domingo, 22 de novembro de 2015

RESPOSTA PARA O PROBLEMA DA EDIÇÃO ANTERIOR

A escolha certa para o problema da edição anterior aponta para o 4º caso: o do cão preto-afogueado homozigótico de linha de trabalho, uma vez que se procura a obtenção de melhores garupas, porque é nesta variedade laboral que se encontram as melhores e mais equilibradas, respeitando a conformação clássica “1-2-1” (28% de espádua, 44% de dorso e 28% de garupa sobre o comprimento entre o externo e o ânus). Apesar de sempre subsistirem na raça cães muito-angulados e angulados, a opção pelos segundos generalizou-se, o que torna impróprios os preto-afogueados de linha estética para este efeito, porque são essencialmente frente em detrimento da traseira. Sobre esta matéria e para comprovação, convém ver os registos fotográficos dos cães das décadas de 20 e 30 do século passado, responsáveis pelos robustos cães dos anos 50 e 60. De qualquer modo, porque os dois tipos de morfologia e angulação sempre se fizeram presentes na raça (as garupas estreitas são próprias dos cães muito angulados), somente nalguns cachorros será visível o beneficiamento procurado, necessitando todos eles de virem a ser beneficiados com parceiros de garupa equilibrada, uns para a fixação desse pormenor morfológico e os outros para o alcançarem, porquanto não são “produto acabado” e só 3 gerações depois verão fixada a melhoria pretendida, que finalmente se estenderá sobre a totalidade da sua descendência.
Pelo que atrás dissemos, o beneficiamento da cadela com um cão preto-afogueado de linha estética seria um autêntico disparate, porque mais contribuiria para o estreitamento da garupa na futura prole. Também o beneficiamento com o cão negro de meia-linha seria de desprezar, por descender da linha estética e a sua variedade cromática, quando pura, não apresentar a robustez necessária, perdendo tamanho e envergadura ao longo das gerações por ser precoce. É sabido que os bons negros resultam de beneficiamentos com outros de cor diferente e com uma curva de crescimento mais longa. Historicamente costumam cruzá-los com os lobeiros, o que do ponto de vista funcional se tem revelado óptimo mas que morfologicamente os condena, sendo geralmente pernaltos (com muita altura e pouca envergadura ou baixos com excesso de comprimento). O beneficiamento negro-preto-afogueado é o que melhor serve a ambas as variedades, desde que o segundo possua a robustez necessária, o que cada vez é mais raro. Beneficiar a cadela com um lobeiro grande mais aumentaria a disparidade entre a espádua e a garupa, o que seria um grave retrocesso. A variedade red sable é uma versão optimizada, se assim se puder chamar, dos ancestrais lobeiros, que resultou da contribuição destes, do negro e de cães de linha estética, sendo por isso um cão a evitar para este propósito, por não se saber ao certo o que transmitirá, se a robustez doutrora ou a perca ponderal actual, se perpetuará a proto-selecção lobeira ou transmitirá as características dos cães de linha estética. Em qualquer dos casos, morfologicamente falando, não seria o cão indicado para beneficiar aquela cadela.

NOVA FOTO DE HACHIKO

Segundo divulga a “LIFE WITH DOGS”, foi encontrada recentemente uma foto inédita do cão japonês Hachiko, exactamente a que ilustra este texto, que ficou famoso pela sua lealdade ao dono e cuja história deu origem a vários filmes, animal de quem falámos na nossa rubrica “HACHIKO–HACHI: PATRIMÓNIO DO JAPÃO”, datada de 15 DE MARÇO DE 2014. A foto, que tem 81 anos e é original, foi tirada por Isamu Yamamoto na Estação de Comboios de Shibuya em 1934, local onde cão esperou sem sucesso o retorno do seu dono durante nove anos e foi encontrada por familiares de Yamamoto quando se encontravam a limpar a sua antiga casa. Mais pormenores sobre a vida deste cão e da devoção que os japoneses lhe dedicam, podem ser encontrados no artigo que atrás mencionámos. A presente foto vai juntar-se às escassas que existem deste inigualável Akita, em muito responsável pela veneração nipónica por esta raça.

CORREIO DOS LEITORES (1)

Esta semana recebemos dum leitor o seguinte comentário acerca do texto “BALI NÃO É SÓ PAISAGEM, TAMBÉM TEM O KINTAMANI!”, editado em 27/12/2014, que transcrevemos na íntegra: “Amo tanto os Kintamanis... São cães tão belos e misteriosos quanto a terra que os formou. Como não amar esses cães tão imponentes? É óbvio que eles carregam a mística e a amabilidade Balinesa no olhar, como não se apaixonar? Eles são a pérola de Bali, a jóia mais preciosa da ilha. Conheço alguns vendedores, e pretendo comprar um casal para difundir essa raça cá no Brasil”. Resta-nos dizer que este leitor é uma pessoa de bom gosto, que prima pela diferença e sabe bem o que quer. Oxalá consiga realizar os seus intentos brevemente. Recebemos outro email de um leitor apaixonado pelos Pastores Alemães e também pelo Kintamani, como resposta ao artigo “UNSER KAMPF: VERHINDERN, DASS DIE TÖTUNG ZUM DRITTEN MAL” editado na semana passada, que adiantamos sem rasuras: “Belíssimo post! Amo pastor alemão. Pena que não tenho um :(também amo muitooo o kintamani, uma raça de cachorro lá de Bali. Não é à toa que amo os balineses e seu cão indígena. Acho que devia ter nascido em Bali hahaha falando sério, queria ter um kintamani. Inclusive, tenho os contatos de um canil. Se me mudar para uma casa, é certo que compro um casal de kintamani ;) é meu maior sonho. PS: também quero fundar um abrigo para animais abandonados”. Supomos que o seu autor também seja brasileiro e torcemos para que realize os seus sonhos.

PIADA DA SEMANA

Eis aqui um claro exemplo da sabedoria presente na terceira idade, neste cartoon enviado por um nosso leitor. 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ UNSER KAMPF: VERHINDERN, DASS DIE TÖTUNG ZUM DRITTEN MAL, editado em 02/11/2015
5º _ A ESCOLA OFICINA, editado em 14/09/2009
6º _ BRENO D’ACENDURA BRAVA: NASCIDO EM ALCAINÇA PARA RASTREAR NA ALEMANHA, editado em 02/11/2015
7º _ PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS, editado em 02/11/2015
8º _ O PREÇO DOS CÃES E A VENDA DOS CAVALOS NA GOLEGÃ, editado em 02/11/2015
9º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
10º _ SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA?, editado em 02/05/2015   

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Ucrânia, 5º Alemanha, 6º Reino Unido, 7º França, 8º Itália, 9º Irlanda e 10º Rússia.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

UNSER KAMPF: VERHINDERN, DASS DIE TÖTUNG ZUM DRITTEN MAL

Relativamente aos Pastores Alemães, passámos os últimos 40 anos a lutar para que não morram pela terceira e derradeira vez, porque tanto homens como cães morrem 3 vezes, sucedendo primeiro a morte física, depois o desaparecimento da sua memória e finalmente assiste-se à sua deturpação, e tudo isso tem acontecido com este excelente cão de trabalho, cada vez menos visto e com um legado inconfundível, que mercê do rompimento com os pressupostos selectivos originais, aparece hoje falsificado e com menor préstimo, sendo actualmente uma ténue imagem do seu passado glorioso e um vivo atentado ao que já foi. Apesar de conhecermos os responsáveis e as causas que levaram a tamanho descalabro, que temos identificado e denunciado através deste blog, mais nos importou, mediante a recolha de escassos exemplares dispersos, devolver à raça as suas mais-valias e perpetuá-las entre nós, tarefa morosa e dispendiosa a que não nos furtámos e missão que tem valido a pena. É possível que futuramente o nosso labor seja inglório mas não o será de todo, porque ao “ressuscitarmos” os cães do passado, ainda os teremos por mais algumas décadas, cabendo às gerações vindouras o seu desprezo ou proliferação. E nisto não estivemos sós, porque noutras latitudes outros abraçaram e continuam a abraçar o mesmo objectivo, teimosamente trilhando o mesmo caminho, passando idênticas agruras na procura do mesmo sucesso. Daqui queremos enviar uma palavra de alento e de esperança para os criadores das variedades recessivas presentes na raça, para que continuem a apostar nelas, assim como incentivar os criadores da variedade branca, para que não deixem de lutar até alcançarem a mais do que justa integração dos seus cães, uma vez que são parte importante do património desleixado do Cão de Pastor Alemão.
E para que amanhã não adulterem o que dissemos e fizemos, vamos agora manifestar as nossas preocupações e prioridades relativas aos Pastores Alemães, em tudo idênticas às presentes na sua origem e a quem emprestámos um cunho particular, considerando que cada cruzamento é um beneficiamento. Sempre que possível optámos por beneficiamentos entre exemplares de variedades cromáticas diferentes, sabendo que cada uma delas transporta qualidades em défice nas outras, por força da exasperada eugenia negativa que levou à criação isolada de cada uma delas, saldo negativo garantido pela despudorada endogamia e pela inevitável consanguinidade. Ainda debaixo desta preocupação, valemo-nos de reprodutores de 100 canis diferentes, tanto nacionais como estrangeiros. Esta política selectiva de “quadro aberto” teve como resultado a obtenção de exemplares mais completos e melhor equilibrados dos pontos de vista sensorial, atlético, psicológico e cognitivo, que viriam a dotar os nossos cães de maior disponibilidade, resistência e longevidade. Para combatermos eficazmente o pernaltismo e a ausência de envergadura, também o nanismo e gigantismo, entendemos e nisso fomos bem-sucedidos, não cruzar progenitores com uma diferença de altura superior aos 4cm. Mais do que nos machos, assentámos a nossa criação sobre a qualidade das fêmeas, já que estas pesam mais na reprodução, facto que comprovámos pelo empirismo.
A nossa primeira demanda tem sido e sempre foi pelo superior impulso ao conhecimento, prémio genético que possibilita a melhor adaptação dos cães e que lhes garante em simultâneo a versatilidade e a multifuncionalidade. Cativos a esse propósito, nunca usámos exemplares dispensados ou arredados do trabalho, porque nenhum indivíduo laboral sobrevive exclusivamente de expectativas, necessitando de ser testado para aquilo que foi criado e nisso ser aprovado. Assim, arredámos da criação os exemplares que não conseguiam absorver facilmente 35 comandos básicos de obediência e 8 dinâmicos, os pouco curiosos e nada astutos, os parcos de autonomia, os cobardes, os ansiosos e pouco atentos, os inseguros e dados a provocações, os portadores de pirofobia e acrofobia, os hidrófobos e os claustrofóbicos, os deficitários da percepção sensorial exigível, os que apresentavam dificuldades de travamento, os resistentes à sociabilização e à cumplicidade, assim como os demasiado instintivos, ainda que morfologicamente irrepreensíveis e agradáveis à vista, desprezando também os menos apetrechados de memória mecânica e aqueles que resistiam à transição da linguagem verbal para a gestual e/ou sonora.
Uma vez comprovado o superior impulso ao conhecimento dos candidatos a progenitores, aquilatávamos da sua riqueza nos principais impulsos herdados (ao alimento, movimento, à defesa, à luta e ao poder), dispensando de imediato os candidatos com fraca apetência pelo alimento, os avessos ao exercício físico, os incapazes de se defender e atacar e os que não resistiam à sua despromoção social. Apostados na vertente atlética dos nossos cães, exigíamos e exigimos deles, independentemente do sexo, os seguintes valores ou marcas mínimas: 45km/h de velocidade instantânea; cadência natatória de 3.6km/h; 3.25m de salto em extensão; 1,2m de salto em altura; 2,75m na Ponte-Quebrada, muro de 2,5m; subida de escadas; solução de obstáculos tácticos combinados; saltos sobre obstáculos de projecção negativa; desembraço no rastejador e nos túneis; transporte de halteres até 3kg, superior equilíbrio sobre diversas plataformas oscilantes e baloiços, dando a prioridade aos que recuperam mais depressa dos esforços e aqueles que em descanso oscilam entre as 50 e 80 pulsações por minuto.
Como nunca entendemos a disciplina de guarda desregrada mas como decorrente da cumplicidade e da obediência, exigimos aos nossos reprodutores que aguardem ordens até 2 horas, permanecendo quietos no mesmo local na ausência dos donos (travados ou com tarefa distribuída); que sejam resistentes à contra-ordem (indiferentes a ordens alheias) e ao suborno (recusa de engodos), que absorvam e cumpram todo o currículo clássico da obediência, tanto em situações favoráveis como debaixo de tensão. Nenhum deles virá a ser seleccionado se não defender o seu condutor e os seus pertences, efectuar ataques e capturas a uma distância mínima de 50m, debaixo de fogo ou não, acontecendo o último disparo exactamente no momento da captura. Todos deverão ser aprovados no verdadeiro contra-ataque e terão que ser capazes de desarmar, revistar e acompanhar debaixo de custódia os seus agressores. Todo o cão que cuja cessação dos ataques não seja igual à sua prontidão, será automaticamente dispensado da reprodução, assim como aquele que apresentar dificuldades em se constituir parte de uma matilha funcional (com idêntico propósito e objectivo). Este grau de exigência, ainda que não seja esse o nosso principal objectivo, visa a futura participação e aprovação das proles nas distintas provas destinadas aos cães de utilidade. Cão que não se presta prá pistagem também deverá ser arredado da reprodução. As exigências não se esgotam aqui e não é por acaso que dizem que os cães da Acendura Brava já nascem ensinados, “com uma drive ou cassete” (não há como experimentar e para comprovar basta adquirir um dos noticiados “panzerhunde”. Os cães da Acendura Brava encontram-se distribuídos por uma dúzia de afixos, só sendo detectáveis, para quem os desconhece, pela sua genealogia).
O nosso objectivo sempre foi o de produzir cães dedicados, de fácil ensino, guardiões, multifacetados, valentes, atletas, disponíveis, competitivos, com boa presença física, resistentes, impolutos e incorruptíveis, de igual valia em ecossistemas terrestres e aquáticos, próprios para a detecção de diversas substâncias químicas e para o resgate e salvamento, capazes de acompanhar os seus donos nas situações mais duras e através de qualquer meio de transporte. Diante de tamanho encargo não podíamos e não podemos descorar também o seu pormenor morfológico, para que fisicamente pudessem e possam responder de modo afirmativo às mais variadas solicitudes. Assim, continuamos a isentar da criação os indivíduos parcos de cabeça e ossatura, de peito estreito ou invertido, os selados, os muito angulados e por demais abatidos de traseira (preferindo os que apresentam a convexidade natural do dorso), os de garupa estreita e de pouca massa muscular (porque o “motor” dos cães é atrás), os de mãos atiradas para fora e com exagerado abatimento de metacarpos, aqueles que descodilham em marcha, os que apresentam dificuldades na transição dos andamentos naturais, os portadores de costelas rectas e com jarrete de vaca, os de propensão quadrada e os exemplares demasiado compridos. Atendendo à necessidade de se produzirem cães para todo o terreno e com características anfíbias, escolhemos para progenitores os indivíduos que apresentem membranas interdigitais menos rasgadas, particular que sempre tem caracterizado os nossos cães.
Diante da saúde exigível aos cães, abominamos a consanguinidade e a endogamia, desprezamos para o mesmo fim os criptorquídeos, os diferentes prógnatas, os ricos em alergias, os de tendência obesa, os afectados pela insuficiência endócrina, pelo abatimento ou má implantação de orelhas, com histórico familiar em otites, doenças coronárias, artroses, bolsas de líquido sinovial, mielopatia, panosteíte, displasias do ombro e coxo-femoral, assim como os pouco angulados de traseira e os portadores doutras más formações que impliquem nalgum tipo de insuficiência ou menos valia. Quanto à displasia coxo-femoral, porque já fomos vítimas dela no passado, não beneficiamos hoje cães que não se encontrem isentos até 4 gerações para trás, porque já aconteceu beneficiarmos cães isentos mas que eram portadores da doença. Do mesmo modo, desprezamos os cães que foram e são fabricados em laboratório, aqueles que beneficiaram dos bons ofícios do bisturi e do socorro de anabolizantes e hormonas de crescimento, “ajudas” que geneticamente não transportam.
A nosso ver é obrigatório, a quem se propõe criar Pastores Alemães, aprender com os erros do passado, evitá-los no presente e projectar a raça para o futuro de acordo com o seu propósito, qualidade, mais-valias e bom-nome originais. A experiência ensinou-nos a não nos valermos de cadelas com menos de 58cm e abaixo dos 34kg e de machos acima dos 68cm, com peso abaixo dos 38 ou acima dos 45kg. Dividindo-se o peso pela altura, o valor desejável para os machos aos 12 meses deverá ser de 1.7 e o das fêmeas de 1.8 a 1.9, considerando as suas múltiplas atribuições, pois estamos a falar de cães de trabalho e não de infiltrados gerados pela beleza. Um cachorro CPA razoável nasce com 450g e os maiores com 700g (excepcionalmente surgem animais acima deste limite). Oportunamente debruçar-nos-emos sobre o cuidado a haver na gestação e no acompanhamento dos filhotes. Se quando morre um cão, morre um pouco de nós, atendendo ao valor e ao número dos que já nos deixaram, há muito que deveríamos estar mortos. E se ainda cá estamos, não nos resta outro remédio do que tentar produzir outros iguais e encorajar outros a alcançá-los.
Seleccionar cães assim não é tarefa fácil, exige conhecimento, estudo e disponibilidade, há que conhecer e identificar, nos animais e no papel, as principais matrizes da raça (linhas), a sua origem e por onde se encontram dispersas ou encobertas, para tornar possível o retorno à qualidade original, o que nos leva agora a filtrar os cães da extinta DDR no meio das linhas checas em voga, procurando nelas a dominância das afamadas linhas doutrora, no intuito de nos livrarmos das criações desastrosas que lhes sucederam. Menos trabalho, despesa e revezes teremos, se optarmos pelos Pastores Alemães produzidos na Bélgica, há várias décadas de qualidade muito superior aos que se produzem na Alemanha. Tanto no Canadá como nos Estados Unidos, subsistem ainda nichos de criadores de cães de trabalho, animais de que vamos tendo conhecimento pela internet e cuja origem incólume muito procuramos, trabalho de prospecção que visa combater a pretensa evolução que se atribui à raça. Entre as linhas tangentes às duas Grandes Guerras assistiu-se a uma clara evolução e é ainda possível chegar à qualidade dos cães dos anos 40 e 50 pelo contributo dos Pastores da Commonwealth. A qualidade dos Pastores Alemães tem vindo a crescer entre nós, facto que ficou a dever-se ao aumento dos criadores de pretos e lobeiros e aos beneficiamentos entre ambos para melhorar o actual preto-afogueado.
Dito isto, uma pergunta paira no ar: porque não nos agradamos dos actuais Pastores Alemães? Porque morfologicamente são disfuncionais, psicologicamente são pouco seguros e a sua capacidade laboral é diminuta (é evidente que existem excepções). Em vão nos acusarão de idealistas, porque produzimos e continuamos a produzir cães que ombreiam lado a lado com os cães do passado, Pastores Alemães na verdadeira acepção da palavra, animais multifuncionais e robustos, seguros e decididos, próprios para as tarefas que sempre abraçaram, aptos para os desafios do presente e prontos para os do futuro, graças ao superior impulso ao conhecimento que transportam e à disponibilidade que sempre os notabilizou.

BRENO D’ACENDURA BRAVA: NASCIDO EM ALCAINÇA PARA RASTREAR NA ALEMANHA

Apesar de termos exportado (também importámos) Pastores Alemães para todos os continentes, de enviarmos alguns para várias polícias africanas, de vermos congelado o sémen de dois deles para futura utilização (já na década de 90) e da sua qualidade ser respeitada um pouco por toda a parte, por se evidenciarem em distintos serviços e provas, nunca embandeirámos em arco, porque mais nos importava a satisfação dos donos que o nosso enaltecimento. Debaixo deste princípio e não por ingratidão aos cães, raramente fizemos menção dos seus feitos. Tardiamente, porque já morreu, vamos falar aqui do Breno D’Acendura Brava, um pastor nascido na Escola de Alcainça/Mafra, em 03/11/97, filho de Brusko-Grau da Quinta do ABC (cinzento) e da Zulmi (preta-afogueda), um cão de trabalho e um rastreador de nomeada, registado sob o nº 175245 no LOP e conduzido pela Sr.ª Liliana Wieman, uma cidadã argentina casada com um alemão, um alto funcionário da Tabaqueira Philip Morris, dos quais não temos hoje notícia. A foto que introduz este artigo é do Breno já em avançada idade, facto comprovado pelas faces brancas e ausentes de máscara.
 Este preto-afogueado de pelo duro, com alguns remoinhos no manto, decorrentes dos cães de pêlo de arame usados nos primórdios da raça, de construção maioritária em lobeiro e em negro, resultante das linhas do Brusko, Warrior e Schwartz, cães que se notabilizaram entre nós, o primeiro por ser um rastreador pouco visto, o segundo por ter um coeficiente de aprendizagem altíssimo e o último pela sua valentia, não era um cão de encher o olho quando comparado com os outros da sua idade que produzíamos naquela época, medindo 64cm de altura e pesando 36kg, contrariamente aos seus colegas de classe, todos eles acima dos 42kg, uns de tamanho dentro do limite de tolerância admitido pela raça e outros um pouco acima dele (entre os 69 e 73cm). Trabalhou entre nós 1 ano e ainda nos lembramos das suas prestações e da sua irreverência, assim como da introversão e humildade da sua dona. Herdou do pai o excelente nariz, do Warrior a curiosidade e o gosto por aprender e do seu avô Schwartz a tenacidade, a teimosia e o tamanho (este exemplar negro media apenas 60cm de altura, sobrando-lhe em valentia o que lhe faltava em tamanho). O Breno viria a acompanhar as andanças da família, primeiro para a Suíça e depois para a Alemanha.
E foi na Alemanha que se notabilizou como cão de trabalho e um excelente pisteiro, mantendo-se no activo e concorrendo a provas até aos 12 anos de idade, alcançando na sua esmagadora maioria a nota de “excelente” e por vezes 100 pontos nos 100 possíveis! Nascido à sombra do Convento de Mafra, viria a revelar-se um rastreador de nomeada em terras teutónicas, tendo igual prestação nas diferentes Estações do Ano. Não sabemos com que idade se finou, mas temos a certeza de duas coisas: que teve uma vida plena e uma dona que sempre o amou! Cães de idêntica qualidade e com a mesma matriz encontram-se nas mãos de ex-alunos nossos, merecendo especial destaque a cadela Dharma, propriedade do Sr. Luis Matos, uma fêmea vermelha em tudo igual ao melhor que já produzimos e que carrega o excelente impulso ao conhecimento que notabilizou o Warrior D’Acendura Brava e o McLarambee do Casal da Coutana, seus ascendentes. Cães da mesma linha poderão ainda ser vistos junto dos Srs. António da Cunha, Augusto Ribeiro, Isabel Paiva da Silva, Joana Moura, Maria Duarte, Pedro Carvalho, Rui Santos e Tiago Coelho Soares, entre outros. Resta dizer que o Breno descendia directamente das antigas linhas alemãs de trabalho e, como tantos outros, cumpriu com o propósito para que foi criado.

PASTORES ALEMÃES LOBEIROS: O QUE OS TORNA ESPECIAIS

PREÂMBULO: Este texto dá continuidade ao já publicado em 26/10/2009:O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS”. Em todas as variedades cromáticas do Cão de Pastor Alemão existem bons e maus exemplares e as menos valias de alguns devem-se, entre outros factores a: cruzamentos arbitrais, à criação isolada das distintas variedades, ao desprezo pelo contributo da variedade dominante (preto-afogueado), à eugenia negativa, a mutações resultantes da endogamia e também ao despreparo de alguns donos, por desaproveitamento e ignorância, muito embora o que nasça bom raramente se perca, emergindo a sua qualidade intrínseca mais cedo ou mais tarde diante de determinadas circunstâncias.
Quando um lobeiro assenta sobre 6/8 dessa variedade na sua construção, nasce rico nos principais impulsos herdados, sem entraves sensoriais ou de carácter e não foi objecto de nenhum trauma, realçará as mais-valias presentes na sua variedade cromática, que serão tanto ou mais potenciadas pela contribuição de outros. Do ponto de vista funcional-laboral, os lobeiros puros são mais instintivos, menos cúmplices, mais esquivos, de menor presença física e de autonomia circunstancial e até imprestável, porque respondem a apelos atávicos que os levam a rumo próprio, deméritos do conhecimento dos seus criadores, que ao longo dos tempos os têm beneficiado com outros, mormente com os negros, na procura de melhor carácter pelo uso e aproveitamento das suas potencialidades específicas. “Mexer” em lobeiros não é tarefa para amadores, porque através deles também se poderá chegar a algum tipo de involução racial. Contudo, a ascendência lobeira, mais do que outras, tem notabilizado o Cão de Pastor Alemão, não sendo acidental a sua preferência e regresso nos tempos que correm.
O que os torna tão especiais? São 10 as mais-valias que apresentam em termos funcionais, a saber: propensão para o serviço nocturno; excelente máquina sensorial, identificação olfactiva automática; tendência para a dissimulação; preferência pela emboscada; resistência ao suborno; facilidade na sociabilização; maior autonomia, superior persistência e maior resistência (rusticidade). Esta humilde variedade, que é naturalmente silenciosa (quando não o é fica a dever isso à herança doutros), transfigura-se a partir do lusco-fusco, tornando-se mais activa e curiosa, por ser praticamente inaudível e invisível entre as sombras da noite, policiando objectivamente os perímetros que são confiados e evitando satisfazer as suas necessidades fisiológicas nessas ocasiões. Contrariamente a maioria dos Pastores Alemães, que fazem a prévia identificação pelo ouvido, os lobeiros fazem-no maioritariamente pelo olfacto, o que os torna mais difíceis de incorrer em enganos e ataques acidentais, de serem distraídos, ludibriados e manietados. Naturalmente adeptos da dissimulação, aguardam oportunidade, mostram-se menos e não denunciam a sua presença, pormenores que enriquecem o seu serviço e garantem-lhes a salvaguarda. Como são geneticamente induzidos a emboscar-se, estudam os invasores, descobrem a sua vulnerabilidade e actuam de surpresa, vantagem que os torna menos defensáveis e melhores captores. Esta tendência têm sido responsável pela baixa pontuação de alguns lobeiros em provas desportivas, porque são-lhes contranaturais e dificilmente optariam por ataques lançados a várias dezenas de metros, o que lhes diminuiria substancialmente as hipóteses de êxito na captura. E se acabam por fazê-lo, fazem-no porque já experimentaram que vão ser bem-sucedidos. Nem sempre os shows são bons simulacros para as acções reais!
 Os lobeiros são naturalmente resistentes ao suborno e quando vítimas dele tornam-se piegas, dependentes e ansiosos, porque são naturalmente biqueiros, selectivos nos manjares, carentes de protocolos próprios  e desconfiados, sendo por isso mais resistentes às tentativas de envenenamento e às amenas cavaqueiras com estranhos. Como são de fácil sociabilização, integram-se sem grandes dificuldades em matilhas funcionais com o mesmo propósito, muito embora as cadelas desta variedade possam apresentar inicialmente alguma resistência, podendo guerrear com outras ou desinteressar-se do serviço, opções ligadas ao seu perfil psicológico, qualidade do impulso à luta e inegável apelo silvestre. E quando assim sucede, mais vale deixá-las conviver e capacitá-las individualmente. A variedade lobeira é a que apresenta maior autonomia funcional, porque é astuta, assaz exploradora e menos dependente da protecção dos donos, equilibrando-se e tirando vantagem dos terrenos ao seu redor. Exactamente por ser menos dependente da protecção dos donos e usar de astúcia, o lobeiro é mais persistente que os demais, encontrando soluções que outros não encontrariam sem o concurso de treino específico. A inquestionável rusticidade dos lobeiros concorre para o aumento da sua resistência e melhor adaptação aos diversos ecossistemas nas diferentes estações do ano, sendo próprios para trabalhar em díspares amplitudes térmicas e em qualquer ponto do Globo, mantendo incólumes os seus índices de prontidão e efectividade de serviço. Ser proprietário de um lobeiro é um privilégio, porque exige pouco e tem muito para dar, reclamando apenas que o compreendam.

O PREÇO DOS CÃES E A VENDA DOS CAVALOS NA GOLEGÃ

Todos os anos, por alturas do S. Martinho, realiza-se a Feira Nacional do Cavalo na Golegã, evento popular bastante concorrido que faz jus à máxima: “o que melhor levamos desta vida é comer, beber e…satisfazer outros desejos”, já que não faltam “comes e bebes” nas tascas e os romances proibidos acompanham a realização do certame, com o seu quê de saudosista, marialva e até quixotesco, porque não há gato-sapato que não ouse montar a cavalo, julgando-se mestre na arte de bem cavalgar, cavaleiro andante, protector de desafortunadas damas e até estribeiro-mor de el-Rei, ainda que seja um fardo de palha montado em cima dum penco (pangaré). É costume por aquelas bandas, quiçá pela influência do álcool e pelo gosto de aldrabar (remédios corriqueiros prá miséria crónica), ouvir-se falar de doces enleios em quartos alugados e na venda de cavalos por um preço astronómico, o que raramente corresponde à verdade. Desafortunadamente passa-se o mesmo com a venda dos cachorros na boca dos seus criadores, que acabam por vendê-los mais barato do que apregoam, com medo que ninguém lhes pegue e acabem por ficar com eles todos. Assim vai a canicultura portuguesa, à espera de dias melhores, profundamente ligada aos desígnios da classe média, doce mãe para quem compra e despudorada madrasta para quem cria.

CORREIO DOS LEITORES 1

Os dois textos que dedicámos aos podengos nacionais têm sido objecto de muita procura e leitura, particularmente o último: “PODENGO: PREFERENCIALMENTE PRETO! “, editado em 13/11/2014. No último dia do mês de Outubro (31) recebemos mais um comentário sintético acerca dele, que vamos agora dividir com os nossos leitores: “Gostei, eu por acaso tenho um preto, e é um espectáculo super inteligente, raçudo!!!”. Os podengos negros continuam a dever a sua sobrevivência aos caçadores e à caça, actividade onde sempre se destacaram, apesar de pouco numerosos e por isso menos conhecidos. Quem os tem, como é o caso deste leitor, não lhes poupa elogios. Deseja-se que o gradual desaparecimento da caça não implique também no desaparecimento desta raça e particularmente desta variedade cromática, que devido à sua excelente máquina sensorial, interacção e cumplicidade, poderá vir a ser também usada na detecção de substâncias químicas.

UMA CADELA ASSEADA

Recebemos duma leitora o seguinte email que transcrevemos na íntegra: “Tenho uma cadelinha com 9 meses (D.N.:08/02/2015), cruzada de Serra da Estrela (Mãe) com Leão da Rodésia ou Pastor da Anatólia - não puro (Pai). Apesar de desde pequenina, ter mantido bons hábitos de higiene - temos um quintal com uma área reservada para o efeito -, recentemente começou a urinar e defecar no pátio empedrado (zona de passagem pedonal), e mesmo com "ralhetes" e castigos, tem mantido este comportamento de há 2 semanas até agora. Como, para não variar, na nossa estrutura familiar temos um "pai humano" mais rígido" e uma "mãe humana" mais permissiva, gostaria de perceber se esta alteração de comportamento poderá ter a ver com a aproximação do primeiro cio, tanto mais que foi criada com uma macho da mesma ninhada que mantém bons hábitos de higiene. Procuro uma explicação e uma possível solução (ou pelo menos perceber se é uma questão fisiológica/hormonal ou de "rebeldia" da idade”.
Cara leitora, pelo enunciado que nos adianta, o problema não tem uma origem fisiológica ou hormonal, nem resulta de algum tipo de rebeldia etária, mas ao facto da sua cadela ser asseada. As cadelas são por norma mais “asseadas” que os cães, que usam a urina e as fezes para marcarem território. Pouco a pouco, com o passar do tempo, a sua cachorra vai-se tornando adulta e não se agradará de defecar onde outros já o fizeram. Ter um local próprio para vários cães satisfazerem as suas necessidades fisiológicas obriga a acérrima higiene, à retirada imediata dos dejectos, porque doutro modo todos se afastarão dali, porque nenhum gosta de se atolar neles. A exiguidade do espaço pode contribuir para a ocorrência do fenómeno e facto dos cães se encontrarem invariavelmente soltos também, particularmente quando privados de saídas regulares ao exterior. Para resolver o problema e induzir a cachorra às rotinas higiénicas, convém que a área destinada a WC seja vedada e tenha no mínimo 16m2, colocando-se nela os animais logo após a distribuição do penso diário, só os soltando depois de terem defecado. Pode também circular com a cadela à trela até que ela faça as necessidades no sítio indicado, recompensando-a pelo acerto. Não obstante, para eliminar o mau hábito da cachorra defecar onde não deve, duas soluções se apresentam: ou não apanha as fezes durante vários dias, o que a levará ao repúdio daquele local ou fará uso das comuns armadilhas de apanhar passarinhos, que ao menor toque se fecham, surpresa que causa incómodo aos cães sem os magoar e que os leva a afastarem-se (o uso de lixívia nos locais emporcalhados é capaz de resultar também como medida dissuasora). De qualquer modo, o que mais importa é colocar os animais no recinto destinado às suas necessidades logo após terem comido e só os tirar de lá depois de haverem defecado, rotina que tende à resolução do problema. E convém que a ponha em prática antes da cadela entrar em cio porque depois, ao invés de um… terá dois “porcalhões”! 

SOLUÇÃO DA RUBRICA “QUAL SERÁ O MOTIVO (XLIV)?”

A hipótese certa para a rubrica “QUAL SERÁ O MOTIVO (XLIV)?é a D: O moço costuma esconder comida no forro do sofá e dar parte dela ao cão. As Hipóteses “A”, “B” e “C” deverão ser descartadas diante do comportamento irrepreensível do cão. A Hipótese “E” é totalmente descabida, porque não é manifesto no texto qualquer quezília entre o cão e os seus proprietários, não sobrando assim qualquer motivo para o amuo do animal.

QUAL DELES SERÁ O INDICADO (1)?

Esta é uma nova rubrica que veio substituir a já gasta “QUAL SERÁ O MOTIVO?”. Nela pretendemos ajudar os futuros criadores de Pastores Alemães laborais nos beneficiamentos que empreenderão, auxiliando-os na escolha do parceiro certo para o seu cão ou cadela, de acordo com determinadas expectativas e visando a obtenção de cachorros de qualidade igual ou superior à dos seus progenitores. Determinado cavalheiro, agora com mais tempo para os cães, porque se encontra reformado, tem uma Pastora Alemã Lobeira com ¾ de linha moderna, alta, com boa cabeça, peito largo e excelente ossatura, cuja garupa se encontra desfasada da espádua por não lhe corresponder em robustez. Por causa disso, deseja tirar dela cachorros mais equilibrados e com melhores garupas. Para o efeito tem 5 machos à disposição: um lobeiro também grande e de idêntica construção; um negro sensivelmente mais baixo, de meia-linha e com ascendente em lobeiro, um preto-afogueado oriundo das linhas de exposição muito bonito; um preto-afogueado homozigótico de linha de trabalho e um red sable, também de linha laboral e com ascendente em negro. Qual deles será o mais indicado? Para a semana adiantaremos qual a escolha certa e porquê, equacionando para os nossos leitores um novo caso.

BRITISH POLICE: WHERE THE COPS ARE FRIENDS

Se há coisas de que os britânicos se podem orgulhar é da sua polícia, historicamente vanguardista no tratamento a dar aos cidadãos e um exemplo para outras que se confundem nas suas atribuições (as nossas evoluíram bastante e estão no bom caminho), quiçá por actuar na mais antiga democracia do mundo, cujo início remonta aos finais do século XVII. Conhecedores dos benefícios da terapia canina e querendo estendê-los a um grupo de idosos residentes num lar (Star & Garter), em Surbiton, no sudeste londrino, alguns polícias de Kingston levaram os seus cães de serviço até àqueles pensionistas, iniciativa do agrado dos visados e que surtiu efeitos surpreendentes. Como alguns dos residentes daquela instituição de apoio à terceira idade se encontravam acamados e impedidos de sair dos seus quartos, não podendo deslocar-se para assistir à apresentação dos polícias com os seus cães, o Sargento-adestrador Tony Marshall foi visitá-los um a um, levando consigo a Daisy, uma cachorra de 11 meses, que arrancou reacções positivas junto daqueles enfermos, normalmente distantes e apáticos, deixando em lágrimas algumas enfermeiras ali presentes. No comments!

CÂNCRO INFANTIL E CÃES DE TERAPIA

Uma nova investigação levada a cabo nos Estados Unidos pela American Humane Association e financiado pela Zoetis, em colaboração com a Canines and Childhood Cancer (CCC), apresentada perante a American Academy of Pediatrics National Conference & Exhibition, no último Domingo em Washington, provou e revelou que os cães de terapia exercem um efeito calmante sobre as crianças em tratamento oncológico, benefício que também se estende aos seus familiares. Segundo os investigadores, chefiados pela pesquisadora Dr.ª Amy McCullough, a visita semanal dos cães de terapia àqueles pacientes, que é parte do seu tratamento, tem melhorado substancialmente a sua qualidade de vida, aumentando-lhes o bem-estar, o equilíbrio emocional e social. A prová-lo estão as medições feitas sobre a tensão arterial, frequência cardíaca e níveis de ansiedade dos pacientes, melhorias resultantes do seu contacto e interacção com os cães. O presente estudo, um marco na compreensão dos benefícios operados pelos vínculos partilhados entre pessoas e animais, recaiu sobre um grupo de 68 crianças, com idades compreendidas entre os 3 e os 17 anos, encontrando-se 39 delas em tratamento e 29 em grupos de controlo. A idêntica conclusão já haviam chegado alguns investigadores do Mount Sinai Beth Israel Medical Center de New York City, junto de pacientes adultos, segundo noticiou no princípio deste ano o “Medical News Today”, adiantando que alguns daqueles pacientes não abandonaram os tratamentos graças à presença dos cães e dos seus treinadores certificados. É possível que no futuro e entre nós, depois de existirem treinadores qualificados e credenciados, como já acontece noutros países, que os cães de terapia venham a gozar das mesmas regalias e regime de excepção atribuídos aos cães-guias. Queira Deus que assim suceda! PS: Ainda que todos os cães sejam potencialmente terapeutas, nem todos se prestam como cães de terapia.

MORRER POR TER CÃO!

No Reino da Arábia Saudita, aliada e parceira comercial do Mundo Ocidental, lugar de peregrinação prioritária para qualquer muçulmano que se preze, está em vigor há já alguns anos uma “fátua” (decreto religioso), que condena à pena de morte quem possuir cães dentro de casa ou no jardim, que não sejam destinados à caça e à segurança de pessoas e bens, uma vez que tal prática atenta contra o Corão, por serem estes animais considerados impuros e por isso mesmo indignos de coabitarem com os crentes, segundo explica a “Comissão para a Promoção da Virtude e a Prevenção do Vício”, conhecida como muttawa ou polícia religiosa, a quem cabe fiscalizar e fazer observar esta lei que impede e criminaliza a posse de animais de estimação. Também no Paquistão está em vigor uma lei, lavrada por um imã, que impede o uso de cães-polícias pelas autoridades daquele país e a República Islâmica do Irão não só adoptou o parecer saudita sobre esta matéria, como também proibiu o trânsito de cães nos passeios porque, segundo um teólogo dali: “Indubitavelmente, o cão é um animal imundo. Não só não pode andar no passeio, como nem sequer pode ser mantido dentro dos muros de casa ou do jardim”,  e completando: “As relações amistosas com os cães são uma cega imitação dos costumes ocidentais. Os Ocidentais querem mais aos seus cães do que à sua mulher e filhos”.
No nosso mundo, graças a um Deus que morreu por nós, mais dado ao perdão e à vida do que à vingança e à morte, há muito que se reconhece a importância da terapia canina e se usam cães para valerem aos cidadãos que necessitam deles, mercê de algum tipo de afecção ou deficiência. Agora que estamos a ser sucessivamente invadidos por levas de emigrantes muçulmanos (oxalá os turcos segurem o grosso), é possível que no futuro, caso essa gente seja maioritária nalgum espaço geográfico, os cães-guia venham a ser impedidos de entrar nos táxis e os invisuais se vejam obrigados ou a abandoná-los ou a calcorrear com eles grandes distâncias a pé, provavelmente por locais ermos e por caminhos de pé-de-cabra! Depois de termos ultrapassado a Idade Média, para muitos entendida como “Idade das Trevas” e acabado com ignominiosa inquisição, não necessitamos doutros tribunais eclesiásticos e muito menos de “muttawas” (polícias de costumes). A escolha é muito simples: ou impedimos a “Sharia” ou ela acabará por nos ser imposta. Fartos que nos “enfiem o barrete”, só nos faltava levar agora com a “burka” e como já temos terços para a troca, não necessitamos de nenhum “masbaha”! E se a coisa der para o torto, até as ossadas dos nossos antepassados clamarão por Santiago, aquele que ficou conhecido como “mata-mouros”. Mas antes que isso suceda e ninguém o deseja, convém ensinar aos que chegam que “em Roma há que ser romano”, enquanto a liberdade for o mais querido dos nossos bens.

SÍRIA: CÃES, GATOS E BURROS SÃO AGORA HALAL

Dizem o portugueses “que em tempo de guerra não se limpam armas” e assim sucede na Síria, onde sobreviver é imperioso diante conflito que por lá grassa, responsável pela morte, miséria e fome que atinge a sua população. A situação é tão grave que os clérigos muçulmanos de Muadhamiya, nos arredores de Damasco, através duma “fátua” extraordinária, autorizaram o povo a comer cães, gatos e burros para combater a fome, animais considerados impuros à luz do “Corão” e por isso indignos e impróprios para consumo humano. Éditos religiosos semelhantes foram anunciados em Homs e Aleppo, áreas onde os conflitos são mais encarniçados. Mediante este decreto extraordinário, estes animais passaram a ser “halal”, alimento agora permitido aos crentes naquela situação, o que exalta a sobrevivência sobre os preceitos religiosos. Esta tomada de decisão ficou também a dever-se ao incompreensível bloqueio dos comboios humanitários que impede o atempado socorro das populações. É tão fácil regrar quando se tem a barriga cheia como desprezar regras quando ela se encontra vazia, verdade que alberga em simultâneo cristãos, muçulmanos e outros, conforme vamos tendo notícia. Assim, os animais domésticos deixados para trás pelos seus proprietários em fuga, acabam por se constituir num desejável repasto para os combatentes. Será que ainda chegarão a comer os mortos? Oxalá que não e que a guerra termine o mais rápido possível! Entretanto, foi libertado o último preso britânico de Guantánamo, Shaker Aamer, de 48 anos, nascido na Arábia Saudita e há 13 preso naquela base-prisão norte-americana, onde ainda se encontram detidos 112 prisioneiros. A libertação de Shaker, segundo dão conta várias agências noticiosas, ficou a dever-se a uma campanha publicitária e aos esforços de David Cameron (1º Ministro Britânico) junto de Barack Hussein Obama (actual Presidente dos Estados Unidos).

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
2º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
3º _ OS FALSOS PASTORES ALEMÃES, editado em 24/02/2015
4º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
5º _ O MUITO-DOMINANTE E O DOMINANTE: A ESCOLHA ENTRE O BRUTO E O ASTUTO, editado em 22/10/2015
6º _ O CÃO JOVEM (DOS 7 AOS 18 MESES): DA PUBERDADE À MAIORIDADE, editado em 26/10/2009
7º _ PACHÓN NAVARRO: UNIR EL PASADO AL PRESENTE, editado em 01/07/2015
8º _ CONVERSAS SOBRE PASTORES ALEMÃES À MESA DO CAFÉ, editado 09/08/2014
9º _ A CASOTA DO CÃO, editado em 29/12/2009
10º _ O PESO DOS 4 MESES NO CÃO DO AMANHÃ, editado em 28/10/2010 

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Rússia, 5º Alemanha, 6º França, 7º Reino Unido, 8º Quénia, 9º Argentina, 10º Canadá.