Três anos depois, reencontrámos o Black, o CPA negro do Rui Menezes e da
Ana, criação da Carla Ferreira, que entre nós recebeu instrução, agora com 4
anos e meio de idade, acima dos 40 kg, activo, alegre e pujante, o que foi para
nós motivo de alegria, porque se encontra bem, continua decidido e apto para
qualquer desafio, sendo um deslumbre para a vista. E como não podia ter vindo
só, possibilitou-nos a confraternização com os seus donos, alunos e
companheiros desta Escola, que connosco participaram em múltiplas actividades,
destacando-se pela sua disponibilidade e empenho, o que mais uma vez
agradecemos. O Matos enamorou-se pelo Black e pela sua valentia, o cão fez o
gosto ao dente e mostrou que podem contar com ele. Na companhia destes amigos
passámos uma tarde bem passada, relembrando momentos que entre nós fizeram
história. Até à próxima!
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
QUAL SERÁ O MOTIVO (XVI)?
Uma cadela Husky com dois anos de idade, agressiva contra os outros cães
e agora num processo de reeducação, que se refresca antes de começar a
trabalhar, por um período nunca superior a 15 minutos e à noite, quando em
liberdade e ao lado do dono, tende a escapar-lhe, a invalidar o “junto” e a
refugiar-se junto do bebedouro, o que muito intriga o seu condutor que a julga
com sede. Porque procederá assim? Hipótese “A”: Acusa o calor e está com sede.
Hipótese B: Pára junto ao bebedouro porque se cansa facilmente e necessita de
descansar. Hipótese “C”: Dirige-se ao bebedouro porque quer ir para casa.
Hipótese “D”: Vai para junto dele porque procura a sombra. Hipótese “E”:
Procede assim porque é manhosa e quer libertar-se da liderança. Para a semana
adiantaremos qual a hipótese certa e cá estaremos com um novo caso.
SOLUÇÃO DA SEMANA PASSADA
A resposta certa a esta rubrica da semana passada é a Hipótese “C”: os cães do amigo eram duas
cadelas, que ao senti-la vulnerável, a atacaram amiúde. Caso fossem dois
machos, mais depressa lutariam entre si pela posse da cadela do que abusariam
dela e depois, como a cadela não foi para casa do amigo para ser beneficiada,
este jamais a juntaria a qualquer macho, o que destitui a Hipótese “A” de
qualquer fundamento. A Hipótese “B”, a que atribuía a alteração de
comportamento da cadela a uma possível prenhez, pelo que atrás se disse, não
faz qualquer sentido. Ainda que tivesse ficado fragilizada com a ausência dos
donos, ao vê-los, bem depressa recuperaria a moral e o ânimo, o que torna a
Hipótese “D” errada. Caso o amigo lhe tivesse batido, a cadela ficaria com medo
às pessoas e não aos cães, pelo que a Hipótese “E” não deverá ser considerada.
OS HOMENS DE HOJE: ETERNAMENTE CÃES UNS PARA OS OUTROS!
Para que não restem dúvidas e para quem ainda não compreendeu, a ruína
dos países arrolados pela presente crise económica, deve-se à necessidade de
riqueza dos países exploradores e dominadores, que vão mantendo a sua hegemonia
à custa de dívidas programadas, impondo sem qualquer pejo a austeridade aos
outros, que são obrigados a aceitá-la pela subserviência e vassalagem dos seus
regimes corruptos, como é o nosso caso, onde sobram políticos fantoches e
vendidos, tal qual assassinos a soldo. Dirão os adeptos das “meias tintas”,
repasto essencial para quem nos mata, que o termo “assassinos” é demasiado,
porque não se rebelam contra a corja e contra a canga que a todos induz à morte
inglória, ainda que estejam na mesma fila pró matadouro, a contar quantos têm na
frente, esperançados que a matança cesse antes de chegar a sua vez. E se
sobrarem dúvidas quando à natureza destes governantes, vale a pena perguntar:
quem obrigou os pais a resgatarem os filhos pelos trilhos da emigração? Quem
deixa os velhos à sorte e sem medicamentos? Quem lhes emagreceu as suas já magras
reformas? Quem fomentou o desemprego? Quem condenou as famílias à míngua? Quem encerrou escolas e quem deixa morrer os doentes nos hospitais sem
assistência?
Provavelmente os “vendilhões de sonhos”, os mesmos que engordam como
nunca, que escapam às malhas da justiça e que pactuam com toda a sorte de
usurários, especuladores e vigaristas! Sim, os campos de extermínio estão de
volta, são auto-sustentáveis como os do passado e menos dispendiosos, porque os
juros são pagos até que cada um morra no seu próprio canto, cabendo aos que
estão ao seu lado despachá-lo pelos meios ao seu dispor. Dirão ainda que
estamos diante dum processo natural, o que não nos suscita qualquer dúvida,
diante da doutrina evolucionista, da lei do mais forte e do retorno à eugenia
negativa pelo poder económico. Seremos cães, apesar de os haver com melhor
sorte? Mais depressa se sociabilizarão mil cães entre si do que se ensinará a
fraternidade a um só homem!
Nenhum regime ou modelo político será capaz de valer aos homens por
igual, sem que primeiro haja uma revolução dentro de cada um de nós, que nos
permita entender os outros como parte integrante de nós mesmos, modelo de vida
que tardamos em aceitar e que há muito foi revelado. Se eu tiver dois cães e
não interferir no seu relacionamento, um não subjugará o outro? Assim procedem
também os homens nas suas politiquices! Se a sociabilização canina é garantida
por um modelo que lhe é externo e que advém do concurso da liderança, do mesmo
modo, a fraternidade entre os homens necessitará de um modelo para além dos
seus percalços, diante do qual todos seremos aceites ou rejeitados, sendo todos
ao mesmo tempo devedores por idêntica condição, o que nos projecta para a
Pessoa e Obra de Jesus Cristo – o autor da nossa salvação, Aquele que disse: Eu
sou o caminho, a verdade e a vida. Só o modelo Divino poderá libertar-nos de
toda a injustiça, a que sofremos e a que provocamos, perdoar e suportar os
algozes do presente, procurar a fraternidade, valer a este mundo e acreditar
num mundo vindouro incomparavelmente melhor.
O REGRESSO DOS “FILHOS DA NAÇÃO” (519 ANOS DEPOIS)
519 anos depois, os descendentes dos judeus sefarditas expulsos no
reinado de D. Manuel I, aqueles que a si mesmos sempre se chamaram “filhos da
Nação Portuguesa”, que se escaparam ao baptismo à força e às fogueiras da
inquisição e que conservaram até hoje o ladino (língua para eles doce e
resultante da mistura entre português e o castelhano arcaico), para além
doutras tradições culturais de origem peninsular, podem retornar ao país dos
seus antepassados e adquirir finalmente a cidadania portuguesa, justiça que
lhes foi feita por aprovação da Assembleia da República em 2013 e que
transformou o dia 29 de Janeiro de 2015 num dia memorável para eles. Pelo
caminho ficaram muitos, que não tendo ao tempo cidadania portuguesa, foram
caçados em Amesterdão e Esmirna, vindo posteriormente a ser gaseados em
Auschwitz, às mãos do III Reich e ao abrigo da malfadada “solução final”.
Os pedidos de naturalização já estão a acontecer e os motivos são
diversos, variando entre aqueles que pretendem instalar-se em Portugal, os que
querem reaver a nacionalidade que lhes foi roubada e os que apenas desejam
um documento de entrada para a Europa. Apesar da tragédia que acompanhou os
seus antepassados, os que chegam não carregam ressentimento e Portugal acaba
por acolher os descendentes daquela gente ilustre, que no Séc. XV daqui expulsou,
mercê duma cláusula do contrato matrimonial entre o Rei português e a Infanta
de Espanha, que como é sabido, era filha dos Reis Católicos. Ao tomar esta
atitude, o governo português emendou um erro histórico que muito comprometeu o
país e o seu desenvolvimento, para além de fazer justiça àqueles que
injustiçou. Shalom!
PS: Será esta reintegração tardia desinteressada?
PS: Será esta reintegração tardia desinteressada?
RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS
O Ranking semanal dos
textos mais lidos obedeceu à seguinte preferência:
1º _ O FUTURO TEM 1 ANO DE
IDADE, editado em 04/02/2015
2º _ CÃES PEQUENOS:
SUBSTITUIR A IRRITAÇÃO PELA SEGURANÇA, editado em 10/01/2014
3º _ O CÃO LOBEIRO: UM
SILVESTRE ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
4º _ UM VELHO E DURO
INIMIGO: A PROCESSIONÁRIA DOS PINHEIROS, editado em 07/08/2010
5º _ PORQUE É TERRITORIAL, PODE MORDER NAS VISITAS LÁ DE CASA!, editado
em 04/02/2015
TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Canadá, 5º Ucrânia, 6º
Alemanha, 7º França, 8º Reino Unido, 9º Angola e 10º Índia.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
PORQUE É TERRITORIAL, PODE MORDER NAS VISITAS LÁ DE CASA!
Ainda que
o não queiramos, parece até sina nossa, diariamente somos bombardeados com
notícias ou episódios rocambolescos, daqueles que tiram a paciência a um santo
e que nos põem a praguejar para parte incerta, mercê do seu desconserto e
disparate. O caso que vamos narrar, que infelizmente não é único e tende a
repetir-se, porque a burrice acompanhar-nos-á até ao final dos tempos, diz
respeito a um cavalheiro, tido ele mesmo como agressivo, que sendo proprietário
de um Pastor Alemão, acha mais do que natural que o bicho carregue sobre
aqueles que o visitam, mormente os seus familiares, debaixo da desculpa do cão
ser territorial e de se encontrar treinado para guarda. Diante de tais factos,
de imediato podemos tirar uma conclusão: a família do homem considera-o muito
mais do que ele a considera. Assim, logo à entrada da porta, o dono da “fera”
avisa: “não olhem para ele, ignorem-no e não lhe façam festas”, reparos
inválidos diante dos ataques que se repetem, que só não têm tido repercussões
mais graves, porque depois de perpetrados, são objecto de cessação (melhor
seria que ela acontecesse por antecipação). Se não lhe agrada meter um açaime
no cão, não seria melhor fechá-lo na casa de banho ou noutra dependência da
habitação, ou será que lhe interessa servir-se da família como cobaia? Seja de
que jeito for, a despesa sai à casa e a dúvida fica no ar!
O treino
do cão de guarda é um dos mais exigentes a nível de ensino, porque o cão é
transformado em arma e importa evitar o seu disparo acidental, cuidado que à
partida os incautos desconsideram e os irreflectidos não equacionam. Nesta
matéria, muita da trampa que por aí vai é da responsabilidade dos adestradores,
que a troco duns míseros cobres, sem previamente aquilatarem da idoneidade e
motivos dos seus clientes, satisfazem-lhes as vontades, transformando-lhes os
cães em “picadores de carne”, que geralmente vitimam crianças, idosos,
deficientes, membros do agregado familiar, gente desprevenida e até outros
animais. Diante deste cenário, a lei relativa aos cães perigosos é mais do que
lícita e peca por pouco responsabilizar os adestradores e proprietários de tais
cães, à luz do aforismo que diz: “é tão ladrão o que fica à porta como aquele
que vai à vinha”.
Perguntar-nos-ão:
mas vocês também não treinam cães para guarda? É evidente que sim, basta
conferir as fotos das últimas edições deste blog! Na compreensão que temos desta
disciplina, entendemos que a maioria das pessoas, mesmo que o deseje, não tem
necessidade ou condições para ter um cão de guarda, que a prontidão dos ataques
caninos deve ser igual à sua cessação e que instalação desses cães deverá ser
feita segundo o constante no art.º 12 da Lei 46/ 2013 de 4 de Julho, que é
obrigatório ler e compreender, disposições pouco observadas, que põem muitos à
margem da lei e por isso mesmo sujeitos às suas sanções. Porque importa
desambiguar, não aceitamos ensinar cães para guarda dos seguintes indivíduos:
gente que dispensa tal prestação canina; que fará mau uso dela; menores;
cadastrados; pessoas que desusam as suas faculdades mentais e proprietários
caninos sem a robustez física e psicológica para a função, segundo a compreensão
da lei em vigor relativa aos cães perigosos. Só ensinamos cães para guarda, excepcionalmente,
por mérito e debaixo de garantias, a cidadãos que provem manifesta
necessidade disso, de reconhecida e comprovada idoneidade, de carácter
precavido e sólido, aprovados na formação específica (teórica e prática), com
superior aproveitamento na disciplina de obediência e de liderança inquestionável,
com um mínimo de 30 meses de ensino, depois de testados e confirmados prá
função.
Dispensamos
do concurso à disciplina de guarda os seguintes cães: os medrosos, porque
atacam quando menos se espera e por medo; os surdos e os doentes por razões
óbvias; os que entram em colapso nervoso, que não conseguem abrir a boca
imediatamente e operar a cessação pronta dos seus ataques; os de baixa
capacidade de aprendizagem e dados a provocações; os resistentes às ordens e
tendentes à desobediência; os acostumados a desafiar os seus donos ou que já
lhes causaram dano e aqueles cuja robustez física impede o controlo por parte
dos seus condutores, porque a disciplina exige cães valentes e seguros,
portadores de uma boa máquina sensorial, bem apetrechados, controláveis,
prontos a obedecer e sujeitos aos donos. Pretendemos com isto evitar a
ocorrência de acidentes, a gratuidade dos ataques e reduzir ao mínimo o número
de vítimas.
O homem
na origem do nosso texto, que mandou treinar o seu cão a outrem, não foi
objecto de idêntica observação, formação e aprovação, bastou-lhe pagar e os
resultados estão à vista! Brada aos céus treinar um cão para guarda sem
instruir em paralelo o seu dono, como se o animal fosse um mero televisor e os
comandos um simples controlo remoto. O treino de guarda não se pode remeter
exclusivamente ao animal, ele é próprio para o binómio, porque a disciplina não
dispensa a liderança humana nem o trabalho de equipa, que se fortalecem e
frutificam pela experiência comum, melhorando assim o entendimento entre homens
e cães. Se eu tivesse um parente destes, jamais poria os pés na sua casa,
mandava-lhe um email ou melhor, oferecia-lhe um fato de ataque, para que o cão
não causasse dolo e as visitas pudessem beber chá mais ou menos descansadas.
Sempre há cada uma!
ÉTICA ESCOLAR NA ACENDURA BRAVA
Ao longo
dos anos temos mantido sete princípios éticos nas nossas fileiras, que
associados à opção pelo reforço positivo e ao uso dos princípios fundamentais
da pedagogia geral de ensino, têm vocacionado o nosso empenho para o sucesso,
são eles: a humildade para aprender, a devoção ao trabalho, o ânimo constante,
o apego aos procedimentos, a inteligência para ver os erros e operar a sua
correcção, a empatia com os animais e a tolerância para com os seus erros, que
uma vez tornados regras, garantem a transmissão e o desenvolvimento cognitivo,
o alcance dos benefícios do trabalho, o domínio da técnica, a alegria
transmitida pela carga anímica, o equilíbrio entre a emoção e a razão, o
encontro pronto das soluções, a compreensão do modus operandi canino, das suas
necessidades e consequentemente do seu auxílio. Apesar de obrigatória, a
transmissão e apropriação destes princípios não é tarefa fácil, e não o é por
três razões: porque toda a gente se julga entendida em cães, porque a opção
canina resulta maioritariamente de um apelo emocional e porque sempre subsistem
condutores necessitados de alento ou de travamento.
E se
somarmos a isto o conceito errado de que o treino canino é só para os cães, as
dificuldades de adaptação dos donos, a formação de que foram alvo, os
transtornos que patenteiam, a resistência à autoridade, a ausência de liderança,
o desprezo pelo pragmatismo, o comodismo e a disparidade do seu background
cultural, não querendo deixar ninguém para trás, compreendemos quão difícil é
adestrar e conduzir homens, sem lhes quebrar a motivação para alcançarem o que
desejam, algo bem para além da qualidade dos cães que conduzem e que
normalmente induz ao seu subaproveitamento. Diante deste panorama, só nos resta
equipar os homens para que sejam seguidos pelos cães, o que seria praticamente
impossível sem a contribuição de princípios éticos próprios. Treinar cães exige
mudança e a maior fatia dela recai sobre os seus donos ou condutores.
NÃO HÁ COMO EXPERIMENTAR!
Há umas
décadas atrás conheci um teólogo cristão que me falou do “caderninho”, um
hipotético livrinho onde guardava as suas dúvidas para apresentar a Deus,
aquando do reencontro final, questões sem resposta que só o Divino podia
esclarecer. No mesmo beco sem saída me encontro eu, porque não reconheço
qualquer explicação válida para os donos não marcharem diariamente, lado a lado
com os seus cães, diante dos benefícios e unidade de propósitos que esta prática
oferece, como subsídio único para o reforço da cumplicidade. Ao invés disso,
temos visto de tudo um pouco, como bicicletas adaptadas, toda a sorte de
trenós, passadeiras rolantes, carrosséis de musculação, trotinetas para tracção
e cães atrelados a carros. Cansado de enumerar as vantagens da marcha binomial,
todas elas explicadas e comprovadas, deixo aqui um desafio: experimentem e logo
verão, pois não há como experimentar!
ATHOS: DALŠÍ HERO
Quase sem darmos por isso, os cães continuam a ir
para a guerra, a ser heróis e vítimas como os soldados que os acompanham,
fazendo-se presentes em quase todos os conflitos que deflagram no Globo, mesmo
naqueles de combates mais encarniçados, auxiliando os esforços de guerra das
nações beligerantes e poupando vidas humanas. Recentemente, foi condecorado
outro canino como herói de guerra, o Cão Pastor Alemão Athos, de 4 anos de
idade, conduzido por Rostislav Bartončík, adestrado para a detecção de bombas,
destacado para o Afeganistão e pertencente ao Exército Checo, onde a 30 de
Setembro de 2012, na província de Logar e dentro da Base Aérea onde se
encontrava aquartelado, foi severamente ferido por um míssil lançado pelos
Taliban, que deflagrou sobre o seu canil. A recuperação do Athos foi morosa e
não dispensou algumas intervenções cirúrgicas, ficando a dever-se ao empenho
dos médicos norte-americanos, que o trataram de modo inexcedível, tanto no
terreno como na Base Aérea de Ramstein (Alemanha), para onde foi transferido
depois, tratando-o como herói de guerra e pondo os seus cães à disposição para
as necessárias transfusões sanguíneas, ainda que no início duvidassem da sua
sobrevivência.
Ao
regressar à República Checa, o Athos foi condecorado como herói de guerra pelo
Ministro da Defesa, Vlastimil Picek, que enalteceu a participação dos Cães de Guerra como
“amigos insubstituíveis dos soldados”, já que nenhuma das mais avançadas
tecnologias se presta à sua substituição. O Athos recebeu como recompensa uma
condecoração, uma nova coleira de couro e um suculento osso de búfalo,
sendo-lhe concedido o estatuto de veterano de guerra em função das suas lesões.
Caso consiga vencer as provas a que irá ser submetido, não se manifestando
danos permanentes, o cão será novamente reintegrado nas fileiras (melhor seria
que o dispensassem!). O Athos é mais um entre milhares, que continua a
engrossar a lista dos heróis militares caninos, onde ao longo de um século, os
Pastores Alemães se destacaram pela sua abnegação, variedade de missões e
serviços, enquanto “mosqueteiros” às nossas ordens. E nesse sentido, Athos é um
nome que assenta como uma luva para qualquer cão. Graças ao sucedido e à
extraordinária recuperação empreendida pelo cão, o Sargento Rostislav Bartončík
saltou do anonimato, segundo a velha máxima: “há males que vêm por bem”.
O FUTURO TEM 1 ANO DE IDADE
A
Acendura Brava já garantiu para os apaixonados das suas linhas de criação, um
reprodutor segundo os seus propósitos selectivos de sempre, um macho robusto,
agora com 1ano de idade, com 67cm de altura e 50kg de peso, com um crânio
poderoso, um perímetro torácico de 88cm, um tronco fortíssimo e uma garupa
larga, potente e invejável, características que associadas à excelente
ossatura, tornam este cão num beneficiador de eleição, distinguindo-o dos
beneficiadores hoje em uso, pernaltos, escanzelados, “pesos mosca” e com
garupas de “fugir à polícia”. O cão, que recebeu dos seus proprietários o nome
de “Paco”, é irmão de ninhada da Dharma e da Loba, morfologicamente lembra o
histórico “Zucker” e é muito parecido com o cão cinzento uniforme que se
encontra perto de Peniche. Caberá às gerações futuras, caso se mantenha o seu
interesse, fazer uso dele para a perpetuação das nossas linhas, tendo desde já
o nosso aval.
“RADAS” IN SNOW
A Joana
já chegou a Sheffield e o Radar foi surpreendido pela neve no quintal. Ainda
bem que os cães vêem melhor ao lusco-fusco, porque naquelas paragens, para além
das neblinas infindas, os dias acabam mais cedo. Se há coisas de que se sente
falta de Portugal em Inglaterra, o nosso sol será uma delas, esta luz branca,
nítida e abrangente que nos alumia. Depois de alguns contratempos e atrasos,
ligados ao mau estado do tempo no Atlântico, a Joana lá conseguiu chegar a
Inglaterra em segurança, noticiando-nos da sua chegada e enviando-nos algumas
fotos do seu “menino” que, como se vê, se encontra bem de saúde, ainda que
importunado pela queda da neve. Há que aguentar o inverno inglês, que até tem o
seu encanto, nem que seja por anteceder a Primavera. Boa sorte e boas
caminhadas na floresta para ambos (com ou sem neve).
UM LIVRO QUE VALE A PENA LER
Saiu
recentemente o livro em inglês “The Dog in the Dickensian Imagination”, da
autoria de Beryl Gray, editado pela Ashgate Publishing, na série Nineteenth
Century. A obra, como o próprio título indica, reporta-se à profunda influência
dos cães na prosa e no pensamento de Charles Dickens, romancista e ímpar
contador de histórias da época vitoriana, de quem quase toda a gente já ouviu
falar, nem que seja pela adaptação dos seus romances para o cinema, como são os
casos de “David Copperfield” e “Oliver Twist”, películas aclamadas e
intemporais, onde a crítica social empresta à ficção a dura realidade do Sec.
XIX, altura de grandes mudanças e descobertas científicas que irão mudar o
mundo para sempre e que servirá também de embrião para as actuais raças
caninas.
O tema é
de manifesto interesse antrozoológico e a sua leitura agradável, desenvolvido
num inglês descontraído e irrepreensível, isto segundo os esparsos excertos a
que pudemos deitar mão, o que nos aguçou o apetite e leva-nos a pedir à Joana
que o compre, leia e depois que no-lo empreste, muito embora julguemos possível
adquiri-lo pela da Internet. Recomendamos esta leitura para a família e para
todos os que se interessam pelo abrangente panorama canino. Entendemos que o
livro é uma mais-valia para os estudantes de língua inglesa e presta-se para os
pais que necessitam de desenferrujar o seu inglês, para que não lhes suceda o
que acontece à maioria dos espanhóis, que quando obrigados a falar a língua de
Shakespeare, parecem fazê-lo com um palito enfiado nos dentes. Para melhor
compreender este livro de Beryl Gray, vale a pena ler a crítica de Claire
Tomalin no diário “The Guardian”, uma ensaísta renomada e devotada “dickensiana”.
“The Dog in the Dickensian Imagination” é a leitura que recomendamos para este
mês, agora que russos e ucranianos andam à bordoada e que a guerra parece
eminente na Europa. Queira Deus que não! Ao ler este livro, estamos a usufruir
e a fomentar a paz que nos resta e que tanta falta nos faz.
ESTÁ TUDO DITO!
Numa
audiência à Curia Romana, o Papa Francisco (o argentino e jesuíta Jorge Mario
Bergoglio), aludindo aos males que sobrevoam a sua Igreja, disse a determinado
trecho: “os sacerdotes são como os aviões, fazem notícia só quando caiem”. Está
tudo dito e quem fala assim não é gago! Ao falarmos deste Papa, que nos parece
bom demais para ser verdadeiro, lembramo-nos duma anedota e do sucedido ao Papa
João Paulo I (Sua Santidade que nos perdoe a irreverência). Aqui vai ela: “um
burro e um porco dividiam o mesmo estábulo, o burro andava exausto e
escanzelado de tanto trabalho e o porco engordava a olhos vistos. Chacoteando o
seu companheiro de alojamento, disse o porco para o burro: “que raio de vida
levas, andas magro e cansado de tanto trabalho, mal tens tempo para comer as
míseras palhas que te dão! Olha para mim, aqui gordo, reluzente e a comer do
melhor!” O burro, baixando as orelhas, ruminou: “ mas diz-me uma coisa, não eras tu
quem aqui estava no ano passado, pois não?” Desejamos longa vida ao Papa
Francisco.
UNA BROMA DE PARAGUAY
A piada
desta semana foi-nos enviada por um amigo, a residir na América Latina
(Paraguai) e recebemo-la em
castelhano. Um médico municipal, já gasto e cansado, desejoso
de se aposentar, finalmente arranjou substituto, um colega recém-formado, ávido
por aprender e desejoso de trabalhar. O velho médico levou-o de visita aos seus
pacientes, no intuito de o apresentar e de lhe passar a pasta. Chegados casa
duma doente, que se queixava de dores no estômago, o clínico experiente
recomendou-lhe que não abusasse das frutas frescas, porque elas eram a causa do
seu mau estar. Intrigado pela certeza e prontidão daquele diagnóstico, o jovem
Doutor questionou o seu colega, dizendo-lhe este que, ao cair-lhe o
estetoscópio e ao apanhá-lo, viu um monte de cascas de várias frutas debaixo da
cama da doente. Dali foram para casa doutra paciente, que também se encontrava
acamada e que se queixava de acordar já cansada e sem forças. Coube ao jovem
médico fazer o diagnóstico, que atribuiu a causa daquela fraqueza ao excesso de
zelo religioso da senhora. Surpreso, o velho médico questionou o colega acerca
de tal parecer, obtendo dele a seguinte resposta: “Apenas segui o seu método,
deixei cair o estetoscópio e ao apanhá-lo, deu de caras com o pároco escondido
debaixo da cama”.
QUAL SERÁ O MOTIVO (XV)?
A Feijoca é uma Bouvier Bernois com 3 anos de idade muito afectuosa,
daquelas que não desgruda dos donos e que sempre lhes pede festas. Por razões
profissionais, os seus proprietários foram obrigados a ausentar-se de casa e não a
podendo levar consigo, optaram por deixá-la, como sempre fizeram, aos cuidados
dum amigo, pessoa de confiança e dono de 2 cães, todos do mesmo sexo e que
invariavelmente andam soltos pelo quintal. A entrega da Feijoca coincidiu com a
sua entrada em cio.
Passadas duas semanas, os seus donos voltaram e foram
buscá-la, saudosos que estavam dela. No dia seguinte, como era seu hábito,
levaram-na à rua e ela inexplicavelmente fugiu de todos os cães, coisa que
nunca fez, muito pelo contrário, já que adorava brincar com qualquer cão que
lhe surgisse na frente. O que teria motivado a alteração do seu comportamento?
Hipótese A: Os cães do amigo eram machos e abusaram-na sexualmente. Hipótese B:
A alteração de comportamento ficou a dever-se a uma possível prenhez. Hipótese
C: Os cães do amigo eram duas cadelas, que ao senti-la vulnerável, a atacaram
amiúde. Hipótese D: Ficou fragilizada com a ausência dos seus donos. Hipótese E:
O amigo dos donos perdeu a cabeça e bateu-lhe. Para a semana indicaremos qual a
hipótese correcta.
SOLUÇÃO DA SEMANA PASSADA
A hipótese correcta para o caso da semana passada (QUALSERÁ O MOTIVO (XIV)?) é a “B”: Sentiu o cheiro do outro cão e começou
a marcar território. A hipótese “A” não deverá ser considerada, porque os
cães manifestam automaticamente o seu desagrado e revolta, não esperam pela
ocasião própria para se manifestarem. A Hipótese “C” é uma contradição, porque
caso o cão tivesse bebido água demais, uma vez que se encontrava no quintal,
jamais esperaria por urinar em
casa. A hipótese “D”, aparentemente lógica, nada tem a ver
com o sucedido. O urinar inesperado dos cães está na maioria dos casos
relacionado com o medo, surgindo também com resposta a circunstâncias ou
desafios para os quais não estão preparados e que se vêem obrigados a vencer
por imposição. Por norma, os cães usam de outros estratagemas para captarem a
atenção dos donos, o que torna a hipótese “E” falsa.
RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS
O Ranking semanal dos textos mais lidos
evidenciou a seguinte preferência:
1º _ UM VELHO E DURO INIMIGO: A
PROCESSIONÁRIA DOS PINHEIROS, editado em 07/08/2010
2º _ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E
DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
3º _ PASTOR DE SHILOH: SUPER-CÃO OU DECEPÇÃO?,
editado em 23/01/2014
4º _ JÁ O CÃO ESTAVA FARTO DE SER CÃO, AINDA O LOBO
NÃO ERA NEGRO, em 30/01/2015
5º _ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE
ENTRE NÓS, editado em 26/10/2009
TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS
O TOP 10 semanal de leitores por país
ficou assim ordenado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados
Unidos, 4º Reino Unido, 5º França, 6º Rússia, 7º Alemanha, 8º México, 9º Espanha e 10º Bélgica.
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