quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

3 ANOS DEPOIS, REENCONTRÁMOS O BLACK

Três anos depois, reencontrámos o Black, o CPA negro do Rui Menezes e da Ana, criação da Carla Ferreira, que entre nós recebeu instrução, agora com 4 anos e meio de idade, acima dos 40 kg, activo, alegre e pujante, o que foi para nós motivo de alegria, porque se encontra bem, continua decidido e apto para qualquer desafio, sendo um deslumbre para a vista. E como não podia ter vindo só, possibilitou-nos a confraternização com os seus donos, alunos e companheiros desta Escola, que connosco participaram em múltiplas actividades, destacando-se pela sua disponibilidade e empenho, o que mais uma vez agradecemos. O Matos enamorou-se pelo Black e pela sua valentia, o cão fez o gosto ao dente e mostrou que podem contar com ele. Na companhia destes amigos passámos uma tarde bem passada, relembrando momentos que entre nós fizeram história. Até à próxima!

QUAL SERÁ O MOTIVO (XVI)?

Uma cadela Husky com dois anos de idade, agressiva contra os outros cães e agora num processo de reeducação, que se refresca antes de começar a trabalhar, por um período nunca superior a 15 minutos e à noite, quando em liberdade e ao lado do dono, tende a escapar-lhe, a invalidar o “junto” e a refugiar-se junto do bebedouro, o que muito intriga o seu condutor que a julga com sede. Porque procederá assim? Hipótese “A”: Acusa o calor e está com sede. Hipótese B: Pára junto ao bebedouro porque se cansa facilmente e necessita de descansar. Hipótese “C”: Dirige-se ao bebedouro porque quer ir para casa. Hipótese “D”: Vai para junto dele porque procura a sombra. Hipótese “E”: Procede assim porque é manhosa e quer libertar-se da liderança. Para a semana adiantaremos qual a hipótese certa e cá estaremos com um novo caso. 

SOLUÇÃO DA SEMANA PASSADA

A resposta certa a esta rubrica da semana passada é a Hipótese “C”: os cães do amigo eram duas cadelas, que ao senti-la vulnerável, a atacaram amiúde. Caso fossem dois machos, mais depressa lutariam entre si pela posse da cadela do que abusariam dela e depois, como a cadela não foi para casa do amigo para ser beneficiada, este jamais a juntaria a qualquer macho, o que destitui a Hipótese “A” de qualquer fundamento. A Hipótese “B”, a que atribuía a alteração de comportamento da cadela a uma possível prenhez, pelo que atrás se disse, não faz qualquer sentido. Ainda que tivesse ficado fragilizada com a ausência dos donos, ao vê-los, bem depressa recuperaria a moral e o ânimo, o que torna a Hipótese “D” errada. Caso o amigo lhe tivesse batido, a cadela ficaria com medo às pessoas e não aos cães, pelo que a Hipótese “E” não deverá ser considerada.

OS HOMENS DE HOJE: ETERNAMENTE CÃES UNS PARA OS OUTROS!

Para que não restem dúvidas e para quem ainda não compreendeu, a ruína dos países arrolados pela presente crise económica, deve-se à necessidade de riqueza dos países exploradores e dominadores, que vão mantendo a sua hegemonia à custa de dívidas programadas, impondo sem qualquer pejo a austeridade aos outros, que são obrigados a aceitá-la pela subserviência e vassalagem dos seus regimes corruptos, como é o nosso caso, onde sobram políticos fantoches e vendidos, tal qual assassinos a soldo. Dirão os adeptos das “meias tintas”, repasto essencial para quem nos mata, que o termo “assassinos” é demasiado, porque não se rebelam contra a corja e contra a canga que a todos induz à morte inglória, ainda que estejam na mesma fila pró matadouro, a contar quantos têm na frente, esperançados que a matança cesse antes de chegar a sua vez. E se sobrarem dúvidas quando à natureza destes governantes, vale a pena perguntar: quem obrigou os pais a resgatarem os filhos pelos trilhos da emigração? Quem deixa os velhos à sorte e sem medicamentos? Quem lhes emagreceu as suas já magras reformas? Quem fomentou o desemprego? Quem condenou as famílias à míngua? Quem encerrou escolas e quem deixa morrer os doentes nos hospitais sem assistência?
Provavelmente os “vendilhões de sonhos”, os mesmos que engordam como nunca, que escapam às malhas da justiça e que pactuam com toda a sorte de usurários, especuladores e vigaristas! Sim, os campos de extermínio estão de volta, são auto-sustentáveis como os do passado e menos dispendiosos, porque os juros são pagos até que cada um morra no seu próprio canto, cabendo aos que estão ao seu lado despachá-lo pelos meios ao seu dispor. Dirão ainda que estamos diante dum processo natural, o que não nos suscita qualquer dúvida, diante da doutrina evolucionista, da lei do mais forte e do retorno à eugenia negativa pelo poder económico. Seremos cães, apesar de os haver com melhor sorte? Mais depressa se sociabilizarão mil cães entre si do que se ensinará a fraternidade a um só homem!
Nenhum regime ou modelo político será capaz de valer aos homens por igual, sem que primeiro haja uma revolução dentro de cada um de nós, que nos permita entender os outros como parte integrante de nós mesmos, modelo de vida que tardamos em aceitar e que há muito foi revelado. Se eu tiver dois cães e não interferir no seu relacionamento, um não subjugará o outro? Assim procedem também os homens nas suas politiquices! Se a sociabilização canina é garantida por um modelo que lhe é externo e que advém do concurso da liderança, do mesmo modo, a fraternidade entre os homens necessitará de um modelo para além dos seus percalços, diante do qual todos seremos aceites ou rejeitados, sendo todos ao mesmo tempo devedores por idêntica condição, o que nos projecta para a Pessoa e Obra de Jesus Cristo – o autor da nossa salvação, Aquele que disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Só o modelo Divino poderá libertar-nos de toda a injustiça, a que sofremos e a que provocamos, perdoar e suportar os algozes do presente, procurar a fraternidade, valer a este mundo e acreditar num mundo vindouro incomparavelmente melhor.

O REGRESSO DOS “FILHOS DA NAÇÃO” (519 ANOS DEPOIS)

519 anos depois, os descendentes dos judeus sefarditas expulsos no reinado de D. Manuel I, aqueles que a si mesmos sempre se chamaram “filhos da Nação Portuguesa”, que se escaparam ao baptismo à força e às fogueiras da inquisição e que conservaram até hoje o ladino (língua para eles doce e resultante da mistura entre português e o castelhano arcaico), para além doutras tradições culturais de origem peninsular, podem retornar ao país dos seus antepassados e adquirir finalmente a cidadania portuguesa, justiça que lhes foi feita por aprovação da Assembleia da República em 2013 e que transformou o dia 29 de Janeiro de 2015 num dia memorável para eles. Pelo caminho ficaram muitos, que não tendo ao tempo cidadania portuguesa, foram caçados em Amesterdão e Esmirna, vindo posteriormente a ser gaseados em Auschwitz, às mãos do III Reich e ao abrigo da malfadada “solução final”.
Os pedidos de naturalização já estão a acontecer e os motivos são diversos, variando entre aqueles que pretendem instalar-se em Portugal, os que querem reaver a nacionalidade que lhes foi roubada e os que apenas desejam um documento de entrada para a Europa. Apesar da tragédia que acompanhou os seus antepassados, os que chegam não carregam ressentimento e Portugal acaba por acolher os descendentes daquela gente ilustre, que no Séc. XV daqui expulsou, mercê duma cláusula do contrato matrimonial entre o Rei português e a Infanta de Espanha, que como é sabido, era filha dos Reis Católicos. Ao tomar esta atitude, o governo português emendou um erro histórico que muito comprometeu o país e o seu desenvolvimento, para além de fazer justiça àqueles que injustiçou. Shalom!
PS: Será esta reintegração tardia desinteressada?

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ O FUTURO TEM 1 ANO DE IDADE, editado em 04/02/2015
2º _ CÃES PEQUENOS: SUBSTITUIR A IRRITAÇÃO PELA SEGURANÇA, editado em 10/01/2014
3º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
4º _ UM VELHO E DURO INIMIGO: A PROCESSIONÁRIA DOS PINHEIROS, editado em 07/08/2010
5º _ PORQUE É TERRITORIAL, PODE MORDER NAS VISITAS LÁ DE CASA!, editado em 04/02/2015

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Canadá, 5º Ucrânia, 6º Alemanha, 7º França, 8º Reino Unido, 9º Angola e 10º Índia. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

PORQUE É TERRITORIAL, PODE MORDER NAS VISITAS LÁ DE CASA!

Ainda que o não queiramos, parece até sina nossa, diariamente somos bombardeados com notícias ou episódios rocambolescos, daqueles que tiram a paciência a um santo e que nos põem a praguejar para parte incerta, mercê do seu desconserto e disparate. O caso que vamos narrar, que infelizmente não é único e tende a repetir-se, porque a burrice acompanhar-nos-á até ao final dos tempos, diz respeito a um cavalheiro, tido ele mesmo como agressivo, que sendo proprietário de um Pastor Alemão, acha mais do que natural que o bicho carregue sobre aqueles que o visitam, mormente os seus familiares, debaixo da desculpa do cão ser territorial e de se encontrar treinado para guarda. Diante de tais factos, de imediato podemos tirar uma conclusão: a família do homem considera-o muito mais do que ele a considera. Assim, logo à entrada da porta, o dono da “fera” avisa: “não olhem para ele, ignorem-no e não lhe façam festas”, reparos inválidos diante dos ataques que se repetem, que só não têm tido repercussões mais graves, porque depois de perpetrados, são objecto de cessação (melhor seria que ela acontecesse por antecipação). Se não lhe agrada meter um açaime no cão, não seria melhor fechá-lo na casa de banho ou noutra dependência da habitação, ou será que lhe interessa servir-se da família como cobaia? Seja de que jeito for, a despesa sai à casa e a dúvida fica no ar!
O treino do cão de guarda é um dos mais exigentes a nível de ensino, porque o cão é transformado em arma e importa evitar o seu disparo acidental, cuidado que à partida os incautos desconsideram e os irreflectidos não equacionam. Nesta matéria, muita da trampa que por aí vai é da responsabilidade dos adestradores, que a troco duns míseros cobres, sem previamente aquilatarem da idoneidade e motivos dos seus clientes, satisfazem-lhes as vontades, transformando-lhes os cães em “picadores de carne”, que geralmente vitimam crianças, idosos, deficientes, membros do agregado familiar, gente desprevenida e até outros animais. Diante deste cenário, a lei relativa aos cães perigosos é mais do que lícita e peca por pouco responsabilizar os adestradores e proprietários de tais cães, à luz do aforismo que diz: “é tão ladrão o que fica à porta como aquele que vai à vinha”.
Perguntar-nos-ão: mas vocês também não treinam cães para guarda? É evidente que sim, basta conferir as fotos das últimas edições deste blog! Na compreensão que temos desta disciplina, entendemos que a maioria das pessoas, mesmo que o deseje, não tem necessidade ou condições para ter um cão de guarda, que a prontidão dos ataques caninos deve ser igual à sua cessação e que instalação desses cães deverá ser feita segundo o constante no art.º 12 da Lei 46/ 2013 de 4 de Julho, que é obrigatório ler e compreender, disposições pouco observadas, que põem muitos à margem da lei e por isso mesmo sujeitos às suas sanções. Porque importa desambiguar, não aceitamos ensinar cães para guarda dos seguintes indivíduos: gente que dispensa tal prestação canina; que fará mau uso dela; menores; cadastrados; pessoas que desusam as suas faculdades mentais e proprietários caninos sem a robustez física e psicológica para a função, segundo a compreensão da lei em vigor relativa aos cães perigosos. Só ensinamos cães para guarda, excepcionalmente, por mérito e debaixo de garantias, a cidadãos que provem manifesta necessidade disso, de reconhecida e comprovada idoneidade, de carácter precavido e sólido, aprovados na formação específica (teórica e prática), com superior aproveitamento na disciplina de obediência e de liderança inquestionável, com um mínimo de 30 meses de ensino, depois de testados e confirmados prá função.
Dispensamos do concurso à disciplina de guarda os seguintes cães: os medrosos, porque atacam quando menos se espera e por medo; os surdos e os doentes por razões óbvias; os que entram em colapso nervoso, que não conseguem abrir a boca imediatamente e operar a cessação pronta dos seus ataques; os de baixa capacidade de aprendizagem e dados a provocações; os resistentes às ordens e tendentes à desobediência; os acostumados a desafiar os seus donos ou que já lhes causaram dano e aqueles cuja robustez física impede o controlo por parte dos seus condutores, porque a disciplina exige cães valentes e seguros, portadores de uma boa máquina sensorial, bem apetrechados, controláveis, prontos a obedecer e sujeitos aos donos. Pretendemos com isto evitar a ocorrência de acidentes, a gratuidade dos ataques e reduzir ao mínimo o número de vítimas.
O homem na origem do nosso texto, que mandou treinar o seu cão a outrem, não foi objecto de idêntica observação, formação e aprovação, bastou-lhe pagar e os resultados estão à vista! Brada aos céus treinar um cão para guarda sem instruir em paralelo o seu dono, como se o animal fosse um mero televisor e os comandos um simples controlo remoto. O treino de guarda não se pode remeter exclusivamente ao animal, ele é próprio para o binómio, porque a disciplina não dispensa a liderança humana nem o trabalho de equipa, que se fortalecem e frutificam pela experiência comum, melhorando assim o entendimento entre homens e cães. Se eu tivesse um parente destes, jamais poria os pés na sua casa, mandava-lhe um email ou melhor, oferecia-lhe um fato de ataque, para que o cão não causasse dolo e as visitas pudessem beber chá mais ou menos descansadas. Sempre há cada uma!

ÉTICA ESCOLAR NA ACENDURA BRAVA

Ao longo dos anos temos mantido sete princípios éticos nas nossas fileiras, que associados à opção pelo reforço positivo e ao uso dos princípios fundamentais da pedagogia geral de ensino, têm vocacionado o nosso empenho para o sucesso, são eles: a humildade para aprender, a devoção ao trabalho, o ânimo constante, o apego aos procedimentos, a inteligência para ver os erros e operar a sua correcção, a empatia com os animais e a tolerância para com os seus erros, que uma vez tornados regras, garantem a transmissão e o desenvolvimento cognitivo, o alcance dos benefícios do trabalho, o domínio da técnica, a alegria transmitida pela carga anímica, o equilíbrio entre a emoção e a razão, o encontro pronto das soluções, a compreensão do modus operandi canino, das suas necessidades e consequentemente do seu auxílio. Apesar de obrigatória, a transmissão e apropriação destes princípios não é tarefa fácil, e não o é por três razões: porque toda a gente se julga entendida em cães, porque a opção canina resulta maioritariamente de um apelo emocional e porque sempre subsistem condutores necessitados de alento ou de travamento.
E se somarmos a isto o conceito errado de que o treino canino é só para os cães, as dificuldades de adaptação dos donos, a formação de que foram alvo, os transtornos que patenteiam, a resistência à autoridade, a ausência de liderança, o desprezo pelo pragmatismo, o comodismo e a disparidade do seu background cultural, não querendo deixar ninguém para trás, compreendemos quão difícil é adestrar e conduzir homens, sem lhes quebrar a motivação para alcançarem o que desejam, algo bem para além da qualidade dos cães que conduzem e que normalmente induz ao seu subaproveitamento. Diante deste panorama, só nos resta equipar os homens para que sejam seguidos pelos cães, o que seria praticamente impossível sem a contribuição de princípios éticos próprios. Treinar cães exige mudança e a maior fatia dela recai sobre os seus donos ou condutores.

NÃO HÁ COMO EXPERIMENTAR!

Há umas décadas atrás conheci um teólogo cristão que me falou do “caderninho”, um hipotético livrinho onde guardava as suas dúvidas para apresentar a Deus, aquando do reencontro final, questões sem resposta que só o Divino podia esclarecer. No mesmo beco sem saída me encontro eu, porque não reconheço qualquer explicação válida para os donos não marcharem diariamente, lado a lado com os seus cães, diante dos benefícios e unidade de propósitos que esta prática oferece, como subsídio único para o reforço da cumplicidade. Ao invés disso, temos visto de tudo um pouco, como bicicletas adaptadas, toda a sorte de trenós, passadeiras rolantes, carrosséis de musculação, trotinetas para tracção e cães atrelados a carros. Cansado de enumerar as vantagens da marcha binomial, todas elas explicadas e comprovadas, deixo aqui um desafio: experimentem e logo verão, pois não há como experimentar! 

ATHOS: DALŠÍ HERO

Quase sem darmos por isso, os cães continuam a ir para a guerra, a ser heróis e vítimas como os soldados que os acompanham, fazendo-se presentes em quase todos os conflitos que deflagram no Globo, mesmo naqueles de combates mais encarniçados, auxiliando os esforços de guerra das nações beligerantes e poupando vidas humanas. Recentemente, foi condecorado outro canino como herói de guerra, o Cão Pastor Alemão Athos, de 4 anos de idade, conduzido por Rostislav Bartončík, adestrado para a detecção de bombas, destacado para o Afeganistão e pertencente ao Exército Checo, onde a 30 de Setembro de 2012, na província de Logar e dentro da Base Aérea onde se encontrava aquartelado, foi severamente ferido por um míssil lançado pelos Taliban, que deflagrou sobre o seu canil. A recuperação do Athos foi morosa e não dispensou algumas intervenções cirúrgicas, ficando a dever-se ao empenho dos médicos norte-americanos, que o trataram de modo inexcedível, tanto no terreno como na Base Aérea de Ramstein (Alemanha), para onde foi transferido depois, tratando-o como herói de guerra e pondo os seus cães à disposição para as necessárias transfusões sanguíneas, ainda que no início duvidassem da sua sobrevivência.
Ao regressar à República Checa, o Athos foi condecorado como herói de guerra pelo Ministro da Defesa, Vlastimil Picek, que enalteceu a participação dos Cães de Guerra como “amigos insubstituíveis dos soldados”, já que nenhuma das mais avançadas tecnologias se presta à sua substituição. O Athos recebeu como recompensa uma condecoração, uma nova coleira de couro e um suculento osso de búfalo, sendo-lhe concedido o estatuto de veterano de guerra em função das suas lesões. Caso consiga vencer as provas a que irá ser submetido, não se manifestando danos permanentes, o cão será novamente reintegrado nas fileiras (melhor seria que o dispensassem!). O Athos é mais um entre milhares, que continua a engrossar a lista dos heróis militares caninos, onde ao longo de um século, os Pastores Alemães se destacaram pela sua abnegação, variedade de missões e serviços, enquanto “mosqueteiros” às nossas ordens. E nesse sentido, Athos é um nome que assenta como uma luva para qualquer cão. Graças ao sucedido e à extraordinária recuperação empreendida pelo cão, o Sargento Rostislav Bartončík saltou do anonimato, segundo a velha máxima: “há males que vêm por bem”. 

O FUTURO TEM 1 ANO DE IDADE

A Acendura Brava já garantiu para os apaixonados das suas linhas de criação, um reprodutor segundo os seus propósitos selectivos de sempre, um macho robusto, agora com 1ano de idade, com 67cm de altura e 50kg de peso, com um crânio poderoso, um perímetro torácico de 88cm, um tronco fortíssimo e uma garupa larga, potente e invejável, características que associadas à excelente ossatura, tornam este cão num beneficiador de eleição, distinguindo-o dos beneficiadores hoje em uso, pernaltos, escanzelados, “pesos mosca” e com garupas de “fugir à polícia”. O cão, que recebeu dos seus proprietários o nome de “Paco”, é irmão de ninhada da Dharma e da Loba, morfologicamente lembra o histórico “Zucker” e é muito parecido com o cão cinzento uniforme que se encontra perto de Peniche. Caberá às gerações futuras, caso se mantenha o seu interesse, fazer uso dele para a perpetuação das nossas linhas, tendo desde já o nosso aval.

“RADAS” IN SNOW

A Joana já chegou a Sheffield e o Radar foi surpreendido pela neve no quintal. Ainda bem que os cães vêem melhor ao lusco-fusco, porque naquelas paragens, para além das neblinas infindas, os dias acabam mais cedo. Se há coisas de que se sente falta de Portugal em Inglaterra, o nosso sol será uma delas, esta luz branca, nítida e abrangente que nos alumia. Depois de alguns contratempos e atrasos, ligados ao mau estado do tempo no Atlântico, a Joana lá conseguiu chegar a Inglaterra em segurança, noticiando-nos da sua chegada e enviando-nos algumas fotos do seu “menino” que, como se vê, se encontra bem de saúde, ainda que importunado pela queda da neve. Há que aguentar o inverno inglês, que até tem o seu encanto, nem que seja por anteceder a Primavera. Boa sorte e boas caminhadas na floresta para ambos (com ou sem neve). 

UM LIVRO QUE VALE A PENA LER

Saiu recentemente o livro em inglês “The Dog in the Dickensian Imagination”, da autoria de Beryl Gray, editado pela Ashgate Publishing, na série Nineteenth Century. A obra, como o próprio título indica, reporta-se à profunda influência dos cães na prosa e no pensamento de Charles Dickens, romancista e ímpar contador de histórias da época vitoriana, de quem quase toda a gente já ouviu falar, nem que seja pela adaptação dos seus romances para o cinema, como são os casos de “David Copperfield” e “Oliver Twist”, películas aclamadas e intemporais, onde a crítica social empresta à ficção a dura realidade do Sec. XIX, altura de grandes mudanças e descobertas científicas que irão mudar o mundo para sempre e que servirá também de embrião para as actuais raças caninas.
O tema é de manifesto interesse antrozoológico e a sua leitura agradável, desenvolvido num inglês descontraído e irrepreensível, isto segundo os esparsos excertos a que pudemos deitar mão, o que nos aguçou o apetite e leva-nos a pedir à Joana que o compre, leia e depois que no-lo empreste, muito embora julguemos possível adquiri-lo pela da Internet. Recomendamos esta leitura para a família e para todos os que se interessam pelo abrangente panorama canino. Entendemos que o livro é uma mais-valia para os estudantes de língua inglesa e presta-se para os pais que necessitam de desenferrujar o seu inglês, para que não lhes suceda o que acontece à maioria dos espanhóis, que quando obrigados a falar a língua de Shakespeare, parecem fazê-lo com um palito enfiado nos dentes. Para melhor compreender este livro de Beryl Gray, vale a pena ler a crítica de Claire Tomalin no diário “The Guardian”, uma ensaísta renomada e devotada “dickensiana”. “The Dog in the Dickensian Imagination” é a leitura que recomendamos para este mês, agora que russos e ucranianos andam à bordoada e que a guerra parece eminente na Europa. Queira Deus que não! Ao ler este livro, estamos a usufruir e a fomentar a paz que nos resta e que tanta falta nos faz.

ESTÁ TUDO DITO!

Numa audiência à Curia Romana, o Papa Francisco (o argentino e jesuíta Jorge Mario Bergoglio), aludindo aos males que sobrevoam a sua Igreja, disse a determinado trecho: “os sacerdotes são como os aviões, fazem notícia só quando caiem”. Está tudo dito e quem fala assim não é gago! Ao falarmos deste Papa, que nos parece bom demais para ser verdadeiro, lembramo-nos duma anedota e do sucedido ao Papa João Paulo I (Sua Santidade que nos perdoe a irreverência). Aqui vai ela: “um burro e um porco dividiam o mesmo estábulo, o burro andava exausto e escanzelado de tanto trabalho e o porco engordava a olhos vistos. Chacoteando o seu companheiro de alojamento, disse o porco para o burro: “que raio de vida levas, andas magro e cansado de tanto trabalho, mal tens tempo para comer as míseras palhas que te dão! Olha para mim, aqui gordo, reluzente e a comer do melhor!” O burro, baixando as orelhas, ruminou: “ mas diz-me uma coisa, não eras tu quem aqui estava no ano passado, pois não?” Desejamos longa vida ao Papa Francisco. 

UNA BROMA DE PARAGUAY

A piada desta semana foi-nos enviada por um amigo, a residir na América Latina (Paraguai) e recebemo-la em castelhano. Um médico municipal, já gasto e cansado, desejoso de se aposentar, finalmente arranjou substituto, um colega recém-formado, ávido por aprender e desejoso de trabalhar. O velho médico levou-o de visita aos seus pacientes, no intuito de o apresentar e de lhe passar a pasta. Chegados casa duma doente, que se queixava de dores no estômago, o clínico experiente recomendou-lhe que não abusasse das frutas frescas, porque elas eram a causa do seu mau estar. Intrigado pela certeza e prontidão daquele diagnóstico, o jovem Doutor questionou o seu colega, dizendo-lhe este que, ao cair-lhe o estetoscópio e ao apanhá-lo, viu um monte de cascas de várias frutas debaixo da cama da doente. Dali foram para casa doutra paciente, que também se encontrava acamada e que se queixava de acordar já cansada e sem forças. Coube ao jovem médico fazer o diagnóstico, que atribuiu a causa daquela fraqueza ao excesso de zelo religioso da senhora. Surpreso, o velho médico questionou o colega acerca de tal parecer, obtendo dele a seguinte resposta: “Apenas segui o seu método, deixei cair o estetoscópio e ao apanhá-lo, deu de caras com o pároco escondido debaixo da cama”.

QUAL SERÁ O MOTIVO (XV)?

A Feijoca é uma Bouvier Bernois com 3 anos de idade muito afectuosa, daquelas que não desgruda dos donos e que sempre lhes pede festas. Por razões profissionais, os seus proprietários foram obrigados a ausentar-se de casa e não a podendo levar consigo, optaram por deixá-la, como sempre fizeram, aos cuidados dum amigo, pessoa de confiança e dono de 2 cães, todos do mesmo sexo e que invariavelmente andam soltos pelo quintal. A entrega da Feijoca coincidiu com a sua entrada em cio. Passadas duas semanas, os seus donos voltaram e foram buscá-la, saudosos que estavam dela. No dia seguinte, como era seu hábito, levaram-na à rua e ela inexplicavelmente fugiu de todos os cães, coisa que nunca fez, muito pelo contrário, já que adorava brincar com qualquer cão que lhe surgisse na frente. O que teria motivado a alteração do seu comportamento? Hipótese A: Os cães do amigo eram machos e abusaram-na sexualmente. Hipótese B: A alteração de comportamento ficou a dever-se a uma possível prenhez. Hipótese C: Os cães do amigo eram duas cadelas, que ao senti-la vulnerável, a atacaram amiúde. Hipótese D: Ficou fragilizada com a ausência dos seus donos. Hipótese E: O amigo dos donos perdeu a cabeça e bateu-lhe. Para a semana indicaremos qual a hipótese correcta.

SOLUÇÃO DA SEMANA PASSADA

A hipótese correcta para o caso da semana passada (QUALSERÁ O MOTIVO (XIV)?) é a “B”: Sentiu o cheiro do outro cão e começou a marcar território. A hipótese “A” não deverá ser considerada, porque os cães manifestam automaticamente o seu desagrado e revolta, não esperam pela ocasião própria para se manifestarem. A Hipótese “C” é uma contradição, porque caso o cão tivesse bebido água demais, uma vez que se encontrava no quintal, jamais esperaria por urinar em casa. A hipótese “D”, aparentemente lógica, nada tem a ver com o sucedido. O urinar inesperado dos cães está na maioria dos casos relacionado com o medo, surgindo também com resposta a circunstâncias ou desafios para os quais não estão preparados e que se vêem obrigados a vencer por imposição. Por norma, os cães usam de outros estratagemas para captarem a atenção dos donos, o que torna a hipótese “E” falsa.

RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS

O Ranking semanal dos textos mais lidos evidenciou a seguinte preferência:
1º _ UM VELHO E DURO INIMIGO: A PROCESSIONÁRIA DOS PINHEIROS, editado em 07/08/2010
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?, editado em 23/01/2014
4º _ JÁ O CÃO ESTAVA FARTO DE SER CÃO, AINDA O LOBO NÃO ERA NEGRO, em 30/01/2015
5º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009

TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS

O TOP 10 semanal de leitores por país ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Reino Unido, 5º França, 6º Rússia, 7º Alemanha, 8º México, 9º Espanha e 10º Bélgica.