sábado, 13 de janeiro de 2018

SAIR À RUA EM DIA DE CHUVA & SALDOS

Na manhã deste Sábado, salpicada de aguaceiros breves, ao invés de irmos para a Serra, onde a lama esperava por nós, optámos por reforçar a obediência e a sociabilização dos nossos cães no meio da urbe, num dia pouco convidativo para os saldos que aconteciam um pouco por toda a parte, como senão estivéssemos em Janeiro e não importasse sacar das gentes as poucas migalhas que sobraram do Natal.
Com a Grande Avenida só para nós, optámos primeiro por tirar o “quieto” dos sítios mais impensáveis e mais convidativos à fuga, junto do borburinho das pessoas e dos seus afazeres. Depois evoluímos para junto das estátuas, certos da obediência dos cães e esperançados em tirar fotos curiosas como a seguinte, onde podemos ver a CPA Haia junto à estátua de uma voluptuosa senhora no centro de uma pequena Praça.
Debaixo do mesmo trabalho e esperança convidámos a SRD Hope para pousar junto doutra senhora num jardim mais movimentado, convite que a cadela aceitou ainda que com alguma desconfiança e uns tantos tremeliques, porque ainda lhe custa ficar a aguardar pela presença do dono. Apesar de tudo, foi a que teve maior aproveitamento no “quieto”.
Do “quieto” individual à distância evoluímos para a imobilização colectiva dos cães, colocando-os todos nos mais diversos patamares encontrados, para que menos temessem ou desconfiassem das pessoas à sua volta. No seguimento da nossa rota encontrámos um painel solar para uso municipal e ali mesmo imobilizámos uns cães por algum tempo.
Dali passámos para umas caixas de electricidade (iluminação) de diferentes tamanhos, distribuindo os cães de acordo com a sua capacidade de salto, obviamente que o Bor ficou na caixa mais alta, porque salta qualquer uma quase parado e sem lhe meter os pés em cima.
Quando nos cruzámos com outros cães ou com outros animais, aproveitávamos a ocasião para familiarizar os nossos cães com eles, acalmando-os, felicitando-os ou advertindo-os de acordo com as suas respostas. Na foto abaixo podemos ver o binómio João Graça/Hope a desenvolver essa tarefa diante de um pequeno bando de pombos, que indiferentes a sua presença tomavam deliciados o seu banho matinal numa poça de água.
Como os cães no Sábado anterior deram mostras de não gostar de ciganos, pormenor que muito desagradou a um que connosco se cruzou, hoje convidámos um primo desse cavalheiro para nos ajudar na sociabilização dos animais, convidando-o para que sentasse no meio deles enquanto fazia uma pausa na venda de óculos, relógios e perfumes, tudo produtos da melhor procedência e vendidos dentro da maior legalidade, segundo nos fez saber.
Continuando o processo de sociabilização encetado em torno das minorias raciais, aproveitámos a passagem de um sikh entregue à conservação de jardins e pedimos-lhe que tirasse uma foto junto da CPA Haia, já que de momento tal não é possível com o Bor. Tudo correu sem novidades e no final o bom indiano ainda nos agradeceu.
Depois aproveitámos um caracol para arrumação de bicicletas como túnel, convidando os cães presentes para a sua passagem, primeiro à trela e depois em liberdade. O primeiro cão a fazê-lo em liberdade foi a SRD Hope e outros logo seguiram o seu exemplo.
A CPA Haia está a melhorar a olhos vistos, tanto na obediência como na ginástica, comportando-se como não era seu hábito e imprimindo muita alegria a tudo que faz, mormente na ginástica onde apresentava sérias dificuldades.
O CPA Bor, como é sabido, está na ginástica como peixe dentro de água e até consegue acertar quando o seu dono erra. Na foto abaixo podemos ver o seu condutor atrasado e a apontar com o indicador esquerdo na direcção contrária à requerida ao cão. Afortunadamente o CPA não olhou para o lado e borrifou-se nas indicações do seu líder. Estaria o Paulo a trabalhar por antecipação e a dizer para o Bor que iria repetir o exercício? Estaria a reagir a alguma provocação? Só o Paulo sabe!
Quando menos esperávamos, encontrámos um grupo de escuteiros de várias idades e pedimos-lhe que colaborasse connosco na sociabilização dos cães, instando para que os acariciassem e posassem com eles, pedido que foi prontamente aceite e com muita alegria. E como “de pequenino se torce o pepino”, começámos pelos mais novos.
Depois coube a vez às meninas, que de tão contentes que estavam, não conseguiram esconder a sua alegria. Vale a pena reparar no à vontade dos cães e na ternura das suas acompanhantes de ocasião. Esta terapia é indispensável para a protecção das crianças e controlo dos cães e, como tal, não a podíamos dispensar.
Logo a seguir às meninas convidámos outro trio para o mesmo efeito e a acompanhante que coube ao Bor acalmou-o de sobremaneira, como se ambos já se conhecessem há largo tempo. A Hope está tão descontraída que até bocejou e a Haia nem se mexeu, apesar da menina ter pegado na trela ao contrário (não foi culpa dela, ninguém nasce ensinado!).
Sucedeu-se novo trio e desta fez fardado a rigor, os cães não estranharam a farda e os seus acompanhantes não rejeitaram a incumbência, formando homens e cães binómios que, sendo espontâneos, deram a impressão contrária, a de se terem constituído há muito.
Finalmente tirámos uma foto de grupo com todos os escuteiros junto dos cães, um registo para todos mais tarde recordarem, uma vez que estas fotos foram também enviadas aos escuteiros que tão generosamente nos ajudaram. Daqui agradecemos a sua disponibilidade e exemplo de vida. Voltaremos a encontrar-nos!
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: João Graça/Hope, Nuno Falé/Haia e Paulo/Bor. Não sabemos exactamente o que se passa com o Tomás porque não compareceu. Continuamos à espera que a Tânia participe nos nossos trabalhos ao fim-de-semana e para a próxima contactaremos a Sónia e o Fred, a primeira para trazer o seu cão e o último para conduzir o CPA do Sr. Manuel Delgado. De hoje a oito dias abraçaremos outros desafios e esperamos vencê-los como fizemos hoje.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ AOS CÃES QUE SE FAZ TARDE!, editado em 05/01/2018
3º _ QUEM DÁ E TIRA, AO INFERNO VAI PARAR, editado em 28/11/2014
4º _ O CÃO: THE GREAT PRETENDER, editado em 28/11/2014
5º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
6º _ ANO NOVO VIDA NOVA!, editado em 06/01/2018
7º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
8º _ PODENGO: PREFERENCIALMENTE PRETO!, editado em 13/11/2014
9º _ CONVERSAS SOBRE PASTORES ALEMÃES À MESA DO CAFÉ, editado em 09/08/2014
10º _ O AZEITE PRÀS CARRAÇAS, editado em 24/06/2010

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rep. Checa 4º Estados Unidos, 5º Reino Unido, 6º Angola, 7º Espanha, 8º Ucrânia, 9º Alemanha e 10º Moçambique. 

RILEY: O WEIMARANER CAÇA-PRAGAS

Quase na mesma proporção em que aumenta a corrida aos abrigos dos cães, descobrem-se novos serviços para os nossos fiéis amigos de 4 patas. Já temos cães para detectar explosivos, drogas, cancros, animais perdidos, formigas, marfim, cerâmica e por aí adiante, mas ainda não tínhamos nenhum cão caça-pragas como vai ser o “Riley”, um Weimaraner com 3 meses de idade, que durante um ano vai ser treinado para detectar borboletas da traça, besouros e outros insectos no Museu de Belas Artes de Boston/USA.
Os prejuízos que os insectos causam nas obras de arte expostas nos museus são enormes: as traças comem tecidos delicados como lã, seda e algodão, os besouros enterram-se pelos objectos de madeira e os “peixinhos prata” roem desalmadamente os livros. Ainda há bem pouco tempo uma praga de traças infestou praticamente todos os museus da Grã-Bretanha, causando avultados prejuízos.
Para além de vir a ser um cão caça-pragas, o Riley vai ter que aprender a movimentar-se com cuidado entre objectos frágeis e de avultado valor. Quem o irá treinar será o seu dono, o Sr. Nicki Luongo, que é também o director dos serviços de protecção do citado museu. O que terá presidido à escolha de um Weimaraner? O facto de os Weimaraners serem resistentes e poderem trabalhar horas a fio sem se aborrecerem (o Weimaraner “vai a todas”, pode até constituir-se num excelente guardião, porque é decidido e versátil).
Entretanto, o Riley já é vedeta e muita gente quer conhecê-lo, antes que se embrenhe no trabalho e nele desapareça. Doravante o Weimaraner trabalhará nos bastidores e quando o museu estiver encerrado ao público. A prestação do Riley surgirá como um reforço extra dos protocolos de segurança já ali em uso. Acontece na América? Breve acontecerá entre nós!  

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

NOVO BINÓMIO

Hoje deu entrada nas nossas fileiras o binómio constituído pela Maria e pela Hera. A Maria é uma jovem ávida de aprender e a Hera é uma Pastora Alemã de linha estética com 7 meses de idade. Se a dona não mostra dificuldades de aprendizagem, a cachorra tampouco, porque é curiosa e não manifesta qualquer entrave cognitivo ou biomecânico. Apostados em exaltar este binómio, desejamos-lhe franco progresso e muitas vitórias.

NÓS POR CÁ: OS REPARTIDORES DAS SOBRAS

Se em matéria de telecomunicações um repartidor é um dispositivo que permite a ligação ou derivação de sinais de entrada em vários cabos de saída, com justiça e sem fugir à verdade, podemos afirmar que os actuais candidatos à presidência do PSD são genuínos repartidores, considerando a nulidade das suas ideias, a dependência em relação à Comunidade Europeia e o cargo que procuram, o que obviamente os transforma nuns repartidores de sobras. E quando assim é, o que sobrará de um debate entre os dois? Somente demagogia, presunção e ataques pessoais, embalos que sustentam e não disfarçam a sua fome pelo poder (Passos Coelho ainda será relembrado como o “Homem de Estado” que foi).
Para além de dizerem que pretendem honrar os compromissos estabelecidos com a Comunidade Europeia e outros organismos internacionais, aos quais não nos podemos furtar, que novidades trouxeram um e outro em matéria de política económica, que soluções apresentaram para diminuir o nosso défice, aumentar o investimento externo, a riqueza nacional e combater a pobreza? Objectivamente nenhumas! E se porventura algum deles vier a formar governo amanhã, só S. Marcelo de Belém nos poderá valer, santo popular que terá então muito que fazer.

AKC RECONHECE DUAS NOVAS RAÇAS CANINAS

O AKC (American Kennel Club), principal organismo da Canicultura dos Estados Unidos, que há dois anos não adicionava qualquer raça à sua longa lista, reconheceu recentemente duas novas: o Nederlandse Kooikerhondje e o Grande Basset Griffon Vendéen, cães respectivamente de origem holandesa e francesa. O Kooikerhondje, comummente tratado por Kooiker (na foto acima), é um pequeno Spaniel desde sempre usado como cão de trabalho para atrair patos, muito popular na Holanda nos Séculos, XVI, XVII e XVIII, pelo que acabou nas telas de Rembrandt e Jan Steen. Pensa-se que o Kooiker seja um dos antepassados de um cão de idêntica habilidade : o Toller (Nova Scotia Duck Tolling Retriever), de quem já falámos. Cão que adora água, este holandês tem-se destacado em desportos como o Agility e o Flyball.    
O Grand Basset Griffon Vendéen (na foto acima), conhecido entre nós por Grande Griffon da Vendeia, é um cão de dorso longo e patas curtas (bassetóide) criado para farejar caça. Ainda que no passado tenha sido usado na caça a veados e javalis, hoje é mais procurado com caçador de coelho e lebres, apesar de ser mais popular como cão de companhia pela sua ternura, simpatia, confiança e mansidão. A raça não goza de grande saúde e seus exemplares apresentam propensão para viver em matilha. O cão holandês é um típico cão de trabalho que importa preservar, o francês nem tanto - o primeiro é para “mexer” e o segundo é mais para ver.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

POIS É…

Há muito português que chama o diabo e põe-se ao fresco, que reclama por tudo e por nada, que deseja as regalias dos restantes europeus mas que não está interessado nas suas obrigações. Em Fellbach, uma cidade na região administrativa de Estugarda, a licença camarária cobrada aos donos dos cães este ano foi de 120€, quase dez vezes mais que o valor mais alto cobrado pela Câmara de Lisboa (15€). Mas as novidades não se ficam por aqui, ali em Fellbach, a taxa cobrada é igual para todos os cães (única), independentemente do seu tamanho ou categoria. Dir-me-ão que o salário mínimo alemão é o dobro do português e eu aceito, mas por essa ordem de ideias… deveríamos estar a pagar indiscriminadamente 60€ por cão! Somente a dar uma “esmolinha” às Juntas de Freguesia e às Câmaras (há muitos cães que nunca chegam a ser registados e licenciados), ainda há quem reclame por sacos de plástico para os dejectos e por parques para os animais! Quem será o político ou autarca que arriscará aumentar as licenças camarárias relativas aos cães, que terá o desplante de anunciar uma medida antipopular dessas? Perante a interrogação alguém me dirá: é melhor não mexer no assunto e deixar tudo como está, por mais borradas que andem as calçadas!

DE DESPREZÍVEL EM ESPANHA A INDISPENSÁVEL NA ESCOLA

Numa altura em que se tenta abandonar o velho conceito de sala de aula com os alunos lá dentro trancados e encafuados, Bettina Rebstock, uma professora da Gemeinschaftsschule West em Tübingen, no Estado alemão de Baden-Württemberg, há imitação de muitos dos seus colegas por toda a Alemanha, decidiu levar para dentro da sala de aula uma cadela SRD negra que trouxe de um abrigo em Espanha há cinco anos atrás. A cadela chama-se “Naya” e visita aquela escola dois dias por semana.
Para muitos alunos da Prof.ª Bettina, os dias em que a cadela os visita são os mais agradáveis da semana, porque não querendo incomodar os ouvidos sensíveis do animal, o silêncio acontece e o comportamento social dos alunos melhora, mais-valias muito para além da ideia inicial de Rebstock, que era sociabilizar a Naya com as crianças.
Quem diria que uma cadela desprezada em Espanha viria a ser útil e respeitada na Alemanha? Será que os cães também terão que imigrar para procurarem melhores condições de vida? A notícia recebemo-la do Spiegel Online e a ideia de Bettina Rebstock pode pegar aqui de estaca, pois Nayas não nos faltam.

CÃES DE CAÇA: OS PATINHOS PERFEITOS!

Hoje fomos surpreendidos por uma notícia inesperada: 8 cães que participavam numa montaria ao javali acabaram mortos, supostamente envenenados. O facto aconteceu na Serra da Marofa, na zona de Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda. Na aldeia vizinha de Codeceiro apareceram ainda mais 6 cães mortos e as investigações estão a cabo da GNR. Segundo o testemunho dos caçadores, os cães “em 2, 3 minutos caíam rijos”. Teme-se, caso se trate de envenenamento, que o cadáver de algum cão não encontrado possa provocar ali um desastre ecológico, uma vez que a área é rica em várias espécies cinegéticas.
Todos os anos há registo de cães envenenados em Portugal e lamentavelmente continuará a haver até que o mundo seja mundo. Na impossibilidade de sabermos quem são e de surpreendermos todos os envenenadores, não nos resta outra opção do que ensinar a recusa de engodos aos cães, currículo obrigatório do adestramento considerando o seu objectivo central: a salvaguarda dos animais. No entanto, o número de adestradores que ensina a recusa de engodos é cada vez menor, o que não deixa de ser um descarado e gritante contra-senso diante do perigo que ronda os cães.
Nesta saga dos envenenamentos os cães de caça são os patinhos perfeitos e são-no por culpa do seu ofício e dos seus proprietários, porquanto são caçadores inveterados e os seus donos, temendo o enfraquecimento dos seus instintos e desinteresse, não gostam de vê-los de barriga cheia, sujeitando-os invariavelmente à escassez de dietas (fome). Acresce ainda o facto de trabalharem distantes dos seus donos, pormenor que os isenta do seu aviso e protecção. Por outro lado, os caçadores não podem previamente bater os locais de caçadas e batidas na procura de engodos, porque se o fizessem avisariam a caça da sua presença.
Contudo, nada impede que os cães de utilidade arredados do ofício cinegético aprendam a recusar engodos, ensino indispensável ao seu bem-estar e sobrevivência, sem o qual aumentam substancialmente a sua vulnerabilidade e ineficácia. Podemos incluir neste grupo os cães que protegem os parques naturais e dão caça aos caçadores furtivos, que na ausência deste ensino bem depressa morrerão às mãos de quem perseguem.
Cães de companhia, de terapia, de resgate, de guarda e outros devem ser aprovados na recusa de engodos, porque poderão morrer com “petiscos” endereçados a si ou a outros. Por que razão a recusa de engodos parece ter saído de moda? Basicamente por má compreensão do reforço positivo e confusão na sociabilização, onde todos acham por bem engodar os cães alheios a qualquer hora e em qualquer lugar. E isto para já não se falar daqueles donos que, à imitação de alguns caçadores, só lhes dão de comer (pouco) fora de casa, durante o treino ou depois das tarefas cumpridas. Convém dizer que perante engodos um cão mal alimentado ou com a barriga vazia é como o “código postal”: meio caminho andado, não para a vida mas para a morte.
Desejamos que o sucedido na Serra da Marofa e na localidade vizinha de Codeceiro desperte os adestradores da nossa praça para a necessidade do ensino da recusa de engodos (donos e cães agradecem), porque só assim se poderá combater eficazmente quem envenena. Convém recordar que a vida de um cão vale mais que qualquer desporto e que sem cão acaba-se a brincadeira. Gostar de cães não é protegê-los? Por vezes há gente que me confunde!

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

COM ESTE FRIO, QUANDO DEVO PÔR O CÃO DENTRO DE CASA?

O frio parece ter vindo para ficar e com as alterações climáticas que se vão sentido é melhor estarmos preparados para dias de maior invernia. Os portugueses quando comparados com outros europeus não se podem queixar do clima, muito embora ele já não seja o que era. Exceptuando as zonas da Serra de Estrela, das terras altas transmontanas e de outras do interior, onde os termómetros descem mais, quando aqui temos temperaturas negativas, elas oscilam entre -1 e -6 graus celsius, o que já causa justificável apreensão aos proprietários caninos que têm os seus cães hospedados em quintais, quintas e demais extensões territoriais ao ar livre.
Apostados em esclarecer, vamos considerar os riscos que estas temperaturas acarretam para os cães pequenos, médios e grandes, sabendo-se de antemão que os cães mais frágeis (toys, doentes e velhos), os braquicéfalos, os de cor branca e os carentes de sub-pêlo, com a temperatura do ar abaixo dos 7 graus celsius começam já a experimentar algumas dificuldades, pelo que deverão ser imediatamente protegidos nessas circunstâncias.
De 5 a -1 graus celsius, desde que devidamente abrigados e com alojamentos apropriados, todos os cães suportarão estas temperaturas sem maiores dificuldades. No entanto há que estar atento aos cães de raça pequena, porque se encontram na fronteira da sua tolerância. Naturalmente todos reduzirão o volume e a intensidade da sua actividade física como seria de esperar, devido a um maior desgaste de energia e à necessidade de se manterem aquecidos.
De -1 a -4 graus celsius, os cães pequenos e médios já se encontram fortemente em risco de hipotermia, mais os pequenos que os médios, devendo os primeiros ser obrigatoriamente recolhidos em casa, particularmente quando inadaptados ou desacostumados a temperaturas negativas. Aqui há que haver uma atenção redobrada em relação aos animais castrados, normalmente condenados a dietas pobres e parcos em energia, que poderão nestas circunstâncias correr maior risco.
De -4 a -6 graus celsius, o frio será fatal para os cães mais pequenos e potencialmente perigoso para os médios e grandes. Debaixo destas temperaturas, a menos que os cães já tenham sido acostumados e preparados para isso, todas as actividades prolongadas ao ar livre deverão ser-lhes vetadas. Por prevenção, os cães com menos de 25 kg deverão pernoitar em casa, mesmo quando bem acomodados no exterior.
Por prevenção, agora que nevou mais uma vez no Saara, no deserto mais quente do mundo, todos os cães sem sub-pêlo deveriam andar ataviados com uma capa térmica nas suas saídas ao exterior, porque não é só à noite que enfrentam baixas temperaturas.
Também os cães em treino, quer ele seja diurno ou nocturno, deverão ser objecto do mesmo cuidado. Também os cães que acompanharão os seus donos a estâncias de esqui deverão previamente acostumar-se ao uso de botas protectoras.
É evidente que estes cuidados tornam-se dispensáveis diante de canis aquecidos ou de cães que vivem invariavelmente dentro de casa. Todavia, importa proteger os nossos cães do frio, porque ele pode matar, como tem acontecido nos Estados Unidos, neste momento à perna com uma vaga de frio polar, onde inúmeros cães acabam por morrer congelados. Convém ainda ressaltar que é debaixo destas circunstâncias que mais se justifica a administração de comida confeccionada aos nossos fiéis amigos. Usufrua do Inverno, proteja-se e proteja o seu cão.

CÃES ANTI-SAQUE: A UM PASSO DOS DIAMANTES

Um grupo de cientistas da Universidade do Museu de Arqueologia e Antropologia da Pensilvânia (Universidade fundada por Benjamim Franklin em 1740), em colaboração com o Projecto de Polícia e Património Cultural do Arco Vermelho e com o Centro de Cães de Trabalho da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade atrás citada, está treinar Pastores Alemães e Labradores para detectarem milenares artefactos de cerâmica oriundos da Síria e do Iraque que acabam contrabandeados para os Estados Unidos.
O saque deste património tem sido levado a cabo pelo terrorismo e pelo crime organizado, que procuram assim novos e chorudos proventos para subsidiarem as suas actividades fratricidas e subversivas, não hesitando em saquear à escala industrial locais arqueológicos de valor incalculável para a Humanidade, em particular no médio-oriente e nos países devastados pela guerra. Estes criminosos tendem a esconder esses objectos em pacotes e caixotes de outras mercadorias declaradas, exactamente como fazem com as drogas e com outras mercadorias clandestinas.
Neste momento, para além de termos cães que detectam bombas e drogas, temos também alguns que já farejam marfim, o que é uma janela aberta de esperança para a detecção de diamantes contrabandeados. Caso estes cientistas norte-americanos sejam bem-sucedidos e tudo leva a crer que sim pelos resultados alcançados em treino, estamos a um passo curto de possuirmos cães capazes de detectar diamantes entrados ilegalmente nos diversos países, cujo valor alcança milhões e milhões de euros, lucro que por sua vez irá subsidiar o comércio ilegal de armas, semear o pânico, gerar conflitos e causar a morte a muitos inocentes.
Oxalá os cães anti-saque funcionem em pleno e quanto antes, porque os artefactos de cerâmica roubados são património de todos e contam a nossa história comum, não são pertença de inflados grupelhos ou um mero fundo de maneiro para o devaneio de uns tantos criminosos. Cãezinhos… está na hora de ir à cerâmica!

JÁ OUVIU FALAR DA DEPRESSÃO PÓS-CANINA?

O mais natural é que pouca gente tenha ouvido falar deste transtorno emocional, o que não significa que a maioria das pessoas já não o tenha visto em um ou mais indivíduos, quando perante a aquisição de um cachorro ou de um novo cão ficam tensos, nervosos, sobrecarregados, irritadiços e ansiosos, sentindo-se em simultâneo impotentes e incompetentes, cansados e com a auto-estima em baixo perante a trabalheira em que se meteram, distúrbio muito parecido à depressão pós-parto que como é sabido não afecta só algumas senhoras. O problema tende a ser de curta duração por força do tempo e acção das famílias, sendo por isso passageiro. Os afectados pela “post-canine depression” a quem recorrerão mais? Apesar do problema ser do dono e não do animal, os proprietários caninos tendem a serenar com os conselhos dos veterinários, que para além de tantas coisas, ainda se vêem obrigados a ser psicólogos (há dias em que não lhes invejo nem a pele nem a sorte!).
A existência deste distúrbio emocional deverá colocar de sobreaviso os adestradores, porque também eles terão que lidar com clientes afectados por esta depressão, devendo atendê-los com o máximo cuidado, atenção e disponibilidade, evitando a sua exposição ao ridículo e dando-lhes subsídios válidos para ultrapassarem os seus problemas. Estes procedimentos, próprios de quem se propõe a ensinar, irão garantir a confiança destes clientes e o ensino dos seus cães.

COMO USAR UM CÃO SUBMISSO PARA GUARDA

Com as actuais induções e menores confrontações, cresce o número de cães submissos nas fileiras destinadas aos guardiões. Deverão ser objecto da mesma capacitação e obedecer ao mesmo currículo dos dominantes que os antecederam? Peremptoriamente não, porque em caso de séria confrontação, caso sobrevivam, dificilmente lá voltarão! Então, o que fazer com algum deles quando não temos um dominante à nossa disposição? É sobre isso que iremos pronunciar-nos imediatamente.
Independentemente do seu perfil psicológico, treino específico e actividade, todas as tarefas caninas devem pressupor tanto a salvaguarda como a vantagem dos cães no confronto directo com os homens, já que doutro modo estaremos a formar soldados de quatro patas, investidura que os menos fortes só aceitarão por engano e quando atraiçoados. Assim sendo, os cães submissos, quando comparados com os dominantes, obrigam a cuidados especiais considerando a sua salvaguarda e mais-valias.
Cuidados ou alterações que abrangem o seu local de acção, acção primordial, modelo dissuasor, modo de actuação e tipo de captura. Os cães submissos deverão permanecer dentro de casa e junto dos seus donos (os dominantes permanecerão no jardim); a sua acção primordial é ladrar (alertar os donos); a sua forma dissuasora deverá preterir a confrontação e dar lugar sempre que possível à perseguição; a sua acção deverá resultar da ocultação e não da exposição (para que a surpresa lhes dê vantagem) e, devido à menor valentia, os seus ataques deverão ser de surtida e não de bloqueio, porque doutro modo sofrerão horrores no contra-ataque.
Depois do que dissemos facilmente se antevê que estamos a usar um típico cão de defesa pessoal para guarda, tirando partido das suas mais-valias sem o expor gratuita e fatalmente, descalabro que aconteceria se o deixássemos sozinho no quintal, se procurássemos a potência de mordedura, se o obrigássemos à confrontação directa; se optássemos pela sua exposição e se persistíssemos nos ataques de bloqueio.
Homens e cães sempre se completarão no trabalho comum e como os cães sozinhos são de pouco préstimo, cabe aos homens descortinar o melhor uso a dar-lhes debaixo da maior segurança.