quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

OS CÃES DE GUERRA DO LESTE EUROPEU E ASIÁTICO

Quem já conviveu de perto com eslavos e teuto-russos, reconhece-lhes características bem diversas das nossas, porque juntam à ingenuidade raro empenho e engenho, não são de “meias tintas” e tanto nos podem surpreender pela positiva como pela negativa, pelo torto é difícil vencê-los e se é para arrear, arreiam mesmo, passando sem dificuldade da candura à efervescência, revelando por vezes instintos que há muito subtraímos, o que os torna respeitáveis como opositores. E se a sua natureza é essa, vão exigir dos seus cães idêntica prestação. Contrariamente ao que fazem as companhias cinotécnicas militares ocidentais, que desnudam tudo o que fazem pela internet, revelando métodos, exercícios e objectivos, das companhias cinotécnicas russas pouco sabemos e o que nos chega é pouco esclarecedor, remetendo-se a umas escassas fotos de exercícios há muito conhecidos.
Esta falta de informação não deverá levar-nos a considerar os adestradores de Leste como básicos, pacóvios ou ultrapassados, porque sabemos que partiram adiantados na cinotecnia, que são pragmáticos e ligados à investigação científica, que trabalham ordinariamente para além dos limites e sempre alcançam alguma novidade. Numa das raras fotos que nos chegou e que publicamos abaixo, vemos um cão a fazer um pódio de difícil execução, tirado a partir da mecanicidade das acções, com degraus quadrados de 20cm de lado e distantes entre si de 35cm (aproximadamente). O exercício obriga a um grande controlo por parte do tratador e a rara concentração do cão que, para aumentar o grau de dificuldade, ainda o executa com os olhos vendados, lembrando um dos feitos do “Dox” (Dox von Coburger Land), um Pastor Alemão da Polícia Italiana, várias vezes considerado o melhor cão polícia do mundo e outrora conduzido por Giovanni Maimone.
Se não podemos negar o carácter empreendedor e científico dessa gente, de igual modo somos obrigados a considerar o seu afinco ao trabalho. Na foto seguinte vemos um trio de soldados, constituídos em rampa para o transporte do cão, que é conduzido por uma tratadora, que intencionalmente se coloca para trás da progressão do animal, para que ele não salte e se apoie nos três militares. Pelas cores da bandeira presentes no braço da tratadora, julgamos tratar-se dum exercício do Exército Bielorusso. Se do ponto de vista atlético o exercício é elementar, o mesmo não se pode dizer da obediência que exige, tanto aos homens como aos cães, considerando que estão a trabalhar debaixo de temperaturas negativas, evidenciadas pela neve que cai e pela que se encontra alojada no solo, obrigando os soldados ao uso justificado de luvas.
A riqueza da cinotecnia militar soviética que serve a Rússia de hoje e os seus países satélites, para além dos exageros cometidos por ocasião da Segunda Guerra Mundial, estamos a recordar-nos dos malogrados cães antitanque, muito embora tenham contribuído para vitória e poupado muitas vidas humanas (outros fizeram o mesmo), sempre foi reconhecida e conhecida como uma escola onde o condicionamento canino sempre atingiu nota máxima, mercê da extraordinária obediência patenteada pelos seus cães e pela rara cumplicidade com os seus tratadores. É pena que não haja mais intercâmbio entre a cinotecnia de Leste e a Ocidental, porque a nosso ver, todos sairíamos a ganhar, especialmente agora que os excelentes treinadores militares e policiais do passado recente caíram no esquecimento. Alguém se lembra ou sabe quem foi o então Capitão Costa Campos, que criou e dirigiu o Centro de Instrução de Cães de Guerra em Boane, a 45km de Lourenço Marques, quando Moçambique era ainda uma colónia portuguesa, contando com mais de meio milhar de cães no seu efectivo e onde foram treinados cerca de 1000 deles para o Estado, para entidades privadas e particulares, assim como para os Fuzileiros e para a Força Aérea?
Por razões político-ideológicas, a herança da cinotecnia soviética estendeu-se às nações do Leste e Sudeste Asiático, nomeadamente àquelas que tiveram ou ainda conservam regimes comunistas, onde se destaca a designada República Popular da Coreia (vulgo Coreia do Norte), hoje governada por um déspota de frágil saúde mental, onde o treino canino é levado ao extremo e onde os direitos de homens e animais são constantemente ignorados e aviltados. Dessa Coreia entregue ao diabo, também sabemos pouquíssimo, quiçá porque não lhe sobrar tempo para além do culto obrigatório ao seu “líder”, fortemente empenhado no seu isolamento. Não obstante, conseguimos deitar mão a uma foto duma Companhia Cinotécnica Militar Norte-Coreana, numa progressão debaixo de fogo, onde as diferentes reacções caninas não comprometem o alinhamento dos seus tratadores (é curioso reparar na linha dos Pastores Alemães, que não deverão ser Wienerau nem Arminius).
Por nossa vontade já não existiriam mais cães de guerra, também não haveriam mais guerras, apesar de sabermos que alguns avanços na cinotecnia resultaram do uso canino para fins militares, que muitos dos seus conteúdos de ensino se prestam e continuarão a prestar-se à paz e ao auxílio de muita gente, já que tanto se pode treinar o arco do fogo para acções ofensivas como para a salvaguarda de pessoas e cães. E é nesse sentido que entendemos a utilidade do treino militar canino, enquanto precioso subsídio para o bem-estar, adequação e longevidade daqueles que nos seguem pela trela, companheiros insubstituíveis na prestação de socorro. Debaixo desta preocupação é que gostaríamos de saber um pouco mais acerca dos cães do Leste, do seu treino e possível avanço, o que nos parece pouco viável com a Guerra da Ucrânia à porta, guerra fratricida que sobrepõe ideais caducos à vida do seu próprio povo. Stepán Banderas e Josef Stalin já morreram, de Hitler só sobrou a má memória, será que é necessário que continuem a matar depois de mortos? Há que enterrar velhos ódios e dar paz à Ucrânia e aos ucranianos!

PARA QUE A MEMÓRIA NÃO SE EXTINGA: A SECÇÃO DE CÃES DA CCAÇ 763

O presente artigo é uma súmula do trabalho publicado em blogueforanadaevaotres.blogspot.com, da autoria de ex-combatentes da Guerra Colonial, enviados para a Guiné, onde permaneceram de Fevereiro de 1965 a Novembro de 1966 e que fizeram parte da Companhia de Caçadores 763, participando na formação da Secção de Cães dessa mesma Subunidade em Cufar. Queremos daqui endereçar os nossos agradecimentos aos editores do citado blog, pelo seu registo e testemunho. Para que a memória não se extinga e a presente geração a conserve e transmita, sentimo-nos na obrigação de falar dos nossos cães de guerra e dos homens que os instruíram, no que foram pioneiros naquele território africano, e também como complemento ao que atrás dissemos acerca do então Capitão Carlos Costa Campos, já falecido, figura incontornável da cinotecnia portuguesa e hoje quase esquecido. Segundo parece, não é só matemática que nos apoquenta, a falta de memória também não nos dá descanso, ao ponto de nos desinteressarmos pela nossa história, pelo seu legado e intervenientes directos.
A formação da Secção de Cães da CCaç 763 em Cufar ficou a dever-se ao comando, visão e iniciativa do Capitão Costa Campos, que depois de ter recebido instrução cinotécnica em Pretória, na África do Sul, para onde foi destacado por 6 meses, regressou a Moçambique, onde teve como incumbência formar o Centro de Treino e Instrução de Cães de Guerra de Boane, que já mencionámos e que foi o 1º Centro Cinotécnico do Exército Português. Após isso, regressou à Metrópole e foi incumbido de comandar a CCaç 763 em Setembro de 1964. Conhecedor das mais-valias dos cães de guerra, por conta própria, a partir dos três Pastores Alemães que já possuía (dois machos e uma fêmea, respectivamente o “Cadete”, o “Punch” e a “ Carhen”) e de mais cinco que veio a adquirir (“Bissau”, “Dick”, “Fado”, “Guiné” e “Lady”) formou a dita Secção em Cufar, nomeando como graduado para o efeito o Furriel Miliciano Carlos Filipe, pelo facto de ter o curso de Eng.º Técnico Agrário, o que lhe garantia à partida conhecimentos de veterinária por via da zootecnia. Recrutou ainda para a dita secção 8 tratadores, 3 cabos e 5 soldados, os 1ºs Cabos Galaio, Madeira e Galvão, e os Soldados Ruiz, Montijo, Pernas, Bordadágua e Galaio.
A formação do pessoal aconteceu em 4 fases, sendo a primeira destinada à selecção do Comandante de Secção (Fur.Mil. Carlos Filipe), que recebeu na 2ª conteúdos de ensino teórico-práticos e usufruiu das exibições do “Cadete”, da “Carhen” e do “Punch”. A 3ª fase recaiu sobre a escolha dos tratadores, a quem se exigia que fossem amigos de cães, pacientes, perseverantes, inteligentes, expeditos e desembaraçados, imaginativos, capazes de se coordenar física e mentalmente e disporem de boa resistência física (que bom seria se todos os meus alunos fossem objecto desta pré-selecção!). A 4ª e última fase assentou sobre o trabalho binomial, já com tratadores e cães constituídos em equipa, dando-se especial enfoque à aprendizagem dos comandos verbais e à disciplina e figuras da Obediência (“junto”, “alto”, “senta”, “deita”, “quieto”, “de pé” e “ladra”, para além do transporte de objectos, da obrigatoriedade do rastejar, da interrupção da marcha e das acções de busca e ataque). O exercício da Obediência foi complementado com o treino físico e específico, o físico mediante o concurso a obstáculos e o específico sobre os requisitos para sentinela, patrulha, guarda, pistagem e perseguição.
A escolha do Cão de Pastor Alemão para tais tarefas, segundo os seus mentores, ficou a dever-se aos seguintes predicados: ao facto destes cães aprenderem e reagirem rapidamente, de terem o ouvido mais apurado que qualquer outra raça, do seu faro ser dos melhores entre os lupinos, por serem extraordinariamente ágeis e rápidos, comerem pouco em relação ao seu tamanho, patentearem um manto que os protege contra as amplitudes térmicas, picadas de insectos e mordeduras de outros animais, demonstrarem elevado moral sobre desordeiros e dominarem com facilidade quem se lhes oponha. E como nem tudo são rosas, o particular da fauna e da flora da Guiné obrigou a alterações na utilização destes cães de guerra, acabando por ser mais usados como sentinelas e pisteiros, devido à abundância de macacos-cães que os enfrentavam com grande agressividade, agitação, ruído e alvoroço, o que permitia aos guerrilheiros a fácil detecção das nossas tropas e que impedia o assalto de surpresa aos seus acampamentos. Por outro lado, a vasta vegetação arbórea constituída por espécies espinhosas, acabou por causar várias infecções nas patas dos cães, limitando também assim o seu uso.
Não obstante, estes soldados caninos possibilitaram a poupança de meios humanos enquanto sentinelas, guardaram eficazmente pistas de aterragem e aeronaves, controlaram afincadamente as populações a Sul de Cufar, detectaram inimigos e material, espiões e foragidos que intentavam escapar-se às nossas tropas, capturaram guerrilheiros e informantes do PAIGC, guardando ainda prisioneiros. Nota de destaque para o “Punch”, que sendo o seu dono emboscado, rastejou a seu lado, acabando por descobrir munições e pessoas escondidas em depósitos de arroz ou nos telhados das “moranças” (crioulo da Guiné-Bissau para habitações indígenas). Do valor militar destes cães podem atestar os grupos armados do PAIGC que operavam naquele sector. Em 1999, trinta e quatro anos depois, ao passar naquela zona, uma testemunha idónea ainda ouviu falar destes cães! A Secção de Cães da CCaç 763 ficou para a história mas permanece bem viva na memória de quem a viveu. Resta-nos honrar os mortos e desejar longa vida aos vivos que a edificaram e conservaram à sombra do Estandarte Nacional. Dos cães…resta a enorme saudade de quem os conheceu.

É FALSA!

É falsa toda a avaliação interdisciplinar cinotécnica que julgue apenas a prestação canina, desconsiderando o papel dos seus condutores ou treinadores, porque a natureza do trabalho é binomial, os cães agem por reflexo, possuem poucos instintos e não os seguem cegamente, ficando a dever o acerto a quem os conduz e o êxito a quem os lidera, assim como o “seu” possível desacerto ou desaire. Atribuir uma nota ao cão e não atribuir nenhuma ao seu condutor, é uma mentira que a ninguém serve, porque se desconsidera a causa e apenas se julga o efeito, como se a técnica não contribuísse para o resultado. Enquanto persistirem julgamentos deste tipo, arbítrio de descarado especicismo, a evolução dos cães será menor pelas sofríveis aptidões dos seus treinadores, que não sendo reparadas e melhoradas, serão injustamente averbadas aos animais. Falta às distintas provas caninas, à imitação do que sucede nas provas de ensino equestre, uma “nota de conjunto”, onde os requisitos técnicos dos condutores seriam também objecto de avaliação.

LEMBRAM-SE DELES? EU NUNCA OS ESQUECI!

É evidente que quem nunca os viu, não se pode lembrar deles! Estamos a tratar dos Pastores Alemães do passado, muito vistos nas décadas de 50 e 60 por aqui, quando a contribuição do branco ainda era visível nas ninhadas, gerando cães com uma pelagem que se perdeu e que ao desaparecer, levou consigo a qualidade e a herança laboral dos cães originais. A sua cor não era apelativa, porque no lugar do afogueado que vemos hoje, apresentavam membros brancos ou levemente cinzentos, cores que se expandiam rapidamente e que apenas lhes consentiam uma pequena capa mais escura no dorso (preta ou cinzenta), os então vulgarmente chamados de “café com leite” ou de “alsacianos” pelos eruditos.
Hoje é muito raro encontrá-los entre nós e a sua descendência difere dos demais na cor da pele, que é branca ou rosa, ao invés de ser azulada, diferença mais visível nos exemplares lobeiros. Esta variedade encontra-se remetida a pequenos nichos de criação no Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Rússia. Apesar de ter sido maioritária nos países satélites da ex-União Soviética (actualmente encontra-se quase desaparecida naquelas paragens). O último exemplar que vimos e que ainda se encontra vivo, apesar de castrado, é a cadela “Daisy”, propriedade do Sr. Márcio Duarte, residente na aldeia do Pó, no Bombarral, que recentemente tirou dela uma grande ninhada, manifestando a maioria dos cachorros as características dos pastores doutrora.
Se a cor não os tornava apelativos, o que tinham de extraordinário? Mais do que no invólucro, valiam pelo conteúdo, pelo manancial da sua carga genética que lhes garantia superiores prestações, que associado à sua rusticidade e disponibilidade, faziam deles cúmplices sem maiores delongas, companheiros seguros e sempre presentes, que agiam acertadamente em todas as situações e sempre que necessário, graças aos benefícios da proto-selecção de que eram portadores, herança que os creditava como exímios defensores, aptos para qualquer tarefa e com raro sentido policial, contrariamente ao grosso dos Pastores Alemães actuais, mais frágeis e menos seguros, cuja prestação se encontra dependente de inúmeros condicionalismos mas que se declaram libertos do excomungado Pastor Alemão Branco, exibindo aos quatro ventos o seu certificado de pigmentação. Como estão enganados aqueles que julgam, que para o trabalho qualquer traste de cão serve, porque se assim fosse, estariam lá todos os cães de beleza, objectivo que os seus criadores procuram e tardam em realizar.
É lisonjeiro tentar comparar os cães de trabalho com os de passarela, porque uns devem a sua existência à utilidade e os outros somente às suas características morfológicas, os primeiros vingam pela prestação e os últimos pela apresentação. É evidente que a raça é só uma, os critérios de avaliação é que divergem. A nós interessam-nos os cães de trabalho, cuja disponibilidade e biomecânica estão para além do comum julgamento de andamento e do “stay”. Retornando ao tema deste artigo e aos cães que lhe dão corpo, importa dizer que eles eram e são sexualmente dimórficos, que os machos diferem francamente das fêmeas em tamanho e envergadura, não resultando disso nenhuma quebra de qualidade, podendo uns e outros ser usados de acordo com as suas características.
Estes cães, hoje entendidos como obsoletos, feios, indesejáveis e despigmentados, mais por quem os desconhece, como se a cor fosse tudo e o escritor do “Mein Kampf” ainda por cá andasse, maiores, com mais envergadura, ordinariamente de dorso paralelo ao solo, de costela redonda e garupa bem desenvolvida, deram e continuam a dar ao mundo excelentes exemplares, que ao longo da história se têm vindo a destacar como militares, polícias, cães-guias e preciosos auxiliares na busca, no resgate e no salvamento, para além de serem devotados cães de família. Estaria a Sr.ª Tina Barber equivocada quando intentou recuperá-los e se viu obrigada a criar o Pastor de Shiloh? Estamos em crer que não, porque a partir da década de 70 até aos dias de hoje, nenhum Pastor Alemão se destacou a não ser na ficção. E por falar em ficção e linhas de criação, não para comprovar o que dizemos mas para melhor compreensão, vale a pena ler as considerações de Lee Duncan, acerca da capacidade de aprendizagem do seu Rin-Tin-Tin, também ele um despigmentado, que hoje seria eliminado, ainda antes de entrar no ringue.
Lembro-me destes cães com imensa saudade, porque nunca me comprometeram ou desamparam, também porque consegui recuperá-los e pude atestar das suas mais-valias, procurando-os por toda a parte e usufruindo satisfeito da preciosa herança que Arthur Meyer e Max von Stephanitz nos legaram, homens para quem a cor pouco importava. Há quem conte carneiros para dormir e não resulte, eu recordo esses cães e ao fazê-lo, adormeço descansado, porque tive o raro privilégio de caminhar com eles ao meu lado. E a minha gratidão é tal que, quando eventualmente me cruzo com algum, corro de imediato a afagá-lo e dou os parabéns ao dono. Parabéns para si também, se é proprietário de um cão destes!

ONDE É QUE EU JÁ VI ISTO?

Não é nenhum dos nossos Pastores Alemães Vermelhos mas podia ser, também nunca produzimos muitos, porque sendo “a cereja no topo do bolo” da nossa criação, apenas os confiámos aos amigos (inevitavelmente alguma amizade saiu furada). Quando reparámos na foto deste cão, reconhecemos as parecenças com o Flikke da Joana Moura e com a Loba do Rui Santos. Apesar do registo fotográfico não ser conclusivo, pensamos tratar-se uma cadela, considerando o particular da sua cabeça e envergadura. Certo, certo, é que pertence ao Exército Lituano e à Polícia Militar, conforme se pode ler no colete, o que lhe poderá garantir algum parentesco com os nossos, considerando que só a Bielorrússia separa a Ucrânia da Lituânia. Editámos a foto por se tratar de um excelente exemplar e para provar aos mais cépticos da existência da variedade.
PS: Prašome susisiekti su mumis, jei turite kaip šis šuo ar žinote, kas yra ir atsiųskite mums keletą nuotraukų. Ačiū/ Bitte kontaktieren Sie uns, wenn Sie einen Hund wie diese haben oder wissen, wer hat und schicken uns einige Abbildungen. Dank/ Пожалуйста, свяжитесь с нами, если у вас есть собака, как это или знаете, кто имеет и отправить нам несколько фотографий. Спасибо. acendurabrava@gmail.com

VIENA SEMPRE SURPREENDE!

Quem for de carro por essa Europa fora e levar o seu cão consigo, à medida que se vai aproximando do coração do Velho Continente, começa a notar profundas diferenças no tratamento dado aos cães. Se por acaso tomar o sentido contrário e atravessar o Mediterrâneo, também as sentirá, mas para pior, havendo países que nem querem ver cães por perto, o que para mim não é causa de espanto, até porque ir à casa de banho na Mauritânia, na maioria das localidades (mesmo nalgumas ditas “cidades”), é fazer um buraco na areia e aliviar-se. Visitar a Europa e não ir a Viena é como fazer turismo e não sair do quarto do hotel. Ir à Capital da Áustria é tomar um banho de cultura, reviver e conhecer a história por detrás da Europa tal qual a conhecemos hoje, observar a fusão entre a arte o trabalho, sentir o pulsar da Europa Central, redescobrir doces tradições e velhas harmonias que o Danúbio ainda testemunha e que se foram perdendo ao longo do tempo.
Lá, à porta da maioria dos supermercados e doutras lojas, como se pode ver na fotografia acima, existem postes de prisão para os cães, que ali ficam em segurança, enquanto os seus donos se aviam, coisa bem diversa do que acontece por aqui, onde os proprietários caninos, à falta de melhor, se vêem obrigados a prender os seus cães às maçanetas e dobradiças das portas dos estabelecimentos comerciais ou aos postes dos sinais de trânsito. Será que as diferenças de tratamento dadas aos cães também espelham a tal da “europa duas velocidades”? Como somos optimistas, queremos acreditar que brevemente viremos a ter postes destes, provavelmente por iniciativa privada, porque as autarquias já tiveram melhores dias! Resta dizer que a cadela retratada sentiu-se incomodada pela presença da fotógrafa, uma amiga alcunhada de “boa morte” mas que sempre nos traz novidade de vida. Joana manda mais!

QUAL SERÁ O MOTIVO (XVII)?

O Pisco é um podengo nacional levado da breca, extraordinariamente activo, dado a escapadelas e com surdez selectiva, predicados de somenos importância para os donos, que não deixam de lhe achar graça. Do que não acham graça nenhuma, é dum hábito que tem, o de se esfregar nos excrementos de pessoas ou de outros animais, quando nos passeios ao campo, contratempo que recambia apressadamente todos para casa, obrigando os donos a lavá-lo e a suportar tais odores, não lhes valendo qualquer reparo para tal porcaria. Mais do que a solução para o problema (que adiantaremos a quem no-la pedir), importa-nos descobrir qual será o motivo por detrás desse comportamento. Hipótese “A”: O Pisco age assim porque é porco. Hipótese “B”: Esfrega-se nos excrementos para combater os parasitas. Hipótese “C”: Procede assim por causa de uma herança atávica, para confundir o seu odor com o dos outros animais ao seu redor. Hipótese “D”: Esfrega-se nos excrementos porque adora que lhe dêem banho. Hipótese “E”: Usa a pasta dos excrementos para proteger a sua pele. Para a semana adiantaremos qual a hipótese correcta e cá estaremos com um novo caso. 

SOLUÇÃO DA SEMANA PASSADA

A Hipótese correcta para o caso da semana passada é a “E”: Procede assim porque é manhosa e quer libertar-se da liderança. Como a cadela treina à noite, bebe antes de começar a trabalhar e o seu trabalho assenta exclusivamente no andar ao lado do dono, jamais o calor seria o responsável pela sua pretensa sede, o que elimina de imediato a Hipótese “A”. Toda a gente sabe que os Huskies são atletas e resistentes, próprios para grandes caminhadas, o que retira qualquer fundamento à Hipótese “B”. Também é do conhecimento geral que os Huskies são excursionistas, que preferem andar na rua do que ir para casa, chegando alguns a escapar-se dos seus lares, tendência que não se coaduna com a Hipótese “C”. A Hipótese “D” é totalmente descabida, porque sombra é coisa que não falta à noite.

MARAVILHAS DA TÉCNICA: A CAMERA DA GOPRO

A conhecida empresa norte-americana “GoPro”, especializada na ajuda aos produtores de vídeo e a dar-lhes imagens de ângulos quase impensáveis, já lançou no mercado a “Camera Fetch”, destinada ao uso canino, que é à prova de água e custa 60 US dólares. A camera é vendida com um arnês próprio que possibilita o uso da máquina no dorso ou no peito dos cães, podendo ainda usar-se duas cameras em simultâneo (uma no peito e outra do dorso ou duas paralelas no último). Mediante a novidade, já é possível compreender como os cães vêem o mundo à sua volta sem nos agacharmos, gravar as suas brincadeiras, conhecer os seus interesses e receios. Para o uso que lhe queríamos dar, como complemento e registo das acções de guarda caninas, peca por ser demasiado visível.
No entanto, porque a técnica não pára de avançar, é possível que surja um modelo mais optimizado para esse efeito. E como à noite todos os gatos são pardos, é possível usá-la nas vigílias nocturnas, quando importa saber quem aborda o cão ou a propriedade, porque tanto pode ser ligada a um circuito interno de televisão como funcionar unicamente como gravador. A inovação mostra-se excelente, quer seja usada para captar momentos lúdicos ou para gravar as diferentes prestações caninas, nomeadamente as ligadas à prestação de socorro, o que a transforma num precioso auxiliar operacional.

O JORGE DA BROWNIE E O MATOS DA DHARMA: OS NOSSOS ARTISTAS

Temos entre nós dois humildes artistas, um desenhador e um pintor, respectivamente o Jorge Martins e o Luis Matos, que fizeram o obséquio de nos enviar alguns dos seus trabalhos. O Jorge junta à paixão que nutre pelos Pastores Alemães o prazer de retratá-los e pelo que nos é dado a observar, tem arte e talento. O retrato de cima é da Brownie e quem a conhece, sabe que está tal e qual. O seguinte é do Gyga, o que não deixa dúvidas a ninguém, porque lhe reconhecemos o particular da expressão e o ar de poucos amigos (não fosse ele um lobeiro tipo).
O Matos é como um cantor muito popular, têm dois amores: os cavalos e os cães pastores, que lhe servem de motivo para os quadros, obras que realiza em lugar ermo e no aconchego do seu lar, onde a inspiração lhe bate à porta e não tem vizinhos a incomodar. Enquanto o Jorge desenha para “consumo próprio”, porque lhe dá gozo, mercê da sua condição de aposentado, o Matos pinta para fora e vende os seus quadros, no que tem sido reconhecido e bem-sucedido, graças também ao interesse e conhecimento que tem da equitação e da cinotecnia. Segue-se um dos seus quadros.
Quem desejar adquirir alguma das suas obras, pode encomendá-la através de email para a Acendura Brava, que de imediato o reencaminharemos para o artista, para que seja contactado directamente. Se numa fase embrionária os trabalhos do Matos se remeteram ao meio equestre, hoje estão presentes em muitos lares e entre gente que somente adora a nobreza do cavalo, a sua biomecânica e os sentimentos que desperta. Diante disto, quem poderá ficar insensível a um quadro como o que se segue?
Apresentámos os nossos artistas, publicámos alguns dos seus pequenos trabalhos e agrada-nos tê-los como amigos, porque a sua sensibilidade muito enriquece aquilo que fazemos.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ OS CÃES DA NICOLE SCHLAEPFER, editado em 30/04/2012
2º _ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUÍÇO: ANÁLISE MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/2011
3º _ A CURVA DE CRESCIMENTO DAS DIFERENTES LINHAS DO PASTOR ALEMÃO, editado em 29/08/2013
4º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
5º _ UM VELHO E DURO INIMIGO: A PROCESSIONÁRIA DOS PINHEIROS, editado em 07/08/2010

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5º Reino Unido, 6º Rússia, 7º Holanda, 8º Irlanda, 9º Ucrânia e 10º Polónia.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O MISTÉRIO DOS CÃES SUICIDAS DE OVERTOUN BRIDGE

Perto da aldeia de Milton no burgo de Dumbarton, West Dunbartonshire, na Escócia, existe desde o Séc. XIX, uma casa de campo senhorial mandada construir por James White, um advogado mais tarde agraciado com o título de Barão, que mereceu o nome de Overtoun House, ao estilo das típicas mansões góticas escocesas, associada a um sem número de eventos trágicos e secundada por uma ponte ainda mais famosa e fatídica para os cães, que deve o nome à casa a que dá acesso, a amaldiçoada Overtoun Bridge, também conhecida como “ponte do suicídio canino”, uma estrutura em pedra granítica, assente sobre um arco que se eleva do solo 15 metros, onde vários cães, inexplicavelmente, se têm jogado dela abaixo, sobrevivendo muito poucos.
Desde 1960 até ao início do novo milénio, cerca de 50 cães ali cometeram suicídio e em 1994, Kevin Moy, um homem de 32 anos de idade, jogou o seu filho, com apenas duas semanas de idade, daquela ponte abaixo, por julgá-lo possuído pelo demónio. Apesar de tentar suicidar-se, o homem acabou internado num hospital psiquiátrico de alta segurança. Há quem acredite que aquele local, segundo a mitologia celta, é um “lugar fino”, uma espécie de portal entre a terra e o céu, onde a fronteira entre ambos é muito ténue e por isso mesmo mais susceptível a forças sobrenaturais. Quem não foi em cantigas foi a Sociedade Escocesa para a Prevenção da Crueldade contra os Animais, que não encontrando explicações para aqueles fenómenos, decidiu contratar dois experts: o Dr. David Sands, um psicólogo canino e David Sexton, um especialista em habitats animais, até porque os raros cães sobreviventes foram fatalmente reincidentes na mesma acção, o que não deixa de ser muito estranho.
Antes de avançarmos para as conclusões destes e doutros especialistas, para facilitar a análise dos nossos leitores, adiantamos que os cães “suicidas” tinham características morfológicas comuns, todos saltaram do mesmo ponto e a sua morte aconteceu em dias claros, ensoleirados e secos. Quando se fez o levantamento dos cães assim desaparecidos, verificou-se que todos tinham em comum o focinho comprido, sendo labradores, collies e retrievers. Os saltos fatais aconteceram invariavelmente sobre o lado direito da ponte e nos seus dois últimos parapeitos laterais.
Descartando a hipótese dos cães premeditarem a sua própria morte, de ali sofrerem uma psicose momentânea (própria ou induzida involuntariamente pelos donos), e indiferente às místicas opiniões populares, o recrutado Dr. Sands, procurou explicações a partir dos três sentidos primários caninos: visão, audição e olfacto, eliminando de imediato a contribuição da visão para o fenómeno, porque baixando-se e colocando-se ao nível dos cães, nada lhe era visível a não ser um ininterrupto corredor de granito. Valendo-se dos bons ofícios de Sexton, que munido de aparelhos acústicos próprios, concluiu não haver ali qualquer som passível de induzir os cães ao suicídio, descartou também a contribuição da audição para a ocorrência do fenómeno, focando a sua atenção no olfacto e para a possível libertação de odores particulares naquele local, como responsáveis daquela atracção fatídica.
Sands, depois de testar vários cães na procura de odores de ratos e visons nas imediações do local, verificou que cães com as mesmas características dos desaparecidos corriam prontamente para os odores de vison (70%), atribuindo como causa possível daquela desgraça, a presença desse animal nas redondezas da Overtoun Bridge, sustentando as suas conclusões a partir dos testes efectuados, corroborados pelo testemunho da presença de excrementos junto daquela ponte, pela introdução desse mamífero na área nos anos 50 (altura em que os suicídios caninos começaram), e no facto de existirem na Escócia cerca de 26.000 desses mamíferos, que não lhes sendo diluído o odor pela humidade, o cheiro a mofo produzido pela sua urina e glândulas anais é por demais perceptível e convidativo para os cães (todos os suicídios aconteceram em dias secos).
Contudo, as conclusões não são peremptórias, ainda que façam todo o sentido, porque há moradores que dizem nunca ter visto tal animal à volta daquela ponte, nos limites de Overtoun House, no Rio Clyde ou nos charcos adjacentes, o que não é de estranhar atendendo ao carácter furtivo do vison. A altura dos parapeitos da ponte, por permitir a sua transposição fácil e não possibilitar aos cães aquilatar do seu desnível, poderá, por engano, ser também responsável pelo seu suicídio, que uma vez dominados pela procura do odor, não se aperceberam de que altura se lançaram. Por vezes, pequenos muros podem causar grandes problemas, particularmente diante de cães “saltitões” ou condicionados a saltar tudo o que tiverem pela frente. Lembramos aqui o caso de um Labrador, que prontamente saltou um muro de pedra com 60cm de altura, a rematar a entrada subterrânea de um estacionamento automóvel, indo parar 5m mais abaixo, também o sucedido com um híbrido de pastor belga, que na ânsia de caçar um gato, se jogou fatalmente dum 4º andar. Como prevenção e segurança na transição de pontes com vedações inferiores a 1.8m e que não indiciem o seu desnível, convém circular com os cães atrelados. 

NO PAÍS DOS POETAS ATÉ A MAIS ELEMENTAR PRÁTICA NECESSITA DE INSPIRAÇÃO

Por portas e travessas conheci um cidadão, que tendo outra actividade profissional, se dedica na medida do possível à poesia e à fotografia, um portuense descontraído, fraterno e despido de preconceitos, pronto a ouvir e propenso a fazer amigos, que faz da humildade a primeira das suas virtudes. Em certa ocasião, quando inquirido acerca da proliferação da sua poesia, ouvi-lhe: “eu não faço poemas para gozo próprio mas procuro uma mensagem que ecoe no maior número de pessoas, porque o meu culto pessoal pode ser um entrave para alcançar os outros”, princípio simples que me deixou por algum tempo a matutar. Neste País de poetas que é o nosso, a ideia dominante não é essa, porque a maioria entende a arte como aquilo que lhe dá gozo, ao ponto da mais elementar prática necessitar de inspiração, princípio medíocre que afecta a formação, condiciona o trabalho, entrava o progresso, compromete a produção e obsta ao bem-estar geral, levando alguns mais saudosos a reclamar pela “justiça de Fafe” (a do cacete).
Na cinotecnia passa-se exactamente o mesmo, onde muitos são os artistas e muito poucos são os esforçados, apesar da cognição canina ser maioritariamente empírica e não dispensar o contributo humano para o seu desenvolvimento, adaptação e aproveitamento. Superabundam no adestramento indivíduos que apreciam os dons alheios e são dados ao “click”, que entaramelados pelo seu gozo pessoal, relegam para a ausência de virtude os desaires próprios do seu parco esforço, votando para depois o afinco que hoje lhes é exigido, o que normalmente tem como reflexos a menor robustez física, a parcimónia cognitiva, vários desequilíbrios psíquicos e o inevitável subaproveitamento dos animais ao seu encargo. Os cães aprendem fazendo e só os donos esperam que eles nasçam ensinados!
Como se depreende, o adestramento antes de ser arte é prática e só será arte a partir do domínio da técnica, enquanto sublimidade que não dispensa o trabalho oficinal e que aposta na adequação de homens e cães, tarefa depuradora que objectiva o melhor entendimento entre ambos, limando nuns e noutros as imperfeições que obstam a esse propósito. É no trabalho oficinal que os condutores caninos lusos apresentam maiores dificuldades, quando comparados com outros, porque se julgam iluminados e capazes de dispensar as metas que garantem os objectivos, por presunção e ausência de humildade, achaques que os induzem ao improviso e à confusão, mercê do desprezo pelas regras que garantem o acerto nas soluções, lembrando um serralheiro, de quem já falámos na rubrica “OS CÃES DOS SALOIOS”, que desprezando o esquadro dizia: “porrada daqui, porrada dali e está uma esquadria feita”.
E nesta terra de fenómenos, que não se remetem só à cidade do Entroncamento, muitos substituem a disponibilidade e a constância nas acções, qualidades indispensáveis ao bom rendimento laboral, pela prestação sujeita a estados anímicos e à inspiração, características voláteis que tornarão os seus cães desconfiados, pela surpresa do imprevisto que atentará contra o elementar condicionamento. Bons como poucos no improviso, cativos do seu próprio juízo e com dificuldade em reconhecer os seus erros, na célebre máxima de “cada cabeça, cada sentença”, acabam por fazer da excepção regra, dando a tudo um cunho pessoal que inviabiliza o seu próprio desenvolvimento e desaproveita o manancial genético dos cães ao seu encargo. Diante deste panorama, não é de estranhar que sejam muitos os cães para competição e muito poucos os destinados para fim útil, o que agiganta o carácter terapêutico canino, porque só os cães se prestam e são válidos para tamanha insanidade (os cavalos jogá-los-iam pelas orelhas!).
É possível que este modo de vida esteja ligado a princípios pedagógicos hoje aceites e que surja como corolário de indesejáveis políticas educacionais, que possibilitaram o alcance dos prémios gratuitamente, desequilibrando o são equilíbrio entre direitos e deveres. Que ninguém se iluda: primeiro somos devedores dos cães e uma vez saldadas as nossas dívidas, recebê-los-emos como prémio, porque uma coisa é o que esperamos deles e outra bem diversa é aquilo que esperam de nós. Eles irão cobrar-nos observação e estudo, carinho, ânimo, paciência e correcção, num acompanhamento a par e passo que obrigará a rara disponibilidade, para que sejam compreendidos, respeitados e utilizados segundo o têm para dar. Depois, seguir-nos-ão por toda a parte, vendo-nos como líderes e seus melhores amigos. Talvez por édito divino ou por alguma menos valia nossa, tanto na vida quanto no adestramento, nada alcançaremos sem esforço. Contudo, ele sempre será premiado!

BYRON: TEM NOME DE POETA MAS É UM OPERÁRIO

A Sr.ª Kate Cross tem uma doença muito rara, a catalogada Síndrome Ehlers-Danlos (EDS), afecção de origem hereditária do tecido conjuntivo, causada por um defeito na síntese do colagénio, que a impede de abrir uma simples porta e de executar as mais elementares tarefas do quotidiano, correndo o risco de deslocar o ombro, o cotovelo ou o punho. Devido às suas manifestas incapacidades, desde 2007 que conta com a ajuda do Byron, um Labrador que lhe é dedicado e que foi treinado para a ajudar e tornar autónoma, tarefas que desempenha com mestria e alegria. Graças ao seu fiel amigo, a Sr.ª Kate pode sair de casa sem contratempos e ir para qualquer lado, o que até à chegada do Byron era praticamente impossível sem incomodar terceiros.
O cão ajuda-a a atravessar a estrada, coloca a roupa na máquina de lavar, faz-lhe a cama, levanta dinheiro nas caixas do multibanco (a dona só precisa de digitar a senha), abre, arruma e fecha o frigorífico, vai ao supermercado com a dona, recolhe e transporta os produtos que ela precisa, lava o seu prato da comida e por aí adiante.
Faltam-nos as palavras para qualificar o trabalho do Byron e enaltecer quem se dedica ao ensino dos cães para tamanho préstimo, porque se o cão não tem preço, muito menos terá quem o ensinou, apesar da primeira tarefa do adestramento apontar para a parceria canina. Diante da prestação deste Labrador vemos quão fútil é o trabalho daqueles que se dedicam às diferentes competições caninas, que procuram o gozo e a vaidade, indiferentes aos dramas alheios e desprezando o auxílio aos que dele mais precisam. Há quem venha para ser servido mas é muito mais nobre servir e valer aos demais.
Tivemos acesso à história da Kate e do Byron pelo diário inglês Daily Mail e em boa hora tomámos conhecimento desta manifestação de amor e solidariedade. Terminamos dizendo: bem ajam aqueles que se dedicam ao auxílio dos outros, que usam os cães para suprir as suas dificuldades, libertando-os do fardo da dependência, garantindo-lhes a alegria de vida, a independência e a autonomia.

“BRING YOUR DOG TO DOGGY DAYCARE & GO TO WORK GUILT-FREE”

Como podem ver na foto acima, lá para as bandas de Sheffield, na Inglaterra, existe uma Cresce para cães, por sinal bastante concorrida, onde os donos que vão trabalhar podem deixar os seus pets de manhã e ir buscá-los na volta trabalho, libertando-se do possível remorso de os terem deixado sozinhos em casa. As portas daquele serviço abrem às 06H30 da manhã e encerram-se pontualmente às 19H00, o preço diário é de 24€!!! e os cães têm à sua disposição um pátio e três salas diferentes, duas para cães adultos e uma para cachorros, sendo os últimos gradualmente integrados entre os adultos, conforme o seu crescimento, aptidão e destreza física. As duas salas para adultos prestam-se para separar algum beligerante dos restantes e todas elas estão repletas de almofadões e brinquedos, um verdadeiro paraíso ao gosto dos cães.
A dita Cresce ainda tem para oferecer um serviço de táxi, que funciona a meio do dia, para ir buscar os cães ao domicílio e entregá-los 2 a 3 horas depois nos seus lares, numa carrinha totalmente equipada e remodelada para o efeito. Para além disto, ainda tem à disposição dos cães um serviço de grooming (The Doggy Salon). A ideia vingou porque apresenta vantagens em relação ao serviço prestado pelos já conhecidos “Dog-Walkers”, porque os cães não se molham, evitam as estradas, os encontros com outros animais domésticos e os confrontos com outros cães potencialmente mais agressivos. Como de imediato se antevê, há quem lá deixe os cães como faria com os filhos, ao levá-los ao infantário pela manhã e recolhendo-os no final do dia. Para informações mais detalhadas basta procurar o site http://www.doggyden.co.uk/.
É curioso reparar no lema desta Cresce, o mesmo que encabeça este artigo, que numa tradução isenta de maior rigor, será mais ou menos isto na língua de Camões: “ Traga o seu cão para a Cresce do Cãozinho e vá trabalhar sem se sentir culpado” (ainda dizem que os portugueses são descarados e que apelam sem pudor aos sentimentos!). Julgamos que a ideia pode pegar por estaca em Portugal, ainda que os preços não possam vir a ser os mesmos, porque a nossa realidade é outra, já que há mais gente com cães do que com filhos, o que poderá ser uma boa alternativa para aqueles que gostam de animais e se encontram desempregados, valendo-se daqueles que ainda conservam o emprego. A ideia da cresce soa-nos bem e parece-nos válida, porque se o serviço for bem prestado, a sociabilização dos cães ao seu encargo será mais fácil e acontecerá sem grandes atropelos. Quem quer abrir uma Cresce para os cães, ganhar uns cobres e libertar os donos de culpa?

CELEBRATE A BIRTHDAY WITH CLOSE FRIENDS

O João Carreiras celebrou recentemente o seu aniversário, longe da sua terra mas na companhia da Joana e do Radar, companheiros de expedição por terras inglesas. Queremos desejar-lhe as maiores felicidades e que o dia do seu aniversário se repita por longos e felizes anos. Pelo que nos é dado a observar pela fotografia acima, alegria fez-se presente e o Radar também participou da festa, pois vemo-los descontraídos na brincadeira, cúmplices e indiferentes à neve ao seu redor, numa celebração típica com “close friends”. A Joana não se vê porque se encontra por detrás da máquina fotográfica. Felicidades para os três!