quarta-feira, 13 de maio de 2015

COMO DEFENDER-SE DO ATAQUE DUM CÃO: O QUE DEVE E NÃO DEVE FAZER

Como preâmbulo importa dizer que os distintos grupos somáticos caninos operam as suas capturas de modo diferente, havendo alguns que as executam ao revés das características da sua raça ou grupo, por força do condicionamento havido e graças à experiência feliz, na procura da surpresa que garantirá a sua eficácia. Cães e cadelas fazem-no com diferentes graus de tenacidade, sendo os primeiros deliberadamente ofensivos e as suas congéneres mais defensivas, resistindo menos aos contra-ataques objectivos (podem haver excepções). Cães de 20kg podem causar impactos iguais ou superiores aos de 45kg devido ao aumento da velocidade, sendo os seus ataques mais imprevisíveis. Há cães que passam directamente da fixação para o ataque, outros que ladram primeiro e outros ainda que rosnam antes de atacar, uns que são de golpe único e outros que atacam a vários golpes (os primeiros terão mais força de mordedura que os últimos). Um pequeno número deles não se mostrará e atacará por intercessão.
Alguns deles não dispensam o ataque frontal e outros preferem fazê-lo pelas costas, mesmo sem necessidade da perseguição. Tanto num caso como noutro, há guardiões que mordem abaixo da linha da cintura, ao seu nível ou à jugular, modos de actuar intrinsecamente ligados ao seu perfil psicológico, morfologia e treino (condicionamento). A maioria deles não atacará alvos imóveis, a menos que tal lhes seja ordenado, se encontrem dentro do seu território ou tenham sido excepcionalmente habilitados para isso, sem razão aparente ou mediante a apresentação de uma arma. Pelas expressões mímicas dos atacantes podemos aquilatar do grau de confiança, intensidade e dolo dos seus ataques. E como nem todos os ataques caninos resultam do treino e do condicionamento, sobram ainda os instintivos, normalmente menos dolosos pelo desuso dos potenciadores de mordedura (brinquedos, pneus churros, fatos e mangas de ataque, etc.). Diante disto, o panorama não parece muito animador!
Antes de avançarmos, queremos adiantar que o combate contra os cães perigosos foi ganho pelas polícias, pelo que estão de parabéns, sobrando agora reduzido número de idiotas com cães de luta ou propensos a fins marginais, quando exercitados para isso. Em simultâneo, porque vivemos num estado de direito, não compreendemos a presença de Pitbulls nas fileiras policiais, particularmente quando usados em serviços onde a sua presença é inadequada ou resulta estranha, por ser abusiva diante dos direitos e liberdades de cidadania, pelo que levar um Pitbull para a residência oficial do Presidente da República é tão caricato como ver o Regimento de Cavalaria da Guarda montado em gericos, enquanto Unidade especialmente destinada à segurança e protocolo do Estado, uma americanice ou “pinochetada” de tremendo mau gosto (só falta vermos os músicos a tocar de luvas rotas na Rendição Solene ao Palácio). Retornando ao mérito das polícias importa realçar o seu papel na prevenção, detenção e controlo dos cães perigosos, feito de modo irrepreensível, tanto que nestes momentos de crise, quando os ânimos andam mais exaltados e tudo se encontra prestes a explodir, não há notícia do uso destes animais em actividades criminosas ou em qualquer tipo de desordem pública concertada ou espontânea.
Mas como não são só os cães das raças consideradas perigosas que atacam, sobrando por aí várias extraordinariamente territoriais e por isso mesmo dadas ao mesmo tipo de acção, quer tenham sido treinadas para isso ou não, todos precisamos de precaver-nos, mais agora que os magros salários não suportam o ensino dos cães e o seu controlo é menos eficaz por parte dos donos, que a si mesmos se julgam entendidos nesta matéria, quer pela assistência a programas televisivos quer pela frequência em cursos mal estruturados, apressados e geralmente inacabados. A exemplo dos gatos, os cães citadinos são agora sujeitos a um lugar ou lugares sociais, locais bastante concorridos por outros iguais, onde são levados pelos seus donos para correr e satisfazerem as suas necessidades fisiológicas, encontros nem sempre agradáveis pelo despreparado, ignorância e sandice dos seus proprietários, impropriedades que podem resultar no ataque de um cão e/ou do seu dono, quando não de ambos, porque na aflição de valerem aos seus cães, alguns donos acabam também mordidos.
Para que isso não aconteça, quando sair com o seu cão jardim, faça-o nas horas mais concorridas por maior número de cães, certifique-se que não há nenhum à solta (caso houver retroceda sem dar nas vistas), não solte o seu, mantenha-o ao seu lado, não confie na pretensa mansidão dos outros, não o deixe brincar com cães desconhecidos e não o exponha aos seus ataques. Cuidado com os cães surdos que, quando demasiado fixados ou apanhados de surpresa, tendem a morder, particularmente quando atrelados aos donos, sendo geralmente molossos brancos de diferentes tamanhos, que vão desde o Buldogue Francês até ao Dogue Argentino. No caso de algum cão avançar ameaçadoramente para cima do seu, desde que a desproporção entre ambos não seja por demais evidente e o seu saiba defender-se, mais vale soltá-lo e partirem ambos para cima do outro. Se tiver um cão miniatura não lhe restará outra hipótese do que pegá-lo ao colo, usando a sua trela para afastar o beligerante (as cadelas, quando não sociabilizadas, são agressivas umas com as outras e os cães tendem a desafiar-se mutuamente. Os encontros entre cães de sexo diferente são geralmente pacíficos).
Durante o dia a ocorrência de escaramuças entre cães é muito rara, como é raro acontecer algum ataque canino sobre um viandante ou transeunte, porque a Lei proíbe os cães de andarem soltos e ninguém quer ser multado ou evadir-se atabalhoadamente. Infelizmente não temos a mesma segurança à noite, altura em que os donos dos cães mais belicosos optam por trazê-los à rua, não raramente soltos, ávidos e prontos para qualquer confronto (ao romper da aurora acontece o mesmo). Para sua segurança e do seu cão, escolha espaços públicos policiados ou com uma esquadra de polícia por perto, o que fará diminuir a ocorrência de abusos. Cada vez são menos frequentes as brigas entre cães, facto que fica a dever-se a três razões objectivas: à lei sobre os cães perigosos, à crise económica que levou à substituição dos cães maiores por menores e à adopção do reforço positivo como método de ensino preferencial, que obrigaram respectivamente à sociabilização, ao desprezo pelos cães mais dispendiosos e a uma maior fixação dos animais na pessoa dos seus donos.
Pondo de parte as guerras entre iguais, passemos aos ataques perpetrados pelos cães sobre pessoas, adiantando subsídios de defesa para os visados e vítimas potenciais. Como são mais os cães que atacam junto aos donos do que longe deles, mesmo sem ordem explícita para isso, pormenor que fica a dever-se ao seu sentimento territorial quando associado à antipatia por determinadas pessoas ou estranheza do seu comportamento, evite acariciar cães desconhecidos quando atrelados aos donos, mesmo que estes digam que os seus companheiros são uns autênticos “anjinhos”, porque há gente que não perde pitada e que gosta de ver os outros em apuros, treinando-os desta indecente maneira para defesa pessoal e investindo os incautos no papel de cobaias, dizendo-se depois surpreendidos e relegando para os animais a culpa do sucedido.
A menos que tal nos seja sugerido, que direito nos assiste para acariciarmos os cães alheios? Absolutamente nenhum, porque não nos pertencem, estamos a indiciá-los ao suborno, a vulnerabilizar a sua salvaguarda e a enfraquecer tanto o domínio quanto a liderança dos seus donos e a obrigá-los a maiores providências para alcançá-los, o que mais sobrecarregará os pobres animais por via da contra-ordem (há quem o faça espontaneamente e sem qualquer autorização prévia, o que não deixa de ser um abuso e um tremendo disparate). E como desde há muito é conhecido o carácter passional dos portugueses, que neste caso “são” como os espanhóis, de quem dizem não conseguir ver sem mexer, se você não conseguir resistir a fazer festas num cão, depois de ter obtido do seu proprietário autorização para isso, então faça-o de maneira a não comprometer a sua integridade física, coisa fácil de acontecer quando não se sente à vontade para fazê-lo, quando o acaricia de surpresa e por detrás, quando por medo lhe estende a mão e a recolhe, quando o agarra e afasta do dono, quanto toma atitudes bruscas, é demasiado efusivo no carinho ou fixa-o demoradamente nos olhos. Não se esqueça que o cão está a observá-lo, que pode não morrer de amores por si (o que não é de estranhar) e já estar farto de bajuladores (não se ponha na fila).
Quando intentar cumprimentar um cão, faça-o frontalmente, em segurança e de modo suave (tanto de palavras como de gestos), não se baixe ao nível dele e não o olhe demoradamente nos olhos. Caso o animal aceite o seu cumprimento, pormenor visível pela sua resposta, então poderá torná-lo mais caloroso, o que para muitos donos é um excesso e assiste-lhes alguma razão. Há por aí quem lhes dê as costas da mão, no intuito dos animais assimilarem o seu odor e de se aperceberem das suas intenções, manobra perigosa diante de cães que foram instigados nos potenciadores de mordedura (nós de corda, churros e por aí adiante), já que a mão assim apresentada reproduz esses acessórios (lembre-se que as verdades de hoje serão questionadas amanhã e que só depois se fará luz). Melhor será fazê-lo com a palma da mão aberta, que sempre sugere um convite e não ao contrário, com a mão estendida em cutelo ou a ameaçar um sopapo. De qualquer modo, serene primeiro o animal pelo conforto da voz e avance com a mão depois, acção que também o fará serenar a si. Nunca se esqueça que, ao serem animais sociais, os cães vivem de rituais e por causa disso aceitam as nossas rotinas, adoptando-as como suas.
É chegada a altura de falarmos dos ataques caninos propriamente ditos, dos que acontecem com os cães soltos e sobre gente incauta, normalmente entendida por eles como estranha, intrusa, presa ou ameaça, pela sua presença, local de aparição, tipo de apresentação e comportamento. Esses ataques, como já atrás dissemos, poderão ser de origem instintiva ou provir de condicionamento prévio, sendo os últimos de maior gravidade, acontecendo com mais frequência quando os parques e os espaços públicos se encontram quase desertos e os cães são soltos ali e nos quintais, no horário compreendido entre as 23H00 e às 07H00 (da noite para o amanhecer). Como prevenção, aconselha-se aos amigos de caminhadas nocturnas que façam o seu prévio reconhecimento durante dia, que evitem os percursos onde houver cães e nessa impossibilidade, que se afastem das quintas ou moradias com muros de altura inferior a 2m ou com grades distantes entre si de 20cm, suspeitando daquelas limitadas por arbustos ou sem qualquer tipo de delimitação.
Quanto mais isolada estiver uma propriedade, mais fácil será encontrar um cão guardião, animal que por norma não está disposto a brincadeiras. Se não prescinde do hábito salutar de caminhar antes de se deitar e não quer ou não pode proceder a desvios, perante a certeza ou suspeita de haver cães em determinada moradia, sempre que possível troque de passeio e circule debaixo de áreas iluminadas, para não ser fatalmente surpreendido e não surpreender os cães, que devem vê-lo distintamente e aperceber-se das suas intenções, mantendo a calma, a cadência de marcha e evitando olhar directamente para eles. Mais vale pôr o pé na estrada do que circular junto aos muros, limites que os cães defendem afincadamente, independentemente da natureza dos seus ataque ser defensiva ou ofensiva.
Se um cão defensivo dificilmente abandonará uma propriedade que lhe foi confiada, um ofensivo não hesitará em saltar dela e mover-lhe perseguição, pelo que importa precaver-se com uma bengala dobrável retráctil (porque nem sempre se encontra uma vara à mão) das usadas para invisuais, para caminhadas e para fins ortopédicos, que não deverá ir à vista (para não se constituir em provocação ou ameaça) e que em caso de necessidade deverá ser apontada aos anteriores do animal, em movimentos curtos e rápidos de ida e volta, o que lhe quebrará o ânimo pelo desequilíbrio causado, impedindo-o de saltar e efectuar a captura. Jamais aponte a bengala à cabeça ou dorso de um cão, porque alguns aprenderam a defender-se desse tipo de golpes, invalidando-os, procedendo ao desarme e passando depois ao contra-ataque impetuoso. Até que o cão desista e se ponha em fuga, acção que dependerá da certeza dos seus golpes, evite dobrar-se demasiado ou ser contornado, para não ser atacado de frente ou surpreendido pela retaguarda. Escusado será dizer que terá de tornar-se hábil no uso e montagem da bengala (1 segundo poderá fazer toda a diferença).
Como é gratuito ensinar o Padre-Nosso ao vigário e ainda estamos neste mundo, bem sabemos que se podem seduzir, engodar, distrair, ludibriar, imobilizar, manietar, atordoar, gasear, cegar, envenenar e matar cães (é possível que estejamos confundidos mas alguém já nos falou no uso de “tasers”), técnicas dissimuladas próprias de meliantes experimentados, de gente que se quer livrar dos animais e que tudo faz para anular o seu serviço para benefício próprio, técnicas que também reproduzimos no treino para alertar os guardiões, operar a sua defesa e optimizar a sua prestação. Como é evidente não iremos falar delas, a tanto nos obriga a ética e o amor pelos animais, não estamos em guerra e não nos compete eliminar os cães alheios, geralmente investidos pelos donos na tarefa, satisfazendo os seus desejos por gratidão. Outra coisa bem diversa é neutralizar os seus ataques quando não nos sobra outra solução, respeitando a sua integridade e préstimo, desde que já haja essa possibilidade e normalmente há, porque o número de cães treinados para guarda não chega a 1% do total nacional e não atacam a seu bel-prazer, o que torna instintivos a esmagadora maioria dos ataques caninos que acontecem entre nós, ainda que resultantes de razão ou razões genéticas, mas de dolo pouco significativo por resultarem de arremetidas esporádicas e de surtida.
 Maior cuidado há que haver nas imediações dos bairros miseráveis e clandestinos, geralmente ocupados por gente na base da pirâmide social (tanto nacionais como estrangeiros), onde a contrafacção, a droga, o comércio de armas clandestinas, a prostituição e a marginalidade teimam em permanecer, locais aonde se vai por obrigação ou convite, nunca por auto-recriação. Ali os cães parecem associar-se à festa e alguns deles aguardam ocasião para usar às suas mandíbulas. Mas como o perigo espreita onde menos se espera, quando vir um cão a avançar para si a uma distância igual ou inferior a 30m, disposto a atacá-lo, não tendo como se recolher e na impossibilidade de fuga, restam-lhe 3 opções defensivas: a imobilização, a defesa e o contra-ataque. A escolha acertada, que carece de ser pronta, porque há cães que chegam a atingir velocidades instantâneas acima dos 45km/h, dependerá da sua destreza e do tipo de cão que terá pela frente, o que obrigará a alguma experiência e treino, assim como ao conhecimento prévio dos diferentes modos de actuação dos distintos grupos somáticos caninos, para além da leitura rápida e acertada das expressões mímicas do seu opositor, aptidão e conhecimento difíceis de encontrar num comum cidadão e ainda mais quando tomado de surpresa.
A imobilização, que é a melhor opção perante ataques repentinos ou de surpresa, implicará em transformar-se numa estátua, no controle dos instintos que possibilita a inacção, mesmo que agredido e com olhos postos na linha do horizonte, em fazer o corpo morto e não reagir as golpes sofridos, tanto física como verbalmente, em deixar-se puxar para que o cão não sacuda e enterre mais os dentes, aproveitando as suas investidas para se deitar cair com a cara e ventre voltados para o solo. É evidente que esta é uma medida de emergência, que procura a cessação do ataque, a suspensão da captura e evitar maiores lesões, não se justificando perante cães abaixo dos 12kg e com uma altura igual ou inferior aos 43cm, normalmente entendidos como “cães de encher o pé” (vá-se lá saber porquê!). A imobilização torna-se obrigatória perante o ataque repentino de molossos e terriers com grande envergadura e potência de mordedura (ex: Presa Canário, Rottweiler, Pitbull, etc.), também diante de lupinos e vulpinos com mais de 18kg e de altura igual ou superior aos 50cm. A imobilização só não surtirá efeito se o ataque for ordenado e o cão estiver acostumado a atacar e retraçar alvos imóveis ou cobaias deitadas no cão, condicionamento que não é fácil e que muito raramente acontece. Se porventura o cão lhe soltar para a cara, proteja-a com o braço esquerdo se for destro, caso contrário use o braço direito.
Quando temos tempo para isso, com o cão distante de nós a 30m (no mínimo) e adivinhando-se as suas intenções, devemos de imediato jogar-nos ao solo, para que seja surpreendido quando nos abordar, tendo o cuidado de proteger a cabeça e as orelhas com as mãos mas com os cotovelos encostados no chão. Como inicialmente há cães que disferem alguns golpes, nem que seja para se certificarem de que estamos vivos e damos luta, há que fazer o corpo morto sem abandonar a postura, que será tanto ou mais eficaz quanto mais unido estiver o nosso corpo, pelo que as nossas pernas e pés deverão estar unidos, não indiciando possíveis pontos de mordedura por onde o cão possa pegar. Depois dele se desinteressar por si, não se levante de imediato e aguarde que se vá embora, porque doutro modo voltará a atacá-lo e fá-lo-á com maior ímpeto, podendo ficar a guardá-lo, esperando que se ponha de novo em pé.
Nalguns casos o ataque é a melhor defesa, qualidade que assiste aos mais audazes e que alguns têm sem o saberem. Em que consiste o contra-ataque? Basicamente em arrancar direito ao cão, em rota de colisão, com o mesmo ímpeto e determinação, disposto a causar-lhe dolo igual ou superior (aqui a bengala retráctil dá muito jeito). O contra-ataque desarmado não está ao alcance de qualquer um, porque carece de conhecimento, robustez, sangue-frio, larga experiência e técnica para a imobilização dos cães, atributos que não se alcançam do pé para a mão e que não podemos adiantar por causa do nosso ofício (nós jogamos pela equipa dos cães). Se a maioria dos treinados para guarda não foi e é não sujeita à aprovação no contra-ataque, muito menos se encontrarão preparados os cães que nunca foram treinados para esse fim. De qualquer modo há que desarmar o cão, sabendo-se que a sua arma se encontra no focinho. O contra-ataque armado de varapau, vara ou bastão pode ser eficaz, como por vezes é eficaz o simples arranque para cima do cão, que surpreso recuará ou se afastará pela novidade que leva ao temor. Os cães vivem e aprendem pela experiência, ainda não atingiram a ficção e não inventam, estão acostumados a perseguir e estranham ser perseguidos, nasceram para caçar e a não para ser caçados. Na arremetida do contra-ataque devemos fazer uso duma palavra ou som gutural grave, modo de linguagem que os cães entendem como ameaça. Jamais avance para um contra-ataque se não estiver seguro e preparado para o que terá pela frente.
Assim como sabemos que existem Pitbulls muito meigos, amigos, obedientes e ordeiros e, a maioria deles é assim, também sabemos da tentação de alguns em fazê-los crocodilos para causar mal aos outros. E como esses malvados não usam só os Pitbull para a desgraça mas também outros cães com idêntica força de mordedura, somos obrigados a precaver-nos de tamanha maldade, atendendo ao dano que estes cães nos podem causar quando nas mãos erradas, animais que depois de ferrarem têm dificuldade em abrir a boca e cujos golpes podem levar-nos à morte. Quem já foi alvo dos seus ataques, mesmo que tente esquecê-los, dificilmente o conseguirá, atendendo às marcas e incapacidades deles resultantes, na maioria dos casos perpétuas, tanto do ponto de vista físico como do psicológico. Alguns destes cães, para além de não conseguirem largar a presa automaticamente, são treinados a morder pendurados em toda a sorte de objectos, nomeadamente em pneus por tempo indeterminado.
Para sua protecção, se porventura tiver vizinhos destes ou se cruzar amiúde com tal laia, a juntar à bengala dobrável retráctil, aconselhamos a compra de um canivete de marinheiro ou de enxertia, acessórios a ter no bolso para serem usados quando a sua vida ou a de outros se encontrar em risco. A nossa preferência vai para o canivete de marinheiro (o do enxertia requer mais prática), porque se presta tanto para abrir a boca destes animais como para cortar os tendões que os mantêm agarrados a nós. Para abrir a boca destes cães há que colocar o fuso do canivete entre os seus dentes pré-molares, pressionando-o contra o céu-da-boca e forçando-os a abri-la. A manobra exige alguma cautela porque os cães ao serem soltos poderão proceder a nova dentada. A opção entre o abrir a boca e o corte dos tendões dos maxilares é individual e dependerá do aperto e destreza de cada um. Melhor será nunca se encontrar neste dualismo e circunstâncias. Diante dum caso destes, se tiver licença de uso e porte de arma, não hesite, é para isso que ela serve. E o que dizer quando um cão destes agarra uma criança? Oxalá todos respeitem e façam respeitar as disposições legais acerca dos cães perigosos e as polícias cumpram sempre o seu dever, porque o mal não acontece só aos outros!
A maioria das raças lupinas destinada à guarda, os molossos alemães também, fazem ataques frontais, pelo que deveremos virar-lhes as costas nas imobilizações, caso nos sobre tempo para isso. Os restantes molossos, os alanos e os treinados numa determinada modalidade guardiã desportiva, podem atacar pelas costas ou a qualquer zona do corpo. Os molossos fá-lo-ão invariavelmente pela retaguarda, os alanos distribuem vários golpes e os treinados carregam em qualquer parte do corpo que se mova, em cima ou em baixo, desde que os alvos se encontrem em movimento. Perante o ataque dum cão que se suspeita treinado, havendo essa possibilidade, deveremos embrulhar uma peça de roupa no nosso braço esquerdo, reproduzindo assim uma manga de ataque, podendo depois suspendê-lo, dominá-lo, imobilizá-lo ou projectá-lo, visando a suspensão do ataque ou a eliminação do animal (há casos e casos). Portugal tem sido um paraíso no que concerne aos ataques caninos e esperamos que assim continue. De qualquer modo, importa estar precavido, evitar ser surpreendido e estar minimamente preparado. Até hoje, para socorro de homens e cães, já nos vimos obrigados a imobilizar meia dúzia animais destes e nunca tivemos necessidade de eliminar nenhum, habilidade que, para além de circunstâncias favoráveis, carece de força física, sangue-frio, conhecimento e prática. Apostados na defesa dos homens e podendo valer aos nossos alunos, nunca isentámos nenhum deles do ataque à manga, para que vençam medos e aprendam a defender-se dos cães, nem que seja a desequilibrá-los no momento em que os cães se projectam, dando um passo atrás. Por outro lado, temos ensinado os mais audazes a defender-se sem protecções e habilitámos para o mesmo fim alguns duplos cinematográficos.

SERÁ A LENDA DE RÓMULO E REMO TOTALMENTE DESCABIDA?

Subsiste por detrás da fundação de Roma a lenda relativa aos gémeos Rómulo e Remo, relato ainda hoje apaixonante e em parte idêntico a outros escritos da Antiguidade (bíblicos inclusive). Segundo ele, os gémeos foram resgatados do Rio Tibre por uma loba que acabou também por amamentá-los. A estória até hoje tem-nos parecido até hoje muito rebuscada, impossível ou quase impossível. Pouco a pouco, com as notícias que nos chegam, já não temos tantas dúvidas e incertezas, particularmente quando vimos uma criança indiana a mamar numa cadela, conforme se pode ver na foto abaixo.
Do que não restam dúvidas nenhumas é que muitas cadelas têm servido de amas-de-leite para muitos animais mamíferos de espécies diferentes, zelando e amamentando-os como se fossem seus, serviço extraordinário que aumenta e enaltece a prestação canina. Amamentar bebés tigre, pantera e outros canídeos ou felinos similares, talvez tenha pouco de transcendente mas amamentar um primata (chimpanzé) sempre acaba por nos surpreender. A história remonta há 3 anos atrás, quando num Jardim Zoológico Russo um chimpanzé foi rejeitado pela mãe, vindo posteriormente a ser aceite por uma cadela Bull Mastiff que o adoptou como seu no meio da sua prole, dispondo-se a amamentá-lo, segundo testemunham as fotos seguintes.
Será que o primata, que dizem ter “A priori” um ADN 95% igual ao nosso, ficará para sempre agradecido à sua mãe adoptiva? Logo se verá. Certo, é que ficou a dever a sua sobrevivência aos bons ofícios daquela cadela. Por estas e por outras, quase todas as lendas, senão todas, têm o seu fundo de verdade. E quando são belas e carregam esperança, alegram-nos e fazem-nos sonhar. Será a lenda de Rómulo e Remo assim tão descabida? O préstimo dos cães parece dizer-nos que não! Se Deus criou os animais para manterem o equilíbrio ecológico e valerem aos homens, conforme podemos ler no livro bíblico de Génesis, que maravilhoso serviço nos vem prestando ao doar-nos os cães, ao dar-lhes a capacidade de interagirem connosco e de os entendermos. O potencial canino ainda tem muito para dar e outro tanto para ser descoberto. Entretanto… continua a saga da castração das cadelas! Não me custa a crer, diante do que narrámos, que os cães poderão vir a ter um papel decisivo na recuperação de algumas espécies ameaçadas ou em vias de extinção.

CORREIO DOS LEITORES

Recebemos dum nosso leitor espanhol o seguinte comentário que dispensa maiores explicações: “O Perros y Gatos deixou um novo comentário na sua mensagem "SALUKI (سلوقی): O PRÍNCIPE DO DESERTO QUE NUNCA D...": Hola amig@: He estado visitando tu página y me ha parecido excelente, genial, con buenos artículos. Quisiera compartir contigo y tus lectores más información sobre la raza de perro Saluki. Espero que te guste mi blog de "Perros y Gatos". Saludos desde España”. Já fomos dar uma espreitadela ao blog que nos aconselhou e pareceu-nos muito bom, pelo que iremos manter intercâmbio com este nosso leitor e com o seu trabalho, aconselhando em simultâneo a leitura do seu blog aos nossos leitores, que apesar de redigido em castelhano é de fácil compreensão para os leitores de língua portuguesa.

QUAL SERÁ O MOTIVO (XVIII)?

A “Sacha” é uma cadela Berger Picard com 12 meses, activa e veloz. O seu dono ficou acamado em casa nos últimos quatro meses a recuperar de uma doença neurológica, tendo-a sempre a seu lado. Agora recuperado, voltou aos passeios com ela. Contrariamente ao que fazia antes, quando cumprimentava toda a gente que encontrava, a “Sacha” intenta agora atacar todas as pessoas que se cruzam com o dono, comportamento que o homem estranha e que em desespero, o põe a dar voltas à cabeça. Porque se comportará a cadela assim? Hipótese “A”: Com a doença do dono a cadela reforçou o seu impulso à luta e tenta caçar quem encontra. Hipótese “B”: Ficou assim porque entretanto lhe veio o cio. Hipótese “C”: A doença do dono foi transferida para ela. Hipótese “D”: Embraveceu e necessita de ser castrada para voltar à normalidade. Hipótese “E”: Age assim por medo, desábito e necessidade de sociabilização. Para a semana adiantaremos qual a hipótese certa e cá estaremos com um novo caso. 

SOLUÇÃO DA SEMANA ANTERIOR

A Hipótese certa para esta rubrica da semana passada é a Hipótese “C”: As condições do canil não lhe oferecem a segurança e a comodidade necessárias para criar os cachorros. A Hipótese “A” é completamente descabida e falsa, porque se a cadela não gostasse dos filhotes jamais os carregaria na boca. A Hipótese “B” não deverá ser considerada porque os cadelas procuram abrigos para os filhotes e não os amamentam em campo aberto. A Hipótese “D” é fantasiosa e não deverá ser levada em conta. A Hipótese “E” é desmentida pela acção da cadela ao transportar os filhotes, já que procurava para eles um lugar seguro.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos mostrou a seguinte preferência:
1º _ CORRENDO ATRÁS DA PANOSTEÍTE E DA MIELOPATIA DEGENERATIVA, editado em 02/05/2015
2º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIFERENTES LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
3º _ AQUILO QUE UNS VÊEM E OUTROS NÃO, editado em 01/05/2015
4º _ O GUARDA DAS GALINHAS, editado em 05/04/2014
5º _ QUAL SERÁ O MOTIVO (XXVII)?, editado em 01/05/2015
6º _ ROTTWEILER E SERRA DA ESTRELA (O QUE OS UNE E SEPARA), editado em 07/01/2010
7º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
8º _ ADN CANINO PARA CAÇAR E RESPONSABILIZAR DONOS IMUNDOS, editado em 02/05/2015
9º _ SOLUÇÃO DA SEMANA ANTERIOR, editado em 01/05/2015
10º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/062011

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º Alemanha, 6º Rússia, 7º Irlanda, 8º Itália, 9º China e 10º Suíça

sábado, 2 de maio de 2015

SERÁ O BOERBOEL UMA BESTA APOCALÍPTICA?

À imitação do que temos feito com outras raças, explicando-as por comparação a outras mais conhecidas, iremos servir-nos do Rottweiler para melhor compreendermos o Boerboel, oriundo da África do Sul, seleccionado pelos fazendeiros “boers” (população colonizadora branca de origem holandesa e huguenote) e chegado aqui com credenciais de matador. Nos últimos 25 anos treinámos meia-dúzia deles e o último foi mandado castrar pela dona antes dos 6 meses de idade, porque desejava ter filhos e temia que o animal lhes viesse a fazer mal, por via do estigma ao redor da raça e também alarmada pelo seu tamanho, transformando-o num bonacheirão que abominava o trabalho e tremia diante de qualquer cachorro insignificante, pelo que não será considerado nas conclusões deste artigo. Diante do pequeno número de exemplares desta raça que treinámos, vimo-nos obrigados a consultar o parecer de outros mais versados nestes molossos, criadores e treinadores que viveram e vivem lado a lado com maior número deles, subtraindo desses relatos considerações subjectivas, descontextualizadas e apaixonadas por lhes faltar rigor e carácter científico.
O Boerboel não se pode dissociar dos boers (fazendeiros holandeses que rumaram à África do Sul), que pretendiam acima de tudo um guarda para as suas propriedades. Não se sabe ao certo quantas raças contribuíram para a sua formação, mas ninguém parece duvidar da contribuição do Mastiff e de alguns cães africanos. Para todos os efeitos trata-se de um molosso grande, poderoso e intimidador, de mordedura potente, fortemente territorial, aparentemente pachorrento e dócil, com forte ossatura, de andamento fácil, silencioso e pouco pronunciado, com raro sentido de atenção e que faz da fixação a primeira das suas armas (a raça ainda não foi reconhecida pela FCI), estruturalmente um Rottweiler maior, de cor uniforme, de pelo mais raso, com maior ossatura, mais pregas e com o dorso mais selado, mais disperso, menos propenso à mecanicidade das acções, com menor resistência quando esforçado e carenciado de maior sociabilização entre iguais, que tende a desafiar a autoridade, a resistir à liderança e que obriga a um acompanhamento suave a partir dos momentos lúdicos, do apelo à sua vocação e de acordo com as suas necessidades básicas, um cão para ser trabalhado pelo reforço positivo, porque age de acordo com o recebe.
Apesar de não ser muito veloz (o seu peso não lho permite) é extraordinariamente elástico e desassombrado, mais ligado a acidentes naturais do que a obstáculos artificiais, que aborda à vista, evidenciando uma cadência de marcha lenta e atirada para cima das mãos (os posteriores abrem mais que os anteriores), transitando automaticamente do passo para o galope, preferindo empolar-se do que pular, não hesitando em rebentar obstáculos na sua frente ao invés de os transpor. Feito para andar em liberdade, quando demasiado confinado tende à destruição ou à letargia, dependendo isso do seu perfil psicológico. Nada sofrivelmente (resiste em usar os membros posteriores), não se intimida com o fogo e é tolerante aos disparos, não apresenta sintomas de acrofobia, mantém a coordenação na subida de escadas e tem o mesmo desempenho em diversos tipo de terreno, sendo mais fácil travá-lo do que incentivá-lo, sendo melhor na obediência do que no desempenho atlético.
O Boerboel, também entendido como “o touro dos boers”, é um caçador nato que se presta ao rastreamento, podendo ser usado como cão de resgate, de fila, vaqueiro e como caçador de caça grossa, porque é calmo e não se intima com animais de porte superior ao seu. Apesar de farejar muito bem, o seu sentido principal é a audição, que é excelente, por norma auxiliada pela extraordinária visão periférica que patenteia. Apresenta uma boa tolerância à dor e mesmo ferido não desiste dos seus intentos.
Como cão de guarda é mais defensivo do que ofensivo, tende a atacar de surpresa, muito embora avise e ameace (quando estimulado para isso) antes de atacar. Costuma identificar os diferentes ataques dos seus inimigos e fazer gorar as suas defesas, aprende com facilidade ataques cirúrgicos, mantem-se alerta de dia e de noite, presta-se à “revista e ao policiamento, abocanha e sacode bem, puxando os seu inimigos para si ao ponto dos desequilibrar. Sentindo os seus donos em risco, quando irritado, demasiado provocado ou sujeito a contra-ataque, tende a empoleirar-se sobre o seu opositor, operando-lhe ataques à jugular ou mesmo à cara, apesar de preferir a perseguição ao enfrentamento, apresentando alguma dificuldade nos ataques a alvos imóveis. Detesta que os estranhos o fixem, resiste naturalmente ao aliciamento, é cioso do seu território, detesta invasores e não permite manifestações excessivas de intimidade sobre os seus donos. Com forte impulso ao poder, em muito superior ao da luta, pode constituir-se em cão de matilha quer ela seja caçadora ou funcional (própria para guarda). Tende a defender os mais fracos e a socorrer os agredidos, mostra-se cuidadoso e protector  com as crianças, protege os donos dos ataques de outros animais e mantem debaixo de olho aqueles que lhes pertencem.
O melhor do Mastiff pode ser encontrado no Boerboel e quando comparado com o Rottweiler apresenta uma capacidade de aprendizagem menor, porque persiste na sua vontade e é mais independente. Em relação ao Mastiff é mais rústico e resistente, diferindo ainda do Rottweiler nos índices de prontidão. No resto é um molosso igual a tantos outros, não diferindo deles quer física quer psicologicamente. Alguns criadores da raça alvitram uma série de cuidados a ter com ela, fazendo do Boerboel “um bicho-de-sete-cabeças”, o que é falso mas serve os seus intentos, estratégia que visa a valorização desta raça como guardiã, ao rotulá-la de implacável, única e extraordinária, o que a ser verdade tornaria obsoletas as raças suas concorrentes. A relação do Boerboel com lupinos e vulpinos não é das melhores, o que exigirá a sua pronta sociabilização. Estamos diante de “um bom gigante” com uma presença ostensiva assaz notável, que tanto pode ser solícito como dorminhoco, muito embora não permita qualquer abuso, que ao ser fácil de treinar desmente o que dele se diz, verdade que experimentámos e que vimos confirmada. O Boerboel tem tudo para ser um excelente cão de família, muito embora exija espaço, longas caminhadas diárias e saia dispendioso pelo que come. A raça é propensa às displasias do cotovelo e tende à obesidade quando afastada do exercício físico, apresentando as mesmas maleitas e menos valias presentes nos molossos de igual tamanho e características. Quando trabalhada de modo apropriado, apresenta uma definição muscular deveras impressionante e intimidatória, o que destaca a razão que presidiu à sua necessidade e selecção. 

CORRENDO ATRÁS DA PANOSTEÍTE E DA MIELOPATIA DEGENERATIVA

Não pretendemos com este artigo, porque o problema excede em muito a nossa competência, explicar as causas e muito menos a solução para a panosteíte e para a mielopatia degenerativa (porque não somos investigadores, veterinários ou magos), doenças por norma atribuídas como próprias dos Pastores Alemães, somente divulgar os casos em que constatámos estas afecções, mais frequentes num determinado grupo de indivíduos dentro da raça, com características próprias e ligadas a priori ao tempo dos “alsacianos”, muito embora o seu aparecimento lhes seja anterior, por razões pouco conhecidas devido à ausência de estudos e à omissão deliberada destes problemas pelos criadores, que inevitavelmente se estenderam até aos dias de hoje, apesar de pontuais e por isso mesmo pouco comuns. Adiantámos o caso dos alsacianos porque em cima deles se construiu a linhagem histórica da raça em Portugal, precursora dos actuais “Arminiuis”, “Wienerau’s” e “Checos”, apesar destes problemas subsistirem ao tempo por outras partes da Alemanha. Também não temos como estabelecer qualquer relação entre estas duas afecções, nem sabemos se ela existe, muito embora saibamos que elas são comuns no mesmo grupo de indivíduos, onde surgem com mais frequência, mediante os milhares de Pastores que até hoje produzimos, treinámos, acompanhámos e observámos ao longo das suas vidas, das variedades dominante e recessivas, oriundas de diversas partes, beneficiadas entre si ou isoladamente.
Justiça lhes seja feita, apesar de não morrermos de amor por elas, nas actuais linhas do Pastor Alemão a incidência destas afecções é menor, particularmente nas de exposição, talvez porque os seus criadores sejam menos ousados, privilegiarem quase em exclusivo a morfologia e esses cães tenham agora uma curva de crescimento mais curta. A panosteíte, designada aqui a grosso modo por “doença das dores de crescimento”, apesar de poder atacar os cães mais velhos, cientificamente também conhecida como osteomielite juvenil, enostose, panosteíte eosinofílica e panosteíte canina, flagelo mais comum nos machos do que nas fêmeas, é uma doença que normalmente ataca os cães das raças maiores entre os 5 e os 18 meses de idade, de causa ou causas ainda por comprovar (se de origem genética ou não), geralmente associada ao stress, a anormalidades transitórias vasculares, a distúrbios do metabolismo, hiperestrogenismo e a alguma infecção viral, caracterizada pela inflamação dos ossos longos que leva os animais a coxear tanto dos anteriores como dos posteriores, cessando geralmente quando termina o seu crescimento, o que tem levado alguns criadores a cruzarem as suas cadelas precocemente para a supressão do problema, resultante da escassez óssea que ataca os ossos mais longos e que leva à produção de um novo osso a partir da cavidade formada (maiores e melhores explicações ser-lhe-ão dadas pelo seu veterinário assistente).
A mielopatia degenerativa é uma doença degenerativa neurológica crónica e lentamente progressiva da medula espinhal que acomete com maior frequência nos cães de grande porte em idade adulta mais avançada, principalmente no Pastor Alemão entre 5 e 14 anos (podendo atingir também outras raças) e cuja causa ainda não foi esclarecida, que leva os cães à dificuldade de se manterem de pé, ao cruzamento dos seus pés quando caminham, obrigando-os a cambalear, como se houvessem perdido a coordenação motora, que na verdade perderam, impossibilitando-os numa fase mais adiantada (crónica) de urinar ou defecar, pela ocorrência de atrofia muscular e paralisação da sua região posterior (quadril). A doença só poderá ser confirmada através de necropsia. Nenhum tratamento é eficaz e consegue debelar esta doença, já que os tratamentos clínicos e medicamentosos não têm obtido grande resposta, pelo que a maioria dos animais acometidos por ela acabará mais cedo ou mais tarde por ser eutanasiada. Tem-se apostado na fisioterapia para retardar o seu avanço e melhorar a qualidade de vida dos cães afectados, trabalho de reabilitação que visa exercitar e recuperar as estruturas que não foram comprometidas. Contudo, é adiar o inevitável por mais algum tempo.
Onde nos deparámos com casos destes? Curiosamente fomos encontrar as duas doenças no mesmo grupo de indivíduos ou num grupo de indivíduos com as mesmas características, exemplares com curvas de crescimento maiores (acima dos 68cm de altura), tendencialmente pernaltos ou obesos, fracos de ossatura ou com ela deficitária em relação à sua envergadura, geralmente com abatimento de metacarpos e descodilhados em marcha, que na fase de crescimento divergiam de mãos e que posteriormente viriam a evoluir para o passo de andadura, não conseguindo recolher os posteriores nas transposições mais baixas ou ultrapassando-as exageradamente de pernas hirtas, alinhando-as pela linha do ânus ou acima dele. Muitos dos cães que vieram a sofrer de panosteíte, tiveram irmãos noutras ninhadas que não conseguiram levantar as pernas, lembrando mamíferos aquáticos e que acabaram por ser abatidos. Apesar da doença ser mais incidente nos exemplares demasiado alto ou gigantes, alguns dos seus descendentes padronizados vieram a manifestar o mesmo problema, o que alvitra a hipótese duma propensão ou razão genética.
Como tivemos a oportunidade de criar, acompanhar e treinar Pastores de todas as variedades cromáticas, verificámos que na variedade negra as duas doenças raramente se manifestaram, mesmo quando esses indivíduos resultaram de progenitores de cor diferente e eram excepcionalmente grandes, que existe uma relação, para nós sem explicação, entre nanismo e gigantismo para a ocorrência destas enfermidades, algo para além do dimorfismo sexual e que por vezes lhe era contrário. Constatámos por outro lado que a mielopatia degenerativa acontecia mais cedo nos exemplares menos trabalhados ou nos indivíduos privados do exercício regular, geralmente confinados em canis ou a maior parte do tempo fechados em casa. Foi entre os lobeiros e os cães com menos máscara que encontrámos maior incidência destas doenças, que como já dissemos disputavam o mesmo grupo de indivíduos. Estarão os factores branco e azul associados a esta enfermidade? Gostaríamos de saber! Alguns dos cães que vieram a ser afectados por uma ou outra doença, haviam resultado de beneficiamentos extraordinários, já que a diferença de altura dos seus progenitores oscilava entre os 12 e os 15cm. Nada do que adiantamos pretende ser conclusivo, apenas adiantamos aquilo que nos foi dado a observar.
Nesse grupo de indivíduos, por estranho que pareça e para nós é um mistério, nas ninhadas onde nasciam cachorros de pelo duro e de pelo comprido, eram os últimos que concorriam em maior número para o aumento destas doenças. Tanto a panosteíte como a mielopatia degenerativa, sabe-se lá porquê, acabavam por ser extensíveis aos mestiços de pastor alemão, mesmo que um dos seus progenitores fosse de raça indefinida (rafeiro), não ocorrendo nenhuma das enfermidades nos seus descentes quando este era cruzado com um cão igual ou de outra raça. Não é certo que alguma destas doenças seja de origem genética mas é certo que se fazem mais presentes no seio do Pastor Alemão, o que para alguns parece indubitavelmente ligado, muito embora outras raças possam igualmente ser afectadas por elas, o que eventualmente nos transportará para os primórdios da raça, quando surgiu como resultado de vários cães.
Como a razão genética não está provada mas também não foi ainda descartada, na tentativa de evitarmos estas doenças nos nossos Pastores, temos por hábito inquirir do histórico clínico dos exemplares que adquirimos (quando nos dizem a verdade, não a omitem ou mentem), isentar da reprodução os exemplares que tenham tido ou tenham na sua ascendência indivíduos fustigados por estas enfermidades e incapacidades dolorosas, evitar os beneficiamentos entre os cães excepcionalmente grandes, valermo-nos de exemplares negros prá construção dos nossos cães, nunca beneficiar progenitores cuja diferença de altura ultrapasse os 4cm, reduzir ao mínimo indispensável o número de exemplares de pelo comprido e de fraca máscara na reprodução (por norma produto de exemplares unicolores não negros) fazer uso de reprodutores de excelente ossatura e isentar da reprodução indivíduos desaprumados ou com uma biomecânica imprópria ou comprometedora.
Quem sabe se estes cuidados não evitariam a proliferação destas incapacidades? A nossa experiência parece afirmá-lo, já que entre nós raros foram os casos, resultando esses de um reprodutor cinzento bicolor, descendente de cães importados da Alemanha, comprado a um alemão e que tivemos que eutanasiar. Tanto a panosteíte como a mielopatia degenerativa são mais comuns nas linha de trabalho do que na estética (a quem não faltam múltiplos problemas), quiçá porque os adestradores são menos precavidos e por demais ousados, quando desconsideram a morfologia e supervalorizam a prestação laboral.

O’ER THE LAND OF THE FREE AND THE HOME OF THE BRAVE

A América (os Estados Unidos) ainda não perdeu o seu fascínio e não o perderá enquanto em cada um de nós houver um “american dream”, responsável ainda hoje pela invasão massiva e constante das suas fronteiras a Sul, tanto terrestres como marítimas, como vem sucedendo agora também na Europa via Mediterrâneo, não por “hispânicos” mas por emigrantes ilegais africanos de igual condição e desejo. Muito do pioneirismo americano permanece até aos dias de hoje (para o melhor e para o pior), uma referência maior para quem não teve Idade Média e se formou a partir de distintas levas de emigração, não sendo por isso de estranhar, encontrar por lá polícias que se sentem juízes e executores de penas, “Sheriffs” e “Marshals” que nos seus condados são reis e senhores, governando-os despoticamente e segundo leis nem sempre claras, locais, retrógradas e advindas do seu parecer, o que pode transformar-se num contratempo bastante sério para quem desejar visitar o interior dos Estados Unidos, ao desconhecer esses preceitos que facilmente os entenderá como arbitrários e ultrapassados, quiçá até irreais (o que já nos sucedeu). A América não é só Nova Iorque, é muito grande e bastante distinta dentro dos seus Estados e limites geográficos.
É sabido que a justiça norte-americana é por vezes demasiado vingativa e advinda duma política de “olho por outro e dente por dente”, que se reverteu nos primórdios em “hanged on”, debaixo de um espírito que podemos traduzir por “toma lá que já almoçaste”, o que em caso de engano não poupará os inocentes. Exemplo disso é a pitoresca notícia divulgada recentemente, ocorrida em Ohio e que envolveu uma motorista, o seu cão e um agente policial. Ao que consta, a dita senhora, ao deslocar-se a um supermercado, deixou o cão dentro do carro com as janelas fechadas num dia de muito calor. Ao regressar das compras e ao dirigir-se à sua viatura, foi surpreendida por um polícia que, longe de lhe passar qualquer multa ou de a sujeitar a qualquer advertência, não esteve com meias medidas, obrigando-a a sentar-se ao lado do exausto animal nas mesmas condições (sem ligar o carro, com o ar condicionado desligado e com as janelas fechadas), para que compreendesse o mal que havia feito ao cão (incidente que não é inédito nos States). Como a lesada não apreciou a sauna a que se viu forçada, decidiu apresentar queixa em tribunal contra aquele agente da autoridade, muito embora o homem do uniforme argumente não ter dado uma ordem explícita àquela dona desleixada mas formulado apenas um pedido. Seja como for, “é uma lição e pêras”, somente possível naquelas latitudes ou em regimes por demais autoritários, muito embora haja ocasiões em que nas apeteça fazer o mesmo. Independentemente do desfecho do processo, a menos que aquela cidadã seja tola (o que tudo indica que seja), não voltará a deixar o seu pet nas mesmas condições.
E como as distracções, os desleixos e as tolices não acontecem só na América, porque doutro modo não nos faltariam americanos por aqui, agora que os dias começam a aquecer e o calor aperta, não deixe o seu cão dentro do carro sem ventilação, procure estacionar a viatura à sombra e não se demore. Não tendo a possibilidade de garantir estas condições, porque não são fáceis de encontrar, mais vale deixar o seu companheiro de quatro patas em casa, onde se sentirá mais cómodo e onde correrá menos riscos para a sua saúde. Os cães mais sujeitos aos golpes de calor são os de focinho curto, os de manto mais denso e os de cor escura, os cachorros e os idosos, os mais obesos e os arredados do exercício físico regular, para além daqueles que apresentam insuficiência ou dificuldades respiratórias por histórico clínico individual ou carga genética, animais para quem a presença continuada dentro de viaturas poderá ser fatal nos dias com temperaturas mais elevadas.

ABERTURA DA ÉPOCA BALNEAR E OS CÃES

A época balnear abre oficialmente este ano no dia 1º de Maio, tanto na zona da Linha como no Algarve, não obstante os surfistas frequentarem as praias de Janeiro a Dezembro, assim como outros que ali se deslocam mal o sol espreita. Como é do conhecimento geral a entrada de cães nas praias é proibida, pelo menos na sua esmagadora maioria, pelo que não adianta fazer vista grossa às placas de proibição, desobedecer à lei, protestar, ser multado ou correr à frente do “Cabo-de-Mar”. Tarda o dia em Portugal para a concessão de praias para cães, talvez porque ninguém até hoje a solicitou ou estivesse disposto a abraçar a ideia, apesar do projecto exigir pouco investimento, ser necessário, viável e rentável. A proibição dos cães nas praias não é coisa nossa e acontece um pouco por toda a parte, mercê da fobia de uns, comodidade de outros e dos abusos perpetrados por alguns proprietários caninos, que não apostando na coabitação harmoniosa dos seus cães na sociedade, desprezaram e continuam a desprezar as regras que garantiriam a sã convivência entre pessoas e animais, o que torna a aceitação dos cães num esforço bilateral, cabendo aos seus donos dar o primeiro passo para o convencimento da opinião pública, boa vontade visível em poucos e que a todos vitima (homens e cães). Mais depressa ganharão os cães juízo na mão de terceiros do que os seus taradinhos e adoradores!
As praias da África do Sul têm sido, há até bem pouco tempo, um verdadeiro paraíso para os cães, locais onde podiam divertir-se, fazer exercício e acompanhar os donos. Devido aos abusos, Belinda Walker, principal responsável do “Committee Member for Community Services and Special Projects”, na Cidade do Cabo, anunciou que este ano a maioria dessas praias se encontra interdita aos cães, considerando o ocorrido nos anos anteriores, quando alguns deles incomodaram banhistas, atacaram crianças, cavalos e pinguins, para além de lutarem entre si, pondo em risco a integridade e o bem-estar das pessoas, o equilíbrio ecológico, outros animais, espécies protegidas e a limpeza das praias pela ocorrência de dejectos, problemas que não enfrentamos aqui devido à presente proibição durante a época balnear e em vigor há vários anos, medida draconiana que penaliza o despreparo dos donos, a ausência de sociabilização dos cães e a sua relação desastrosa. Sem outras alternativas, cães e donos ver-se-ão obrigados a ir para praias isoladas ou a visitar as mais concorridas pela noite, quando se encontram desertas e o seu policiamento é menos acérrimo.
Antes de levar o seu cão para a praia convém que o ensine a nadar correctamente, com os quatro membros abaixo da linha de água e com a cauda a servir de leme, porque doutro modo poderá entrar em aflição e exaustão, ser levado pela corrente e perecer. E mesmo que isso não suceda, devido à má experiência, a água poderá vir a constituir-se num trauma para ele, problema de difícil e demorada solução. Importa que não o deixe comer areia, porque algumas praias do litoral, particularmente as não fiscalizadas e menos higienizadas, mercê das lavagens de porão dos navios ao largo da nossa costa, apresentam resíduos de nafta e de outros produtos químicos, responsáveis por intoxicações graves que o poderão levar à morte. Quando pretender correr com ele na areia, faça-o o mais perto da água possível, onde a areia se encontra mais compactada, pormenor que diminuirá a incidência de lesões, o agravamento do seu estado articular e evitará a sua estafa.
Banhos consecutivos de mar tendem a secar a pele dos cães e a arruçar a sua cor como reflexo, pelo que deverão banhar-se depois em água doce quando sujeitos a tal incidência. Durante a época balnear e contrariando o que fazem saber os fabricantes, as coleiras antiparasitas deverão ser trocadas aos 45 dias (no máximo aos 60), porque a sua validade diminui significativamente diante de banhos constantes. Evite ir para a praia com o seu cão tanto ao amanhecer quanto ao anoitecer, ocasiões propícias para o mosquito transmissor da leishmaniose. Passar o dia na praia com o cão obriga ao transporte de um garrafão com 5 litros de água (no mínimo), que deverá ser conservado à sombra e mantido fresco, porque tanto o calor como a água salgada aumentarão substancialmente a necessidade de beber do animal (reidratação). Não obrigue o animal a sprints, perseguições ou capturas constantes, particularmente entre as 11 e as 15 horas, horário em que acontecem as temperaturas mais elevadas. 
Por tudo o já dissemos, sempre optámos por praias fluviais no Verão e praias marítimas antes ou depois da época balnear, nunca convidando os cães para o banho quando a temperatura da água se encontrava abaixo dos 15 graus celsius, a bem do seu bem-estar geral e em abono das suas articulações. Bons banhos e boas caminhadas com o seu cão ao lado, se tal for possível. Como a época balnear apresenta vários perigos para os cães, é de todo conveniente precaver-se e consultar o seu veterinário acerca deste assunto, porque ele melhor do que ninguém saberá dizer-lhe como proceder e como evitar as afecções mais comuns nesta época do ano.

ADN CANINO PARA CAÇAR E RESPONSABILIZAR DONOS IMUNDOS

Segundo o que faz saber o “Daily Mirror”, diário britânico com tiragem nacional, irão ser feitos testes de ADN aos cães para identificar os donos que não apanham os seus dejectos nas ruas. O projecto-piloto irá acontecer no bairro londrino de Barking e Dagenham, uma vez que aquela autarquia gasta anualmente somas astronómicas para manter as suas ruas limpas, apostada na sua conservação e na saúde pública, mormente das crianças, assim como na contenção orçamental, medida que denunciará e responsabilizará os donos imundos, que sempre se “esquecem” de apanhar os cocós dos seus fiéis amigos de quatro patas. Seria bom que esta medida fosse adoptada por todos os países membros da CEE e chegasse a Portugal, porque há jardins na Capital que têm mais “croquetes” do que cogumelos, recheio impróprio para quem pretende estender-se na relva. A situação já foi pior mas ainda persistem por cá alguns porcos-sujos, que fazem dos parques e dos passeios autênticas latrinas caninas a céu aberto. Por vezes dá vontade ser inglês ou de ser turista noutras paragens!

VALE A PENA VER O VÍDEO

Já falámos numa edição anterior do projecto levado a cabo na Alemanha nazi para pôr os cães a falar com fins militares, ocasião em que dissemos que tal projecto não era totalmente impossível e que havíamos sido bem-sucedidos num esforço semelhante. Convidamos os mais cépticos para conhecerem o Weezer, o cão falante, um Husky que diz repetidamente frases em inglês como: “amo-te” e “amo-te avozinho”. Para assistir ao vídeo comprovativo, basta seguir o link. Verá que vale a pena!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

MAGISTER PRAXIS:

Ensinar cães não é difícil e é uma tarefa agradável, ensinar donos nem sempre é fácil e é uma tarefa árdua, porque temos que ensinar os que precisam, alertar os que ignoram, esclarecer os que não entendem, corrigir os que erram, animar os desalentados, estimular os que aprendem e ouvir os que sabem, acções que exigem alguma delicadeza mas que são essenciais a quem ensina. Assim tem sido a nossa praxis e a ela devemos o nosso sucesso.

AQUILO QUE UNS VÊEM E OUTROS NÃO

A cachorra das fotos acima é uma Pastora Alemã, ainda sem nome, com quatro semanas de vida e que breve irá para o Entroncamento, onde a aguarda uma família ansiosa. O que podemos dizer dela pelas fotografias, somente que é bonita e uma doçura? É evidente que não e importa caracterizá-la. Trata-se de uma cachorra com um crânio bem desenvolvido, com bom abatimento chanfro nasal, com alta implantação de orelhas, boa ossatura e manto farto, com ascendência nas variedades negra uniforme e lobeira, que se mostra confiante, características que amanhã a tornarão numa excelente companheira e reprodutora. Desejamos-lhe boa sorte e que breve tenha nome!

QUAL SERÁ O MOTIVO (XXVII)?

A “Svetlana” é uma cadela Bearded Collie com 4 anos, que pariu há dois dias atrás, normalmente calma, a viver num canil e que não maça os donos, preferindo muitas vezes aquele reduto à companhia deles. Depois de parir anda estranhamente agitada e quando lhe abrem a porta, intenta esconder os filhotes nos sítios mais imprevistos, carregando-os na boca, o que tem sido um autêntico quebra-cabeças para os donos, que são obrigados a policiar as suas acções. Qual será o motivo de tal comportamento? Hipótese “A”: Não quer os cachorros perto dela e dividir o canil com eles. Hipótese “B”: Não quer voltar para o canil e quer criar a sua prole em liberdade. Hipótese “C”: As condições do canil não lhe oferecem a segurança e a comodidade necessárias para criar os cachorros. Hipótese “D”: Tem medo que os donos lhe roubem os filhotes. Hipótese “E”: Não estava preparada para o exercício maternal. Para a semana cá estaremos com um novo caso e adiantaremos qual a hipótese certa. 

SOLUÇÃO DA SEMANA ANTERIOR

A resposta certa para esta rubrica da semana passada é a Hipótese “E”: Porque reconhece o local e está acostumada a ser solta ali. A Hipótese “A” não deverá ser considerada porque os cães adoram andar de carro junto com os donos e atendendo à idade da cadela, jamais estranharia aquele meio de transporte. O “não gostar dos cães” manifesta-se em desinteresse, eventualmente em resistência, mas o texto não indica que evoluísse contrariada, somente que se agitava, o que torna a Hipótese “B” destituída de qualquer fundamento. Considerando a raça da cadela, o particular da sua instalação (dentro de casa) e enquanto animal de companhia, dificilmente se interessaria por espécies cinegéticas, o que obsta à validade da Hipótese “C”. A 500m de altitude não existe rarefacção de oxigénio significativa, o que torna a Hipótese “D” falsa. 

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim ordenado:
1º _PARA QUE FIQUE BEM CLARO!, editado em 24/04/2015
2º _ ENQUANTO OS DONOS SE COÇAM, OS CÃES MORDEM A CAUDA!, editado em 26/02/2015
3º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
4º _ O CÃO DO INSTRUTOR, editado em 24/04/2015
5º _ QUAL SERÁ O MOTIVO (XXVI)?, editado em 24/04/2015
6º _ SOLUÇÃO DA SEMANA ANTERIOR, editado em 24/04/2015
7º _ ELES AMAM-NOS E OS JAPONESES PROVARAM-NO, editado em 24/04/2015
8º _ O ESTRANHO ANÚNCIO DOS PASTORES ALEMÃES CASTANHOS, editado em 26/04/2013
9º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIFERENTES LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
10º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009

TOP 10 DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país obedeceu à seguinte ordem:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Reino Unido, 6º Suíça, 7º China, 8º Angola, 9º Ucrânia e 10º Espanha.