sexta-feira, 24 de junho de 2016

RAÇAS HÍBRIDAS DE LOBO: O QUE AS TORNA TÃO DIFERENTES

Porque razões os lobos parecem tão idênticos aos cães e são tão diferentes, nascendo uns para a autonomia e os outros para a cumplicidade, permanecendo os primeiros selvagens e os outros humano-dependentes? Simplesmente porque divergem nas suas primeiras experiências sensoriais e no período crítico da sociabilização. Quando se criam raças híbridas de cão com lobo, quer se queira quer não, os seus filhotes retornam parcialmente ao atavismo, apesar dos lobos que hoje utilizamos não serem os mesmos que deram origem aos cães, que hoje se julgam extintos mas que poderão estar a ser “reencarnados” com a hibridação que agora fazemos. Quem cria cães-lobo, ainda que a maioria dos seus criadores não o saiba, é obrigado a um imprinting com um calendário diferente e mais paciente, devido à presença do lobo que tudo altera e que acaba por comprometer o rendimento destes híbridos, o que equivale a dizer que um cão-lobo é tanto melhor quanto capaz for o seu criador. Para que melhor se compreenda o que acabámos de dizer, vamos sucintamente explicar as diferenças entre cães e lobos nas primeiras semanas de vida, realçando os aspectos sensoriais que dificultam a sua aprendizagem, sociabilização e bem-estar.
Até hoje tem-se cometido o erro de se avaliar o lobo tendo o cão como modelo, pressuposto não-científico que tem dificultado a sua compreensão, porque o lobo difere do seu parente doméstico logo nas primeiras semanas de vida, cuja primeira diferença reside na altura em que ambos começam a caminhar e a explorar, porque os lobos fazem-no logo às duas semanas de idade, quando ainda são cegos e surdos, guiados apenas pelo olfacto (os cachorros fazem-no mais tarde e só depois do contributo do olfacto, da visão e da audição), o que os leva a temer inicialmente o que vêem e ouvem quando finalmente podem usar a visão e audição, sofrendo nesses momentos verdadeiros e compreensíveis choques sensoriais. Logo desse tenra idade eles têm um comportamento diverso, porque enquanto os cachorros dormem e são incapazes de se levantar já os lobinhos andam activamente a explorar, a caminhar com boa coordenação de movimentos e a subir planos inclinados e até pequenas colinas.
Estas diferenças significativas colocam cachorros e lobinhos em trajectórias diferentes no que aos vínculos sociais e à sociabilização interespécies dizem respeito, incluindo-se aqui a sua relação com o homem, o que é simultaneamente importante para quem cria lobos em cativeiro e para quem se dedica à criação de cães-lobo, porque os últimos irão ser mais precoces quando comparados com os cães vulgares pela infusão de sangue lobo.
Para se perceber a importância do que acabámos de dizer e o cuidado a haver com os lobos e os seus híbridos, basta dizer que um cachorro entre as 4 e 8 semanas precisa de 90 minutos para se sociabilizar com um humano, um animal ou outra coisa, para depois deixar de ter medo do que lhe foi apresentado. Já o Lobinho irá necessitar de 24 horas às 3 semanas de idade para o mesmo efeito, apesar de ambos precisarem de mais tempo para um relacionamento mais sólido e profícuo.
Caso os criadores de lobos em cativeiro desejem sociabilizar-se com os filhotes ou sociabilizá-los, opções até aqui desconsideradas pelo respeito ao viver natural do Canis lupus, apesar da reintegração nos seus ancestrais terrenos de caça ser hoje quase impossível, deverão fazê-lo logo às 3 semanas de idade dos lobinhos, isto se tiverem condições para isso: se os pais e a alcateia deixarem. Já os criadores de híbridos não têm outra opção do que acompanhar e sociabilizar as ninhadas o mais cedo possível, exactamente quando os híbridos começarem a andar, porque a influência do lobo neles, mais do que na fisionomia (morfologia), é mais forte ao nível psicológico, particular que vem dificultando a sua sociabilização, aprendizagem e utilidade. Este saber e trabalho não têm vindo a ser observados, ainda que alguns por sensibilidade e palpite já houvessem lá chegado. Quem desejar saber mais detalhes deverá consultar o trabalho da bióloga evolucionária norte-americana Kathryn Lord, da Universidade de Massachusetts Amherst, editado actualmente na revista “Ethology”.  

quinta-feira, 23 de junho de 2016

NÓS POR CÁ: MICROFONE NO LAGO

Eu compreendo a atitude de Cristiano Ronaldo quando jogou o microfone dum locutor que o interpelou num lago ao redor, mas não a aprovo, porque há outras maneiras mais delicadas de dizer “não me aborreça e deixe-me em paz”, independentemente do jornalista ter furado a barreira de segurança ou não. Bem sei que há jornalistas maçadores, incómodos e intrometidos, que por vezes lembram abutres à volta de cadáveres, não lhes invejo a profissão, porque arrancar informação a quem não a quer dar deve ser o cabo dos trabalhos, e senão fossem eles, ainda seríamos mais enganados e espoliados, apesar de toda a informação que nos chega ser “filtrada”. Sem rodeios, Ronaldo comportou-se como um menino malcriado, bem que o poderia ter feito noutro lado, longe das câmaras e da camisola da Selecção Nacional, para que de alguma forma não comprometesse o bom-nome de Portugal e dos portugueses, muito embora não venha a ser punido pelo acto depois do último golo que marcou de calcanhar. Se fosse um político seria seguramente demitido e se fosse um cidadão comum seria condenado duas vezes: uma em praça pública e outra em juízo. Ao CR7 tudo parece permitido!
Dizem que o rapaz, que nos primeiros tempos granjeou o nome de “spaghetti boy” no M.United, resiste e é indiferente às provocações e assobios de que é alvo, que nessas circunstâncias ainda joga melhor. Depois de o ver a lançar o microfone para o lago e de ter falhado o penalti contra a Áustria, tenho sérias dúvidas que assim seja, como duvido que possua a maturidade necessária para ser capitão de equipa, equipa que joga para ele e que com ele se enterra, como se não lhe restasse outra opção. Quem tem coragem para o pôr a suplente, a ele e outros que já “não dão duas para a caixa”?
Já que é chegado a museus, deveria o “melhor jogador de futebol do mundo” comprar o microfone que jogou fora, uma vez que já foi “pescado”, e levá-lo para um dos seus museus junto com uma placa datada a dizer: “com este microfone envergonhei-me e envergonhei os portugueses”. É evidente que não o fará, é um futebolista e o “futebol é assim”, ainda que daqui a umas décadas, quando chegar o seu dia, venha a ser transladado para o Panteão Nacional, lugar destinado para os portugueses mais ilustres!

O futebol já não é o que era, foi-se o desporto e “o amor à camisola”, o jogo virou negócio e com ele veio a corrupção, que não afecta somente a arbitragem mas toda a sua estrutura de alto a baixo e todas as actividades relacionadas com ele, o que impede a verdade desportiva, porque não estamos a falar de boas maneiras mas de lucro e quando ele fala mais alto a trapaça é moeda de troca, já que todos procuram vantagem. O jogo perdeu a sua decência, já não são onze contra onze, os resultados alcançam-se fora do campo e joga quem tiver o agente mais influente, não os melhores. Quem realmente mandará na nossa selecção? Provavelmente quem não dá a cara e quem mais ganha com ela! O Ronaldo não tem o direito de se passar? Tem, mas também tem a obrigação de se saber comportar quando carrega o nome de Portugal às costas ou é seu embaixador.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

CÃES E ALFORRECAS TAMBÉM NÃO COMBINAM

Os donos de cachorros e cães com pé-de-lebre, sabendo que eles não têm clavículas, costumam passeá-los à beira do mar, onde a areia se encontra mais compactada, o que impede que se enterrem e com isso venham a sofrer duma eventual luxação do ombro, cuidado que os dignifica enquanto proprietários caninos responsáveis. Mas como não há bela sem senão, é também junto ao mar que se encontram alforrecas, que mesmo mortas causam alergias a quem lhes toca. Idênticos encontros poderão ter aqueles que costumam nadar com os seus cães no mar, porque com facilidade avistarão alforrecas (medusas, águas-vivas, mães d’água).
Diante desta possibilidade importa impedir que os cães lhes toquem, porque doutro modo poderão sofrer uma reacção alérgica, inesperada, pouco vista e violenta, bem pior que a sentida pelos seus donos, que tende a passar com a aplicação de urina ou vinagre. Dependendo da variedade e número de medusas tocadas, alguns cães poderão apresentar feridas abertas e purulentas, como as que contraiu recentemente um Fox Terrier numa praia galesa (Saundersfoot, Pembrokershire), imediatamente após o contacto com algumas alforrecas, segundo fez saber o “Mirror” on-line. A fotografia seguinte reporta-se a esse cão e às lesões que sofreu.
Os cães de pêlo curto e os de pelo crespo sem sub-pêlo encontram-se mais expostos às picadas das alforrecas que os lanosos ou de pêlo duplo, pelo que o particular do manto dos cães é um dos factores a considerar na escolha dos destinados ao salvamento no mar. Caso o seu cão seja indevidamente picado por uma alforreca leve-o de imediato ao veterinário para que prontamente seja assistido e medicado e a sua recuperação seja mais célere. Também não o deixe comer areia da praia nas estâncias balneares atlânticas, porque muitos navios lavam ilegalmente os seus porões ao largo e os seus detritos acabam depositados nas areias, sendo alguns altamente tóxicos e fatais para os cães.

terça-feira, 21 de junho de 2016

MAU TEMPO PARA LÁ DO CANAL: “ALABAMA ROT”

O Canal é o inglês, dito da Mancha para o vulgo, cuja passagem mais estreita vai dar aos rochedos de Dover, símbolo da insularidade e nacionalidade britânicas. O mau tempo é para os cães daquelas paragens, agora fustigados pelo “Alabama Rot”, uma infecção fúngica mortal, doença misteriosa que surgiu primeiro nos galgos da América e já disseminada desde 2012 por 27 municípios de Inglaterra e do País de Gales.
Até à presente data já foram confirmados 78 casos, sendo 14 registados nos primeiros quatro meses deste ano. A doença, que só afectou os galgos na América, na Grã-Bretanha não escolhe raça, sexo ou idade (a Joana que se cuide com o Radar). De momento não há nenhum tratamento específico para esta maleita, cuja causa ou causas são desconhecidas e o comum tratamento de suporte só teve sucesso entre 20 a 30% dos afectados, restando evitar o contágio nas áreas afectadas ou afastar-se delas, o que numa ilha não é tarefa fácil. A doença está identificada como “idiopathic cutaneous and renal glomerular vasculopathy (CRGV)” (peçam ao vosso veterinário assistente que troque isto por miúdos e vos adiante qual a designação em português).
O seu primeiro sinal manifesta-se numa ferida na pele, que geralmente fica vermelha, mais comum abaixo dos joelhos e dos jarretes, acompanhada por um inchaço característico como se duma úlcera se tratasse. Os veterinários britânicos continuam as investigações e a fazer o mapeamento das zonas endémicas, para além de porem à disposição dos interessados um guia muito útil disponível on-line, onde indicam os locais já confirmados com a presença da doença e dão pistas para a identificação dos seus sinais (sintomas).
E como em matéria de cães temos mau tempo no Canal, avisam-se os galgueiros e os demais importadores de cães a não importarem animais das Ilhas Britânicas (desconhecemos ao momento qual o parecer e esclarecimentos dados pelo Ministério da Agricultura e Pescas e pela Direcção Geral de Veterinária), muito embora isso pouco adiante para quem os importou depois de 2012. E como um mal nunca vem só, depois da “Encefalopatia Espongiforme Bovina” (Doença das Vacas Loucas) chega-nos também da Grã-Bretanha o “Alabama Rot”. Não obstante, ainda há quem continue a dizer que é de Espanha que “não vem bom vento nem bom casamento”. Tanto para o bem quanto para o mal, dificilmente uma ilha sobreviverá sozinha, por isso aguardamos com rara expectativa qual o parecer do povo britânico acerca da sua continuidade ou não na União Europeia e isto sem pensar nos reflexos que a eventual saída da Inglaterra terá para os muitos emigrantes portugueses que ali vivem. Pode ser que venha um vento de feição, capaz de colar Dover a Bruxelas e trazer Londres atrás, já exausta de tanto navegar à bolina.

“E, COMO NÃO MORDIA ÀS TÍMIDAS CRIANÇAS, AS CRIANÇAS CORRIAM-NO À PEDRADA”

O título deste artigo foi extraído do poema “FIEL” de Guerra Junqueiro (1850-1923), um poeta que vale a pena redescobrir e que parece remetido para empoeiradas e esquecidas antologias da literatura portuguesa, um transmontano como tantos outros que confinou num corpo a sua enorme grandeza de alma, visível em versos simultaneamente ingénuos e profundos, duma candura que não esconde a inquietude de quem observa, vive e sente. Ler Junqueiro é um regresso a casa, é fechar a porta da rua e abrir uma janela para os sentidos, uma viagem para dentro de nós e para os ancestrais valores que nos erigiram, um despertar para a liberdade e um banho de nacionalidade que se estendeu e perde por todo o mundo. Com o calor que aí vem, a brisa fresca dos seus versos vem mesmo a calhar, pelo que aconselhamos a sua leitura.
Com esta estrofe introduzimos o tema de hoje sobre o relacionamento entre as crianças e os cães, nem sempre fácil, passível de riscos e por isso mesmo necessitado de regras, visando a salvaguarda duns e doutros, muitas vezes postas em causa pela ingenuidade de pais e donos que, deslumbrados pelo quadro, não antevêem o perigo desses relacionamentos extemporâneos visíveis por toda a parte.
Importa dizer que os cães de terapia e de conforto são-no pelo seu particular psicológico e objecto de treino aturado, que as suas acções e reacções são mecânicas pelo condicionamento efectuado, muito embora não se livrem do stress provocado por esses serviços comunitários, uma vez que a sua estrutura e escalonamento social biológico não abrangem gratuitamente um número tão grande de indivíduos e muito menos completamente desconhecidos, comportando-se grande número deles de modo passivo, interagindo somente mediante exercícios supostamente do seu agrado, por convite ou indução dos seus treinadores. Nenhum cão gosta de ser abraçado, mesmo pelo próprio dono, a mímica que adquirem disso dá mostras e quando abalroados por estranhos sentem-se ainda mais vulneráveis, obrigados a pertencer a outro grupo que não é o seu e que não escolheram, aceitando essa sorte pelo apego, dependência e condicionamento relativos aos seus líderes, ainda que estes digam exactamente o contrário, o que se compreende diante do carácter da sua missão. E cães de terapia e conforto, porque são raros, não saltaricam pelas ruas como praga de gafanhotos em searas, sobrando ao invés pelas calçadas cães necessitados de escola e de boas maneiras.
Todas as crianças deverão familiarizar-se e sociabilizar-se com os cães, porque eles estão cá e são cada vez mais, para que vençam o medo e não se constituam em suas presas ou vítimas. Porém, essa necessidade pedagógica, tornada obrigatória nos tempos que correm pela proliferação destes animais, deverá considerar o tipo de cão que temos pela frente (o seu tamanho, envergadura, energia e comportamento) e o particular da criança (idade, grau de autonomia, destreza, senso de responsabilidade e comportamento), porque doutro modo as nossas intenções poderão atentar contra o seu desejável propósito e gerar traumas infantis de difícil eliminação.
Já perdemos a conta ao número de vezes em que vimos crianças embaraçadas em trelas, atiradas ao chão, mordiscadas, mordidas, feridas, perseguidas, espoliadas do seu alimento e brinquedos, tudo por culpa dos pais, a quem cabe zelar pela salvaguarda, segurança e bem-estar dos filhos, gente descuidada e mais ligada à angelologia que insiste em ver os cães como arcanjos, serafins e querubins, vendo-os depois como demónios diante de qualquer percalço, porque deixaram avançar as crianças sozinhas para cima dos cães, muitas vezes até sem os seus donos se aperceberem disso.
Muitas das escaramuças havidas entre crianças e cães resultam de comportamentos abusivos dos infantes, que por estranheza, medo, desejo de domínio ou maldade, agridem os cães a pontapé, varapau ou à pedrada, havendo outros que inconsciente ou deliberadamente enfiam-lhes os dedos nos olhos, puxam-lhes as orelhas, língua, manto e cauda, merecendo dos animais uma ou mais dentadas de defesa pela dor e mal-estar causados. Sim, “há garotos levados do diabo”, cujo comportamento não lesa só os cães e que mais envergonha os pais diante dos outros, postura que tende a agravar-se e a perpetuar-se caso não venha a ser denunciada, contrariada e abandonada.
Assim como os cães necessitam de ensino e normas para aprenderem a respeitar as crianças, também estas deverão ser ensinadas a comportar-se adequadamente diante dos cães, ensino que é da responsabilidade dos seus progenitores e demais família, que uma vez assimilado reduzirá quase a zero a possibilidade de virem a ser mordidas pelos seus cães e por aqueles que encontram nas ruas. Seguidamente enumeraremos os procedimentos correctos para um pai que circula na via pública com uma criança pequena pela mão (de 2 a 5 anos de idade) e que avista um cão, oportunidade que deseja aproveitar para sociabilizar a criança com aquele animal e outros iguais.
A sociabilização da criança com o cão jamais deverá ser forçada, deverá acontecer naturalmente como parte do seu quotidiano, pelo que mais vale circular ao redor do cão do que parar e obrigar à sua apresentação. Tudo deverá acontecer gradualmente porque a familiarização e o tempo concorrem para a almejada sociabilização (assim acontecia no mundo rural). Se ao avistar o cão, a criança manifestar algum tipo de receio, pegue-a ao colo e serene-a, caminhe primeiro ao redor do cão para que ela se aperceba da inexistência de perigo, numa distância que impeça o empoleirar do animal sobre ambos, o que a acontecer poderia assustá-la.
Caso a criança não se alarme ou manifeste o desejo de tocar no cão, inquira do comportamento do animal e peça autorização ao dono, sugerindo-lhe que o mantenha quieto. Baixe-se depois com a criança e tome a iniciativa de acariciar o animal, estratégia que lhe dará um conhecimento mais tangente das características do cão e que aumentará os níveis de confiança da criança. Não a force a tocar no animal, porque a adaptação das crianças não é automática, terá mais dias para isso e importa a cada dia o seu ganho. Ensine-lhe como acariciar o cão e desperte nela o gosto pela companhia do animal. De início dê preferência a cães mais pequenos e ajuizados, geralmente conduzidos por senhoras e gente madura. Pouco a pouco vá-lhe ensinando as salutares regras de convivência entre pessoas e cães, baseadas no respeito pelos animais, coisa mais simples do que ensinar-lhe a andar de bicicleta.
A maior parte dos acidentes entre cães e crianças acontecem entre os seis anos e a chegada da puberdade dos infantes, ocasião em que já são mais autónomos, gozam de relativo senso de responsabilidade, prestam-se à descoberta e andam ávidos de novos desafios, convencendo-se de que tudo lhes é possível, inclusive enganar os pais. É neste escalão etário que encontramos os apedrejadores de que Guerra Junqueiro falava e os sacristas capazes de causar grande dolo aos cães, pelo que convém que aprendam a comportar-se correctamente e a respeitar os animais, ensino que deverá ser efectuado em paralelo com os conteúdos de ensino escolares, porque já sabem o que é certo e o que é errado, ainda que se façam de distraídos, desentendidos, descuidados ou inocentes.
À falta de irmãos, continuamos a defender a entrega de um cão a uma criança como um dos melhores subsídios para a sua futura integração social. Entretanto, não leve o seu filho para o meio de cães quando estiver a comer ou quando eles estiverem a comer, não consinta que corra à frente deles, que os provoque ou maltrate, ensine-o como abordá-los correctamente e a pedir autorização para acariciar os alheios, alertando-o para o facto de nem todos os cães serem bons e de haver donos ainda piores. Ensinar o seu filho a lidar com os cães é subsidiar a sua sobrevivência e despertá-lo para os prazeres simples da vida que a natureza a todos oferece. 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O SOLSTÍCIO DE VERÃO E OS CÃES

Hoje é o dia mais longo do ano no Hemisfério Norte. O Solstício de Verão chega às 23H34, sendo acompanhado pela Lua Cheia de Junho, ocorrência que se repete de 70 em 70 anos (o meu pai assistiu ao anterior e eu, como muitos, já não verei o próximo). O Verão começa hoje e com ele aumentam o desterro, o abandono e a morte dos cães, porque os seus donos vão de férias e os cães para o hotel canino, para a casa de alguns parentes ou entregues aos cuidados de um vizinho. O hábito de ir de férias no Verão tem sido fatal para os cães, cujo abandono aumenta consideravelmente nesta época do ano. E como muitos depois de caçados irão parar aos canis terminais municipais, a esmagadora maioria deles será votada à injecção letal.
Entendemos nós que as efemérides que comemoramos internacionalmente não deveriam ter dias fixos, mas ser celebradas naqueles onde a sua relevância faria mais sentido e surtiria maior efeito, pelo que o Dia do Animal em Portugal deveria ser comemorado no primeiro dia do Verão. Desejamos “boas férias” para quem parte e damos os parabéns àqueles que levam os seus cães consigo.

PROCURÁ-LO COM OS DENTES CERRADOS

Há momentos na vida de um adestrador em que é obrigado “a fazer das tripas coração”, porque determinado cão é por demais agressivo ou apresenta sérias dificuldades de aprendizagem ou o dono só complica, alturas em que avança para o animal contrariado e com os dentes cerrados, ainda que não o demonstre pela calma empregue e disfarçado pelo apego aos procedimentos. Nem todos os dias são bons, há outros que correm mal, quando ao invés de levar para casa as vitórias esperadas, apesar do seu esforço, não consegue atingir as metas e objectivos propostos.
A vida não é o que esperamos, somente o que suportamos para nos apossarmos dela, um conjunto de privações que ao serem assumidas garantem o prémio procurado. Nunca teremos tudo mas sempre teremos mais, porque não fomos como os loucos, que tudo querendo e não se dispondo, nada alcançam e só se lamentam, ainda que no final sobre para todos uma mão cheia de nada! Para que valerá tanta luta e labuta? Valerá a pena lutar? Sim, enquanto a vida for o melhor dos bens, pois nascemos para empreender e não somente para nos reproduzirmos e desaparecer. As dificuldades que encontramos visam melhorar a nossa capacidade de resolução e prestam-se ao bem-estar e progresso colectivos, pois todos viemos para servir e o adestrador não escapa à regra.
Assim, não lhe cabe desistir de um cão ou desprezar o seu dono, compadecer-se de si mesmo ou julgar-se ausente de dons, arranjar desculpas para sua incompetência ou deixar para nunca mais a solução dos problemas, porque ao fazê-lo mais realça a impropriedade da sua prestação e o despreparo para o serviço. Pegar num cão com os dentes cerrados, contrariado, é uma desonestidade para o dono e uma violência para o cão, que antevendo o esforço e não a cumplicidade, mais aumentará a sua suspeita e resistência.
O adestrador está cá para resolver, para se entregar ao trabalho e não esmorecer. Os seus dons, substantivo que tanto na sua forma singular como na plural detestamos usar, vêm-lhe do apego ao conhecimento, do conhecimento erudito, da experiência e da capacidade de sacrifício, predicados que ao aumentarem o engenho dispensam as desculpas, libertam-no da autocomiseração e levam-no à solução. É na disponibilidade oriunda da capacidade de sacrifício que os adestradores diferem gradativamente, porque tanto na cinotecnia como na vida nada se alcança sem esforço. Do mesmo modo que os poetas carecem de inspiração, nenhum adestrador vingará sem capacidade de sacrifício.  

sábado, 18 de junho de 2016

TSEACHTAIN HÉIREANN

A frase acima é a tradução de “semana irlandesa” para a língua que se fala no Éire para além da inglesa, atendendo a que esta semana tivemos mais de uma dúzia de leitores irlandeses, leitores esporádicos que quando aparecem fazem-no maciçamente. O número de leitores de Taiwan tem sofrido um aumento considerável nas últimas oito semanas, sucedendo o mesmo com o número de leitores vietnamitas. Novidade que nos apraz salientar é quando recebemos visitas dos países muçulmanos e a novidade desta semana veio Egipto. Depois de sete anos de publicações poucos são os países no mundo que ainda não nos deram visitantes, facto que nos agrada e incentiva a continuar. O número de leitores portugueses aumentou para o dobro e desejamos que muitos mais nos visitem. Obrigado a todos, desejamos continuar a merecer o vosso interesse e a corresponder às vossas expectativas.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º_ ALERTA VÍBORA: PROCEDIMENTOS ESCOLARES E DOMÉSTICOS, editado em 28/01/2010
3º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010
4º _ EU QUERIA UM PASTOR ALEMÃO, DE PREFERÊNCIA TODO PRETO!, 05/06/2010
5º _ NUNCA OUVI LADRAR O MEU PASTOR ALEMÃO NEGRO, editado em 17/10/2013
6º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
7º _ GIVE ME A GOOD REASON PLEASE, editado em 15/06/2016
8º _ O ESTRANHO ANÚNCIO DOS PASTORES ALEMÃES CASTANHOS, editado 26/04/2013
9º _ “X” DE JARRETE DE VACA, editado 25/07/2011
10º _ ZEUS UM AZUL QUE PROMETE, editado em 23/05/2016

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte preferência:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Alemanha, 6º Irlanda, 7º Ucrânia, 8º Espanha, 9º França e 10º Taiwan.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

CÃES DE CONFORTO NA TERRA DOS ETERNOS COWBOYS

Depois do famigerado massacre que aconteceu no bar gay “Pulse”, em Orlando na Florida/USA, acontecido no passado Domingo, perpetrado por um tal de Omar Mateen, que acabou morto pela Polícia mas que levou consigo 50 e deixou feridos 53, foram enviados para aquela Cidade 12 Golden Retrievers, designados por “Comfort Dogs”, propriedade dos Charities Lutheran Church, com sede em Northbrook/Illinois, para confortarem ou ajudarem a prestar conforto a algumas das vítimas do ataque, às famílias dos mortos e aos trabalhadores da emergência médica, bem como a qualquer pessoa daquela Cidade necessitada de algum carinho canino após o tiroteio mais mortal da história norte-americana. Estes cães têm a particularidade, pela segurança que oferecem, quiçá também por não falarem e nada exigirem em troca, de fazer “baixar a guarda” das vítimas e familiares envolvidos em acontecimentos destes, levando-os a expressar a sua vulnerabilidade naqueles momentos difíceis, sendo literalmente “amigos para agarrar e desabafar - confessores de ocasião”.
Bem sabemos do orgulho justificado que os norte-americanos têm pelos seus pioneiros mas não estará já na altura de acabar com coboiadas destas e de restringir a venda e o uso das armas de fogo, que se compram ali como quem compra “peanuts”? Quando é que a América compreenderá que é melhor evitar que lamentar, garantir a vida ao invés de celebrar exéquias solenes? O dinheiro não é a mola-real de todas as coisas mas o fim apressado para muitos inocentes. Para além das condolências, o que tem o Governo dos Estados Unidos para dar às mães que diariamente perdem os filhos e aos filhos que perdem os pais desta triste maneira? O que valerá mais: um americano vivo ou um americano morto? E se entretanto as coisas não mudarem, a criação e treino de cães de conforto virá a ser a indústria mais florescente da América, até porque já hoje não têm mãos a medir! 

O CÃO PARA CIRURGIAS DA SYNDAVER LABS

A SynDaver Labs é uma empresa especializada em tecidos e órgãos do corpo humano, sediada em Tampa, na Florida/USA. Recentemente produziu um cão sintético com tecidos, nervos, ossos, artérias e sangue para ser usado nas cirurgias pelos pelos estudantes de medicina veterinária, uma réplica que reproduz fielmente os verdadeiros e que é feita de sal, fibra e água, uma criação que irá salvar a vida a muitos cães, usualmente mortos por serem animais de rua e que acabam nas mesas de estudo. Pondo de parte as questões éticas e morais, o cão sintético apresenta outra vantagem considerável quando comparado com os autênticos, porque ao contrário deles encontra-se “fresco” e não congelado, congelamento que altera os tecidos e a sua reacção, o que reveste o seu uso de maior realismo.
O cão sintético custa 2 500€, suporta entre 35 a 40 intervenções cirúrgicas, no seu contrato de assistência consta que pode ser reparado vezes sem conta, já tem 25 interessados à espera e brevemente vai passar a ser usado em Gainesville por estudantes da Escola de Veterinária da Universidade da Florida. Se hoje se fez um cão, amanhã far-se-á um gato ou outro animal qualquer! O avanço técnico-científico é tal que enquanto dormimos surge uma novidade no outro lado do mundo. Há que estar atento para não se ser ultrapassado!   

SER OU NÃO SER OTÁRIO EM ONTÁRIO

Não queremos roubar a ideia da jornalista portuguesa Conceição Lino ao fazer o programa televisivo “E SE FOSSE CONSIGO?”, somente dar a conhecer o que aconteceu num parque de estacionamento junto à Praia de Grand Bend, na Província de Ontário/Canadá, episódio que se repete por cá vezes sem conta. Ademais, vários tablóides de língua inglesa com edições on-line fazem a mesma pergunta que lançamos agora aos nossos leitores. No local atrás citado, com a temperatura a marcar 30º celsius, dentro de um BMW topo de gama, um pequeno cão em superaquecimento, via-se aflito com o calor, respirando dificilmente pela nesga duma janela que lhe deixaram aberta. Um transeunte, provavelmente um veraneante ou banhista, reparou no pobre cão e esperou durante algum tempo pelo regresso dos seus donos, apoquentado que estava com a situação crítica em que o animal se encontrava. Como os donos do infeliz tardavam em chegar, o homem não foi de modas, não conseguindo abrir a viatura pela janela, pegou numa pedra e rebentou um dos vidros daquele belo carro, saltando de lá o cão agradecido. Momentos depois, que não conseguimos precisar, os donos do animal apareceram e este foi-lhes entregue.
Esta situação não é novidade aqui e é possível que se repita indevidamente pelos quatro cantos do Mundo. Provavelmente algum de nós irá deparar-se com um caso idêntico neste Verão, com um cão em aflição a “fritar” dentro de um carro. Na impossibilidade de contactar ou encontrar os seus donos como procederia? Chamava a Polícia? Rebentava com a janela? Convidava outros a fazê-lo? Jogava água lá para dentro ou simplesmente virava as costas para evitar outras complicações e não incorrer em crime? A pergunta é pertinente diante da realidade que nos cerca. E como cada um é como cada qual não adiantamos o nosso parecer, muito embora soubéssemos como proceder. Não obstante e não querendo com isso influenciar a sua decisão, mais de 95% dos inquiridos preferia rebentar com a janela e incorrer em crime, colocando a vida do animal à frente dos danos causados a terceiros. Apesar de haver quem não hesite, dá que pensar! 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

TVT: O CANCRO TRANSMISSÍVEL CANINO QUE TRANSPORTÁMOS PELOS MARES

O TVT (Tumor Venéreo Transmissível), entendido na língua inglesa por CTVT (Canine Transmissible Venereal Tumour), é um tumor venéreo transmissível, também designado por “Tumor de Sticker” ou “Linfossarcoma de Sticker”, um cancro contagioso, maligno, de células redondas que ataca especialmente os órgão genitais exteriores dos cães, podendo com menor frequência aparecer na cavidade oral, pavilhão auditivo, baço, rins, fígado, pulmões, globo ocular, região anal, pele, faringe, encéfalo e ovários, muito embora a ocorrência de metástases seja rara. Segundo se sabe até ao momento, não apresenta predisposição racial ou sexual. Aparece com mais frequência nos cães cuja idade propicia maior actividade sexual e onde a população canina não é objecto de maior controlo epidemiológico, sendo uma neoplasia transmitida pelo coito entre os cães. A sua localização acontece comummente nas mucosas dos órgãos genitais caninos, mais frequentemente no pénis e prepúcio dos machos e na vulva e vagina das fêmeas.
Recentemente, uma equipa internacional chefiada por investigadores da Universidade de Cambridge/UK, através do estudo do ADN das mitocôndrias, fez saber que este tipo de cancro surgiu há 11 000 anos atrás num único indivíduo canino, sobrevivendo à sua morte e estendendo-se a outros cães, sendo a linhagem mais antiga de cancro presente na natureza e hoje disseminado em populações caninas de 39 países de todos os Continentes, resultando essa expansão do transporte de cães, por via marítima, pelos descobridores e conquistadores europeus dos novos mundos, maioritariamente espanhóis, portugueses, ingleses e holandeses (ex: Cortez conquistou o México ajudado por Mastins espanhóis). Ainda que um ramo da árvore evolutiva TVT pareça haver-se espalhado a partir da Rússia e da China há 1.000 anos atrás, só chegou às Américas provavelmente nos últimos 500 anos, o que sugere que ele foi levado para ali por colonizadores do Velho Continente (nem tudo foram rosas na globalização que encetámos!).
O presente estudo, publicado na revista “eLife”, para além de descortinar algo mais sobre a história dos cães, servirá de embrião para futuras investigações, podendo subsidiar, dar pistas e ajudar na compreensão dos tumores que se espalham pela transferência de células cancerígenas vivas, principalmente pelo acasalamento através do “roubo” do ADN do seu anfitrião, como é o caso do TVT. Aguardam-se novos estudos, conclusões e revelações.

VERÃO SIM, LESÕES NÃO!

Por estranho que pareça, é na época estival que os cães apresentam mais problemas e correm maiores riscos, devido ao calor, fauna e flora desta Estação do Ano, altura em que andam mais ao ar livre e se vêem sujeitos a inúmeras feridas e lesões, quando acompanham os seus donos por toda a parte. Uma das mais frequentes é a queimadura das suas almofadas plantares, lesão causada pela alta temperatura dos pisos que pisam, alguns deles tão quentes que sem dificuldade poderíamos estrelar neles um ou mais ovos, lesão dolorosa que leva os cães a coxear e que facilmente poderia ser evitada caso soubéssemos como proceder. Apostados no bem-estar do seu cão, adiantaremos a seguir algumas medidas preventivas que evitarão o surgimento deste tipo de lesão, típica do Verão e também do Inverno, quando debaixo de temperaturas negativas, na presença neve ou de superfícies geladas.
O primeiro cuidado a observar no Verão é o horário das saídas com o seu cão, que deverão acontecer entre as 7 e as 10 horas da manhã e/ou depois das 19. O piso em que se deslocarão também deverá ser considerado, dando-se preferência aos cobertos de erva e evitando-se os revestidos a asfalto. Cuidado com areia das praias, porque também ela pode provocar esta lesão, particularmente quando o cão ali permanece por horas infindas ou é convidado amiúde para grandes correrias (o cão na praia deverá correr apenas junto ao mar, onde a areia está fresca e compactada pela água).
Na impossibilidade de se evitarem os pisos de asfalto, convém aquilatar da sua temperatura, valendo-nos para isso da nossa palma da mão, que colocaremos sobre aquele piso. Caso não suportemos a sua temperatura durante 5 segundos, é mais do que certo que o cão irá ficar com as almofadas queimadas e sem o seu revestimento uniforme. Cães e despesas sempre andaram de mãos dadas e cuidar de um cão custa dinheiro (parece que já todos nos apercebemos disso). Os adestradores experientes e competentes sempre aconselham o uso de cera ou de um gel protector para as patas dos seus instruendos caninos no Verão, quer estejam em treino ou vão de férias, produtos à venda no mercado e de resultados comprovados, normalmente utilizados pelo pessoal do mushing, requerido por quem vai habitualmente para a neve com os seus cães ou anda com eles por todo o lado (aconselhamos o mesmo).
Sempre fomos adeptos do uso de botas nos cães quanto tal se torna imperativo, nomeadamente no Inverno e no Verão, nas operações de busca, salvamento e resgate sobre superfícies cortantes, espinhosas ou alagadas por produtos químicos e/ou corrosivos. As botas à disposição dos nossos cães para o efeito são moderadamente acessíveis, anatómicas, cómodas e fáceis de aplicar, nada iguais às do passado, na diferença que vai entre um sapato-luva e um tamanco. É evidente que os cães carecem de se habituar a elas, trabalho escolar ou doméstico que deverá acontecer nas estações intermédias (Primavera e Outono). Assim, à falta de outras opções, aconselhamos o uso de protectores palmares nos pisos de asfalto (nos trajectos mais curtos aconselhamos a cera ou o gel protector, nos mais longos as botas protectoras).
Como gostaríamos que mais proprietários caninos lessem este artigo, para evitar que mais cães venham a padecer desta lesão dolorosa e inibidora. Leve o seu cão para a praia e para o campo, caminhem lado a lado por vales e montanhas, mas não se esqueça de lhe proteger as patas. Faça sua a máxima: Verão sim, lesões não!