quarta-feira, 20 de julho de 2016

CONTINUAM A DAR “BANHO” AOS DONOS!

Não há dúvida que os proprietários caninos portugueses estão muito mal servidos de escolas para os seus cães, como não há dúvida que são pouco exigentes e com pouco se contentam, não fora a ignorância um dos maiores negócios (talvez o maior) deste mundo e a vaidade causa de tanto disparate. A esmagadora maioria dos centros de treino caninos aqui existentes ensina os seus pupilos na perspectiva de uma ou várias modalidades desportivas, esquecendo a sua salvaguarda, saúde e bem-estar, apesar do grosso dos seus binómios abominar as competições e os donos pretenderem apenas ter um animal de companhia bem-comportado. No geral, o parque de obstáculos que têm à sua disposição é pobre e escasso, de lamentável concepção, dúbio conceito, mal apresentado, invariavelmente mal conservado e de pouco ou nenhum préstimo. Considerando os preços praticados, que são por vezes irrisórios, há quem diga que para quem é bacalhau basta!
Apesar de serem muitos os obstáculos e aparelhos em falta, necessários à recuperação, manutenção, desenvolvimento e maior aptidão dos índices atléticos caninos, em quase todas as escolas falta um em particular: a piscina, obstáculo que se presta à hidroterapia e que é indispensável para a salvaguarda dos cães. A hidroterapia, para além de ajudar na convalescença e recuperação dos cães saídos de lesões, de pós-operatórios ou condenados à inactividade por várias razões, é aqui primordial, considerando o pouco despiste que aqui é feito sobre a displasia do cotovelo presente nalgumas raças, que inibe grandemente o trabalho dos anteriores em qualquer dos andamentos naturais dos cães por ela afectados.

Saiu recentemente um estudo da autoria de um grupo de investigadores do Hartpury University Centre/UK, divulgado pela Society for Experimental Biology, acerca das vantagens da hidroterapia num grupo de Labradores com displasia do cotovelo, onde se faz saber que a claudicação de anteriores neles verificada foi suavizada graças à hidroterapia, saindo dela com uma maior amplitude de movimento, frequência de passos e comprimento de passada. No mesmo estudo foi verificado que os cães saudáveis convidados para a hidroterapia apresentaram andamentos mais soltos quando no solo. Ora, se os adestradores estão em falta, o que dizer das clínicas veterinárias que não oferecem ou não recomendam a hidroterapia?
Pondo de parte as questões terapêuticas, que de modo algum deverão ser desconsideradas, acresce o facto de muitos cães nadarem mal ou de não serem capazes de fazê-lo, inaptidão que importa vencer diante da sua salvaguarda, prestando-se a piscina cabalmente para esse efeito. No Verão, havendo uma piscina na pista de obstáculos, ela poderá ser usada para refrescar os cães nos momentos de supercompensação, constituindo-se assim como parte integrante do reforço positivo, já que os cães, depois de cómodos dentro de água, não querem outra coisa!
Há uns meses atrás perguntámos a um adestrador porque não tinha uma piscina na sua escola, para surpresa nossa respondeu-nos: “se os donos querem piscina para os cães que usem a deles e, se não tiverem uma, que vão prá dos amigos”. Tal sentença trouxe-nos à memória uma idêntica, proferida por um funileiro no pós-25 de Abril, na sua qualidade de presidente duma colectividade dedicada a dar chutos na bola, situada nos arrabaldes de Lisboa, que interpelado pelos associados acerca da necessidade de um pavilhão gimnodesportivo, não foi de modas e respondeu-lhes assim: Pavilhão Gimnodesportivo, ginástica? Os nossos jogadores já o fizeram na barriga das mães!”
E se a piscina está em falta nos nossos centros de treino, também é inexistente na maioria dos hotéis caninos, o que economicamente não se justifica pelos preços exorbitantes que cobram aos seus clientes. Infelizmente ainda há muita gente que não entende ser um hotel canino diferente de um amontoado de chiqueiros para porcos. E como o mundo não pára, quem se agarrar ao passado não alcançará o futuro. O cúmulo dos cúmulos é vermos uma placa de uma escola a dizer: “ensinamos cães para resgate e salvamento” e não ter no seu perímetro uma piscina! Enquanto a situação não mudar, felizes são os cães cujos donos têm uma à sua disposição.

terça-feira, 19 de julho de 2016

GUARDIA CIVIL, OLÉ!

O sucedido conta-se em poucas palavras. Um Guardia Civil deparou-se com um Pitbull fechado dentro de um carro, com a temperatura local a marcar 35 graus celsius, exausto e em vias de perecer. Consciente do estado crítico do animal, rebentou a murro uma das janelas da viatura e procedeu ao seu resgate, levando-o depois para uma sombra onde o refrescou, dando-lhe água a beber e humedecendo-lhe o corpo com uma esponja molhada para baixar-lhe a temperatura corporal. De acordo com o que foi comunicado, o cão fez uma boa recuperação após aquela provação e o seu proprietário enfrenta agora uma acusação de abuso animal.
Crê-se que o episódio aconteceu na Província Espanhola de Alicante e o ocorrido foi objecto de um vídeo no Facebook, realizado pela Guarda Civil, vídeo que teve 1.1 milhões de visitas! Há que tirar o chapéu ao guarda pela sensibilidade e valentia, sensibilidade porque se compadeceu do animal e valentia porque poucos se atreveriam a soltar um Pitbull alheio e desconhecido, mesmo que atarantado - Guarda Civil, Olé!

A HISTÓRIA DOS DOIS ASSOBIOS

Ouvimos hoje uma história que vamos divulgar para os nossos leitores, relato que nos feito por um septuagenário, militar aposentado e que remonta aos seus tempos de adolescente: “Passei a minha adolescência com os meus pais numa quinta que garantia a nossa subsistência. Como não tinha irmãos para brincar, o meu companheiro de aventuras era o cão das ovelhas. O meu pai era uma pessoa de poucas palavras e austera, daquelas que não gostava de se repetir e muito menos de ser contrariado. Quando ele chamava por alguém não tolerava atrasos e nem eu nem o cão escapávamos à regra. Chamava-nos por diferentes assobios: um para mim e outro diverso para o cão. Sempre que o ouvia assobiar corria para ele, porque não conseguia distinguir os assobios, erro que o cão nunca cometia. Com o decorrer do tempo passei a regular-me pelo cão: se ele não se mexesse, eu ficava; se ele ficasse parado, respondia eu à chamada!”.
… NO COMMENTS!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

UMA NOTÍCIA E UM LIVRO

Segundo fez eco o Diário de Notícias online, na localidade catalã de Polinyà/Catalunha/Espanha, um cão esquecido numa varanda dum 3º andar por várias horas, debaixo de calor intenso, acabou por saltar dela abaixo antes dos bombeiros poderem efectuar o seu resgate, ficando a dever a vida a um estendal de roupa que lhe amortizou a queda. As autoridades daquele município divulgaram um vídeo no Facebook relativo a este episódio, no intuito de alertarem os seus cidadãos contra os maus tratos e o abandono dos animais. A acção do cão, longe de ser considerada suicida, poderá ter resultado de alguma carência social e/ou relacionada com o seu instinto de sobrevivência, porque os cães não procuram o suicídio e apenas enfrentam a morte para protegerem/salvaguardarem a sua vida e a dos seus, podendo incluir-se nisto a pessoa dos seus donos, como tantas vezes temos ouvido e visto, prova da sua inteligência instintiva, bem acima da encontrada nalguns mafarricos que se estoiram na esperança de encontrarem noutra vida os favores de 70 virgens, estes sim, verdadeiros tontos e suicidas, porque glorificam a morte em detrimento da vida.
Por cá e por falar em suicídio, saiu recentemente um romance da autoria do portalegrense Rui Cardoso Martins: “E SE EU GOSTASSE MUITO DE MORRER”, editado pela Dom Quixote e que aborda o tema do suicídio humano para além do Tejo que, como é sabido, acontece seis vezes mais que no restante território nacional, livro que vale a pena ler (já o fizemos) e que realça aspectos importantes sobre a patologia presente nalguns alentejanos, que ao contrário dos terroristas, preferem matar-se que matar. O romance, outra coisa não seria de esperar pela sua natureza, não aponta causas ou razões científicas para o facto. Mais do que falar da morte, o autor acaba por realizar uma autópsia pormenorizada e bem conseguida. A leitura da obra é agradável e torna-se descontraída, plena de verdades que reflectem a idiossincrasia e a cultura intrínseca daquelas gentes como factores indutores ao suicídio.
Poderão também os cães ser induzidos ao suicídio? Sem dúvida e todos os dias muitos morrem assim! Dificilmente se suicidarão pelas suas expectativas e facilmente o farão por ingerência humana, que ao aproveitar-se da sua lealdade e condição animal, mercê de uma investidura repetitiva e com um final feliz, leva-os a dispor da sua vida sem saber ao que marcham, loucura que até aqui tem privilegiado o ataque ao invés da salvaguarda dos cães de guarda (civis e militares), prática que deverá ser amplamente denunciada e abandonada, por razões que a Carta dos Direitos do Animal bem denuncia. Todavia, compreendemos mais facilmente um cão que morre vítima de engano que um homem que se deixa enganar, porque o animal parte em função do que viu e experimentou, e o homem-bomba do que nunca viu e que dificilmente verá, residindo nisto a diferença de fé neles presente.  

sábado, 16 de julho de 2016

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ 9 EM 1: UM VERDADEIRO 31!, editado em 02/07/2016
3º _ CORRER OU MARCHAR COM O SEU CÃO?, editado em 14/07/2016
4º _ VERDADES E MENTIRAS, editado em 12/07/2016
5º _ UM EMAIL QUE DÁ QUE PENSAR!, editado em 13/07/2016
6º _ O GUARDA DAS GALINHAS, editado em 05/04/2014
7º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, 29/08/2013
8º _ TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS, editado em 09/07/2016
9º _ GAIVOTAS: A MORTE QUE VEM DO MAR E PAIRA NO AR, editado em 20/07/2015
10º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Angola, 4º Estados Unidos, 5º Alemanha, 6º Itália, 7º Espanha, 8º França, 9º Reino Unido e 10º Rússia.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

VALE TUDO!

Antigamente dizia-se que os portugueses são uns macacos de imitação, agora que temos mais instrução diz-se que somos uns plagiadores inatos (venha o diabo e escolha), porque desprezamos o que é nosso e copiamos tudo da estranja. Pois na cinecultura passa-se o mesmo, tudo o que acontece lá fora virá acontecer aqui (por vezes com algum atraso). E como importa só replicar o que é bom, escrevemos este artigo para alertar os psicólogos e outros profissionais de saúde mental, também para antecipar a denúncia do chico-espertismo de alguns (quiçá já os temos aqui de igual calibre). A Universidade de Missouri-Columbia/USA levou a cabo uma pesquisa onde revelou que muitos profissionais de saúde mental, indevidamente e a rogo dos seus pacientes, certificavam os cães destes como “ESAs” – Emotional Support Animal (animais de suporte emocional), como se fossem cães de serviço e tivessem sido aprovados para isso, certificação que cabe ao “ADA” - Americans with Disabilities Act, organismo que também se encarrega da certificação dos cães-guia e que defende para todos uma formação rigorosa, com uma duração de vários meses e por vezes até de anos.
Ao pedirem aos psicólogos tal certificação, que ao que tudo indica é também válida, o que pretenderão os pacientes? Somente as regalias dadas aos cães de serviço, que podem acompanhar os seus donos por toda a parte e permanecer junto deles em comboios, navios e aviões, usufruindo de taxas de transporte substancialmente mais baixas, assim como em restaurantes e hotéis. Alerta a citada Universidade para a responsabilidade criminal daqueles clínicos diante dos acidentes e prejuízos que estes falsos cães de serviço possam causar.
Estranhamente, dum dia para o outro e sem darmos conta, ignorando em simultâneo quem os teria certificado, começámos a ver por cá uma batelada de cães de serviço, nomeadamente de “terapia”, engalanados nos seus coletes de cores garridas e com esses dizeres escarrapachados, não nos parecendo que donos e cães fossem objecto dessa afincada formação, a menos que os condutores caninos que avistámos estivessem a usufruir das mais-valias dos cães que transportavam. O hábito enraizado de levar vantagem pelo engano de outrem não é exclusivo dos Estados Unidos, por sinal uma das mais novas grandes nações do mundo. Portugal é bem mais velho e ao sê-lo não lhe faltará matreirice! Também que diabo, se tivemos ministros com diplomas académicos forjados, que mal fará termos cães com falsos certificados? Em Roma não há que ser romano?
Ao abordarmos este assunto vêm-nos à memória as palavras dum simples homem com quem privámos, que amiúde repetia: “surpreendam-me com coisas boas que as más já não são para mim novidade”.

ALLÔ, ALLÔ? DAQUI COSTA, DA COSTA DO BIDONVILLE!

Não somos adeptos de teorias da conspiração mas que há conspirações, há! Portugal parece ser vítima duma movida pela União Europeia, que a mando não se sabe bem de quem, provavelmente de alguns magnatas encobertos que o nativo assimilado Durão Barroso bem conhece, quer castigar-nos agora com sanções económicas, não lhe bastando o facto de pôr e dispor aqui conforme lhe apetece. Membros periféricos de uma União que são obrigados a suportar por falta doutras opções, os portugueses atravessam uma grave crise económica idêntica à passada pelos seus conterrâneos emigrantes em Champigny, favela mundialmente conhecida por Bidonville, que durou 40 anos e que acabou por pressão de Jacques Chaban-Delmas, na altura 1º Ministro de França.
Como resultado da escravatura económica que nos é imposta, os portugueses são os europeus que mais tomam ansiolíticos e antidepressivos, têm uma taxa de desemprego elevada, têm dificuldade em criar os seus filhos, cada vez se suicidam mais, importam mais do que exportam, vêem aumentar o número de pessoas no limiar da pobreza, são euro-dependentes e estendem a mão à caridade a quem pouco ou nada quer saber deles (por muito menos tornou-se Portugal independente de Castela). Cresce o número de mães que se suicidam junto com os seus filhos, desespero que lembra o ocorrido no reinado de D. Manuel I, quando as mães judias, resistindo ao baptismo que lhes era imposto, se jogavam dos prédios abaixo com os seus filhos ao colo, preferindo a morte que tal sorte. À perca da nossa soberania sucede a morte lenta e dolorosa de Portugal e dos portugueses, que comem o que lhes põem no prato e pagam em dobro.
Há muito que sabemos ser o “jeitinho brasileiro” filho legítimo e cara chapada do “desenrasque português”, por isso não estranhamos a geminada corrupção luso-brasileira, para já não se falar na luso-angolana, porque os bandidos e os salafrários não têm terra, tornando sua aquela onde mais facilmente engordam e onde as suas manigâncias são melhor sucedidas. Antes de bater o pé à Comunidade Europeia, Portugal tem que arrumar a casa, “pegar o boi pelos cornos” e extirpar do seu seio, de uma vez por todas, a corrupção e os seus mentores, perpetrada escandalosamente por políticos, banqueiros e gestores públicos, causa primeira da nossa desgraça, que deveriam ser presos e deportados para longe da nossa costa, depois de virados dos pés para a cabeça, para que nada levem nos bolsos e deixem aqui tudo o que nos roubaram (por certo desenrascar-se-ão noutras paragens). E ao fazer isto, mais uma vez, estaremos a dar ao mundo novos mundos que tanto precisa deles!
Precisaremos de maior desgraça para nos unirmos e insurgirmos contra esta corja ou continuaremos como até aqui, dominados pela inércia que incapacita a nossa afirmação como contrapoder às instituições que nos chacinam? Terá que ser a nossa sociedade civil a fazê-lo, pois os militares há muito que se deixaram endrominar e mal seria se tivéssemos de nos matar uns aos outros para que finalmente a justiça reinasse nesta Terra que é nossa Mãe. Para isso precisamos de uma verdadeira política de cidadania, do envolvimento de todos e não dos actuais partidos políticos tutelados, classe à parte, distante das nossas dificuldades e de nefasto préstimo, que ao invés de nos protegerem mais nos expõem. E neles não há excepção, porque uns comem e os outros aproveitam-se! Há que começar tudo de novo e deitar no lixo tudo o que não presta. Eu, você e todos, precisamos e desejamos um Portugal Novo, de o libertar de quem o pôs de pernas para o ar.
Para alcançarmos Portugal para os portugueses não podemos incorrer em vícios antigos, aninharmo-nos debaixo dum ignoto mecenas (que tão bom resultado tem dado, cite-se o exemplo UE), esperar um milagre ou apostar no messianismo, porque só precisa dum mecenas quem não consegue sobreviver por si próprio, só espera milagres quem reconhece a sua impotência e só deseja um iluminado quem não distingue a noite do dia e não consegue alterar o seu destino. O fado canta-se à noite, o dia fazemo-lo nós, é chegado o tempo de acordar! Só a unidade de todos portugueses conseguirá fazê-lo, porque sendo poucos, unidos valemos muito mais e só assim seremos capazes de devolver a Portugal o seu e nosso esplendor.
Devemos proceder a contestação das instituições que nos governam (desgovernam), exigir que seja feita justiça, pôr em dúvida tudo o que nos é apresentado e proceder à eleição de listas de cidadãos independentes para nos representarem, tanto nas autarquias como no governo, livres da choça de quem nos governa e representa, apostados num país livre, próspero e soberano. Hoje mais do que nunca, e já tarda, todos somos convocados para tomar as rédeas do nosso destino, esta é a hora de todos nos fazermos ouvir.
Pode parecer estranho num blogue dedicado ao ensino de cães abordarmos este assunto, mas talvez por ensiná-los, saibamos por experiência própria quando e porque nos mordem e quais as suas intenções. Sabemos também que eles mordem mais depressa a quem os teme do que a quem os não teme – é tempo de perder o medo! Com o “não” garantido, vamos à procura do “sim”, dizendo não para quem nos enterra vivos e sim para um Portugal mais justo, fraterno e dono do seu destino, com os portugueses ao leme a lançar borda fora os traidores da nossa pátria e algozes dos nossos filhos. Viva Portugal!
PS: Mais do que de afectos, precisamos de livrar-nos das graves afecções que nos molestam (não andamos à procura de medalhas e não nos agradam os beijoqueiros) 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

ESTRATÉGIAS PARA A FIXAÇÃO DO “QUIETO” NO EXTERIOR

Ter um cão que nos obedeça em casa ou na escola não é difícil, ter um que o faça fora das suas portas ou num ambiente desconhecido é outra, porque os cães resistem à novidade, estranham novos ambientes e desconfiam de estranhos, devido à sua territorialidade inata, ao facto de viverem segundo a experiência que têm e de não se sentirem confortáveis no meio doutros grupos para além do seu. Conhecedores disto, entendemos que nenhum adestramento estará terminado se os cães não tiverem idêntico comportamento tanto em casa como na rua. Um dos comandos mais difíceis de instalar no exterior é do “Quieto”(fica) apesar de ser primordial prà salvaguarda dos nossos fiéis amigos. É evidente que os cães mais frágeis de carácter serão aqueles que apresentarão maiores dificuldades, porque a sua insegurança criará entraves adicionais para o alcance da figura. Apostados em valer aos nossos leitores nesta situação, adiantaremos seguidamente alguns procedimentos que facilitarão a fixação do “quieto” no exterior, procedimentos decorrentes do prévio treino doméstico ou escolar.
Como partimos em desvantagem frente à natural resistência dos cães, importa sermos pacientes e fazermos a instalação do comando gradualmente e sem atropelos, de acordo com as respostas positivas que vamos obtendo. O melhor local para levar a cabo a tarefa será num jardim duma avenida, medianamente concorrido e farto nas situações que o cão irá enfrentar no seu quotidiano. Numa primeira fase sentar-nos-emos num banco com o cão ao nosso lado, serenando-o sempre que necessário perante a passagem de pessoas de diversos comportamentos ou com diferentes apresentações (gente com bengalas, em cadeiras de rodas, transportando carrinhos de bebé, etc.). Tanto podemos servir-nos dum banco como dum muro mais alto onde o cão possa sentar-se. O facto de se encontrar acima do nível do solo, torná-lo-á mais confiante pela diminuição da silhueta dos transeuntes aos seus olhos, vantagem que importa considerar.

Quando ele já conseguir ficar calmo e relaxado nesse patamar, é chegada a altura de começarmos a afastar-nos dele, primeiro a dois ou três passos e depois a distâncias maiores, tendo o cuidado de manter a sua fixação na nossa pessoa e de não o deixar abandonar a figura de imobilização (senta ou deita) que lhe solicitámos antes de nos afastarmos. No início as pessoas passarão por detrás do emissor da ordem e depois entre o cão e o seu líder. Caso o cão se levante ou mostre particular ansiedade ou inquietação, deveremos retornar à primeira forma, serená-lo e recompensá-lo, repetindo depois as acções em falta até à sua plena satisfação.
Torna-se evidente que as dificuldades no “quieto” são um reflexo inequívoco do temor do animal perante a novidade daquele ecossistema, em tudo diferente aos que estava acostumado, temor que logo se desnuda no “junto”, uma vez que o animal tende a evoluir atrás de nós e a desconfiar de quem circula na sua retaguarda, parando e olhando amiúde para trás por insegurança, o que torna a obtenção do “junto” indutora e precursora do “quieto”. Para resolver este problema importa acostumá-lo ao movimento das pessoas, sugerir-lhe inversões do sentido de marcha (Roda/volta) para que entenda não correr perigo, pedindo depois aos viandantes que o acariciem para se acalmar e levar de vencida o medo que nutre por eles. Caso encontremos pessoas dispostas a ajudar-nos, podemos pedir a algumas delas que circulem ao redor do cão, que deverá ficar imobilizado e junto de nós, pedindo-lhes que circulem da sua frente para a retaguarda. A resposta afirmativa do animal levar-nos-á ao seu afastamento gradual e por mais tempo.
À medida que os dias vão passando, os procedimentos são repetidos e o local conhecido, o cão começa a sentir-se mais à vontade e a mostrar outra disposição, cumprindo sem maiores delongas todo e qualquer comando de imobilização. Caso o medo em relação às pessoas se mantenha, é de todo conveniente apresentá-lo a uma criança de 8 a 10 anos, que depois de o recompensar, circulará com ele num ou mais trajectos de curta distância, debaixo do nosso auxílio e supervisão. Proceder-se-á de igual modo com pessoas cuja apresentação ou comportamento lhe sejam suspeitas, normalmente deficientes, gente pouco cuidada ou portadores duma mímica pouco vista. Quando mais o cão andar na rua, mais depressa nela obedecerá.  

CORRER OU MARCHAR COM O SEU CÃO?

Permitam-nos contestar o exercício actualmente mais recomendado para donos e cães: Running with your dog, prática em voga por toda a parte, entendida como must e que pode reverter-se num grandessíssimo disparate. A prática da corrida conjunta irá exigir primeiro que donos e cães visitem os respectivos clínicos, para se aquilatar da saúde de ambos face ao exercício proposto, independentemente da idade de cada um. Cães e donos deverão fazer à priori um check-up anual, que lhes indicará estarem ou não em condições para a corrida. Não havendo riscos e contra-indicações, importa considerar a morfologia e biomecânica do cão, porque nem todos se prestam a correr de modo continuado, aumentando significativamente os seus ritmos vitais e estoirando-se precocemente, como vulgarmente acontece com os obesos, os privados de exercício diário, os portadores das diferentes displasias, os braquicéfalos, os cães miniatura, os bassetóides, os molossos acima dos 45 kg e os mais idosos, porque queiramos ou não, a trela ao ser um incómodo acabará por ser desprezada, perfazendo os cães mais quilómetros que os donos. Em simultâneo há que considerar a Estação do Ano e o horário da corrida, sabendo-se que ela não deverá ser efectuada nos dias e horas de maior calor, o que acontecer poderá perigar a saúde e a vida dos animais.
Nenhum grupo somático canino ou raça em particular se encontram apetrechados naturalmente para galopar distâncias acima de uma légua terrestre (5 km), havendo indivíduos de distintas raças caninas que abandonam o galope em distâncias inferiores aos 100m e outros que apenas o fazem em meia-dúzia de metros. Os cães são biologicamente maratonistas, ficando isso a dever-se ao seu carácter excursionista e territorial. Os domésticos, porque têm a comida à mão e não necessitam de caçar, também porque se encontram confinados, factores que os induzem à obesidade e ao encurtamento dos seus dias, são menos excursionistas que os selvagens, que chegam a defender e a inspeccionar territórios de caça entre os 15 e 50 km2 e a viverem para além dos 16 anos. Contudo, não o fazem a galope mas em marcha, porque doutra forma faltar-lhes-iam as forças para caçar durante o trajecto. Apesar do homem haver seleccionado e criado um grupo de cães próprio para as carreiras (lebréis), animais que facilmente transitam da imobilidade para o galope rápido, nenhum deles passa os seus dias a galopar continuamente e caso o fizessem, cadenciariam o galope e perderiam a requerida velocidade instantânea, pormenor que obriga os galgos a diferentes métodos de treino consoante se destinem a “corridas à pele”, às lebres mecânicas ou às naturais, actividades de alto risco que podem ser-lhes até fatais.
Se o andamento preferencial dos cães saudáveis é a marcha (andamento e velocidade de excursão), algo equivalente ao trote dos cavalos, que os dota da resistência inerente ao seu bem-estar, musculação e longevidade, pergunta-se: correr com eles para quê, uma vez que não desejamos estoirá-los? Há por aí muita gente que tenta erroneamente “rebentá-los” para que não façam disparates em casa ao invés de proceder à sua acertada coabitação e escalonamento social, valendo-se para isso de intermináveis correrias atrás duma bola ou doutro brinquedo, tolice que julga o exercício físico capaz de substituir ou preencher o viver social dos seus cães. E quando assim não fazem, valem-se de passadeiras mecânicas, jogam-nos em grandes espaços ou atrelam-nos a toda a sorte de veículos. A nosso ver, nada justifica correr com o cão a não ser o propósito de o induzir a entrar em marcha, andamento que o animal não pode dispensar a bem da sua saúde e que se compreende diante da incapacidade do dono em fazê-lo a andar ao seu lado, ligada ao seu despreparo físico ou à disparidade de tamanho entre ele ambos, quando o dono não tem “pernas para andar”, a passada do cão ultrapassa 120 cm ou sua cadência de marcha é por demais elevada. Correr com um cão miniatura, para além de desnecessário, é contraproducente, porque o cãozinho para acompanhar o dono terá de o fazer a galope e com facilidade entrará em marcha com o dono a andar sem qualquer esforço.
A experiência demonstrou-nos que uma jovem senhora de 1.55m, em boas condições físicas e disposição para isso, pode manter constante a capacidade de marcha de um Cão de Pastoral Alemão com 70cm de altura, pelo que qualquer indivíduo saudável poderá também fazê-lo! É salutar correr com o cão? É, desde que não se obrigue o animal ao galope constante e este tenha condições de acompanhar o seu dono em marcha. Isto significa que não devo consentir que o meu cão galope? De maneira nenhuma, porque este andamento é um dos andamentos naturais presentes nos cães que o usam quando necessário ou quando se sentem particularmente alegres. Quando o convidarei para o galope? Depois de convenientemente aquecido na marcha. A que velocidade média terei que andar para garantir a constância de marcha do meu cão? Se ele não ultrapassar os 75cm de altura basta deslocar-se a uma velocidade de 5 a 6 km/h (os cães miniatura exigem uma velocidade de 3km/h e por vezes até menos). Que distância deverei marchar com o meu cão diariamente para mantê-lo saudável? 5km diários para os cães médios e grandes, de 1.5 a 2km para os mais pequenos. Posso dividir essa distância em 2 percursos a horas diferentes? Pode e nalguns casos até é aconselhável.
Debaixo de que temperaturas deverei sair em excursão do meu cão? A temperatura ideal para isso deverá oscilar entre os 11 e os 23 graus celsius. Os cães acostumados aos climas mais frios podem fazê-lo entre os -2 e os 5º celsius e os acostumados aos climas setentrionais entre os 20 e os 28º celsius. Poderemos fazer a légua diária com temperaturas acima ou abaixo dos valores atrás indicados? Podemos, desde que os cães nasçam em ecossistemas com essas amplitudes térmicas ou tenham sido gradualmente preparados para isso. A partir de que idade encetarei a légua diária com o meu cão? Gradualmente, depois dele ter atingido a maturidade sexual (depois de fazer 7 meses de idade). Até lá, que distância deverei andar com ele diariamente? Dos 4 aos 7 meses vão de 1.5 a 3km, devendo os percursos ser subdivididos. Até que idade do cão deverei manter a légua diária? Basicamente até que o animal o faça sem esforço e mostre vontade para isso. Por norma, a partir dos 8 anos (nalguns casos a partir dos 6) reduz-se para metade a distância dos trajectos diários, mercê do estágio etário atravessado ou por força doutras debilidades (estamos a referir-nos aos cães “puros”, os filhos da selecção natural/rafeiros são mais longevos).
Garantindo a marcha do cão, o que será melhor: correr ou marchar com ele? Atendendo ao bem-estar do animal não subsiste nenhuma diferença que obste a qualquer das opções. Poderei fazer com ele mais do que uma légua diária? Poder, pode, mas não há necessidade disso, porque um cão acostumado à rotina da légua diária pode vir a bater distâncias esporádicas superiores aos 30km sem grande esforço. Normalmente quando se ultrapassa a légua diária assiste-se ao desinteresse do cão pela excursão, o que no caso dos mais submissos transforma-os inusitadamente em autómatos e menos solícitos. Porque devemos caminhar com ele uma légua diária? Porque abaixo dessa distância o cão dificilmente manterá a sua forma ou melhorá-la-á, não sofrendo por isso qualquer alteração benéfica. O que mais importa: pô-lo isoladamente a fazer a légua diária ou acompanhá-lo na excursão? O cão é um ser social e não dispensa o grupo, quando isolado tende à letargia e ao desinteresse, sentindo-se tal qual um escorraçado, pelo que adora partir à descoberta acompanhado e enquadrado, cabendo ao dono caminhar a seu lado para que se sinta útil e feliz.
Deverei mudar os trajectos de excursão? Sem dúvida! Mas nunca antes do animal ter sido aprovado nos anteriores. Quanto maior for a sua variabilidade, maior será também o interesse do cão pela excursão, desenvolverá e potenciará novas habilidades, tornar-se-á mais seguro e fortalecer-se-á no apego ao dono, seu líder e companheiro de jornada. Porque preferimos ordinariamente marchar ao invés de correr com os cães? Porque nos importa a sua salvaguarda, não queremos pôr em risco a integridade de terceiros, queremo-lo sempre o mais encostado a nós e apostamos na sua autonomia condicionada. À parte disto, ao marcharmos com o cão, poderemos fazê-lo por mais tempo e ganhamos saúde, temo-lo mais à mão, protegemo-lo e somos protegidos, desenvolvendo e ratificando a postura side by side que mais fortalece os vínculos binomiais e que leva à unidade por maior que seja o desafio.
Correr com os cães é óptimo pela evasão que transmite, mas marchar a seu lado ainda é melhor, porque o acompanhamento a par e passo fortalece quem marcha alinhado.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

UM EMAIL QUE DÁ QUE PENSAR!

Veio-nos parar à caixa de correio electrónico o seguinte email com a fotografia abaixo: “ A Alemanha foi colonialista, a França foi colonialista, a Inglaterra foi colonialista, a Holanda foi colonialista, a Espanha foi colonialista, a Itália foi colonialista, Portugal foi colonialista, mas só Portugal consegue que os povos dos países por onde andou se manifestem em massa. Sofram com as derrotas de Portugal como se fossem eles próprios os derrotados… vibrem com as vitórias de Portugal como se fossem eles próprios vencedores e gritem bem alto: Ganhámos! Ganhámos! Ganhámos! É por tudo isto, por sermos multiculturais, multirraciais, que esta “Europa da treta” não nos suporta…
Uma imagem que vale mil palavras – uma timorense a sofrer por Portugal em 2016, meio milénio após a primeira vela com a Cruz de Cristo ter alcançado o Mar de banda. E há quem diga que o Mundo Português já lá vai… Não vêem a vela bem acesa nestes olhos? Dizem que é apenas futebol! Não! É muito mais do que isso! É raiz ancestral, é passado vivo, é esperança no futuro. É o assumir de uma identidade incompreensivelmente bela e tensa. É o desejo do bem personificado na perfeição. Rainer Daehnhardt”. Este email foi-nos reenvidado por um amigo e julgamos ser da autoria do Dr. Rainer Daehnhardt, um coleccionar e historiador luso-alemão, perito em armaria antiga e descendente de diplomatas e militares alemães radicados em Portugal desde 1706.  

DUST: UM EXCELENTE LIVRO PARA A FAMÍLIA NESTAS FÉRIAS

“DUST” (poeira) é um livro em inglês corrente, didáctico e divertido, que narra a viagem da Família Burton com os seus dois cães pela Europa numa rulote (caravana), da autoria de Emma & Ozwena Burton, ainda que o último seja um Beagle e obviamente não saiba escrever, o que não impede que a obra seja feita na sua perspectiva, como se fosse o seu narrador. As aventuras e desventuras da Família Burton, assim como as dificuldades e peripécias encontradas pelos seus cães nos diferentes países europeus, com diversas leis e obrigações a eles relativas, servem de guia de viagem para quem se aventurar a fazer o mesmo na companhia dos seus “fiéis amigos”. “DUST” narra uma viagem de 25.000 km, que se estendeu desde o Círculo Árctico até ao Sul de Marrocos, no meio da qual o Beagle é sequestrado em Espanha, obrigado a tomar banho no Mar Adriático e acaba por cair dumas falésias em Portugal. Para além duma leitura agradável e útil, este livro presta-se de sobremaneira para “desenferrujar” o inglês dos pais e desenvolver o dos filhos neste Verão. Quem não conseguir comprar o livro ou não tenha como o adquirir, poderá ter-lhe acesso através do blogue beagleburton.wordpress.com. Também em www.dognews.co.uk há um sorteio dedicado aos leitores que promete entregar a dois deles um exemplar deste livro. Para aqueles que adoram cães, esta é a leitura que recomendamos neste Verão. Boas Férias. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

VERDADES E MENTIRAS

Houve tempos em que nos envolvíamos em polémicas intermináveis, quando achávamos que tínhamos razão e importava esclarecer. Hoje já não metemos nisso, porque compreendemos que apesar do nosso esforço, ainda há quem persista em ser cego. A mentira mais em voga relativa aos cães é que eles só são maus por causa dos donos, que a sua maldade resulta exclusivamente do tratamento de que são alvo e que geneticamente são uns anjinhos, como se não continuassem predadores, não carregassem impulsos inatos para tal, não fossem criados para o efeito e não fossem indivíduos e como tal, todos diferentes uns dos outros mesmo dentro da mesma raça. A contradizer tudo isto está o aumento da procura dos rafeiros e a prática recorrente à castração. E se há culpa humana a imputar, antes da condenação dos donos, importa culpabilizar também os criadores, por não saberem do seu ofício ou por seleccionarem deliberadamente cães para a desgraça. E se ainda restarem dúvidas, resta dizer que os cães mimados mordem mais donos que os privados dessas mordomias. E se a agressividade canina tivesse unicamente o peso ambiental como base jamais os cães seriam verdadeiramente agressivos, já que essa investidura, por falta de suporte, bem depressa cessaria. Por tudo isto somos simultaneamente contra e a favor da lei dos cães perigosos.
Somos contra a lei porque em todas as raças existem cães bons e maus e, somos a favor dela, porque sabemos que alguns são produzidos para causar dolo e que outros nascem “acidentalmente” assim. Nenhuma raça canina, quiçá também humana, é constituída exclusivamente por indivíduos dominantes e valentes, subsistindo em todas elas indivíduos diferentes que possibilitam o seu escalonamento social e por conseguinte a sua sobrevivência. Condenar uma raça é fácil e generalizar nunca foi difícil, porque as diferenças saltam à vista e bitolar indivíduos não requer grande esforço ou sabedoria. Mais do que na raça há que considerar os indivíduos, para não sermos surpreendidos como foi Megan Wright, uma canadiana de 37 anos, que em Outubro do ano passado foi atacada numa paragem de autocarro (ponto de ônibus) por um São Bernardo, que a perfurou onze vezes nas pernas e duas num cotovelo, vindo a ser suturada com mais de 40 pontos, a ficar com uma rótula fracturada e em risco de entrar em choque hipovolémico.
Assim como é mentira que todos os cães sejam bons, também não é verdade que todos os cães de determinada raça sejam maus. Há cães que são perigosos sem serem instigados para isso e cães que teriam todas as razões para serem assim e permanecem dóceis e submissos. Não se pode ignorar a genética nem tampouco o manuseamento humano presente na selecção canina, porque donde menos se espera pode o perigo espreitar.    

9 EM 1: UM VERDADEIRO 31!

Há momentos em que nos apetece sentar-nos numa esplanada, usufruir da sombra das árvores e beber uma bebida fresca, fugir ao calor e relaxar. Assim aconteceu comigo esta manhã. Quando me trouxeram a sacramental Coca-Cola e preparava-me para esticar as pernas e o pescoço, um cão miniatura, macho, chamado “Icx”, não castrado, não sociabilizado, sentado ao colo do dono, homem frágil e idoso, incapaz de o repreender, rosnava a tudo e a todos, não dando descanso a ninguém. Num ápice emborquei o copo e meio da bebida e zarpei dali, não sem antes ter dito ao dono: Amigo, esse seu cãozinho é um 9 em 1, um verdadeiro 31. Trinta e um, porquê? – Questionou o pobre homem atrapalhado. Como a criatura me pareceu simpática, decidi esclarecê-lo e justificar a minha afirmação.
“ Nº 1 – Os cães miniaturas são por norma irritadiços, ladram ou rosnam por insegurança e antes que os outros cães lhes façam o mesmo; nº 2 – como o seu cão é um macho, apesar de pequeno, é levado ao desafio pelo impulso inato à luta; nº 3 – o nome que lhe pôs é sibilante é presta-se a atiçá-lo; nº 4- o facto de não ser castrado torna-o mais aguerrido e beligerante; nº 5 – o Senhor devia tê-lo acostumado a brincar com outros cães desde tenra idade; nº 6 – o cão ao seu colo, ao sentir-se protegido, torna-se ainda mais agressivo e anti-social; nº 7 – falta-lhe saúde para o poder controlar eficazmente; nº 8 – o Senhor não sabe e não quer repreendê-lo; nº 9 – Rosnar do jeito que ele rosna é uma ameaça despudorada e provocação quanto baste para os outros cães! Espero que tenha compreendido quando lhe disse ser o seu cão um 9 em 1 - um verdadeiro 31!” – Disse-lhe eu. Quantos 9 em 1 teremos neste jardim à beira-mar plantado? Há que contar com eles!

segunda-feira, 11 de julho de 2016

“FOMOS SIMPLES COMO POMBAS, PRUDENTES COMO SERPENTES”

A Selecção Portuguesa de Futebol sagrou-se ontem campeã europeia da modalidade frente à sua congénere francesa em Paris, num jogo sofrido, pleno de contrariedades e dominado pelo sacrifício dos nossos jogadores, dirigidos por um homem de fé inquebrantável que sempre acreditou na vitória final, um lisboeta, engenheiro de formação, que disse dever à Grécia, onde foi também seleccionador nacional, o saber e experiência para ser um seleccionador e treinador melhor. Podemos não gostar de Fernando Santos, das suas opções e modelo de jogo, assim é o nosso caso, mas não podemos negar o seu valor estratégico e o espírito de unidade que conseguiu transmitir à nossa selecção. Católico convicto, viria a usar uma frase do Evangelho de Mateus (Mt.10.16) para definir a actuação da sua equipa: “… prudentes como serpentes, mas simples como pombas”. Portugal deve-lhe também e sem dúvida alguma a conquista deste troféu.
A vitória da Selecção Portuguesa de Futebol, mais do que um mero resultado desportivo, foi uma vitória para o País e para os portugueses espalhados pelo mundo inteiro, sendo-o também para as nações de língua oficial portuguesa, cujos cidadãos bem cedo demonstraram estar com a nossa selecção. A realização da fase final deste campeonato em França trouxe ao de cima o racismo cultural francês sobre os nossos emigrantes que ali lutam e trabalham por uma vida melhor, gente estigmatizada e simples que não baixa os braços e que vestiu as cores nacionais para apoiar a nossa equipa de futebol, acompanhando-a efusivamente em todas as suas deslocações, como se fosse Portugal que ali chegasse e passasse. Hoje, mercê da vitória alcançada pelos nossos futebolistas, sairá para o trabalho mais feliz, confiante e ainda mais orgulhosa de ser quem é - portuguesa!
Quanto ao jogo propriamente dito, com um critério de arbitragem particularmente largo, os nossos jogadores fizeram literalmente “das tripas coração”, mormente depois da saída forçada de Cristiano Ronaldo por lesão, vítima de um choque com o jogador franco-búlgaro Dimitri Payet, Payet que recebeu uma monumental ovação do público francês quando foi substituído aos 57 minutos!? Aconteceu em campo o que sempre acontece com os portugueses: quanto maior é a desgraça, mais se unem! Vimos no relvado uma equipa humilde, unida e esforçada, apostada em neutralizar a francesa e em alcançar a vitória, vitória alcançada por um marcador pouco provável: Éder. Portugal está de parabéns, queira Deus que consiga ultrapassar as suas dificuldades económicas, porque nem só de futebol vivem os portugueses!    

domingo, 10 de julho de 2016

SETE ANOS QUE ESPELHAM A VIDA

No próximo dia 27 deste mês esta fotografia irá fazer sete anos, nela podemos ver cinco personagens incontornáveis da nossa história que espelham o que a vida nos reserva neste mundo, num tempo em que tínhamos unicamente o céu como limite, frase que ostentávamos nas nossas t-shirts. A foto foi tirada do pequeno texto “O CÉU É O NOSSO LIMITE” de 27/07/2009. Nela podemos ver (da esquerda para a direita): o CPA Negro “Tot”, que continua entre nós; o Carlos Veríssimo, que já nos deixou (morreu); a Marina Veríssimo, que se formou em enfermagem e que muito emagreceu, um CPA lobeiro, que julgamos ser o “Pascoalito” e a Joana Moura ao alto, que cresceu e está a tirar Medicina. Assim é na vida também: uns continuam entre nós; outros partem; alguns alteram-se, doutros perdemos memória e poucos alcançam a sua vocação. Gratos aos que partiram, desejamos aos que continuam a concretização dos seus desejos e, ao olharmos para todos, a emoção leva-nos a dizer: Valeu a pena!

sábado, 9 de julho de 2016

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ DHOLE: UM CÃO DESCONHECIDO E POUCO VISTO, editado em 27/06/2016
3º _ LABRADOR: A MELHOR OPÇÃO ATÉ À PUBERDADE, editado em 27/12/2013
4º _ AZUL? SÓ SE FOR DE PRETO!, editado em 16/04/2015
5º _ AQUECIMENTO GLOBAL, LIVRE CIRCULAÇÃO E DIROFILARIOSE, editado em 07/07/2016
6º _ TREINÁ-LO OU MANDAR TREINÁ-LO?, editado em 06/07/2016
7º _ DETALHES SOBRE OS COMANDOS À DISTÂNCIA, editado em 07/07/2016
8º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
9º _  A TENTAÇÃO PELOS CÃES ORIENTAIS E O THAI RIDGEBACK, editado em 15/03/2014
10º _ READ IT A STORY: UMA NOVA TERAPIA, editado em 01/07/2016

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º França, 6º Espanha, 7º Itália, 8º Quénia, 9º Reino Unido e 10º Angola.

OS CÃES TAMBÉM SABEM QUE A OCASIÃO FAZ O LADRÃO

Vamos aos factos. A Dr.ª Juliane Kaminski (na foto baixo), professora do departamento de psicologia da Universidade de Portsmouth/England/UK, uma especialista nas raízes evolutivas da interacção social humana, ao abrigo de uma pesquisa, realizou uma série de experimentos com 42 cães e com o mesmo número de cadelas, todos eles com idades superior aos 12 meses, num quarto com condições de luz variada, onde proibiu aos referidos animais de comerem a comida à sua frente. Verificou-se que os cães violavam quatro vezes mais a ordem dada quando o quarto encontrava escuro, o que sugere terem em conta a perspectiva humana e entenderem não estar a ser vistos. Este foi o primeiro estudo que examinou a relação entre as diferentes intensidades de luz e as estratégias caninas para roubar comida. Kaminski diz ainda que os seres humanos atribuem frequentemente certas qualidades e emoções aos seres vivos, mas que tal ainda não foi totalmente comprovado pela ciência, muito embora os seus experimentos isso sugiram, ainda que não existem certezas absolutas que os cães tenham uma compreensão verdadeiramente flexível acerca da mente dos outros.
Eu não sei se a curiosidade que leva ao querer compreender pode ser considerada como inteligência, mas sei que essa curiosidade está presente nos cães (mais nuns que noutros), que eles têm “noção” do certo e do errado, que aprendem a chantagear os donos e que aproveitam a sua distracção para fazerem o que lhes dá na real gana, provirá tudo isso dos poucos instintos que transportam ou de alguma réstia de atavismo que teimam em não largar?  Como não sabemos, ficamos a aguardar nossos experimentos da Dr.ª Kaminski e doutros especialistas peritos na interacção entre homens e cães, apesar de quase jurarmos que os nossos fiéis amigos passam a vida a tentar ludibriar-nos e que sempre procuram ocasião para isso.