segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O MUNDO À NOSSA VOLTA: UM PLANO MARSHALL PARA ÁFRICA

Quase 133 anos depois do final da CONFERÊNCIA DE BERLIM, ocorrida entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885, onde as potências imperiais europeias (Alemanha, Áustria-Hungria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Noruega, Países Baixos, Portugal, Rússia e Suécia) decidiram como dividir entre si o Continente Africano e diante da actual invasão massiva da Europa por migrantes vindos de África, os líderes da França e dos 3 países do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) propuseram, há 4 dias atrás, uma cimeira informal europeia em Salzburgo, marcada para o dia 20 deste mês, visando o apoio comunitário aos países africanos que enfrentam a crise migratória.
Este anúncio foi feito pelos líderes dos 4 países, após uma reunião que teve lugar no Luxemburgo e que juntou o Presidente francês, EMMANUEL MACRON, e os primeiros-ministros luxemburguês, XAVIER BETTEL, holandês, MARK RUTTE, e belga, CHARLES MICHEL. Estes Chefes de Estado desejam um compromisso menos vago do que o alcançado na Cimeira da União Europeia em Junho deste ano e colocar em prática “acordos como os alcançados com a Turquia”, segundo fez saber Mark Rutte (em Março de 2016, a Turquia aceitou reduzir fortemente o fluxo migratório através do seu território em troca de uma importante ajuda financeira da UE). Charles Michel, primeiro-ministro belga, entende que “a União Europeia deve implementar uma versão do 'Plano Marshall' em África, com uma ambição operacional concreta com os parceiros africanos".
A questão dos migrantes está a fracturar a União Europeia e os seus estados membros, a pôr em causa a política externa comum, a exaltar nacionalismos e a fazer recrudescer os partidos de extrema-direita, que obviamente são contra a actual corrente migratória contínua com destino à Europa, conforme fazem saber os nacionalistas italianos e húngaros no poder, que não querem ser invadidos nem tampouco desejam ser corredores de acesso ao Espaço Schengen. Enquanto os políticos se confrontam nos seus parlamentos e comissões, o número de migrantes vindos de África não pára de aumentar, o que aponta para a necessidade urgente de se encontrar uma solução.
A possibilidade de se implementar um “Plano Marshall” em África seria o ideal e ao mesmo tempo justo, uma vez que os europeus depauperaram de tal maneira este Continente que agora se vêem confrontados com a chegada dos seus famintos habitantes. Do ponto de vista estratégico a ideia faz sentido, resta saber quem subsidiaria tal plano e quanto isso custaria a cada estado membro, particularmente agora que as economias europeias se apresentam pouco estáveis. Dar condições de vida aos africanos para não saírem da sua terra seria óptimo e desejável, coisa que os chineses já estão a fazer, mas não de forma desinteressada, na procura desenfreada por matérias-primas. Se os europeus foram os leões devoradores das riquezas africanas, os chineses virão a ser os seus abutres.
Também no que respeita aos migrantes, a defesa da Europa deverá acontecer para além das suas fronteiras e não dentro, porque doutro modo traremos a guerra para a soleira da nossa porta e facilmente seremos vencidos pela surpresa. Tornar este mundo próspero é a única via eficaz para preservar a multivariedade de culturas e diferentes modelos de sociedade, pois é a sobrevivência de todos que está em causa! Parece-me que a proposta do Sr. Macron & Companhia é a melhor que ouvimos até aqui e faz todo o sentido!

DETROIT: FOGO À PEÇA E DEITA ABAIXO!

Talvez a maioria dos nossos leitores nunca tenham ouvido falar no termo “CANICÍDIO”, normalmente utilizado para descrever a morte violenta de um ou mais cães, que é exactamente o que está a acontecer na cidade de DETROIT, a mais populosa e famosa do Estado norte-americano do Michigan, cuja principal fonte de renda é a indústria automobilística, pois é ali que a General Motors tem a sua sede a também a Ford Motor Company está sediada na sua região metropolitana, em Dearborn.
Como se calcula a morte dos cães nada tem a ver com a indústria automóvel dali, mas sim com a actuação da polícia daquela área metropolitana, que só no ano passado matou 54 cães, alcançando novo recorde e mais do dobro dos cães abatidos em Chicago, cidade que tem mais 2 milhões de habitantes. Em simultâneo e por causa disso, na defesa da sua polícia, a Detroit está a tentar defender-se das acções judiciais que lhe movem os seus moradores, cidadãos que reclamam indemnizações pela morte dos seus cães durante os raids policiais antidroga que, com os custos judiciais, já somam várias centenas de milhares de dólares.
A unidade policial local que mais cães abate é a MAJOR VIOLATORS UNIT, que realiza centenas de ataques antidroga por ano e que até há bem pouco tempo tinha por hábito deixar atrás de si um rasto de cães mortos, havendo um elemento dessa unidade que atirou em 80 cães e matou 69. Convém relembrar que alguns destes cães servem para manter a polícia distante e proteger os traficantes. A situação em Detroit é muito complexa e drogas por lá não faltam.
A situação demográfica da cidade, intimamente ligada à indústria automóvel, também colaborou para o aumento da delinquência e dos abusos policiais, já que a chegada dos trabalhadores afro-americanos para as fábricas de automóveis levou a população euro-americana para os subúrbios, constituindo-se a cidade num verdadeiro gueto, onde não faltam pilhagens e assaltos, por vezes provocados pela crise ou pelos despedimentos na indústria automóvel local.
E como a polícia ali assumiu dois princípios que as suas congéneres europeias descartaram há muito, o do “OU HÁ MORALIDADE OU COMEM TODOS” e o de “ATIRAR ANTES DE PERGUNTAR”, muitos cães são abatidos por prepotência, desrespeito, mau-hábito e “engano”, mesmo quando se encontram presos. Como resultado disso, as famílias que assim se viram privadas dos seus animais de estimação, acabam por exigir à cidade pesadas indemnizações.
Quando estamos a falar destes cães, não nos estamos a referir-nos propriamente a Golden Retrievers, Poodles ou Chihuahuas, mas a raças de forte mandíbula e exagerado instinto de presa, propriedade tanto de marginais e como de não-marginais, que têm-nos como armas de defesa pessoal, o que desnuda a instabilidade social vivida em Detroit e dificulta o trabalho policial. Por detrás disto tudo estão velhos ódios e ruins práticas, predicados que não poupam a polícia nem os restantes cidadãos.
Enquanto o combate à droga for ali mais repressivo do que preventivo, não haverá alteração de processos e os agressivos raides diários antidroga continuarão, o que não será, como não tem sido, uma boa notícia para os cães, que continuarão a morrer por conta da sua má fama e péssima companhia. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015  
2º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 12/05/2016
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ A PRIMEIRA IDA AO PARQUE DA “CRIANÇADA”, editado em 01/09/2018
5º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 25/06/2011
6º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010
7º _ ALERTA VÍBORA: PROCEDIMENTOS ESCOLARES E DOMÉSTICOS, editado em 28/01/2010
8º _ TWIX: O DEGENERADO, editado em 01/06/2018
9º _ UM URSO QUE CAÇA COELHOS E QUE DEU TRABALHO AOS BOMBEIROS, editado em 03/09/2018
10º _  HIMENÓPTEROS E COLEIRAS INSECTICIDAS, editado em 04/09/2018

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Brasil, 2º Portugal, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Alemanha, 6º Angola, 7º Espanha, 8º Vietname, 9º Holanda e 10º Polónia.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

CHAMAM-LHES BAUWATCH

Na idílica praia siciliana de MONDELLO em PALERMO, rodeada pelos MONTES PELEGRINO e GALLO (o primeiro foi considerado como o mais belo promontório do mundo por Johann Wolfgang von GOETHE1), outrora um pântano e hoje uma das mais excelentes praias italianas, frequentada por aristocratas e burgueses transalpinos e internacionais, uma novidade salta à vista: os CÃES DE RESGATE ou “BAUWATCH”, numa alusão à conhecida série televisiva norte-americana “BAYWATCH”.
Estes cães, que são propriedade dos nadadores-salvadores, ajudam-nos no resgate dos banhistas em aflição. As raças que ali assinalam maior presença são o Retriever do Labrador e o Golden Retriever, apesar de os haver de outras raças e até alguns sem raça nenhuma.
Equipados a rigor, com os olhos postos no mar e a aguardar ordens, estes devotados cães têm sido ali a sensação do momento e já efectuaram vários resgates com sucesso. Por vezes são convidados para a brincadeira pelas crianças, mas quando é preciso não demoram em fazer-se presentes.
Ao vê-los, os banhistas sentem-se mais seguros e os seus líderes mais confiantes. Esta actividade é do agrado dos cães e não lhes foi imposta, muito embora o seu treino não possa ser esquecido, porque importa que os animais ganhem confiança no que fazem e cumplicidade com quem trabalham.
Pelos vistos, Palermo está muito para além da “Cosa Nostra”, encontrando-se hoje bem apetrechada para valer, em caso de necessidade, a todos os que visitam as suas praias. Viremos a ter canitos destes nas nossas praias? Penso que para já não, porque são ainda poucos os que entre nós se dedicam ao salvamento na água, apesar de estarmos rodeados por mar de Norte a Sul e de termos dois arquipélagos, o dos Açores e da Madeira.
1 Autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico que também fez incursões no campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais destacadas figuras da literatura alemã e do romantismo europeu no final do século XVIII e início do seguinte. Juntamente com Friedrich Schiller, foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão “Sturm und Drang. Goethe e também Nietzsche influenciaram grandes vultos da nossa literatura, desde Garrett a Pessoa, de tal modo que o “Pai do Teatro Português” foi buscar o prólogo do “Fausto” para as “Viagens na Minha Terra”.

NÓS POR CÁ: AO VALE DA ROSA DEPOIS DOS ESPINHOS!

Como para todos os venezuelanos, a vida dos emigrantes portugueses e dos luso-descendentes não tem sido fácil debaixo do regime de NICOLÁS MADURO, uma vez que também eles são obrigados a fugir daquela “REPÚBLICA BOLIVARIANA”, FARTA EM FOME, MISÉRIA E VIOLÊNCIA. A maioria dessa gente que consegue escapar, acaba por desembarcar na ILHA DA MADEIRA com a roupa que traz no corpo e sem saber falar português, onde difilmente arranjará emprego e conseguirá reerguer-se, apesar das suas raízes se encontrarem ali (por alguma razão saíram de lá um dia).
Conhecedor dessa situação, ANTÓNIO JOSÉ RAMOS SILVESTRE FERREIRA (na foto seguinte), proprietário da Herdade do Vale da Rosa, no Concelho de Ferreira do Alentejo, com 230ha, onde se produz a já afamada e internacionalmente muito procurada uva de mesa sem grainha, diante da falta de mão-de-obra alentejana, decidiu ir à Madeira ao encontro dos retornados da Venezuela para lhes dar emprego.
Esta iniciativa individual conta com os apoios da Região Autónoma da Madeira e da Autarquia de Ferreira do Alentejo. Silvestre Ferreira paga a cada trabalhador recrutado (seja homem ou mulher) um salário de 750€ (3.614 Reais), sem contar com as horas de trabalho extraordinário aos Sábados. Em simultâneo paga a viagem da Madeira para o Continente e disponibiliza casa a 35€ (168.65 Reais) por mês.
Neste momento já se encontram a trabalhar nesta empresa do sector agrícola 30 refugiados lusos da Venezuela, trabalhadores que já começaram a poupar dinheiro para pagar a viagem aérea da Venezuela para Portugal dos seus familiares e amigos. Entre estes luso-venezuelanos encontram-se vários licenciados nas distintas áreas do conhecimento. Oxalá venham a ser bem-sucedidos e que um dia consigam regressar à Venezuela, donde se viram obrigados a sair e que nunca esquecem. Entretanto, há que felicitar o empresário das uvas sem grainha e desejar-lhe o maior sucesso nos seus futuros empreendimentos.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

HIMENÓPTEROS E COLEIRAS INSECTICIDAS

Os cães nunca se deram muito bem com as abelhas e muito menos com a vespas, cujas picadas, para além da dor, podem provocar-lhes choques anafiláticos, contratempos que não impedem os mais teimosos de continuar a dar-lhes caça e comê-las. Apesar de imprescindíveis à nossa agricultura e fruticultura, o número de abelhas está a diminuir drasticamente entre nós, numa percentagem bem acima do aumento das vespas, porque os incêndios florestais também não têm poupado as colmeias.
Abelhas e vespas são insectos himenópteros, animais que já fizeram as delícias dos pioneiros entomologistas, e chamam-se assim porque têm 4 asas nuas e membranosas. Ambas têm ferrão e o seu ataque em grupo pode matar um cão, uma pessoas ou várias. As abelhas só picam uma vez, perdem o ferrão e morrem; as vespas continuam a picar enquanto se sentirem ameaças, muito embora o ferrão só esteja presente nas fêmeas. Se as abelhas são indispensáveis nas explorações frutícolas, as vespas, que também polinizam diversas espécies vegetais, funcionando como vectores de pólen, são extremamente importantes no controle de pragas, já que são o predador natural dos insectos assim catalogados.
As abelhas que visitam os nossos jardins, contrariamente às vespas, dificilmente ali residirão, a menos que se assista a formação de uma nova colónia (enxame). Elas correm as flores, carregam o pólen e dirigem-se às colmeias, trajecto que repetirão ao longo dos dias. São por norma pacíficas e não se mostram agressivas. As vespas tanto podem fazer o seu ninho no nosso jardim como dentro da nossa casa, isto se nos meses mais quentes mantivermos uma porta ou uma janela constantemente aberta.
Sempre tivemos na Europa uma espécie de vespa que é natural do Hemisfério Norte, a Vespula Germanica, que se encontra disseminada na Europa, norte da África e sudoeste da Ásia, assim como na Argentina e no Chile, na América do Norte, sul de África, Austrália e Nova Zelândia. Em 2004, a Vespa velutina nigrithorax, vulgarmente conhecida por “vespa asiática”, entrou no continente europeu por via marítima, calcula-se que no porto francês de Bordéus, num carregamento de bonsai proveniente da China. Dois anos depois, em 2007, já haviam sido detectados em todo o território gaulês 1.613 ninhos desta espécie invasora.
O primeiro ninho de vespa asiática encontrado em Portugal aconteceu perto de Viana do Castelo. Em Dezembro do ano seguinte, já haviam sido confirmados 9 ninhos no Alto Minho. No final de Fevereiro do ano seguinte, o seu número já havia subido para 50. Daí até ao final de 2015 foram registados 1215 desses vespeiros, que se expandiram do Distrito de Viana do Castelo para Braga e Vila Real. O problema são os ninhos na floresta, pois é por ali  que as velutinas vão continuar a progressão para sul (já foram vistas no Alentejo). Em Outubro do ano transacto esta espécie invasora já tinha sido avistada em 12 dos 18 distritos continentais portugueses.
As vespas no geral, as nativas e as invasoras, têm estado particularmente activas este Verão, causando sérios amargos de boca um pouco por toda a Europa. Segundo noticia hoje o Der Spiegel, na tarde do último Domingo, em Weingarten, no Estado alemão de Baden-Württemberg, perto da fronteira suíça, 18 pessoas foram atacadas por um enxame de vespas e 13 foram hospitalizadas quando se encontravam num festival de vinho. Na França, em Saint-Pierre-du-Mont, Departamento de Landes, na Nova Aquitânia, um cinema foi atacado por 2.000 vespas asiáticas, vindas de um ninho situado num terreno baldio próximo daquela casa de espectáculo. Também em França, na Comuna de Warlaing, na região norte do país, um agricultor morreu no mês passado em consequência de uma picada de vespa asiática. O homem era alérgico à picada de insectos, sofreu um choque anafiláctico de grau 4 e não resistiu.
Depois do que fizemos saber, deixamos uma pergunta no ar: deveriam as coleiras antiparasitárias caninas ser também repelentes de himenópteros? Nós achamos que sim, porque o perigo ronda, inimigos destes não faltam e os cães são alvos preferenciais. Ainda dentro deste tema, coleiras antiparasitas, apenas uma à venda no mercado garante ter o repelente activo contra os flebótomos responsáveis pela transmissão da leishmaniose, as outras serão boas no combate a pulgas e carraças e talvez próprias para afoguentar mosquitos. Como alguém já disse, acautele-se, elas (as vespas) andam aí!     

BAU-BAU, ABRACADABRA E ADEUS STRESS!

Hoje ao dar uma olhadela pelo HUFFINGTON POST online, reparei num artigo, datado do dia 28 do mês passado, acerca dos cães de terapia presentes em algumas universidades norte-americanas, onde têm como missão aliviar o stresse provocado pela transição do ensino secundário para as universidades nos estudantes, mercê de interacções positivas capazes de transmitir calma e bem-estar aos alunos, já que acariciar um cão pode aumentar a serotonina, a beta endorfina e a ocitocina, substâncias químicas e hormónios que transmitem uma sensação de felicidade às pessoas, diminuindo em simultâneo o hormónio do stresse – o cortisol.
Eu penso que o melhor combate contra uma doença está na sua prevenção (stress inclusive) e não tanto na sua cura. É que esta moda de usar os cães por tudo e por nada, já começa a cheirar a esturro, a uma panaceia que sendo política desconsidera as causas e trata somente os sintomas, lembrando em muito uma antiga cantilena infantil, hoje esquecida e referente a gatos: “Bichinha gata / Que comeste tu? / Sopinhas de leite / Onde as guardaste? / Debaixo da arca / Com que as tapaste? / Com o rabo do gato / Sape, sape, sape! Meia-dúzia de festas num cão, substitutas da palavra mágica “abracadabra” e o stress desaparece!
Duvido que os sucessos alcançados pelas terapias com animais resultem apenas da sua participação. Os animais podem ajudar, mas nada podem se não quisermos e não podem substituir tudo. É a nossa mente que tudo opera, a mesma que nos leva a confiar, muitas vezes em desespero, em remédios sem nenhum préstimo que acabam por curar-nos, unicamente porque quisemos que assim fosse - a tanto nos leva a auto-sugestão!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

ACAMPAR E NÃO LAMENTAR!

Uma das maneiras mais fáceis de ir de férias com a família e levar o cão é optar pelo campismo, quer se use a autocaravana para esse fim ou se opte por montar tenda. Como muitos parques de campismo apresentam sérias restrições à presença de cães no interior dos seus recintos, grande parte dos proprietários caninos campista opta por assentar arraiais onde ninguém a aborrece ou seja, pelo CAMPISMO SELVAGEM. Os locais do agrado geral têm normalmente arvoredo circundante e vista para a água (lagos, barragens, praias fluviais e marítimas).
Estes locais paradisíacos e não demarcados, não são só procurados por proprietários caninos, mas também por famílias que têm filhos, porque os miúdos podem andar ali mais à solta e sem incomodar ninguém, para além de não se encontrarem sujeitas a qualquer sobretaxa, reparação ou compensação. A coabitação entre uns e outros nem sempre é pacífica e não o é porque os proprietários caninos seguem a máxima “quem está mal, muda-se” e os papás não se agradam de ver a sua prole constituída em presa. Assim, raro é o Verão onde não se trocam murros e insultos ou alguém vai para o hospital para ser cozido.
Antes de indicarmos procedimentos passíveis de evitar esta trapalhada e dolo, vamos contar um episódio acontecido em CHARENTE-MARITIME, Departamento Francês da Costa Sudoeste, na Região da Nova-Aquitânia, onde os apreciadores de mar/rio, Conhaque e Pineau gostam de veranear, quer sejam turistas nacionais ou estrangeiros, que encontram ali condições climáticas idênticas às da Biarritz mais a sul e onde os preços são mais convidativos.
Ali, uma menina de 4 anos que se encontrava num acampamento em ARVERT (“La Bellevue”), foi mordida por um Akita Inu há precisamente um mês, que lhe arrancou 3 dentes e obrigou-a a levar quarenta pontos, de um dos olhos até ao queixo. A menina agredida foi primeiro levada para o hospital de Rochefort e depois transferida para o de Bordeaux, onde viria a ser operada. O cão pertencia a uns turistas instalados num local próximo e os pais da criança apresentaram queixa na gendarmerie. Como se calcula, tudo isto poderia ter sido evitado.
Falemos primeiro das obrigações cívicas (sociais) dos proprietários caninos e dos procedimentos que elas obrigam. Em primeiro lugar importa dizer que as disposições legais relativas aos cães são para cumprir também em época de férias, o que parece não ser do conhecimento de todos os veraneantes. Ao acampar com o seu cão num local, avise os outros campistas da existência do seu animal e não o deixe andar por ali solto, mesmo que não saia do pé de si. Tente sempre que possível assistir à sua alimentação e não o deixe com comida à disposição. À noite, por precaução, recolha-o dentro da autocaravana ou dentro da tenda e, caso mostre animosidade contra alguém em particular, demonstre-lhe que a pessoa em questão é amiga. Se mesmo assim o animal não alterar o seu comportamento, então repreenda-o vivamente, para que não volte a fazê-lo. Também para evitar litígios, se porventura se fizer acompanhar por um cão, evite acampar junto de postos de abastecimento, locais de recorrente uso público ou nas imediações de explorações pecuárias.
Os campistas sem cão deverão observar alguns cuidados quando vizinhos de outros que os têm. Se você ou algum dos seus acompanhantes tem medo de cães, deverão dizê-lo aos proprietários dos animais para que tomem as devidas precauções. Para além disso, nunca circule a menos de 30 metros de distância das barracas ou autocaravanas que têm cães, evite olhar para os animais e use a visão periférica. Se porventura alguns dos cães se dirigir a si, mantenha-se quedo e mudo, não siga com a vista os movimentos do animal e imagine-se uma estátua ou um bloco de pedra sem interesse, até que o seu socorro aconteça.
Caso tenha crianças que adoram cães, refreie os seus impulsos, não consinta que elas se acerquem das barracas, caravanas ou pertences dos seus donos, tanto de dia como de noite, particularmente se os animais se encontrarem soltos, mesmo que os seus proprietários digam que não há perigo, porque os cães que dormem ao lado dos donos tendem a protegê-los decidida e automaticamente (instintivamente), protegendo de igual modo a sua comida, haveres e território adjacente, não vendo com bons olhos qualquer intruso, independentemente do seu tamanho, muito embora se agradem com maior facilidade dos mais frágeis e dos que lhes oferecerem menor oposição. É óbvio que não deverão alimentar os cães alheios.
A sociabilização com os cães dos vizinhos de ocasião, que não é obrigatória, só deverá acontecer debaixo de todas as cautelas, o que equivale a dizer que a familiarização dos cães com os seus vizinhos deverá anteceder a sociabilização pretendida. E como nada é gratuito, essa familiarização deverá ter a duração de uma semana, tempo suficiente para os animais conhecerem os indivíduos que constituem os novos agregados familiares ao seu redor. Em síntese, no dito campismo selvagem e perante campistas com cães, as regras são estas: nem cães nem crianças poderão circular livremente e os cinófobos não deverão aproximar-se dos animais, para que uns não se constituam em presas e os outros em predadores. Como o assunto não se esgota aqui, daremos informações mais detalhadas a quem o solicitar.

UM URSO QUE CAÇA COELHOS E QUE DEU TRABALHO AOS BOMBEIROS

URSO (Bear) é o nome de um CORKIE (mistura de Chihuahua e Yorkshire Terrier), que no dia 20 do mês passado, num campo em LINLITHGOW, West Lothian/Escócia,, ficou preso num labirinto de tocas de coelho durante horas obrigando os o pessoal local do SCOTTISH FIRE AND RESCUE SERVICE (bombeiros), a resgatá-lo.
Já se encontrava preso no subsolo há 4 horas quando finalmente os bombeiros conseguiram resgatar o pequeno Bear. Curioso, adequado e oportuno foi o método utilizado pelos soldados da paz, que valendo-se do equipamento de escuta do detector de vida, que usam para encontrar pessoas no meio de escombros, conseguiram ouvir os batimentos cardíacos do animal, cavando depois pela certa.
Apesar de perplexo, o cãozinho foi encontrado de boa saúde e entregue ao dono. ALAN ROY, dos bombeiros, adiantou que aquele pedido de socorro é bastante incomum e que os bombeiros destacados para o terreno começaram por cavá-lo sem sucesso. 
Como estavam determinados a encontrar aquele pequeno animal corajoso, valeram-se do equipamento de escuta do detector de vida e fazendo uso de várias frequências, conseguiram a localização aproximada do Chorkie.
Seria bom que alguém dos nossos bombeiros lesse esta notícia, para que em situações idênticas soubesse exactamente o que fazer, particularmente perante os fogos que nos têm assolado e que obrigam cães e gastos a esconderem-se nos lugares para nós mais impensáveis.
Sobre o mestiço Chorkie adianta-se que é extremamente leal e protector, sendo em simultâneo voluntarioso e valente. O sufixo “Terrier” que acompanha o Yorkshire e que se encontra omisso no Chorkie, dota o último de um raro instinto de caça, como se fosse um verdadeiro cão de extermínio ou de combate às pragas. A infusão de sangue Chihuahua torna este mestiço mais cúmplice sem lhe cortar a curiosidade e a combatividade.
Assim, os proprietários destes cães, que são tão caçadores quanto os Yorkshires, nunca os devem perder de vista ou soltar em grandes extensões de terreno onde existam pequenos mamíferos roedores, répteis e aves que nidificam no solo. O que aconteceu na Escócia, pode muito bem vir a suceder aqui. Como curiosidade adianta-se que os nossos caçadores ao coelho, desde há sensivelmente 30 anos atrás, começaram a cruzar e a usar mestiços de Yorkshire com Podengo na procura do duplo objectivo: ter cães a caçar mais perto e com maior tenacidade. 

sábado, 1 de setembro de 2018

A PRIMEIRA IDA AO PARQUE DA “CRIANÇADA”

Ontem, ao cair da tarde, aconteceu a primeira saída para o exterior dos CPA’s juvenis CAPO e PRADA, que até então só conheciam os jardins da sua casa e os terrenos à sua volta. A viagem de automóvel até ao parque correu sem incidentes e foi feita devagar, para que os cachorros não enjoassem e viessem a vomitar.
Os cachorros não estranharam as pessoas, as suas poses, gestos, gargalhadas, gritos e rotinas, mas entenderam que os pombos, os patos e outros cães estavam a mais, porque ainda não foram convenientemente sociabilizados, o que não impediu que circulassem à trela sem puxar e que permanecessem quietos onde os deixavam ficar.
A prova do seu comportamento exemplar está patente na foto seguinte, onde um garoto com menos de 6 anos de idade conseguiu fazer-se obedecer num jardim desconhecido dos animais e com patos bravos na sua retaguarda, por sinal bastante barulhentos.
O menino que com eles tirou a fotografia é um dos seus donos e companheiro de brincadeiras, muitas vezes um cão como eles e outras o seu melhor amigo, já que invariavelmente dá-lhes de comer e não consente que a água lhes falte.
Apesar da experiência se ter mostrado positiva e os desafios serem muitos, devido ao calor, tivemos que guardá-los para outra ocasião. Para a história fica a 1ª ida ao parque da “criançada”, que certamente fiará gravada na sua memória afectiva pela experiência feliz.
Do Capo e da Prada é tudo por agora. Este fim-de-semana estão dispensados do trabalho, porque o calor que se faz sentir não se compadece de cães negros e cinzentos. Na Terça-feira, como de costume, voltarão ao trabalho cheios de vigor.