terça-feira, 18 de abril de 2017

PODEMOS DEIXAR À VONTADE CÃES E CRIANÇAS JUNTOS?

Se fizéssemos esta mesma pergunta aos pais de há 50 anos atrás, a resposta seria quase unânime: não! Se a fizermos aos pais actuais as opiniões dividem-se, havendo quem diga que sim e quem diga que não, apesar de morrerem agora mais crianças à boca dos cães do que nunca! Ainda antes de respondermos à questão, vamos tentar explicar quais as principais razões por detrás de tantos ataques caninos a crianças sendo grande número deles fatal:
1. _ Nunca houve tantos cães a coabitar debaixo do mesmo tecto com os donos;
2. _ Nesta coabitação os cães encontram-se invariavelmente soltos;
3. _ Muitos dos cães urbanos alcançaram um estatuto de “filhos” e de “crianças”;
4. _ Na maioria dos lares onde há crianças, os cães já lá haviam chegado primeiro;
5. _ O aumento do número de cães familiares não foi acompanhado pelo conhecimento necessário para tê-los;
6. _ A apropriação da falsa filosofia que diz não haver cães maus e que a maldade canina sempre é de origem ambiental.
7. _ Autoridade deficitária ou circunstancial da maioria dos proprietários caninos relativas aos seus cães.
8. – Ausência de transmissão de regras que possibilitem a interacção entre crianças e cães para se evitarem escusadas situações de conflito. 
Nunca houve tão grande número de cães a coabitarem debaixo do mesmo tecto com os donos como agora, facto a que não é estranha a fuga das populações do interior para o litoral e dos vilarejos para as grandes urbes, locais onde há trabalho, melhores remunerações e por consequência melhores condições de vida (o campo desceu à cidade e foi à procura dos cães que por lá deixou). Este enriquecimento súbito das populações possibilitou-lhes a aquisição de toda a sorte de cães, mesmo aqueles que não lhes convinham (mais cães, maior risco de acidente). Os cães que outrora eram deixados à solta pelo campo, confinados nos currais ou presos em correntes às portas das habitações, passaram a ter permissão para andarem em liberdade dentro das casas dos seus donos, considerando-as também suas e reclamando ali um espaço próprio (com os animais soltos os seu controlo torna-se mais difícil).
Com homens e mulheres a trabalhar e ambos interessados nas suas carreiras laborais, o desejo de ter filhos tem passado para segundo plano, vindo os cães a preencher o seu lugar, passando a ser entendidos como crianças e tratados como filhos, promoção para eles inesperada mas da qual dificilmente abrirão mão porque não gostam de ser despromovidos. O mais comum de acontecer nos lares que têm crianças e cães é que os últimos tenham lá chegado primeiro, vendo os infantes por vezes como intrusos, invasores do seu espaço e concorrentes pela atenção dos seus donos (o cão também entende “que a velhice é um posto” e não abdica gratuitamente dos direitos adquiridos). Diante destas verdades, aconselham-se os futuros pais que são proprietários caninos a ensinarem ou mandarem ensinar os seus cães antes da vinda dos filhos para que tudo corra sem novidade, ninguém se magoe e todos se sintam felizes.
Apesar dos cães serem um produto bastante vendável e rentável nas mais evoluídas sociedades contemporâneas, o seu aumento nos lares não foi acompanhado pela informação necessária em lado nenhum, sendo ao invés sobrecarregado com muita desinformação, atendendo ao volume de negócios que eles representam (o segredo é a alma do negócio), negócios donde também não podemos excluir os canicultores “que vendem gato por lebre” e que empandeiram para os incautos qualquer cão de luta como o mais doce dos anjinhos, muito embora os piores aldrabões sejam encontrados entre os fabricantes de rações. De um momento para o outro e sem razão plausível para isso, os cães passaram a ser mensageiros da paz e da felicidade nos lares, isentos de qualquer maldade e emissários de um deus bondoso e longínquo que nos bate à porta. E no meio desta ficção toda, a televisão e o cinema ajudam à festa, porque vivem das audiências, sabem do que o povo gosta, exploram as suas emoções e alimentam os seus sonhos despudoradamente.
As mentiras sucedem-se umas às outras e ninguém se entende, por todo o lado sobram evangelhos apócrifos sobre comportamento animal, elevam-se doutores de coisa nenhuma e todos se armam em sapientes, tomando por verdades mentiras que poderão comprometer a sua integridade, a dos seus familiares, a de terceiros e a vida dos seus cães. Uma delas, que se expandiu como erva em Abril, diz que os cães só são maus por causa do tratamento que lhes dão, já que são por natureza bonzinhos, o que não corresponde em absoluto à verdade, porque os cães nascem diferentes, continuam a ser predadores, tentam impor a sua vontade, procuram a ascensão social e alguns até são geneticamente seleccionados para serem maus e causarem grande dolo, quer sejam melhor ou pior tratados (há cães estuporados, por via natural ou fabricados).
Com os cães dentro de casa, tornados seus proprietários, com liberdade de movimentos, constituídos em filhos e tidos como anjos, qualquer exercício de autoridade torna-se escusável e gratuito perante tanta bondade e companheirismo, predicados que têm levado muitos donos a considerar exclusivamente os direitos caninos em prejuízo das suas obrigações, insanidade que normalmente põe os racionais ao serviço dos irracionais por se isentarem da liderança, correndo invariavelmente atrás dos prejuízos causados pelos animais. Nenhum cão pode viver sem regras e se não lhas estipularem, porque é um animal social, será ele a estabelecê-las para os demais e nem sempre da maneira mais conveniente!
Respondendo à pergunta “PODEMOS DEIXAR À VONTADE CÃES E CRIANÇAS JUNTOS?”, que subentende a ausência de supervisão de um adulto na ocasião, tanto poderemos dizer sim como não - sim, se o cão houver sido preparado e aprovado para lidar com crianças; não, caso não possua essa qualificação, porque cães e crianças de tenra idade nunca foram uma boa associação e raramente se associam sem a contribuição de um adulto, porque aos primeiros importa refrear e aos últimos regrar.
De qualquer modo, nunca é 100% seguro deixar um bebé sozinho com um cão, não só por aquilo que o animal possa fazer-lhe mas também por aquilo a que não pode valer-lhe. Porque tantas crianças são hoje atacadas e mortas pelos cães? Basicamente por causa da incúria dos donos e usurpação da sua autoridade por parte dos cães, que agem assim por ausência de reparo, preparo e regra, também porque crianças e bebés nunca coabitaram em tão larga escala juntos. A quem caberá estabelecer ao cão quais os seus limites? Parece-nos que a resposta é óbvia! Há cães que sem nenhum tipo de ensino são óptimos companheiros para as crianças? Há, são os excepcionais!

CÃES DE GUERRA: QUANTOS REGRESSAM DELA E PARA ONDE VÃO

Ainda não foi divulgado oficialmente quantos cães foram mobilizados para as guerras do Iraque e do Afeganistão, mas sabe-se que os vários exércitos envolvidos nestes conflitos tiveram e têm cães no terreno, ignorando-se também qual o seu número de baixas, que desejamos menor que o encontrado na Guerra do Vietname, onde apenas 5% dos cães americanos enviados regressou a casa, sendo a sua maioria morta em acção, eutanasiada ou simplesmente deixada para trás na saída apressada dos americanos daquele país do sudeste asiático.
Sabe-se, pelas petições vindas a público, onde constam como signatários os seus próprios tratadores, que os cães veteranos de guerra ou são novamente mobilizados ou são simplesmente abatidos, final indigno para quem combateu lado-a-lado com os seus líderes numa guerra tornada sua, salvando com a sua prestação a vida de muitos. Como hoje tudo se sabe neste mundo livre, por pressão da opinião pública, são cada vez mais os cães de guerra que ao terminarem as suas missões são entregues definitivamente aos seus tratadores, gozando em paz e na sua companhia os anos que ainda lhes restam (infelizmente nem todos os tratadores apresentam condições para isso).
Começámos por falar dos cães envolvidos na Guerra do Vietname e terminamos com um que ali se tornou famoso: o CPA “Nemo”, um cão nascido em 1962, preto-afogueado, com 38.5kg de peso e adestrado durante 8 semanas para ir para a guerra, em cujo decurso se viu obrigado a trocar de tratador, passando a ser conduzido pelo soldado Robert Thorneburg. Em 1966, numa patrulha aos arredores da Base Aérea de Tan Son Nhut, o cão alertou o seu tratador para a presença de inimigos, sendo de imediato solto debaixo de tiroteio. Ambos acabaram feridos, o cão ficou sem o olho direito e o homem atingido por uma bala num ombro, ferimento que o deitou ao chão. Apesar de gravemente ferido e impossibilitado, o cão continuou a investir contra aqueles inimigos e a proteger o corpo do seu líder, esforço que possibilitou a Thorneburg pedir ajuda para o resgate de ambos.
“Nemo” acabaria por regressar aos States com honras militares, como o primeiro cão sentinela a ser oficialmente aposentado do serviço activo. Depois de muitas andanças de propaganda pelos Estados Unidos, relacionadas com o interesse pelo recrutamento de novos cães de guerra, Nemo recebeu um canil permanente no Centro Canino do Departamento da Defesa no Texas, onde permaneceu até 1972, ano da sua morte, onde persiste um memorial em seu nome e onde se pode ler (a tradução é nossa): “Esta porta permanecerá para sempre destrancada e aberta em memória de todos os cães de guerra, do passado, presente e futuro, descansa um pouco K9, trabalho bem feito".
Hoje regressam da guerra mais cães do que ontem, mas grande parte deles acaba ingloriamente abatida por razões logísticas que não justificam de maneira alguma o seu assassínio, mormente diante da sua lealdade, empenho e sacrifício. Aplicar-lhes uma injecção letal é tão injusto e descabido como condená-los por cobardia a um pelotão de fuzilamento.
Se ainda não conseguimos acabar com as guerras entre nós, coisa difícil de acontecer enquanto tivermos por cá loucos como Kim Jong-un e outros de igual calibre, já tivemos tempo suficiente para isentarmos os cães deste inútil massacre.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

LAMENTAMOS DECEPCIONAR ALGUÉM…

Ontem ao cair da noite, quando a paciência já não abundava e um tipo aborrecido teimava em se ir embora, chega-nos outro não se sabe vindo de onde que nos pergunta: “para si, qual é o peso aceitável para um cão e uma cadela Pastores Alemães com 1 ano de idade?” Respondemos-lhe de imediato: “respectivamente 36 e 30 kg no mínimo”, resposta que o fez sair agachado e liberto doutras questões. Como ele, não falta por aí gente a criar Pastores Alemães à míngua, tornados pastores belgas pelas circunstâncias e ratos por triste sina.

TODOS OS CÃES SABEM NADAR?

Assim como a maioria dos lobos sabe nadar, a maioria dos cães de raça pura não o sabe por culpa da selecção humana, que ao formar raças para fins específicos alterou a sua biomecânica e versatilidade próprias, factores que vieram reforçar ainda mais a dependência canina e comprometer a sua salvaguarda. Não obstante, lobos e cães depressa aprendem a nadar e ambos nisso melhoram pela experiência, iniciando-se os primeiros pelo instinto e os últimos pelo ensino (existem cães de raça e outros sem raça definida que aprendem a nadar naturalmente sem qualquer tipo de ajuda).
Lemos num site muito requisitado na Internet em matéria de pets, elaborado em língua inglesa, que há cães que devem ser mantidos longe da água por não poderem nadar, destacando 7 raças que passamos a citar: Pug, Dachshund, English Bulldog, Basset hound, Boxer, Bichon Maltês e Staffordshire bull terrier.
Ainda que consigamos compreender as reticências nos casos do Pug, English Bulldog e Bichon Maltês, os dois primeiros por conta do exagerado aumento dos seus ritmos vitais e o último porque o comprimento, densidade e peso do seu pelo molhado impedem-no de ir para diante livremente e puxam-no para o fundo, não descortinamos quais as dificuldades ou contra-indicações atribuídas as dois bassetóides, ao molosso alemão e ao terrier britânico, muito embora saibamos dos problemas resultantes do encurtamento dos membros do Dachshund e do Basset Hound na natação, mas que mesmo assim têm a vantagem de ter corpos aerodinâmicos. Também sabemos que o Boxer usa os membros anteriores em detrimento dos posteriores, o que o leva a nadar em parafuso se não for ensinado. Quanto ao Staffordshire bull terrier, não lhe antevemos qualquer incapacidade ou impedimento sério.
Todos os cães com ou sem raça necessitam de aprender a nadar e nisso ser exercitados (com os quatro membros a trabalhar debaixo da linha de água), porque só assim poderão valer-se a si mesmos e a outrem em caso de necessidade. Mesmo os cães cujas raças tradicionalmente transportam problemas cardíaco-respiratórios deverão ser convidados para a natação, não com o intuito de fazer deles campeões ou de transformá-los em cães de salvamento, mas de lhes melhorar gradualmente a frequência dos seus ritmos vitais, benefício que a natação lhes oferece.
Para os cães mais nervosos, resistentes e menos adaptados morfologicamente, também para os donos mais coléricos e trapalhões, a iniciação à natação canina deverá acontecer de coletes postos, estratégia que evitará o trauma e aumentará a confiança dos animais, condições que os levarão a aprender mais depressa. Também quando importa muscular os restantes membros de um cão por ausência de um deles, o colete é também a melhor solução.
E se é verdade o que dissemos, que tal aproveitar estes dias quentes de Primavera para ensinar o seu cão a nadar?

domingo, 16 de abril de 2017

ARTIMANHAS AMERICANAS

A Cidade de Eugene no Oregon, a segunda maior daquele Estado e que tem a maior universidade (sua primeira fonte de proventos), saltou para os media internacionais por ter aprovado uma lei que proíbe a presença de cães no centro daquela metrópole, proibição que não abrange os cães policiais, os de serviço, os de terapia e os que são propriedade de cidadãos com residência fixa (pensamos que os dos turistas e forasteiros também não).
Excluindo todos estes cães, quantos sobrarão? Estará Eugene superlotada de cães vadios? De cães vadios não está, mas de cães pertencentes a indigentes, mendigos e sem-abrigo está cheia. A lei recentemente aprovada, engenhosa quanto baste, é uma medida que visa lançar tal gente para fora dos limites daquela cidade, uma vez que se fazem acompanhar por cães para sensibilizarem quem passa a dar-lhes esmola (há aqui quem faça o mesmo).
Se todas as cidades e vilarejos do Oregon aprovarem leis semelhantes, não restará aos sem-abrigo outro remédio do que lançarem-se ao mar, já que o Pacífico está ali tão perto! Esta política de mandar “ir morrer longe quem não se deseja” (get out of here), antiquíssima e tipicamente eugénica, ao invés de resolver o problema dos sem-abrigo, pode levar futuramente a graves conflitos sociais. De qualquer modo, a aprovação da citada lei, bem ao gosto do actual Presidente dos Estados Unidos, surpreende mais pelo engenho que pela novidade. 

sábado, 15 de abril de 2017

PEANUT

O “Peanut” de que vamos falar não se trata de nenhum jogador de futebol vindo dos antípodas ou de um remoto país africano que acaba vendido por um preço irrisório a um clube europeu, conforme consideração de um treinador de futebol muito badalado e um verdadeiro expert em mind games, mas de uma pequena cadela sem raça definida que no ano passado foi resgatada pelo Delta Animal Shelter de Escanaba/Michigan/US, propriedade de um dono abusivo que a mantinha com algumas costelas rachadas e duas pernas partidas. Depois de recuperada das fracturas, a cadelinha veio a ser adoptada por uma família que muito a estima.
No mês passado, contrariando o seu comportamento habitual, com os donos entregues aos seus afazeres domésticos, começou a ladrar continuamente e a subir e a descer escadas sem motivo aparente, acabando por solicitar do dono que a levasse à rua. Uma vez solta lá fora, correu num ápice para as traseiras daquela habitação, no que foi seguida pelo dono. Para surpresa do homem, deparou-se com uma menina nua, com três anos de idade presa numa vala quase em hipotermia. Imediatamente embrulhou a menina na sua camisa para a aquecer e de pronto ligou para o 911 (número de emergência ali). Posteriormente as autoridades conseguiram identificar os pais da menina, gente que vivia em condições inseguras e insalubres, a quem tiraram a custódia da criança resgatada. Este relato verídico, extraído do “Independent” on-line, prova que um pequeno amendoim pode fazer grandes coisas e que resgatar um cão pode salvar vidas.   

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ PALPITES, PALPITAÇÕES E DESILUSÕES, editado em 05/04/2017
3º _ NO EXTERIOR DEVERÃO EVOLUIR SEMPRE DEBAIXO DE ORDENS, editado em 09/04/2017
4º _ QUANTOS CÃES DEVO TER?, editado em 10/04/2017
5º _ VEM AÍ UMA NOVA VAGA DE CÃES!, editado em 11/04/2017
6º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
7º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
8º _ O AZEITE PRÀS CARRAÇAS, editado em 24/06/2010
9º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUÍÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
10º _ O CÃO JOVEM (DOS 7 AOS 18 MESES) DA PUBERDADE À MAIORIDADE, editado em 26/10/2009

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Espanha, 6º França, 7º Angola, 8º Quénia, 9º Alemanha e 10º Sérvia.

PASTOR DA BIELORRÚSSIA: O FAVORITO DA KGB

O Pastor da Bielorrússia (Pastor da Europa Oriental, Bielorrusso Owtcharka, Owtcharka da Bielorrússia, Owtcharka da Europa Oriental, Owtcharka da Europa Oriental, Owczarek Wschodnioeuropejski, Vostochnoevropejskaya Ovcharka, VEO) é uma raça sucedânea do Pastor Alemão, modificada (há quem diga que melhorada), do qual conserva muitas características, produzida para fins policiais e militares originário da Bielorrússia. Antes de avançarmos sobre mais considerações sobre este cão, importa dizer que muitos ocidentais gabam as façanhas dos Pastores Alemães de Leste, sem saberem que o objecto da sua admiração é na maioria dos casos um Owtcharka Bielorrusso/Russo. Se Stephanitz transformou um cão pastor em militar, esse mesmo cão, pela sua excelência, veio a servir de semental para a produção de diferentes e inauditos cães guerra por toda a parte como é o caso do Kuming Dog chinês (昆明狼狗), do Pastor de Shiloh, do Lobo-Checo e de outros que tratámos em edições anteriores. Resta dizer que com a “Perestroika” vieram para Portugal alguns Owtcharkas que se infiltraram nalgumas linhas de CPA (obra essencialmente de paramilitares), sendo absorvidos por estas como foram absorvidos os trabalhadores negros pela restante população portuguesa no Séc.XVI, mão-de-obra escrava que veio para os arrozais entre Alcácer do Sal e Coruche (a canção “As Meninas da Ribeira so Sado” alude a este particular). Esta leve infusão de Owtcharka, gerou indivíduos, maiores, mais aptos e resistentes, saudáveis e robustos, Hoje deles não há notícia.
A criação do Owtcharka, também conhecido por “East European Shepherd”, que na língua russa significa “cão de ovelhas” aconteceu depois da Revolução Soviética, apesar do namoro e apreço dos bielorrussos pelo Pastor Alemão lhe ser anterior, surgiu por duas razões: pelo reduzido número de Pastores Alemães para reprodução e pelo objectivo de criar um cão mais robusto, com maior força de mandíbula e melhor adaptado tanto aos invernos russos, duríssimos nas repúblicas da Carélia, Sibéria, Mongólia e Kamchatka, como também à indústria da guerra, mas que conservasse as mais-valias cognitivas presentes no CPA. Idêntico projecto militar esteve na base da criação do Terrier Negro Russo, muito embora tal acontecesse mais tarde. Contribuíram para a formação do Owtcharka, para além do Pastor Alemão com o qual apresenta grande similaridade morfológica e cognitiva, várias raças caucasianas, da Ásia Central e cães tipo Laika. Como se depreende por razões histórico-políticas, este cão pastor ultrapassou as fronteiras russas e fez-se presente nas forças policiais e militares de diversos países satélites da União Soviética, daí o nome inglês que lhe foi dado (East European Shepherd). Por culpa das suas excepcionais aptidões veio a transformar-se no cão favorito da KGB, que preferia os cães negros por evoluírem mais dissimulados e terem uma presença mais intimidatória. O colapso da URSS quase deitou por água abaixo 50 anos de trabalho, devido aos exagerados cortes nos gastos e à remodelação da economia.
Estamos na presença de um cão praticamente desconhecido no Ocidente e que é extraordinariamente funcional (para as funções dele esperadas), porque é equilibrado, curioso, de fácil de ensino, de obediência inquestionável, resistente, voluntarioso, altamente protector, caracterizado por uma reacção defensiva activa tal que morrerá se necessário para defender o dono e que em guarda mantém o silêncio, pormenor que lhe facilita as capturas pela surpresa, exigindo por isso mesmo um dono experiente, precoce sociabilização e exercício regular. Por estas razões é um dos cães favoritos dos treinadores profissionais. Como cão rústico come tudo aquilo que lhe puserem na frente, preferindo carne crua com arroz, massas e vegetais à ração. Quando comparado com o Pastor Alemão que temos hoje, é maior, mais pesado (é um falso magro), com melhor ossatura e menos rampeado, apresenta um pescoço mais alongado, as suas proporções crânio-faciais são ainda mais lupinas e o seu manto é ligeiramente mais comprido. Os machos têm entre 66 e 76 centímetros de altura e pesam entre 35 e 50 kg, as fêmeas medem entre 62 e72 centímetros e o seu peso oscila entre peso os 30 e 50 kg (existem exemplares 12% mais altos e mais pesados). A raça ainda não foi reconhecida pela FCI.
As informações presentes na Internet sobre a raça, maioritariamente em língua inglesa, são por vezes falaciosas e contraditórias, pelo que importa confrontá-las para apurar da sua veracidade, trabalho que deverá ser complementado pela leitura dos poucos artigos à nossa disposição de autores russos e de Leste. Muito do progresso e gabarito das companhias cinotécnicas do Leste ficou a dever-se às prestações deste excelente cão pastor, que ao engrossar as suas fileiras as dignificou. Necessariamente teremos que voltar a falar deste cão, porque ele vai muito para além daquilo que hoje aqui dissemos.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

AFINAL O CAPONE NÃO ERA NENHUM LOBO ENCAPOTADO!

A fábula do “Lobo-Mau” continua a assustar muita gente e no Colorado/USA ainda muito mais, porque um cão mais próximo do Pastor Alemão negro que doutra raça, acabou apreendido por ser confundido com um híbrido de lobo, considerando a sua morfologia, uma fuga que empreendeu e as queixas de um vizinho que o disse agressivo quando indevidamente entrou no seu quintal. O infeliz foi apreendido em Fevereiro pelas autoridades do Serviço Animal da Cidade de Aurora e só pôde voltar para casa no mês seguinte, depois da análise do seu DNA não ter mostrado qualquer indício de sangue lobo. O animal chama-se “Capone”, foi adoptado há 10 anos e veio de um abrigo daquele Condado, descrito como mestiço de Pastor Alemão. Os seus proprietários foram na altura acusados pelo Ministério Público de terem um animal fora de controlo, agressivo, exótico, não licenciado e sem a vacina contra a raiva, vacinação que viria a acontecer durante a sua detenção. A entrega do cão sujeitou os donos a construírem uma cerca de 6 metros de altura no perímetro do seu quintal e a mantê-lo atrelado até à sua conclusão. Resta dizer que a apreensão do cão foi objecto de repúdio internacional, que nos Estados Unidos existe legislação específica que estipula qual o percentual de sangue lobo permitido nos cães (por causa dos abusos) e que a notícia foi colhida do “The Huffington Post”.
Para serenar os ânimos dos mais exaltados, gente idêntica aos que “viram” no passado um leão à solta em Rio Maior e uma loba errante na Lourinhã, adianta-se que os mestiços de lobo, quando isolados, são por norma arredios, evitam o confronto com as pessoas e gozam de pouca empatia com os seus donos, muito embora possam ser agressivos contra cães e outros animais domésticos devido à presença de sangue silvestre, retorno ao atavismo que os coloca entre dois mundos, entre a floresta e a urbe, sendo em parte inadaptados nos dois lugares e por isso mesmo propensos a fugas. As raças actuais que receberam infusão de sangue lobo (“híbridas”), maioritariamente produzidas para guarda e que não vamos agora especificar por já o havermos feito, oscilam nesta matéria entre o regular e o deplorável, pertencendo o maior número de indivíduos ao último caso, por reclamarem uma autonomia que não se coaduna com o serviço pretendido, mostrando-se normalmente apáticos perante as solicitações que lhe são feitas. Quanto ao cão de Aurora, cujas fotos ilustram este artigo, de lobo-mau só tinha o nome!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

AVRIL AU PORTUGAL

Não, não vamos falar da célebre canção “Coimbra” da autoria de Raul Ferrão e José Galhardo mas da Primavera e dos perigos que ela representa para os cães. Comecemos pelas vacinas. Quem não vacinou o seu cão contra a tosse do canil, deve fazê-lo agora, porque nesta meia-estação a afecção volta à carga, há mais cães na rua e a maioria deles não se encontra vacinado contra a doença, factores que agravam a sua transmissão. Com as temperaturas altas que temos sentido, as carraças já começam a aparecer e as pulgas idem, pelo que o recurso à coleira e às pipetas torna-se indispensável. Com o tempo quente e sem chuva, apostadas em ter as suas ruas limpas e os seus jardins floridos, as câmaras municipais atacam as ervas daninhas com pesticidas. Apesar de avisarem nos locais da presença desses tratamentos fitossanitários, sempre há cães que são assim intoxicados, ou porque lamberam o chão ou porque comeram ervas. Os cães não comem ervas para se purgarem, comem-nas quando a sua dieta é mal balanceada ou provoca-lhes azia. E quando assim é duas medidas de imediato deve ser tomadas: trocar de ração e cortar pequenos pedaços de alface para lhe juntar, não por necessidades energéticas mas para tirar-lhes o vício. 
Com os dias ensoleirados toda a gente salta para a rua, tanto os apaixonados por cães como os cinófobos, proliferação que por vezes gera alguns atritos e que pode levar ao envenenamento dos cães como represália, pelo que devem proibir-lhes a ingestão de toda e qualquer comida desleixada na via pública. E sobre este tema vale a pena saber o que se está a passar em Skopje, Capital da Macedónia e também noutras cidades daquele país, onde os cães vadios têm sido envenenados em bardo, de há um mês para cá, quando um menino morreu vários dias depois de hospitalizado em consequência de um ataque perpetrado por cães vadios.
Para evitar tentações, caso não tenha o seu cão treinado para a recusa de engodos, dê-lhe de comer antes de sair à rua, mantenha-o debaixo de olho e atrelado, só o soltando nalgum local depois de se certificar da inexistência de qualquer perigo (dizem que o seguro morreu de velho). Desejamos para todos, tanto em Portugal como no Mundo, uma radiosa Primavera.
PS: Alguns cães já entraram ou vão entrar na muda do pelo, particular que irá obrigar à sua acérrima higiene diária.

SHE DIDN’T KNOW

Nunca nos agradou o sensacionalismo e a miséria de alheia, somos por norma recatados e também cientes dos nossos dramas e imperfeições, ensinamos cães para valer às pessoas e através do adestramento procuramos que os donos se apossem verdadeiramente da amizade e utilidade dos seus companheiros de quatro patas, porque viemos para servir e estamos cá para consertar, para ajudar no necessário diálogo e equilíbrio entre homens e cães e vice-versa, o que nos leva a não nos coibirmos e a denunciar todas as bestialidades cometidas contra os animais que respeitamos e ensinamos. Assim, a notícia seguinte choca-nos, não por ser uma novidade para nós mas porque é uma clara e brutal violação dos direitos dos animais. Vamos transmiti-la numa linguagem decente perante a indecência do seu conteúdo.
Uma sexagenária britânica chamada Carol Bowditch, que em função dos seus actos e bizarras deveria passar a chamar-se de “Bowbitch”, aposentada e natural de Lincolnshire, foi levada a julgamento por ter transformado a sua casa num lupanar e ali proceder a bacanais com cães e pessoas, mantendo com ambos variadas práticas sexuais, primeiro com os animais e depois com os seus donos, valendo-se de um São Bernardo, dum Labrador e dum Pastor Alemão, nefasta prática que manteve pelo menos durante três anos consecutivos. As “proezas” desta senhora foram por ela e por quem a acessorava publicadas num fórum na Internet com vídeos e fotos, um tal de Galloway, residente na mesma morada, co-autor e participante da mesma trampa, também sexagenário e que tinha em sua posse imagens de pornografia infantil, distribuindo até a altura do julgamento 1.861 delas (que riqueza de menino!).
Confrontada com as acusações que confessou e argumentado que não sabia ser ilegal manter relações sexuais com animais, a Srª Carol Bowditch livrou-se da prisão e foi condenada a fazer serviço comunitário durante um ano e obrigada a recolher obrigatório durante a noite por quatro meses (espera-se que o referido serviço não seja num canil!). Quanto ao dito Galloway, a sua sentença foi adiada para data posterior. Ambos dizem-se agora vítimas de ostracismo por parte familiares e amigos e lamentam o mediatismo do caso?! Ignora-se se os outros participantes presentes nos diversos vídeos, que participaram naqueles “festins” na qualidade de guest stars, foram ou não objecto de algum tipo de acusação.
A que se deverá tudo isto, à demência, à miséria, à solidão, à maldade ou à sua soma? Não mereceria a acusada e condenada ser objecto de estudo, tratamento, reeducação, recuperação e reabilitação? Quem nos garantirá que não voltará a fazer o mesmo, ainda mais se a sua “actividade” for rentável para si e para outros? Como não é natural descer-se tão baixo e a idade da mulher ser menos própria para aventuras deste género (há avós mais novas), o caso tem contornos de exploração da miséria, seja ela de que índole for. Infelizmente episódios destes repetem-se desde os primórdios da humanidade, sucedendo isoladamente em todos os grupos etários, não sendo por isso produto exclusivo das Ilhas Britânicas. Cada vez está mais difícil confiar um cão a alguém nesta sociedade sem parâmetros, onde ainda despontam relações doentias com animais. Como os cães a tudo se prestam, a educação dos donos torna-se primordial e quanto mais cedo melhor!

terça-feira, 11 de abril de 2017

VEM AÍ UMA NOVA VAGA DE CÃES!

De acordo com um estudo científico recente, tal como se julga ter acontecido há milhares de anos, alguns lobos estão a entrar num novo processo de domesticação, começando a transformar-se em cães por aproximação ao mundo humano e pela alteração dos seus hábitos alimentares, procurando agora gado e sobras de comida ao invés das suas presas selvagens. Esta alteração das dietas tem vindo a ser responsável por alterações de comportamento, tornando-os cada vez mais próximos dos homens e menos desconfiados. Oxalá não venha a acontecer um novo conflito entre homens e animais com consequências trágicas para ambos.
Assim, no que concerne aos lobos cinzentos, os alimentos humanos já somam 32% da sua dieta, os lobos da Grécia consomem principalmente porcos, cabras e ovelhas, os de Espanha gado equino (garranos preferencialmente) e outros animais, os do Irão comem normalmente galinhas, cabras domésticas e lixo. Como já aconteceu com outros carnívoros que comem alimentos próprios dos humanos, segundo Thomas Newsome, biólogo evolucionista da Universidade Deakin, em Melbourne, Austrália, tudo leva a crer que os lobos vão também alterar o seu comportamento, o que os torna mais propensos a acasalar com cães e coiotes, como já está a acontecer com o Dingo na Austrália. Se assim for, estaremos no alvor de uma nova espécie, tudo por culpa da alteração das dietas que têm o poder não só de alterar o tamanho dos grandes predadores mas também o seu comportamento.
A novidade não se fica pelos lobos mas abrange também leões e raposas como acontece na Índia Ocidental e em Israel. Os leões asiáticos da área protegida de Gir, na Índia, que matam e comem maioritariamente gado, tornaram-se menos agressivos para as pessoas ao crescerem, de tal modo que os turistas podem visitá-los a pé. As raposas vermelhas que vivem em solo israelita, ao comerem o lixo em pequenos agregados populacionais acabam por ter maior longevidade.
O presente estudo veio comprovar duas coisas que há muito havíamos constatado, quando alimentámos lobinhos no início do Grupo de Preservação do Lobo Ibérico e quando criávamos cães para guarda: que o manjar faz a fera e o patrão da comida é o senhor do animal. Perante isto, continuamos a aconselhar dietas próprias para os cães de guarda e a insistir no treino da recusa de engodos. Deverão um cão de agility, um de terapia e outro de guarda comer o mesmo? É óbvio que não, como é óbvio não dar a um indivíduo avesso ao desporto uma dieta própria para um atleta. Considerando o importante papel que a alimentação tem no desempenho canino, como suspeitamos das rações (que grande lobby elas são!), nunca privamos os nossos cães de uma refeição diária de comida fresca.
Retornando aos lobos, a alteração das suas dietas pode ser um passo definitivo para a sua anunciada extinção, pelo que importa restaurar os seus habitats naturais, respeitar os seus territórios e não lhes desequilibrar os ecossistemas, porque doutro modo podem desaparecer como espécie ou acabarem abatidos. Diante dos factos científicos adiantados apetece-nos ironizar: agora que os lobos estão a tornar-se cães, há cães que “querem” ser lobos! Quem será o responsável de tudo isto? Porque matam os cães tanta gente? O responsável será o mesmo a quem imputam as culpas do aquecimento global? Alguém anda a virar este mundo às avessas!
PS: A matéria científica divulgada neste artigo foi extraída do título “Are some wolves being ‘redomesticated’ into dogs?”, editado em 05/03/2017, da autoria de Virginia Morell, pela revista “Science (AAAS)”.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

QUANTOS CÃES DEVO TER?

Julgamos que as boas intenções lançam muita gente no engano e que por vezes andam a par e passo com a ignorância própria da irreflexão, tal é o caso daquele proprietário canino que passa longas horas afastado do seu cão e que vendo-o triste, arranja outro para lhe suavizar ansiedade e levar de vencida a solidão. Perante esta estranha mas comum opção duas coisas podem suceder: ou os animais constituem-se em matilha ou ficam ambos a padecer da mesma ansiedade. Caso se constituam em matilha, o que não é difícil de acontecer, uma vez que são da mesma espécie, pouco a pouco ligar-se-ão mais um ao outro e menos ao dono, também porque passam mais tempo juntos do que com o seu proprietário, o que poderá ter como consequência o enfraquecimento dos vínculos afectivos de cada um deles em relação a quem os adoptou e levou para casa, tornando-se assim mais instintivos e menos solícitos. É evidente que a raça ou raças dos cães, assim como o sexo, a idade e o particular individual de cada um podem surtir outros comportamentos. De qualquer modo, depois da matilha constituída, haverá sempre um que afastará o outro dos mimos do dono por meios mais ou menos violentos, reclamando-os só para si, o que na prática implica na despromoção social de um deles.
Mas como nem todos se constituem em matilha facilmente e se aceitam mutuamente, por razões somáticas, psicológicas ou de género, tanto por analogia como por aversão de comportamentos, também é possível que cada um se vire para o seu canto e padeçam ambos da mesma ansiedade pela separação do dono. E quando assim é, estamos perante dois deportados para os confins do esquecimento, dois condenados isolados a cumprir idêntica pena no mesmo local, o que comprometerá de sobremaneira o seu bem-estar, saúde e longevidade, levando-os à letargia e ao envelhecimento precoce pelo stress provocado, stress que poderá ser também responsável pelo aparecimento de algumas taras (comportamentos destruidores e até automutilação). É sabido que os cães nasceram para a interacção e são excursionistas, que reclamam dos donos atenção e parceria, que não nasceram para estar sós e que gostam de ser aceites e recompensados, que vivem em função dos donos e que esperam ver os seus esforços premiados. Diante deste panorama surge uma pergunta aborrecida, que contudo merece ser levantada: se eu não tenho tempo para um cão, como poderei ter para dois?
Meus senhores, assim como é verdade que os bons cães tiveram a exclusividade dos seus donos, também os donos que têm muitos cães outra coisa não têm que um grupo de indivíduos esquecidos e subaproveitados, nalguns casos uns ilustres desconhecidos. Quantos cães deverei ter? Tantos quantos a minha disponibilidade, economia, saber e dedicação conseguirem abraçar, tendo o cuidado de reconhecer e desenvolver em cada um deles o seu potencial, tratando-os de acordo com o que são e nunca preterindo nenhum, porque todos merecem ser apreciados e felizes. Infelizmente para os cães, porque há tantos a necessitar de adopção, poucas são as pessoas que têm condições para ter um e muito menos as que poderão ter dois (não é por acaso que o número de "pets" é maior nas sociedades mais prósperas e o número de animais adoptados também). Antes de adquirir um segundo cão pense bem, não vá a sua emoção passageira transformar-se num permanente castigo para o animal.