domingo, 10 de dezembro de 2017

VAMOS LÁ FALAR DO SOUTH RUSSIAN OVCHARKA

Comecemos pela explicação da palavra “OVCHARKA”, que na língua russa é atribuída ao cão pastor e ao cão guardião de gado, sendo usada como sufixo no nome de muitas raças caninas de trabalho, mesmo de algumas que não são originárias da Rússia, como é o caso do Pastor Alemão (nemetskaya Ovcharka), do Pastor Belga (bel'giyskaya Ovcharka) e de muitos outros. Os Ovcharkas provenientes da antiga URSS são quatro raças distintas: o Ovcharka do Cáucaso (Pastor do Cáucaso), o Ovcharka Centro-Asiático (Pastor da Ásia Central), o Ovcharka do Sul (Pastor do Sul da Rússia) e o Ovcharka da Europa Oriental (Pastor do Leste Europeu), cão tantas vezes confundido com o Cão de Pastor Alemão por ser maioritário na sua construção. 
Apesar de todos os Ovcharkas serem pouco conhecidos no Ocidente e de pouco se ouvir falar deles na actual Federação Russa, pese ainda o facto de serem todos genuínos cães de trabalho, hoje só vamos debruçar-nos sobre um, provavelmente o menos conhecido: o Cão Pastor Russo do Sul, internacionalmente designado por South Russian Ovcharka Dog (aos outros voltaremos mais tarde).
Os antepassados do Cão Pastor Russo do Sul chegaram às estepes do sul da Rússia, às planícies da Crimeia, no Século XVIII com os rebanhos de ovelhas espanholas de raça “Merino”. Estes pequenos cães caçadores bem depressa chamaram à atenção dos pastores locais, por serem hábeis no arrebanhar dos rebanhos apesar da sua fraca constituição, o que os tornava altamente vulneráveis diante do lobo das estepes (veio a provar-se que esse lobo não era assim tão perigoso) e do severo clima russo.
Interessados em produzir um cão capaz de proteger as suas casas, outros bens e rebanhos contra os caçadores montados tártaros da Crimeia, que geralmente atacavam e roubavam a cavalo, os proprietários rurais cruzaram os recém-chegados cães espanhóis com o Deerhound, o Wolfhound irlandês e com cães de origem tibetana, alcançando um cão grande, rápido e ágil, capaz de guiar e proteger o gado, de tomar conta de propriedades e bens, de caçar ladrões e caçadores furtivos e ainda de combater ladrões a cavalo.
Junto com o Pastor do Cáucaso (Ovcharka do Cáucaso), o Cão Pastor Russo do Sul viria mais tarde a ser criado e aperfeiçoado na URSS nos canis estaduais para responder às necessidades da polícia e do exército, garantindo também ao tempo a segurança de unidades pecuárias e fabris.
Os Ovcharkas são cães poderosos, grandes ou gigantes. O Pastor do Cáucaso e o Pastor da Ásia Central apresentam uma poderosa estrutura óssea e uma cabeça maciça (não fossem molossos). Quando comparado com eles, o Pastor Russo do Sul tem uma construção mais leve e é um pouco pernalto. Diz quem o conhece que tosquiado lembra um Doberman. O seu manto é duplo e muito longo, denso e ligeiramente ondulado, devendo ser branco ou creme e as suas orelhas são pequenas e cobertas de longos cabelos.
Em termos de comportamento e quando comparado com os restantes Ovcharkas, o Cão Pastor Russo do Sul combina as características de pastor e guarda de rebanhos. Dizem os especialistas que este cão, quer na construção quer no comportamento, é muito idêntico ao Doberman, porque é muito inteligente, enérgico e impetuoso, sem deixar de ser submisso ao dono, o que não o impede de ser extremamente agressivo relativamente a pessoas e animais estranhos.
Quem diria que os russos fariam duns primitivos e frágeis cães lanudos um super-cão multifacetado, um pastor que fez soldado e que se tornou imbatível naquilo pra que foi criado. Infelizmente pouco se sabe acerca do Ovcharka da Europa Oriental (Pastor do leste Europeu), um Pastor Alemão encoberto, que neste momento não tem um padrão oficial de raça nem um programa sério de selecção. Este cão foi criado para ser a principal raça de serviço do Exército Vermelho e do “Gulag” de Stalin (sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime na União Soviética). 
Exigia-se um cão mais resistente, melhor preparado para o frio, com maior força de mordedura e mais capacitado para lutar contra pessoas, condições que à partida o Cão de Pastor Alemão não reunia mas que acabou por obter ao transformar-se no Pastor do Leste Europeu, num dos quatro Ovcharkas. Como o tema é apaixonante, voltaremos a este assunto.      

sábado, 9 de dezembro de 2017

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ AGORA QUE O FRIO CHEGOU, editado a 05/12/2017
3º _ QUEM DÁ E TIRA, AO INFERNO VAI PARAR, editado em 28/11/2014
4º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
5º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/10
6º _ O CÃO: THE GREAT PRETENDER, editado em 28/11/2014
7º _ PODENGO: PREFERENCIALMENTE PRETO!, editado 13/11/2014
8º _ A OPINIÃO DE HELMUT RAISER, editado em 04/12/2017
9º _ GUARDAS DE UMA VELHA SERRA, editado em 02/12/2017
10º _ PORCA MISÉRIA: THE DARK SIDE OF INDIA, editado em 05/12/2017

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia 4º Estados Unidos, 5º Espanha, 6º Indonésia, 7º Angola, 8º Reino Unido, 9º Ucrânia e 10º Índia. 

BURRO QUE NEM UMA PORTA!

Infelizmente não podemos escolher os nossos vizinhos ou outras pessoas com quem nos cruzamos. Eu tenho um vizinho que em tempos idos seria catalogado como “burro que nem uma porta”, atendendo ao facto de ser duro de entendimento. 
Imaginem que o fulano todos os dias arranja boleia de um amigo, um homem simpático que se faz acompanhar do seu cão. O meu vizinho também tem um e todos partem no mesmo carro. Ainda a viagem vai a meio, já andam os cães à pancada e a cena repete-se dia após dia. Convém dizer que o meu vizinho segue no banco de trás com os dois cães. Os seus procedimentos usuais são: abrir a porta do carro, mandar o cão saltar lá para dentro e sentar-se depois na ponta direita do banco traseiro. Como deveria proceder para poder controlar os cães e evitar que se engalfinhem?
Penso que a solução não é difícil e não é preciso pensar muito: o homem deve manter o cão quieto, entrar primeiro para o carro e chamar o animal depois, para ficar no meio dos cães, posição vantajosa para os controlar e óptima para evitar que se peguem. Sabem que mais? Caso ninguém indicasse ao meu vizinho a solução, seria bem possível que os cães continuassem a brigar por tempo indeterminado!
A melhor desta semana ouvi-a da boca de um pequeno empresário, a quem uma velhota quer impingir um cachorro que foi buscar a um abrigo. A anciã tem 84 anos, algumas dificuldades em se mexer e mora num 3º andar sem elevador. Como o cão precisa de vir à rua, a idosa cansa-se muito e não tem disponibilidade física para isso, quer agora livrar-se, quanto antes, desses trabalhos! Onde teria o pessoal do dito abrigo a cabeça? Não seria melhor ir buscar a velha senhora de vez em quando para ver os cãezinhos e deixá-la conviver com as pessoas ali presentes? Quantos idosos pelas mesmas razões tiveram de abrir mão dos seus cães? Diante destas situações anedóticas parece que o raciocínio passou de moda! 

PARA QUEM GOSTA DE REFLECTIR E LÊ EM INGLÊS

Para quem gosta de reflectir e lê em inglês, aconselhamos a leitura do livro ”GALUNKER” da autoria de Douglas Anthony Cooper e com ilustrações de Dula Yavne. A obra trata da perseguição e intolerância ao redor dos PitBulls e dos diversos dramas em que vivem os seus proprietários. Algumas partes do livro já são do nosso conhecimento através do Huffington Post e por isso o recomendamos. Boas Leituras!  

ASSALTO E SUBSÍDIOS DE DIRECÇÃO

Dedicámos a manhã de hoje a manobras de assalto e surpresa, a diversos subsídios de direcção e a exercícios de condução dinâmica e nuclear. Do programa das manobras de assalto e surpresa fazia parte o salto de janela, exercício que todos os cães levaram de vencida. Como já vem sendo hábito, caso lhe sejam dadas as indicações certas, o Bor ultrapassa que rara elegância qualquer obstáculo colocado à sua frente.
Desta vez o Nuno Falé trocou a CPA negra Ginja por uma CPA cinzenta menos simpática e mais carenciada de ensino, pormenores que o levaram a executar à trela todos os exercícios propostos.
Como importa ensinar os cães a recuar, considerando a “sequência de obediência” como um todo, optámos por ensinar este movimento aos cães presentes. O cão que mais depressa aprendeu este movimento extraordinário foi o Slinky e o que mais trabalho deu foi o Bor.
Depois introduzimos o “slalom” aos binómios, primeiro com os cães atrelados e depois com eles em liberdade. Todos os binómios mostraram algumas dificuldades (mais por culpa dos condutores). Apesar dos desacertos constantes do seu condutor, o CPA lobeiro Bor conseguiu alcançar o condicionamento pretendido.
Quanto a saltos verticais tipo “Exel” ninguém bate o Slinky, porque o Rottweiler é extremamente atleta e tem beneficiado do dobro das aulas em relação aos outros, mais-valia que o tem levado a desempenhos atléticos pouco visíveis na sua raça.
Tirámos a tradicional fotografia de grupo, alertando o Paulo Motrena para levantar a cabeça na hora de tirar o retrato, reparo que foi ouvido conforme se pode ver na foto seguinte.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Adestrador/Bor; Nuno Falé/CPA cinzenta; Paulo/Bor e Tomás/Slinky. O João Graça foi laurear a pevide e não compareceu ao treino, sucedendo o mesmo com a Carla Leitão. Ignora-se o paradeiro do João Pedro. Para a semana retornaremos à serra que nos aperfilhou.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

SABIA QUE…

Sabia que O Šarplaninac ou o Pastor Jugoslavo (anteriormente conhecido como Pastor Ilírio), um grande molosso de montanha da região dos Balcãs, é usado como cão militar desde 1928 e que ainda hoje o exército sérvio se serve dele como cão de guarda e patrulha de montanha? É verdade. 
Para além disso, este cão tem sido exportado desde 1975 para os Estados Unidos e Canadá com o objectivo de controlar coiotes. Graças ao bom trabalho que tem desenvolvido até aqui, o Šarplaninac está a ganhar o merecido reconhecimento como controlador das matilhas daqueles cães selvagens. 
Conseguiríamos exportar para o mesmo fim Cães da Serra da Estrela e sermos igualmente bem-sucedidos? Há quem diga que sim e há quem diga que não, eu não sei. 
Mas se tal for possível, o mérito ficará a dever-se maioritariamente aos exemplares de pêlo curto e disso não tenho dúvidas. Donde vêm as nossas certezas? De havermos criado Serras da Estrela e constatado da superioridade operacional da variedade de pêlo curto em relação à de pêlo comprido.

PORCA MISÉRIA: THE DARK SIDE OF INDIA

A Índia no seu todo tem tanto de fascinante como de porca, tanto de rica como de miserável, coisas que nos cativam e outras que nos enojam, enquanto Subcontinente de contrastes, onde se pode ver do melhor e do pior, espelhando tudo o que no mundo existe. Nos principais jornais online de língua inglesa, demos conta de uma notícia recente e perturbadora ocorrida na Índia: uma cadela vadia foi filmada a transportar um bebé humano na boca para alimentar os seus cachorros!
Pelos relatos dos meios de informação locais não se sabe se o bebé já se encontrava morto ou se foi o cadela que o matou. Certo é que o animal carregou o bebé até aos seus filhotes e que nenhum dos populares que assistiu à cena macabra ousou enfrentá-lo para lhe tirar o recém-nascido. A polícia ao chegar ao local confirmou a morte do bebé e encontrou os cachorros a mastigar algo idêntico a alguma parte do corpo da criança.
A cadela roubou o bebé do Hospital Distrital na aldeia de Gopalganj, no Estado indiano central de Madhya Pradesh. Tanto o Hospital como a polícia lançaram investigações sobre este perturbador incidente. Até ao momento nem o bebé nem os seus pais foram ainda identificados. O agente da Esquadra de Gopalganj, Sanjai Soni, disse acerca do ocorrido: “Assim que recebemos a informação, chegámos ao local e encontrámos o corpo de um recém-nascido em estado perturbador. "O corpo foi enviado para post-mortem” e "Uma investigação está em andamento para identificar a criança”. O médico do Hospital, Arun Saraf, adiantou apenas: ”Depois do incidente ter surgido, iniciámos uma investigação”.
Os media indianos relataram que há um mês atrás e na mesma área, foi também encontrado um cão vadio com um bebé humano morto num incidente semelhante. Relataram ainda que os polícias encarregados de guardar o corpo adormeceram e que este acabou roubado por um porco! A sete horas dali para oeste, em Uttar Pradesh, houve notícia de um terceiro incidente, o de uma menina que morreu algumas horas depois de ter nascido e que foi abandonada no chão do Hospital em cima do tapete, vindo depois a ser roubada por um cão?!
Bem sabemos que ninguém tem um remédio milagroso para curar a pobreza e a miséria, como temos conhecimento que há muitos que querem pôr limites à riqueza. Pergunta-se: não seria melhor impô-los à miséria? Perante tão reles e macabras notícias, três perguntas pairam na nossa cabeça: Como é possível que desgraças como estas ainda aconteçam no Séc.XXI? Terá a Índia um regime democrático? Para quem governará o seu governo? É em ocasiões como estas que se agradece termos nascido no lado bom do mundo! 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

ELES MORDEM TUDO PORQUÊ?

Colin Tennant (na foto abaixo), ex-polícia e uma das sumidades britânicas em matéria de comportamento de cães e gatos, num parecer que adiantou recentemente à revista “Live Science” acerca das razões que levam os cães a mastigar tudo, fez saber que tal se deve em primeiro lugar ao facto dos cães serem curiosos tal como as pessoas, residindo a diferença entre ambos no modo como investigam: os homens usam as mãos e os cães usam a boca (estamos perfeitamente de acordo). 
O experimentado adestrador disse também que a “ansiedade da separação” pode pior o problema; que os cães que não estão acostumados a estar sozinhos podem exibir comportamentos prejudiciais como mastigar ou arrancar um tapete; que mesmo cães bem ajustados podem ter dificuldade em se manter afastados de certas coisas dentro de casa, particularmente atraentes como os chinelos; que os cães mastigam frequentemente coisas por causa do seu odor e sabor e que os odores dentro de casa que mais os atraem são os humanos, concluindo que os nossos sapatos ao terem um odor intenso e serem frequentemente feitos em couro, são especialmente convidativos para os cães, por suscitar-lhes ainda instintos que afloram a sua natureza predatória (também aqui nada temos a obstar).
Ainda segundo o criador do “Canine & Feline Behavior Center” de Hertfordshire e de Londres, as mobílias de madeira podem ser igualmente atraentes para os cães, que não sabem distingui-las duma comum vara de madeira que encontram e mastigam num parque, o que torna obrigatório o seu treino e dar-lhes alternativas para que não destruam objectos com valor para os seus donos. Tennant adianta ainda que não basta dar para os cães alguns brinquedos para mastigarem, porque nem sempre aceitam automaticamente as alternativas e continuam a morder o que não devem (mais certo não poderia estar).
E tudo isto porquê? Porque um brinquedo que sabe e cheira a plástico não é agradável para um cão, ao invés, um sapato que cheira a humano é que muito lhe agrada. Isto significa que cabe ao humano ensinar o cão a abandonar os sapatos malcheirosos em favor de um brinquedo estéril. Tennant adianta que uma maneira para se alcançar essa troca é usar jogos de perseguição para reforçar a relação entre o brinquedo e o cão, já que jogar um brinquedo é uma forma de o tornar atraente (não o diríamos melhor).
Depois de explicar como operar a transferência do mastigar para os brinquedos, Colin Tennant adverte que não vale a pena repreender um cachorro meia hora depois de ter feito um disparate, porque os cães não compreendem as consequências das suas acções passadas, apenas temem ser repreendidos, verdade que há muito conhecíamos e da qual muitos se esquecem amiúde.
Se estamos plenamente de acordo com tudo o que Tennant fez saber, o que é que ele não disse e que importa dizer? Somente isto: que mais depressa se ensinará obediência a um cão que higiene a certos donos! É importante não esquecer que os cães adoram cheirar caca e que muitos deles mastigam o que não devem por falta de higiene dos donos nos lares, estamos a falar de roupa que tarda em ser lavada, de sapatos e roupas espalhados pela casa, lixo amontoado e por despejar, sofás e outros móveis sujos, etc. 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

MAIS UM “CONTO” DA ADORÁVEL CHINA

Eu cresci a ler os livros de Pearl Sydenstricker Buck, nascida Pearl Comfort Sydenstricker, escritora norte-americana que ganhou o Prémio Pulitzer de Ficção de 1932 e o Prémio Nobel da Literatura em 1938, em cujas obras descrevia a China e os chineses como um país místico e gente adorável. Pouco a pouco fui vendo que a China e os chineses nada tinham a ver com os relatos de Pearl Buck e a cada ano que passa mais me desiludem.
A última que me chegou da China veio pelo “Mirror” on-line, onde fiquei a saber de um acto bárbaro perpetrado por um chinês do município de Xiong, na Província de Hebei, no Norte da China.
O dito chinês, cujo nome não foi revelado, decidiu comprar um galgo para competir numa importante corrida, apostando forte no animal na esperança de ganhar. Infelizmente o Greyhound não ganhou a corrida e o homem acabou por perder uma quantia avultada.
Revoltado e querendo vingar-se, o mau apostador espancou o cão até à morte, gravando num vídeo a sua selvajaria com os seguintes dizeres: “Oiçam donos de cães, se o seu cão não for bom o suficiente, coma-o” e “Perdeu a corrida, então agora [eu vou] comer a sua carne.
O horrível vídeo acumulou quase cinco milhões de visualizações desde que surgiu online. Os usuários chineses das redes sociais, que não compreenderam o “pragmatismo” daquele mau perdedor assassino, manifestaram-se furiosos, chamando-o de “cruel” e “ganancioso”.
E como tudo se passou na China, cujas leis não protegem pequenos animais como gatos e cães dos maus-tratos infligidos pelos seus donos, é bem provável que o homem não venha a sofrer qualquer punição. Não restam dúvidas: a China descrita por Pearl S. Buck era bem melhor do que a actual!

O CAROLINA DOG: O DINGO NORTE-AMERICANO?

O Carolina Dog é uma raça nativa dos Estados Unidos. Comprovou-se cientificamente que descende directamente dos cães nativos americanos que acompanharam os primeiros habitantes no Hemisfério Ocidental. Reconhecido principalmente pela sua morfologia primitiva, este cão é altamente inteligente, interactivo e único. Nos últimos 40 anos optou por viver selvagem nos Estados da Carolina do Sul e da Geórgia, em bosques de pinheiros e de ciprestes à beira de pântanos, sendo recentemente domesticado. O Carolina Dog é também conhecido como Dingo-Norte-Americano, Dingo-Dixie, Dindo do Sul, Dingo da Carolina, Cão Nativo da América do Norte, Cão Nativo Americano, Cão Índio, Cão Amarelo, Cão Yeller e Ol 'Yeller.
Há medida que a sua domesticação aumentou e se tornou popular, o Carolina Dog, que apresenta misturas com outros cães, foi classificado pelo United Kennel Club como um cão doméstico do Grupo Pária e do Tipo Spitz. Uma das primeiras publicações que documentou o Carolina Dog foi o artigo “Dogs of the American Aborigines”, da autoria de Glover Morrill Allen, publicado em 1920 pelo Museum of Comparative Zoology at Harvard College, onde o autor adiantou: “que os cães índios maiores ou comuns descendiam dos primitivos cães asiáticos” e “que o cão doméstico originário da Ásia foi carregado pelo homem primitivo tanto para o Leste como para o Oeste em todas as partes do mundo habitado. Parece altamente provável que essa migração aconteceu nos tempos do Pleistoceno tardio”.
Mais tarde, mais precisamente em 2013, mediante testes de ADN mitocondrial, levados a cabo para se saber se o Carolina Dog se encontrava ligado aos cães primitivos, verificou-se que 58% dos cães apresentavam haplotipos universais que poderiam ser encontrados em todo o mundo (haplótipos A16, A18, A19 e B1), 5% apresentavam haplótipos associados à Coreia e ao Japão (A39) e 37% apresentavam um único haplotipo que não foi registado antes (A184) e que se relaciona com o sub-haplogrupo de mDNA a5 com origem no Leste Asiático, enquanto o Dingo Australiano e o Cão Cantor da Nova Guiné pertencem ao haplotipo A29 que se relaciona com o sub-haplogrupo a2, não existindo assim uma relação genética de mDNA. Estas comprovações científicas vieram ratificar o que Glover Morrill Allen havia dito em 1920.
Os estudos do Dr. I. Lehr Brisbin Jr., um especialista em ecologia vertebrada, rádio ecologia, ecotoxicologia e comportamento animal, particularmente o relacionado ao olfacto canino, mostraram que o Carolina Dog tem um comportamento único na natureza: o de defecar e urinar em rios, riachos e ribeiros, para esconder o seu odor de lobos e coiotes que são seus predadores. As fêmeas têm três cios anuais, quiçá por causa da Dirofilariose que mata muitos cachorros. 
Algumas fêmeas quando estão grávidas cavam verdadeiros e elaborados abrigos para parirem, trabalho que nenhum outro canídeo faz. Após o parto ou durante a gravidez, as cadelas tapam os seus excrementos empurrando areia com o nariz, manobra que dificulta a sua detecção por de lobos e coiotes e que demonstra uma adaptação comportamental adicional à natureza. Somente o Dingo Australiano e antiga raça coreana de cães fazem o mesmo.
O Carolina Dog é altamente proficiente na localização das suas presas, fazendo a sua localização ao ouvido graças às suas orelhas erectas e giratórias. A sua técnica de caça é semelhante à das raposas, já que confunde o seu odor com outros mais fortes para não ser detectado, esfregando-se inclusive nos excrementos do animal a caçar. Este cão prefere áreas escassamente povoadas, mas é por vezes encontrado em áreas arborizadas junto de auto-estradas e unidades industriais. A redescoberta do Carolina Dog ficou a dever-se ao interesse e dedicação do Dr. I. Lehr Brisbin Jr., ecologista sénior no Savannah River Ecology Lab do Savannah River Site, a partir da década de 70 do século passado.
Estes cães medem entre 45 e 61cm de altura e pesam entre 14 e 20kg. Morfologicamente lembram um pequeno lobo ou chacal com características lebréis, de orelhas erectas, stop pouco pronunciado, dorso paralelo ao solo, mais quadrados que rectangulares e com a cauda enrolada em forma de peixe. A cor preferida, de acordo com o padrão UKC, é o gengibre vermelho escuro com marcas pálidas sobre os ombros e ao longo do focinho. 
Não obstante, outras variações de cor são também consideradas aceitáveis, incluindo a cor de palha de trigo até ao amarelo pálido. Os Carolina Dogs também podem ser pretos e fígado, apresentar o dorso negro e manchas piadas. Freqüentemente os cachorros apresentam uma máscara escura que normalmente desaparece à medida que o manto definitivo avança. A densidade do seu manto é ditada pelas estações do ano, sem maior nos meses mais frios.
O Carolina Dog exige um nível de actividade alto e não apresenta dificuldades na obediência, no Agility (onde se tem vindo a destacar), nos concursos de frisbee e noutras actividades físicas, não apresentando também dificuldades de interacção. Como estamos na presença de um genuíno cão-caçador, é de todo conveniente não deixar um Carolina Dog num quintal sem cerca. Devido às suas origens, a raça pode ser tímida e suspeita, especialmente com estranhos, mas afectuosa a seu modo com as pessoas familiares, sendo própria para famílias activas, o que não impede que seja também silenciosa, reservada e um pouco distante.
Apesar de ser uma raça extremamente activa, não necessita de grandes exercícios anaeróbicos, reclamando apenas por uma simples caminhada diária e alguns jogos de interacção. Este cão também possui distintivas e emocionantes vocalizações. Quanto à saúde, o Carolina Dog é considerado uma raça de cães geralmente saudável. Quando não-domesticado e entregue a si próprio, vive da caça de pequenos roedores e também de algumas plantas e frutos, não sendo por isso dispendioso alimentá-lo. Mais, como por vezes come pequenas quantidades de terra, convém que o chão que pisa se encontre livre de químicos e pesticidas. Exige-se um cuidado especial com as plantas não-nativas do seu habitat, que ao serem desconhecidas e tóxicas, podem causar-lhe graves problemas.
Eis em síntese o Carolina Dog, um amigo que carrega o passado para o futuro, um cão que liga a ancestralidade ao presente sem perder as suas características únicas, uma agradável surpresa para quem não o conhece e um manancial de interesse para quem o estuda e aprecia.