sábado, 12 de setembro de 2015

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Alemanha, 6º Rússia, 7º Suíça, 8º Cabo Verde, 9º França e 10º Quénia.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

OS 6 ESTÁGIOS DO CPA NO MUNDO E ENTRE NÓS

Podemos dividir a história do Cão de Pastor Alemão em seis estágios desde a sua criação até aos nossos dias, cada um deles com uma duração de 20 anos, que espelham diferentes momentos da sua selecção, evolução e prestação, tempo necessário para alteração das linhas de criação visando a sua actualidade e préstimo, segundo os pressupostos da selecção artificial que se foi empreendendo e que melhor explica o cão que herdámos. O 1º estágio, “o embrionário”, vai da fundação da raça até 1920, passando pela I Guerra Mundial, acontecimento que notabilizará o CPA como cão militar e que o fará transpor as fronteiras da Alemanha para a restante Europa e para a América, ocasião em que a raça mais valerá pelas suas características laborais e manterá a biodiversidade presente na sua construção, longe de influências e decisões políticas, factores que no seu todo contribuirão para o seu bom nome e divulgação, como o mais extraordinário cão de guerra dos tempos modernos.
O 2º estágio, “o do cão militar”, vai de 1920 a 1940, período que apanha as duas Guerras Mundiais, altura em que este cão alemão é maioritariamente seleccionado para fins militares, acontecendo a selecção dos seus progenitores a partir da sua utilidade e desempenho no I Conflito Mundial. Os exércitos alemães e aliados usá-lo-ão na Europa para os mais diversos fins: sentinela, cão de patrulha, assalto, mensageiro, transportador, socorrista e detector de minas (os russos viriam a utilizar os seus cães como arma antitanque). Ainda que também tenha sido usado na Guerra do Pacífico, foi mais usado pelo Exército Imperial Japonês que pelos americanos, mercê do Japão ser aliado da Alemanha nazi e Hitler ter enviado para o Exército Nipónico 20.000 Pastores Alemães. Os americanos, particularmente os marines, valeram-se para o efeito de maior número de Dobermans. Quase no final do conflito, em 1944, tanto os Pastores como outros cães, passaram a fazer parte das tropas pára-quedistas, saltando dos aviões com os seus tratadores. Em virtude do seu louvável desempenho, testemunhado por diversos monumentos erigidos por várias partes, adivinha-se o seu uso policial. A expulsão da variedade branca irá acontecer poucos anos antes da II Guerra Mundial por influência nazi. Os afamados Pastores Alemães do passado, que justamente viriam a merecer a designação de “cães-polícia”, resultaram de progenitores seleccionados para fins militares, como viria a ser o caso do famoso Dox von Coburg, nascido em 1946.
O 3º estágio, “o do cão policial”, vai de 1940 a 1960, época dourada da raça que notabilizou tantos Pastores no combate ao crime. Em 1957 e no ano seguinte chegam a Portugal os primeiros Pastores Alemães militares e policiais, primeiro para os pára-quedistas (que na altura pertenciam à Força Aérea) e depois para a GNR, descritos genericamente e a grosso modo por “alsacianos” por politiquices. Nessa época proliferavam os lobeiros e as variedades recessivas eram mais numerosas que actualmente, o número de proprietários civis era bem menor que o dos militares e paramilitares, vendo-se amiúde Pastores muito-dominantes nas suas fileiras. A variedade preto-afogueada, como já havia acontecido no pós-guerra, vai-se tornando maioritária e por conseguinte dominante sobre as demais. A robustez, autonomia e valentia destes cães, somada à sua maior longevidade, haveria de torná-los objecto de admiração e maior procura. Os cães dessa época foram objecto de treino rigoroso e a sua prestação em pistas tácticas era excelente. Morfologicamente eram mais direitos de dorso e menos angulados de traseira. Devido à Cortina de Ferro, à divisão da Alemanha e ao Muro de Berlim, o Pastor Alemão irá proliferar nos exércitos do Bloco Soviético até chegar à saturação.
O 4º estágio, “o do descalabro”, que vai de 1960 a 1980, tristemente agravado na década de 70, irá perpetuar doenças como a displasia coxo-femoral, a mielopatia degenerativa e a insuficiência pancreática exócrina, mercê de cruzamentos arbitrários que desconsideraram o seu despiste. A raça começa a ser mais procurada pela estética e menos para o trabalho, o número de criadores e proprietários civis aumenta vertiginosamente e a raça vulgariza-se à velocidade das suas menos valias. A endogamia e a consanguinidade aumentam, a rusticidade da raça vai-se perdendo e os novos exemplares são cada vez mais fracos e menos aptos. A raça perde funções laborais e é mais vista nas exposições de beleza. O número de cães concorrentes à  “Schutzhundprüfung” (prova do cão de guarda) diminui drasticamente, as variedades recessivas quase que desaparecem e passam a ser criadas isoladamente, inclusive a lobeira. Os cães passam a ser mais leves e precoces, a sua longevidade laboral é encurtada e a sua esperança de vida menor. Saltam para a ribalta os cães von Arminius e von der Wienerau, assim como os seus sucedâneos. Começa a efectuar-se por toda a parte o despiste das doenças hereditárias, os cães tornam-se mais uniformes e característicos, ainda que menos autónomos e com menor versatilidade.
No 5º estágio, “o estético”, que vai de 1980 até ao final do Séc. XX, o número dos cães de beleza é bastante superior aos de trabalho, acentuando-se como nunca as diferenças entre si, tanto morfológicas quanto cognitivas. A variedade preto-afogueada prolifera e assiste-se ao tímido retorno dos lobeiros. Na década de 80 a maioria dos reprodutores importados continua a vir da Europa ocidental, da Alemanha, Bélgica, França, Holanda e sobretudo da Espanha. Depois do advento da Perestroika, primeiro via Áustria e depois directamente, começam a chegar os Pastores do Leste, os primeiros notoriamente de trabalho e os últimos já desafogados da consanguinidade e morfologicamente idênticos aos da linha estética, ainda que transmissores dos defeitos da endogamia que anteriormente os havia vitimado. Pouco a pouco começam a acontecer provas de trabalho em Portugal. Como nessa ocasião o dinheiro parecia cair das árvores, os Pastores Alemães atingem aqui preços nunca vistos, entre os 800 e os 1250€. Este inesperado aumento da riqueza, hoje pago a duras penas, ligado aos dinheiros oriundos da CEE, para além de aumentar drasticamente o número de criadores, a maior parte deles aventureiros e pouco conhecedores da raça, irá fomentar o surgimento das variedades recessivas unicolores (cinzento, fígado e negro), que “inesperadamente” se apresentam com mãos divergentes, abatimento de metacarpos, peito invertido, linha de ventre arregaçada e jarrete de vaca, denunciando assim os beneficiamentos apressados de que foram apressadamente alvo. A quebra de qualidade dos Pastores Alemães nas fileiras policiais e militares evidencia-se de sobremaneira na década de 90 e continua até á presente data, algo que deverá ser também compreendido à luz da crise económica que sobre nós se abateu.
O 6º estágio, referente ao Milénio em que nos encontramos, que poderemos apelidar como “o estágio do retorno”, para além de nos ter livrado dos criadores de ocasião, trouxe-nos outros mais fundamentados e por isso mesmo mais conscientes da raça e dos seus propósitos, gente que não dispensa a aprovação laboral na selecção dos seus reprodutores, todavia sem ver premiado o seu esforço, atendendo à menor procura que condiciona os preços do mercado. Cresce o número dos cães de trabalho importados da África do Sul, Áustria, Canadá, Escandinávia, Estados Unidos, Inglaterra e República Checa. Devido a esse arejamento, os nossos pastores apresentam agora mais robustez e envergadura, apesar de sobrarem por todos os cantos exemplares de má qualidade e pouco préstimo resultantes de beneficiamentos operados nas décadas anteriores, que são vendidos abaixo dos 100€ ou praticamente oferecidos. O número de criadores de cães negros aumentou, o despiste das doenças genético-raciais virou prática corrente e o combate à consanguinidade é palavra de ordem, factores ligados à procura de maior e melhor informação. Contudo, ainda estamos longe dos lugares cimeiros, mas o retorno à proto-dominância lobeira tornará possível a nossa ascensão. Apenas levantámos o véu e temos consciência disso, porque que cada estágio foi aqui tratado sinteticamente. Não obstante, estamos no bom caminho e os criadores deste novo milénio estão a devolver à raça o prestígio que outros estupidamente lhe surripiaram nas décadas de 70, 80 e em grande parte da de 90. 

A CAUSA DO ESPANTO VEM DA IGNORÂNCIA!

Os veterinários mais antigos e os mais informados alegram-se quando vêem hoje um Pastor Alemão vermelho uniforme, julgando que esta variedade cromática há muito se encontrasse extinta ou tivesse sido varrida do seio dos restantes pastores, o que por pouco não aconteceu pela menor procura dos lobeiros, primeiros responsáveis pela proliferação desta variedade quando beneficiados com outros de cor sólida (branco, cinza, fígado e negro). A variedade vermelha parece assombração para os criadores do CPA mais jovens, peritos na discussão de genealogias e fartos em beneficiamentos de menor qualidade. E como sempre há quem leve as coisas a peito (deveria até haver mais gente assim), alguns enveredaram por adquirir exemplares vermelhos e sujeitá-los a exames de ADN, na esperança de neles descobrir algum fenótipo particular ou tipo de mestiçagem. Infelizmente as suas expectativas têm saído goradas, o que lhes tem aumentado ainda mais a confusão na cabeça.
E como dar muitas voltas à cabeça pode deixar qualquer um tonto, adiantamos que o ressurgimento da variedade vermelha uniforme está directamente relacionado com os beneficiamentos cromáticos heterozigóticos, quando se usam na reprodução as distintas variedades dominantes e recessivas (unicolores e bicolores) que o actual estalão ainda comporta. Como chegar à variedade vermelha sempre implica num certo retorno ao atavismo e à proto-selecção da raça, é muito difícil lá chegar através dos modernos cães de exposição, a menos que beneficiemos um deles com um exemplar vermelho uniforme, o que em termos de cor tem-se revelado uma escolha acertada. Na foto que encabeça este artigo, podemos ver um exemplar cor de champanhe por detrás doutros dois de cor diversa, na fronteira entre o lobeiro e o vermelho. A partir de exemplares destes podemos alcançar o vermelho uniforme, exactamente iguais ou melhores que o da foto acima. Para tudo é preciso saber!

REPROVAR PARA LEVAR AO ACERTO

Ao abraçarmos este tema, porque o humor resulta melhor do que a animosidade, vêm-nos à memória uma piada que recebemos há uns tempos atrás, relativa às diferentes posturas pedagógicas entre alunos, pais e professores no passado recente e na actualidade, ambas indubitavelmente extremadas. Segundo ela, no passado recente, os alunos eram apertados pelos professores e pelos pais; agora, pais e alunos carregam desmesuradamente sobre os professores. Bem sabemos que o aproveitamento escolar duma classe depende maioritariamente da qualidade dos professores, mas estes pouco ou nada podem fazer se os seus alunos não quiserem aprender e nisso obtiverem a conivência dos pais. Também no adestramento se assistiu à transição extremada de métodos, porque no passado recente o desacerto era invariavelmente atribuído aos cães e hoje é-o aos seus condutores, novidade que ocasionalmente coloca em dúvida quem ensina quem. Num ápice, os condutores passaram de deuses a crentes (believers) e de mestres a aprendizes, trocando agora a exigência pela súplica e o reparo pela condescendência, como se a reprovação dos maus hábitos caninos fosse inteiramente dispensável e os cães fossem, na sua esmagadora maioria, criaturas angelicais.
À luz dos estudos recentes da Dr.ª Susan Hazel, cientista veterinária da Universidade de Adelaide/Austrália, os cães não exibem a sua culpa porque são incapazes de se sentirem culpados, somente adquirem uma mímica de apaziguamento, quando surpreendidos em flagrante, para se libertarem da reprovação dos seus donos ou mestres, mercê da ansiedade causada pelos reparos, manobra elaborada que visa sua chantagem emocional. A ausência de um verdadeiro sentimento de culpa canino obrigará os seus mestres a promover-lhes um afincado condicionamento, visando a sua salvaguarda, a das pessoas, dos seus pertences e a relativa aos outros animais, o que releva a importância das experiências negativas no adestramento, a partir das memórias mecânica e afectiva, enquanto indutoras à associativa, experiências que ciclicamente deverão ser repetidas e reavivadas, por serem artificias e por isso mesmo alheias aos cães. Nesta perspectiva, nenhum cão fica ensinado para sempre e os comandos ligados à sua sobrevivência necessitarão de ser reavivados amiúde. E quem a isto fizer “orelhas moucas” arrisca-se a ficar sem cão, conforme vamos tendo notícia (infelizmente).
 Entendemos como “experiências negativas” as lições fornecidas pela experiência que apontam para a salvaguarda dos cães, desenvolvidas pelos seus donos em substituição das adiantadas pela matilha, que visam alertar os animais para a presença de inimigos e para a existência de vários perigos, nisto incluindo a recusa de engodos e toda a sorte de procedimentos capazes de colocarem de sobreaviso os nossos companheiros de quatro patas. Durante muitos anos, porque trabalhávamos a soldo de outrem, em regime de prestação de serviços, sempre nos deparámos com um dilema: quando ensinar a recusa de engodos a um cão, sabendo que tal ensino operaria o enfraquecimento de alguns para a tarefa pretendida (guarda). A bem da conveniência e dentro de uma política consensual, também porque outros faziam o mesmo, optámos por fazê-lo depois do alcance da maturidade emocional dos cães, vulnerabilizando-os até esse estágio do seu desenvolvimento.
Se o fizéssemos mais cedo, a maioria dos cães submissos jamais seria aprovada na disciplina de guarda, o que desagradaria a muitos dos nossos clientes, mais interessados no serviço dos cães do que na sua salvaguarda. Hoje, libertos desses encargos, podemos afirmar que tal deverá ser feito logo a partir dos 4 meses de idade, altura em que os cachorros partem para a excursão, estão na idade da cópia e começam a compreender a hierarquia. Escusado será dizer que um bom cão de guarda deverá nascer dentro do grupo dos dominantes e não alicerçado somente em investiduras, já que mais depressa se encontrarão cinquenta cobardes que um só valente, o que muito agrada a quem não quer perder os fundilhos das calças. E se o genuíno cão de guarda carece de ser ensinado na recusa de engodos bem cedo, a mesma necessidade terão os cães destinados a outros serviços, enquanto a vida for o maior dos seus bens. Sim, a inibição é necessária à sobrevivência dos cães, porque só ela poderá suspender processos fisiológicos ou psicológicos accionados pelos instintos e passíveis de condená-los. O treino canino não tem como objecto o controlo dos instintos e a potenciação dos impulsos herdados?
E como os cães não têm um genuíno sentimento de culpa que os leve ao reconhecimento dos seus erros ou à aquisição de lições para toda a vida, vivendo para o presente segundo a experiência que carregam, sendo que os mais instintivos tendem a durar menos, tanto por inadaptação quando por inclinação natural, importa que todos sejam alertados e preparados para os perigos que os cercam, levando-os à suspeita, ao desprezo e abandono das respostas naturais que os põem em risco, geralmente provenientes duma exagerada carga instintiva ou resultantes da super potenciação (acidental ou proposital) de um impulso herdado em relação aos demais. Nestes casos, visando a efectivação dos comandos inibitórios e em abono da salvaguarda dos animais poder-se-á, eventualmente, lançar mão de meios, subsídios e acessórios persuasivos e nalguns casos até coercivos, visando a supremacia desses comandos para além da presença dos donos (não há dois cães iguais).
Poderá um cão ser ensinado sem recurso a comandos inibitórios, sem nunca ter ouvido sequer um simples “não”? Pode, desde que o seu perfil psicológico o permita, a natureza do seu serviço não exija grandes reparos, não se veja obrigado a cessações e travamentos constantes, desempenhe as suas funções num ambiente protegido ou específico, onde a ocorrência de perigos é nula ou quase nula. Como existem cães que devido à sua extraordinária inibição não aguentam um “não”, estes deverão ser dispensados da instalação de todo e qualquer comando inibitório por ser-lhes indesejável, contraproducente, abusivo e lesivo. O ensino ou instalação de comandos inibitórios, mais comum entre os cães de guerra e de guarda, visa a sua salvaguarda e a de terceiros, o seu uso pronto e maior acerto, assim como a economia do seu esforço, sendo por isso uma medida preventiva de rara importância, particularmente para aqueles cães que trabalham horas infindas longe da presença e protecção dos seus donos. Como o nível de ensino de um cão poderá também ser avaliado pela quantidade de “nãos” que necessita para executar determinada tarefa, facilmente se compreende que o recurso sistemático à inibição ou espelha um cão imaturo e por isso mesmo despreparado ou evidencia um dono impróprio e inseguro (em qualquer dos casos o binómio ainda não está constituído). À parte disto, o recurso à inibição facilita o acerto canino para além das suas respostas naturais.

QUEM NÃO SENTE NECESSIDADE DE PERDÃO, JAMAIS CONSEGUIRÁ PERDOAR

Nem de propósito, quando acabámos de escrever o texto anterior, encontrámos um pomerano de Rostock/Alemanha que se dedica há largos anos ao adestramento de cães, um homem simpático que sorrateiramente se acercou de nós, brando de linguagem e contido de expressões mímicas, espelhando um misto de humildade e curiosidade, como quem quer saber sem incomodar. Estivemos à conversa com ele cerca de 30 minutos, para além ficarmos a saber que era luterano, depois de alguma insistência nossa, debatemos com ele a questão da necessidade de inibição canina, pormenor que obteve a sua aprovação mas com uma ressalva: “quem não sente necessidade de perdão, jamais conseguirá perdoar”. Segundo ele e com carradas de razão, o estabelecimento da inibição não dispensa a paciência que induz ao perdão, para que o medo não fale mais alto e impeça a sua aceitação natural pelos cães, enquanto decorrência do amor dos seus mestres por eles. Indo mais adiante no seu raciocínio continuou: “um treinador inflexível só poderá ter dos seus cães duas respostas: o medo generalizado pela liderança ou a formação de cães assassinos (medo ou revolta), porque a correcção só surte efeito quando alcançada pela confiança em quem a opera, o que sempre estará ligado à certeza do perdão, manifesta na recompensa que induz ao acerto por mais tempo, já que o adestramento é para todos os efeitos um processo de adopção que se deseja feliz”. Não lhe tirámos o chapéu porque raramente o usamos e o céu estava encoberto.

6 BOLAS DE GOLFE NO BUCHO

Esta história verídica foi tornada pública no site da BBC, no dia 15 de Julho do corrente ano. Um Pastor Alemão preto-afogueado de pelo comprido, com 7 anos de idade, resgatado pelo Sr. David Larson, um marceneiro de Jarrow, South Tyneside/England, depois de comer um osso ficou indisposto, entrou em diarreia e deixou de comer. Preocupado com a saúde do cão, o artesão levou-o ao veterinário, onde pelo raio x se constatou haver vários corpos estranhos dentro do estômago do animal. Não sobrando outra alternativa, o Pastor Alemão foi sujeito a uma intervenção cirúrgica, sendo extraídas do seu estômago 6 bolas de golfe, o que muito espantou o seu proprietário, porque tendo o cão há 18 meses e não havendo nas redondezas qualquer campo de golfe, não entendia como aquelas bolas foram parar dentro do animal (o cão tem certamente uma saúde ferro). Com alguma frequência acontecem problemas destes em Portugal, não com bolas de golfe mas com as de ténis, que inadvertidamente acabam engolidas pelos cães, por serem de diâmetro bastante inferior à abertura da mandíbula de alguns deles. Para além do pormenor do tamanho, para se evitarem acidentes deste género, as bolas destinadas aos cães deverão ser de borracha maciça e nunca ocas no núcleo, porque doutro modo, ao serem furadas, poderão causar o mesmo problema (ser engolidas parcial ou totalmente) como acontece com as de ténis. Por estas e por outras, pensando até naqueles que não querem jogar à bola com os cães alheios, sempre aconselhámos os churros, os nós de corda e outros brinquedos em detrimento das bolas. Não dizem que o seguro morreu de velho? 

COM UM CÃO PELA ESTRADA FORA: A HISTÓRIA DA SENHORA QUE APARECE E DESAPARECE

Os ditos concelhos saloios, situados nos arrabaldes de Lisboa: Cascais, Loures, Mafra e Sintra, diferem etnograficamente dos restantes que constituem o Distrito da Capital, graças à fixação de diferentes populações ocorridas durante a Idade Média, anteriores ou decorrentes da Reconquista Cristã, o que não significa que a miscigenação não esteja presente em cada um deles e nos restantes. O Concelho de Mafra é exemplo disso, sendo maioritariamente uma estância saloia, visível na toponímica, no físico, tradições e linguajar das gentes, comporta outras origens e influências para além da moura, sendo ainda perfeitamente identificáveis (entre outras) a romana, a galega e a judia, populações que durante o domínio muçulmano mereceram a designação de moçárabes, por pagarem impostos para garantirem a sua individualidade sociocultural e religiosa. Das 11 freguesias que constituem o Concelho, as de Encarnação, Santo Isidoro e parte da Ericeira são únicas, porque não sendo originalmente de etnia norte-africana, vieram a assimilar as suas crenças num sincretismo que o catolicismo não mexeu e aproveitou, como é o caso das loas presentes no Círio dos Saloios.
Nas freguesias que atrás mencionámos e que em tempos estiveram debaixo da jurisdição de Torres Vedras, o povo tem a tez mais clara, maior envergadura, não faltam olhos azuis e verdes, as mulheres sempre gozaram de maior liberdade, tendencialmente troca-se o “v” pelo “b”, os santos são mais venerados e as igrejas mais concorridas. Não obstante, subsiste por ali uma crença relativa a uma misteriosa senhora que aparece e desaparece à luz do dia, quando alguém evoluiu sozinho pela estrada ou pelos ermos, que não se escusa a dar conselhos ou a fazer revelações. Quem alguma vez a encontrou não gosta de falar disso e tende a guardar segredo com receio de vir a ser ridicularizado, só falando desse encontro aos seus ou a um reduzido número de pessoas, mormente a quem foi objecto da mesma “aparição”. Ao todo, ouvimos quatro relatos destes, de gente com idades compreendidas entre 40 e 55 anos de idade, de média instrução, de sexo e profissões diferentes, tendo em comum a sua crença em Deus e nos seus milagres. Essas “aparições” aconteceram uma só vez na vida desses indivíduos e a todos a “senhora” revelou o seu futuro, que segundo os vaticinados veio a suceder “tintim por tintim”.
Incrédulo mas interessado em tamanha revelação, talvez mais empenhado na sua desmistificação pelo objecto da minha Fé (Cristo), bati durante anos a fio aquelas estradas e montes, aproveitando essas jornadas para dar “pulmão” aos cães. Para mal dos meus pecados ou para sua satisfação, apesar da minha insistência e empenho, só me cruzei com condutores embriagados, amantes desesperados, ouriços caixeiros, cobras e lagartos. Teria a excelsa senhora sido afastada pelos cães? Vá-se lá saber, se calhar foi! Certo, certo, é que os mouros que por cá andaram eram fatimidas, acreditavam que a filha de Maomé (Fátima), a “senhora da luz”, aparecia ciclicamente aos seguidores do seu pai, valendo-lhes no infortúnio, advertindo-os e guiando-os para um final recto e feliz, o que me faz entender mais profundamente o sentido do poema de Manuel Freire: Livre (não há machado que corte), ainda que produto de um ateu e iconoclasta, visto que a alma intrínseca dos povos conserva crenças ancestrais que a novidade dos ventos não apaga, o que nos leva a supor haver também um ADN mitocondrial da crendice.
Pode ser que outros, mais sensíveis e dados a visões, bafejados pela sorte ou destinados a tanto, venham a ser bem-sucedidos e possam a encontrar a dita senhora. Pelo sim, pelo não, é melhor que não levem cães, animais considerados impuros à luz do Islão (excepção feita ao Saluki), porque nestas coisas há que casar a bota com a perdigota e a quebra do ritual leva ao enguiço. Nas terras de saibro, greda e piçarro que se estendem do Cabo Carvoeiro ao Espichel e daí para o resto do País, a cultura popular é fértil em inúmeras lendas e inesperadas aparições, remanescente dum sincretismo muito antigo, fundamentado na Idade das Trevas e transportado até aos dias de hoje, rico em ver bruxas na eira, diabos nas encruzilhadas, santas nos caminhos, mouras em castelos e lobisomens espreitando em noites de lua cheia, onde anjos e demónios vêem confundidas as suas atribuições. E nisto são os cães superiores aos homens, porque não vêem e não temem as almas do outro mundo!

MISS JOANNE GREER: A MISSIONÁRIA A QUEM ROUBARAM O CÃO

Ao que tudo leva a crer e segundo a curiosa história de Miss Joanne Greer, uma enfermeira irlandesa que se tornou missionária presbiteriana e que foi enviada para a Libéria, longe vão os tempos em que os missionários partiam para os locais mais remotos unicamente confiados na protecção divina. Quando esta irlandesa foi enviada para aquele país africano, fez-se acompanhar pelo Reilly, um Pastor Alemão doado por uma faculdade da Irlanda do Norte, incumbido da sua segurança pessoal, que inesperadamente acabou roubado por 4 homens armados às 3 horas da madrugada?! Com o surto de ebola que grassou naquelas paragens, a missão presbiteriana viu-se obrigada a sair daquele território a 05 de Agosto de 2014, sendo-lhe permitido retomar as suas actividades ali em Fevereiro deste ano. Na foto abaixo podemos miss Greer com o Reilly, o cão de defesa pessoal que acabou roubado e do qual se ignora o paradeiro e a sorte.
A Libéria, cujo nome deriva do latim e significa liberdade, foi o 1º país africano a tornar-se independente, o que viria a acontecer a 26 de Julho de 1847, 30 anos antes das expedições africanas de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens ao serviço da nossa Coroa e 34 anos após o início da malfadada Conferência de Berlim (1884), que teve como resultado a entrega de grande parte dos nossos territórios africanos à Inglaterra, segundo a máxima dos nossos velhos aliados: “amigos, amigos, negócios à parte”. Nenhuma potência colonizadora europeia disputou a Libéria, o mesmo acontecendo com a Etiópia. O país foi fundado e colonizado por escravos americanos libertos (apesar de já lá viverem 16 grupos étnicos diferentes), com a ajuda de uma organização privada chamada “American Colonization Society”, entre 1821 e 1822, na premissa de que os ex-escravos americanos teriam maior liberdade e igualdade de oportunidades nesta nova nação, de acordo com uma opinião prevalecente nalguns sectores da população dos Estados Unidos da época, que defendia serem os negros incapazes de se integrar na sociedade norte-americana, o que evitaria em simultâneo o aumento da criminalidade e os casamentos inter-raciais.
Volvidos 168 anos, a Libéria é o 4º país mais miserável do mundo, com um PIB per capita de 447.23€, só sendo nisso ultrapassado pelo Zimbabué, Chade e Burundi, todos eles africanos. Segundo o “Bureau of Diplomatic Security” do Departamento de Estado Norte-americano, como se já não bastasse o flagelo do ebola, 75% dos liberianos tem menos de 35 anos de idade e grande número deles encontra-se traumatizado pela brutal Guerra Civil, vivendo a sua maioria abaixo do limiar da pobreza e sobrevivendo apenas com 1 euro diário, tendo difícil acesso à saúde, a educação e a outros serviços governamentais, apesar dos Estados Unidos contribuíram anualmente com 1 bilhão de dólares. É frequente haver ali conflitos económicos, étnicos, políticos e religiosos. Os estrangeiros e turistas são alvo do pequeno crime durante o dia e encontram-se expostos a roubos e assaltos, à mão desarmada ou com catana, assim como à violência de multidão, que pode ser despoletada por um vulgar acidente de trânsito, o que não é difícil de acontecer, porque o desrespeito pelas regras de trânsito é generalizado e apenas 6,9% das estradas são asfaltadas. As Nações Unidas mantêm no território um efectivo de 5.838 militares: a UNMIL. Alguns locais da Capital (Monróvia) são particularmente perigosos, como são os casos de: Red Light, Waterside, Congo Town, ELWA Junction e todas as áreas do mercado. Foi para aqui que a nossa Miss Greer foi enviada, a expensas da Free Presbyterian Church of North America (FPCNA).
Depois de muitos quilómetros andados, de algumas peripécias e dificuldades iniciais, esta missionária irlandesa recebeu o seu segundo cão, também ele um Pastor Alemão, uma cadela chamada “Tina” que lhe foi doada por um amigo. Queira Deus que tenha melhor sorte, que houvesse sido bem preparada e seja melhor guarda, que tenham aprendido com a experiência e que não a percam de vista, porque um cão isolado é como um discípulo sem mestre. Na foto seguinte podemos ver Joanne Greer com a sua nova body-guard e com outro companheiro de missão.
A história de Miss Joanne Greer, a quem desejamos que faltem muitos capítulos ainda, porque é uma jovem, cativou-nos por dois aspectos: pela sua decisão, ao ponto de colocar a sua vida em risco e, pelo particular dos Pastores Alemães. Ainda que a irlandesa não seja caso único, não abunda por aí gente capaz de abraçar idêntica vocação e muito menos fazer-se acompanhar por cães, particularmente num país onde a fome grassa e os animais são objecto de repulsa e inveja, uma compreensível afronta para quem vive atolado na miséria. Grandes mudanças têm sofrido os Pastores Alemães nos 117 anos da sua existência, jamais imaginaria que transitassem da guarda de rebanhos para protectores de pastores de almas, percorressem todos os continentes e chegassem aos lugares mais recônditos. 

UM PERDE O AMIGO E OUTRO FICA SEM DEUS

Quando um dono perde o seu cão, fica pesaroso e sem um grande amigo; quando morre o dono, o cão fica sem Deus, completamente destroçado e desorientado. Se todos aqueles que descartam, abandonam ou roubam cães meditassem sobre a gravidade dos seus actos, muitos deles jamais os repetiram ou fariam, até porque os cães têm uma particularidade: gostam mais dos donos do que de si próprios! Afortunadamente vivemos mais anos do que eles, o que nos permite ter vários cães ao longo da vida. Caso sucedesse o contrário, eles jamais seriam o que são. Assim sendo, há que respeitá-los, já não virá mal que baste ao mundo?

ÁRBITRO NAS DISPUTAS ENTRE LÍDERES E SUBORDINADOS

Tal como sucede com os homens, também nos cães existem mais subordinados do que líderes, merecendo respectivamente as designações de “submissos” e “dominantes”, o que possibilita a sobrevivência das duas espécies enquanto seres sociais. Hoje, devido à ausência de trato directo com os animais e à aquisição tardia dos cães, que levam ao aumento do medo, criam-se por aí dominantes que nunca o foram e que lembram de certa maneira o “Cão Cérbero”, um animal com 3 cabeças, presente na mitologia grega e tido como guarda do mundo inferior (inferno). Como importa adequar no adestramento os perfis psicológicos binomiais, o adestrador vê-se no papel de árbitro nas disputas entre cães e donos que obstam ao seu rendimento colectivo. Avaliaremos em seguida os quatro casos possíveis: condutor líder/cão dominante, condutor líder/cão submisso, condutor subordinado/cão líder e condutor subordinado/cão submisso, no intuito de identificar os problemas mais comuns e adiantar as soluções mais acertadas, tendo em vista a necessária e efectiva liderança humana.
Os condutores que são líderes inatos carecem por norma de algum travamento, porque a sua ambição pode impedir-lhes a necessária identificação dos cães que os acompanham, o que normalmente obsta ao seu desenvolvimento laboral por via de uma precária comunicação, por vezes imprópria e nalguns casos até abusiva, capaz de gerar medo ou revolta nos animais que conduzem. Tomando como exemplo o 1º caso, o do condutor líder/cão dominante, importa dizer que, caso alcancem a plena constituição binomial, dificilmente serão ultrapassados e o seu rendimento será excelente, ainda que eventualmente possam surgir algumas dificuldades no seu processo pedagógico, mercê do dualismo das vontades, expresso na resistência do cão, que não dispensa um condutor experimentado, para que a harmonia das acções consiga evitar as desnecessárias confrontações. Aqui o dono terá que ser um disciplinador não temerário e seguro, alguém capaz de estabelecer regras e de recompensar o animal pelo acerto, assim como proceder à reprovação e inibição dos seus exageros, já que o cão tende a capitanear as acções ou a despoletá-las sem ordem expressa. Para que o animal aceite a liderança sem maiores atropelos, o seu condutor deverá ser alertado e estar preparado para aguentar seguro e impenetrável as manifestações de desagrado do cão e ser pronto na sua cessação. A palavra de ordem aqui é disciplina e ela não deverá sucumbir diante de qualquer provocação. Ainda que sejam objecto de grande procura, os cães muito-dominantes não são próprios para qualquer um.
Quando um condutor possui todas as qualidades que o identificam como líder e tem como companheiro um cão submisso ver-se-á obrigado a trocar, sempre que necessário, a disciplina pelo alento, o que nem sempre acontece, para que a primeira não produza inusitado travamento e venha a transformar um cão num autómato sem préstimo, o que o tornará excessivamente dependente, impedirá a sua defesa, obstará ao seu bem-estar e diminuir-lhe-á a autonomia, impossibilitando-lhe a ousadia só alcançável pela investidura que o tornaria mais seguro. Encontrar quem dê alento e transmita ânimo nunca foi fácil e muito menos nos dias atribulados em que vivemos, onde por norma a esperança não abunda. Um dono decidido com um cão submisso em mãos terá que valer-se da cumplicidade para o alcance dos objectivos, abdicando sempre que possível da liderança pura e simples, que intimida e não anima. Adianta-se que as fêmeas raramente são dominantes, ficando isso a dever-se ao dimorfismo sexual presente nos cães e ao seu desempenho na reprodução.
 Quando um condutor subordinado é obrigado a educar um cão dominante estamos diante de um processo pedagógico difícil, porque naturalmente o cão tentará dominar sobre quem o conduz, tudo fazendo para que a sua vontade impere e a liderança do seu condutor jamais aconteça. Aqui o adestrador é obrigado a intervir, quantas vezes for necessário, procedendo à instalação dos comandos no cão até que eles garantam, por si, a liderança do seu condutor, já que o condicionamento operado por ele dificilmente será objectivo e incondicional. A acção do adestrador torna-se obrigatória diante dos previsíveis riscos pró condutor, uma vez que não inibe e o cão tudo fará para o inibir, o que infelizmente acontece com alguma frequência. Com o tempo, a acção do adestrador e o empenho do dono, que gradualmente vai ganhando ânimo e força pelo exemplo, o binómio virá ser constituído. Quando a um condutor subordinado cabe um cão submisso, há que injectar doses maciças de ânimo no líder, visando  a sua investidura e o robustecimento do cão, que jamais se sentirá seguro e protegido se for objecto de uma liderança passiva, passividade que a acontecer, virá a comprometer por receio qualquer serviço destinado ao animal. Resumindo, as disputas binomiais resolvem-se, consoante os casos, com disciplina, cumplicidade, interajuda e ânimo, cabendo ao adestrador indicar qual destes antídotos utilizar diante dos problemas encontrados, acção que o transforma num árbitro apostado no sucesso, porque resolve, a contento das partes e objectivando um fim útil, os possíveis litígios entre homens e cães.

BEAR: A ARMA SECRETA CONTRA OS PEDÓFILOS E A PORNOGRAFIA INFANTIL

O “Bear”, um Labrador negro com 2 anos de idade, tem merecido grande destaque nas agências noticiosas internacionais por ser um dos 5 cães treinados nos Estados Unidos para detectar dispositivos electrónicos de dados. Ensinado a partir da recompensa com comida e objecto de treino específico durante 4 meses, foi comprado para a polícia por 9.500 dólares americanos. O seu esmero é tal que nenhum micro-card lhe escapa, não pelo seu conteúdo específico mas pelos seus componentes químicos. Graças ao trabalho deste Labrador e o do seu tratador, o agente Todd Jordan, cada vez mais solicitado, vários pedófilos têm sido desmascarados e muito material de pornografia infantil apreendido. Cães destes davam-nos muito jeito por cá e seriam de inestimável valor para a actual cruzada do Papa Francisco. Como treinar cães para este fim em pouco ou nada difere do treino convencional para a detecção de drogas ou explosivos, desconhecem-se as razões que impedem a urgência do seu serviço entre nós. Ò Sr.ª Ministra da Administração Interna, solte lá uma verba e mande uns moços aos States, basta um ou dois, as crianças agradecem e as famílias também! 

EM PROL DOS RECLUSOS E DA COMUNIDADE

Nesta persistente aura de poesia e fatalismo que nos caracteriza e envolve, sobram-nos suspiros e falta-nos pragmatismo, como se tudo estivesse já perdido e o futuro só a Deus pertencesse, infortúnio que os ladrões sinceramente agradecem. Ainda bem que há povos bem diferentes de nós, talvez sejam menos polidos, mais rudes e broncos, bárbaros como outrora foram classificados. Mas por causa deles o mundo pula e avança, porque são práticos e acabam por valer aos outros. Assim são também os americanos quando comparados com os cidadãos das mais velhas nações europeias, cuja maioria não sabe pegar num talher mas que têm revolucionado o viver global pelo desenvolvimento de toda a sorte de experimentos. Nas prisões de vários estados norte-americanos têm vindo a ser implementados programas e cursos de adestramento destinados aos reclusos, medidas que têm contribuído para a sua futura reinserção social, enquanto ferramenta, e que têm vindo a reforçar eficazmente a segurança comunitária.
Num protocolo assinado pela Universidade de Auburn (AL) com algumas prisões no Alabama, Flórida e Geórgia, vários labradores têm sido entregues a reclusos para serem treinados na detenção de bombas, homens-bomba  e componentes explosivos, mediante programas científicos vocacionados para o sucesso. Graças a esta iniciativa, alguns cães já foram colocados e continuarão a sê-lo na rede ferroviária norte-americana, no metro de Nova Iorque, nos aeroportos, nos locais de inaugurações presidenciais, nos estádios onde se realizam grandes eventos desportivos e nas metrópoles com elevada densidade populacional. Idêntica iniciativa seria aqui fazível e bem-vinda, diante da crescente ameaça terrorista que se abate sobre a Europa e da necessidade de formação e reinserção social dos nossos reclusos. Haverá vontade política para se realizar aqui uma experiência-piloto ou guardá-la-emos para 40 anos depois como é nosso apanágio?

QUEM TE AVISA, TEU AMIGO É

Grande número de vereadores municipais espanhóis do pelouro do ambiente anda preocupado com a saúde pública por conta dos proprietários caninos que não apanham os dejectos dos seus animais nos passeios e espaços públicos, tudo fazendo para que a situação se altere e os prevaricadores mudem de atitude por via de pesadas coimas, o que implicará em surpreendê-los em flagrante delito. Em Colmenar Viejo, uma cidade e município com cerca de 44.000 habitantes, localizada na Comunidade de Madrid, Espanha, a 30 quilómetros ao norte da Capital espanhola e pertencente à comarca de Cuenca Alta del Manzanares,  os autarcas, para além de já se terem valido doutros cães apetrechados com cameras para filmarem os donos em contravenção com a lei, contratou este ano um detective particular para obrigar os donos em falta à apanha dos dejectos. Para o próximo ano, o dito detective vai passear incógnito pelas ruas daquela cidade histórica, filmando os prevaricadores e entregando esses registos à polícia, que aplicará aos infractores uma multa de 750€, montante que até não é exagerado, considerando que em Madrid e Barcelona essa multa pode ascender até aos 1.500€ (em Lisboa o valor máximo é de 727€). Nos arredores de Madrid, nos municípios de Alcalá de Henares (onde se come muito bem) e de Leganés, essa fiscalização é feita por polícias à paisana, ao contrário do que sucede em Móstoles, que possui uma linda igreja em estilo mudéjar (La Iglesia de Nuestra Señora de la Asunción), onde a tarefa é assumida por cidadãos voluntários recrutados na vizinhança.
Procurando solução para o mesmo problema, em Tarragona, na Catalunha, cidade costeira mediterrânica com 135.000 habitantes e onde existem mais de 2.800 cães, está em projecto uma parceria entre a universidade local e a autarquia para se criar um banco de dados de ADN dos cães registados, que permitiria a sua identificação pelos dejectos abandonados e por conseguinte, também, a dos proprietários, que para além de pagarem a multa, se veriam obrigados a pagar o teste de ADN. Idêntico plano foi recentemente abandonado pela autarquia de Getafe, cidade ao sul de Madrid, das mais povoadas da região e que é considerada o centro geográfico da Península (40º18’17’’N 3º43’52’’W). A campanha mais agressiva e que melhores resultados deu no combate ao abandono dos dejectos a céu aberto foi levada a cabo pela autarquia de Brunete, uma pequena cidade com pouco mais de 10.000 habitantes, situada 20 milhas a oeste de Madrid. Durante essa campanha foram usados 20 voluntários que entabulavam conversa com os proprietários caninos desleixados, ficando assim a saber o nome dos cães, a raça a que pertenciam e o nome dos seus proprietários. Depois, os dejectos eram recolhidos pelos funcionários camarários e enviados em caixas de cartão, com as insígnias da cidade, para o domicílio daqueles donos, avisando-os que seriam multados diante de reincidência. A partir daí houve uma melhoria em 70% dos casos. O que se passa em Espanha sempre transborda para Portugal, país onde o respeito pelos outros é por vezes muito pouco. Se tem por hábito obsequiar os outros com a trampa do seu cão, deixe-se disso, porque se o respeito pelos outros não o demover, certamente o aumento das multas o convencerá na ausência de vergonha.

QUAL SERÁ O MOTIVO (XL)?

O “Chaka” é um Cão de Água Português castanho, com mais de 10 primaveras, que inexplicavelmente tem um especial predilecção por fardas, ao ponto de acompanhar alegremente qualquer polícia de patrulha, mesmo que alguns deles não lhe liguem peva e não se agradem da parceria, o que acontece frequentemente. O comportamento do cão já lhe valeu a alcunha de “Agente Chaka-Zulu”, combinando a origem do seu nome com a sua tendência e permanência à porta da Esquadra local. Porque se comportará assim? Hipótese “A”: Adora seguir os polícias na esperança de apanhar ou surpreender criminosos. Hipótese “B”: Acompanha os polícias porque está abandonado e procura um dono. Hipótese “C”: Aproveita os giros policiais para satisfazer a sua necessidade de exercício diário. Hipótese “D”: Emparelha com os polícias porque é tímido e junto deles sente-se seguro. Hipótese “E”: O dono é polícia e está colocado naquela esquadra. Para a semana cá estaremos com um novo caso e adiantaremos qual a hipótese certa. 

SOLUÇÃO DA EDIÇÃO ANTERIOR

A hipótese certa para esta rubrica da semana passada é a Hipótese “B”: A cadela está a sensivelmente 24 horas do parto. Se algo estivesse errado com os cachorros, os sinais da cadela seriam outros e a temperatura ao invés de descer aumentaria, pelo que a Hipótese “A” deverá ser descartada. Caso a barriga incomodasse a cadela, jamais se poria a raspar amiúde no chão, o que torna a Hipótese “C” falsa. Quando um cão pretende defecar não raspa no chão, antes procura o magnetismo terrestre e rodopia sobre si mesmo, o que torna a Hipótese “D” também falsa. Como enterraria a cadela os fetos mortos antes de os haver expulsado? A Hipótese “E” é por demais fantasiosa e antropomórfica, pelo que deverá ser desconsiderada.

CORREIO DOS LEITORES: CONSEGUIRÁ UM LOBO SOBREVIVER SEM ALCATEIA?

Esta pergunta foi-nos feita por um leitor, pelo que passamos de imediato à sua resposta pelo estudo e experiência que adquirimos. Sim, um lobo pode sobreviver isoladamente, desde que consiga ou alguém lhe garanta a subsistência, obrigado pelo instinto de sobrevivência que o torna num excelente oportunista, quer se encontre agrupado ou não, muito embora as suas chances aumentem substancialmente quando em grupo, advindo-lhe daí o hábito que não dispensa o escalonamento social da alcateia, tanto para essa como para outras funções. Por detrás da pergunta que nos foi formulada, julgamos haver outra subsequente: pode um lobo ser domesticado? Sim, pode. Ainda que seja mais fácil fazê-lo quando infante, pela dependência, estágio cognitivo, desconhecimento e substituição das suas actividades biológicas, apesar de em qualquer idade tal ser possível, facto comprovado pela existência de lobos em cativeiro para estudo, tratamento ou exposição. Os lobos isoladamente são mais fáceis de domesticar, esperando dos seus protectores aquilo que a alcateia lhe daria, ainda que vejam diminuída a sua qualidade de vida, bem-estar e longevidade por inacção e privação do seu viver natural. As fêmeas sempre se adaptarão mais facilmente, o mesmo sucedendo com as variedades mais ricas em melanina. Estamos em crer que a possível domesticação do lobo levaria à sua extinção, porque grande é a tentação pela sua miscigenação com o canis lupus familiaris - o cão, como tem vindo a suceder e não deveria perpetuar-se. 

CORREIO DOS LEITORES 2

Um dos textos mais procurados ultimamente tem sido: “PODENGO: PREFERENCIALMENTE PRETO!”, editado em 13/11/2014, que se encontra inclusive no TOP 10 desta semana. Recebemos de um criador desta variedade cromática de podengos o seguinte comentário: “Dou-lhe os parabéns por esta publicação. Eu sou um apaixonado pelo podengo português e em especial pelos de cor preta, tenho actualmente 7 podengos pretos e um castanho (chocolate), uma das fotos que usou é da minha primeira cadela preta e outra é de uma filha dela que se encontra actualmente nos EUA. Cumprimentos …/…”. Oxalá outros criadores e caçadores apostem no Podengo Português Negro, que apesar de excelente caçador têm sido vítima de séria descriminação, ao ponto de quase ter desaparecido só por causa da sua cor.

ELES DERAM O NÓ!

Realizou-se no passado Sábado, dia 29 de Agosto, na Parede/Cascais, em casa dos avós maternos da Joana Melo, pelas 14 horas, o seu casamento com o João Carreiras, companheiro com quem vivia em união de facto há já alguns anos. A cerimónia foi civil e carregada de emoção, bastante vivida pelos noivos e convidados, num ambiente alegre e descontraído, onde a brisa marítima e o sol se fizeram presentes, dando-lhe um enquadramento único. Seguiu-se à celebração do matrimónio um banquete nos jardins daquela casa, sobejando ali comida e boa disposição. Como não podia deixar de ser, o Radar, o pastor alemão de ambos, fez-se presente e teve livre circulação, para alegria de miúdos e graúdos que raramente lhe deram descanso. Tudo correu conforme o esperado e desejam-se votos de grande felicidade, cumplicidade e sucesso para os noivos, que de imediato estarão de partida para Inglaterra, país onde vivem e exercem as suas actividades profissionais. Fica a notícia: eles deram o nó, a Joana casou-se.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ O SONHO DO LUPINO PORTUGUÊS E O PERRO LOBO MALLORCAN, editado em 18/08/2015
2º _ PODENGO: PREFERENCIALMENTE PRETO!, editado em 13/11/2014
3º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
4º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
5º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
6º _ QUAL SERÁ O MOTIVO (XXXIX)?, editado em 18/08/2015
7º _ LA PROCESIÓN DE PERROS EN EL DIA DE SAN ROQUE, editado em 18/08/2015
8º _ EU QUERIA UM PASTOR ALEMÃO, DE PREFERÊNCIA TODO PRETO!, editado em 05/06/2010
9º _ QUASE 2 MILHÕES VÃO PARA OS CAMPOS DA ESCÓCIA COM O CÃO, editado em 18/08/2015
10º _ PÁ DE VACA: O OSSO AMIGO DO CÃO, editado em 13/02/2014

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal,2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Rússia, 6º Suécia, 7º França, 8º Japão, 9º Holanda e 10º Bélgica.