o abrigo de animais KOPPELWEIDE.
Assim, e começando pelo tarifário dos CÃES PERIGOSOS, um cão custará anualmente 660€, dois custarão 840€ e de três em diante 960€, isto se o seu proprietário for o mesmo. O novo tarifário a aplicar aos cães considerados NÃO PERIGOSOS, quando do mesmo dono, passou a ser de 96€ para um cão, 120€ para dois e 144€ de 3 em diante, o que equivale a dizer que a licença de um Pitbull ou de um Rottweiler custa sete vezes mais do que a cobrada por um Dachshund!
E por falar em Pitbulls e Dachshunds, para quem tem curiosidade em saber no que daria um cruzamento entre ambos, mostramos na foto seguinte um híbrido destes, um animal cuja morfologia não deixa de causar estranheza, maior até do que aquela que alguém sente quanto vê um Dachshund pela primeira vez.
Quando dissemos no segundo parágrafo que o dinheiro dos licenciamentos ia para o abrigo de Koppelweide, não faltámos a verdade, muito embora a contribuição urbana para esse abrigo vá para além dessa verba.
A relação entre a autarquia e o abrigo de animais é inteligente e viável, porque a edilidade de Bergneustadt ao financiar o abrigo diminui os seus gastos em instalações, pessoal, seguros, manutenção, etc., e o último vê garantidas a sua subsistência e actividade, pelo que a equipa do BÜRGERMEISTER WILFRIED HOLBERG (na foto seguinte) está de parabéns, ao provar que há parcerias público-privadas que funcionam.
A solução encontrada em Bergneustadt não é única na Alemanha e é viável em Portugal. Pergunta-se: Terá algum sentido manter canis municipais onde existam vários abrigos de animais em situação económica difícil? Ao ajudar os abrigos, que contam com o trabalho voluntário dos seus associados, as Câmaras não poupariam dinheiro? Não é só o Estado que está carenciado de reforma, as autarquias também, porque os seus modelos estão caducos e são demasiado dispendiosos, ao ponto de se tornarem incomportáveis. Só novas regras poderão vencer a falência herdada de velhas tradições. E, regras por regras, nesta matéria, as dos alemães não são más - funcionam!

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015  
2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 12/05/2016
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ DOBERMAN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, editado em 06/03/2016
5º _ PACHÓN NAVARRO: UNIR EL PASADO AL PRESENTE, editado em 01/07/2015
6º _ QUAL SERIA A RAÇA DO “CÃO DOS BASKERVILLE”?, editado em 14/04/2016
7º _ O AZEITE PRÀS CARRAÇAS, editado em 24/06/2010
8º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 25/06/2011
9º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015
10º _ ESPELHO DE SOLO & VALA, editado em 13/09/2018

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Brasil, 2º Portugal, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Alemanha, 6º Suíça, 7º Moçambique, 8º Angola, 9º França e 10º Ucrânia.

OS CÃES DO COWBOY JÁ CHEGARAM À ÁFRICA DO SUL!

JOE BRAMAN, um treinador de cães profissional com 35 anos de experiência, hoje aposentado e empresário ligado ao vinho e à cerveja, depois de haver treinado um grupo de 10 cães no seu rancho, em REFUGIO COUNTY, no Texas/USA, próprios para caçar caçadores furtivos, fê-los chegar à ÁFRICA DO SUL onde serão entregues ao SOUTHERN AFRICAN WILDLIFE COLLEGE (SAWC), para ajudarem a parar a caça furtiva no PARQUE NACIONAL KRUGER, nomeadamente ao rinoceronte que se encontra em vias de extinção.
Estes cães texanos, que são um presente de Braman e que vêm reforçar o efectivo canino já em actividade naquele local, foram seleccionados, testados e treinados para rastrear o odor humano. Ao invés dos outros cães, que trabalham com uma trela longa, estes são soltos para surpreenderem e apanharem os caçadores furtivos, tendo uma VELOCIDADE MÁXIMA DE 40 KM/H EM DISTÂNCIAS CURTAS E CONSEGUINDO COBRIR 30 KM EM APENAS 2 HORAS.
Treinados afincadamente para isso, eles irão agarrar os perseguidos pelas roupas e impedir que fujam, até que alguém chegue para os prender. Braman faz questão de dizer que estes cães, em tudo idênticos aos que perseguem os prisioneiros evadidos nos States, “NÃO SÃO ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO, MAS SIM FERRAMENTAS E CÃES MESMO MAUS”, adiantando que as cicatrizes que traz no corpo são mostra disso, porque no meio da confusão chegam a morder-lhe.
A aproximação entre Joe Braman e o Southern African Wildlife College ficou a dever-se a IVAN CARTER, FUNDADOR DO SAWC, que há muito conhece e reconhece as mais-valias do trabalho desenvolvido pelo texano, sem dúvida extremamente útil e adequado para travar a caça ilegal de rinocerontes, cujos chifres são vendidos a 3.000 dólares por libra (0,45359237 kg), de acordo com um relatório publicado pela NATIONAL GEOGRAPHIC em 2016.
Braman, um verdadeiro cowboy da actualidade, já caçou praticamente tudo com auxílio de cães, desde humanos, linces, coiotes e até leões da montanha. Estou em crer que no primeiro impacto os cães levarão vantagem pela surpresa, vantagem que perderão logo que começarem a cair em armadilhas, forem alvejados ou envenenados, porque sem a presença do seu dono ou condutor, qualquer cão, ao aumentar a sua vulnerabilidade, torna-se num alvo fácil de abater. Oxalá os cães doados pelo texano alcancem longa vida e efectuem grande número de capturas, o que infelizmente será pouco provável pelos montantes em jogo.

NÓS POR CÁ: CÃES DE PROTECÇÃO ÀS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Na passada Terça-feira pudemos ver na TVI24 uma pequena reportagem sobre cães de presumível protecção às vítimas de violência doméstica, que começou com a defesa de um contentor onde se encontrava uma senhora chamada Sofia e um CPA bicolor com um nome parecido a “Max” (não podemos garantir o nome exacto do animal devido à gritaria presente na peça). Depois ficámos a saber que se trata de uma associação com o nome de “Knine Service”, que intenta implantar um projecto denominado de “Anúbis”, direccionado para as vítimas de violência doméstica, a partir do treino de cães adoptados e não-adoptados para esse fim, treino esse que deverá ser personalizado e que terá como preocupação coadunar o perfil psicológico das vítimas com o dos cães que necessitam. Para além disto, segundo se fez saber, o treino terá também uma componente psicológica e serão ainda adiantadas às vítimas técnicas de defesa pessoal. Entende a associação atrás citada ter como parceiros estratégicos as associações de apoio e protecção às vítimas de violência doméstica.
Tivemos oportunidade de ver na peça um dos ataques do CPA sobre um pretenso agressor, animal tão bem comportado que dispensou a parte inferior do fato de ataque e foi morder numa das mangas do casaco destinado a esse trabalho. Um dos intervenientes na reportagem fez questão de dizer que aquele projecto nada tem a ver com religião, contra-senso face ao nome do projecto – “Anúbis”, que como é sabido, era o Deus egípcio que guiava as almas dos mortos ao submundo. E, se isto nada tem a ver com religião, então o projecto parece ser de índole justiceira. Quem serão os mortos a encaminhar? É possível que sejam os agressores, mas será esta a justiça preconizada pela nossa Constituição? Por outro lado, talvez por lapso, em nenhum momento da reportagem foi adiantado quanto custará o treino e quem o pagará.
O que nos foi dado a observar na peça aponta simples e indubitavelmente para as atribuições dos cães de defesa pessoal, serviço há muito prestado pelas escolas caninas dedicadas a esse ofício. A haver alguma diferença, ela assentará na oportunidade e aproveitamento do tema, na aplicação do adestramento clássico (ortodoxo) para solucionar um problema simultaneamente antigo e actual. Infelizmente nenhum cão conseguirá tirar a maldade dos homens, mesmo através da justiça do “olho por olho; dente por dente”. Num país onde a maioria das mulheres é assassinada à facada pelos seus companheiros, a sua defesa pelos cães ainda aumentaria mais a fúria dos seus algozes, que usando de maior subversão, surpreendê-las-iam de outro modo, quiçá até mais violento e tragicamente mais eficaz, que nem os cães pouparia.
A protecção às vítimas de violência doméstica, quando bem entendida, deverá assentar sobre a prevenção advinda da educação, esclarecimento, denúncia e apoio às vítimas, porque está intimamente ligada a diversos factores culturais onde se destacam a tradição, a aceitação, a ignorância e diversas patologias. A nosso ver, e esta não é a nossa praia, a denúncia da violência doméstica deverá acontecer primeiro no seio familiar e depois nas escolas primárias, antes da puberdade dos indivíduos e dos namoros que lhe sucedem.
E depois, considerando que um cão assim é uma arma, os acidentes acontecem, os traumas não desaparecem por édito real e transformar alguém num líder capaz é tarefa quase impossível, a posse do animal não poderá vir a ser igualmente perigosa para o próprio e para terceiros? Não resultará em mais vítimas inocentes? Serão os psicólogos milagreiros ou omnipresentes? Decididamente o pânico não é bom conselheiro, porque tende a substituir os protocolos necessários pelas acções automáticas que desperta.
Conscientes disto, quando ministrávamos aptidões para cães de guarda, sempre rejeitámos aqueles cujos donos se encontrassem transtornados, debilitados, dominados por sentimentos de vingança, que fossem imaturos, desequilibrados ou de natureza colérica. O melhor combate contra a violência doméstica não poderá passar pela sua provocação ou estímulo, reacções que o uso dos cães poderá despoletar (espicaçar) sem maiores dificuldades. Como o problema não é individual nem tão pouco esporádico, a sua solução terá que ser de natureza social. Nós acreditamos na educação que induz à prevenção e à denúncia. E enquanto isso não suceder (é preciso tempo), não nos resta outro remédio do que apoiar às vítimas, sem contudo as sujeitar ao vicioso jogo do “toma lá, dá cá”. Cabe aos tribunais determinar a sua protecção e solicitá-la às polícias. Vivemos ou não num Estado de Direito? Se sim, então não poderemos calar-nos quando os nossos direitos são desrespeitados, mormente quando alguns de nós perdem o maior deles – o direito à vida!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

ESPELHO DE SOLO & VALA

Temos nas nossas fileiras um novo binómio escolar, o constituído pela SVETLANA e pelo ZEUS, binómio que foi apadrinhado pelo Paulo Motrena e pelo Bohr. A Svetlana é uma jovem moldava radicada em Portugal e o Zeus é um Doberman castanho ainda cachorro, humilde, cúmplice, disponível, alegre e sempre bem-disposto. Na tarde de hoje foram convidados para a prática do ESPELHO DE SOLO nos terrenos de uma unidade militar desactivada. O desempenho deste binómio recém-chegado foi aceitável perante a novidade a que se viu sujeito, o que nos leva a crer que temos binómio!
Como o tempo estava quente e treinar dobermans exige alguns cuidados suplementares, reduzimos a sessão de ginástica cinotécnica à transposição de uma vala através de um tronco de árvore, exercício próprio para desenvolver o equilíbrio do cachorro, robustecer o seu carácter, dotá-lo de maior autonomia e reforçar a cumplicidade com a dona. Vencidos os temores e dificuldades iniciais, que não foram muitos, o que nos apanhou de surpresa, bem depressa o Zeus aprendeu a fazer À FRENTE naquele tronco.
Vencida essa meta, passámos para a segunda e foi pedido ao cachorro que executasse o ATRÁS sobre o tronco, exercício que executou naturalmente, isento de stress e a gosto, parando por vezes para cheirar o tronco, quiçá pela novidade de odores.
O dia de amanhã trará novos desafios e exercícios, trabalho ao alcance deste binómio que tem tudo para os vencer, porque a condutora é decidida e o cachorro não a quer deixar ficar mal. Muitos anos depois, mais de uma década, voltámos a treinar um Doberman e confessamos que já tínhamos saudades.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

PARA QUE O NOSSO CÃO TENHA LONGA VIDA

Na noite da Sexta-feira passada, em MÜLHAUSEN (Alsácia), no Departamento do Haut-Rhin/França, um casal passeava pelas ruas daquela comuna, a segunda mais importante da Região do Grande Leste, logo atrás de Estrasburgo, quando avistou um seu conhecido que era proprietário de um restaurante.
O homem fazia-se acompanhar pelo seu cão e avisou expressamente os seus interlocutores para não lhe fazerem festas. Não obstante, a senhora abeirou-se do cão e acabou mordida no rosto, vindo depois a ser socorrida pelos bombeiros locais. O marido, um homem de 45 anos, momentos depois do incidente, invadiu o restaurante do proprietário canino de faca na mão e esfaqueou o cão 3 vezes, causando-lhe a morte (o animal não pôde defender-se por se encontrar amarrado).
A polícia interveio rapidamente, levou o faquista sob custódia, identificou-o e intimou-o para uma audiência no Tribunal Criminal, onde será julgado por posse ilegal de arma e por violência contra um animal. Esta notícia chegou-nos através do jornal regional alsaciano online “DNA” (Dernières Nouvelles d’Alsace), fundado em 1 de Dezembro de 1877 sob o nome de “Straßburger Neueste Nachrichten” por Heinrich Ludwig Kayser, um editor e impressor alemão.
Para incorrer numa situação destas basta ter um cão, porque também aqui, apesar dos repetidos avisos dos seus proprietários para não o fazerem, há sempre loucos que se lançam sobre os cães alheios, vulgarmente sem autorização e pré-aviso, para já não falarmos daqueles pais que mandam os seus filhinhos para cima de cães que nunca viram e cujo comportamento desconhecem, sujeitando-os assim a ataques de maior ou menor gravidade e até letais.
Como este lamentável assédio pode acontecer a qualquer hora do dia ou da noite e acontece quando menos se espera, caso alguns dos nossos leitores tenham cães que se desagradem de estranhos e/ou que tenham aversão a bajuladores inadvertidos, aconselha-se que saiam à rua com os animais atrelados e açaimados para segurança dos demais, considerando a loucura que por aí vai. Ao proceder assim, para além de se proteger quem não usa de cautela, estamos a laborar para que os nossos cães tenham vinda em abundância.
Pensando bem, porque os cães também se assustam e apanhados de surpresa podem ter reacções imprevisíveis, por via das dúvidas, o melhor que há a fazer é açaimá-los todos face à ignorância que nos cerca.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

A DESGRAÇA NUNCA ABANDONA OS TOLOS

Quem já comandou ou geriu pessoas sabe que a desgraça nunca abandona os tolos e que os disparates raramente os largam. Antes doutras considerações, vamos ao factos, revelados na última Sexta-feira pelo INDEPENDENT online. Na cidade de Forest Park, no Condado de Clayton, Estado da Georgia/USA, TERIKA GEORGE (na foto abaixo) tinha por hábito confiar a sua filhinha de 5 meses a uma baby-sitter amiga de longa data da família, senhora que por sua vez coabitava com um Pastor Alemão dentro de casa. Faz hoje oito dias, a baby-sitter deitou a bebé num quarto e foi dormir para outro. Às 3 da madrugada do dia seguinte (Quarta-feira), a polícia recebeu uma chamada da baby-sitter a comunicar que um Pastor Alemão havia matado uma bebé. A família da criança ficou perplexa com o sucedido, a mãe diz que sempre estará com ela, criou uma página no GoFundMe para ajudar nas despesas do funeral e o cão foi abatido! Casos como este não faltam por este  mundo afora, gente que de tão ignorante que é, nem é capaz de defender os seus próprios filhos!
Quem terá sido o responsável pela morte da criança? A baby-sitter, a mãe da criança (ignoro se o pai vivia com ambas) ou o cão? Culpado ou não, o cão já foi sentenciado e executado, apesar de ser, a nosso ver, o menos culpado (foi um Pastor Alemão, podia ser outro cão qualquer). Todos sabemos que muitos cães são territoriais e por causa disso zelosos dos seus donos. Quando entendidos como pessoas e dispensados de regras, tendem a aumentar o seu sentimento territorial, a entrar em “excesso de zelo” e a inventar serviço, mistura explosiva que os pode levar a varrer quem entrar no seu território, se aproximar dos seus donos ou merecer destes alguma atenção, atenção que geralmente desaprovam e que não gostam de dividir com ninguém. Vistas as coisas deste prisma, não podemos culpar o cão, porque entendia aquela casa como sua e a bebé como um intruso (como faria a outro cão). Pelo modo como as coisas correram, facilmente se concluem dois coisas: que o animal não foi objecto de qualquer tipo de treino para além daquele que a convivência com a dona lhe ofereceu e que esta não foi a líder que ele precisava.
Ao isentarmos de culpa o animal, sem dificuldade constatamos da co-responsabilidade da dona na trágica morte da criança. E dizemos que é co-responsável porque cabe aos pais olhar pelos filhos e é sua responsabilidade (entre outras obrigações) protegê-los, responsabilidade que esta mãe desleixou ao confiar no cão da amiga. Pelo pouco que nos é contado, estamos perante pessoas na base da pirâmide social, onde a miséria e a ignorância se confundem, ao ponto de se tornarem indistintas e indissociáveis. Baby-sitter e mãe, diante da morte da criança, acabaram por cometer HOMICÍDIO POR NEGLIGÊNCIA, porque expuseram a bebé ao perigo por imprudência e extrema imprevisão, violando dessa maneira o dever do cuidado e enveredando pela omissão das cautelas necessárias. Não creio que as duas mulheres venham a ser julgadas por qualquer crime, muito embora o tenham cometido. E no final das contas, uma ficará com uma dívida enorme perante a outra e esta esperará que o tempo consiga sarar a sua dor.
Como estamos fartos de saber da morte de bebés à boca de cães e não nos agradamos disso, como não nos agradamos da morte dos animais (com isto não estamos e nem pretendemos colocá-los em igualdade), alertamos os pais para os riscos de confiarem os seus bebés a baby-sitters que coabitam com cães dentro da mesma casa e que não têm sobre eles absoluto controlo, mesmo que os cães aparentemente pareçam confiáveis e não tenham até ali históricos de violência (ataques). O aviso está dado e espera-se que surta efeito!