quarta-feira, 16 de agosto de 2017

NÓS POR CÁ: OS SUBSTITUTOS DE HINTZE RIBEIRO

Sempre ouvi dizer que ninguém é insubstituível, o que me parece incontestável, porque mais cedo ou mais tarde todos acabaremos substituídos por conta da finidade que a ninguém poupa. Agora, bem substituídos nem todos seremos e os políticos que temos hoje disso têm dado sucessivas mostras, porque ao invés de lutarem pelos superiores interesses nacionais, antes combatem pela preservação dos seus privilégios e conservação do seu lugar governativo ou parlamentar, sendo todos sem excepção uns verdadeiros “geringonços”. Os fogos continuam e a lei da reforma das florestas é um fiasco, pelo que urge dar continuidade ao lavrado, assinado e posto em prática por Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro, na qualidade de Presidente do Conselho de Ministros do Reino, na sua segunda nomeação, ao estabelecer a “Lei do Regime Florestal”, ainda hoje em vigor e que data da véspera de Natal de 1901 (uma boa prenda para o País!).
Como ainda não encontrámos sucessores de Hintze Ribeiro à altura, quiçá, teremos que fabricá-los e incentivar o casamento de jovens lusos com algumas das “frauleins” que assiduamente nos visitam, já que de igual casamento misto nasceu em Ponta Delgada, a 7 de Novembro de 1849, o valoroso homem de leis e político que hoje aqui relembramos. A solução que adiantamos parece paradoxal, mas Portugal sempre viveu e prosperou com a infusão de sangue novo. E como uma coisa leva à outra e o nosso ofício respeita a cães, importa esclarecer que há por aí muita raça a necessitar também de sangue idêntico. 

ABBIE GIRL: DE DESPREZADA A CELEBRIDADE

Pela segunda vez consecutiva realizou-se no dia 05 de Agosto, novamente na praia de Linda Mar Beach, Pacífica, Califórnia/US, o “World Dog Surfing Championships” que contou com a participação de 3 dezenas de cães. Como havia já acontecido na edição anterior desta prova, realizada no ano passado, o vencedor foi a cadela Abbie Girl, uma Kelpie Australiana, que deixou no lugar imediato o seu amigo Sampson, um simpático e competitivo Spaniel. A campeã Abbie Girl tem uma história parecida com a da Cinderela, porque foi encontrada em cachorra abandonada à beira de uma estrada no ano de 2006, vindo a ser resgatada pela “Humane Society Silicon Valley”, que no mesmo ano a deu para adopção ao seu dono actual, o Sr. Michael Uy, que começou a trazê-la para a praia visando a sua reabilitação, convidando-a para vários desportos náuticos para que aumentasse a sua autoconfiança. Graças ao amor e à persistência dele decorrente, o Sr. Uy conseguiu desenvolver na cadela o gosto pelo desporto, vindo a Abbie a tornar-se no melhor cão surfista do mundo, numa atleta célebre a quem já foram dedicados vários filmes e entrevistas, sendo famosa em países como a Noruega, China, Austrália e Reino Unido para além da sua terra natal.
A Abbie começou a surfar em 2008, foi medalhada em todas as competições desde então e é hoje o cão surfista mais competitivo e mais premiado, tendo também dois “Guinness World Records”. Em 2014 tornou-se no primeiro cão a ser introduzido no “International Surfing Hall of Fame”. Abbie e seu dono ajudaram a transformar o surf de cães dum pretexto para a criação de fundos num desporto real e competitivo. Ela desloca-se numa prancha de surf personalizada pela INT Softboards e tem um feixe de mergulho especial feito a partir de material usado pelos “Marines”. Hoje mais do que nunca, a Abbie é um ícone internacional e local em San Diego. Quando não está a competir, podemos encontrá-la com o seu dono a surfar o ano inteiro ou na casa que ambos dividem na 15ª rua em Del Mar, Califórnia. Há muito que o surf deixou de ser uma actividade exclusiva para jovens irreverentes, aventureiros, pouco cuidados e de cabelo descolorado. Hoje há por aí muitas moçoilas e moços quarentões que estão a abraçar este desporto, a recuperar o tempo perdido, a boa forma física e a refazer as suas vidas com os seus companheiros de comum paixão desportiva (cada vez mais se vêem fatos de surfista pendurados nas varandas a secar – abençoado desporto!). Graças ao surf ficámos a conhecer a Abbie e a sua história, através dele e doutros desportos viremos a conhecer novas vedetas caninas, cães ignotos que têm muito para dar.  

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O DUMMY E EU

Numa tarde ensoleirada, plena de trabalho e desgastante, a braços com gravações, encontrei um dummy e fiquei muito feliz, porque ele foi para onde o levaram e dispensou perfeitamente a minha direcção e presença, substituindo o cão de carne e osso que conduzia em acidentes fictícios tangíveis à realidade. E se me poupou a mim de trabalhos, também livrou de dispensáveis agruras o cão que substituía. Na ficção tudo é possível pela criatividade que reclama. Contudo, por mais real que pareça, não deixará de ser uma simulação bem conseguida. 

ODEN OF ASHBROOKE

O Oden de que vamos falar não se trata de nenhuma iguaria japonesa com esse nome, por norma servida no Inverno, que é confeccionada com vários legumes, tofu e ovos cozidos imersos num caldo à base de soja e de peixe, mas de um Cão Pastor Alemão com esse nome, propriedade de um tal Tristan Murrin, residente em Ashbrooke, Chesterfield County, Virgínia, USA, de quem os tablóides de língua inglesa online dão agora notícia. O destaque dado a este cão ficou a dever-se à vigorosa defesa que dispensou ao lar do seu dono na ausência deste, pondo para correr, de mãos a abanar e em muito mau estado um intruso que por lá passou, segundo provou o sangue ali encontrado e que não pertencia ao cão. Depois do ocorrido, o dono do animal não se cansa de exaltá-lo e de exaltar a raça que considera acima dos outros cães. Segundo o que nos adianta o “Mirror”, o Oden é um cão que adora brincar com crianças, que se deixa acariciar por elas e que é estimado pela comunidade ao seu redor, um companheiro manso quando é preciso e bravo quando necessário (que sabe medir as diferenças). Existirão muitos cães assim? Certamente que não e a maior parte deles será de raça Pastor Alemão, disso não restam dúvidas! 

PETS: PATA PESADA NO MEIO AMBIENTE

Gregory Okin (na foto abaixo), professor de geografia na UCLA, universidade californiana de Los Angeles, revelou num estudo publicado a 02 de Agosto do corrente mês, na revista científica “PLOS One”, que alimentar animais de estimação cria o equivalente a 64 milhões de toneladas de dióxido de carbono anuais, o que equivale a dizer que cães e gatos são responsáveis por 25 a 30 por cento do impacto ambiental do consumo de carne nos Estados Unidos, débito igual ao fornecido por 13,6 milhões de automóveis.
Chegou também à conclusão que o consumo de calorias dos pets norte-americanos, cerca de 163 milhões, é igual ao consumido pelo total da população da França e que cães e gatos consomem de 25 a 30% das calorias totais provenientes de origem animal nos Estados Unidos, produzindo ao mesmo tempo 5,1 milhões de toneladas de fezes, quantidade que apanhada e jogada no lixo rivalizaria com a produção total de lixo do Estado do Massachusetts.
A proliferação exagerada de animais carnívoros de estimação nos países mais populosos, segundo Orkin, está a contribuir para desequilíbrios ambientais, uma vez que é responsável por libertar grandes quantidades de poderosos gases de efeito estufa na atmosfera, pelo que a futura aquisição de pets vegetarianos (aves e roedores) poderá evitar males maiores, assim como a alteração das dietas dos actuais, que considerados como crianças comem agora também bifes (urge pôr-lhes à disposição proteínas vegetais).
Os animais de estimação actuais nos States, na sua esmagadora maioria cães e gatos, consomem actualmente idêntica quantidade de carne que 26 milhões de americanos, número tangível aos habitantes do Estado do Texas (há tanta gente no mundo a morrer de fome). Um estudo de 2013, publicado na revista norte-americana “Proceedings of the National Academy of Sciences” revelou as quantidades de gases de efeito estufa libertados após a produção de um quilograma das diferentes proteínas animais mais correntes. Os pesquisadores descobriram que produzir apenas 1 kg de galinha liberta 3,7 kg de dióxido de carbono. O impacto para a carne de porco é muito maior: 24 kg de dióxido de carbono liberados por kg. Mas o pior infractor é a carne bovina, que pode libertar até uma tonelada, excluindo ainda o uso de água pelos animais.
Diante destas conclusões e atendendo ao bem-estar de todos (homens e animais) ninguém poderá ficar indiferente, há que reequilibrar os ecossistemas que desequilibrámos e proteger o meio ambiente que nos sustenta e mantém vivos. Assim, ter cães e gatos em bardo é um fardo que todos já estamos a pagar, opção que deverá ser repensada para não ser repetida. Por outro lado, importa substituir sempre que possível as proteínas de origem animal por outras de origem vegetal na alimentação de caninos e felinos, papel importante que caberá em maior escalada à indústria alimentar para animais. Entretanto, para minorar os prejuízos e correr atrás do prejuízo, torna-se importante rejeitar as rações ou dietas “premium”, mais ricas que as comuns em proteínas de origem animal. A título de curiosidade e segundo as mais recentes estatísticas, a relação de animais de estimação per capita nos Estados Unidos é de 1.9 e em Portugal de 0.67; o índice de natalidade por mulher nos States é de 1.84 e em terras lusas é de 1.23 (cada um que tire as suas elações). As nossas mascotes escravizar-nos-ão e governarão o mundo? 

NÓS POR CÁ: INSTITUCIONALMENTE SURRIPIADAS!

Gostaríamos de estar enganados mas o fenómeno tende a repetir-se: o auxílio não chegará à maioria das vítimas dos últimos grandes incêndios em Portugal, será canalizado para várias instituições que dificilmente largarão mão dele, fartas em directores zelosos e funcionários pouco escrupulosos. Apenas os mais esclarecidos e persistentes conseguirão abraçar algumas das migalhas do muito que a solidariedade geral ofereceu.
A maior parte das pessoas que ficou sem casa e sem os seus haveres acabará como sempre: enleada, asfixiada e exausta pela burocracia, pelos requerimentos, pelas certidões e demais papelada e dificilmente verá um tusto! Não seria melhor entregar directamente os donativos às vítimas? Será isso impossível? Se o é, e tudo leva a crer que sim, então esta gente malfadada será mais uma vez surripiada, por haver nascido sem sorte nenhuma num País onde a corrupção há muito governa. 

sábado, 12 de agosto de 2017

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte ordem de preferência:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ AZUL? SÓ SE FOR DE PRETO!, editado em 16/04/2015
5º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010
6º _ A CASOTA DO CÃO, editado em 29/12/2009
7º _ CIMARRÓN URUGUAYO OU FILA CISPLATINO?, editado em 27/04/2016
8º _ O GUARDA DAS GALINHAS, editado em 05/04/2014
9º _ SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA? Editado em 02/05/2015
10º _ DOBERMANN: O CÃO QUE É MENOS DO QUE SE SUPÕE E MAIS DO QUE SE IMAGINA, editado em 03/06/2016 

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Brasil, 2º Portugal, 3º Estados Unidos, 4º Espanha, 5º Quénia, 6º Holanda, 7º Rússia, 8º França, 9º Angola e 10º Nova Zelândia.

BALOIÇOS: OS PROCEDIMENTOS MANTÊM-SE PARA ALÉM DA SUA ALTURA

Apesar de os haver de todos os tamanhos, ficando-se isso a dever-se à altura dos seus eixos, os procedimentos a ter nos diferentes baloiços são exactamente os mesmos. O do foto acima, pertença de uma pista táctica nacional não escapa à regra, apesar da altura a que se eleva (tivemos o privilégio de o transpor com dois CPA’s que nos foram confiados e que foram designados para uma série de ficção).
O primeiro cuidado a ter é garantir a direcção do cão rumo ao obstáculo. Depois, solicitar-lhe a velocidade certa (embalo) para que possa vencer o plano inclinado sem grandes dificuldades e encontre em segurança os pontos de equilíbrio e desequilíbrio, para que a recepção do aparelho ao solo não o lance para o solo (o animal deverá permanecer “quieto” enquanto a prancha desce e só deverá sair do obstáculo quando esta se encostar peremptoriamente ao solo).
Nos baloiços mais altos, perante fortes ventos paralelos ou laterais em relação aos obstáculos, é de todo conveniente visando a salvaguarda dos cães que estes permaneçam “deitados” enquanto a prancha desce, procedimento que é exigível diante de grande confusão, intempéries e debaixo de tiro. Ainda que todos os cães transponham os baloiços por força do reflexo condicionado, executando-os automaticamente pela experiência feliz, perante a novidade de um baloiço de grandes dimensões exige-se de um condutor cinotécnico o ânimo e o destemor necessários para uma segura transposição canina.

"OUT-OF-CONTROL "

Os cães actuais não são mais perigosos que os do passado recente, os anteriores à entrada em vigor das leis relativas aos cães perigosos no mundo ocidental, porque doutro modo os canicultores de hoje não teriam a quem vender os seus cachorros. Todavia o número de ataques caninos a pessoas não pára de aumentar e tal não se deve unicamente à subida do número de animais adoptados, que são por norma castrados e que raramente fazem mal a alguém. Assim, por toda a parte se lê ou ouve o termo “out-of-control” quanto algum ataque canino acontece, designação que a nosso ver corresponde totalmente à verdade e que é válida tanto para cães civis como para policiais ou militares, porque em matéria de disparate concorrem uns contra os outros. Quem é que ainda não viu um cão polícia morder “acidentalmente” outro polícia ao lado do seu tratador vestido com igual farda? Quem é que ainda não teve conhecimento de algum ataque perpetrado por um cão polícia sobre um cidadão inocente? Os disparates sucedem-se e são mais frequentes entre os cães urbanos.
Que razões estarão a contribuir para a eclosão sistemática do fenómeno? Como são múltiplas e variadas, sendo algumas tão antigas quanto o mundo, adiantaremos apenas três que nos parecem ser as principais no contexto actual: o aumento vertiginoso da presença canina nos lares citadinos, o despreparo pedagógico de muitos donos e a ineficácia ou insuficiência dos métodos de ensino em voga.
Dum momento para o outro, facto a que não são alheias a quebra dos índices de natalidade e as fortíssimas campanhas pela adopção canina, o número de cães nos lares ocidentais cresceu vertiginosamente nas últimas décadas, fenómeno que começou a despontar nos anos 70 do século passado. É possível que esse aumento se deva também ao facto da Europa experimentar já 72 anos de paz, ter alcançado maior justiça social e uma maior equidade na distribuição da riqueza, factores que somados tornaram possível o sustento dos cães por maior número de cidadãos. Também o aumento médio da esperança de vida, associado a reformas mais justas e ao acesso à saúde, tem levado muitos casais de idosos a uma maior procura destes animais que não raramente são também procurados por pensionistas que vivem sós. Com homens e mulheres forçados a trabalhar mas não libertos das suas carências afectivas, as famílias têm proporcionalmente menos crianças e mais cães, porque os últimos são menos dispendiosos, exigem menos e dificilmente criam entraves às carreiras de cada um. Por outro lado, considerando as dificuldades de integração social de uns tantos, fenómeno que lamentavelmente não é de hoje, os cães têm vindo a substituir os seus familiares e amigos, o que tem contribuído decisivamente para uma maior procura do lobo familiar, funcionando a sua posse como uma autêntica panaceia, dependência que tem gerado e continuará a gerar grandes negócios, cuja maior fatia cabe e caberá à indústria alimentar para animais.
As necessidades afectivas e sociais da maioria dos proprietários caninos sempre fragilizaram e continuam a fragilizar o processo pedagógico dos seus companheiros de quatro patas, porque quando não os endeusam, breve lhes dão um tratamento antropomórfico, despropósitos que os levarão à usurpação do poder e a um conjunto de estratégias para não serem desalojados dele, tornando-se inúmeras vezes “out-of-control” por causa disso, uma vez que esse comportamento advém-lhes quase em exclusivo dum cuidado desregrado ou impróprio. Não podemos dissociar tudo isto da “Declaração Universal dos Direitos do Animal”, pois o espectro do mal causado aos cães no passado tem levado a uma exagerada tolerância com os seus erros, contrição que os vem isentando das mais basilares regras de convivência e princípio por si mesmo suficiente para despoletar a desobediência que induz ao desastre. Não foi o aumento dos animais resgatados que veio contribuir para o grosso dos cães descontrolados, já que estes são por norma agradecidos e castrados a nível planetário. Todavia, o seu exemplo não é válido para todos os cães, como erroneamente se pensa agora, nomeadamente para os cães inteiros de luta, para os de idêntica condição e com excessiva territorialidade e também para uns quantos de selecção assassina e fratricida. Por mais que o oiçamos na TV ou o leiamos na Internet, os cães não são todos iguais e aqueles que são extraordinariamente agressivos devem-no mais à genética que aos maus-tratos infligidos.
Por detrás de tudo isto e de modo cada vez mais descarado, procura dar-se o “golpe de misericórdia” nas distintas raças caninas, que mesmo moribundas não deixam de ser procuradas, particularmente as mais lesivas e de sofrível interesse, geralmente pouco dadas ao suborno, indiferentes às migalhas oferecidas e propensas a encontrar a sua própria recompensa. Diante deste desarranjo, os métodos hoje tornados universais na cinotecnia não conseguem dar resposta à totalidade dos cães do presente graças à sua ineficácia, contribuindo assim e involuntariamente para o aumento do número de cães descontrolados. O facilitismo dos actuais métodos de ensino, de cariz mais doméstico que académico, do tipo “Do yourself  ” ou “Yes, you can ”, não é o mais indicado para cães que sofreram um certo “aprimoramento” racial, inclusive para não serem amistosos. Assim como não se deve sentar um cavaleiro inexperiente sobre um cavalo nervoso, também não se deve entregar um cão valente a um amador. Igual sandice é tratar um cão bélico como se fosse traquinas ou entender-se um assassino como mal-humorado. E se os cães precisam de ser seleccionados, muito mais necessitarão os homens que irão lidar com eles, pormenor que escapa a muita gente civil e militar. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

CASTELO DE VIDE, UMA VILA ALENTEJANA DIFERENTE

O que terão em comum o ilustre médico português Garcia de Orta (autor pioneiro da botânica, farmacologia, medicina tropical e antropologia), Mouzinho da Silveira (figura maior da Revolução Liberal, legislador e defensor acérrimo da Carta Constitucional) e Salgueiro Maia (militar e figura incontornável da Revolução do 25 de Abril)? Todos nasceram em Castelo de Vide e ali continuam a ser relembrados!
Castelo de Vide é uma Vila Alentejana pertencente ao Distrito de Portalegre, incaracterística quando comparada com outras por ser diferente nos seus hábitos costumes e gastronomia (ali até o porco cedeu lugar ao cabrito). Vila fortificada de origem medieval diz-se que foi considerada por D. Pedro V como a “Sintra do Alentejo”, cognome a que não deve ser estranha a sua proximidade com a Serra de S. Mamede, o seu clima ameno, vegetação luxuriante e múltiplos jardins. No périplo que encetámos ao redor da “Rota das Judiarias” decidimos ir até lá.
Vindos de Belmonte para Castelo de Vide não podemos deixar de compará-las, porque em ambas a presença de antigas comunidades judaicas é um facto histórico, ainda que a sua fixação tenha acontecido em momentos diferentes. Belmonte recebe melhor os turistas, tem mais informação para oferecer, encontra-se melhor organizada e tem funcionários turísticos mais solícitos. Em Castelo de Vide, pese embora o número de judeus que por lá viveu e que por ali passou, não tem ao momento qualquer livro disponível sobre a sua judiaria, descuido camarário que deverá ser reparado não se sabe quando.
Quanto às gentes, é inegável a presença de sangue hebreu na sua construção e morfologia, como é evidente a presença doutras etnias peninsulares na sua formação. Contrariamente aos judeus de Belmonte, os de Castelo de Vide mesclaram-se com a restante população, desconhecendo-se na maioria deles se são judeus conversos se cristãos inconfessos, porque não são uma coisa nem outra. Porém, os castelo-videnses não negam a sua herança judia e alguns deles são judeus cardíacos, plebe que se orgulha das suas origens e desconhece em absoluto qualquer letra de hebraico ou preceito da Torá.
A Rua da judiaria, onde se encontra a antiga sinagoga (por acaso bem sinalizada), tem vários prédios desabitados e em ruínas que não caíram ainda por força dos arcos góticos que os sustentam. A velha Sinagoga encontra-se limpa e bem conservada, é didáctica e ilustrativa do seu papel para a comunidade sefardita. E como nem sempre temos sorte, tivemos azar com a funcionária camarária que ali nos atendeu, mais apostada em não ser incomodada do que a dar as informações necessárias conforme a sua obrigação.
Visitámos ainda a Fonte da Vila instalada ao tempo no centro da judiaria, manancial de água fresca que refresca quem por lá passa no tórrido Verão e que é também símbolo da arquitectura medieval. A arquitectura de Castelo de Vide é diversificada e rica, com prédios idílicos que lembram de alguma forma os múltiplos palacetes que encontramos em Sintra e que exalam um ar romântico e ao mesmo tempo familiar. As calçadas nas zonas históricas e mais antigas da Vila são impróprias para senhoras de saltos altos, muito embora algumas delas tenham no seu centro uma estreita passadeira plana de lajes graníticas, o que se agradece e saúda.
Falta dar uma palavra final de agradecimento à Câmara e aos moradores da Vila, porque esta encontra-se exemplarmente limpa, bela e florida, sendo um verdadeiro oásis no meio do deserto de restolho e palha seca que a rodeia nesta altura do ano. Cães vimos por lá alguns e todos bem cuidados.

sábado, 5 de agosto de 2017

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte ordem de preferência:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ HOPE: QUANDO A ESPERANÇA PASSA A CERTEZA, editado em 30 de Julho de 2017
5º _ ROTTWEILER E SERRA DA ESTRELA (AQUILO QUE OS UNE E SEPARA), editado em 07/01/2010
6º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
7º _ COMO ENSINAR O CÃO A SALTAR O PORTÃO DA SUA MORADIA, editado em 30/07/2017
8º _ OBRIGADO, editado em 30/07/2017
9º _ O AZEITE PRÀS CARRAÇAS, editado em 24/06/2010
10º _ SEBASTIÃO GUEST STAR, editado em 30/07/2017 

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Rússia, 4º Estados Unidos, 5º Espanha, 6º Holanda, 7º Alemanha, 8º Quénia, 9º Angola e 10º França.

UMA INSÓLITA ESTRATÉGIA CHILENA

A “Union de Amigos de los Animales”, ONG que se dedica ao resgate de animais de companhia na Capital chilena (Santiago), no intuito de melhor consciencializar as pessoas para os direitos dos animais e para o carinho e amor que reclamam, valeu-se duma estratégia inovadora: a de convencer a equipa de futebol do Colo-Colo, clube mais bem-sucedido na história do futebol chileno, a entrar em campo com animais resgatados, funcionando estes como mascotes daquele histórico team.
Como a iniciativa aconteceu há menos de uma semana não sabemos se surtiu os resultados esperados e se mais gente se predispôs a adoptar cães. Porém, a ideia é genial e estamos em crer que a estratégia chilena virá a ser adoptada para além das fronteiras deste longínquo país sul-americano, alcançando inclusive outros continentes onde o desporto-rei acontece e se encontra associado a várias iniciativas de solidariedade. Oxalá assim aconteça.

QUALQUER CÃO PODE SER REEDUCADO

Hoje gostaríamos de estender um convite aos nossos leitores para que leiam um artigo datado do dia 31 do mês passado, da autoria de Jan Hoffman e publicado no New York Times com o título: “SCARRED DOG SENTENCED TO DEATH. REPORTER HAUNTED”, texto que dá conta do sucedido a uma jovem cadela chamada Elsey, provavelmente uma mistura de Pitbull, que não ultrapassou os testes de sociabilidade a que viu sujeita, sendo por isso considerada violenta e perigosa, acabando eutanasiada depois de resgatada das ruas, segundo deliberação de uma tal Dr.ª Sara Bennett, especialista em comportamento animal e cujos serviços foram requisitados pelo canil de acolhimento que havia resgatado a cadela.
Depois de lermos com muita atenção os testes a que a pobre cadela foi sujeita, narrados ao pormenor pelo autor do artigo que tentou ser objectivo e não tomar partido, suscitando em simultâneo a reflexão dos seus leitores, não podemos calar a nossa indignação diante do carácter imperativo daqueles testes, todos eles de validade contestável e sujeitos a interpretações mais teóricas que objectivas, como se de um processo inquisitorial se tratasse e a condenação dos inquiridos fosse primordial.
Entendemos nós, e levamos vários anos a reeducar cães, que todo e qualquer cão pode ser reeducado, que na cinofilia e na cinotecnia nunca nos deparámos com nenhum tigre ou leão, apenas com cães atribulados do ponto de vista genético, ambiental ou da soma de ambos. Mais, que os testes a realizar aos cães, longe de servirem para deliberar sobre a sorte dos animais, antes deverão contribuir para a identificação dos seus problemas e indiciar qual o método e conteúdos de ensino a seguir visando a sua reeducação e reintegração social.
Somos conhecedores do pragmatismo americano, da sua tendência histórica de “cortar o mal pela raiz”, das soluções radicais que adopta e das quais não se pode excluir a prática da pena de morte, ainda em vigor em 31 dos 50 Estados norte-americanos, não obstante o seu Presidente pretender ser arauto dos Direitos Humanos. E se acontece assim com as pessoas, os cães não receberão melhor tratamento. Depois de atentarmos para a natureza dos testes e para as respostas da Elsey, percebemos de imediato que apresentava problemas de sociabilização “inter pares”, que a sua recuperação seria possível e o seu abate dispensável e por isso mesmo gratuito.
Espera-se dos especialistas em comportamento animal que adiantem subsídios e soluções para a reeducação e integração dos cães, não que elaborem testes que visem a eliminação de alguns por ser serem problemáticos. Acontece na América, acontece entre nós. Contudo, uma dúvida paira no ar: Quem nunca “mexeu” num animal poderá em consciência decidir sobre o seu destino? Nós temos sérias dúvidas!

ELES MORREM, A MODA PASSA E A VERDADE VIRÁ AO DE CIMA

Sem grande disponibilidade para responder aos muitos emails que recebemos, acabámos por encontrar um que pela sua leitura transversal e brevidade mereceu o nosso interesse. Dizia ele “Boa noite, moro no Porto e o meu marido encontrou um cão e apaixonou-se por ele. Gostaria de saber a sua opinião quanto à raça. Envio fotos em anexo e pensamos que talvez poderá ser podengo. Parabéns pelo artigo sobre o podengo Preto, é repugnante ver que não aceitam essa cor e ainda a rotular de não preferencial...Continuação (…)”.
Cara Leitora, por toda a parte as pessoas morrem e passam à história e algumas delas nem lá dão entrada, em particular os energúmenos e os plagiadores junto com os seus sequazes, pelo que mais cedo ou mais tarde será feita justiça ao podendo preto português e a outros tantos cães. Como estamos a tratar de uma raça nacional, caberá aos criadores e proprietários do Podengo Negro evidenciar as suas qualidades e fazê-lo proliferar, acções decisivas para rasurar a expressão “cor não preferencial” que inexplicável e indevidamente o acompanha.
Quanto ao cão encontrado por vós ser ou não um podengo preto, à partida e pelo que nos foi dado a observar, parece-nos sê-lo ou andar lá muito perto, considerando a sua morfologia, proporções e alguns detalhes. Afirmá-lo-íamos cabalmente caso nos fosse adiantada uma escala ou medida de comparação, conferíssemos os seus dentes, avaliássemos os seus andamentos, tivéssemos a noção exacta da sua envergadura e pudéssemos aquilatar doutros pormenores morfológicos que as fotos não adiantam ou ocultam. Não obstante, porque é o vosso cão, ele será para vós o melhor cão do mundo enquanto viver! Parabéns!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MARCHAR PELA VIDA CONTRA A VELHICE

Uma das imagens mais gratas que guardo da minha juventude é a de acordar de manhãzinha, calçar as botas de montar, arranjar-me e comer em andamento, limpar sumariamente um cavalo, aparelhá-lo e sair à desfilada pelos campos fora, com a bruma a escorrer-me pelo rosto, o coração a não acusar qualquer esforço e a cabeça a beber repetidos momentos de exaltação. Hoje já não faço isso por várias razões mas ainda passeio o meu cão, um companheiro que me mantém activo a despeito das minhas limitações, que me acalenta velhos e novos sonhos pelo revigorar da esperança em cada metro percorrido.
Contando com a participação de 3000 adultos mais idosos, pesquisadores da Universidade de East Anglia (UEA) e do Center for Diet and Activity Research (CEDAR) da Universidade de Cambridge descobriram que possuir e caminhar com um cão é uma das maneiras mais eficazes para vencer o declínio de actividade usual na vida adulta e até de combater os efeitos do mau tempo. O estudo utilizou dados estatísticos referentes ao Condado inglês de Norfolk e foi publicado no “Journal of Epidemiology and Community Health”.
O mesmo estudo concluiu que os proprietários caninos que passeiam os seus cães diariamente são menos sedentários 30 minutos do que os outros idosos sem cão, que mantêm sensivelmente a mesmo actividade física nos dias menos convidativos de inverno, por norma mais sombrios, frios e húmidos. Fisicamente mais activos e menos colados às cadeiras, os condutores caninos mantém a actividade física necessária para combater a inactividade induzida pelo passar dos anos.
Não obstante, os autores do presente estudo, numa das conclusões adiantadas, advertem contra a recomendação de entregar a cada idoso um cão, já que muitos deles seriam incapazes de cuidar dos seus companheiros de quatro patas. Para governo dos interessados importa ressaltar a primeira e a mais importante das conclusões achadas por estes investigadores: “Ser proprietário canino auxilia na manutenção da actividade física dos adultos mais velhos mesmo durante o mau tempo”.
Se você é um proprietário canino e nada impede que passeie o seu cão diariamente, então opte por marchar com ele em prol da vida de ambos e contra a velhice que a nenhum poupa. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

SERÁ A BOCA DOS CÃES SANTA?

Entre gente simples e pouco instruída sempre ouvi dizer que a língua dos cães é “santa”, que tem poderes curativos excepcionais e que pode ajudar na desinfecção e cicatrização das feridas humanas, parecer que nunca segui por achá-lo carecente de explicação e comprovação científicas. É verdade que a convivência dos cães com as crianças aumenta substancialmente nelas o seu quadro imunológico, criando-lhes assim defesas efectivas contra um sem número de alergias e contra algumas doenças do fórum respiratório, graças às boas bactérias que os cães transportam da rua para dentro de casa.
Porém, e isto segundo o parecer de alguns reputados virologistas e bacteriólogos em declarações ao “Mirror” (jornal inglês), nem tudo são rosas e as lambidelas dos cães podem eventualmente matar, uma vez que eles comem, cheiram e lambem toda a sorte de porcarias, carregando bactérias, vírus e germes de todos os tipos no seu nariz, boca e saliva. A lista de doenças potenciais é preocupante, destacando-se entre elas o Capnocytophaga Canimorsus (um organismo carregado pela boca dos cães que causa uma infecção muito grave por septicemia), certas micoses e a bactéria Staphylococcus aureus que é resistente ao tratamento. Convém alertar os pais que há um risco maior para os bebés que são lambidos pelos cães.
Obviamente que deveremos continuar a dar e receber carinho dos cães, não é isso que está causa, mas simultaneamente deveremos ser cautelosos e afastarmo-nos estrategicamente da sua boca, salvaguardando assim a nossa saúde e a dos nossos.