sábado, 20 de agosto de 2016

NÓS POR CÁ: O QUE FAZER COM O SR. SAAD MOHAMMED RIDHA E OS SEUS “MENINOS”?

Os “meninos” do Sr. Saad Mohammed Ridha, actual embaixador do Iraque em Portugal, gémeos com 17 anos de idade, depois de se terem envolvido numa rixa, num bar de Ponte de Sor, acabaram por cercar um adolescente naquela cidade, a quem deixaram inanimado no meio da rua, após lhe terem desferido múltiplos socos e pontapés, na madrugada da última 4ª Feira. Um destes “meninos” frequentava aulas de vôo em Ponte de Sor e nenhum deles tinha habilitação legal para conduzir o carro do corpo diplomático em que se deslocavam. A vítima, um jovem português de 15 anos, do sexo masculino, acabou por ser transportado de helicóptero para o Hospital de Santa Maria, onde se encontra internado em estado grave, com prognóstico reservado, várias fracturas e com traumatismo craniano, sendo objecto de coma induzido e alvo duma cirurgia reconstrutiva, literalmente a lutar entre a vida e a morte. Os agressores, depois de identificados e detidos pela GNR, acabaram por ser soltos, por gozarem de imunidade diplomática. O assunto foi entregue à Polícia Judiciária e o “menino” iraquiano que frequentava a escola de vôo acabou dela expulso na sequência dos acontecimentos.
O actual Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, esclareceu ontem que as autoridades judiciárias não lhe solicitaram qualquer diligência e que caso o façam, desenvolverá as acções "necessárias e adequadas"?! Não deveria o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros ter contactado de imediato o seu homólogo da Administração interna e através dele convocar de imediato as polícias e encabeçar o processo? Ficámos também a saber que há um “inquérito” a decorrer (o Presidente da República diz-se chocado com os acontecimentos).
Agosto e futebol são sagrados em Portugal, porque no primeiro se vai a banhos e o segundo parece ser o que mais interessa ao País. Apesar da Convenção de Viena proteger os “jovens meliantes”, o seu paizinho e eles deveriam ser jogados porta fora e declarados “persona non grata” sem apelo nem agravo, não sem antes indemnizarem exemplarmente a vítima, caso sobreviva, o que não invalida uma manifestação popular de repúdio à porta da Embaixada Iraquiana, coisa que dificilmente acontecerá e que facilmente aconteceria caso a vítima fosse uma baleia ou outro animal. A ausência de fraternidade entre os portugueses é histórica como histórico é o desprezo dos nossos governantes pelo povo. E como sempre, espera-se que não pela gravidade do ocorrido, tudo “acabará em águas de bacalhau” ou provar-se-á que o adolescente ponte-sorense tinha por hábito jogar à cabeçada com as pedras da calçada, daí ter sido encontrado em tão mau-estado.
Estra tradição da culpa morrer solteira já faz parte do nosso folclore e é mais generosa para os estrangeiros aqui residentes, que protegidos pelos seus governos, põem e dispõem como lhes apraz debaixo da mais descarada impunidade (exemplos não faltam, pois já cá tivemos um príncipe que matou o irmão, o caso da Maggie continua sem solução e o inspector português a quem foi entregue por pouco não foi parar à prisão). Portugal já é pequenino e se a situação não se alterar, breve deixará de se ver, regredirá de piolho para carcaça! 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

GATO: O REI DAS EMBOSCADAS URBANAS

Desconhecemos se há em alguma parte uma lei relativa à prevenção contra os gatos perigosos e se não há, deveria haver, apesar dos seus ataques serem pouco frequentes, o que não impede que sejam bastante dolorosos e dolosos para pessoas e cães. Não há dois gatos iguais e há raças que se comportam como autênticos “cães de guarda”, levando nisso vantagem por se emboscarem e atacarem de surpresa. Algumas raças orientais são levadas da breca e a sua agressividade é extensível a machos e fêmeas, mesmo quando castrados, ainda que os de pelo comprido dificilmente sejam agressivos.
O gato é um predador inato, bastante territorial, capaz de agregar-se em grandes grupos, tanto no seu lugar social como em excursões de caça, sendo capaz de sobreviver, quando abandonado, com mais facilidade que o cão. Encurralado é extremamente perigoso e não hesitará em atacar a cabeça de quem o cercar, não se intimidando com os golpes que lhe vierem a ser infligidos e mostrando uma combatividade pouco vista (morre a lutar).
Os gatos guardiões são raros e costumam efectuar as suas guardas isoladamente, produzindo ataques ofensivos a partir da sua ocultação, o que não impede que ataquem em conjunto quando instalados e confinados no mesmo território diante dum intruso. Aqueles que se encontram confinados num apartamento, normalmente castrados e privados de caçar, são extremamente afectuosos e não produzem qualquer tipo de ataque, a menos que se vejam privados do seu território ou se sintam ameaçados por quem os visita.
Os gatos que costumam saltar de telhado em telhado e de quintal em quintal, também acostumados a caçar, consideram essas áreas seu território, não vendo com bons olhos a presença doutro animal ou de gatos desconhecidos, tudo fazendo para os escorraçar. Cada gato opta por um trajecto diferente até ao lugar social comum, entendendo esse caminho como sua pertença (território de caça), mesmo que ele seja concorrido por pessoas ou outros animais. Exemplo disso foi o ocorrido recentemente em Victoria/British Columbia/Canadá, onde um gato atacou e feriu gravemente sete Pitbulls que se encontravam a passear na rua com os seus donos, vindo um deles a receber tratamento hospitalar junto com o seu cão, saindo o gato dali ileso e os seus proprietários a pagar o prejuízo.
Assim como os cães necessitam de ser sociabilizados com os gatos, o inverso também é verdade atendendo à salvaguarda destas duas espécies domésticas, porque a mímica predadora de ambas, ao ser perceptível por uns e outros, transforma-os automaticamente em concorrentes. A maneira mais fácil de sociabilizar um cão com um gato ou vice-versa é fazê-lo quando ambos são pequeninos, antes de atingirem a sua maturidade sexual. E quando assim se procede, brincarão em conjunto, poderão completar-se e até caçar juntos. Uma cadela adulta, dócil e não ciumenta poderá adoptar sem maiores dificuldades um indefeso gatinho, a quem por norma tratará como se fosse seu filho, chegando ao ponto de criar leite para o amamentar.
Evitar o ataque de um gato que se sente ameaçado, que vê o seu território invadido ou que tem crias é praticamente impossível, porque ataca de surpresa, é rápido a golpear e não teme o número dos seus oponentes, pelo que importa evitar quintais abandonados, casas degradadas e unidades fabris encerradas, locais que escolhe para abrigo ou como lugar social. Um gato bem-sucedido no ataque aos cães sempre voltará a repeti-lo, tornando-se extremamente perigoso para eles. O facto de alguns cães se encontrarem sociabilizados com gatos não é razão suficiente para não virem a ser atacados por um destes felinos. Num combate de igual para igual entre um cão inexperiente e um gato experimentado, dificilmente o cão vencerá e só por sorte não sairá da peleja mordido e cego. Caso o cão seja nisso experimentado e o gato inexperiente, a morte do felino prefigura-se como o desfecho mais provável. Cães e gatos têm direito à vida e ambos gostam de ver respeitados o seu território e prole. Cabe-nos a nós evitar esses confrontos de funesto resultado.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

QUANDO 0+0=1 E 1+1=0

O medo e a valentia confundem-se como se confundem o medo e a agressividade caninos quando debaixo de ansiedade, muito embora já se tenham identificado 12 genes, altamente relevantes no seu genoma, responsáveis pelo ataque a pessoas e cães desconhecidos, genes que são consistentes com a via do núcleo do medo e da agressão neural conhecido como a amígdala do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Raros são os cães aprovados para guarda que não necessitam de ser instigados ou objecto de algum transtorno emocional para procederem aos seus ataques e capturas e, quando o fazem por si mesmos, fazem-no por via instintiva e dominados pelo medo atávico, o que os torna perigosos por actuarem a seu bel-prazer e de modo inesperado, dispensando a ordem expressa e a provocação, companheiros raros, vulgarmente entendidos como “muito-dominantes” e de difícil travamento, restando saber se o fazem por valentia ou pânico incontido, já que cegam nos seus arremessos, não se acautelam, não acusam os golpes de que são alvo, confundem alvos e agem como estivessem “entre a espada e a parede”, podendo ferir-se e até perecer no calor da peleja. Por todas estas razões sempre será mais fácil habilitar para o efeito cães “dominantes” e “submissos”, já que os “muito-submissos” render-se-ão de imediato à intimidação e os inibidos serão tomados pela angústia que os levará ao pavor, pondo-se de imediato em fuga.
O despertar para as acções caninas ofensivas deve tanto à intimidação como à instigação, não existindo grande diferença entre o stick do figurante  e o chicote usado pelo domador de leões, uma vez que ambos obtêm dos animais a mesma resposta. Independentemente disso, a instigação deverá ser sempre superior à intimidação, porque todos os cães tem medo e só ela os fará avançar, não sem que antes se apercebam dos pontos fracos da cobaia que lhes é apresentada, preferindo atacá-la no intervalo dos seus golpes (depois de desferidos e antes da sua repetição). Debaixo desta preocupação e apostados no êxito dos cães, os figurantes pouco ou nenhum dolo causam aos cães com o stick, que é fabricado mais para o show e não como arma de defesa e contra-ataque propriamente dita. A pronta decisão dos ataques caninos fica a dever-se à experiência do sucesso alcançado nas acções anteriores: os cães partem na certeza da vitória, porque tanto eles quanto os homens detestam ser surpreendidos e podem ser facilmente dominados pela perplexidade. Medo e agressão são duas faces da mesma moeda, diferentes manifestações com a mesma origem, a quem a ansiedade não é estranha. O que faz uma moeda ficar sempre virada para o mesmo lado é a batota; o que faz um cão atacar sistemática e ofensivamente é a intromissão humana.
Por tudo o que dissemos até aqui, o beneficiamento entre dois cães “dominantes” ou entre um “muito-dominante” e outro “dominante”, dificilmente gerarão cachorros com essas características e comportamento, porque o excesso de agressividade transmitido pela manipulação reverter-se-á em medo, aproximando os cachorros dos seus parentes silvestres, somente valentes quando agrupados. Já o beneficiamento entre um cão “dominante” e um “submisso” ou entre dois “submissos”, tendencialmente gerará cachorros “dominantes” pela parceria que diminui a ansiedade e não causa entraves à cumplicidade. Dito isto, considerando o uso dos cães para guarda, mais importa o domínio do impulso ao conhecimento do que a potenciação do impulso à luta.
Pelas conclusões a que chegámos facilmente se compreende da vantagem dos cães criados para guarda sobre os mestiços de lobo, que serão tanto melhores quanto maior for o seu percentual no lobo doméstico.

ASSIM MORREM OS HERÓIS!

O Pastor Alemão branco da foto acima, abandonado para morrer numa montanha de Fochriw /South Wales, enrolado num tapete e sobre uma pilha de lixo, viria a ser encontrado por um caminhante que de imediato o levou a uma clínica veterinária. Apesar dos esforços dos clínicos, atendendo ao seu estado terminal e doloroso, acabou por ser abatido, desconhecendo-se a identidade do seu proprietário, que por descargo de consciência lhe deixou alguns grãos de ração quando o abandonou. Se há cães que tudo fazem pelos donos, ao ponto de darem a sua vida por eles, o Pastor Alemão é um deles, um companheiro altruísta, valente e seguro, qualidades típicas dos heróis que não merecem ter uma morte assim: inglória, longe dos seus, banido do seu território e abatido por estranhos. Vítimas do mesmo desprezo e ingratidão são os cães enviados para os canis terminais municipais para ali serem abatidos, prática que a todos envergonha e que há muito devia ter sido banida. Até quando continuaremos a pagar com o mal o bem que os cães nos fazem?

CARTOON DA SEMANA

Recebemos de um amigo nosso e leitor deste blogue o cartoon acima com a seguinte legenda:
“Have you seen the map of Europe recently? This is what it looks like without the UK!”
Não sabemos a proveniência deste cartoon, mas se for da autoria de algum britânico, o tiro acaba por sair-lhe pela culatra, já que o Reino Unido fez parte das forças que invadiram o Iraque, cuja consequência directa foi o aumento dos refugiados ao despoletar na região velhas rivalidades. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

FRANCIS YOU’RE WRONG, WE’RE NOT THE SAME AND THE HIJRA ON THE KAFFIRS IS BACK!

Por conta do ecumenismo, política hipócrita do Vaticano que mais interessa à sua defesa, o Papa Francisco tem um longo caminho a percorrer, aquele que leva ao arrependimento da sua Igreja por ter usurpado o poder pela mentira, não ter sido reformada quando devia, ter perseguido e morto judeus e fomentado as Cruzadas – por se ter afastado de Cristo, da Graça de Deus, da Escritura e da Fé. Mais uma vez e secundando os seus antecessores, alguns deles tornados “santos” pela ignorância popular, Francisco continua a confundir o Reino do Poder com o da Glória, como se a verdade saísse exclusivamente da “infabilidade” das suas profecias, a Igreja Romana fosse universal e governasse este mundo.  Como resultado disso tem dito repetidas vezes que os conflitos actuais resultam da bipolaridade entre ricos e pobres, que todas as religiões pregam o bem e que não existe nenhuma guerra de credos, mentira que compromete e mais comprometerá as livres sociedades ocidentais, hoje dominadas pelo laicismo, libertas da lei do “olho por olho e dente por dente” e apostadas na tolerância, tolerância desrespeitada hoje por aqueles que nos invadem.
Estamos verdadeiramente na presença de uma autêntica “Hégira” (الهجرة), perante uma imigração massiva muçulmana, a princípio pacífica, sobre os países europeus que considera cafres (الكفار), termo pejorativo que a lei islâmica usa para designar os infiéis que se recusam em aceitar a “Sharia”, corpo doutrinário religioso que determina comportamentos relativos ao viver quotidiano, à política, à economia, aos bancos, negócios, contratos, família, sexualidade, higiene e questões sociais. A “Hégira” está normalmente associada à “Muruna” (Doutrina do Equilíbrio), à flexibilidade ou a suspensão temporárias da Sharia pelos crentes em países não-muçulmanos, a quem é permitido violar alguns dos seus preceitos em prol da vitória, dando aos cafres a sensação de que é moderada até se encontrar em vantagem, estratégia em tudo igual ao mítico “Cavalo de Tróia”, que vem sendo aplicada com sucesso em várias cidades e territórios europeus, onde os muçulmanos se encontram em maioria.
Graças a esta estratégia, quando os primeiros muçulmanos chegam, achamos-lhes graça, porque são só sorrisos, parecem acessíveis, inofensivos e apresentam hábitos exóticos, particularmente quando a determinadas horas do dia se prostram sobre um tapete nas suas lojas em orações para nós imperceptíveis, chegando a vender crucifixos e imagens da Srª de Fátima, nome da filha de Maomé e local de reverência dos mouros fatimidas. Com o decorrer do tempo o seu número irá aumentar, tomarão conta do comércio local e quando se tornar maioritário ali, quem não quiser ir ao tapete é obrigado a mudar-se para fugir à pressão, à ofensa e à vergonha, usurpação territorial que podemos ver agora no degradado bairro lisboeta da Mouraria, que mais uma vez faz jus ao seu nome, local onde os muçulmanos dali reclamam da autarquia da capital uma nova mesquita, empreendimento que deverá ser inaugurado no próximo ano e que irá custar-lhe à volta de 3 milhões de euros, prioridade que a obrigará a desleixar algum do património histórico que herdou! A reconquista do “Grande Andaluz” continua e desta vez já ultrapassou os Pirenéus! Afortunadamente somos um País de parcos recursos, porque doutro modo os prejuízos seriam ainda mais avultados e a invasão muito maior.
Contrariando o parecer do Papa, pergunta-se: porque não fogem estes pobres emigrantes para os países ricos de idêntica religião e raiz linguística, como é o caso da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos? Não seriam ali mais facilmente integrados, melhor compreendidos e tratados? Não estariam mais perto de Meca e da peregrinação que lhes é recomendada fazer ali? Não temos a islamofobia como cavalo de batalha, só não queremos ser enganados, dominados e escravizados pelos bons ofícios de um novo “Cavalo de Tróia” que nos apresenta um deus que dispensamos e que não se compadece dos seus seguidores.
Há quem acredite numa reforma do Islão, nós não, enquanto a “Sharia” e as “Mutaween”, descarados atentados à Declaração Universal dos Direitos do Homem, persistirem nas poderosas nações islâmicas sem a oposição do Mundo Ocidental e este nada fizer para impedir a invasão dos seus esfarrapados e numerosos emissário-missionários, porque apesar da sua pobreza e desgraça nos cativarem, não podemos pactuar com os seus ideais sócio religiosos, próprios da Idade Média e que há muito banimos por considerá-los impróprios da dignidade e condição humanas. E caso tal reforma vier a ser possível, ela só poderá surgir do conflito interno dos muçulmanos e dentro do seu espaço geográfico (fronteiras), já que a sua religião é fratricida e todos optam por viver. Perante a actual ameaça somos obrigados a resistir, a preservar as leis que erigimos e que nos protegem, a defender a nossa liberdade e a felicidade das nossas famílias. E se isto for ofensa para alguém, quem estiver mal que se mude, que agarre no burkini e se faça ao mar!
Apostados na defesa dos nossos valores e da liberdade que nos assiste, não como provocação, circulamos esporadicamente pela Mouraria com os nossos cães, saindo do Largo do Martim Moniz, subindo a Rua dos Cavaleiros, penetrando na Rua do Terreirinho até alcançar o Largo do Intendente, descendo depois a Rua da Palma, num périplo pela nossa liberdade e identidade, geralmente animados pelo reprovo dos olhares e pelo estrondo do bater das portas à nossa passagem. Afinal, estamos ou não em Portugal?   

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

AUSTRALIANOS E GUINEENSES

Este blogue teve durante a semana que findou leitores pouco usuais: australianos, dos Emirados Árabes Unidos, egípcios, filipinos, guineenses e malaios. Raramente temos visitas oriundas da Austrália e é a primeira vez que leitores da Guiné-Bissau nos procuram, facto que saudamos alegremente pela história e língua que nos unem. Os restantes visitam-nos esporadicamente e os filipinos são os mais assíduos. A todos agradecemos a preferência e esperamos continuar a ser alvo seu interesse.

EM DALLAS É DÁ-LAS PARA NÃO SE FICAR COM ELAS!

Segundo faz saber o “The Independent”, tablóide inglês online, na sua edição do passado dia 09 de Agosto, na parte sul da Cidade norte-americana de Dallas/Texas, onde habitam as suas comunidades mais pobres, o número de cães de rua não pára de aumentar, estimando-se agora que ronde os 9.000, proliferação que vem dificultando a saída de casa dos moradores daquela área, que à falta doutras soluções, saem à rua de cacete em punho para não serem atacados pelos cães.
O problema mereceu destaque nacional no início deste ano, quando Antoinette Brown, uma afro-americana com 52 anos, foi atacada até a morte por uma matilha daqueles cães, depois de haver sofrido mais de 100 dentadas. De acordo com os dados divulgados pelo “Boston Consulting Group”, entidade contratada para estudar a situação, a frequência dos ataques caninos tem aumentado anualmente 15% desde 2013, sendo a maioria deles obra de cães que foram abandonados pelos seus proprietários na rua. Segundo a mesma consultadoria, cerca de 8.700 cães vivem na rua e desconhecem-se os seus proprietários, o que vem atentando contra a saúde pública, qualidade de vida e segurança dos residentes na zona sul de Dallas e que tem obrigado os mais ousados a deslocações na via pública de cacete em riste.
Na zona norte daquela cidade, a mais próspera, não existe semelhante problema e proliferação, porque 80% dos cães são esterilizados contra os 15% verificados na zona sul, que tem apenas 3 clínicas veterinárias no total contra as 3 existentes por meia-milha na parte mais rica daquela cidade. Maeleska Fletes, presidente do “Dallas Companion Animal Project”, considera inválida a captura e abate daqueles cães como solução para o problema, uma vez que ele retornaria passados 6 meses, devido à irresponsabilidade humana e à alta taxa de reprodução canina, advogando como solução uma campanha porta-à-porta com o objectivo de educar os proprietários caninos e oferecer-lhes gratuitamente a esterilização e o acompanhamento médico-veterinário para os seus cães.
Ainda bem que há gente com miolos do outro lado do Atlântico, porque doutro modo, caso Mr. Donald Trump viesse a ser presidente e o problema subsistisse, por certo mandaria erigir um muro para dividir Dallas ao meio, mandando depois o Exército ou a Guarda Nacional, munidos de blindados, numa luta sem tréguas para exterminar aqueles “invasores” e “terroristas”!
Afortunadamente não vivemos no Texas e desgraças destas já não existem por cá. Dum jeito ou de outro vale a pena ser europeu, quer se seja gente ou cão!

NÃO LANCE VARAS PARA O SEU CÃO IR BUSCAR

Que ninguém duvide: os cães que têm donos previdentes sofrem menos acidentes, têm melhor qualidade de vida e vivem mais anos. Quando as férias chegam e convidam a evasão, alguns proprietários caninos tomados dessa exaltação e sentimento de liberdade, também extasiados pelo contacto com a natureza, têm por hábito lançar varas para os seus cães irem-nas buscar, procedimento que pode pôr em perigo a saúde e a vida dos seus companheiros, brincadeira inocente que amiúde tem sérios reflexos e que pode induzir a sem número de vícios e menos valias. Se há que arremessar algo para fortalecer a cumplicidade entre donos e cães, melhor será adquirir utensílios próprios para o efeito (bolas, discos, brinquedos, churros, frisbies, etc.), desde que previamente se reconheça o local a percorrer pelos cães, que deve ser isento de riscos para os animais.
Apesar de poucos se lembrarem disso, tanto o arremesso de uma vara verde como o de uma seca podem causar sérias lesões nos cães e, na ausência de pronta assistência, tal projecção pode ser-lhes fatal pela ignorância dos seus donos. Grande parte dos arbustos que temos na nossa flora são tóxicos e as suas toxinas são particularmente nocivas para os cães (ler a este respeito o artigo “JARDINS PROIBIDOS”, editado neste blogue em 21/11/2014), o que torna o lançamento de varas verdes particularmente perigoso para eles. Para além disso, o hábito de pô-los a perseguir e mordiscar varas dessas pode ser um pressuposto seguro para a destruição daqueles que têm e querem conservar os seus jardins.
O arremesso de varas secas, que encontramos por toda a parte, pode também constituir-se num sério risco para a saúde dos animais, porque se estilhaçam na sua boca e caso sejam duras podem ficar cravadas no intervalo dos seus dentes, perfurar-lhes a língua e o céu-da-boca ou alojarem-se na sua garganta, criando-lhes infecções e impedindo-os de se alimentarem correctamente, tragédia que se repete ano após ano na época estival e que acaba por endossá-los para os bons ofícios dos clínicos. Acresce ainda o facto dos insectos nidificarem ou permanecerem nestas varas em diferentes estados metamórficos, sendo alguns deles responsáveis por alergias indutoras a choques anafiláticos que podem levá-los à morte.
A nosso ver e pela nossa experiência, considerando a importância pedagógica dos diferentes brinquedos e a utilidade do cão em trazer à mão aquilo que lhe é jogado, de suma importância para que encontre amanhã aquilo que involuntariamente perdemos ou para que venha a transportar algo que nos faz falta, o brinquedo a arremessar deverá ser sempre o mesmo, peculiar e diferente dos demais, desconhecido do gosto corriqueiro e dos olhares alheios, para que não se constitua em manobra de distracção para os cães guardiões ou instigue os cães a roubar outros iguais, o que geralmente tem como consequência a luta pela sua posse.
Reputados adestradores do passado (é impossível citá-los todos), conhecedores desta problemática, tinham por hábito fabricar os seus próprios sticks de arremesso, procedimento que aconselhamos para os actuais proprietários caninos. Quanto às varas já sabe: nem verdes nem secas!

UMA QUESTÃO DE OLHAR: ELES FALAM COM OS OLHOS

Descobriu-se há pouco tempo que determinado grupo de cães comunica entre si e com os humanos através do olhar. A descoberta coube a um grupo de cientistas do Instituto de Tecnologia de Tóquio da Universidade de Kyoto/Japão. Segundo eles, que dividiram os 25 tipos diferentes tipos cães observados em três grupos, o Grupo A, extensível a todos os cães domésticos e aos lobos, grupo que destaca claramente a posição dos olhos, a pupila, a íris e a esclera, é próprio para viver e caçar em grupo, comunicando entre si através do olhar, contrariamente aos do Grupo B, que vivem isoladamente e têm os olhos claramente definidos mas cujas pupilas se encontram camufladas e aos do Grupo C, que apresentam os olhos e as pupilas completamente disfarçados (camuflados), a quem rotularam de “cães arbusto”, maioritariamente molossos, alanos e cães com pelo de arame.
Esta capacidade sociocognitiva canina, amplamente experimentada e comprovada por nós no ensino de Pastores Alemães, tem sido muitas vezes confundida como percepção extra-sensorial ou comunicação telepática, quando um simples olhar de um adestrador é capaz de sugerir ou solicitar determinada acção num cão em exercício. Conhecedores deste particular, que nos levou também ao recurso para reprodução das diferentes variedades cromáticas presentes no CPA, considerando o destaque particular dos seus olhos e diferente coloração, levou-nos a produzir exemplares de olhos díspares em relação ao seu manto para tirar partido da novidade e menor leitura por estranhos das intenções dos guardiões, acrescentando-lhes um olhar mais intimidatório para reforço da sua presença ostensiva e êxito nas capturas, o que veio dar mais uma vez razão ao histórico beneficiamento entre negros e lobeiros, assim como aos seus sucedâneos.
A maior ou menor capacidade de comunicar através do olhar nos cães, irá depender da riqueza do impulso ao conhecimento e do equilíbrio psicológico presente em cada indivíduo, da sua fixação, curiosidade e concentração, da qualidade dos seus mestres e do tipo de treino a que serão sujeitos (a linguagem gestual tem aqui um importante papel a desempenhar), sabendo-se que, por força do contacto com os humanos, os cães podem alterar o seu sentido director, transitando do olfacto para a visão como vulgarmente acontece ou do olfacto para o ouvido como sucede com os cães de caça acorrentados, quando importa transformá-los em cães de alarme.
O sentimento territorial presente em muitos cães levá-los-á a não aceitar a fixação visual perpetrada por estranhos, induzindo os mais frágeis ao afastamento e os mais audazes à provocação e ao desafio, por “entenderem” tal procedimento como uma intromissão pessoal, uma invasão abusiva do seu grupo ou por se sentirem vulneráveis. Quem lida com cães há algum tempo sabe que a não fixação do olhar num cão valente pode retardar ou impedir o seu ataque e que o contrário poderá ter como resposta uma reacção contrária. E nisto se compreende também a vantagem do ensino através de engodos, porque a fixação do animal recai sobre o petisco e não sobre a pessoa que o distribui, o que evitará confrontos e levará ao fortalecimento dos vínculos afectivos entre ambos pela experiência havida, muito embora tal suborno não seja estéril e possa vir a comprometer o carácter impoluto e incorruptível procurado nalguns cães por exigência do seu serviço.
Diariamente surgem novidades acerca dos cães e cada vez mais são-lhes reconhecidos novos atributos e mais-valias, pormenores de que daremos notícia considerando a sua companhia e préstimo. A somar à mímica e às vozes que lhe são naturais (ladrar, latir, rosnar, bufar, gemer, ganir e uivar), eles também falam com os olhos!

sábado, 13 de agosto de 2016

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ SÓ OS MAIS FORTES SOBREVIVEM E SÃO CAPAZES DE PRODUZIR UMA NOVA GERAÇÃO (PROPAGAR-SE), editado em 08/08/2016
2º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
3º _ … AS MOSCAS É QUE SÃO OUTRAS!, editado em 10/08/2016
4º _ ENCANTADORES, CIRCO E DESENCANTO, editado em 10/08/2016
5º _ WOLFDOG KUNMING (昆明狼狗):A HIBRIDAÇÃO LUPINO/SPITZ PARA FINS MILITARES, editado em 20/07/2015
6º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
7º _ SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA?, editado em 02/05/2015
8º _ CONVERSAS SOBRE PASTORES ALEMÃES À MESA DO CAFÉ, editado em 09/08/2014
9º _ PORQUE MORDEM OS CÃES?, editado em 12/08/2016
10º _ CORRENDO ATRÁS DA PANOSTEÍTE E DA MIELOPATIA DEGENERATIVA, editado em 02/05/2015

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Espanha, 6º Reino Unido, 7º Angola, 8º França, 9º Moçambique e 10º Índia.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

NÓS POR CÁ: PORTUGAL A ARDER!

Os nossos políticos ainda não compreenderam que o País não é só praias, como ainda não conseguiram arranjar solução para as assimetrias económicas e demográficas entre o litoral e o interior, encontrando-se este quase deserto e esquecido como se tivéssemos território a mais, parte geográfica de Portugal onde reside e resiste o que resta das nossas florestas, agora fustigadas pelo fogo e entregues ao infortúnio de bandidos, interesses e desinteresses. Ouve-se por todo o lado a seguinte sentença: “aquele que larga o fogo devia ser deitado lá dentro para arder junto”, como se a morte de meia-dúzia de alienados resolvesse o problema e a prevenção dos incêndios fosse impossível. O problema é estrutural, exige um reordenamento florestal capaz, medidas de prevenção adequadas, mais pessoal devidamente disponível, preparado e apetrechado, assim como meios mais prontos e eficazes no combate aos incêndios. Para além do excelente lençol freático que temos, que faz inveja a muitos, a nossa floresta é outro bem precioso que somos obrigados a conservar, porque doutro modo o deserto avançará impiedoso sobre nós, como já está a suceder e acabará por levar-nos a água que não podemos dispensar.
A classe política que governa o mundo em que vivemos parece arredada dos graves problemas que afectam o nosso Planeta, entretida que anda em jogos de poder, riquezas e contrapartidas, como se não tivéssemos provocado profundas alterações climáticas e a Terra tivesse recursos ilimitados. E perante a sentença popular aqui em voga, quem deveríamos deixar arder junto com o fogo: os pirómanos ou aqueles deveriam proteger as nossas florestas e não o fazem? A resposta parece óbvia. E quando desastres destes acontecem, a solução é sempre a mesma: decretar o estado de calamidade! Calamidade é não julgarmos aqueles que nos condenam. Portugal arde mais uma vez, o saque continua e o País vai a pique. Precisamos de sangue novo e ainda não conspurcado para a resolução dos nossos problemas e do mundo.

PORQUE MORDEM OS CÃES?

Talvez não haja no mundo tantos “entendidos” em cães por m2 como em Portugal (talvez por isso os etólogos não tenham aqui trabalho), onde seu número não pára de crescer e tende a superar o dos treinadores de bancada, apesar da nossa população ser muito mais citadina do que rural, os pastores se encontrarem em vias de extinção e os caçadores a caminho disso. Esta habilitação inesperada, que tende a julgar o todo pela parte, tem divulgado e levado à aceitação geral todo um conjunto de ideias falsas acerca do comportamento dos cães, destacando-se as seguintes: que todo o cão que tem medo foi objecto de maus tratos e que todo aquele que morde fá-lo por instigação dos seus donos, como se os nossos fiéis amigos resultassem de geração espontânea, caíssem aqui de pára-quedas ou fossem tanto ou mais moldáveis que o barro nas mãos dum oleiro. Com tanta ignorância chocalhada e à solta, há dias em que não se pode entrar num café.
É evidente que existem cães que nascem medrosos sem terem sido objecto de maus tratos, tanto os provenientes da selecção operada nas ruas, mais próxima da natural, como os resultantes da manipulação humana, sendo o fenómeno mais frequente nos últimos porque doutra forma os primeiros dificilmente sobreviveriam, conhecida que é a sua dependência. Do mesmo modo também há cães que nascem agressivos sem a contribuição dos donos, que a acontecer, acontece maioritariamente por ignorância e não por instigação directa. Afortunadamente os cães são cada vez mais mansos, o que nos dá algum descanso perante os tontos que persistem em adquiri-los, sabichões tendentes à asneira que invariavelmente acabam surpreendidos do alto das suas “cátedras”.
Os cães mordem porque continuam predadores e são uma subespécie doutro: o Lobo, do qual conservam ainda alguns instintos, também porque são animais sociais, competitivos e territoriais que não possuem outra arma para além do uso da sua mandíbula, tornando-se assilvestrados na ausência de regras, o que aponta como primeira causa uma razão atávica. Todos os cães podem morder e todos podem não fazê-lo, ficando isso a dever-se à maior ou menor potenciação dos impulsos herdados que sustentam a sua agressividade, particularmente os relativos à defesa, à luta e ao poder, que sendo mais típicos dos machos, são também responsáveis pelo escalonamento social canino, o que evidencia em simultâneo uma razão genética. Como o ataque à dentada é típico dos cães dominantes e não são poucos os submissos que se comportam assim, persiste nestes casos uma razão ambiental decorrente duma investidura assente sobre a experiência feliz (incentivo, certeza da vitória, captura, treino e recompensa).
Qualquer cão submisso, cobarde ou inibido, por menor que seja e escudado no dono, pode morder, como também poderá morder por ciúme ou por se ver preterido. Os cães que habitualmente permanecem no colo dos donos, por mais frágeis e indefesos que nos pareçam, não sendo contrariados, sem grande dificuldade morderão a quem deles se acercar, podendo fazê-lo deliberadamente ou por medo. Também os muito mimados e isentos de reparo tendem a assumir um comportamento agressivo para resistirem à liderança e imporem as suas próprias regras.
Felizmente, a ocorrência de ataques ofensivos caninos individuais sobre pessoas sem a contribuição directa ou indirecta dos seus donos é raríssima e carece de treino aturado, não diferindo nisto do seu ancestral silvestre. A maioria dos ataques caninos perpetrados sobre pessoas sem treino prévio são de natureza defensiva (social) e acontecem pela defesa do alimento, do território, do agregado familiar e dos bens comuns a donos e cães, sendo por norma instintivos e pouco dolosos. A transição dos ataques defensivos individuais para ofensivos é na maior parte dos casos obra da ingerência humana, que actua por aproveitamento. Contudo, a repetição de vários ataques defensivos bem-sucedidos pode transformá-los em ofensivos pela experiência havida que funcionou como treino.
Os ataques caninos em matilha podem dispensar a indução humana pelo peso do grupo e respectivo escalonamento social, alterando a sua natureza de defensiva para ofensiva pela constituição de  uma matilha de caça, particular usado e transformado em estratégia pelos adestradores que se dedicam ao treino do cão guarda, que tiram partido do exemplo de cães nisso habilitados para capacitarem os iniciados, relutantes e inexperientes. Assim como existem matilhas para caça também existem matilhas para guarda, por norma identificadas como “matilhas funcionais” para as diferenciar das animais que não obedeceram a qualquer tipo de treino e que são por norma instintivas. Nenhuma das matilhas é de fácil defesa, qualquer uma delas pode ser letal. Todavia, sempre se terá mais hipóteses diante duma matilha animal que duma funcional, porque a última foi previamente preparada para o efeito e cada um dos seus membros “sabe” como operar.
Sinteticamente podemos dizer que os cães mordem por razões genético-ambientais e que ambas estão relacionadas com o seu particular social, que uma vez procuradas e potenciadas têm tornado os cães mais perigosos que os lobos, que raramente atacam ou matam pessoas (nunca se provou que um lobo tenha morto um homem, ao invés, existem algumas fábulas assim como relatos verídicos em que os lobos serviram de pais a crianças). O manipulação de determinadas raças caninas tem produzido intencionalmente cães com maior força de mandíbula, mais massa muscular, superior sentimento territorial, notório instinto de presa, maior tenacidade na caça e portadores de fortes impulsos à luta e ao poder, animais potencialmente perigosos na possibilidade das suas arremetidas, que cada vez são menos frequentes pelo peso e carácter repressivo das leis em vigor.
As pessoas que têm medo de cães, porque podem ser interpretadas por eles como presas ao seu alcance, constituem-se natural e involuntariamente em suas vítimas. Os ataques à dentada perpetrados pelos cães sem a indução ou instigação dos seus mestres são maioritariamente de carácter defensivo e os ofensivos são na sua maioria fruto do engenho humano. Um cão biológica e inequivocamente ofensivo por si mesmo é um animal de difícil controlo, imprevisível e de pouco préstimo, dado à revolta e propenso a grande número de disparates, que exigirá um dono experiente e audaz para o subordinar.
A reeducação dos cães perigosos, processo de descodificação mais ou menos moroso e sujeito a reveses, é facilitada de início pela subordinação que obriga à troca dos seus líderes habituais e grupo, à novidade constante de territórios, à perca de regalias (despromoção social), à alteração de rotinas, ao desprezo pelos procedimentos anteriormente instalados e pela sua consequente substituição – primeiro o cão é desaprovado para depois ser aprovado. Não entre em quintais com cães que desconhece, não faça festas a cães desconhecidos, não force a sua aceitação, antes de afagar um cão solicite a autorização do dono, não corra na frente ou ameace cães que nunca viu, não fixe o seu olhar neles, troque disfarçadamente de passeio se sente medo ao cruzar-se com eles e verá que dificilmente será mordido. Como diz o povo, “os cães mordem porque têm dentes” mas os cinófobos podem ficar descansados: a esmagadora maioria dos cães actuais só usa os dentes para comer e se os usa para outra coisa é porque lhes fizeram crer nalguma história, dando-lhe um final inesperado quando verdadeiramente confrontados e sujeitos a um dolo maior ao que pretendem causar. Não se assuste se um cão lhe ladrar mas tome cuidado se ele lhe rosnar.