terça-feira, 9 de janeiro de 2018

NÓS POR CÁ: O BREXIT E A COLÓNIA INGLESA

Não podemos acusar a Inglaterra e os ingleses de não saberem olhar por si, mas podemos acusá-los de nunca terem entrado num tratado ou aliança sem ser com um pé dentro e outro fora, a História comprova-o e o Brexit é exemplo disso. Desde a Baixa Idade Média que a Inglaterra se opõe sistematicamente à formação de uma potência continental, o que levou inclusive à assinatura da aliança diplomática mais antiga do Mundo ainda em vigor: A Aliança Inglesa, instituída pelo Tratado Anglo-Português de 1373, declaradamente anti-castelhano (espanhol) e percebe-se porquê.
Se se deve a D. Afonso Henriques a ideia de uma nação portuguesa, em alguns dos momentos mais críticos da sua existência, coube aos ingleses mantê-la de pé, quer por via diplomática quer por força de homens, como aconteceu na Crise de 1383-1385, na Restauração da Independência de 1640 e de forma mais descarada durante as Invasões Francesas, onde os homens do Duque de Wellington (Arthur Wellesley) trataram Portugal como uma colónia britânica e os portugueses como seus serviçais, conforma atesta a vergonhosa Convenção de Sintra de 30 de Agosto de 1808 (vale a pena ler o documento).
Nem os reis e rainhas portugueses puderam casar-se sem o aval inglês, porquanto eram casamentos de estado e como tal não podiam pôr em causa a política e os interesses ingleses. Por causa disso, apesar de tantas vezes se apaixonarem e desejarem outros pares, os nossos monarcas viram-se obrigados a dar o nó com princesas e princípes germânicos, como foi o caso do segundo marido da rainha D.ª Maria II, o Duque Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, príncipe consorte de Portugal, que todavia foi de extrema valia para o País. Por tudo isto, se ainda somos portugueses e não espanhóis ou franceses, somo-lo também porque a Inglaterra assim o quis, não tanto pelo respeito à nossa nacionalidade, mas porque tal lhe convinha.
O exemplo português, se o relativo à dita “Irlanda do Norte” não bastar, devia e deverá pôr de sobreaviso os responsáveis europeus pelas negociações do Brexit, já que o Reino Unido entrou na Comunidade Europeia para ser servido e a pensar no dia em que dela sairia, perante os interesses ou ingenuidade de quem aceitou a sua candidatura e adesão. Como dificilmente um negócio satisfará ambas as partes a 100%, quando oiço os responsáveis da Comunidade Europeia e dos ingleses a dizerem que as negociações sobre o Brexit vão bem, logo me questiono acerca de quem estará a passar a perna a quem, provavelmente quem sempre andou com um pé dentro e outro fora!
Entretanto, tal qual abelha operária à procura de néctar, a Chanceler Merkel anda à procura de consensos para formar governo, ciente das responsabilidades de suportar uma Europa que se deseja forte e coesa sem os ingleses ou com eles à perna. Será que iremos enfrentar doravante um “Above all” inglês ou a Inglaterra reconsiderará a sua posição e finalmente verá que sozinha não chega a lado algum? E os portugueses? Sempre na mesma e mais do mesmo, agora com novos patrões na indistinta retaguarda que não se estranha e mais se entranha. Sobra a uma pergunta inquietante: será que no último Século tivemos alguma vez uma política verdadeiramente patriótica e independente, momentos em que fomos donos do nosso próprio nariz?

FOI ASSIM QUE TUDO COMEÇOU!

Nos tempos em que os reis mandavam, numa noite escura, à entrada de Dezembro, o rei veio à varanda do seu iluminado palácio e reparou que toda a cidade estava escura como breu. Chamou o seu primeiro-ministro e ordenou-lhe: “Antes do Natal quero ver a cidade toda iluminada. Toma lá 500 cruzados e trata já de resolver o problema”. O primeiro-ministro chamou o presidente da câmara e ordenou-lhe:” O nosso rei quer a cidade toda iluminada ainda antes do Natal. Toma lá 250 cruzados e trata imediatamente de resolver o problema”. O presidente da câmara chamou o chefe da polícia e disse-lhe: “O nosso rei ordenou que puséssemos a cidade toda iluminada para o Natal. Toma lá 100 cruzados e trata imediatamente de resolver o problema”. O chefe da polícia lavrou um edital a dizer: “Por ordem do rei em todas as ruas e em todas as casas deve imediatamente ser colocada iluminação de Natal. Quem não cumprir esta ordem será enforcado”. Uns dias depois o rei veio à varanda e, ao ver a cidade profusamente iluminada, exclamou: "Que lindo! Abençoado o dinheiro que gastei. Valeu a pena". E foi assim que Portugal começou a funcionar e assim funciona até os dias de hoje…

sábado, 6 de janeiro de 2018

ANO NOVO VIDA NOVA!

O treino desta manhã dispensou a obediência e as acções de guarda por conta do frio que se fez sentir e da leveza dos treinos anteriores (decididamente o Inverno chegou e o Natal já ficou para trás). “Ano Novo vida nova” e optámos por executar o pódio ao contrário, do poste mais alto para o mais pequeno e a SRD Hope fê-lo com a maior das naturalidades, rondando inclusive neles.
E porque importa combater a mecanicidade das acções indesejáveis nos cães, fizemos uma vertical crua que se prestou a dois usos: “up” e “abaixo”. Todos os cães presentes fizeram-na dos dois modos, apesar de o “abaixo” não ter sido muito fácil. O Bor, tal qual uma enguia, esgueirou-se a alta velocidade no “abaixo”.
Com o Tomás de volta (esteve duas semanas sem aparecer), o Slinky trouxe alegria à escola, apesar de se mostrar pouco mexido. Não obstante, executou todos os exercícios sem dificuldades acrescidas, ainda que mais lhe apetecesse brincar com o Bor.
Como importava transformar os obstáculos artificiais montados em naturais, tendo em conta a salvaguarda dos cães, tanto o pódio quanto a vertical foram adornados com ramagens dos arbustos circundantes, alteração que inicialmente causou alguma estranheza nos cães. O Bor comporta-se no campo como um verdadeiro landrace e continua à espera que o Paulo seja capaz de acompanhá-lo.
O Slinky alcançou nota de destaque na transposição da vertical natural, ao transpô-la com um pesado e longo pau na boca, elevando-se por isso bem acima da área a saltar, num salto que lembrou a descolagem de um helicóptero ou o típico de uma cabra.
O Tomás apresentou-se com a mesma energia e um novo looking, mais um próximo de um motoqueiro que de um adestrador, pormenor que não impediu o cumprimento daquilo que lhe foi exigido, porquanto trabalhou de igual para igual com os demais.
Ainda houve tempo para voltarmos ao tronco e à vala, “adornando” o primeiro com um pneu para dificultar a passagem e aumentar o equilíbrio dos cães. Atendendo à novidade, todos os binómios executaram a tarefa atrelados.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: João Graça/Hope, Paulo/Bor e Tomás/Slinky. Sentimos a falta do Nuno Falé e da Família Leitão, e aguardamos com rara expectativa a participação da Tânia e do Spot nos nossos trabalhos ao fim-de-semana.
Para a semana teremos novos exercícios e voltaremos às acções de guarda, já contar com o frio, que diga-se de passagem, é muito bem-vindo. 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ QUEM DÁ E TIRA, AO INFERNO VAI PARAR, editado em 28/11/2014
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ O CÃO: THE GREAT PRETENDER, editado em 28/11/2014
5º _ NUNCA OUVI LADRAR O MEU PASTOR ALEMÃO NEGRO, editado em 17/10/2013
6º _ ERA UMA VEZ…, editado em 02/01/2018
7º _ NOVO BINÓMIO, editado em 02/01/2018
8º _ O 470º CENTRO DE CRIAÇÃO DE CÃES DO EXÉRCITO RUSSO, editado em 03/01/2018
9º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
10º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Rússia, 3º Brasil 4º Estados Unidos, 5º Reino Unido, 6º Rep. Checa, 7º Espanha, 8º Ucrânia, 9º Alemanha e 10º França. 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

AOS CÃES QUE SE FAZ TARDE!

Seguindo o exemplo de países como os Estados Unidos, Canadá e África do Sul, a Índia continua francamente apostada em proteger os seus parques naturais, a preservar a vida selvagem, a dar caça aos caçadores furtivos e a impedir o comércio de espécies protegidas e seus derivados, o que não é tarefa fácil atendendo à sua extensão territorial, à pobreza das suas gentes, ao aliciamento quase irrecusável de que são alvo, à já histórica avidez chinesa (alimentar e medicinal) e a certos costumes do mundo árabe.
Na defesa da sua fauna e apostado na preservação das espécies em vias de extinção, o governo indiano vem recrutando um número cada vez maior de cães para detectarem ossos e peles de tigres e leopardos, marfim de elefantes e indícios de urso, pangolim e rinoceronte, porque importa evitar e detectar os crimes cometidos contra a vida selvagem, não dar descanso aos caçadores furtivos e combater o contrabando. Os cães mostram serviço todos os anos e são precisos ainda mais.
Para termos uma ideia mais aproximada deste problema indiano que diz respeito a todos, basta dizer que a Índia tem tigres em 7 dos seus 29 estados, são eles: Madhya Pradesh, Assam, Uttarakhand, Maharashtra, Tamil Nadu, Jharkhand e Karnataka, para além de reservas naturais que no seu total têm mais Km2 que Portugal (quem nos manda a nós ser tão pequeninos!).
A inclusão dos cães, na sua maioria Pastores Alemães (ignoramos se há algum doutra raça), que teve o seu início na primeira década deste milénio, tem-se revelado profícua pela excelência do seu trabalho, considerando o número de animais resgatados, os caçadores furtivos apanhados em flagrante, o montante do contrabando apreendido e o receio pela diligência dos cães, factores que somados têm alcançado alguma dissuasão.
Seria bom que mais países africanos, americanos e asiáticos seguissem o exemplo da Índia, que apostassem deliberadamente na defesa da sua fauna e protegessem as espécies em vias de extinção, esforço desejável mas não bastante, se globalmente não se proibir o seu comércio. Parece-nos que “estamos entregues à bicharada”, porque uns querem continuar a abater baleias, outros a cortar os cornos aos rinocerontes e ainda sobram outros que negam o aquecimento global e as alterações climáticas. E se isto não mudar, não haverá na Terra lugar onde a Humanidade esteja a salvo, uma reserva natural capaz de evitar a nossa extinção.
Quanto aos cães relatados neste texto, agrada-nos vivamente ver Pastores Alemães empenhados na defesa da vida selvagem, porque ao fazê-lo estão a ajudar a preservar um património que é de todos e nesse sentido, oxalá a Índia continue a recrutar cães para o mesmo efeito como até aqui. 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

SABIA QUE …

Sabia que o primeiro Akita Inu a sair do Japão foi oferecido a Helen Keller em 1937, na primeira visita que a escritora e activista norte-americana fez ao país do sol nascente, onde foi condecorada com a Ordem do Tesouro Sagrado?
É verdade, mas há outra curiosidade que muita gente ignora acerca deste excelente cão originário do norte do Japão: durante a II Guerra Mundial, todos os canicultores nipónicos viram-se obrigados a entregar os seus cães à indústria de vestuário militar. Somente o Cão de Pastor Alemão foi poupado por ser considerado um cão de guerra. E o que fizeram alguns criadores de Akita Inu para salvá-lo da extinção? Exactamente, começaram a cruzá-lo com o Pastor Alemão, mestiçagem que aumentou os tipos da raça, que a partir dali passou a ter três distintos.
A hibridação do Akita com o Cão de Pastor Alemão, ao contrário do que alguns dizem sem fundamento histórico, não aconteceu por nenhuma necessidade morfológica, biomecânica ou operacional, mas unicamente para ocultar a raça e livrá-la da extinção. A popularidade que o Akita Inu veio a alcançar nos Estados Unidos ficou a dever-se ao apreço das forças de ocupação, que admiradas com a qualidade deste cão, acabaram por levar muitos exemplares para solo americano.
Hoje existem grandes diferenças morfológicas e comportamentais entre o Akita Inu Japonês e o Akita Americano, porque o primeiro regressou à variedade original pelo Matagi Akita e o último não foi ainda objecto desse retorno, mantendo características próprias de outros cães e alheias ao cão japonês. Como se depreende, o American Kennel Club e o Japanese Kennel Club não podem concordar com um pedigree comum. 

INGLORIAMENTE PAU PARA TODA A OBRA!

A foto abaixo mostra vários cães atrelados a bobines de fio telefónico, cães de guerra pertencentes ao exército polaco que foram adestrados para transportar aquela carga. O registo fotográfico remonta a Setembro de 1939, altura em que alemães e soviéticos invadiram a Polónia ao abrigo do “Pacto Molotov-Ribbentrop”. Os nazis foram os primeiros a atacar, a 1 de Setembro daquele ano, e os russos caíram sobre o que restou do depauperado exército polaco dezasseis dias depois. Apesar do esforço de homens e animais, que foram pau para toda a obra, a Polónia rapidamente caiu diante da “Blitzkrieg” empreendida pela Alemanha de Hitler. Para o melhor e para o pior, os homens sempre contaram com os cães, usando-os para seu benefício e sem se interrogarem.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

QUAL SERÁ A CADELA CERTA?

Recebemos de um leitor o seguinte email ao qual daremos resposta de imediato: “Castro Laboreiro vs. Serra da Estrela. Bom dia, Pretendo adquirir uma cadela de uma destas raças atrás referidas, o objectivo é guardar uma pequena propriedade com um pequeno rebanho, tenho algumas dúvidas em relação ao diferente temperamento e outras características entre estas. Como a informação que existe é pouca e vaga, gostaria que me ajudasse pois sigo com frequência o seu blog e sei que é a pessoa certa para me esclarecer. Com os melhores cumprimentos”.
Caro leitor, responder-lhe não vai ser uma tarefa fácil, porque as raças são similares e nas duas sobram indivíduos de menor préstimo para aquilo que procura, já que nenhuma delas é testada e aprovada nos dois serviços que precisa. O sumiço dos lobos levou ao desaparecimento dos cães guardiões de rebanhos, cuja selecção não acontecia pela sua conformação mas pela aptidão para a função, pormenor que torna imprestáveis muitos dos actuais cães destas raças por não serem “Landraces”, como seria desejável.
Ainda que qualquer cão possa ser um guardião de gado, desde que tenha tamanho e envergadura para isso, a maioria deles descende de um assim - de um guardião, particular que pode facilitar a sua escolha. Como a guarda dos rebanhos acontece pela interacção do pastor e do cão, os cachorros simultaneamente menos atentos e curiosos deverão ser desprezados, assim como os famélicos e os pouco mexidos, porque os primeiros “andarão com a cabeça na lua” e os últimos esconder-se-ão.
Considerando as requeridas guardas do rebanho e da propriedade e tendo em conta as raças que elegeu para o efeito, excluo de imediato as fêmeas de qualquer uma delas por serem de fraco impulso à luta e de necessitarem de vários cios ou ninhadas para robustecerem o seu impulso à defesa, muito embora haja excepções que apenas confirmam a regra, o que equivale a dizer que a sua escolha deverá recair sobre um macho.
Um macho de que raça? Pelo que nos foi dado a observar ao longo dos anos, em que treinámos e criámos cães das duas raças, quando se trata do Cão da Serra de Estrela, somos obrigados a considerar as duas variedades existentes: a de pêlo comprido e a de pêlo curto, porque a sua rusticidade e comportamento são por vezes bem diferentes, porque a primeira aconteceu por uma selecção extra-pastoril e segunda descende directamente dos cães pastores serranos, o que não implica que todos os exemplares de pêlo curto sejam bons guardiões de gado, porquanto já não são seleccionados para a pastorícia e transumância.
E porque o mundo da canicultura é entre nós um universo de pruridos, onde a ilusão satisfaz e a verdade ofende, quando dissemos que a variedade de pêlo comprido no Cão da Serra de Estrela obedeceu a uma selecção extra-pastoril, dissemo-lo porque um cão com um manto assim dificilmente sobreviveria ao Inverno e seria suficiente activo no Verão, incapacidades que os pastores certamente não apreciariam (no inverno, perante a infiltração de água e as temperaturas negativas, seriam obrigados a carregar mais peso e morreriam congelados; no Verão ver-se-iam sobreaquecidos, extenuados e perto da exaustão). Se a sua opção for por um Serra da Estrela, mais vale optar por um exemplar de pêlo curto.
Quanto aos Cães de Castro de Laboreiro, hoje bem diferentes dos preconizados pelo falecido Padre Aníbal Rodrigues, somos obrigados a considerar do ponto de vista cognitivo-funcional pelo menos 5 subtipos, que evoluem do mais dependente para o excepcionalmente autónomo e do mais dócil para o mais desconfiado, comportamentos extremos que são menos visíveis nas fêmeas e que só elas, quando equilibradas, poderão valer à raça. Para o rebanho uma cadela Castro Laboreiro pode ser suficiente, mas para a guarda da propriedade poderá ser imprópria. Se a sua opção recair sobre o Castro Laboreiro, o melhor que terá a fazer é deslocar-se ao seu ecossistema e comprar ali um cachorro filho de cães pastores.
No que diz respeito à guarda da propriedade, nenhuma das raças foi ou é seleccionada para isso, muito embora qualquer uma delas possa impressionar e desmotivar qualquer comum larápio pelo seu tamanho e envergadura. A maior diferença entre ambas, quando existe, resume-se a isto: o Serra mostra-se mais que o Castro Laboreiro, é mais estático que o cão minhoto e por isso mais previsível, mas ao mesmo tempo mais intimidatório pela presença ostensiva. Já o Castro Laboreiro é mais atleta e dissimulado, tende a observar e a tirar partido da surpresa, pelo que num perímetro de relativo tamanho raramente se vê, ocultando-se regularmente em abrigos fornecidos pela natureza.
Como primeiro cão para quem não tem experiência, o Serra da Estrela é capaz de ser mais fácil que o Castro Laboreiro, muito embora haja que considerar também o perfil psicológico do dono, que casará melhor ou pior com um cão pachorrento ou com outro mais activo. Para além disso, importa adiantar que a procura de uma ou mais funções caninas deve considerar mais os indivíduos que a raça a que pertencem, porque em todas existem bons e maus exemplares. Estimado leitor, julgo tê-lo esclarecido, agradeço o contacto e coloco-me ao seu dispor. Escusado será dizer que o cão escolhido deverá ser criado junto das ovelhas logo após o desmame.
PS: Usei fotos de ovelhas e de lobos ao invés de fotos de cães para não ser importunado por algum criador menos escrupuloso, ávido de novos e fáceis proventos, como já aconteceu e isto apesar deste blogue não ter qualquer fim lucrativo.

O 470º CENTRO DE CRIAÇÃO DE CÃES DO EXÉRCITO RUSSO

A elite dos centros de formação cinotécnicos militares da Federação Russa encontra-se no Centro de Treino para o Serviço de Criação de Cães Nº 470, onde funciona o Canil “Krasnaya Zvezda”. Actualmente este Centro de Formação, para além de formar competentes handlers militares, tem como objectivos formar cães para a detecção de explosivos e cães de patrulha, não dispensando nenhum deles do seu robustecimento atlético diante das difíceis condições climatéricas que irão enfrentar.
Devido à constante ameaça de ataques terroristas, a detecção de minas e explosivos por parte dos cães tornou-se prioritária, porque neste trabalho são insubstituíveis e ultrapassam qualquer tecnologia, porque o detector de minas mais sofisticado poderá não detectar ou reagir ao corpo plástico de uma mina e um cão sempre a encontrará, porque foi treinado para detectar o odor particular dos engenhos explosivos. A especialização dos cães encontra-se na maioria dos casos dependente da sua raça, uma vez que Spaniels e os Labradores são por norma os melhores na detecção de odores.
O objectivo de um cão de patrulha ou patrulheiro é o de detectar a presença de um intruso ou agente inimigo a grande distância, ladrando para avisar quem o conduz e o corpo a que pertence, decidindo por si atacar ou não e, caso seja necessário, atacá-lo-á. As raças que se prestam mais a este serviço são os Pastores (Alemães e Ovcharkas), os Rottweilers, os Moscow Watchdogs e os Terriers Negros Russos, raça também conhecida como “Stalin’s Dog”. E porquê? Porque são maiores, mais fortes, têm uma força de mordedura maior, não se enamoram de estranhos e tendem a escorraçá-los, a feri-los ou a abatê-los por modo próprio.
O Ministério da Defesa russo tende a recrutar candidatos a condutores cinotécnicos que na sua vida civil tenham uma profissão similar (técnico veterinário ou zoológico), pré-selecção que não é bastante porque importa considerar também as qualidades pessoais de cada um. 
Como a profissão de Treinador Militar de Cães é uma das mais prestigiadas nas Forças Armadas da Rússia, só dão entrada nela pessoas pacientes, não-agressivas, obedientes e capazes de suportar actividades monótonas, já que o adestramento obriga à repetição dos comandos e à realização das mesmas tarefas vezes sem conta. Seleccionar a pessoa certa é metade do sucesso, uma vez que assim se evita a possível fricção que poderá acontecer na fase inicial do treino, que invariavelmente impede o alcance dos objectivos.
A formação do comum treinador militar de cães neste Centro obriga a seis meses de estudo, a conhecer e a usar as diferentes armas ao seu dispor, a um maior conhecimento veterinário e à aquisição dos conhecimentos básicos que irão possibilitar o treino dos seus futuros companheiros de quatro patas. Diz quem já lá esteve, que a fase mais difícil é a preparação inicial, porque os condutores quando intentam interagir com os cães cometem dois erros bastante frequentes: ou dão-lhes os comandos errados ou exigem-lhes demais.
Os recrutas humanos permanecem somente um ano no activo e os cães executarão missões ao longo de oito anos, mudando de líderes 7 ou 8 vezes durante o seu serviço. Nenhum dos homens que constituiu binómio com estes cães pode levá-los para casa, porque são propriedade do Ministério da Defesa, tal como os tanques e os aviões?! Segundo fontes oficiais, quando estes cães são finalmente dispensados das suas atribuições, são adoptados por militares que lhes prestam todos os cuidados na sua velhice. Será?
Certo é que os cães russos, à imitação dos soldados humanos, são muito bem preparados e aptos para as missões que lhe são confiadas pelo tipo de treino e exigências a que se vêem obrigados. 
Em Portugal não faltam adestradores militares da escola russa, gente aparentemente honesta, incógnita e entregue a outras profissões, que ao “virar o bico ao prego”, eliminará com a maior das facilidades os cãezinhos acostumados a pendurarem-se nas mangas e nos fatos, “penduricalhos” que, atendendo à sua própria segurança, será melhor que durmam ao lado dos donos, com a porta da rua bem trancada, porque geralmente comem o que não devem, encontram-se mal preparados, desnudam a sua presença e expõem-se em demasia (a vida de um cão de guarda não é um jogo mas uma luta pela sobrevivência). 

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

NOVO BINÓMIO

Deu recentemente entrada nas nossas fileiras o binómio constituído pela Tânia Eduardo e pelo Spot. O Spot é o primeiro cão da Tânia, um macho jovem, castrado e mestiço de Dálmata, que neste momento treme com medo de tudo e de todos, quer sejam pessoas ou outros cães. O desafio colocado por este binómio não é pequeno, porque a recuperação do Spot não acontecerá do pé para a mão e irá exigir muito da sua dona. A adaptação à escola aconteceu sem dificuldades e desejamos que ambos alcancem o maior sucesso no adestramento.

ERA UMA VEZ…

Era uma vez um Cão de Pastor Alemão chamado Rex que foi parar ao “Puriton Horse and Animal Rescue”, um abrigo para animais em Somerset, na Inglaterra. Este cão chegou ali rotulado de perigoso, porque do local donde veio e onde se encontrava acorrentado, atacou várias pessoas. Já com 11 anos de idade e sem melhoras no seu comportamento, estava prestes a ser abatido. Surpreendentemente e para espanto de todos os que o conheciam, o Rex apaixonou-se por uma gansa chamada Geraldine que deu entrada naquele abrigo.
Quem diria que a gansa seria capaz de alterar o comportamento daquele cão, tornando-o carinhoso e feliz, num amigo que a segue para todo o lado e que a mima efusivamente. O que deu a Geraldine ao Rex que os humanos não souberam dar-lhe? Somente um trabalho: protegê-la! Infelizmente ainda há muita gente que desconhece que os cães são seres sociais e que o Pastor Alemão nasceu para trabalhar.

A VELHA DESCONFIANÇA GERMANO-TURCA

Apesar de terem sido aliadas na I Guerra Mundial, de grande número de trabalhadores turcos ter sido recrutado para a reconstrução da Alemanha na década de 60 e de ali viverem cerca de 3.000.000 de turcos, as relações entre a Alemanha e a Turquia nem sempre são as melhores graças à desconfiança mútua que o tempo ainda não apagou. Agora andam às turras por causa do tratamento dado aos passageiros turcos nos aeroportos alemães, que de um momento para o outro se viram revistados por cães, como já aconteceu nos aeroportos de Munich e Düsseldorf.
Esta medida pioneira foi primeiro implementada pela Polícia Austríaca (em Outubro deste ano), que fazendo uso de cães no aeroporto de Schwechat de Viena, optou por revistar assim os cidadãos turcos recém-chegados a solo austríaco. Os turcos, ao sentirem-se descriminados e como retaliação, acabaram por fazer o mesmo aos cidadãos alemães nos aeroportos turcos. Estamos em crer que estes incidentes virão a ser sanados muito em breve. Até lá, os binómios escalados para estas acções de revista têm tudo a ganhar e tornar-se-ão mais lestos e certeiros.