terça-feira, 12 de setembro de 2017

COMO FAZER UM MOLOSSO MELHOR

Eles são a presença da Antiguidade no presente, muitos deles encontram-se indexados às listas dos cães perigosos, são de forte constituição e o seu tamanho oscila entre o grande e o gigante (também os há pequenos), têm uma tremenda força de mordedura graças ao formato da cabeça que proporciona ao conjunto dos seus músculos uma maior contracção e poder de destruição, também devido à sua arcaria dentária. Na sua maioria são de ossatura forte e pesada, portadores de uma cabeça maciça (redonda ou em cubo), apresentam lábios espessos e longos, pescoço musculado, curto e grosso, o corpo maciço e o peito amplo e arqueado. Chamam-lhes “molossos” por causa do termo “Molóssia”, advindo geograficamente do Épiro antigo (Grécia Ocidental), onde existia um cão de pastoreio designado por “Molossus”, que viveu no ano 700 A.C., hoje extinto e de quem se julga descenderem (há quem adiante que os molossos têm uma tripla origem sendo descendentes directos do Mastim Tibetano, dos grandes molossos asiáticos e dos “Canis Pugnax” romano. 
Gregos, romanos e assírios usaram cães idênticos na guerra, muito embora o seu uso mais comum ao longo da história tenha sido repartido pelas seguintes actividades: protecção de rebanhos, caça aos lobos e aos ursos e… como cão de arena, onde combatiam contra gladiadores, várias feras e outros cães. Apesar da sua má fama continuam a ser amplamente procurados, porque são fiéis, valentes e excelentes protectores.
A título informativo e antes de abordarmos o tema a que nos propusemos, adiantamos uma lista com as raças mais conhecidas deste grupo somático canino. São elas: Aidi; Boston Terrier; Boxer; Broholmer; Bouvier de Appenzel; Bouvier de Entlebuch; Bouvier da Flandres; Bouvier Suíço; Bulldog Francês; Bulldog Inglês; Bullmastiff; Cane Corso; Cão da Serra da Estrela; Cão de Castro Laboreiro; Cão de Presa Maiorquino; Cão dos Pirinéus; Dogue Alemão; Dogue Argentino; Dogue de Bordéus; Dogue Brasileiro; Fila Brasileiro; Leonberger; Landseer; Mastiff; Mastim Napolitano; Mastim do Tibete; Pastor do Cáucaso; Presa Canário; Pug; Rafeiro Alentejano; Rottweiler; São Bernardo; Sharpei; Terra Nova e Tosa (de tantos que são, ainda falta acrescentar à lista alguns famosos).
Trabalhar (treinar) molossos não é tão fácil como fazê-lo com lupinos, vulpinos ou bracóides, porque ao serem mais confiantes que os demais, por força de uma maior autonomia, resistem por vezes à liderança que lhes é imposta, à divisão de tarefas e à aceitação de recompensas, na propensão que manifestam em resolver as coisas por modo próprio, confiantes na sua determinação e força, o que sempre acaba por torná-los menos solícitos e aparentemente menos propensos para trabalhos que outros aceitarão à primeira e com agrado. 
Nascidos para enfrentar a oposição e os opositores à sua frente, quando contrariados e logo após o alcance da maturidade sexual, tendem a ensurdecer-se para as ordens e a desobedecer sistematicamente, como que incomodados e impróprios para cumprir ordens. Com o tempo e perante insistência, à medida que crescem e se desenvolvem, poderão tornar-se agressivos para os seus proprietários, particularmente se os entenderem como fracos ou iguais, não hesitando inclusive a enfrentá-los, o que nunca deverá acontecer atendendo ao que virá depois.
Ensinar obediência estática a molossos, nomeadamente comandos de inacção e travamento, é trabalho que não rejeitam e que merece a sua imediata aprovação, porque rapidamente aprendem a ficar quietos, a sentar e a deitar-se pelo tempo julgado necessário, vantagens advindas da sua valentia e confiança em si próprios, assim como também da sua autonomia particular. Mas quando se trata de convidá-los para a obediência dinâmica e capitanear-lhes as acções, mostram-se apáticos e desinteressados diante do desenvolvimento atlético básico e exigível que viabiliza o seu uso para além das tarefas ancestrais. 
É evidente que existem excepções rácicas e individuais, diferenças intimamente ligadas aos propósitos que presidiram às díspares selecções (enquanto os ingleses são mais autónomos, escolhem os seus passatempos e exigem respeito, os orientais agradecem que não os aborreçam, mostrando os germânicos maior disponibilidade e cumplicidade que os peninsulares ou de leste).
No que à sociabilização canina diz respeito, pese embora o facto dos molossos serem desconsertados e ingénuos até bem tarde, especialmente os de raça grande ou gigante, há que haver na idade adulta um cuidado redobrado, mesmo quando sociabilizados desde tenra idade, porque não verão com bons olhos a sua inserção em matilhas espontâneas ou heterogéneas, onde estarão presentes diferentes grupos somáticos caninos, particularmente os lupinos cujo comportamento não entendem, gera-lhes suspeitas e é causa de desafio. 
Por vezes não se agradam da inquietude dos vulpinos e não estão para suportar os incómodos bracóides. Ao invés, porque não lhes vêem qualquer ameaça, mostrarão maior empatia e amizade com os cães pequenos que entendem como indefesos sentinelas, parte do seu grupo a proteger.
Caso não nasçam cobardes e/ou inibidos, os molossos não se farão rogados em defender os seus donos e pertences, sendo por norma bons guardiões de habitações, quintas, stands e estaleiros, desde que as áreas a guardar não excedam os 800 m2, porque não são tão rápidos como outros e valem mais pela presença ostensiva. No que à segurança pessoal diz respeito, poucos cães serão superiores a certos molossos, cujo comportamento lembra em absoluto o desempenho de um competente “Bodyguard”. Mas se eu não precisar de um cão de guarda ou de um guarda-costas, será que consigo adaptar o meu molosso para outras actividades ou desportos caninos? Há quem diga que não, nós dizemos que sim e vamos já dizer como.
Se o seu objectivo é tornar o seu cão mais saudável, activo, curioso, versátil e cúmplice, inicie o seu ensino escolar aos 4 meses de idade, seja você mesmo a ensiná-lo, procure uma escola que ministre aulas colectivas e em cujas classes haja diferentes grupos somáticos caninos, que tenha um parque de obstáculos variado e rico, que tenha diferentes disciplinas curriculares e que aposte na capacitação canina a partir do concurso de diferentes ecossistemas. 
Como a maioria dos molossos não sabe nadar satisfatoriamente, convém que ali o ensinem a nadar, a ocultar-se e evadir-se, a não denunciara a sua presença e a tirar partido do efeito surpresa, a desenvolver índices atléticos médio-altos para que tenha saúde e vida em abundância. Para que isso aconteça com mais celeridade é de suma importância que treine na companhia de lupinos, com quem competirá em abono da sua salvaguarda, alcançando requisitos técnicos e técnicas que jamais alcançaria por si mesmo – um melhor aproveitamento e rendimento da sua biomecânica.
Aos 4 meses de idade porquê? Porque importa aproveitar a sua plasticidade física e cognitiva, desenvolver-lhe a curiosidade e o impulso ao conhecimento, operar a sua sociabilização pela familiarização e pela experiência feliz, dotá-lo de maior resistência às amplitudes térmicas e de melhores ritmos vitais. O convite para os mais diversos obstáculos irá despertar-lhe o prazer pelo exercício físico e equipá-lo dos músculos necessários à sua envergadura, peso e saúde articular. Através dessa experiência variada e rica, que seria quase impossível sem o contributo da mestria e participação de diferentes cães, o seu molosso tornar-se-á num companheiro sempre presente e disponível para as acções que vier a solicitar-lhe: em nada inferior aos demais!
É possível que ao principiar a escola tenha que rebocá-lo mas depois prepare-se, porque vai ter que arranjar pernas para ele! Deste modo ensinámos com êxito imensos molossos ao longo de décadas, alguns com mais de 80 kg que venceram toda a sorte de obstáculos e que nunca se furtaram aos mais diversos desafios, animais ensinados com o empenho e a paciência que só o amor é capaz de oferecer. A aptidão da generalidade dos cães sempre espelhará a qualidade dos seus mestres e os molossos não escapam à regra. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

NÓS POR CÁ: POR TERRAS DOS CELTAS CURTOS

Este fim-de-semana optámos por visitar o Minho e pernoitámos no Distrito de Viana do Castelo. Visitámos 5 concelhos, 4 nacionais e 1 galego, respectivamente Paredes de Coura, Ponte de Lima, Valença, Vila Nova de Cerveira e Tui, para além de nos determos nas freguesias de Cossourado, Rubiães e Sapardos e de termos assentado arraial no lugar de Antas. Em termos de beleza natural o Minho continua inigualável pelo verde que mantém e pelos rios que o adornam. Do ponto de vista arquitectónico são visíveis algumas diferenças, muito embora não sejam de hoje, já que os solares dos “brasileiros” de outrora (gente que regressava endinheirada do Brasil), cederam lugar às casas dos emigrantes vindos maioritariamente de França, rompendo assim com o desenho e materiais tradicionais, mesmo nos lugares mais recônditos.
Ponte de Lima continua única e linda, agora a braços com as “Feiras Novas”; Paredes de Coura parece perdida no tempo (bem que precisa de mais festivais de verão); Valença fervilha de gente de cá para lá e a luz solar empresta-lhe um carácter idílico à beira de água, o que torna o Rio Minho majestoso; Vila Nova de Cerveira lembra a “Costa do Sol” mas para melhor, porque é ao mesmo tempo paradisíaca e intimista, plena de recantos e de segredos. E quanto a Tui nada a acrescentar, a não ser que é a continuação do Minho no lado galego (espanhol) e que as gentes de um lado e do outro do rio são exactamente as mesmas, gozando entre si de grande amizade e contribuindo ambas para o enriquecimento uma da outra.
Quanto aos minhotos que nos foram dados a observar ali, mais visíveis nas cidades e vilas que nas aldeias, as últimas encontram-se quase desertas a maior parte do ano, sobressai a sua sobriedade e humildade, um carácter por vezes comedido e ao mesmo tempo irreverente que casa na perfeição o sacro com o profano, coisa visível nas romarias que começam graves e solenes e acabam geralmente nos adros das igrejas com bailarinas sensuais e desinibidas bem ao gosto popular (o que é bom é para se ver!). A “reza do terço” é coisa para velhos e os demais são iguais à maioria dos restantes portugueses, que só vão à missa por ocasião de baptizados, casamentos e funerais e também às ditas por alma de alguém, ainda que com menor assiduidade.
Pese embora a sua humildade, esta gente gosta de comer e vestir-se bem (nas feiras encontram-se números grandes, calças até aos 60 cm de cintura), serve quem a visita magnificamente e atende com rara disponibilidade quem a procura, predicados nem sempre visíveis noutros cantos do País e que levam os turistas a regressar ao Minho logo que possam. Antigamente os turistas que se viam nas ruas e restaurantes eram quase todos galegos, agora já se vêem outros e entre eles contámos alemães e franceses, que vermelhos que nem pimentos, alegres tudo depenicavam.
Nas terras onde os celtas acolheram os suevos, contrastando com o passado, o número de gente loura de olhos azuis está a diminuir drasticamente, o que nos parece resultar da extrema mobilidade da população portuguesa, de muitos minhotos residirem e trabalharem noutras áreas do País, no estrangeiro e também devido ao reduzido número de crianças (as escolas da época salazarista encontram-se hoje quase todas encerradas, permanecendo como mausoléu às muitas reguadas que por lá se ouviam). Não obstante, para além dos “Caminhos para Santiago” que são percorridos religiosamente, as tradições continuam vivas e o folclore minhoto continua a dar mostras disso.
E como para nós é um fracasso fazer turismo sem interesse histórico, acabámos por deslocar-nos à freguesia de Cossourado, pertencente ao Concelho de Paredes de Coura, mais propriamente à dita “Cividade de Cossourado”, povoado fortificado (castrejo) construído durante a Idade do Ferro, próprio de uma população que se dedicava à recolecção, à agricultura e à pastorícia e que erigiu distintas edificações, nomeadamente habitações, locais de trabalho, de armazenamento e de recolha para gado. Segundo informações presentes no local, a população que ali viveu dedicava-se também à fiação, à tecelagem, à olaria, à moagem, à pesca e à metalurgia, tudo isto entre os séculos V e II A.C., antes da tomada da região pelas tropas romanas.
Estes nossos antepassados não seriam muito altos a avaliar pela altura das portas das suas habitações, legado que parecem ter perpetuado nos minhotos, em cujo seio se pode ainda ver muita gente baixa, senhoras de 155 a 160 cm e homens de 160 a 165 cm, muito embora as novas gerações sejam bem mais altas e alguns indivíduos ultrapassem largamente os 180 cm. Independentemente do seu tamanho, até porque há quem diga que os homens não se medem aos palmos e tudo leva a crer que tenha razão, não falta aos minhotos força, ambição e destemor, um caminhar alegre e seguro rumo ao futuro, próprio de quem não se contenta e que sempre procura mais. Assim vimos parte do Distrito de Viana do Castelo e haveremos de ir a Viana.
Daqui muito agradecemos a quem nos acompanhou, orientou e serviu de guia turístico.

domingo, 10 de setembro de 2017

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
5º _ O SONHO DO LUPINO PORTUGUÊS E O PERRO LOBO MALLORCAN, editado em 18/08/2015
6º _ SIR ALEX É QUE SABE!, editado a 05/11/2017
7º _ HUSKY E SERRA DA ESTRELA: UMA PARCERIA DIFÍCIL, editado em 04/01/2014
8º _ NÃO HÁ PANELA SEM TESTO NEM CÃO SEM PRÉSTIMO, editado em 03/11/2017
9º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
10º _ O ESTRANHO ANÚNCIO DOS PASTORES ALEMÃES CASTANHOS, editado em 26/04/2013

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia, 4º Estados Unidos, 5º Angola, 6º Indonésia, 7º Alemanha, 8º Espanha, 9º Moçambique e 10º Ucrânia. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O MUNDO À NOSSA VOLTA: TUDO O QUE VIER À REDE É PEIXE

O segundo milénio não tem sido generoso nem para os homens nem para o mundo, porque tem sido farto em ataques terroristas, em conflitos armados por toda a parte e em calamidades naturais. Diante deste cenário radicalizam-se posições e os lobos do passado voltam ao povoado, políticos extremistas chegam ao poder e o tribalismo ganha novo alento e expressão. Dirigentes como Donald Trump, Kim Jong-un e Nicolás Maduro emprestam à actualidade muitos fantasmas e receios, tanto para os seus como para os restantes povos do Planeta, pelos seus discursos inflamados onde a palavra “luta” é a mais usada e pressupõe a possibilidade de uma ou várias guerras. A meu ver o mais tolo dos três é o coreano e não é preciso ser-se psiquiatra ou psicólogo para se constatar da sua grave patologia, pois traz escrito no rosto o alienado que é e nas acções a loucura que não o larga (ainda é capaz de lançar o mundo numa guerra nuclear).
As trampas do Trump são próprias de uma política de extrema-direita como as de Maduro são de extrema-esquerda, ambos são rebentos fora de estação e caso a paz vença depressa secarão. O Trump tem quem olhe por ele e não o deixe abusar – quem o meta na linha, o Maduro, infelizmente para os venezuelanos, parece não ter oposição à altura, apesar de condenar o seu próprio povo à fome. Que país ou governo florescente lhe servirá de modelo? A Rússia não é, a China está “a virar o bico ao prego” e Cuba não tem como mandar cantar um cego, valendo-se agora das envergonhadas indulgências papais. É evidente que os problemas da Venezuela dizem respeito aos venezuelanos, mas também nos dizem a nós quando um sem número de emigrantes se vê obrigado a regressar à Ilha da Madeira para escapar à guerra e à fome, apanhando aquela Região Autónoma de surpresa e sem ter como os receber condignamente. Até quando suportarão os venezuelanos as madurezas de Maduro?
Neste momento ainda há alguns animais nos jardins zoológicos e nas reservas naturais, assim como cães e gatos nas ruas mas já não são muitos e compreende-se porquê. Quando eles acabarem que carne comerão 21 milhões de venezuelanos, uma vez que só 1/3 da sua população pode pagar a carne, os ovos e a margarina? A foto abaixo, que pertence a um total de três, correu mundo e foi difundida por um representante da oposição venezuelana. Nela podemos ver dois homens, alegadamente fotografados em Caracas neste fim-de-semana, depois de haverem matado um cão para comer, prática que a oposição diz recorrente e que nem os flamingos tem poupado.
Em Yulin, na China, continua-se a comer carne de cão, como de resto noutros países asiáticos; alguns suíços mais conservadores não dispensam a mesma carne na “Noite da Consoada” e os venezuelanos consomem-na por necessidade, porque ali “tudo o que vier à rede é peixe”, neste caso carne. No mundo em que vivemos, tão cheio de assimetrias, os cães oscilam entre filhos idolatrados e animais para abate, tratamentos extremados que reflectem a insanidade presente no quotidiano das nossas sociedades.

NÓS POR CÁ: A CAIXA VERDE CONTRA O SACO AZUL

Ao que tudo indica, parte considerável dos 9 milhões de euros oferecidos para socorrer as vítimas dos incêndios em Pedrogão Grande ainda não chegou aos seus destinatários, como infelizmente já vem sendo hábito em acções de solidariedade deste género, estando retida por tempo indeterminado em instituições há muito estabelecidas entre nós, que dificilmente abrirão mão dela, salvaguardando-a por detrás muita burocracia e papelada. Graças a um conjunto de estratagemas de funcionários diligentes com excesso de zelo ou pouco escrupulosos, muitas das vítimas acabarão como sempre: a chuchar no dedo! Para que a história já gasta do “saco azul” não se repita e haja transparência, quem de direito deverá pedir contas a quem não as quer dar. 
E como sobre todos governa Marcelo Rebelo de Sousa, que politicamente já se manifestou sobre o assunto e bem, deverá ser ele o primeiro fazê-lo, até porque não precisa de sonhar, fingir ou brincar em ser rei, é-o de facto – Marcelo I da II República Portuguesa, um presidente em tudo igual a um monarca em direitos e prerrogativas (os portugueses sentem ainda a falta da figura do rei como garante da unidade nacional e certamente terão razões válidas para isso).
E já que estamos a falar de reis, vêm-nos à memória e a propósito um muito especial – D. Pedro V, 11º Monarca da 4ª Dinastia, filho de D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota (D. Fernando II) e da Rainha D.ª Maria II, a quem coube reconciliar o povo com a monarquia depois da trágica guerra civil que o antecedeu, que devastou o país durante 6 anos e que teve como oponentes o seu avô e tio-avô, respectivamente D. Pedro IV (I Imperador do Brasil) e D. Miguel. Segundo reza a história, este monarca dedicou o seu reinado ao povo e foi por ele muito amado. Morreu jovem, apenas com 24 anos, de febre tifóide a 11 de Novembro de 1861, o que provocou uma enorme tristeza em toda a sociedade portuguesa de então (o povo suspeitando que o haviam envenenado veio a amotinar-se). 
O que fez de grandioso o nosso D. Pedro V? Para além de subsidiar do seu próprio bolso o Curso Superior de Letras, de ser um acérrimo defensor da abolição da escravatura, de visitar amiúde os doentes de cólera nos hospitais e de fundar vários, entre eles o Hospital D.ª Estefânia em Lisboa (em memória da sua esposa, a princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen), teve o arrojo de mandar pôr à porta do seu palácio uma caixa verde, cuja chave guardava, para que o seu povo pudesse falar-lhe com franqueza e queixar-se, isto segundo os seus cronistas.
A quem se queixarão hoje as vítimas espoliadas dos incêndios de Pedrogão Grande? Quem ouvirá as suas denúncias e lhes fará justiça? Quem deverá pôr-lhes à disposição uma caixa verde para seu socorro? Quem tudo pode e está acima de qualquer suspeita: o Presidente da República! Ele melhor do que ninguém e ao abrigo dos poderes que lhe foram conferidos pela Constituição da República, deverá fazer tudo ao seu alcance para que os sacos azuis acabem e dêem lugar à “caixa verde”, aproximando de si o povo que o elegeu pelo socorro que lhe presta. Já não haverá governantes como os havia antigamente ou estaremos perante uma epidemia ou pandemia de “farinha do mesmo saco”?

terça-feira, 5 de setembro de 2017

BILLIE: O CAÇA-ESTUPRADORES

E por falar em treino sério, árduo e difícil (intensivo). No condado de Derbyshire, condado vizinho de Yorkshire onde a família Carreiras vive em Inglaterra, a polícia local (Derbyshire Constabulary) tem uma nova arma para dar caça aos estupradores: um Cocker Spaniel com 3 anos de idade que se tornou perito em detectar vestígios de sémen humano, acelerando assim a identificação e detecção dos presumíveis criminosos, o que nestes casos é de suma importância.
O bom do Billie é capaz de encontrar manchas de esperma quase invisíveis a olho nu nas mais variadas superfícies. Desde que entrou ao serviço, em Março deste ano, ele e o seu condutor já participaram em dezenas de investigações e um homem foi preso após o seu sémen ter sido detectado pelo cão.
Nas investigações que levou a cabo, o Cocker tem encontrado evidências que possibilitaram a identificação de vários perfis de ADN, alcançado sucesso em mais de 1/5 das 50 investigações em que trabalhou. Líder na luta contra os agressores sexuais, este cão pode detectar uma quantidade mínima do sémen dum estuprador, até 0,06ml, proeza que os métodos científicos até aqui utilizados não têm conseguido.
Resta dizer que o treino do Billie tirou partido duma gama representativa de amostras de sémen de diferentes etnias e idades, pré e pós-vasectomia, material nem sempre fácil de arranjar e que pode colocar alguns problemas éticos e morais. Neste momento a polícia de Derbyshire está a treinar um Labrador para o mesmo efeito e a incentivar as polícias de outros condados a encontrar e a treinar cães para o mesmo fim.
Caso tivéssemos aqui um cão como o Billie no início do Milénio, jamais Henrique Sotero, um engenheiro na altura com 30 anos e mais conhecido como “o violador de Telheiras”, teria perpetrado tantas violações na Grande Lisboa (40). Dá-lhes Billie, não lhes dês descanso! 

SIR ALEX É QUE SABE!

Há pessoas cuja grandeza não se limita às suas áreas de actuação e Sir Alex Ferguson (Alexander Chapman Ferguson) ex-jogador e ex-treinador de futebol escocês é certamente uma delas. Hoje, ao ler o Jornal Desportivo “ A Bola” online, o título “FERGUSON FINGIA QUE NÃO VIA AS ENTRADAS DURAS SOBRE O RONALDO NOS TREINOS, DIZ ANTIGO ADJUNTO” chamou-me à atenção e optei por ler o artigo, o que raramente acontece. Pela sua leitura fiquei a saber por que razão aquele renomado treinador fingia não ver as faltas duras sobre Ronaldo nas peladinhas e obrigava a sua equipa técnica a proceder do mesmo modo. O jovem futebolista português, hoje considerado o melhor do mundo, tinha por hábito e parece que ainda não o perdeu totalmente, de se atirar para o chão “como uma boneca de trapos”, depois de sofrer alguma entrada dura nos treinos, esbracejando, pedindo falta e vociferando asneiras em português, comportamento e fraqueza que desagradavam ao Mister do Manchester United e que o levou a desconsiderar aquele espectáculo a bem do jogador, do clube que representava e da sua carreira. O procedimento de Alex Ferguson acabou por robustecer Ronaldo, torná-lo mais objectivo e transformá-lo no jogador que é.
Também os cães de guarda não dispensam treinos duros na sua capacitação. Ao invés de fugir têm que aprender a impactar golpes ligeiros, a desviar-se dos duros, a desarmar, a não virar a cara à luta e a contra-atacar, ainda mais que no confronto cão-intruso não há árbitro e raramente os donos estão presentes. O genuíno cão de guarda é forjado no calor da peleja e será tanto ou mais valente quanto sério, árduo e difícil for o seu treino. Não se deve brincar aos cães de guarda ou investi-los de modo precipitado, dar-lhes a ilusão que tudo podem e depois rezar para que nada lhes aconteça.
Sir Alex lá sabe e nós também!

domingo, 3 de setembro de 2017

NÃO HÁ PANELA SEM TESTO NEM CÃO SEM PRÉSTIMO

Nos anos que levamos a ensinar cães nunca conhecemos nenhum sem préstimo, ainda que muitos não correspondessem às expectativas dos seus donos ou ao propósito para que foram comprados. E quando assim acontece, cabe aos adestradores descobrir-lhes qual a sua vocação e utilidade, porque doutra forma acabarão incompreendidos e de algum modo desprezados, o que não serve a ninguém e é tremendamente injusto para os animais, não escapando alguns à morte precoce, como se encontrava condenado um cruzado de Malinois com Border Collie, de seu nome Rocket (nas fotos que ilustram este texto), por ser demasiado agressivo, excitável e tremendamente enérgico, cão que foi parar ao abrigo da “Sociedade de Sacramento para a Prevenção da Crueldade aos Animais” (SPCA), sediada na cidade californiana com o mesmo nome.
Cada vez me convenço mais que nada acontece por acaso neste mundo e a história do Rocket ainda mais me convence. A poucos dias de ser abatido, no ano de 2012, apareceu no abrigo onde se encontrava recolhido, um membro da “National Disaster Search Dog Foundation” que procurava cães com características para resgate e salvamento, correspondendo o perfil do Rocket plenamente às exigências que as operações de resgate não dispensam. O cão acabou por ser entregue ao Eng.º Stornetta da WFPD, profissional que o capacitou para descobrir pessoas vivas e encarceradas em edifícios e outras estruturas colapsadas, recebendo a aprovação e o respectivo certificado da “Agência Federal de Gestão de Emergência” (Protecção Civil) como cão de resgate e salvamento (USAR).
O Rocket, antes “sem préstimo”, está hoje a trabalhar com sucesso junto do “Windsor Fire Protection District” da Califórnia (bombeiros) na detecção de pessoas encarceradas pelo Furacão Harvey no Texas! Antes de desanimar, caso tenha um cão com as características do Rocket, procure uma escola ou entidade que se dedique ao ensino de cães de resgate e salvamento, pode ser que seja essa a sua verdadeira vocação.

TRÊS VIVAS PARA ESTES MAREMMANOS !

Infelizmente não foi só em Portugal que aconteceram grandes incêndios este Verão, eles repartiram-se por várias partes do globo nesta ocasião. Um dos grandes incêndios deste ano deflagrou na Província canadiana da Colúmbia Britânica, província que é a mais ocidental do Canadá e que se encontra entre o Oceano Pacífico e as Montanhas Rochosas, lar de mais de quatro milhões de canadianos e onde em Julho arderam mais de 9.000 km2 que causaram prejuízos na ordem dos 180 milhões de euros.
Não lhe sobrando outro remédio, a Sr.ª Lynn Landry viu-se obrigada a abandonar à pressa a sua casa por 20 dias e a deixar para trás um casal de cães Pastor Maremano-Abruzês, a quem deixou comer, respectivamente o Tad e a Sophie e com eles um rebanho de 90 ovelhas. Temeu-se o pior, mas ao voltar para casa aquela criadora de ovinos teve uma agradável surpresa: das 90 ovelhas que deixou só uma mais velha pereceu, as restantes 89 escaparam ilesas graças ao cuidado dos cães, que as guiaram no meio das labaredas e protegeram de ursos e coiotes famintos.
Apesar da origem destes cães remontar aos confins dos tempos, esta raça italiana só foi reconhecida no final do Séc.XIX e foi sujeita a fusão com outra de igual valor e aptidão já no Séc.XX. Natural das Montanhas dos Abruzzos, no centro da península itálica, o Cão de Pastor Maremano-Abruzês é um pastor nato e valente, próprio para guardar qualquer espécie de rebanho, seja ele de vacas, cavalos, lamas, cabras, ovelhas e de até de galinhas, fazendo frente aos diferentes predadores que cada continente oferece.
Ainda que a sorte estivesse do lado dos cães, somos obrigados a realçar a dedicação e valentia destes dois pastores. Por isso, venham de lá três vivas para estes maremmanos! 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015
5º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010
6º _ HÍBRIDO DE CHOW-CHOW/PASTOR ALEMÃO: MÁQUINA OU DESASTRE?, editado em 11/05/2016
7º _ HUSKY E SERRA DA ESTRELA: UMA PARCERIA DIFÍCIL, editado em 04/01/2014
8º _ O GUARDA DAS GALINHAS, editado em 05/04/2014
9º _ CONVERSAS SOBRE PASTORES ALEMÃES À MESA DO CAFÉ, editado em 09/08/2014
10º _ UM CASO PATOLÓGICO, editado em 29/08/2017

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Rússia, 3º Brasil, 4º Estados Unidos, 5º Espanha, 6º Indonésia, 7º Irlanda, 8º França, 9º Índia e 10º Reino Unido. 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

TOLLER: O CÃO CHAMARIZ

O TOLLER, como é tratado por quem o conhece, oficialmente reconhecido pelo Canadian Kennel Club (CKC) como NOVA SCOTIA DUCK TOLLING RETRIEVER em 1945, é um cão vermelho ou laranja, natural de Yarmouth no Distrito de Litle River, sudeste da província canadiana marítima e atlântica da Nova Escócia, sendo o menos conhecido dos Retrievers e também o mais pequeno, oscilando entre os 43 e 53 cm e os 16 e 23 kg.
A sua sobrevivência enquanto raça deve-se em primeiro lugar ao movimento que empresta à sua cauda, que ao aguçar a curiosidade de patos e outras aves, atrai-os e arrasta-os para si, funcionando como um autêntico chamariz, vantagem que mais nenhuma raça canina carrega e que não o impede de ser um levantador de caça por excelência.
Este retrievier de pêlo duplo e comprido pertencente ao Grupo 8, descende dos cães dos índios Micmac que vieram a ser beneficiados maioritariamente por raças como o Cocker Spaniel e o Setter Irlandês. É admirado pelo seu asseio, beleza, inteligência e robustez (rusticidade), um caçador anfíbio inveterado, persistente e tenaz, capaz de não dar tréguas a pequenos mamíferos terrestres, caçando com igual desembaraçado coelhos.
É um cão que não exige um dono experiente, que se adapta sem dificuldades a viver num apartamento e que resiste bem ao frio e ao calor, muito embora não aprecie ficar só. Extremamente simpático, é afável com a família e não manifesta antipatia ou aversão a estranhos, sociabiliza-se facilmente com outros cães, tolera os gatos e é extremamente amigo das crianças.
O Toller é por norma saudável e de fácil limpeza, apesar de tender à obesidade e de largar alguma quantidade de pêlo. Treiná-lo é fácil ainda que tenda a ladrar em demasia. Extremamente energético, necessita de exercício e desafios diários porque é curioso e cúmplice, não dispensando uma hora de excursão diária quando confinado em casa. Contudo, é menos maçador e manifesta menos ansiedade em agradar que o Labrador e o Golden Retriever.
As afecções mais comuns na raça são: Displasia coxo-femoral, Atrofia Retiniana Progressiva (PRA), Anomalia do olho de Collie e surdez. Esta última afecção é menos comum e não acontece em todas as linhas de criação, atacando somente algumas a partir dos 7 e 8 anos de idade dos cães. Os clubes da raça canadianos e norte-americanos já emitem certificados de isenção destas maleitas devido aos sérios despistes que têm vindo a efectuar.
A sua carga energética, capacidade de aprendizagem, necessidade de exercício e pouco peso fazem do Toller um atleta canino de eleição, tornando-o próprio para vários desportos caninos e particularmente indicado para o Agility, onde por vezes se confunde com o Borde Collie vermelho.
Quando treinado para isso, pode ser um excelente cão de resgate e um fiel detector de cadáveres submersos, porque se sente como peixe dentro de água, mergulhando e submergindo facilmente para procurar objectos ou animais nos leitos dos rios.
A quem agradará um Toller? A quem se dedica à caça de aves aquáticas, a quem procura um cão de desporto ou um companheiro fiável para os seus filhos. O que tem para oferecer aos adestradores profissionais? Basicamente um parceiro dotado e sério para o rastreamento e resgate.