quarta-feira, 8 de junho de 2016

O HÁBITO DAS PORTAS COM DUAS GATEIRAS

Era comum no passado, quando Portugal era mais rural que citadino e mais povoado no interior, que as aldeias e freguesias vizinhas rivalizassem entre si por tudo e por nada, competição que somada à ambição, pelo aumento do engenho, acabava por contribuir para o progresso e modernidade de todas, já que ninguém queria ver-se ultrapassado. No meio das disputas, nem sempre pacíficas, particularmente nos bailes quando um rapaz de fora se embeiçava por uma moça do lugar, as aldeias troçavam dos hábitos umas das outras, trocando trocadilhos pouco elogiosos que visavam denegrir e ridicularizar os povoados vizinhos. E como por norma só nos rimos do mal, ai daquele que caísse em desgraça!
Lá para as bandas do Rio Coura, que banha os Concelhos de Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira e Caminha, um dos afluentes do Rio Minho, duas aldeias em margens opostas passavam a vida a ridicularizar-se uma outra. Numa delas, não se sabe desde quando, as famílias que tinham dois gatos, um grande e outro pequeno, passaram a fazer nas suas portas duas gateiras, uma maior para o grande e outra mais pequena para o menor, hábito que os aldeões vizinhos achavam uma tolice enorme, porque onde passa o grande também cabe o pequeno. Por causa disso, passaram a tratar a aldeia vizinha como “duas gateiras” e os seus habitantes como “gateiros”, designações que enfureciam os visados por se verem assim chacoteados.
Uma miúda da escola primária, curiosa e decidida, tida como inteligente pela professora, que nunca precisou de lhe dar uma reguada, decidiu ir à aldeia vizinha saber o porquê de tal hábito, sem dizer nada a ninguém. Depois de atravessar o rio, assomou-se à primeira porta com duas gateiras, bateu as palmas e teve sorte, porque havia gente em casa. De lá de dentro saiu um velho que se agradou dela e que lhe perguntou ao que vinha. A menina toda pespineta, respondeu-lhe: “Eu venho da outra margem. O senhor desculpe, bem sei que tem idade para ser meu avô, mas para quê duas gateiras na porta, se o gatinho passa folgado e à vontade pela gateira grande. Onde cabe o grande, cabe o pequeno, não é?”
“Sabe menina, todos os animais que nós criamos, porque desusam os instintos que os silvestres não dispensam, vivem em constante sobressalto, deixam-se surpreender e assustam-se com facilidade. No meio da aflição procuram a nossa protecção e a segurança das nossas casas. Maior perigo correm as crias por serem incapazes de se defender. Imagine se um homem malvado ou um cão danado correm atrás do gatinho e o gato grande está a tapar a única gateira existente ou se ambos são obrigados a fugir. Quem ficará para trás, mais exposto e correrá maior perigo de vida? – Respondeu o velho questionando a garota. Garota que a partir daquele dia, apesar da sua tenra idade, aprendeu um grande lição: que por vezes a loucura que atribuímos aos outros provém da nossa falta de sabedoria!
A menina regressou à outra margem e à sua aldeia, cresceu, casou, de lá zarpou, teve filhos e já é avó, contando agora para os seus netos a estranha história das portas com duas gateiras. Caso algum dos nossos leitores ainda não tenha o seu cão sociabilizado com os gatos, faça-o quanto antes, antes que corra atrás de algum e lhe cause algum dano, despropósito que o qualifica à luz da lei como perigoso, decorrendo daí os inconvenientes e sanções que são do domínio público, contratempos que ninguém deseja. A sociabilização dos cães com os restantes animais é uma obrigação dos donos e currículo obrigatório nas escolas caninas, devendo estas ter à sua disposição vários gatos para operarem a familiarização e posterior sociabilização dos cães com estes felinos domésticos, ainda que tal procedimento pareça loucura aos olhos de outros! 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

UMA SEMANA COM LEITORES MENOS USUSAIS

Esta semana tivemos grande número de leitores pouco usuais: croatas, filipinos, iraquianos, letões, moçambicanos, romenos, sauditas, suecos e chineses de Taiwan. O número de visitantes moçambicanos cresce de dia para dia (esta semana tivemos 28 visitantes desse País do Índico). Dos países árabes temos em média meia-dúzia de visitantes semanais. O número de leitores espanhóis tem vindo a aumentar e os norte-americanos mantêm o 3º lugar no nosso ranking de visitas, logo atrás de Portugal e do Brasil. Há dias em que o número de visitantes brasileiros é superior ao dos portugueses. Na Europa as visitas mais assíduas vêm da Alemanha, França, Holanda, Reino Unido, Rússia e Ucrânia. Este mês o texto mais lido até ao momento tem sido: “ZEUS UM AZUL QUE PROMETE”. O texto mais lido de sempre é “O CANIL”, com 8 526 visitantes, editado em 29/12/2009. Publicámos até agora 1 958 artigos e já chegámos a todos os Continentes. Queremos agradecer a preferência de todos e esperamos continuar a cativar o seu interesse.

HONG KONG LÁ E CÁ

O The New York Times, na sua secção dedicada aos animais, adianta que existe uma estrada em Hong Kong onde os cães são envenenados com maior incidência desde os anos 80, trata-se da Bowen Road, um trilho paradisíaco, encostado a uma zona residencial de luxo e que goza de uma vista panorâmica sobre a Cidade, onde se pode passear e fazer desporto ao abrigo da mãe natureza. Também os proprietários caninos para ali vão com os seus companheiros de quatro patas, apesar dos riscos que os seus animais correm. Naquele local já foram registados 66 casos de envenenamento. De 2013 para cá já foram envenenados ali 66 cães, morrendo 14 deles, muito embora as ONGS a trabalhar no local estimem que esse número ascenda aos 200.
Também o último Governador Colonial daquele território, o Sr. Chris Patten, viu envenenado o seu cão “Whisky”, um Norfolk Terrier. Desconhecem-se os autores e as razões de tão hediondos crimes, alvitrando-se como causas possíveis o gosto pela matança, o medo e ódio aos cães e também a vingança contra os seus proprietários, particularmente contra aqueles que não recolhem os dejectos dos seus pets.
Também aqui se envenenam cães todos os anos, tanto dentro dos seus lares como fora deles, nos jardins e recintos públicos. Todo e cuidado é pouco e ninguém está livre duma desgraça dessas. Ao que parece, o cão do celebérrimo Juiz Carlos Alexandre, um Boerboel que lhe foi oferecido, foi também envenenado no ano transacto com um raticida.
Apesar de todos sabermos que os cães são obrigados a transitar à trela nos recintos públicos, independentemente do seu tamanho, força de mordedura ou grau de perigosidade, poucos são aqueles que cumprem a lei e muitos optam deliberadamente por soltá-los em qualquer parte. Acerca desta temática, repetimos todos os anos os mesmos apelos e conselhos, na esperança que o número de cães envenenados diminua drasticamente até ao ponto de nunca mais suceder. Como as possíveis razões apontadas para o sucedido em Hong Kong são tão válidas lá como cá, importa estar atento e tudo fazer pela salvaguarda dos nossos cães.
As regras são as seguintes:
1 _ Nunca circule na via pública com o cão solto.
2 _ Não use trelas extensíveis que permitam a ocultação do cão.
3 _ Apanhe sempre os dejectos do animal.
4 _ Evite áreas habitualmente concorridas por grande número de cães.
5 _ Distribua o penso diário minutos antes de sair com o cão à rua.
6 _ Acostume-o a comer num comedouro e bebedouro reguláveis.
7 _ Não lhe dê de comer fora de casa e não consinta que outros o façam.
8 _ Não o deixe farejar os caixotes do lixo e outros locais onde haja comida ou sobras dela.
9 _ Habitue-se a não deixar comida pela casa fora
10 _ Nunca lhe jogue comida para o solo.
11 _ Varie sempre que possível os seus trajectos.
12 _ Nunca o solte em locais desconhecidos sem bater prévia e minuciosamente o território.
13 _ Só o solte na certeza que volta quando o chamar.
14 _ Evite por sistema discussões com outros transeuntes.
15 _ Não o incentive a escavar se ele não houver sido preparado para a recusa de engodos.
16 _ Repreenda-o vivamente quando come o que não deve ou rouba comida.
17 _ Não o obrigue à procura de brinquedos para além do que a sua vista alcança.
18 _ Não consinta que roube comida aos outros cães.
19 _ Evite soltá-lo com outros cães que o induzam ao petisco.
20 _ Dirija-se a uma escola canina, torne-o obediente e aprovado na recusa de engodos
21 _ Impeça o seu cão de danificar bens e património alheios, para que não venha a ser objecto de vingança.
O aviso está feito e os conselhos dados. Nunca se esqueça que transporta vida pela trela, que a salvaguarda do seu cão é uma obrigação sua e que os donos previdentes têm cães por mais tempo. Ao invés, confiar na sorte é entregar o cão “ao deus dará” e comprometer a sua sobrevivência. Há desastres que acontecem sempre aos mesmos, porque será?     

QUEM ANDA COM LOBOS UIVA COMO ELES

Regressar ou visitar o Norte do País, génese da nossa identidade histórica e étnico-cultural que mais nos liga aos velhos povos europeus, parte menos visitada por turistas nacionais e estrangeiros, é uma viagem dentro do que somos e uma tomada de consciência do lugar ou lugares donde viemos – um regresso a casa. E quanto mais nos infiltramos no seu interior, maior é o nosso desnudo, porque ali vemos rostos que nos parecem familiares e que nunca vimos, tradições e modos de ser que adoptámos quase sem saber porquê. Tudo ali ganha sentido, mesmo o oculto que não confessamos, a terra chama-nos, a sabedoria popular cativa-nos e somos submersos no que sempre fomos: um Povo livre, simples, hospitaleiro, valente e solidário.
Numa aldeia comunitária da Serra de Montesinho, ouvi pela milionésima vez e com o mesmo encanto, a história da noite em que os lobos desceram ao povoado, contada por uma velha anciã num dialecto que se perde no tempo e que provavelmente será silenciado. Vamos reproduzi-la aqui “na fala de Lhisboua” (português) para que todos a possam compreender. Certa noite de invernia, com a neve a unir os vales às encostas, uma matilha de lobos esfomeados aproximou-se da aldeia em silêncio e ávida de comida, vinda do lado espanhol e sem a companhia da lua. Os habitantes da aldeia dormiam em suas casas e os poucos cães que por lá havia, descansavam nas lojas ou abrigavam-se debaixo das escadas de pedra e castanho bravo. Nem uns nem outros esperavam ser visitados naquela noite que parecia igual a tantas outras.
Os cães, meia-dúzia deles, acordaram estremunhados e um após outro começaram a alvoraçar-se, ganindo depois para que os soltassem. A sua inquietação e gemidos foram entendidos pelos aldeões como um mau presságio, porque aquele comportamento era geralmente associado à passagem duma tempestade, à perca duma cria ou à morte de alguém. Também os lobos se aperceberam da aflição dos cães e inexplicavelmente começaram a uivar, primeiro isoladamente e depois em uníssono, no que foram secundados pelos cães. Parecia uma noite do demo e havia quem esperasse o pior. No meio daquela desastrosa cantoria houve quem fosse para junto do gado, munido de tudo aquilo que lhe servisse de arma. Finalmente soltaram-se os cães, que de imediato se lançaram no encalce dos lobos até se perderem de vista.
 
Cerca de duas horas depois, já com a aldeia serenada e o gado quieto, os cães voltaram, um após o outro e sem nenhuma mazela. Contudo, não voltaram a ser como dantes, passaram a uivar com frequência, sem lobos na serra, sem presságio de coisa alguma e sem qualquer razão aparente. “Quererien ser lhobos?” A partir daquela noite foi criada uma máxima pelos mais velhos que ficou para sempre na memória do povo: “Quien anda cun lhobos uiba cumo eilhes” (quem anda com lobos uiva como eles). Assim são cães, assim são os homens, porque ambos dependem em parte das boas ou más companhias que os cercam. Tudo isto se passou sem o conhecimento prévio ou influência da célebre sentença do místico arménio Georgiǐ Ivanovič Gǐurdžiev: “Quando estiveres entre os lobos, uiva como eles”. O Portugal profundo encerra conhecimentos e verdades advindas da experiência que, ao passarem de geração em geração, se transformaram em lições de vida. Não acreditamos que aqueles cães desejassem ser lobos, somente se identificaram com eles e “descobriram” a sua origem, regressando ao atavismo pelo apelo natural. 

domingo, 5 de junho de 2016

FREYA GUEST STAR

Freya, a cadela alojada no abrigo para animais de Merseyside em Liverpool, que ganhou o título de “Britain’s Loneliest Dog”, por ter sido rejeitada por mais de 18 000 pessoas que poderiam adoptá-la e de cuja história demos notícia no passado dia 26 de Maio, no título “FREYA, A RECORDISTA: 18 720 VEZES REJEITADA”, vai virar vedeta cinematográfica de Hollywood, ao participar como actriz convidada na série de grande sucesso “Transformers”, cujas filmagens ocorrerão este Verão no Reino Unido, dirigidas pelo realizador Michael Bay, que tocado pela história desta desafortunada cadela, decidiu arranjar-lhe um papel naquela obra de ficção, prometendo que, caso ninguém a venha a adoptar depois disso, a adoptará ele mesmo. Desta é de vez, é desta que a Freya irá ser finalmente adoptada, até porque “gente” famosa é outra coisa! 

SE SOUBEREM A QUEM PERTENCE, DIGAM-NOS!

Mandaram-nos a foto acima isenta de texto e não temos a certeza a quem pertence este CPA. É possível que seja propriedade da Sr.ª Fernanda Nogueira. O fraco contraste das cores não nos permite afirmar peremptoriamente qual a cor deste Pastor, se preto-afogueado, lobeiro ou cinzento parcial. Contudo, atendendo à tonalidade dos seus olhos, é possível que se trate de um azul parcial ou dum preto-afogueado recessivo em azul. De qualquer modo, a expressão do animal é típica, irradia nobreza e aparenta felicidade. 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 1970872013
3º _ AO ENTARDECER COM O VENTO SUÃO, editado em 28/05/2016
4º _ SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA?, editado em 02/05/2015
5º _ O CÃO JOVEM (DOS 7 AOS 18 MESES): DA PUBERDADE À MAIORIDADE, editado em 26/10/2009
6º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
7º _ O CÃO AZUL: O SANTO GRAAL DO CPA, editado em 30/05/2016
8º _ NO VERÃO O PERIGO VEM DO CHÃO, editado em 02/06/2016
9º _ O GUARDA DAS GALINHAS, editado em 05/04/2014
10º _ PIADA DA SEMANA: O SEGREDO DE FAMÍLIA, editado em 31/05/2016

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Alemanha, 6º Moçambique, 7º Angola, 8º Rússia, 9º Suíça e 10º Espanha.

sábado, 4 de junho de 2016

O MELHOR QUE LEVO DESTA VIDA (COM OS CÃES)

Este artigo não é uma despedida nem um mau presságio, somente uma manifestação de gratidão. Há quem diga que o melhor que se leva desta vida é o comer, o beber e outros prazeres que se fazem em oculto (só a violência é pública) e, caso seja verdade, não compreendo porque temos um Cemitério dito dos Prazeres em Lisboa, será por morrerem para aqueles que vão para lá? Seja como for, o nome de tal cemitério não deixa de ser bizarro e de alvitrar algo de punitivo.
Como tenho andado a enganar a morte desde o dia em que nasci e sei que um dia ela me ceifará, (nunca a temi deveras, aceito-a com naturalidade e não a vejo como um castigo, o que não significa que alguma vez a tenha desejado ou deixado de viver intensamente por causa dela), dou comigo a fazer balanços constantes de tudo e de nada, procurando significado para os diferentes momentos que vivi, ajudado pela idade que para ela se encaminha e pela memória que ainda não me atraiçoa. Quem me vê julga-me bem, há quem diga que não pareço ter os anos que tenho, ao que eu respondo que também ninguém mos tira!
Esta manhã dei comigo a fazer “actualizações” e quase inconscientemente pus-me a pensar no melhor que levo desta vida com os cães! Podia-me ter dado para pior e acordar “a pensar na morte da bezerra”, o que estranhamente já me tem acontecido sem qualquer justificação aparente. Ao recordar a minha trajectória na canicultura (selecção, criação e treino), o que mais se agiganta não é aquilo que fiz pelos cães mas o muito que me deram, conclusão ou conclusões que pretendo agora dividir com os leitores deste blogue, antes que seja apanhado numa curva e não tenha tempo para o fazer.
Contrariamente ao que tenho passado com alguns (poucos) dos meus semelhantes, gentalha cuja menção já é exagero quanto baste, os meus cães nunca me traíram, maldisseram ou abandonaram, ao invés sempre se fizeram presentes quando mais necessitava deles, mesmo nos momentos em que mal lhes podia valer ou não lhes prestava a atenção e cuidados que mereciam, esforçando-se acima do que podiam para me fazer feliz, a troco de quase nada, despertando-me inclusive para a esperança quando o desalento me dominava. Com eles fui e sou mais forte, porque desde muito novos me reconheceram e reconhecem como seu líder e membro do seu grupo e, aqueles que já partiram, fizeram-no debaixo da mesma condição, dedicação que melhor me faz compreender a devoção e reverência que os antigos egípcios tinham pelo deus Anúbis, um ícone representado com cabeça de cão, a quem cabia guiar as almas dos mortos. Talvez por nunca os ter conseguido enganar, ninguém me conheceu e conhece como eles, uma vez conhecedores das minhas facetas de anjo e demónio, do bem que habita em mim e do mal que me subjuga, apesar de nunca lhes haver atribuído ou reconhecido qualidades humanas.
É essa compreensão dos donos e dos seus diferentes estados anímicos (que raramente é recíproca, pois nenhum cão vai para uma escola para entender o dono, são os donos que vão para lá para se fazerem entender pelos cães), que mais guardo na memória e que me “obriga” a ser-lhes grato, como se houvessem nascido exclusivamente para me servir. É essa dívida e nada mais, que continua a impelir-me para educá-los e a contemporizar com as impropriedades abissais de alguns donos. E nisto são os cães inocentes duas vezes: inocentes porque querem compreender e não os entendem e inocentes porque infelizmente não podem sobreviver sozinhos (tomara eles que não os abandonem, maltratem ou matem).
Com os cães que seleccionei, criei e treinei, vali a milhares de binómios, conheci pessoas interessantes, que doutro modo jamais alcançaria, descobri cães de enorme potencial e grande cumplicidade, descortinei os principais propósitos selectivos das diferenças raças caninas e tornei muita gente feliz, devolvendo-lhe o prazer intemporal e único da fusão de propósitos entre homens e cães. Os meus cães ajudaram-me a crescer, lapidaram o homem que fui e fizeram-me melhor, reforçaram o meu espírito solidário, angariam-me excelentes amigos, desnudaram as minhas limitações e obrigaram a superar-me. Eles foram o melhor veículo para a felicidade que encontrei nas últimas décadas e, continuam a surpreender-me. Sei hoje que não fui eu que nasci para eles, foram eles que vieram ao meu encontro. Tem valido a pena viver ao seu lado!
Por tudo isto, quando este velho adestrador partir, que espero e luto não ser para já, caso queiram homenageá-lo, porque há sempre quem se agrade de cultuar os mortos, hábito pouco salutar, arranjem um cão e compreendam-no, porque dediquei a minha vida a fazê-lo e não digam: “ foi-se um homem que gostava de cães – um encantador”, digam antes: “ partiu um homem que foi amado pelos cães – um seu devedor”, certos de que assim não fugirão à verdade.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

PARECE QUE A FÉ SEM AS OBRAS É MORTA!

Recebemos por email esta foto sugestiva. Apesar de não nos envolvermos em tricas clubistas, apraz-nos dizer que o FC.Porto confia na Trindade, o Sporting em Jesus e o Benfica ganha o Campeonato. As frases bíblicas: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” e “… a Fé sem obras é morta”, parecem aplicar-se neste contexto. Há gente nas tribos do futebol com muita imaginação e que não perde pitada, seguindo a ancestral propensão nacional de misturar o profano com o sagrado. Não estaremos nós a fazer o mesmo? Que Deus nos perdoe a todos! 

MAIS CEDO OU MAIS TARDE: É UMA QUESTÃO DE TEMPO!

Não somos peritos em futorologia, só vamos até onde a filosofia alcança e a metafísica não é o nosso forte. No entanto, pelo que nos é dado a observar, mais cedo ou mais tarde, os tempos do cão de guarda e de guerra irão terminar: é uma questão de tempo, tempo que não deve tardar. E dizemos isto diante da crescente preocupação no Mundo Ocidental relativa à eliminação de actos violentos e tradições sanguinárias, ao reconhecimento dos direitos dos animais e às leis relativas à protecção de crianças e jovens. O mundo está a mudar e se não houver um golpe de face, que pode acontecer a qualquer momento, é para lá que as coisas se encaminham.
E se assim for, a selecção de cães irá ser sujeita a novos critérios e parâmetros, o que não será mau de todo, porque as diferentes raças usarão outros reprodutores e libertar-se-ão da excessiva consanguinidade que hoje as atormenta, produto de uma filosofia de criação há muito ultrapassada e carente de substituição, cada vez mais contestada e denunciada por toda a parte. E neste aspecto é preciso contar com os avanços da engenharia genética, que deverá vir em auxílio dos cães e corrigir as mazelas que a endogamia lhes descarregou.
Agrada-nos que o mundo do amanhã seja menos violento, porque a violência uma vez empregue exige mais violência e tende a tornar-se um hábito, domina os indivíduos contra a sua razão, tolda os seus juízos, nada resolve e só destrói, sendo um sinal de impotência, desespero e fraqueza, uma cobardia para quem a pratica. E se algum resultado prático tem sobre os outros, é porque o medo da morte a todos assola (pessoas e animais). Assim como todos somos violentos, todos temos que aprender a evitá-la, apesar de ser mais fácil identificarmos a alheia do que a nossa, condenar as touradas e continuar a instigar os cães a ataques letais. Ambas são condenáveis e fruto da mesma essência! A razão que leva à indução dos ataques caninos outra coisa não é que uma falsa contra violência.
Assim, se as touradas vierem a acabar, os churros, as mangas e os fatos de ataque irão ser expostos nalgum museu , ao lado das farpas, das bandarilhas e das espadas dos matadores, adornando fotos de ataques lançados e faenas, evocações de um tempo que as gerações vindouras terão alguma dificuldade em compreender. Como todos somos fruto do tempo que nos viu nascer e os homens aprendem com os seus erros, eu acredito e como eu muitos, que futuro venha a ser melhor.
Vou continuar a treinar cães para guarda? Contrariado, mas vou! Ainda que saiba que o melhor cão não é uma arma, mas aquele que me desarma e desperta para os prazeres simples da vida, o que me encaminha para a fraternidade e que me leva ao respeito pela natureza e por todos os animais, aquele que me transporta para a desejável harmonia universal! 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

NO VERÃO O PERIGO VEM DO CHÃO

No Verão, atendendo ao calor e à necessidade de frescura, os proprietários caninos costumam sair com os seus cães para os campos, hábito que anualmente se repete e que pode colocar em risco a saúde e vida dos animais, pela existência ali de ervas daninhas nocivas ao seu-estar. Uma das mais perigosas, conhecida como “rabo-de-raposa” (na foto acima), planta nativa e espontânea de Portugal, que apresenta nas suas extremidades umas espigas, espigas essas que se agarram com facilidade e penetram no manto dos animais, nos seus membros, ouvidos, narinas e órgãos genitais, causando-lhes incómodo, irritação, várias infecções e até a própria morte se não forem socorridos atempadamente.
Por via disso, todos os anos vários cães são sujeitos a pequenas intervenções cirúrgicas para operar a sua remoção. Estas ervas, há outras altamente nocivas para os cães nesta altura do ano, costumam proliferar nas zonas mais húmidas das matas e junto aos diferentes postes presentes nos passeios urbanos. Para evitar os problemas que podem causar e proteger os cães, aconselha-se a procura de áreas e trajectos isentos destas ervas, a circulação nos lugares mais altos onde elas não existem e proceder à limpeza diária e pormenorizada dos animais. No Verão o perigo vem também do chão, como se já não nos bastasse o calor abrasador que nos convida a ir para a praia e onde os cães estão proibidos de entrar. 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

ENTENDIDOS, ENDIREITAS E BRUXOS

Portugal, para além da extensão dos seus areais, é historicamente terreno fértil para entendidos, endireitas e bruxos, plebe a que se atribuem dons arredados dos comuns mortais e tangentes aos encontrados na divindade. Aqui há uns anos atrás, a título de conselho, alguém disse a um proprietário canino para ir com o seu cão a um massagista dum clube de futebol da 1ª Divisão, porque o animal se encontrava coxo, homem tido como entendido mas que nada sabia de anatomia canina! Também os endireitas rivalizam com fisioterapeutas e massagistas, havendo-os para pessoas, para animais ou para ambos, como foi o caso do célebre “Endireita do Sobral de Monte Agraço”, que tanto socorria as alimárias como os seus proprietários e que não sabemos se ainda é vivo ou se passou a “pasta” a alguém. 
Quanto aos bruxos, presentes nos mais variados sectores da vida nacional, a situação não está fácil, a concorrência é muita e a clientela escasseia à medida que os bolsos se vão esvaziando. Mas dê lá por onde der, eles têm aqui lugar garantido e por cá continuarão (também há quem leve os cães ao bruxo ao invés de os levar ao veterinário, como também há quem procure curas milagrosas junto de charlatães ao invés de ir ao médico). Os bruxos menos contestados e melhor sucedidos são os do interior, onde fazem verdadeiras fortunas à custa da ignorância popular, vivendo que nem príncipes em faustosos palácios. 
Amigos e caros leitores deixemo-nos de fantasias, de velhas crenças medievais e assimilemos de uma vez por todas a máxima latina “Unicuĭque suum”, que significa “a cada um o que é seu”, podendo ainda ser traduzida popularmente por “o seu a seu dono”. Quem está habilitado para tratar dos animais são os veterinários e quem melhor pode valer às pessoas são os médicos. Entendidos, endireitas e bruxos são fósseis vivos que mal se valem a si e menos aos outros, gente de um tempo passado que se junta aos milagreiros do presente. Estamos no Séc. XXI, não no XI, XII e XIII! O maior milagre é a vida e felizmente temos quem cuide da nossa e da dos nossos animais.

REFLEXÕES SOBRE O CÃO QUE SE FAZ DESENTENDIDO

São tantos os exageros que ouvimos relativos aos cães que julgamo-los serem anjos ou demónios, tudo menos cães! Aos seus admiradores são falta trocar-lhes o pêlo por penas e pôr-lhes uma coleira com a palavra “inocente” em azul celeste. Aqueles que os temem vêem-nos como lobos devoradores, querem vê-los açaimados, bem presos e que lhes ponham uma coleira com a palavra “morte” em escarlate. E nisto, são os indiferentes que os vêem tal qual são: simplesmente cães!
O facto de conseguirmos levá-los a fazer o que queremos não significa que sejam desinteressados, até porque todos os predadores aprendem com a experiência e sempre procuram a vantagem. Quando um cão sabe ao que vai e não lhe agrada, bem depressa lança mão da manha e faz-se desentendido. Todos temos como verdade que a manha canina não tem uma origem genética, sendo uma invés resultado de influência ambiental e, eu não estou tão certo disso, talvez por haver trabalhado milhares de cães e ter conseguido identificar neles os principais impulsos herdados e o seu grau, relacionando-os com a maior ou menor resistência ao trabalho.
A disponibilidade laboral canina, e disto não parece não restar dúvidas, está intimamente ligada aos seus impulsos herdados (também a alguns instintos particulares e pormenores sensoriais) que suportam as diferentes disciplinas cinotécnicas. Assim, quando existe um são equilíbrio entre os seis impulsos herdados que mais importam ao treino (ao alimento, movimento, à defesa, à luta, ao poder e ao conhecimento), estamos na presença de animais polivalentes e versáteis, não de especialistas, exigindo estes uma selecção que lhes garanta a potenciação de um ou de mais impulsos inerentes à função a que se destinam, sem descorar a robustez, a resistência e a envergadura exigíveis.
Existem cães que se julgam manhosos sem o serem, animais cuja fragilidade física apela de imediato ao seu instinto de sobrevivência e outros que são atraiçoados pela precariedade dos seus impulsos herdados, para já não se falar dos afectados por qualquer tipo de doença, quer ela seja de ordem física ou psicológica, razões mais do que suficientes para que resistam ao que lhes é ordenado. Nenhum destes deverá ser considerado manhoso, uma vez que resistem passivamente e por incapacidade manifesta, culpa de quem os seleccionou e criou.
É verdade que qualquer dono pode tornar um cão manhoso, quando há cão a mais e dono a menos; quando a tolerância substitui indevidamente a exigência; quando os direitos desconsideram os deveres; quando se encontram desculpas para o indesculpável; quando os donos substituem a razão pela emoção; quando são pouco persistentes e desistem facilmente das suas intenções; quando apresentam dualismo de carácter; quando se deixam subornar psicologicamente; quando são avessos ou apresentam dificuldades de liderança; quando temem pela sua salvaguarda e por aí adiante - sempre que o cão leva a melhor e o dono consente, convencendo-se a animal que ali quem manda é ele, sendo esta uma das razões, porque há mais, que nos leva a dizer ser mais fácil educar cães do que donos! Qualquer cão nestas circunstâncias pode tornar-se manhoso independentemente do seu perfil psicológico, porque todos vivem de hábitos e resistem à perca de regalias. Alterar as posturas dos donos, tarefa mais difícil do que à partida parece, tende à resolução do problema, porque deve o seu aparecimento e subsistência à sua impropriedade ou desajuste.
O verdadeiro cão manhoso e que se faz desentendido não tem limitações físicas ou psicológicas, é forte por si mesmo, não obedece porque não quer e faz-se desentendido para não fazer, resistindo até à agressão se for contrariado, porque não está para servir mas para ser servido, deseja rumo próprio e não quer entraves no seu caminho, isto se o seu perfil psicológico o permitir e a riqueza dos seus impulsos à luta e ao poder o ampararem. Também os cães submissos podem tornar-se manhosos, muito embora a sua actuação seja diversa. Como vivem constantemente a observar os seus donos, depressa lhe apanham os fracos e apelam desmesuradamente à sua compaixão, chegando a fazer-se indispostos ou acometidos de doença súbita, apesar dela tender a ser crónica, tudo fazendo para não serem incomodados, verem satisfeitos os seus desejos e enveredarem pelo que lhes dá na real gana.
Os cães que se fazem desentendidos, porque são manhosos, assim com aprendem depressa, depressa se fazem esquecidos, porque possuem geralmente um razoável impulso ao conhecimento e aprendem a tirar partido das fraquezas dos seus donos. Um cão assim é uma tremenda dor de cabeça para o seu proprietário e um grande desafio para um adestrador. Nenhum método é capaz de substituir a liderança exigível a um dono e todos devem contribuir para sua investidura. De qualquer modo, caso se procurem culpados para o problema, eles sempre serão encontrados na pessoa dos donos, por não terem sabido escolher os seus companheiros ou educá-los convenientemente. Mas se também não fosse assim, para que serviriam as escolas caninas? 

AGORA SEI PORQUE TÊM UM OLHAR TÃO VAGO E TRISTE

Eu nunca me deixei enlear pela rivalidade hispano-portuguesa, penso até que ela será melhor sustentada entre os menos letrados, que nasceu de interesses políticos e que foi sucessivamente alimentada por outros para exercerem o seu domínio, impedirem a nossa unidade e possível grandeza. E como abutres também os temos por cá, não será o espanhol que me causará espanto. Temos com os espanhóis laços sanguíneos e culturais tão profundos que os quase novecentos anos de independência não conseguiram apagar, inclusive na língua ou nas línguas, pois há que referir o mirandês, derivando o português do galego e o mirandês duma raiz asturo-leonesa. O nosso primeiro parceiro comercial é a Espanha, tudo o que nela se passa reflecte-se em Portugal e vice-versa, dividimos rios e tradições, comungamos da mesma fé e temos as mesmas expectativas, sofremos idênticas influências demográficas e dividimos o mar entre os dois. Não será um contra-senso terem as  duas nações aderido ao “Espaço Schengen” e ainda se falar em fronteiras e barreiras entre elas? Para mim, besta parda e pouco inteligente, Portugal é uma porta aberta para Espanha, a Espanha vai até à Ponta de Sagres e Portugal estende-se até ao Sul de França, até a os limites geográficos do outrora Reino de Navarra. Pondo de parte as minhas convicções pessoais e considerações históricas, vamos tratar agora duma tradição espanhola que causa arrepios: o martírio dos galgos, que por cá também tem alguns adeptos e ignorantes do mesmo calibre.
Tomemos como local endémico para a barbárie Medina del Campo, muito embora a tradição se estenda a outras províncias espanholas, Município de Valladolid, na Comunidade Autónoma de Castilla y León, onde decorre todos os anos o Campeonato Nacional de Galgos. Em Fevereiro, quando termina a caça à lebre, estima-se que anualmente sejam abatidos e abandonados cerca de 50 000 galgos, ali entendidos como ferramentas desnecessárias quando a caça termina. “Tradicionalmente” nessa ocasião, restando saber a sua origem e causa, se de um grupo étnico em particular se da macedónia de povos na nossa origem, muitos galgos acabam enforcados nas árvores: os que correram bem são presos nos galhos mais altos para morrerem rapidamente; os que correram mal são presos nos galhos mais baixos, com as patas traseiras mal assentes no chão, para terem uma morte mais lenta e dolorosa, ficando para ali a gemer e a estrebuchar pela noite dentro, até que a morte os leve e apodreçam, incomodando e chocando de sobremaneira a impotente vizinhança (estamos a falar de galgos de 2 a 3 anos de idade). Há também quem os jogue para dentro de poços e lhes quebre as patas traseiras para que não possam retornar a casa, os enterre vivos, regue com gasolina, os arraste atrás de carros e os torture com ácido e cigarros.
Mercê das campanhas de denúncia nacionais e estrangeiras, nas quais se incluiu a “Fundação Brigitte Bardot”, o número de galgos e podengos enforcados e mutilados tem vindo a diminuir, apesar da “tradição” continuar de pé, o que tem sobrado para as associações de recolha de animais, que recebem compulsiva e anualmente 500 cães destes quando a época da caça termina, considerados “lixo”  ou “entulho” por quem os entrega. Esta prática hedionda e inqualificável, própria de gentalha que não acompanhou o progresso da humanidade e que não devia cá estar, choca até quem não tem qualquer simpatia por cães. Não obstante, até tem uma estátua em Terras da Coroa Espanhola, o que não deixa de ser uma vergonha para a Casa Real e para o Povo Espanhol em geral. Com gente assim não admira que o ex-Rei Juan Carlos tenha ido para o Quénia matar elefantes, caçada que só fez jus à sua cultura!
Não teremos por cá gente assim? O envenenamento, a tortura, o abate e o abandono dos cães que aqui acontecem são prova disso! Será o “fenómeno” restrito à Península Ibérica? Infelizmente não, mas por certo não se fará tão presente nas nações mais evoluídas, sendo ao invés prática corrente nas mais miseráveis. Agora compreendo porque os galgos espanhóis têm um olhar tão vago e vazio: eles pressentem a morte! É possível que os portugueses sejam mais moderados que alguns espanhóis, mais amigos da patuscada do que chegados à matança, apesar de sempre despontarem por aqui bestas iguais aos galgueiros do País vizinho. Sendo português e mesmo que não gostasse de cães, sinto-me chocado, revoltado e envergonhado, chocado pela matança em si, revoltado porque não tem qualquer explicação e perante a minha impotência, envergonhado porque nas minhas veias corre sangue galego, de Pontevedra. Sinto-me do mesmo modo e pelas mesmas razões, quando vejo um famélico e franzino índio peruano a tocar flauta pelas nossas ruas, pois não consigo segurar a emoção e tenho que virar costas antes que as lágrimas me corram pela cara abaixo, porque me sinto também responsável pelos genocídios perpetrados pelos “conquistadores”. Apesar de termos de “arrumar” primeiro a nossa casa, todos somos poucos para denunciar e acabar com tradições como estas, que acontecem mesmo aqui ao lado e sem darmos por isso. Dum momento para o outro, passei a gostar ainda mais de galgos!