quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

MAIS UM CASO DA HISTÓRICA TOLERÂNCIA MUÇULMANA

Os clérigos e governantes muçulmanos têm diferentes políticas para os seus crentes e súbditos, consoante estes se encontrem em minoria ou maioria nas sociedades onde se encontram inseridos. Quando é conveniente ou quando os seguidores do Profeta estão em minoria, aplica-se o conceito islâmico de coexistência (os mais simples tendem a entender a estratégia como islamismo moderado), quando se encontram em maioria, a sua tolerância em relação aos outros é nula ou quase nula e atentatória da liberdade dos demais, política em tudo idêntica à seguida pela Coroa Inglesa no Séc.XIX, que para Ocidente, onde se encontravam as colónias espanholas, era a favor de toda e qualquer independência, e que para o Oriente, onde tinha a sua jóia da Coroa, a Índia, nem sequer queria ouvir falar de qualquer tipo de autonomia territorial, facto comprovado pela vida e obra de Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como Mahatma Gandhi (1869-1948).
Ora, como todos nós sabemos, este ano é o “Ano do Cão da Terra” no calendário chinês, na Malásia chineses não faltam e são muito importantes para a economia deste país simultaneamente continental, insular e multi-étnico, cuja maioria populacional professa o islamismo. 
Antecipando-se à possível violência sobre os habitantes chineses, motivada por terem calendários em casa com um animal considerado impuro pelos muçulmanos e de celebrarem a entrada do Ano Novo com imagens de cães, o que nada abonaria em termos de unidade nacional, Tan Sri Othman Mustapha, Director-Geral de Jakim (na foto introdutória deste texto), fez saber, com carácter de Fatwa, que de acordo com o conceito islâmico de coexistência (fiqh taa'yush), todos deverão respeitar a comunidade chinesa ao usar símbolos de animais para as celebrações do Ano Novo (para o ano que vem vai ser o “Ano do Porco” para os chineses, será que tudo vai correr na maior das harmonias?).
Só quem já viveu em países muçulmanos sabe quão intolerantes são as suas leis e os seus habitantes para os demais que professam outros credos e religiões. Para não irmos mais longe, basta relembrar o que tem vindo a acontecer aos cristãos do Iraque e aos Coptas do Egipto. É evidente que para tudo há remédio, só para a morte é que não, cite-se o exemplo do Bahrein, onde os ocidentais circulam mais à vontade e os príncipes locais aparentam ser crentes menos observantes, o que nos leva a supor que o radicalismo é maioritariamente apoiado pela ignorância quando amarrada à suspeição, à pobreza e à inveja (tanto lá como cá). 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

CHERNOBYL É A SUA CASA E AINDA ESTÃO POR LÁ!

Passados quase 32 anos após o acidente nuclear de Chernobyl na Ucrânia, que serão feitos no próximo dia 26 de Abril, os descendentes dos cães dos antigos moradores continuam por lá, entre lobos, linces, lebres, alces, cavalos da Mongólia e ursos bielorussos, como marco vivo de uma tragédia que ainda hoje lhes encurta a esperança de vida (raros são os que ultrapassam os seis anos de idade).
Estes filhos dos cães que outrora quiseram entrar nos autocarros e que foram escorraçados a pontapé, que apesar de abandonados à sua sorte conseguiram escapar à matança que lhes foi movida, dão hoje as alegres boas-vindas aos visitantes que ali chegam.
Estes sobreviventes, que vivem também nas zonas de exclusão, atingem as três centenas numa área de 2.600 Km2, suportando os ásperos invernos ucranianos sem abrigos apropriados e carregando altos níveis de radiação na sua pele e manto. Diferente sorte têm aqueles que vivem perto dos postos de controlo, onde têm pequenas barracas feitas pelos guardas. Alguns são mais espertos e reúnem-se ao redor do café local, sabendo que a presença humana está associada à comida.
As matilhas funcionam como mascotes não-oficiais de Chernobyl, porque invariavelmente vão cumprimentar os visitantes que param no Café Desyatka à procura do “Borsch”, uma sopa normalmente preparada com beterraba, o que lhe dá uma forte coloração vermelha, e que leva ainda repolho, cenoura, pepino, batata, cebola, tomate, cogumelos, carne, vinagre ou limão e por vezes feijão, sendo o prato ainda servido com natas, batatas cozidas ou Kasha (papa de cereais).
A maioria dos visitantes que se deslocam a Chernobyl sente-se atraída pelos cães e muitos acabam por afagá-los. Apesar de não existir qualquer proibição em tocar-lhes, alguns visitantes temem ser contaminados por eles, medo que obriga os guias a evitá-los e a expulsá-los das zonas julgadas seguras, porquanto não estão dispostos a ouvir queixas.
Se estes cães brincam e recebem comida dos guardas e visitantes, a sua saúde está a cargo do Clean Futures Fund, uma organização norte-americana sem fins lucrativos que ajuda comunidades afectadas por acidentes industriais, que ali mantém três clínicas, procedendo ao tratamento, vacinação e castração dos animais, visando a saúde dos cães, dos trabalhadores e dos visitantes, gerindo em simultâneo a população canina e garantindo-lhe por mais tempo o sustento e os cuidados necessários.
Nas matas ao redor de Chernobyl vivem cães que sobreviveram à tragédia, animais que merecem a nossa admiração e respeito, porque de alguma forma encarnam a esperança para os homens que os rodeiam e encantam quem ouve falar deles.  

DÁ QUE PENSAR!

No meio de tanto antropomorfismo, o que transformará cada vez mais humanos em escravos dos instintos dos seus animais? A ausência de um Deus? Algum desencanto com o Mundo? A necessidade de um rito mais tangente? A incapacidade de compreender e amar o seu semelhante? A falta de amor-próprio ou estará o Homem cego e doente?

INDIVÍDUOS ANSIOSOS E ATAQUES CANINOS

Uma pesquisa levada a cabo pela Universidade de Liverpool, cujos resultados foram publicados no Journal of Epidemiology and Community Health, concluiu que os indivíduos ansiosos são muito mais propensos a ser mordidos por cães e que os ataques caninos a pessoas são muito mais comuns do que sugerem as actuais estimativas. Este estudo abrangeu 700 pessoas e descobriu que um quarto delas já havia sido mordida pelo menos uma vez. Os pesquisadores adiantaram que levaram em consideração nos entrevistados a sua idade, sexo e posse ou não de cães. Concluíram também que os homens têm mais de 81% de chances de virem a ser mordidos do que as mulheres e que os proprietários caninos são em média mordidos três vezes mais do que os indivíduos que não têm cão.
Os entrevistados que se disseram emocionalmente mais estáveis e calmos relataram que eram menos propensos a ser mordidos, o que só por si não comprova se o comportamento ansioso aumenta o risco. Os autores do presente estudo não descartam outros fenómenos para a eclosão do fenómeno, adiantando que o status socioeconómico possa também alimentá-lo. Contra 740 mordeduras por 100.000 indivíduos adiantadas pelas estimativas oficiais, este estudo contrapões outro valor: 1.873 mordeduras por 100.000 pessoas. A disparidade dos números resulta das estimativas oficiais, que apenas consideram os indivíduos que deram entrada nos hospitais quando mordidas por cães, o que não esclarece qual o montante das pessoas mordidas e quantas delas requerem tratamento médico.
De acordo com as estatísticas oficiais inglesas de 2015, as admissões hospitalares por ataques caninos por 100.000 habitantes variaram de 27 em Merseyside e de 7.3 em Kent e Medway. Quando foi pedido aos entrevistados que se concentrassem apenas num ataque canino, os investigadores descobriram que apenas 0,6% exigiam admissão hospitalar, muito embora 33% precisasse de alguns cuidados médicos. Ficou a saber-se por outro lado que quase 55% dos inquiridos foi mordido por cães desconhecidos. Os investigadores admitem que o seu estudo tem algumas limitações, porque se baseou no auto-relato, não considerou a idade, sexo e raça dos cães e que só abrangeu uma pequena amostra de indivíduos de uma parte do Reino Unido.
O estudo é válido para se entenderem as causas por detrás dos ataques caninos e operar a sua prevenção, sabendo-se em simultâneo que a maioria das vítimas não chega a dar entrada num hospital. Olhando com mais cuidado para os dados adiantados, espanta-nos o número de pessoas que acaba ali mordida pelos seus próprios cães. Estará na moda ser atacado por eles ou estaremos perante uma nova paranóia? 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

9 ANOS PARA ALCANÇAR OS PRIMEIROS CUBANOS

Nos 9 anos que leva este blogue, é a primeira vez que temos leitores de Cuba (2), novidade que nos parece milagrosa pela raridade. Bem sabemos que a vida não está fácil por lá, que se avizinha um tempo novo e que muitas reformas irão acontecer, independentemente da vontade dos seus actuais dirigentes, que há muito deveriam ter abandonado a cadeira do poder e dar o lugar aos novos, já que a dita Revolução Cubana foi ultrapassada pelo Mundo.
Daqui saudamos estes dois leitores pioneiros, a quem desejamos as maiores felicidades e chamamos de bem-vindos. Gostaríamos que outros cubanos seguissem o seu exemplo e esperamos continuar a manter o interesse dos que já nos procuraram. À parte disto, Cuba é uma ilha fantástica e romântica, com praias magníficas e gente acolhedora, onde se podem passar umas férias agradáveis e pouco dispendiosas, onde a música soa em qualquer esquina sobrevoada pela paixão. 

10 ANOS DEPOIS GRAÇAS AO MICROCHIP

De acordo com os media de língua inglesa online, uma senhora chamada Debra Suierveld, residente em Apollo, um dos Distritos da Pennsylvania/USA, cujo cadela havia desaparecido misteriosamente de sua casa em 2008, uma Labradora preta chamado “Abby”, teve recentemente uma surpresa alegre e inesperada: dez anos depois a sua cadela reapareceu, sã e ilesa, agora com 12 anos de idade.
A Labradora foi encontrada a cerca 16 km da casa de George Speiring, também em Apollo, que a levou à organização Animal Protectors of Alleghany Valley, onde foi possível fazer a leitura do microchip do animal. Uma vez a Labradora identificada, Speiring contactou Debra e esta não coube em si de alegria, um milagre tinha acontecido!
Não se sabe ao certo onde esteve e quem cuidou da Abby, certo é que foi muito bem tratada, porquanto retornou feliz e saudável. Enquanto prepara uma festa de boas-vindas para a Labradora, Debra especula acerca sobre o desaparecimento do animal, adiantando que a Labradora esteve tanto tempo escondida ao abrigo da “protecção de testemunhas”.
Desde 2003, pelo Decreto-Lei 303/2003 de 17 de Dezembro, que o microchip é obrigatório como meio de identificação para cães e gatos, “sendo essencial nos domínios sanitário, zootécnico, jurídico e humanitário, pois visa tanto a defesa da saúde pública como a animal, bem como o controlo da criação, comércio e utilização. Além disso, a identificação permite uma melhor relacionação do animal com o seu detentor, nomeadamente no que se refere à resolução de litígios por aquele causados, bem como uma adequada responsabilização do detentor face à necessidade da salvaguarda dos parâmetros sanitários e de bem-estar animal”.
Para além destas preocupações, a identificação por microchip apresenta as seguintes vantagens: comprova a propriedade do animal em caso de desaparecimento ou roubo, identifica de forma unívoca o animal, agiliza a recuperação dos animais em caso de perda, combate o problema do seu abandono e permite ainda a contabilização do seu número e respectivas raças.
Diante destes propósitos e vantagens, se ainda não implantou o microchip no seu cão, faça-o quanto antes, por certo não está a pensar abandoná-lo ou desfazer-se dele, pois não? Caso a Abby não tivesse microchip, dificilmente retornaria à família que a criou e que tanto gosta dela.  

A UNITED AIRLINES NÃO QUER SER A NOVA ARCA DE NOÉ

Farta de dar corpo à canção infantil “Old MacDonald Had a Farm" e de ver transformados os seus aviões em verdadeiras selvas voadoras, a companhia comercial de aviação norte-americana United Airlines, nada interessada em ser a nova Arca de Noé, aprovou um conjunto de medidas mais restritivas no que concerne ao embarque de animais declarados de “serviço e/ou de “apoio emocional” e para dar combate à fraude.
A gota que fez transbordar o copo aconteceu no passado fim-de-semana, no Aeroporto de Newark, onde uma mulher tentou embarcar na companhia de um pavão a quem deu o nome de “Dexter”, a pretexto de ser o seu animal de apoio emocional, justificação que a referida companhia área não aceitou por entender que os pavões são aves demasiado grandes para serem transportados junto das pessoas e por não haver nenhuma evidência conhecida dos seus benefícios terapêuticos, parecer que impediu o embarque do Dexter.
Por terras americanas não tem sido difícil arranjar falsos certificados de animais de serviço e de suporte emocional, basta pedi-los pela Internet e comprar os acessórios próprios que se encontram à venda por todo o lado. Como resultado disso, a United Airlines tem transportado indevidamente cobras, macacos, perus, póneis, porcos e cães enormes de difícil arrumação. Estes falsos animais de terapia têm sido maus companheiros de viagem para os restantes passageiros, a quem acabam por incomodar, provocar alergia e até morder (pessoas e outros cães), para além de urinarem e defecarem a bordo, segundo fez saber um dos sindicatos dos comissários de bordo.
Torna-se por demais evidente que esta situação é um claro atentado ao bem-estar comunitário em proveito da vontade individual e dos seus fetiches (nalguns casos verdadeiras patologias). Por outro lado, sabendo-se que muitos de nós são alérgicos ao pêlo do cão e de outros animais, o transporte conjunto de pessoas e animais, acaba por ser também um problema de e para a saúde pública, que obrigará a novas regras de embarque, à redistribuição de passageiros e a severas medidas de higiene.
Se porventura sofre de algum tipo de alergias relativo a animais, não se sente à vontade e não quer ser incomodado por eles, aceite o nosso conselho: voe com a El Al ou com uma companhia aérea de um país muçulmano, porque dentro dos seus aviões dificilmente será perseguido por um porco ou andará ao estalo a um macaco, muito embora no segundo caso possa ser surpreendido por um falcão a catar-lhe a cabeça.
Assim, em boa hora a United Airlines decidiu pôr cobro a esta situação abusiva, à fraude de uns quantos chico-espertos contra o grosso dos cidadãos, contra os cães de serviço e contra a saúde e bem-estar de ambos, porque doutro modo ainda seria obrigada a embarcar sabe-se lá o quê, quiçá uma vaca leiteira, um urso ou uma doninha fedorenta! O combate agora empreendido pela United Airlines deverá, em abono de todos nós, ser abraçado por todas as companhias aéreas.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ QUEM DÁ E TIRA, AO INFERNO VAI PARAR, editado em 28/11/2014  
4º _ E ENCONTRÁMOS UM AMIGO CHAMADO ZEUS, editado em 27/01/2008
5º _ “X” DE JARRETE DE VACA, editado em 25/07/2011
6º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
7º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2014
8º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010
9º _ ACENDURA BRAVA: APRESENTAÇÃO E PRINCÍPIOS GERAIS DE COMPORTAMENTO E TREINO, editado em 16/04/2009
10º _ O CÃO: THE GREAT PRETENDER, editado em 28/11/2014  

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rep. Checa 4º Estados Unidos, 5º Reino Unido, 6º Angola, 7º Ucrânia, 8º Suíça, 9º Espanha e 10º Rússia. 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

JÁ SÃO 14% E A TENDÊNCIA É PARA AUMENTAR!

Para não se perder o fio à meada, comecemos pelo princípio. Hannah Edwards (na foto abaixo), gerente do marketing da Freshpet, empresa americana que produz alimentos congelados e guloseimas para cães e gatos, levou a cabo uma pesquisa via Onepoll.com no Reino Unido que abrangeu 2.000 proprietários de pets. Entre outras conclusões, umas esperadas e outras não, 3 em cada 10 adultos entrevistados afirmaram que os seus cães e gatos são melhores ouvintes que os seus parceiros, facto que a ninguém espanta, porquanto não falam e não desgrudam!
Mas vamos a mais números: 42% dos inquiridos abraçam e beijam mais os seus pets que os seus companheiros humanos, 33% publicam mais fotos dos seus cães e gatos do que dos parceiros nas redes sociais e o mais estranho de tudo isto: 14% preferem um pet a um companheiro humano! Esta estranha tendência, que se vem acentuando também entre nós, sustentada pelo narcisismo e pelo hedonismo, que não se cansa de atribuir inusitadas qualidades humanas aos animais que nos cercam, é mais um duro golpe na sociedade, nas famílias e no que elas representam, porquanto põe em causa o futuro da humanidade.
Nos lares portugueses actuais, à medida que a taxa natalidade diminui, cresce o número de cães e gatos no seu seio, porque não são poucos os que optam por animais ao invés de filhos, cães e gatos que são agora tratados como meninos e meninas consoante sejam machos ou fêmeas. E como de uma insanidade se salta sem dificuldade para outra, há quem diga para uma criança que olhe pelo “mano”, referindo-se ao cachorro que os acompanha!
A gravidade destas toleimas tem vindo a ser responsável por um número cada vez maior de cães manhosos, que na ausência de uma liderança efectiva e perante um estatuto de paridade, não hesitam em carregar sobre quem os serve e para cima de quem com eles se cruza, incluindo-se infelizmente aqui crianças e idosos, os do agregado familiar e os alheios, conforme notícias recorrentes para lá do Canal Inglês.
No calendário chinês este ano é “ O Ano do Cão de Terra”, será que o nosso século, diante de tanto disparate, virá também a chamar-se “O Século do Cão”? Esperemos que não! Gostar de cães não é fazer deles pessoas, é compreendê-los tal qual são e ir ao encontro das suas necessidades, criá-los, alimentá-los, ensiná-los, recompensá-los e liderá-los em prol do seu bem-estar físico e social, para que possam ser respeitados e viver mais tempo ao nosso lado, valendo em simultâneo àqueles que entre nós necessitam da sua ajuda.
Neste mundo às avessas e como param as modas, não me custa acreditar que ainda surja alguém a reclamar o tratamento de cônjuge para o seu adorado cão ou gato! É só o que falta e as más-línguas dizem que não demora! Estarão elas enganadas? 

PELO SIM, PELO NÃO, MAIS VALE COMPRÁ-LAS!

Com a recente vaga de frio que se abateu sobre os Estados Unidos, com temperaturas negativas pouco vistas e com neve por toda a parte, torna-se complicado sair com os cães à rua, não tanto pela neve, mas por causa dos anticongelantes naturais e químicos utilizados, que são espalhados pelas estradas e calçadas de cidades e vilas, nomeadamente o sal e um anticongelante vulgarmente conhecido por etileno glicol, produto este que se constitui na maior ameaça para os cães, não só porque se cola às suas patas e causa dor, mas também porque pode ser ingerido e é altamente tóxico.
O sal mineral normalmente utilizado causa também irritação nas patas dos cães e os seus minerais em contacto com algum golpe ardem em demasia, sendo também perigoso quando ingerido, uma vez que afecta os ruins e outros órgãos dos animais. Para além disto, o sal mineral utilizado apresenta-se em pequenas bolas amarelas, o que o torna muito convidativo para os cães. Os veterinários das cidades atingidas pelos nevões aconselham três coisas aos proprietários caninos que saem à rua: que se façam acompanhar de uma toalha para limpar os seus cães sempre que necessário, que os cães saiam para o exterior ataviados de botas próprias e que os seus donos tragam consigo um anticongelante não tóxico chamado Propilenoglicol para poderem valer aos seus cães.
Do jeito que as coisas andam, com as constantes alterações climatéricas, depois de já haver nevado abaixo dos 400 metros em Portugal, pelo sim, pelo não, mais vale comprar dois pares de botas para o seu cão, que servirão tanto para as intempéries quanto para as suas deslocações às estâncias de neve, também perante mato espinhoso, pinhais com a processionária dos pinheiros, asfalto a escaldar e suspeita de produtos químicos derramados no solo. Não vale a pena comprar as botas e deixá-las num canto para alguma emergência, porque os cães precisam de se acostumar a elas para se sentirem confortáveis.
Para os problemas do solo já arranjámos safa para os cães, para os das águas nem tanto, em particular as altamente poluídas do Rio Tejo, que obrigarão por certo a um fato impermeável completo, a garrafas de oxigénio e a um capacete integral e estanque. Ironia à parte, as botas destinadas aos cães são acessórios cada vez mais necessários e por isso indispensáveis. Quer um conselho? Compre quanto antes um conjunto para o seu cão. Ele vai agradecer e você não será apanhado desprevenido! 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

NÓS POR CÁ: QUEM DÁ E REPARTE E NÃO FICA COM A MELHOR PARTE, OU É TOLO OU NÃO TEM ARTE

A nossa terceira República insiste em tratar-nos como bastardos, burros e indigentes, enquanto oferece aos seus mentores prerrogativas escandalosas e pouco vistas, apenas extensíveis àqueles que, à custa do povo, vivem refastelados à sombra da demonocracia que tudo lhes permite, inclusive roubar e descaradamente. Uma das situações mais escandalosas diz respeito aos “Lesados do BES”, indivíduos de boa-fé que na sua candura acabaram espoliados daquilo que lhes pertencia. Agora o governo, obrigado não se sabe bem porquê a proteger os criminosos responsáveis, pretende devolver aos lesados as suas economias, tardiamente e em tranches, à custa dos contribuintes.
Será que “O Dono Disto Tudo”, o omnipotente Dr. Ricardo do Espírito Santo Silva Salgado, caso seja ele o responsável, não tem como devolver aos surripiados o que indevidamente lhes eclipsou? Porque não foi preso? Não terá ele bens que uma vez arrestados possam satisfazer todas as suas dívidas? Por que carga de água terá que ser o povo a pagar, mais uma vez, o preço das desgraças que lhe imputam?
Venham os processos e operações judiciais que vierem, uma coisa é certa: a culpa morre e continuará a morrer virgem em Portugal, o que equivale a dizer que só o peixe-miúdo vai preso! Perante tamanha corrupção, que não poupa nenhum sector da nossa sociedade, temos hoje tantas ou mais razões para fazer uma revolução idêntica às havidas em 5 de Outubro de 1910 e em 25 de Abril de 1974, porque tanto o roubo dos milhões quanto a miséria dos tostões continuam e medram como nunca.
E se alcançarmos a revolução que agora reclamamos e necessitamos, por quanto tempo a manteremos justa, fraterna e imaculada? Perdurarão os seus ideais mais do que os das revoluções anteriores? Porventura não serão os mesmos? Por que há em tudo isto uma estranha sensação de “dejá vu”? É possível que a antropologia explique em parte porque nos confundimos nas teias do tempo, ao ponto de repetirmos os mesmos erros. Mesmo assim, vale a pena lutar por uma revolução que comece dentro de cada um de nós. Pode ser utopia, mas não se perde nada em tentar! 

QUEM DISSE QUE OS HOMENS NÃO HIBERNAM?

Não são só os ursos que hibernam, os homens também e os proprietários caninos não escapam à regra. Segundo um estudo solicitado por um veterinário duma empresa de nutrição animal britânica, Tails.com, 1/6 dos proprietários caninos britânicos reza para que a chuva venha e sirva de pretexto para não saírem à rua com os seus cães, 56% deles confessaram que os seus cães fazem menos exercício quando os termómetros baixam, 36% adiaram as saídas à rua com os seus companheiros por se sentirem muito cansados e 20% disse não ter encontrado tempo para sair com o seu cão ao exterior, o que dá um total de 92.6% (como cantava a finada e célebre actriz Ivone Silva: Isto é que vai uma crise!).
Como resultado disso donos e cães acabam por engordar, o que não deixa de ser um contra-senso quando 58% dos proprietários caninos reconhece que os passeios binomiais combatem a mútua obesidade, 39% não duvida que o exercício regular é o factor mais importante para o bem-estar dos cães e da totalidade acreditar que sair com o cão à rua reforça os vínculos afectivos entre ambos. Diante destes números, logo apareceu um “iluminado” personal trainer e nutricionista que iniciou o Doggy Bootcamp, um conjunto de exercícios para donos e cães durante o Inverno. O dito treinador de parvo não tem nada, ainda mais quando parece que a ideia veio dos Estados Unidos.
Passa-se o mesmo em Portugal? Sem dúvida! Apesar do clima ser menos austero, também aqui os proprietários caninos “hibernam”, bastando para isso aquilatar da sua ausência em parques e jardins durante o Inverno. Nas Estações do Ano mais quentes é quase impossível não se tropeçar num ou mais cães e nas mais frias parecem ter migrado porque raramente se avista um. Passa-se exactamente o mesmo nas escolas ou centros caninos, que se encontram repletos de alunos na Primavera e Outono e muito pouco concorridos no Inverno e no Verão. O fenómeno para além de estar ligado ao comodismo dos donos, parece ainda advir da seguinte forma de pensar: “Eu arranjei um cão para me dar prazer e não para me dar chatices!”.
Mais do que um fenómeno britânico ou português, ele é global e está directamente ligado ao ócio que não gosta de remar contra a maré, mesmo que essa resistência traga saúde e vida para todos. Contudo, não deixa de ser estranho gostarmos e persistirmos naquilo que nos condena. Enquanto pudermos, continuaremos a desafiar os nossos binómios para o trabalho ao ar livre em qualquer das Estações do Ano, tanto de dia como de noite, hábito que sempre nos caracterizou e que tem dado excelentes frutos, visíveis na pronta disponibilidade dos homens e no superior preparo dos cães.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

HOWL ON WHEELS: OBJECTIVO SUL

A “Howl on Wheels” (Uivo sobre Rodas) é uma ONG composta por voluntários que se dedica à recolha e transporte de cães abandonados ou em vias de serem eutanasiados nos Estados Unidos, trazendo-os dos Estados rurais do Sul para os do Norte, onde depois de devidamente tratados e castrados virão a ser convenientemente adoptados. Três vezes por semana, Kelly Ivory e Jane Hurst empreendem viagens por vários Estados daquela imensa nação, carregando algumas dezenas de cães e conduzindo durante 13 horas (enquanto uma conduz a outra descansa), tudo para que os seus resgatados tenham uma segunda chance feliz no Connecticut, onde mais pessoas procuram adoptar cães.
O resgate dos cães é operado por voluntários em todas as suas fases. Numa primeira fase os animais abandonados ou desprezados são detectados por uma rede de informadores que contactam por telefone os “salvadores de cães” da Howl on Wheels, depois outro grupo de voluntários trata da sua recuperação e prepara-os para a sua viagem ao Norte, onde virão a ser acolhidos pela Connecticut Humane Society. No período antecedente ao transporte, durante o período de espera, os cães recebem ainda cuidados veterinários. Que mais haverá a dizer? Only this: well done!