quarta-feira, 2 de setembro de 2015

6 BOLAS DE GOLFE NO BUCHO

Esta história verídica foi tornada pública no site da BBC, no dia 15 de Julho do corrente ano. Um Pastor Alemão preto-afogueado de pelo comprido, com 7 anos de idade, resgatado pelo Sr. David Larson, um marceneiro de Jarrow, South Tyneside/England, depois de comer um osso ficou indisposto, entrou em diarreia e deixou de comer. Preocupado com a saúde do cão, o artesão levou-o ao veterinário, onde pelo raio x se constatou haver vários corpos estranhos dentro do estômago do animal. Não sobrando outra alternativa, o Pastor Alemão foi sujeito a uma intervenção cirúrgica, sendo extraídas do seu estômago 6 bolas de golfe, o que muito espantou o seu proprietário, porque tendo o cão há 18 meses e não havendo nas redondezas qualquer campo de golfe, não entendia como aquelas bolas foram parar dentro do animal (o cão tem certamente uma saúde ferro). Com alguma frequência acontecem problemas destes em Portugal, não com bolas de golfe mas com as de ténis, que inadvertidamente acabam engolidas pelos cães, por serem de diâmetro bastante inferior à abertura da mandíbula de alguns deles. Para além do pormenor do tamanho, para se evitarem acidentes deste género, as bolas destinadas aos cães deverão ser de borracha maciça e nunca ocas no núcleo, porque doutro modo, ao serem furadas, poderão causar o mesmo problema (ser engolidas parcial ou totalmente) como acontece com as de ténis. Por estas e por outras, pensando até naqueles que não querem jogar à bola com os cães alheios, sempre aconselhámos os churros, os nós de corda e outros brinquedos em detrimento das bolas. Não dizem que o seguro morreu de velho? 

COM UM CÃO PELA ESTRADA FORA: A HISTÓRIA DA SENHORA QUE APARECE E DESAPARECE

Os ditos concelhos saloios, situados nos arrabaldes de Lisboa: Cascais, Loures, Mafra e Sintra, diferem etnograficamente dos restantes que constituem o Distrito da Capital, graças à fixação de diferentes populações ocorridas durante a Idade Média, anteriores ou decorrentes da Reconquista Cristã, o que não significa que a miscigenação não esteja presente em cada um deles e nos restantes. O Concelho de Mafra é exemplo disso, sendo maioritariamente uma estância saloia, visível na toponímica, no físico, tradições e linguajar das gentes, comporta outras origens e influências para além da moura, sendo ainda perfeitamente identificáveis (entre outras) a romana, a galega e a judia, populações que durante o domínio muçulmano mereceram a designação de moçárabes, por pagarem impostos para garantirem a sua individualidade sociocultural e religiosa. Das 11 freguesias que constituem o Concelho, as de Encarnação, Santo Isidoro e parte da Ericeira são únicas, porque não sendo originalmente de etnia norte-africana, vieram a assimilar as suas crenças num sincretismo que o catolicismo não mexeu e aproveitou, como é o caso das loas presentes no Círio dos Saloios.
Nas freguesias que atrás mencionámos e que em tempos estiveram debaixo da jurisdição de Torres Vedras, o povo tem a tez mais clara, maior envergadura, não faltam olhos azuis e verdes, as mulheres sempre gozaram de maior liberdade, tendencialmente troca-se o “v” pelo “b”, os santos são mais venerados e as igrejas mais concorridas. Não obstante, subsiste por ali uma crença relativa a uma misteriosa senhora que aparece e desaparece à luz do dia, quando alguém evoluiu sozinho pela estrada ou pelos ermos, que não se escusa a dar conselhos ou a fazer revelações. Quem alguma vez a encontrou não gosta de falar disso e tende a guardar segredo com receio de vir a ser ridicularizado, só falando desse encontro aos seus ou a um reduzido número de pessoas, mormente a quem foi objecto da mesma “aparição”. Ao todo, ouvimos quatro relatos destes, de gente com idades compreendidas entre 40 e 55 anos de idade, de média instrução, de sexo e profissões diferentes, tendo em comum a sua crença em Deus e nos seus milagres. Essas “aparições” aconteceram uma só vez na vida desses indivíduos e a todos a “senhora” revelou o seu futuro, que segundo os vaticinados veio a suceder “tintim por tintim”.
Incrédulo mas interessado em tamanha revelação, talvez mais empenhado na sua desmistificação pelo objecto da minha Fé (Cristo), bati durante anos a fio aquelas estradas e montes, aproveitando essas jornadas para dar “pulmão” aos cães. Para mal dos meus pecados ou para sua satisfação, apesar da minha insistência e empenho, só me cruzei com condutores embriagados, amantes desesperados, ouriços caixeiros, cobras e lagartos. Teria a excelsa senhora sido afastada pelos cães? Vá-se lá saber, se calhar foi! Certo, certo, é que os mouros que por cá andaram eram fatimidas, acreditavam que a filha de Maomé (Fátima), a “senhora da luz”, aparecia ciclicamente aos seguidores do seu pai, valendo-lhes no infortúnio, advertindo-os e guiando-os para um final recto e feliz, o que me faz entender mais profundamente o sentido do poema de Manuel Freire: Livre (não há machado que corte), ainda que produto de um ateu e iconoclasta, visto que a alma intrínseca dos povos conserva crenças ancestrais que a novidade dos ventos não apaga, o que nos leva a supor haver também um ADN mitocondrial da crendice.
Pode ser que outros, mais sensíveis e dados a visões, bafejados pela sorte ou destinados a tanto, venham a ser bem-sucedidos e possam a encontrar a dita senhora. Pelo sim, pelo não, é melhor que não levem cães, animais considerados impuros à luz do Islão (excepção feita ao Saluki), porque nestas coisas há que casar a bota com a perdigota e a quebra do ritual leva ao enguiço. Nas terras de saibro, greda e piçarro que se estendem do Cabo Carvoeiro ao Espichel e daí para o resto do País, a cultura popular é fértil em inúmeras lendas e inesperadas aparições, remanescente dum sincretismo muito antigo, fundamentado na Idade das Trevas e transportado até aos dias de hoje, rico em ver bruxas na eira, diabos nas encruzilhadas, santas nos caminhos, mouras em castelos e lobisomens espreitando em noites de lua cheia, onde anjos e demónios vêem confundidas as suas atribuições. E nisto são os cães superiores aos homens, porque não vêem e não temem as almas do outro mundo!

MISS JOANNE GREER: A MISSIONÁRIA A QUEM ROUBARAM O CÃO

Ao que tudo leva a crer e segundo a curiosa história de Miss Joanne Greer, uma enfermeira irlandesa que se tornou missionária presbiteriana e que foi enviada para a Libéria, longe vão os tempos em que os missionários partiam para os locais mais remotos unicamente confiados na protecção divina. Quando esta irlandesa foi enviada para aquele país africano, fez-se acompanhar pelo Reilly, um Pastor Alemão doado por uma faculdade da Irlanda do Norte, incumbido da sua segurança pessoal, que inesperadamente acabou roubado por 4 homens armados às 3 horas da madrugada?! Com o surto de ebola que grassou naquelas paragens, a missão presbiteriana viu-se obrigada a sair daquele território a 05 de Agosto de 2014, sendo-lhe permitido retomar as suas actividades ali em Fevereiro deste ano. Na foto abaixo podemos miss Greer com o Reilly, o cão de defesa pessoal que acabou roubado e do qual se ignora o paradeiro e a sorte.
A Libéria, cujo nome deriva do latim e significa liberdade, foi o 1º país africano a tornar-se independente, o que viria a acontecer a 26 de Julho de 1847, 30 anos antes das expedições africanas de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens ao serviço da nossa Coroa e 34 anos após o início da malfadada Conferência de Berlim (1884), que teve como resultado a entrega de grande parte dos nossos territórios africanos à Inglaterra, segundo a máxima dos nossos velhos aliados: “amigos, amigos, negócios à parte”. Nenhuma potência colonizadora europeia disputou a Libéria, o mesmo acontecendo com a Etiópia. O país foi fundado e colonizado por escravos americanos libertos (apesar de já lá viverem 16 grupos étnicos diferentes), com a ajuda de uma organização privada chamada “American Colonization Society”, entre 1821 e 1822, na premissa de que os ex-escravos americanos teriam maior liberdade e igualdade de oportunidades nesta nova nação, de acordo com uma opinião prevalecente nalguns sectores da população dos Estados Unidos da época, que defendia serem os negros incapazes de se integrar na sociedade norte-americana, o que evitaria em simultâneo o aumento da criminalidade e os casamentos inter-raciais.
Volvidos 168 anos, a Libéria é o 4º país mais miserável do mundo, com um PIB per capita de 447.23€, só sendo nisso ultrapassado pelo Zimbabué, Chade e Burundi, todos eles africanos. Segundo o “Bureau of Diplomatic Security” do Departamento de Estado Norte-americano, como se já não bastasse o flagelo do ebola, 75% dos liberianos tem menos de 35 anos de idade e grande número deles encontra-se traumatizado pela brutal Guerra Civil, vivendo a sua maioria abaixo do limiar da pobreza e sobrevivendo apenas com 1 euro diário, tendo difícil acesso à saúde, a educação e a outros serviços governamentais, apesar dos Estados Unidos contribuíram anualmente com 1 bilhão de dólares. É frequente haver ali conflitos económicos, étnicos, políticos e religiosos. Os estrangeiros e turistas são alvo do pequeno crime durante o dia e encontram-se expostos a roubos e assaltos, à mão desarmada ou com catana, assim como à violência de multidão, que pode ser despoletada por um vulgar acidente de trânsito, o que não é difícil de acontecer, porque o desrespeito pelas regras de trânsito é generalizado e apenas 6,9% das estradas são asfaltadas. As Nações Unidas mantêm no território um efectivo de 5.838 militares: a UNMIL. Alguns locais da Capital (Monróvia) são particularmente perigosos, como são os casos de: Red Light, Waterside, Congo Town, ELWA Junction e todas as áreas do mercado. Foi para aqui que a nossa Miss Greer foi enviada, a expensas da Free Presbyterian Church of North America (FPCNA).
Depois de muitos quilómetros andados, de algumas peripécias e dificuldades iniciais, esta missionária irlandesa recebeu o seu segundo cão, também ele um Pastor Alemão, uma cadela chamada “Tina” que lhe foi doada por um amigo. Queira Deus que tenha melhor sorte, que houvesse sido bem preparada e seja melhor guarda, que tenham aprendido com a experiência e que não a percam de vista, porque um cão isolado é como um discípulo sem mestre. Na foto seguinte podemos ver Joanne Greer com a sua nova body-guard e com outro companheiro de missão.
A história de Miss Joanne Greer, a quem desejamos que faltem muitos capítulos ainda, porque é uma jovem, cativou-nos por dois aspectos: pela sua decisão, ao ponto de colocar a sua vida em risco e, pelo particular dos Pastores Alemães. Ainda que a irlandesa não seja caso único, não abunda por aí gente capaz de abraçar idêntica vocação e muito menos fazer-se acompanhar por cães, particularmente num país onde a fome grassa e os animais são objecto de repulsa e inveja, uma compreensível afronta para quem vive atolado na miséria. Grandes mudanças têm sofrido os Pastores Alemães nos 117 anos da sua existência, jamais imaginaria que transitassem da guarda de rebanhos para protectores de pastores de almas, percorressem todos os continentes e chegassem aos lugares mais recônditos. 

UM PERDE O AMIGO E OUTRO FICA SEM DEUS

Quando um dono perde o seu cão, fica pesaroso e sem um grande amigo; quando morre o dono, o cão fica sem Deus, completamente destroçado e desorientado. Se todos aqueles que descartam, abandonam ou roubam cães meditassem sobre a gravidade dos seus actos, muitos deles jamais os repetiram ou fariam, até porque os cães têm uma particularidade: gostam mais dos donos do que de si próprios! Afortunadamente vivemos mais anos do que eles, o que nos permite ter vários cães ao longo da vida. Caso sucedesse o contrário, eles jamais seriam o que são. Assim sendo, há que respeitá-los, já não virá mal que baste ao mundo?

ÁRBITRO NAS DISPUTAS ENTRE LÍDERES E SUBORDINADOS

Tal como sucede com os homens, também nos cães existem mais subordinados do que líderes, merecendo respectivamente as designações de “submissos” e “dominantes”, o que possibilita a sobrevivência das duas espécies enquanto seres sociais. Hoje, devido à ausência de trato directo com os animais e à aquisição tardia dos cães, que levam ao aumento do medo, criam-se por aí dominantes que nunca o foram e que lembram de certa maneira o “Cão Cérbero”, um animal com 3 cabeças, presente na mitologia grega e tido como guarda do mundo inferior (inferno). Como importa adequar no adestramento os perfis psicológicos binomiais, o adestrador vê-se no papel de árbitro nas disputas entre cães e donos que obstam ao seu rendimento colectivo. Avaliaremos em seguida os quatro casos possíveis: condutor líder/cão dominante, condutor líder/cão submisso, condutor subordinado/cão líder e condutor subordinado/cão submisso, no intuito de identificar os problemas mais comuns e adiantar as soluções mais acertadas, tendo em vista a necessária e efectiva liderança humana.
Os condutores que são líderes inatos carecem por norma de algum travamento, porque a sua ambição pode impedir-lhes a necessária identificação dos cães que os acompanham, o que normalmente obsta ao seu desenvolvimento laboral por via de uma precária comunicação, por vezes imprópria e nalguns casos até abusiva, capaz de gerar medo ou revolta nos animais que conduzem. Tomando como exemplo o 1º caso, o do condutor líder/cão dominante, importa dizer que, caso alcancem a plena constituição binomial, dificilmente serão ultrapassados e o seu rendimento será excelente, ainda que eventualmente possam surgir algumas dificuldades no seu processo pedagógico, mercê do dualismo das vontades, expresso na resistência do cão, que não dispensa um condutor experimentado, para que a harmonia das acções consiga evitar as desnecessárias confrontações. Aqui o dono terá que ser um disciplinador não temerário e seguro, alguém capaz de estabelecer regras e de recompensar o animal pelo acerto, assim como proceder à reprovação e inibição dos seus exageros, já que o cão tende a capitanear as acções ou a despoletá-las sem ordem expressa. Para que o animal aceite a liderança sem maiores atropelos, o seu condutor deverá ser alertado e estar preparado para aguentar seguro e impenetrável as manifestações de desagrado do cão e ser pronto na sua cessação. A palavra de ordem aqui é disciplina e ela não deverá sucumbir diante de qualquer provocação. Ainda que sejam objecto de grande procura, os cães muito-dominantes não são próprios para qualquer um.
Quando um condutor possui todas as qualidades que o identificam como líder e tem como companheiro um cão submisso ver-se-á obrigado a trocar, sempre que necessário, a disciplina pelo alento, o que nem sempre acontece, para que a primeira não produza inusitado travamento e venha a transformar um cão num autómato sem préstimo, o que o tornará excessivamente dependente, impedirá a sua defesa, obstará ao seu bem-estar e diminuir-lhe-á a autonomia, impossibilitando-lhe a ousadia só alcançável pela investidura que o tornaria mais seguro. Encontrar quem dê alento e transmita ânimo nunca foi fácil e muito menos nos dias atribulados em que vivemos, onde por norma a esperança não abunda. Um dono decidido com um cão submisso em mãos terá que valer-se da cumplicidade para o alcance dos objectivos, abdicando sempre que possível da liderança pura e simples, que intimida e não anima. Adianta-se que as fêmeas raramente são dominantes, ficando isso a dever-se ao dimorfismo sexual presente nos cães e ao seu desempenho na reprodução.
 Quando um condutor subordinado é obrigado a educar um cão dominante estamos diante de um processo pedagógico difícil, porque naturalmente o cão tentará dominar sobre quem o conduz, tudo fazendo para que a sua vontade impere e a liderança do seu condutor jamais aconteça. Aqui o adestrador é obrigado a intervir, quantas vezes for necessário, procedendo à instalação dos comandos no cão até que eles garantam, por si, a liderança do seu condutor, já que o condicionamento operado por ele dificilmente será objectivo e incondicional. A acção do adestrador torna-se obrigatória diante dos previsíveis riscos pró condutor, uma vez que não inibe e o cão tudo fará para o inibir, o que infelizmente acontece com alguma frequência. Com o tempo, a acção do adestrador e o empenho do dono, que gradualmente vai ganhando ânimo e força pelo exemplo, o binómio virá ser constituído. Quando a um condutor subordinado cabe um cão submisso, há que injectar doses maciças de ânimo no líder, visando  a sua investidura e o robustecimento do cão, que jamais se sentirá seguro e protegido se for objecto de uma liderança passiva, passividade que a acontecer, virá a comprometer por receio qualquer serviço destinado ao animal. Resumindo, as disputas binomiais resolvem-se, consoante os casos, com disciplina, cumplicidade, interajuda e ânimo, cabendo ao adestrador indicar qual destes antídotos utilizar diante dos problemas encontrados, acção que o transforma num árbitro apostado no sucesso, porque resolve, a contento das partes e objectivando um fim útil, os possíveis litígios entre homens e cães.

BEAR: A ARMA SECRETA CONTRA OS PEDÓFILOS E A PORNOGRAFIA INFANTIL

O “Bear”, um Labrador negro com 2 anos de idade, tem merecido grande destaque nas agências noticiosas internacionais por ser um dos 5 cães treinados nos Estados Unidos para detectar dispositivos electrónicos de dados. Ensinado a partir da recompensa com comida e objecto de treino específico durante 4 meses, foi comprado para a polícia por 9.500 dólares americanos. O seu esmero é tal que nenhum micro-card lhe escapa, não pelo seu conteúdo específico mas pelos seus componentes químicos. Graças ao trabalho deste Labrador e o do seu tratador, o agente Todd Jordan, cada vez mais solicitado, vários pedófilos têm sido desmascarados e muito material de pornografia infantil apreendido. Cães destes davam-nos muito jeito por cá e seriam de inestimável valor para a actual cruzada do Papa Francisco. Como treinar cães para este fim em pouco ou nada difere do treino convencional para a detecção de drogas ou explosivos, desconhecem-se as razões que impedem a urgência do seu serviço entre nós. Ò Sr.ª Ministra da Administração Interna, solte lá uma verba e mande uns moços aos States, basta um ou dois, as crianças agradecem e as famílias também! 

EM PROL DOS RECLUSOS E DA COMUNIDADE

Nesta persistente aura de poesia e fatalismo que nos caracteriza e envolve, sobram-nos suspiros e falta-nos pragmatismo, como se tudo estivesse já perdido e o futuro só a Deus pertencesse, infortúnio que os ladrões sinceramente agradecem. Ainda bem que há povos bem diferentes de nós, talvez sejam menos polidos, mais rudes e broncos, bárbaros como outrora foram classificados. Mas por causa deles o mundo pula e avança, porque são práticos e acabam por valer aos outros. Assim são também os americanos quando comparados com os cidadãos das mais velhas nações europeias, cuja maioria não sabe pegar num talher mas que têm revolucionado o viver global pelo desenvolvimento de toda a sorte de experimentos. Nas prisões de vários estados norte-americanos têm vindo a ser implementados programas e cursos de adestramento destinados aos reclusos, medidas que têm contribuído para a sua futura reinserção social, enquanto ferramenta, e que têm vindo a reforçar eficazmente a segurança comunitária.
Num protocolo assinado pela Universidade de Auburn (AL) com algumas prisões no Alabama, Flórida e Geórgia, vários labradores têm sido entregues a reclusos para serem treinados na detenção de bombas, homens-bomba  e componentes explosivos, mediante programas científicos vocacionados para o sucesso. Graças a esta iniciativa, alguns cães já foram colocados e continuarão a sê-lo na rede ferroviária norte-americana, no metro de Nova Iorque, nos aeroportos, nos locais de inaugurações presidenciais, nos estádios onde se realizam grandes eventos desportivos e nas metrópoles com elevada densidade populacional. Idêntica iniciativa seria aqui fazível e bem-vinda, diante da crescente ameaça terrorista que se abate sobre a Europa e da necessidade de formação e reinserção social dos nossos reclusos. Haverá vontade política para se realizar aqui uma experiência-piloto ou guardá-la-emos para 40 anos depois como é nosso apanágio?

QUEM TE AVISA, TEU AMIGO É

Grande número de vereadores municipais espanhóis do pelouro do ambiente anda preocupado com a saúde pública por conta dos proprietários caninos que não apanham os dejectos dos seus animais nos passeios e espaços públicos, tudo fazendo para que a situação se altere e os prevaricadores mudem de atitude por via de pesadas coimas, o que implicará em surpreendê-los em flagrante delito. Em Colmenar Viejo, uma cidade e município com cerca de 44.000 habitantes, localizada na Comunidade de Madrid, Espanha, a 30 quilómetros ao norte da Capital espanhola e pertencente à comarca de Cuenca Alta del Manzanares,  os autarcas, para além de já se terem valido doutros cães apetrechados com cameras para filmarem os donos em contravenção com a lei, contratou este ano um detective particular para obrigar os donos em falta à apanha dos dejectos. Para o próximo ano, o dito detective vai passear incógnito pelas ruas daquela cidade histórica, filmando os prevaricadores e entregando esses registos à polícia, que aplicará aos infractores uma multa de 750€, montante que até não é exagerado, considerando que em Madrid e Barcelona essa multa pode ascender até aos 1.500€ (em Lisboa o valor máximo é de 727€). Nos arredores de Madrid, nos municípios de Alcalá de Henares (onde se come muito bem) e de Leganés, essa fiscalização é feita por polícias à paisana, ao contrário do que sucede em Móstoles, que possui uma linda igreja em estilo mudéjar (La Iglesia de Nuestra Señora de la Asunción), onde a tarefa é assumida por cidadãos voluntários recrutados na vizinhança.
Procurando solução para o mesmo problema, em Tarragona, na Catalunha, cidade costeira mediterrânica com 135.000 habitantes e onde existem mais de 2.800 cães, está em projecto uma parceria entre a universidade local e a autarquia para se criar um banco de dados de ADN dos cães registados, que permitiria a sua identificação pelos dejectos abandonados e por conseguinte, também, a dos proprietários, que para além de pagarem a multa, se veriam obrigados a pagar o teste de ADN. Idêntico plano foi recentemente abandonado pela autarquia de Getafe, cidade ao sul de Madrid, das mais povoadas da região e que é considerada o centro geográfico da Península (40º18’17’’N 3º43’52’’W). A campanha mais agressiva e que melhores resultados deu no combate ao abandono dos dejectos a céu aberto foi levada a cabo pela autarquia de Brunete, uma pequena cidade com pouco mais de 10.000 habitantes, situada 20 milhas a oeste de Madrid. Durante essa campanha foram usados 20 voluntários que entabulavam conversa com os proprietários caninos desleixados, ficando assim a saber o nome dos cães, a raça a que pertenciam e o nome dos seus proprietários. Depois, os dejectos eram recolhidos pelos funcionários camarários e enviados em caixas de cartão, com as insígnias da cidade, para o domicílio daqueles donos, avisando-os que seriam multados diante de reincidência. A partir daí houve uma melhoria em 70% dos casos. O que se passa em Espanha sempre transborda para Portugal, país onde o respeito pelos outros é por vezes muito pouco. Se tem por hábito obsequiar os outros com a trampa do seu cão, deixe-se disso, porque se o respeito pelos outros não o demover, certamente o aumento das multas o convencerá na ausência de vergonha.

QUAL SERÁ O MOTIVO (XL)?

O “Chaka” é um Cão de Água Português castanho, com mais de 10 primaveras, que inexplicavelmente tem um especial predilecção por fardas, ao ponto de acompanhar alegremente qualquer polícia de patrulha, mesmo que alguns deles não lhe liguem peva e não se agradem da parceria, o que acontece frequentemente. O comportamento do cão já lhe valeu a alcunha de “Agente Chaka-Zulu”, combinando a origem do seu nome com a sua tendência e permanência à porta da Esquadra local. Porque se comportará assim? Hipótese “A”: Adora seguir os polícias na esperança de apanhar ou surpreender criminosos. Hipótese “B”: Acompanha os polícias porque está abandonado e procura um dono. Hipótese “C”: Aproveita os giros policiais para satisfazer a sua necessidade de exercício diário. Hipótese “D”: Emparelha com os polícias porque é tímido e junto deles sente-se seguro. Hipótese “E”: O dono é polícia e está colocado naquela esquadra. Para a semana cá estaremos com um novo caso e adiantaremos qual a hipótese certa. 

SOLUÇÃO DA EDIÇÃO ANTERIOR

A hipótese certa para esta rubrica da semana passada é a Hipótese “B”: A cadela está a sensivelmente 24 horas do parto. Se algo estivesse errado com os cachorros, os sinais da cadela seriam outros e a temperatura ao invés de descer aumentaria, pelo que a Hipótese “A” deverá ser descartada. Caso a barriga incomodasse a cadela, jamais se poria a raspar amiúde no chão, o que torna a Hipótese “C” falsa. Quando um cão pretende defecar não raspa no chão, antes procura o magnetismo terrestre e rodopia sobre si mesmo, o que torna a Hipótese “D” também falsa. Como enterraria a cadela os fetos mortos antes de os haver expulsado? A Hipótese “E” é por demais fantasiosa e antropomórfica, pelo que deverá ser desconsiderada.

CORREIO DOS LEITORES: CONSEGUIRÁ UM LOBO SOBREVIVER SEM ALCATEIA?

Esta pergunta foi-nos feita por um leitor, pelo que passamos de imediato à sua resposta pelo estudo e experiência que adquirimos. Sim, um lobo pode sobreviver isoladamente, desde que consiga ou alguém lhe garanta a subsistência, obrigado pelo instinto de sobrevivência que o torna num excelente oportunista, quer se encontre agrupado ou não, muito embora as suas chances aumentem substancialmente quando em grupo, advindo-lhe daí o hábito que não dispensa o escalonamento social da alcateia, tanto para essa como para outras funções. Por detrás da pergunta que nos foi formulada, julgamos haver outra subsequente: pode um lobo ser domesticado? Sim, pode. Ainda que seja mais fácil fazê-lo quando infante, pela dependência, estágio cognitivo, desconhecimento e substituição das suas actividades biológicas, apesar de em qualquer idade tal ser possível, facto comprovado pela existência de lobos em cativeiro para estudo, tratamento ou exposição. Os lobos isoladamente são mais fáceis de domesticar, esperando dos seus protectores aquilo que a alcateia lhe daria, ainda que vejam diminuída a sua qualidade de vida, bem-estar e longevidade por inacção e privação do seu viver natural. As fêmeas sempre se adaptarão mais facilmente, o mesmo sucedendo com as variedades mais ricas em melanina. Estamos em crer que a possível domesticação do lobo levaria à sua extinção, porque grande é a tentação pela sua miscigenação com o canis lupus familiaris - o cão, como tem vindo a suceder e não deveria perpetuar-se. 

CORREIO DOS LEITORES 2

Um dos textos mais procurados ultimamente tem sido: “PODENGO: PREFERENCIALMENTE PRETO!”, editado em 13/11/2014, que se encontra inclusive no TOP 10 desta semana. Recebemos de um criador desta variedade cromática de podengos o seguinte comentário: “Dou-lhe os parabéns por esta publicação. Eu sou um apaixonado pelo podengo português e em especial pelos de cor preta, tenho actualmente 7 podengos pretos e um castanho (chocolate), uma das fotos que usou é da minha primeira cadela preta e outra é de uma filha dela que se encontra actualmente nos EUA. Cumprimentos …/…”. Oxalá outros criadores e caçadores apostem no Podengo Português Negro, que apesar de excelente caçador têm sido vítima de séria descriminação, ao ponto de quase ter desaparecido só por causa da sua cor.

ELES DERAM O NÓ!

Realizou-se no passado Sábado, dia 29 de Agosto, na Parede/Cascais, em casa dos avós maternos da Joana Melo, pelas 14 horas, o seu casamento com o João Carreiras, companheiro com quem vivia em união de facto há já alguns anos. A cerimónia foi civil e carregada de emoção, bastante vivida pelos noivos e convidados, num ambiente alegre e descontraído, onde a brisa marítima e o sol se fizeram presentes, dando-lhe um enquadramento único. Seguiu-se à celebração do matrimónio um banquete nos jardins daquela casa, sobejando ali comida e boa disposição. Como não podia deixar de ser, o Radar, o pastor alemão de ambos, fez-se presente e teve livre circulação, para alegria de miúdos e graúdos que raramente lhe deram descanso. Tudo correu conforme o esperado e desejam-se votos de grande felicidade, cumplicidade e sucesso para os noivos, que de imediato estarão de partida para Inglaterra, país onde vivem e exercem as suas actividades profissionais. Fica a notícia: eles deram o nó, a Joana casou-se.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _ O SONHO DO LUPINO PORTUGUÊS E O PERRO LOBO MALLORCAN, editado em 18/08/2015
2º _ PODENGO: PREFERENCIALMENTE PRETO!, editado em 13/11/2014
3º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
4º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIVERSAS LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
5º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
6º _ QUAL SERÁ O MOTIVO (XXXIX)?, editado em 18/08/2015
7º _ LA PROCESIÓN DE PERROS EN EL DIA DE SAN ROQUE, editado em 18/08/2015
8º _ EU QUERIA UM PASTOR ALEMÃO, DE PREFERÊNCIA TODO PRETO!, editado em 05/06/2010
9º _ QUASE 2 MILHÕES VÃO PARA OS CAMPOS DA ESCÓCIA COM O CÃO, editado em 18/08/2015
10º _ PÁ DE VACA: O OSSO AMIGO DO CÃO, editado em 13/02/2014

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim escalonado:
1º Portugal,2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Rússia, 6º Suécia, 7º França, 8º Japão, 9º Holanda e 10º Bélgica.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O SONHO DO LUPINO PORTUGUÊS E O PERRO LOBO MALLORCAN

Certa vez tivemos um sonho, lançámos mãos à obra e não chegámos a concluí-lo: o de criarmos a primeira raça lupina portuguesa, já que não temos nenhuma e a que mais se assemelha é o Cão de Castro Laboreiro, um molosso alupinado, que do ponto de vista cognitivo deixa muito a desejar, por via de menos valias sociais que dificultam a parceria e comprometem a cumplicidade, advindas do seu carácter instintivo, quiçá por ausência de uma verdadeira política de selecção. Sem exceptuar o Lobo Ibérico para o efeito, mas temendo os resultados alcançados por americanos, canadianos, checos, holandeses e italianos, quando cruzaram Pastores Alemães com diferentes lobos e alcançaram híbridos de menor valia que o Cão Alemão na sua origem e, conhecedores do trabalho desenvolvido em torno do Pastor de Shiloh, considerámos primeiro a hipótese de cruzar Pastores Alemães ou Huskies Siberianos com alguma raça portuguesa que servisse os nossos intentos. A opção pelo Pastor Alemão e pelo Husky ficou a dever-se às suas características somáticas, máquina sensorial, mecânica, índices atléticos, resistência, versatilidade, rusticidade, territorialidade e coeficiente de aprendizagem, porque já sabíamos que o Pastor Alemão é dominante na construção e os híbridos Husky absorvem dos outros progenitores aquilo que ele não tem para dar, facto que verificámos em caçadores de aves, coelhos e javalis. Temendo uma menor abrangência de serviços e uma maior mansidão, acabámos por dispensar o Husky, muito embora os seus híbridos se prestem de sobremaneira prà detecção de explosivos e como cães de resgate.
 Com o Lobo Ibérico de reserva, optámos pelo Pastor Alemão, faltando-nos escolher a raça lusa para o empreendimento. De imediato excluímos os grandes molossos nacionais: Castro Laboreiro, Rafeiro Alentejano e Serra da Estrela, apesar de os termos testado, o que para além de dispendioso foi óptimo, porque ficámos a saber muito mais sobre cada um deles. Para além de alguns desacertos morfológicos advindos da hibridação, tais como: garupa mais alta que a cernelha, dorso selado, pouca angulação de traseira e pernaltismo (entre outros), os híbridos de CPA/C. Laboreiro de 1ª geração revelaram-se manhosos e maldosos, sempre prontos a testar a liderança e a promover-lhe emboscadas, quando contrariados e desagradados, apesar de velozes e extraordinariamente resistentes. Os híbridos de 1ª geração de CPA/Rafeiro Alentejano, cuja distribuição da cor branca lembrava os “Shiloh Panda”, mostraram-se pouco solícitos, tendentes ao isolamento, e dados a rumo próprio, oscilando entre a extrema mansidão e um forte impulso ao poder. Tanto os híbridos de Castro Laboreiro como os de Rafeiro Alentejano, para além de atingirem pesos acima dos 45 kg, apresentavam-se maioritariamente bicolores e com tigrado nos membros. Os híbridos de 1ª geração de CPA/Serra da Estrela, maioritariamente uniformes e com grande variedade de cores, mostraram ser os mais activos, vigilantes e atletas, mas ao mesmo tempo os mais perigosos e com maiores problemas de controlo, peritos no ataque pela retaguarda e propensos a empinar-se nas confrontações, em tudo lembrando os problemas outrora encontrados nos “Eurasiers“. A somar a isto, resistiam ao trabalho sistemático, carregavam sem provocação e obedeciam com parcimónia. Importa esclarecer que procurávamos um lupino para guarda.
Convencidos das dificuldades e da morosidade de chegar a um lupino tipo pela contribuição dos molossos nacionais, porque usavam o reforço cognitivo para fim próprio, para a rebeldia e para o aumento da sua autonomia, optámos por atentar para as restantes raças portuguesas, experimentando previamente em treino cada uma delas para aquilatar das suas virtudes e defeitos, dando prioridade ao Serra de Aires e ao Cão de Água, uma vez que o uso do perdigueiro ainda mais retardaria morfologicamente o fim em vista. Os híbridos de CPA/Serra de Aires, portadores de uma capacidade de aprendizagem notável, extraordinariamente silenciosos e de uma elasticidade pouco vista, garantiam em maior número os exemplares bicolores, nomeadamente os preto-afogueados. Todavia, sofriam com os impactos ao solo na saída dos obstáculos mais duros, avisavam pouco, produziam ataques baixos e de surtida, acusavam em demasia os contra-ataques e esgueiravam-se das ordens debaixo de tensão, o que obrigaria ao concurso duma 3ª raça para aproveitar as suas mais-valias (a quase totalidade dos cachorros apresentava pelo crespo). Os híbridos de CPA/ Cão de Água mostraram-se, quando comparados com o Pastor Alemão na sua origem, pouco disponíveis, bonacheirões, barulhentos e extraordinariamente amistosos, com alguma falta de autonomia e pouco ou nada propensos a acções defensivas e ofensivas, para além de aumentarem a incidência de diferentes prognatismos e displasias, muito embora vissem melhorado o seu faro e atingissem velocidades estonteantes. Também eles obrigariam ao concurso duma 3ª raça ou ao reforço do Pastor Alemão na sua construção.
Renitentes ao uso do Canis lupus signatus, por razões que atrás adiantámos, virámo-nos finalmente para o Podengo Gigante e para o Fila de S. Miguel. Esclarecemos que desenvolvemos este esforço antes de Francis Collins e John Craig Venter terem descoberto a sequência do genoma humano, muito embora conhecêssemos, ainda que sucintamente, o resultado dos trabalhos de Francis Crick, James Watson e Maurice Wilkins relativos à descoberta da estrutura molecular do ADN. Apesar de convencidos do despropósito da hibridação CPA/Podengo para as nossas ambições, porque outros já o haviam experimentado sem grande sucesso, produzindo exemplares mais ricos em instintos do que em personalidade, contrariamente ao verificado no Pastor Alemão, optámos por repetir a experiência, valendo-nos de Podengos Grandes de pelo curto, isentos de remoinhos no manto e sem evidência da cor branca, temendo malhas dessa cor no crânio, no pescoço, membros e na ponta da cauda. Conforme esperávamos, da hibridação CPA/Podengo Grande, a somar à indesejável carga instintiva, resultaram exemplares ligeiramente mais pequenos que o CPA, quase todos vermelhos ou cor de corso, quadrados, de pelo crespo e orelhas erectas (exageradamente grandes). A hibridação CPA/Podengo Grande, ao invés de garantir a predominância do CPA, tende a regressar ao seu atavismo, gerando cães em tudo idênticos ao Pastor da Picardia (Picard) que estiveram na sua origem, razão pela qual grande número de mestiços de CPA com rafeiros são maioritariamente de cor vermelha.
Com o Podengo posto de parte, virámo-nos esperançados para o Cão de Fila de S. Miguel, escolhendo os exemplares maiores e provenientes dos lavradores açorianos, porque não nos interessava produzir o lupino mais pequeno das raças caninas e procurávamos porte, rusticidade, resistência, parceria e aptidão laboral. Da hibridação CPA/Fila de S. Miguel resultaram exemplares mais pequenos, mais leves, extremamente aguerridos, carentes de afincada sociabilização entre iguais, mais resistentes à dor, menos avisadores e mais atletas, que tendencialmente partiam da fixação para o ataque. Com 6/8 de CPA na sua construção, podemos garantir a eliminação das menos valias presentes nos híbridos de 1ª geração, mas dificilmente conseguimos suprimir o seu carácter anti-social e a natureza imprevisível dos seus ataques. Em todas as raças portuguesas usadas e testadas, a incidência de displasia coxo-femoral fez-se presente, porque naquele tempo o despiste da displasia era pouco considerado. Por razões várias, apontando a maior para a falta de suporte económico, deixámos o nosso sonho a meio, sabendo que através do Fia de S. Miguel era fazível, porque o cão açoriano é uma mais-valia e o único entre os nossos que se presta cabalmente como guardião, apesar de não sabermos por quanto tempo, considerando as “mexidas” de que tem sido alvo e que o têm transformado num mero cão de bamboleio.
Eis-nos chegados ao Lobo Ibérico (Canis lupus signatus), uma subespécie do Lobo Cinzento, cada vez menos visto em Portugal. Mentiríamos se disséssemos que não o experimentámos no nosso projecto, o que aconteceu em duas ocasiões, quando cruzámos uma CPA de nome “Seixa da Ajuda - P” com um Lobo Ibérico em cativeiro numa instituição estatal a que tivemos acesso na altura, correndo o risco de perdermos a fêmea pela diferença dos rituais de acasalamento entre as duas espécies (sempre será mais fácil e menos perigoso cruzar um cão com uma loba). Caso não houvéssemos tido essa oportunidade, acabaríamos por comprar um filhote de “signatus” no Noroeste de Espanha, que na altura custava o equivalente a 400€. Produzimos um total de 14 híbridos, sendo o “Kali” o mais famoso (por vezes tratado por “ILAK”), apesar do seu adestramento não se ter revelado fácil pelo grau de dominância que patenteava. Desta hibridação Lobo Ibérico/CPA, 80% dos filhotes nasceram Lobeiros e 20% preto-afogueados, sendo que os primeiros, apesar do dimorfismo sexual, vieram a ser maiores. A definição da cor nos lobeiros aconteceu mais tarde, permanecendo cinzentos uniformes até aos 5 meses de idade. Estes híbridos, quando comparados com o Pastor Alemão, alcançaram as suas maturidades substancialmente mais tarde, não se manifestando em nenhum deles qualquer tipo de apelo atávico-silvestre. Do ponto de vista morfológico e à primeira vista, somente debaixo de suspeita se concluiria tratarem-se de híbridos, já que eram em tudo idênticos ao CPA, muito embora a expressão, disposição e cor dos olhos, a possível isenção de máscara no focinho, o tamanho e disposição das orelhas, o comprimento das presas, o ventre arregaçado e o comprimento da cauda pudessem eventualmente denunciar alguns.
Para dissipar quaisquer dúvidas, nenhum destes híbridos sorvia ao beber água e acompanhámos todos até ao seu final, cuja média de esperança de vida foi de catorze anos e meio, vivendo uma fêmea mais 18 meses para além disso (16 anos). Dos 14 exemplares nascidos nas duas ninhadas somente 4 vieram a ser treinados de modo convencional, 3 por tratadores da GNR e 1 pelo Sr. Filipe Pereira, por sinal todos machos, lobeiros, acima dos 70 cm de altura, para lá dos 40 kg e com um perímetro torácico acima dos 90cm (todos os treinadores contratados ignoravam ter em mãos híbridos de Lobo, porque essa informação não lhes foi adiantada na altura). Os restantes híbridos acabaram por guardar quintas e logradouros. Alguns deles vieram a reproduzir-se com Pastores Alemães e geraram proles saudáveis, valentes, resistentes, bastante interactivas, multifacetadas, protectoras e com maior esperança de vida. Os descendentes do “Signatus” mostraram-se livres de displasia, insuficiência pancreática exócrina, mielopatia, nanismo e demais achaques tornados hereditários no Pastor Alemão. Nenhuma das diversas linhas de Pastores Alemães da Acendura Brava viria a sofrer infusão de Lobo Ibérico, mas todas elas lucraram com o conhecimento que obtivemos dele. Desenvolvemos este trabalho 3 anos antes da criação do Centro de Recuperação do Lobo Ibérico (CRLI) e não o continuámos para não comprometermos ainda mais a sobrevivência do nosso Lobo (que continua ameaçada), pela hibridação sistemática na procura das suas mais-valias.
Os híbridos de 1ª geração de CPA/Lobo Ibérico adaptam-se bem e depressa ao treino, não apresentando dificuldades específicas ou acrescidas, porque não são atormentados pela timidez ou desconfiança presente noutros híbridos, como é o caso do Saarloos Wolfdog, nem atrapalhados pelo avassalador impulso ao poder visível nalguns Lobos-Checos, dados a rumo próprio e manifestamente anti-sociais. Como acompanhámos em cativeiro o crescimento de duas ninhadas de lobos signatus, estamos convencidos que o Lobo Ibérico é fácil de ser treinado como um cão, apesar de mais efusivo nas suas manifestações de carinho, quando acompanhado desde tenra idade, convidado para a coabitação e adestrado a partir dos 7/8 meses de idade, altura em que os filhotes seguem a alcateia em excursão. Alimentá-lo também não é difícil e pode transitar para a ração pela sua tendência necrófaga. De qualquer modo, o seu treino só se justificaria quando esgotadas todas as hipóteses válidas prà sua sobrevivência, pois há que respeitá-lo tal qual é e como subespécie única, apesar da sua continuidade depender da adaptação de que for capaz. Sobre este tema, o do uso do Lobo Ibérico para a obtenção de cães-lobos, vale a pena consultar: http://www.mallorcan.es/como-nacio-el-perro-lobo-iberico-de-mallorcan/ , para ficarmos a saber o que já se faz nesta matéria na vizinha Espanha.
 Nunca foi nossa opção chegar ao lupino português através do Lobo e só usaríamos o Canis lupus signatus em último caso e na ausência de outras soluções. Pelo que experimentámos e podemos comprovar, a melhor opção para a criação de um lupino português para guarda, a partir das raças caninas nacionais existentes, aponta claramente para o Cão de Fila de S. Miguel, quando cruzado com o Cão de Pastor Alemão. Alguém poderá questionar: ao invés do CPA, não nos poderíamos valer do Malinois para o mesmo efeito?” Sem dúvida, desde que por cá abunde gente apta para travar esses híbridos! Para nós, a fronteira entre o CPA e o Malinois é muito ténue e reside no controlo das acções, porque o primeiro obedece em qualquer circunstância e o segundo carece de circunstâncias favoráveis. Como deixámos o nosso sonho a meio, esperamos que os mais novos o concretizem. E mesmo que não o venham a realizar, por se tornar obsoleto ou sem sentido, ficar-lhe-emos na mesma gratos se melhorarem as raças que hoje temos, mediante uma nova política de selecção que as leve a uma maior abrangência de serviços, uma vez que o seu préstimo mantem-se reduzido.

NATUREZA, SURPRESA E JAVALIS

Se há hábito que o português não perdeu e dificilmente perderá, o de comer no campo é um deles, muito embora tenha trocado o nome de “merendar” por “piquenicar” e aligeirado as refeições, porque as cozinheiras doutrora já cá não estão, o garrafão de vinho caiu em desuso e as sandes substituem os afamados pratos tradicionais. Contudo, ainda se grelham sardinhas, bacalhau e febras, normalmente acompanhados das mais variadas saladas que vão do tomate aos pimentos, passando pela alface e pelo pepino (agora já muitos usam também rúcula). Depois de “bem aviados”, soltam as crianças e embalam para uma grande soneca, debaixo das árvores e estendidos no chão, acordando lá pràs 5 ou 6 da tarde, suados, tolhidos e vermelhos que nem leitões.
Infelizmente estamos no pique dos incêndios e todo o cuidado é pouco, os fogos florestais sucedem-se de Norte a Sul do País e é preciso estar de sobreaviso, para que não acordarmos no meio de inesperadas labaredas, tantas vezes espevitadas por veraneantes descuidados. Melhor será assentar arraiais junto a uma estrada do que mata a dentro, deixar o carro à beira da estrada do que trazê-lo para o meio da floresta, porque mais vale andar mais um pouco do que agravar a situação e comprometer o socorro. Nas matas ou parques que não têm assadores próprios, é contraproducente fazer fogueiras, porque raramente são limpas e têm à sua volta mato seco com fartura. Se você é fumador, não se deite de cigarro na boca, não deixe garrafas de vidro à torreira do sol e escolha locais mais arejados e sem mato, preferencialmente junto a rios ribeiros, porque “o seguro morreu de velho”.
Curiosamente são os proprietários caninos que correm mais riscos nas matas, porque procuram as menos concorridas e menos acessíveis, para que os seus cães não incomodem e possam correr à vontade, já que a lei os proíbe de circular no exterior sem trela. Todavia, as áreas menos apelativas para os viandantes são habitats e lugares de passagem para as espécies silvestres, que ali se sentem seguras pela distância que as separa dos intrusos. Uma dessas espécies a ter em conta é o Javali (Sus scrofa), cada vez mais numeroso nas nossas matas, que como se sabe é omnívoro e tem o faro extraordinariamente desenvolvido, podendo cheirar comida a 5 km de distância. A época estival marca o início do desmame dos leitões, que começam a procurar comida debaixo da alçada das matriarcas, que ao menor sinal de perigo darão a sua vida pelos filhotes, atacando violentamente quem se aproximar deles, ataques que não raramente deixam marcas profundas e que poderão ser letais para pessoas e animais.
Para diminuir os riscos de confrontação, provocados pela avidez de alimento dos leitões, aconselha-se que tanto as sobras da comida quanto os restos sejam ensacados e devidamente guardados, as primeiras em caixas isotérmicas estanques e os últimos em sacos de plástico ou em baldes com tampa, devendo ambos ser guardados dentro das viaturas. Se porventura tal não se tornar prático, a comida deverá permanecer junto das pessoas e os restos afastados delas no mínimo a 50m, estabelecendo assim um perímetro de segurança, para que os leitões roubem os sacos do lixo e não importunem ninguém, já que são naturalmente atrevidos na presença das suas matriarcas, desaparecendo por norma com os sacos na boca. Pela mesma razão, evite acampar perto dos recipientes de lixo nos parques de merendas. Se por acaso se vir cercado de leitões, não os acaricie, não fuja ou corra atrás deles, evite gestos bruscos, acalma-se e aja como se não os houvesse visto, adquirindo uma mímica passiva e desinteressante, porque bem perto dos leitões, ainda que não seja visível, está a sua mãe, que por ser extraordinariamente protectora, não é para brincadeiras. Apesar da sua actividade poder decorrer durante todo o dia, os javalis são mais activos ao crepúsculo e durante a noite, ocasiões em que o risco de confrontação é maior e mais frequente, o que pode tornar perigosa a permanência em matas, soutos e pinhais depois do sol se pôr.
 Não só por causa dos javalis mas também por causa deles, quando decidir empreender uma sesta no campo, conserve os seus cães junto de si e não os deixe deambular pela floresta, a menos que conheça a sua geografia como a palma da sua mão. Deixar os cães soltos é convidá-los a caçar e sujeitá-los a serem surpreendidos e caçados. Uma fêmea de javali com crias ao seu encargo pode facilmente despedaçar 2 ou mais cães, atendendo às suas presas, porte, motivação e força. Para além dos indesejáveis encontros com os javalis, os cães deixados à solta pelas matas incorrem noutros perigos, acabando alguns mordidos por víboras, que se encontram activas de Março a Outubro. Em Portugal existem duas espécies delas: a Vipera Latastei, também conhecida como víbora cornuda, mais comum a norte do Douro, e a Vipera Seoanei, que só atacam quando se sentem ameaçadas. Felizmente os seus ataques não são muito frequentes e raramente causam vítimas humanas, apesar de deixarem marcas para toda a vida e poderem vir a ser fatais em crianças, debilitados e idosos, por não resistirem aos efeitos do veneno no metabolismo. As mordeduras destas serpentes atingem maior fatalidade nos cães, particularmente entre os mais pequenos, considerando o seu menor peso diante da quantidade de veneno inoculado.
Desejamos umas óptimas férias para que aqueles que se encontram a descansar e a retemperar as forças, que usam o Verão para disfrutar da natureza e que o fazem na companhia dos seus cães. Apostados no seu regresso a casa sem novidades, escrevemos este artigo para os precaver de possíveis acidentes e contratempos.

QUASE 2 MILHÕES VÃO PARA OS CAMPOS DA ESCÓCIA COM O CÃO

Segundo faz saber a BBC no seu site, cerca de 4 milhões de adultos visitam anualmente os campos da Escócia e 48% deles levam os seus cães consigo. Esta tamanha invasão tem gerado alguns atritos entre os agricultores e pecuários locais com os proprietários caninos, porque alguns destes têm-se mostrado irresponsáveis e abusadores, permitindo aos seus cães a invasão de pastos, a destruição de culturas, a perseguição do gado e doutras espécies silvestres, algumas delas protegidas, assim como deixado dejectos em locais inapropriados. Apostados em resolver o problema, porque o turismo também interessa á Escócia, a SNH (Scottish Natural Heritage), organismo público responsável pelo património natural daquele País, reuniu-se com representantes da NFU (National Farmers Union of Scotland), organismo de classe que promove e protege os interesses da indústria agrícola daquelas paragens, junto com responsáveis dos Kennel Club Inglês e Escocês para encontrarem uma solução para o problema. Ficou acordado o estabelecimento de trilhos próprios para os binómios excursionistas, que deverão seguir as indicações dos proprietários rurais nas áreas não sinalizadas, no intuito de proteger os terrenos agrícolas, as explorações pecuárias e preservar a vida natural. Mais uma vez, o pragmatismo britânico veio ao de cima, gerando consensos e dispensando o chicote.

PRATICAR DESPORTO E COMPROMETER A SAÚDE

Neste País de “casa roubada, trancas à porta”, onde à imitação de outros pouco ou nada se investe na medicina preventiva e na protecção da saúde dos cidadãos, os Srs. autarcas não fogem à regra, privilegiando eventos em detrimento da saúde pública, ao consentir que pessoas, cães, cavalos e outros animais dividam os mesmos espaços verdes, sem procederem às devidas cautelas e desinfecções, contribuindo assim para perigar a saúde pública. É sabido que a maioria dos proprietários caninos leva os cães aos jardins para que ali defequem. Apesar de grande número deles recolher os dejectos para dentro de um saco de plástico, sempre sobram alguns restos de cocós na relva, o que pode constituir-se num foco infeccioso. Indo para além do sério risco de tétano, se porventura alguém se ferir no meio de um jogo e a ferida exposta entrar em contacto com os dejectos, a probabilidade de infecção é por demais evidente e os riscos para a saúde do azarado muito elevados, uma vez que essas infecções não são para brincadeiras, podem causar graves lesões e nos casos mais graves resultar em amputações e morte. E o que dizer dos bebés a gatinhar na relva e a lambê-la?
Já não estará na hora de se atribuírem áreas diferentes para pessoas e animais nos parques e jardins, de se proceder a uma desinfecção séria desses recintos depois duma exibição equestre? Faz-se tanta lei para tanta coisa, inclusive para colmatar e legitimar a corrupção e parece não haver ninguém que olhe por nós! Jonny Stiles, um jogador de rugby britânico de 29 anos, por pouco não perdeu uma perna ao sofrer um corte num jogo e cair sobre um cocó de cão, porque se desleixou e julgou que nenhum dano lhe resultaria. Quando for jogar à bola com os seus amigos para os parques e jardins, não faça como ele, leve um kit de primeiros socorros e desinfecte imediatamente alguma ferida que venha a contrair, porque se não olhar por si, dificilmente alguém o fará! Quando sair com as crianças para os recintos verdes, escolha sítios limpos e tome a mesma precaução, não as deixe abocanhar a relva e lave-lhes a boca e as mãos antes de comerem (proceda do mesmo modo consigo). Aconselhamos também os proprietários caninos a proibirem os seus cães de comerem erva e relva nesses espaços, porque doutro modo correm sérios riscos de infecção e contaminação, já que os nossos jardins são latrinas a céu aberto.

LA PROCESIÓN DE PERROS EN EL DIA DE SAN ROQUE

Em nome de S. Roque, na tradicional intercessão dos santos católica, não sustentada pela Escritura Sagrada, sempre se abençoou o gado no dia deste santo, que se celebra a 16 de Agosto, prática que quase entrou em desuso e que hoje se repete amiúde, um pouco por toda a parte onde a Igreja Romana é histórica e maioritária. Para a bênção dos cães muito contribuiu o parecer sobre os animais constante no Novo Catecismo Católico (2005), que os considera, por análise ao 7º Mandamento, criaturas de Deus e envoltos na Sua solicitude providencial, relembrando aos crentes o tratamento que lhes foi dispensado por S. Francisco de Assis e S. Francisco de Néri (entre outros). Ao que consta, S. Roque foi socorrido por uma cão que lhe trazia comida, quando isolado, enfermo e faminto.
Este santo é ainda, segundo a mesma crença, protector contra a peste e padroeiro dos cirurgiões e inválidos. Debaixo desta tradição e na procura da intercessão do santo, realizou-se mais uma vez a tradicional bênção dos cães na Cidade de El Alto, na Bolívia, seguida duma procissão pelas ruas da cidade, onde os “perros” acompanharam os seus devotos donos. Com as igrejas cada vez mais vazias, quiçá o “apostolado dos cães” surta efeito, levando os seus donos para o seio de “La Santa Madre Iglesia”. Mais do que orações, bênçãos, círios e ladainhas, os cães precisam de quem os respeite, trate bem, cuide da sua saúde e bem-estar, enquanto criaturas de Deus ao serviço dos homens, porque não alcançam o abstracto e continuam a penar neste mundo. Se a bênção de S. Roque se prestar, enquanto cerimónia, para uma maior sensibilização relativa aos direitos dos animais, à imitação doutros eventos não-religiosos, por certo os cães agradecerão. E se assim for, quando chegará a vez dos gatos? Infelizmente, ainda há muita gente a mandar rezar missas por alma doutros, quando em vida os mortificou. Assim também se compreende porque não há mortos ruins. Oxalá os processionários bolivianos consigam garantir para si, para os seus concidadãos e cães o sustento diário, devendo ser essa uma das enfâses nas suas petições a Deus.