quinta-feira, 16 de junho de 2016

RUBICK: O COCKER SPANIEL QUE QUERIA FALAR

Sempre que saio à rua com o CPA Black, para além do incómodo de o sujeitar às múltiplas carícias alheias, alguém surge a contar uma história ou estória de um cão que já teve. Desta vez ouvimos a do “Rubick”, um Cocker Spaniel negro, apoquentado por hérnias, “que só lhe faltava falar” e cuja dona entendia como ninguém, uma senhora agora septuagenária, obesa, extrovertida, doente oncológica e apostada em se fazer ouvir. Segundo ela, o Rubick era um animal pouco visto e de uma inteligência extraordinária, ávido de se fazer entender e interagindo de forma notável. Para que não restassem dúvidas e para comprovar o que havia dito, a dona contou-nos três episódios protagonizados pelo Cocker que seguidamente adiantamos para os nossos leitores: o da chucha, o da ida ao veterinário e o do telefone.
Quando os netos da dita senhora eram bebés e passavam horas aos seus cuidados, o Rubick roubava-lhes as chuchas e ia para a cama dele sugá-las, como se de outro bebé se tratasse. Como haviam passado pela boca do cão, eram imediatamente jogadas no lixo. Farta de deitar dinheiro à rua, porque o cão não desistia dos seus intentos, optou por comprar-lhe uma chucha, oferta que o Cocker muito apreciou e nunca mais largou, desistindo das outras que não lhe pertenciam.
Sempre que as hérnias o apoquentavam e as dores não lhe davam descanso, dirigia-se à mesinha do telefone, ali permanecia e começava a ganir, como que a dizer prá dona “liga para o veterinário!” Quando finalmente a via pegar na agenda e depois no telefone, o cão deixava de ganir e corria para a porta de casa desejoso de ser socorrido. “Ele não falava mas fazia-se entender” – disse-nos a senhora.
Como era muito apegado à dona, sempre ficava a ganir quando ela saía de casa, não o fazendo somente quando a via sair com a mala na mão rumo à escola onde leccionava, o que obrigava a pobre senhora, sempre que precisava de sair, a fazê-lo com aquela mala. Como em certos dias o Rubick carregava os seus brinquedos para junto da mesinha do telefone e noutros não, a dona suspeitou que ele lhe estava a dar algum recado. Disposta a desfazer o equívoco, decidiu sair de casa com a mala na mão, dirigiu-se ao café mais perto e ligou para a sua residência. Ao chegar a casa viu três bonecos junto ao telefone e compreendeu que o cão lhe “estava a dizer” que alguém lhe havia telefonado naqueles dias!
História ou estória? A senhora não nos pareceu alterada, senil, alienada ou mentirosa. Que há cães assim, há... e quem os teve jamais se esquece deles! 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

NÓS POR CÁ: “ ANSIEDADE DO PRIMEIRO JOGO ACABOU POR NOS PREJUDICAR"

Não somos treinadores de bancada, não largamos tudo pelo futebol e não perdemos tempo com discussões clubistas, mas quando se trata da Selecção Portuguesa de Futebol não ficamos e não podemos ficar indiferentes pelo que representa para os portugueses daquém e além-fronteiras. O Eng.º Fernando Santos, Treinador e Seleccionador Nacional, no final do jogo frente à Islândia, que resultou num inesperado empate a uma bola, encontro inaugural da Selecção Portuguesa na fase final do Campeonato Europeu, adiantou que a “ansiedade do primeiro jogo acabou por nos prejudicar”. De futebol pouco ou nada entendemos mas a ansiedade toca-nos a todos. Desconhecemos se a nossa Selecção tem um ou mais psicólogos que lhe valham (diríamos que não) mas sabemos que a ansiedade tende a desaparecer pela aquisição dos automatismos, pois não são só os cães que possuem uma memória mecânica, os homens também a têm e num jogo com aquelas características ela é fundamental.
Ao dizer isto, ainda que eventualmente não se desse conta, o bom do homem atribuiu para si as culpas daquele resultado, porque o treino tende a preparar os indivíduos para as possíveis situações que irão encontrar, ainda mais que os islandeses não tinham outra forma de jogar a não ser à bruta, tirando partido da sua maior envergadura e força física. Todos sabemos que a ansiedade depressa contagia um grupo mas é obrigação de quem o dirige proceder ao reparo ou à substituição imediata dos elementos que a fomentam, particular que o engenheiro tardiamente reparou. Ninguém duvida que Fernando Santos devolveu à nossa Selecção a alegria de jogar, mas exige-se-lhe em simultâneo que transmita e faça respeitar o seu modelo de jogo e rigor táctico, que foi aquilo que não se viu na toada do “pontapé para a frente” e de um meio-campo adormecido e perplexo. Uma vez que assumiu as culpas, espera-se que no próximo encontro contra a Áustria, que se realizará Sábado em Paris, no Parque dos Príncipes, o nosso Treinador não cometa os mesmos erros, pois errar é humano mas fazê-lo por sistema é estultice.   

GIVE ME A GOOD REASON PLEASE

Os cães continuam incompreensivelmente a matar crianças nas Ilhas Britânicas e não compreendemos porquê. Até hoje ninguém nos deu uma razão válida que justifique a posse de cães com grande potência de mordedura a não ser o facto de “gostarem” deles, o que é subjectivo e de pouca ou nenhuma explicação. Não temos preconceitos contra o Pit Bull, o Staffordshire Terrier e outros cães agora considerados unanimemente como altamente perigosos, porque sabemos que são treináveis, já os treinámos e grande número deles surpreendeu-nos pela positiva. Mas se não temos preconceitos contra eles, o mesmo não se pode dizer em relação aos seus donos, primeiros responsáveis pela sua escolha e educação. Chocados com o que se passa por esse mundo fora, decidimos empreender um estudo sobre os proprietários destes cães, interpelando todos os que connosco se cruzaram durante 2 meses, num total de 152 pessoas, número a que somámos os 27 binómios que treinámos, o que perfaz um total de 179 indivíduos de ambos os sexos, sendo 170 do género masculino e 9 do género feminino.
Todos os entrevistados negaram ter aqueles cães para causar dolo a alguém e todos se confessaram apaixonados por aquelas raças, porque as acham “fixes”, meigas, dedicadas e cúmplices dos seus donos, apesar de 90% deles ter um cão destes pela 1ª vez. Enquanto 85% dos inquiridos procurou um cão assim, 15% adquiriram-nos por oferta (nalguns casos quase por imposição). O grupo etário mais numeroso destes proprietários caninos tem idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos (85), logo seguido pelo grupo dos 25 aos 35 anos (79). Dos 35 aos 45 anos encontrámos 11 proprietários e dos 45 aos 55 somente 4. Não encontrámos nenhum dono destes com idade superior aos 55 anos. Todos os cães, de ambos os sexos, tinham mais de 10 meses de idade e quando inquirimos se haviam sido objecto de algum tipo de treino convencional, apenas 36 frequentam ou haviam frequentado uma escola canina, ainda que 1/6 deles tivessem sido coagido a isso.
Quando lhes perguntámos se costumavam circular com os seus cães atrelados e com açaime, segundo as disposições legais em vigor, apesar de não havermos encontrado nenhum que as estivesse a cumprir na íntegra, 8 deles responderam afirmativamente. Todos se mostraram revoltados contra o uso do açaime e 106 costumam soltar os seus cães nos espaços públicos, maioritariamente à noite, caso ninguém proteste e a polícia não esteja por perto.
Inquiridos depois sobre a sociabilização dos seus cães com outros, 117 adiantaram que os seus pupilos têm tendência para “se armar em parvos”, apresentando dificuldades em brincar com outros cães, perseguindo-os e lutando pela posse dos brinquedos, mesmo que não sejam os seus. Quanto à animosidade contra pessoas, apenas 5 confirmaram essa tendência nos seus cães, apesar de 15 acharem que os seus fiéis amigos são ciumentos e por demais zelosos dos pertences dos donos. Quanto ao relacionamento dos cães com as crianças, 60% nunca tiveram essa experiência, 30% afirmaram que é satisfatório e 10% não confiam nos cães para tanto. 53 dos inquiridos disse fomentar o aumento da potência de mandíbula dos animais. Para que as entrevistas reflectissem a verdade e não a conveniência, não nos identificámos e dissemo-nos proprietários de um pequeno Pit Bull que nos foi oferecido, que queríamos saber mais sobre a raça e que andávamos por ali a buscar conhecimento e conselhos, estratégia bastante para todos se sentirem à vontade e falarem sem reservas.
Feitas as contas, dos proprietários de Pit Bull, de Staffordshire e seus mestiços que entrevistámos, 95% foram homens e 5% mulheres. 90% não tiveram experiência prévia com cães dessas raças; 85% procurou intencionalmente um cão assim; os adolescentes e os jovens adultos são quem mais os procura (91%); apenas 20% dos cães foram objecto de ensino, incluindo-se nestes aqueles que foram coagidos ao processo pedagógico; 90.7% dos donos não cumpre integralmente com as disposições legais; 59% solta os cães nos espaços públicos; 65% destes cães apresentam problemas de sociabilização entre iguais; 11% mostram hostilidade aos humanos; 30% relacionam-se bem com crianças e 29% são convidados sistematicamente a potenciar a sua força de mordedura. Adianta-se ainda que 20% dos cães eram castrados e 50% estavam descritos como rafeiros (sem raça definida) no seu cartão de identificação. Estes resultados foram obtidos em três Concelhos dos arredores de Lisboa, cujos resultados eleitorais costumam ser iguais aos nacionais.
Diante destes dados e doutros que ainda não mencionámos, o condutor médio de pitt bulls e staffordshires nos arrabaldes de Lisboa pertence ao género masculino, é nacional, solteiro, tem entre 15 e 35 anos, é estudante ou tem um emprego precário, procurou intencionalmente um cão com essas características pela 1ª vez, não pensa educá-lo, não cumpre voluntária e assiduamente as disposições legais em vigor, solta o seu cão assim que pode, não opera a sua sociabilização, não pensa castrá-lo e geralmente tem-no identificado como rafeiro. Apesar do panorama ser pouco animador, o caso inglês é mais grave que o nosso, pese embora o maior peso da castração por lá, que pelos vistos, dependendo da idade em que é feita, de pouco ou nada adianta. Se aqui não temos o número de vítimas (feridos e mortos) que vem ocorrendo na Grã-Bretanha, tal se deve à brandura do nosso Povo, a uma legislação mais dura e à afincada fiscalização das forças da ordem (GNR e PSP), a quem coube um papel dissuasor determinante, pondo inclusive cobro às lutas de cães, à sua indústria e negócio.
O perfil do comum proprietário inglês destes cães é diverso do português (dizemos isto através dos casos que vêm a público e das notícias que nos chegam através de amigos ali residentes), porque a sua posse não se restringe aos solteiros, distribui-se por gente de todas as idades, é histórica e não extemporânea, sendo estes cães considerados próprios para as famílias, o que esporadicamente resulta na agressão e morte de crianças e adultos, como foi o caso da menina Molly-Mae Wotherspoon, de seis meses de idade, agora levado a tribunal em Northampton, cuja mãe tinha em casa um American Pit Bull que despedaçou esta criança até à morte, o que infelizmente não é tão raro suceder no Reino Unido. A posse de Pit Bulls e seus híbridos ali remete-se na sua maioria a pessoas urbanas de baixo extracto social, rudimentares de cultura e hábitos, de alguma forma mal enraizadas na sociedade, instáveis e algumas delas a viver em bairros problemáticos, no que não diferem dos portugueses com igual preferência (sobram miseráveis, alienados e pobres de espírito por todo o lado).
Tanto lá como cá, os proprietários de Pit Bulls sentem-se descriminados, descriminação que a nosso ver mais se deve a eles mesmos do que à população que os rodeia, porque optaram por cães de luta, passíveis de causar grande dolo e até mortes, intimidando justificadamente quem com eles se cruza ou é obrigado a coabitar. Se o seu objectivo não é o de intimidar e causar vítimas, pergunta-se: porque não os treinam convenientemente, não apostam na sua sociabilização, não castram os mais agressivos e não cumprem com as leis em vigor? Não será a falta destas condições que mais contribuirá para o mau nome destes cães? Não temos nada, mesmo nada, contra aqueles que os educam, controlam eficazmente, sociabilizam e cumprem com as disposições legais! Quem assim não procede, jamais conseguirá esconder o desejo subjacente de causar mal aos outros, até porque se há um cão meigo e amigo de fazer a vontade aos donos, o Pit Bull é certamente um deles!
Bem sabemos que nem todos nascemos líderes, que muitos de nós apresentam sérias dificuldades em liderar, que a valentia, a robustez, a clarividência, a destreza e o sangue-frio não sobram para todos. E se assim é, como poderá qualquer um controlar um cão instintivamente agressivo, há muito seleccionado para isso, robusto e com grande potência de mordedura? Poderão dormir descansados os demais cidadãos e os outros proprietários caninos?
Como ainda não descobrimos nada que um cão de luta tenha que os outros não tenham ou outro propósito para que houvesse sido criado, também não conseguimos descortinar uma razão válida para a sua preferência, sendo obrigados a pensar que há gente que procura deliberadamente cães maus, quiçá pelo mau conselho da idade (imaturidade), por candura, por desaguisados sociais e psicológicos, por revolta e necessidade de afirmação ou a braços com patologias de vária ordem, incluindo-se nelas o desejo de fazer mal (malvadez). Sonhar é bom, desde que não nos afaste da realidade e se transforme num pesadelo para os outros. Enquanto seres sociais responsáveis somos obrigados a pensar e tudo fazer pelo bem-estar do grupo onde estamos inseridos e, adquirir um cão de luta, dificilmente se prestará a esse propósito, a menos que venhamos a descobrir um fim útil e universal para as suas características peculiares.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

RARAMENTE TÊM SORTE, ESTE TEVE E MUITA!

Chama-se Bobby, é um Cocker Spaniel, tem 2 anos de idade, caiu num velho poço profundo, há muito abandonado e não sinalizado, passou lá 2 semanas meio submerso e foi resgatado na passada Quinta-feira com vida, apesar de desidratado e esfomeado. O episódio ocorreu em Norfolk/England e o cão foi resgatado por uma equipa de especialistas em escalada. Segundo se consta, o Bobby foi dar uma volta com um amigo de família, sumiu-se dum momento para o outro e sem deixar rasto. Felizmente uns habitantes das redondezas ouviram-no ladrar, dando-lhe água e comida por um balde que desceram à corda. Tudo acabou em bem e os seus donos não cabiam de alegria quando o reencontraram (happy ending).
Este Cocker teve muita sorte, porque a maioria dos cães que cai em poços escondidos no meio da vegetação acaba exausta, afogada e sem socorro. Assim sucedeu há uns anos com um cão nosso, um Rottweiler chamado Roger, que caiu num poço sem muro, escondido no meio de silvas altas. Quando for para o campo com o seu cão, em terras outrora cultivadas ou em aldeias abandonadas, conserve-o sempre debaixo de olho e não o deixe afastar demasiado, porque ambos não sabem aquilo que os espera. Como a sorte poucos contempla, importa estar precavido. O Bobby teve-a mas o seu cão poderá não tê-la. Levar um cão para o campo é óptimo mas há que fazê-lo debaixo de rara atenção e com o máximo de segurança.

TERÃO OS CÃES OS DIAS CONTADOS?

Fomos nós que criámos os cães e só nós poderemos acabar com eles. O uso milenar e tradicional dos cães (pastoreio e caça) há muito que está a ser abandonado, porque os lobos estão em vias de extinção, os rebanhos de transumância estão a acabar, a actividade cinegética está a ser bastante contestada e os direitos das espécies são cada vez mais respeitados. Sobram os “pets”, também eles com a sobrevivência ameaçada, porque nas sociedades mais evoluídas a taxa de natalidade é diminuta e cresce o número de idosos. Para agravar a situação, é a classe média que cria, compra e vende cães, extracto social que mais sofre e paga a factura das sucessivas crises económicas que ciclicamente afectam as sociedades ocidentais e democráticas. E, como é do conhecimento geral, os cães não são um produto de primeira necessidade, constituindo-se em praga os que são abandonados, que por força do seu número acabarão castrados. No meio de tudo isto, ainda não arranjámos e não sabemos se algum dia arranjaremos solução para a fome mundial.
Apesar de poucos darem por isso, o número de cães está baixar nas sociedades actuais, decréscimo associado ao seu particular demográfico e etário, porque as populações não crescem como anteriormente e o número de idosos não cessa de aumentar, gente que muitas vezes não tem como sustentar cães e que quando os tem é assolada pela dúvida: e… se meu cão me sobreviver, quem cuidará dele? Dúvida, temor e razão que impedem muitos de procurarem a companhia de um cão (o que é verdade para os cães é-o também para os gatos).
O particular das famílias actuais está também a contribuir há já algum tempo para o fenómeno, atendendo aos sucessivos divórcios e desenlaces, porque essas separações acabam por levar, quando os há, ao descarte dos cães, geralmente entregues a um amigo que ao primeiro problema se livrará deles, remetidos para o abandono e na melhor das hipóteses para um abrigo de animais, onde a sua castração é condição primordial. Como a maioria dos jovens casais não pensa ter filhos, substituem-nos normalmente por cães. Caso venham a ser pais e a coabitação entre os filhos e os animais se tornar difícil, insustentável, conflituosa ou perigosa, os cães irão ser postos no “olho da rua”! Conhecedores dos problemas alheios e não querendo passar pelos mesmos “assados”, muitos casais jovens resistem à adopção ou compra de cachorros.
 Na célebre política forçada de “vão-se os anéis, ficam os dedos”, os cães de raça de pouca ou nenhuma utilidade, particularmente os de raça grande porque são mais dispendiosos, exigem mais espaço e exercício diário, acabarão com pouca ou nenhuma procura, dados ou vendidos a um preço simbólico e os reprodutores arredados da reprodução, até ao alcance de melhores dias. Além disto e é cada vez mais frequente, quando morre um cão numa casa dificilmente virá a ser substituído por outro. Convém dizer que este problema não se circunscreve apenas a Portugal, que a crise económica é global e que a procura de cães é menor um pouco por toda a parte.
Todavia, não será para breve que só veremos cães numa “Quinta Temática” ao lado dos burros e doutros animais domésticos, porque a utilidade dos cães e só ela os fará sobreviver ao nosso lado, o que implica em dizer que deverão ser seleccionados e treinados para os diferentes serviços que não os dispensam e onde os seus préstimos são reconhecidos, pois a era dos cães de luxo está a chegar ao seu crepúsculo. E se porventura não se extinguir de vez, não serão os cidadãos que se levantam de manhã para trabalhar que os reclamarão ou passearão.
Deixámos aqui este alerta e apontámos a solução para o problema, não porque sejamos profetas ou adivinhos mas porque a presença dos cães ao nosso lado sempre resultou da sua utilidade e isso desde os confins da história (tudo leva a crer que antes dela, quando os homens ainda não haviam descoberto a escrita). Os cães de terapia, os guias, os auxiliares, os de resgate e salvamento continuarão, os policiais e os de guerra todos desejamos que não, pois seria sinal de que a humanidade teria aprendido com os seus erros e abraçado de vez a fraternidade. A verdade é esta: criar cães sem propósito é um despropósito que nem aos cães serve! 

LADRONES DE CACA

Vamos primeiro aos factos. A Câmara Municipal de Torrelodones, município noroeste da Comunidade de Madrid, a 29 km da Capital Espanhola, tem levado a cabo uma campanha de sensibilização junto dos seus munícipes proprietários de cães, no intuito de os alertar para a apanha dos dejectos dos seus animais deixados na via pública. Estima-se naquele município que ¼ da sua população tem um ou mais cães e que diariamente cerca de 15 000 dejectos ficam “plantados” nas suas artérias, passeios e parques.
Como parte dessa campanha, a referida Câmara colocou um cocó insuflável gigante com 3 metros de altura numa praça, no sentido de alertar e sensibilizar a população prevaricadora, convidando a população a fotografá-lo como divulgação e reforço da campanha encetada. E como há gente para tudo, o “cocó insuflável” acabou por ser esvaziado e roubado, pesando mesmo assim 30 kg.
O Vereador camarário Angel Guirao fixou perplexo e chocado com o sucedido, estando convencido que tal acto se tratou duma brincadeira de mau gosto e que o insuflável acabará devolvido. Será que “esos ladrones de caca” o quererão usar como colchão de praia ou aproveitá-lo como toldo? Não sabemos. Contudo, andam a brincar com coisas sérias! E para que ninguém se fique a rir, se por acaso houvesse vontade ou razão para isso, adianta-se que também aqui se faz o mesmo, havendo quem arranque os postes que avisam da circulação obrigatória dos cães à trela e da remoção dos seus dejectos. Não deverão a saúde pública e o bem-estar das populações ser considerados? Os badalhocos e os marginais dizem que não! 

domingo, 12 de junho de 2016

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ O MELHOR QUE LEVO DESTA VIDA (COM OS CÃES), editado em 04/06/2016
2º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
3º _ OS VÍRUS, OS LOBBIES E AS DOENÇAS TÍPICAS DA RAÇA, editado em 17/05/2016
4º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
5º _ O AZEITE PRÀS CARRAÇAS, editado em 15/06/2011
6º _ O HÁBITO DAS PORTAS COM DUAS GATEIRAS, editado em 08/06/2016
7º _ OS JEEPS E OS BRACOS, editado em 08/06/2016
8º _ EU QUERIA UM PASTOR ALEMÃO, DE PREFERÊNCIA TODO PRETO! editado em 05/06/2010
9º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
10º _ LOBISOMENS HUMANOS, FELINOS E CANINOS, editado em 09/06/2016

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Alemanha, 4º Estados Unidos, 5º Reino Unido, 6º Ucrânia, 7º Moçambique, 8º França, 9º Quénia e 10º Vietname.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

10 DE JUNHO: DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

O dia 10 de Junho, altura em que celebramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, é uma data que sempre me emocionou, engasga-se-me um nó na garganta pela gratidão, orgulho e alegria que sinto por ser português: grato porque a nação me aperfilhou, orgulhoso do seu povo, língua e história, e alegre porque vivo em paz e em liberdade. Depois do que disse, nada mais tenho a acrescentar, quem é português entende-me e quem não é fica a entender-me! 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

APROVEITE O VERÃO E DÊ A PRENDA CERTA AO SEU CÃO

Os cães do passado não tiveram tanta sorte como os do presente, porque tiveram que tirar da garra o engenho que faltou aos seus donos. Os tempos mudaram e o ensino canino tornou-se mais fácil, não apenas pela mudança de métodos mas também pela novidade e utilidade dos acessórios que temos hoje à nossa disposição. Debaixo da onda de calor que se faz sentir e que deve continuar (oxalá assim continue porque estamos às portas no Verão) os cães saudáveis aumentam em média ¼ da sua frequência respiratória e os braquicéfalos, obesos, doentes e idosos quase que a duplicam. Nada melhor que ir ao encontro das suas necessidades, levá-los para sítios frescos e arejados, convidando-os a refrescar-se e aproveitando a ocasião para os ensinar a nadar, porque, contrariamente ao que muita gente pensa, nem todos sabem fazê-lo correctamente (com as quatro patas abaixo da linha de água).
Antigamente quem se propunha a tal ensino via-se a braços com a aflição dos animais, que inicialmente nadavam desesperados “em rosca”, batendo somente as mãos e rodopiando em torno de si mesmos até à exaustão, o que obrigava os donos a puxá-los pela trela, para devidamente aprenderem a usar a cauda e os membros posteriores. A resistência inicial dos cães ao exercício advinha do medo de se afogarem que os fazia entrar em pânico.
Hoje esse trabalho encontra-se facilitado para os donos e não é traumático para os animais, graças a uns coletes flutuantes próprios para a iniciação à natação, que permitem a flutuação dos cães, tornando a tarefa menos traumática aos seus olhos e induzindo-os ao uso dos posteriores. Há-os para todos os tamanhos e das mais variadas cores. Estes coletes, também usados pelos cães de salvamento dentro de água, são anatómicos, de fácil aplicação e resistentes – a prenda certa para o seu cão neste Verão, permitindo ainda que os animais permaneçam dentro de água por mais tempo sem se cansarem. Como têm uma pega superior, a introdução à água é feita horizontalmente e não a pique, vantagem que deve ser considerada (não vendemos coletes).
A prática da natação canina, para além de ser um dos exercícios indispensáveis à salvaguarda dos cães (também dos donos e de terceiros), oferece-lhes todo um conjunto de mais-valias relacionadas com os benefícios da hidroterapia e o recurso aos coletes torna-os acessíveis a cães de todas as idades, melhorando os seus ritmos vitais, desempenho, locomoção e musculação, sendo também próprios para os convalescentes e necessitados da fisioterapia que a natação tem para dar. Em águas de forte rebentação e correntes fortes, nomeadamente no mar, os coletes podem estabelecer a diferença entre a vida e a morte dos animais, ao impedir que se afundem.
Importa salientar que os cães que aprendem a nadar com coletes flutuantes depressa nadam com e sem eles. Para rematar apetece-nos dizer: adeus mundo cruel, porque o trabalho dos adestradores é agora menos árduo e mais profícuo. Aulas de introdução à natação? Venham elas e os coletes também!

LOBISOMENS HUMANOS, FELINOS E CANINOS

Apesar de andarmos já fartos dos lobisomens hollywoodescos, versões optimizadas, andróginas e híbridas do nosso imaginário popular, a ideia da sua existência e presença não desaparecerá para breve, porque rende rios de dinheiro, há quem não dispense o medo e trema diante da sua própria sombra, quem se apaixone e embriague pelo sobrenatural e quem faça dele o seu cavalo de batalha para amedrontar os outros, usando-o para explicar o inexplicável e como meio para dominar sobre os demais, à falta doutros predicados ou condições. É na Beira Baixa que esta crença e imaginário se encontram mais enraizados entre nós, talvez pela sua geografia e isolamento, quiçá também pela miscigenação sanguínea, cultural e mística de visigodos, árabes e judeus nos seus povoados (já Alexandre Herculano falava da presença de “lobisomens” no imaginário daquelas paragens).
É bem possível que a cultura greco-romana, que Roma nos trouxe pelo peso das armas, tenha dado novo impulso a antigas crenças celtas e celtiberas há muito presentes na Península. De qualquer modo, muitos de nós são supersticiosos e dados a aceitar manifestações sobrenaturais. Assim, se os beirões do interior e os transmontanos têm os lobisomens, os outros nortenhos são dados a almas do outro mundo (almas penadas), os do centro-sul a aparições e os sulistas agarram-se a lendas e maldições, sendo todos presa fácil para os tradicionais bruxos e para os modernos curandeiros, que continuam a engordar a olhos vistos - uma “profissão” com futuro, mais para os primeiros do que para os últimos, que há algum tempo entrarem em descrédito.
O Lobisomem português, produto do nosso imaginário colectivo e endémico da Beira Baixa, descrito no Séc. XIX por Alexandre Herculano, é um pobre homem que se despe em qualquer caminho durante a noite, principalmente nas encruzilhadas, onde depois de dar cinco voltas, acaba por se espojar no lugar onde um animal fez o mesmo, adquirindo depois disso a figura do pré-espojado. Mostra aversão a caminhos e ruas iluminadas, soltando assopros e assobios para que apaguem as luzes, não fazendo mal a ninguém. Apesar do termo indicar uma criatura humano-lupina, vários etnógrafos adiantam que estas pobres criaturas podem ainda adquirir a fisionomia ou traços de cavalo, burro e até de bode por volta da meia-noite.
 Só conhecemos um homem tido como lobisomem e identificado como tal pela restante população, um cobrador de uma agência de viação, que saía em determinadas noites do mês para parte incerta, regressando a casa ao raiar do dia, dizendo ter ido para Peniche e cuja mulher lhe virava a roupa do avesso no dia seguinte, na esperança de diminuir a ocorrência daqueles episódios e as suas consequências. Do ponto de vista clínico, a licantropia é um distúrbio psiquiátrico associado ao transtorno do senso de identidade própria, despoletado por transtornos afectivos e pela esquizofrenia na tentativa de expressar emoções suprimidas, vulgarmente de índole agressiva ou sexual que levam à aquisição de posturas doutros animais, mormente a lupina. A psicoterapia e a aplicação de fármacos neurolépticos têm-se mostrado eficazes no combate ao distúrbio (o seu psiquiatra ou psicólogo dar-lhe-ão explicações simultaneamente mais simples e detalhadas).
Se o lobisomem humano não o é por vontade própria mas dominado pelo distúrbio da licantropia, sendo por isso mesmo um psicopata, gente que à partida se julga saudável, acabou voluntariamente por criar e seleccionar um gato conhecido como “Gato-Lobisomem” (Werewolf Cat), o Lykoi, nome que em grego significa “lobos”, que é feio como trinta, maioritariamente negro, semi careca, pouco visto e quase desconhecido, aproveitando-se duma mutação natural ocorrida no gato doméstico de pelo curto, proeza que teve a sua origem em Vonore, no Tennessee/US. Este gato de aspecto fantasmagórico é muito raro, daí ser notícia quando aparece algum num sítio improvável, como aconteceu no passado dia 23 de Maio, num jardim público da Cidade do Cabo/África do Sul. Conhecemos acidentalmente há algumas décadas atrás um indivíduo, que julgamos não ser caso único e de quem duvidámos da sua saúde mental, que se divertia a cortar a cauda e as orelhas aos gatinhos recém-nascidos que encontrava, no intuito de assustar os seus vizinhos e restante população das redondezas, uma vez que os animais mutilados, por serem tão estranhos e diabólicos de aspecto, horrorizavam e repugnavam quem os avistava (hoje em dia ainda há quem associe, estupidamente, os gatos negros a bruxas, bruxarias e mau agoiro).
A crença do lobisomem não pode ser dissociada da ancestral e tristemente folclórica história do lobo-mau, que tem vindo a condenar a sobrevivência do lobo ao longo de milénios, enquanto predador  associado ao castigo e à chacina, apesar de ser um animal capaz de interagir com os humanos sem maiores dificuldades. A mitologia grega também contribuiu para a desgraça através de várias lendas, sendo a de “Licaón” a mais conhecida, quando Zeus o transforma em lobisomem. Como curiosidade adianta-se que o nome científico atribuído ao Mabeco (cão selvagem africano) é “Lycaon Pictus”. Debaixo do mesmo medo e despropósito, e infelizmente com o mesmo desfecho, se alcunhou o canídeo marsupial da Ilha australiana da Tasmânia de “Diabo” ou “Demónio da Tasmânia” (Sarcophilus harrisii), hoje à beira da extinção.
Mas irá ser na canicultura que a lenda do lobisomem ganhará maior peso e melhor encarnará, quer pela hibridação directa com o lobo (regresso ao atavismo) quer pela procura de raças mais ferozes, agressivas, punitivas, dolosas e até letais, usadas até à presente data como cães de guerra, policiais, de guarda e de luta, a partir de alterações morfológicas alcançadas pela selecção humana à revelia da natural, associadas a uma maior territorialidade e força de mordedura, à potenciação de instintos e de certos impulsos inatos. Ao fazê-lo, criámos autênticos lobisomens, porque juntámos à carga instintiva canina procurada a maldade fratricida presente nos homens, fusão e constituição que o tempo e treino possibilitam, ambição que nalguns casos pouco ou nada se distancia do que vulgarmente entendemos por “terrorismo doméstico” (a prová-lo estão as disposições legais relativas aos cães perigosos adoptadas no mundo ocidental e a morte de pessoas que vai ocorrendo um pouco por toda a parte). Com a lenda viva, o medo instalado e a besta encarnada, certos cães são vistos por muitos como autênticos diabos à solta - verdadeiros lobisomens devoradores, ainda que na maior parte dos casos jamais o sejam, tal é força que o medo tem quando se apossa de nós!
Acabar com a lenda na canicultura irá exigir o esforço simultâneo de criadores e cinófobos, cabendo aos primeiros alterar os seus critérios de selecção e aos segundos levar de vencida o seu pavor, o que não é uma tarefa fácil mas que é urgente e necessária. Ao longo destes sete anos, temos apelado aos criadores de cães para que optem pela potenciação do impulso ao conhecimento nos seus cães, tornando-o dominante sobre os demais, pormenor que os tornará mais fiáveis e menos instintivos, facilitará o seu controlo e enriquecerá o seu uso. Oxalá nos tenham dado ouvidos e assim continuem a proceder. Ao mesmo tempo, temos incentivado aqueles que têm medo de cães a familiarizarem gradualmente com eles, particularmente as crianças, aconselhando a todos que se desloquem às escolas caninas para o efeito, esforço que os isentará amanhã de virem a ser mordidos e de se constituírem em presas. Temos também aconselhado a aquisição de um cachorro como animal de companhia preferencial para as crianças, sabendo dos benefícios para os infantes dessa interacção, que vão muito para além da desejável familiarização entre homens e cães.
Estamos cá para dar caça ao medo infundado e encontrar solução para ele, não tememos lobisomens de espécie nenhuma, ao invés sempre os lamentámos e temos-lhes dó: os humanos porque são doentes, os felinos porque são vítimas da aberração humana e os caninos porque mais certo ou mais tarde acabarão abatidos. E entre a ficção e a realidade, mais nos importa ter imaginação para engrandecer os momentos que a vida nos dá, transmitindo aos que nos acompanham momentos únicos e inolvidáveis. Atentar para lendas? Só quando as insónias nos atacam e precisamos de enganar o cérebro para voltarmos a adormecer!
PS: Há quem conte carneiros!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

ABATIDA A DOIS MESES DE COMPLETAR 17 ANOS

Foi abatida ontem, a dois meses de completar o seu 17º aniversário, a cadela Golden Retriever “Bretagne”, a última sobrevivente conhecida até àquele momento, dos 300 cães de salvamento que participaram no resgate das vítimas do atentado do 11 de Setembro de 2001, ocorrido em New York City. A decisão do seu abate coube à sua amiga e condutora de sempre, a Denise Corliss, que conhecedora dos seus problemas, insuficiências e dificuldade em alimentar-se, optou e bem por mandar abatê-la no Hospital Veterinário Fairfield em Cypress/ Texas/US.
Tanto à entrada como à saída daquela unidade hospitalar médico-veterinária, onde entrou pelo seu próprio pé e saiu coberta pela bandeira norte-americana, a “Bretagne” teve direito a guarda de honra, honras que lhe foram prestadas por elementos do Texas Task Force 1 e do Cy-Fair Fire Department, como reconhecimento do seu trabalho e anos de serviço, cerimónia que juntou comoção à pompa da circunstância.
A “Bretagne”, para além de ter trabalhado no “Ground Zero”, viu também recrutados os seus serviços para as catástrofes naturais provocadas pelos furacões “Katrina” e “Rita”, bem como para outras de diferente cariz e de igual necessidade no decorrer da sua longa vida, cumprindo exemplarmente as tarefas para que foi treinada e habilitada. Outras “Bretagnes” virão mas esta ficará para sempre gravada no coração de Denise Corliss.
A presença de cães de salvamento nos Corpos de Bombeiros é hoje uma imagem da sua modernidade, superior adaptação e melhor apetrechamento, um complemento indispensável para o socorro de sinistrados, para o resgate de sobreviventes encarcerados e cadáveres. Por toda a parte cresce o número de cães que “veste” a farda dos “Soldados da Paz”, e Portugal não escapa à regra. Qualquer cão, com raça ou não, desde que bem apetrechado sensorialmente e convenientemente treinado, pode executar este serviço de meritória e reconhecida importância, facto que deverá levar as escolas caninas civis e amadoras a dar maior ênfase e carga horária à disciplina de pistagem. 

OS JEEPS E OS BRACOS

À sombra duma azinheira que não sabia a idade, não sei se alguma delas sabe, ouvimos dum velho caçador a seguinte exclamação: “Os bracos são como os jeeps actuais, uns são mais para as cidades e outros para todo o terreno!” (jamais nos lembraríamos de semelhante analogia, quiçá porque nunca tivemos um Jeep). Ainda segundo ele: “bracos por bracos, só o alemão vale a pena!” E como a conversa ia alta pela acção do vinho da Vidigueira, companheiro habitual de caçadores e caçadas, geralmente assessorado pelo de Borba, o homem completou: “ Apesar de haver bom e mau em todas as raças (já vi rafeiros a caçar como poucos), no seu geral e desconsiderando a mestria dos donos, o Braco Alemão (Deutscher Kurzhaariger Vorstehhund) é menos desastrado e fere-se menos que o Weimaraner, que treme misérias nos dias mais frios e que se encandeia com facilidade nos mais ensoleirados; mais combativo e resistente que o Perdigueiro Português, que debaixo da troada dos disparos pode assustar-se, mais assertivo e humilde que o Pointer e, mais disponível e pronto que os bracos espanhóis e franceses. Na caça de parar ninguém bate este todo-o-terreno!” E sabem que mais? Com vinho ou sem vinho, o homem tinha e tem carradas de razão!  

ESTAMOS QUASE LÁ !

Com o financiamento do Conselho de Investigação Europeu e do Conselho de Pesquisa do Ambiente Natural, uma grande equipa de investigadores, ao comparar as evidências arqueológicas com os dados genéticos agora existentes, calculou que a origem dos cães domésticos provém de duas populações distintas de lobos, possivelmente já extintas, que viviam em lados opostos do Continente euro-asiático, o que ao ser comprovado, alvitra a hipótese dos cães terem sido domesticados duas vezes e não só uma como até aqui se pensava. Daqui a pouco saberemos tudo sobre os “nossos fiéis amigos”, estamos quase lá!