Quando um
cão se encontra na fase inicial do treino, não convém que ande de mão em mão ou
que troque de condutor, porque tende à desobediência diante de diferentes
lideranças, o que geralmente implica no seu retrocesso pedagógico e na
aquisição de manhas. A situação agrava-se mais ainda quando as outras pessoas
desconhecem os comandos escolares e a sua aplicação, substituindo-os por outros
e estabelecendo a confusão na cabeça do pobre animal, o que tanto pode
enfraquecer a liderança como destruir os comandos, quando não compromete ambos.
Um familiar de uma aluna nossa, a quem o cão também pertence, decidiu levá-lo
para correr à beira-mar. Horas após essa corrida, o cão voltou para a escola
com a sua condutora habitual, vindo a comportar-se de forma estranha,
substancialmente mais excitado que o habitual e incapaz de ficar quieto, figura
que executava na perfeição e que passou a desconhecer. Conhecedores do
problema, sempre aconselhámos a vinda de todos os membros do agregado familiar
que convivem com os cães, para se inteirarem dos trabalhos escolares e dos seus
modos de actuação, conselho nem sempre ouvido e que poderia evitar muita
asneira. Se você ignora por completo os códigos instalados no cão solicite
informação ou não lhe mexa, a bem do animal, de quem o instruiu e eventualmente
de si próprio. Existe uma máxima, oriunda não sabemos donde, que diz: “ nada é
mais prejudicial a quem trabalha do que quem nada faz!”
sábado, 8 de março de 2014
CACHORROS: ESCADAS E LUXAÇÃO DO OMBRO
Como é do
conhecimento geral os cães não possuem clavículas, o que sendo uma vantagem é
também uma desvantagem, pois se ganham maior mobilidade nos membros anteriores
também podem incorrer, na fase de crescimento, numa lesão bastante comum: a
luxação do ombro, lesão dolorosa que os leva a coxear, comummente tratada com
anti-inflamatórios e que pode obrigar à manipulação para a recolocação do ombro
no lugar. Os cachorros que mais incorrem neste tipo de lesão são os obesos de
ossatura fina, os pernaltos, os de crescimento mais acentuado, os portadores de
peito estreito e mãos divergentes, os descodilhados e os mais voluntariosos. Na
maioria dos casos a lesão resulta da descida atabalhoada de escadas, quando os
cachorros as descem desequilibrados, esticando em demasia um dos membros por
lhes faltar um ou mais degraus de apoio. Pode também acontecer num esforço de
galope e perante a irregularidade do piso ou ainda quando intentam ir para
debaixo da cama dos donos. A lesão é mais frequente nos cachorros até aos seis
meses de idade, porque depois disso a sua incidência é praticamente nula. Como
prevenção, aconselhamos os proprietários dos cachorros que ainda não atingiram
a maturidade sexual, a não consentirem que os seus animais desçam escadas
atabalhoadamente, que as evitem ou que os ensinem a fazê-lo correctamente. É
evidente que existem outras soluções, como é o caso visível na foto que ilustra
este artigo!
“COBRI” DE COBRITA: LA AMIGA DE MARIA DEL
Cobra, “Cobrita” y “Cobri” para su dueña, fue una
rottweiler que entrenamos a finales del siglo pasado y principios de este, una
perra valiente, que hacía de tripas corazones y que siempre fue más allá, resistiendo
a sus dolencias y no quedándose detrás de nadie, una alma gemela de su
conductora, con la cual tenía una relación casi maternal. Ambas trabajaron
mucho y consiguieron destacarse en nuestras filas, porque entonces teníamos
rottweilers destacados, pastores alemanes extraordinarios, excelentes filas de
San Miguel y hasta labradores como no hemos vuelto a ver, que en catapulta,
llevaban a los otros a seguirlos. Cobra era más pequeñita, la que tenía un
craneo más pequeño y de menor esqueleto entre los rottweiler, algunos de ellos
con más de 70cm de altura y 50kg de peso, verdaderas fuerzas de la naturaleza
célebres entre nosotros. Pero lo que le faltaba en tamaño, le sobraba en ganas
y Cobrita llegó donde pocos se imaginarían y donde a muchos les gustaría llegar.
Fiel y de una obediencia incuestionable, valiente defendiendo a su dueña y sus
cosas, abnegada en la gimnasia y verdaderamente sociabilizada, nos ha cautivado
por el esfuerzo y por el apego a la dueña, señora que ganó el nombre escolar de
“Maria Del”. Se ha muerto hace algunos
años, desconocemos donde fue enterrada, sabemos que fue en tierras de España
(Torrejon de Ardoz?), a pesar de verla viva y de semblante serio, de imaginarla
de ojos puestos en su dueña esperando ordenes. Si los hechos hacen de los
perros inmortales, “Cobri” no ha muerto, continuará con nosotros, dándonos
ánimo cuando todo parece perdido, sirviéndonos de ejemplo y aumentándonos la
esperanza.
ELES ENTENDEM O QUE NÃO DIZEMOS E DIZEM O QUE NÃO ENTENDEMOS
Ontem
alguns cães avisaram os donos e eles não lhe deram ouvidos (para mal dos seus
pecados). Hoje, sem os donos lhe terem dito nada, alguns cães sentiram-nos
tristes e alegraram-nos. Amanhã, como ontem e hoje, eles continuarão a
entender-nos e nós continuaremos a ignorar o que nos dizem. Porque está na moda
e cai bem, nunca se falou tanto de relação telepática entre homens e cães assim
como da possível percepção extra-sensorial canina, como se a primeira fosse
comum e a segunda sobejamente provada. Nunca conhecemos nenhum cão que
precisasse de um intérprete para entender o seu dono, mas estamos fartos de
conhecer homens que necessitam de ajuda para entender os seus cães. A
chocalhada “relação telepática”, a acontecer, assenta no conhecimento mútuo que
produz uma mensagem para além da emanação sensorial e que leva o cão à
satisfação dos desejos do dono, sem o concurso de qualquer condicionamento ou
experiência prévia. Acreditamos que alguns cães possam lá chegar pela constante
observação dos donos, mas duvidamos que estes o consigam quando não têm tempo
para eles, o que obrigará os adestradores, enquanto intérpretes das aspirações
caninas, ao diálogo entre homens e cães, algo bem para além da submissão dos
animais que a maioria procura, baseado na observação que não dispensa o estudo,
a humildade, a sensibilidade e a perca de preconceitos. Assim, não basta ter um
cão extraordinário, há que entendê-lo!
Hoje
avaliamos os cães como o fizemos com os escravos até ao Séc. XIX,
desconsiderando os indivíduos diante da função ou considerando-os de acordo com
o seu proveito, procurando neles o fim útil pela evidência de algumas
mais-valias, jamais as diferenças entre si que tornam cada indivíduo único e
com um potencial díspar, como se andássemos à procura de “cavalos prá fileira”
transformando o adestramento numa “remonta” igual para todos, o que tem sido
fatal para muitos cães e para a canicultura no geral, comprometendo na
cinotecnia a cumplicidade que estabelece a diferença gradativa binomial, graças
a um especicismo latente que obsta a outras formas de entendimento entre os
donos e os seus cães, a despeito da novidade científica que há muito
ultrapassou os métodos actuais, somente apostados na recompensa para a
submissão canina, libertando os homens de maior encargo, envolvimento ou
aptidão, como se a fusão de propósitos fosse impossível sem o contributo do
“rebuçado”, o cão há muito não deixasse de ser lobo e o proveito das míseras
rotinas servisse em exclusivo a inovação.
Para ser conhecido, compreendido, bem integrado,
respeitado, correctamente educado e tornado cúmplice, qualquer cão,
independentemente da sua raça, tamanho ou sexo, não dispensa do dono a comunhão
de vida e a riqueza de experiências que levam também à compreensão da sua
linguagem mímica e ao significado das suas “vozes” (bufar, gemer, ladrar,
latir, rosnar e uivar), o que de imediato nos remete para o tipo de instalação
doméstica a haver, anterior ao treino e que irá estabelecer tanto a brevidade
quanto a morosidade desse processo pedagógico. Ontem como hoje, os cães
continuam a vir para as escolas por desrespeito pela sua condição, porque os
donos não os compreendem ou não se conseguem fazer entender, procurando no
condicionamento uma parceria inibitória, desprezando dessa forma a
singularidade e a complementaridade caninas por desinteresse, desnecessidade ou
ignorância, funcionando as escolas como pátios ou ginásios de prisão porque lá
também existem bolas e todos podem jogar!
Se o objectivo do adestramento é a salvaguarda
canina e não o seu fim útil, o que lamentavelmente muita gente confunde, então
devemos primeiro ir ao encontro das necessidades dos animais para depois vermos
as nossas cabalmente satisfeitas, ajudando-os a ultrapassar as dificuldades, a
robustecê-los física e psicologicamente, a alertá-los para os perigos e a
agregá-los sem atropelos, o resto virá por acréscimo ou arrastamento. Para que
isso aconteça, o cão não pode ser um ilustre desconhecido para o dono ou uma
orca à espera de peixe, mas um companheiro que faz parte da sua vida, porque
doutra forma o treino tornar-se-á marginal face ao quotidiano e as suas
mais-valias terão pouca duração.
O treino canino pode ser o culminar do processo de
aprendizagem dum cão, mas jamais será o seu todo ou a parte primordial, porque
o animal cresce aprendendo e o treino para muitos é perfeitamente dispensável,
até porque grande parte do que é assimilado na escola não virá a ser utilizado.
Por outro lado, os conteúdos de ensino que ela ministra são escassos,
generalizados e pressupõem o rendimento médio-baixo ao alcance de qualquer cão
mal acompanhado, adiantando somente soluções para os problemas mais comuns, não
sendo de estranhar que cães com muito “ensino” concorram a um sem número de
disparates.
É no
dia-a-dia com o cão que importa primeiro investir, porque ali se pode ganhar
tudo, tanto a inserção no grupo familiar como a sua sociabilização e aptidão,
ao tornar o animal “um de nós”, aumentando-lhe assim a sua capacidade de
aprendizagem, pela novidade de experiências e desafios, pelo concurso da regra
e pela assimilação das rotinas. Muito embora tudo isso seja escasso se
desconsiderarmos a sua condição animal, que não dispensa a excursão diária, a
variação dos ecossistemas, o bem-estar territorial, a interacção e o exercício
predatório. Diante disto, cada vez que nos afastamos do nosso cão, muitas vezes
sem darmos conta, estamos a aumentar-lhe a ânsia e a obstar à sua evolução
cognitiva. Em muitos aspectos, o treino quando isolado (destituído do que atrás
dissemos) é como a ração: serve melhor ao dono do que ao cão. É no convívio
diário que aprendemos a conhecer o nosso cão, os seus desejos, medos,
antipatias, preferências, tendências e apelos, para além do seu potencial e das
suas limitações.
Conhecendo
o cão entendemos o que ele quer, porque conhecemos a sua mímica, deciframos os
seus rituais, compreendemos as suas “vozes” e sabemos o porquê das suas
reacções, reatando assim a indispensável comunicação inter-espécies, que permitirá
que ambos se façam entender para sua salvaguarda. Deverá o treino ser
dispensado e o adestramento esquecido? De jeito nenhum! Porque sem ele muitos
cães ainda ficariam mais distantes, arredados da interacção, menos capacitados,
mais infelizes e incompreendidos, afastados dos cuidados que exigem e seriam
sobejamente mais ignorados. Sem o treino como poderíamos valer aos cães pelo
aprimoramento dos donos? Sim, homens e cães vêm para a escola para se
entenderem uns com os outros, porque apesar de diferentes, nenhum deles nasceu
ensinado. Se o objectivo do adestramento é a salvaguarda canina, mediante a
constituição binomial, ele aponta também para a salvaguarda e bem-estar dos
homens. Perca tempo com o seu cão e tente compreendê-lo. Se tiver dificuldades
contacte-nos, estamos cá para isso.
RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS
O Ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim
ordenado:
1º_ OLÁ, EU SOU A CARLOTA, editado em 03/03/2014
2º_ O CÃO LOBEIRO: UM SILVESTRE ENTRE NÓS, editado
em 26/10/2009
3º_ PRAXES UNIVERSITÁRIAS: A RECRUTA DA
PORNOCHACHADA?, editado em 07/02/2014
4º_ A CASOTA DO CÃO, editado em 29/12/2009
5º_ PASTOR ALEMÃO X
MALINOIS: VANTAGENS E DESVANTAGENS, editado em 15/06/2011
TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS
O TOP10 semanal de leitores por país ficou assim
escalonado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5ºEspanha, 6º França, 7º Indonésia, 8º Angola, 9º China e 10º Índia
1º Portugal, 2º Brasil, 3º Estados Unidos, 4º Alemanha, 5ºEspanha, 6º França, 7º Indonésia, 8º Angola, 9º China e 10º Índia
segunda-feira, 3 de março de 2014
O CÃO IDEAL PARA CRIANÇAS ATÉ AOS 3 ANOS DE IDADE
Nos primeiros meses de vida do bebé, quando ele
permanece no berço a maior parte do dia, é amamentado e logo dorme, qualquer
cão serve para lhe fazer companhia, desde que seja silencioso, avesso a
euforias e nada dado a ciúmes, o que é difícil de encontrar, muito embora a
melhor parceria aconteça quando o cão é anterior ao bebé, porque depressa o
guardará como pertença dos donos. Mas depois que o bebé vai para o parque, é
transportado no carrinho, gatinha, começa a andar, a tocar, a mexer e faz da
brincadeira a sua principal actividade, a
maioria dos cães não é aconselhável, tanto por razões sanitárias como pelas
ligadas ao bem-estar e crescimento da criança (físico, psicológico e cognitivo).
Na verdade não existe
nenhuma raça de cães para o efeito e todas podem fornecer indivíduos que melhor
se adeqúem à tarefa, o que realça a importância do indivíduo em relação à raça
ou grupo somático a que pertence. Para que a escolha seja bem feita há que
considerar os principais impulsos herdados presentes nos cães (ao alimento, ao
movimento, à defesa, à luta, ao poder e ao conhecimento) e identificar em cada
cachorro o seu grau de submissão ou dominância. Não convém escolher um que seja
muito comilão, porque a breve trecho sacará a comida das mãos da criança.
Também deverão ser desprezados os cachorros muito aguerridos, porque são menos
pacientes e irritam-se com facilidade. Os extraordinariamente activos também
deverão ser postos de lado, porque poderão desestabilizar o bebé, fazê-lo
tropeçar e cair, atentando assim contra a sua integridade, desenvolvimento e
auto-confiança. Os cachorros que na ninhada fogem de nós e se escondem, também
deverão ser desconsiderados, porque perante as arremetidas do bebé poderão
entrar em pânico e morder-lhe. Muito menos nos convirá aquele cachorro que
domina sobre os demais! Interessa-nos
escolher um cão submisso, daqueles que vêm ao nosso chamamento e nos lambem as
mãos, vindo posteriormente à procura da nossa companhia, meigos e ávidos de
afectos.
Ao mesmo tempo,
interessa-nos um cão curioso, porque tendo essa qualidade vai ser fácil
ensiná-lo a melhor acompanhar o bebé. Os cães que não mudam o pelo não devem
ser escolhidos, mesmo que tenham todas as qualidades requeridas, porque alojam
no manto toda a sujidade e são campo fértil para vários tipos de ácaros,
tampouco os de pelo duplo, porque largam pelo em demasia e muito menos os de
pelo curto e áspero, cujos cabelos se espetam nas carpetes e sofás, por mais
escovados que sejam. Os cães de pelo comprido devem também ser rejeitados,
porque embaraçam toda a sujidade e por vezes os seus dejectos ficam agarrados
ao pelo. Em termos de pelagem o ideal é
que seja curta e macia, clara de preferência e difícil de se soltar.
Sempre
correremos menos riscos se escolhermos uma fêmea ao invés de um macho, considerando que o lobo
familiar (cão) assenta sobre uma estrutura social patriarcal, o que torna os
machos mais excursionistas, menos presentes e carentes de maior disciplina. A
escolha da fêmea deverá recair sobre aquela que menos luta com as suas rivais,
porque doutro modo, tendo ela um forte impulso à defesa, poderá tornar-se
ciumenta e menos predisposta para aturar as brincadeiras do bebé. Contudo, se
os pais da criança forem para a cadela uns verdadeiros líderes, a criança
jamais ficará em melhores mãos. Assim
como temos de adequar o animal à criança também temos que educar o bebé a
respeitar o cão, para que não abuse dele, não o perturbe quando come e
respeite o seu descanso.
Dos
clássicos 6 grupos somáticos caninos (lupinos, molossos, vulpinos, bracóides,
bassetóides e lebróides) os molossos são
os que mais se prestam para companhia, porque são mais pachorrentos e
pacientes, suportam melhor a dor, fingem-se de mortos, resistem às provocações
e normalmente deslocam-se a baixa velocidade. Se a escolha recair sobre um molosso, convém que não seja gigante ou
muito pesado, para que o bebé não venha ser pisado, entalado e constantemente
empurrado. Os lupinos têm por norma inventar inimigos e reagem às
provocações, os vulpinos não nasceram para estar parados, os bracóides têm um
apetite insaciável, os bassetóides são pouco interactivos e os lebróides tendem
ao isolamento, porque são taciturnos e mais instintivos. Os bracóides de selecção cinegética, desde que tenham a barriga cheia,
têm-se revelado excelentes cães de companhia para as crianças de tenra idade.
Os cães miniatura ou toys são tendencialmente mais sensíveis do que as
crianças, choramingas e dados a amuos, escondendo-se quando a “coisa” não lhes
agrada. Os caniches para esta tarefa, especialmente os bafejados pelo
antropomorfismo, dão poucas garantias e precisam de ser amiúde fiscalizados, já
que são dados a alterações de humor. É evidente que há excepções.
Todos
sabemos que o Pastor Alemão pode ser o cão ideal para acompanhar um indivíduo
da puberdade à idade adulta, o que geralmente acontece, tanto no País de origem
como pelo Mundo fora, porque a raça ajuda à responsabilização e ao
amadurecimento dos seus jovens líderes, tornando-os mais metódicos, amigos do
pormenor e agarrados aos procedimentos, contribuindo assim para a sua entrada
no mundo dos adultos, sem lhes tirar o arrojo e a aventura da sua faixa etária.
Pensamos que este cão será subaproveitado quando entregue a um bebé até aos 3
anos de idade, devido ao seu andamento locomotor preferencial e versatilidade,
o que não implica que muitos pastores alemães executem o papel de “baby sitter”
cabalmente. Para os pais que são
fanáticos pelo Pastor Alemão, adianta-se que as variedades cromáticas
recomendadas são a negra e a lobeira, isto se a primeira viver dentro de
casa e a segunda no quintal, porque a negra é precoce e é a que tem menos odor,
e a lobeira sendo serôdia, crescerá a um ritmo menor graças a uma maior curva
de crescimento, ainda que o seu odor seja substancialmente mais carregado.
Também aqui a preferência deverá recair sobre uma fêmea.
Não queremos
espantar ninguém com o que vamos dizer, mas é raro o cão rafeiro,
independentemente do seu sexo, que não venha a ser o melhor amigo de uma
criança de tenra idade, graças à humildade que lhe possibilita, quase imediatamente,
a cumplicidade que tudo suporta e alcança. A gratidão do rafeiro é a maior das suas
qualidades, o seu equilíbrio psicológico chega a espantar e ainda por cima
exige menos. Sim, um rafeiro poderá ser o melhor dos companheiros para um bebé
até aos 3 anos de idade, desde que obedeça aos predicados que anteriormente
delineámos. Quantos de nós fomos criados com um rafeiro ao lado? Que imagem
guardamos dele? Certamente a de um amigo como nenhum outro!
É de todo
conveniente que o cão a usar tenha sido objecto de treino anterior e que
permaneça o menos tempo possível com a criança sem a supervisão de um adulto.
Relembramos que a companhia do cão exige regras extraordinárias de asseio e
limpeza, tanto da casa como do próprio animal, que quando o cão for
desparasitado, todos lá em casa o deverão ser (bebé inclusive). Não se esqueça
de ensinar a criança a respeitar o cão e certifique-se que tem condições e
disponibilidade para essa parceria. Resumindo
e isto segundo a nossa opinião, o cão ideal para um bebé até 3 anos de idade
deve ser do sexo feminino, ser avaliado como indivíduo, pertencer ao grupo dos
submissos, ser curioso, não exceder os 30kg de peso, ser portador de uma
pelagem clara, curta e macia, ser asseado, pertencer ao grupo dos molossos ou
bracóides, independentemente ser “puro” ou não. Se a opção recair sobre um
Pastor Alemão, convém que seja negro ou lobeiro, pelas razões que atrás
apontámos e porque a variedade dominante é mais barulhenta e inquieta, muito
embora os exemplares de pelo comprido sejam mais calmos e pacientes, apesar da
menos valia do seu manto.
6ª COMPANHIA: OS QUADRINETOS
Repousam
num lugar que desconhecemos, as ossadas de um cão que já foi nosso e que a
morte libertou de todos os trabalhos, as do WARRIOR D’ACENDURA BRAVA, símbolo
da nossa escola, cimeiro entre os Pastores Alemães, patriarca de uma prole
infinda, esforçado cão de trabalho, superdotado, amigo devotado e de grata
memória ou simplesmente o “Menino da Tia Beatriz”, amiga que esperamos rever na
Glória, se Deus nos permitir. Graças às suas extraordinárias capacidades
laborais, o “WAR”, para quem coabitou com ele o “ÓÓ”, deixou descendentes pelas
quatro partidas do mundo, exemplares negros, preto-afogueados, lobeiros, cinzentos
e red sable, prole que de vez em quando temos notícia. Alguns dos descendentes
que deixou em Portugal não tiveram grande sorte, porque foram parar a mãos
indignas de tal herança, acabando esquecidos em canis e impossibilitados de
mostrar o potencial da sua herança. Por via do “RED” (irmão da Xita, de quem
falámos penúltima edição), os quadrinetos do “WAR” vão voltar às nossas
fileiras, pelo beneficiamento operado com a “COCAS”, uma cadela negra oriunda
dum canil alheio à nossa criação, formando assim a “6ª Companhia” de
Rhein-Möselring’s, que ao que tudo indica, não será menos famosa do que as
anteriores. Daqui felicitamos os novos proprietários e alunos, na certeza do
seu empenho e sucesso, porque o sol não se esconde com uma peneira.
INICIAÇÃO COM O FIM À VISTA
A linha composta pelos muros de 1.5m, 1.8m e 2m,
que aparece em primeiro plano na foto, onde é visível a prestação do Radar e da
Joana, encontra-se rodeada de muros de pedra com diferentes alturas, o que irá dificultar
o policiamento e captura naquela área, obrigando ao treino específico. Os muros
da pista servem de iniciação aos outros, ensinando os cães a transpô-los e a
sair deles de forma segura. Esta capacitação não irá dispensar o treino
nocturno nestes obstáculos, considerando os horários da vigilância atribuídos
aos cães. O treino nos muros não dispensa o trabalho anterior sobre as comuns
verticais que visa o aumento progressivo da capacidade de impulsão, cuja
sequência acontece dos 20 para os 120cm, passando pelos verticais de 50, 60,
80, 90, 100, 105, 110cm e do muro de 1.08m. Os muros de 1.5 e 1.8m estão ao
alcance de qualquer cão que “limpe” uma vertical de 60cm de altura, sendo por
isso mesmo considerados “saltos naturais”.
CANDEEIRO QUE VAI NA FRENTE ALUMIA DUAS VEZES
Com “Radar” vacilante e surpreso pela novidade,
denunciado pela posição dos posteriores e desconserto das orelhas, a Joana
arrancou decidida para a resolução do obstáculo, adiantando-se como mandam as
regras para ânimo do “seu menino”, observando-o pelo canto do olho e não
perdendo a velocidade. Das muitas mulheres que têm engrossado as fileiras da
Acendura, poucas alcançaram as performances atléticas da Joana, sendo por isso
mesmo objecto de destaque. O cão sabe que pode contar com ela e não declina
desafios, porque a experiência ensinou-lhe que a sua condutora sabe o que faz,
dá o exemplo e não se excede. Perante a foto é caso para se dizer: “candeeiro
que vai na frente alumia duas vezes!”
PRIMAVERA E OUTONO: O SACRIFÍCIO DO INVERNO
O sacrifício de Inverno coube ao Augusto Ribeiro,
um ex-Comando com mais de meio século de existência e condutor da “UK”, uma
pastora alemã lobeira, atleta, na Primavera da vida, cheia de força e garra,
muito decidida e veloz. Convidados para a Ponte-Quebrada, composta por uma
vertical de 1.2m ao centro, venceram amiúde distâncias superiores aos 2.6m, o
que obrigou o Augusto, agora no Outono da sua vida, a uma disponibilidade
física desusada. Responsável directo pelo bom desempenho da cadela, na relação
óptima entre tratamento e treino, o homem de tudo tem feito para que a pastora
mantenha os índices atléticos necessários à sua função: a guarda de uma área de
1.600m2. Na Ponte-Quebrada correu como um desalmado, cumpriu e não se queixou,
com um sorriso nos lábios e o suor a correr-lhe pela cara abaixo.
BAPTISMUS IGNIS
O João Carreiras, “mais que tudo da Joana”, apesar
de não ter cão, sempre tem participado nas nossas actividades e manifestado
interesse no nosso trabalho, acompanhando-nos nos treinos e nas excursões
escolares, eventos onde a sua prestação tem sido útil e relevante. Decidiu, sem
ser voluntariamente obrigado, “ter o seu baptismo de fogo”, sujeitando-se ao
ataque de uma matilha funcional composta por cinco cães. Inevitavelmente foi
várias vezes ao tapete e houve momentos em que mudou de cor, apesar da sua
salvaguarda não correr grande risco. Mostrou valentia e determinação e hoje
mais do que nunca encontra-se pronto para ter um cão.
ADESTRAMENTO: UMA NECESSIDADE
Nos tempos que correm e diante das leis em vigor, o
adestramento há muito que deixou de ser uma opção, considerando o bem-estar dos
homens e dos seus cães, enquanto equipas para a felicidade mútua, numa permuta
que a ambos enriquece. Para além dos benefícios inerentes ao bom viver
doméstico, importa alcançar a coabitação harmoniosa em sociedade, onde os cães
deverão evoluir segundo os direitos dos restantes cidadãos, não lhes cansando
qualquer dolo e merecendo deles a sua admiração, o que torna o adestramento no
melhor meio para a salvaguarda dos cães. Treinar o seu cão é um processo
enriquecedor, graças à reciprocidade que possibilita o melhor entendimento e
que objectiva um fim útil. No treino, o dono ganha autoridade e alcança a
liderança, aprende a comunicar e a melhor ser compreendido, atingindo assim uma
parceria que contribuirá para a sua felicidade, evasão e realização. O cão
absorve subsídios para a sua sobrevivência e transformará as regras incutidas
em automatismos para a vida. Num mundo impessoal, arredado dos problemas
alheios e indiferente aos dramas de cada um, é importante não estar só e ter um
cão por perto é uma das formas mais eficazes para combater a solidão. Apostamos
na sua felicidade e desejamos longa vida pró seu cão, estamos à sua espera e
prontos para o ajudar nesta aventura.
OLÁ, EU SOU A CARLOTA!
Cada vez são mais raros os alunos que entendam as
indicações à primeira, que juntem à ambição a determinação que a sustenta e que
evoluam rapidamente no adestramento, mantendo o índice de progresso desejável e
a disponibilidade requerida para a tarefa, gente ávida de saber, humilde e
melhor ouvinte do que palradora. Afortunadamente sempre aparece alguém com
estas características, tal é o caso da Carlota, uma jovem simples, descontraída
e fraterna: a condutora do “Tabu”, um staffordshire meigo, brincalhão e agora a
demonstrar alguma irreverência. Graças ao meritório trabalho da sua dona, cedo
trocou o estrangulador de bicos pelo semi-estrangulador convencional, assimilou
os comandos básicos de obediência e alcançou a condução em liberdade,
ultrapassando outros binómios mais antigos na Escola. Por tudo isto estamos
gratos à Carlota e tudo faremos para que vá mais adiante, o que parece ao seu
alcance e que muito nos anima. Obrigado miúda! É um privilégio treinar uma
vencedora!
O MEU MENINO É D’OIRO!
Na foto
acima vemos o Sr. Augusto Ribeiro com os dois CPA’S vermelho sólido que lhe
foram confiados, o “THOR” com 8 meses e a “RED” com 15, que criou e adestrou
desde os 2 meses de idade. Ainda que tímido, o homem tem um orgulho enorme
neles, apesar de também ter criado e adestrado mais 2 casais de pastores
alemães, um preto-afogueado e outro lobeiro. Mas é com os dourados que se sente
bem e parece cantar-lhes o fado de Alexandre Rezende: “ O Meu Menino é D’oiro”.
Entende-se com eles às mil maravilhas e trata-os como ninguém (oTHOR mede 66cm
e pesa 37kg, a RED 62cm e 35kg). Trabalha-os diariamente e eles seguem-no por
toda a parte, tal qual família apostada no mesmo projecto. E já que estamos a
falar de dourados, há uma criadora que tem uma cachorra desta variedade
cromática com dois meses de idade e pretende vendê-la. O animal já ultrapassou
os 8kg, é muito activo, adora morder as calças da dona e ladra para os
estranhos, apesar da sua tenra idade. Se houver alguém interessado, pode
contactar-nos pelo e-mail da Acendura Brava, que de imediato daremos os
contactos da criadora. Resta-nos dar os parabéns ao Sr. Augusto pelo amor que
nutre pelos seus cães.
RANKING SEMANAL DOS TEXTOS MAIS LIDOS
O ranking semanal dos textos mais lidos ficou assim
ordenado:
1º_ QUEM TE AVISA, TEU AMIGO É! , editado em
21/02/2014
2º_ PASTOR ALEMÃO X MALINOIS: VANTAGENS E
DESVANTAGENS, editado em15/06/2011
3º_ PRAXES UNIVERSITÁRIAS: A RECRUTA DA
PORNOCHACHADA?, editado em 07/02/2014
4º_ O MELHOR E O PIOR DO PASTOR SUIÇO: ANÁLISE
MORFOLÓGICA E FUNCIONAL, editado em 21/06/11
5º_ EU QUERIA UM PASTOR
ALEMÃO, DE PREFERÊNCIA TODO NEGRO, editado em 05/06/10
TOP 10 SEMANAL DE LEITORES POR PAÍS
O Top 10 semanal de leitores por país deu o
seguinte resultado:
1º Portugal, 2º Brasil, 3º
Estados Unidos, 4º Polónia, 5º China, 6º Alemanha, 7º Reino Unido, 8º Angola,
9º França e 10º Índia.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
QUEM TE AVISA, TEU AMIGO É!
Desconhecendo o constante nos Artigos 7.º e 14.º do
Dec-Lei nº 314/2003, grande número de proprietários caninos continua a circular
nos espaços públicos com os seus cães à solta, por julgar, erradamente, que só
os considerados perigosos é que são obrigados a circular atrelados, o que os
sujeita a uma coima que pode ir até aos 3.740€. É evidente que há gente
conhecedora da Lei e que prevarica constantemente, julgando-se acima dela e
tratando-a como imprópria para os seus cães, a mesma que ignora ou não lê as
letrinhas pequeninas constantes nas clausulas do seguro dos seus animais,
aquelas que isentam a seguradora de qualquer tipo de indemnização face ao
incumprimento das leis. O Dec-Lei atrás citado é idêntico a outros por essa
Europa fora, onde as obrigações e sanções pouco diferem.
Mesmo que se encontre totalmente sociabilizado,
tenha tido aproveitamento numa escola e seja por demais manso, qualquer cão
pertencente a uma raça considerada perigosa à luz da Lei, é obrigado a sair à
via pública atrelado e açaimado. A desobediência aos Artigos 13.º e 38.º do Dec-Lei
nº. 315/2009, que estabelecem essas obrigações, pode incorrer numa coima de
montante igual ao que referimos no parágrafo anterior. É evidente que esses
cães acabarão por andar à solta, porque os seus donos não resistem em
soltá-los, geralmente antes do dia raiar e pela noite dentro, quando são pouco
visíveis, não se vê vivalma e a polícia não se avista. Se por mero acaso sair
com o seu cão a essas horas, acautele-se e certifique-se que não se encontra
nenhum cão solto.
Na área metropolitana de Lisboa (julgamos que
existam idênticas disposições noutras cidades e vilas do País), os donos dos
cães são obrigados a apanhar os dejectos dos animais, isto segundo os Artigos
25.º e 52.º do RRSCL, que estabelece uma coima que pode ir até aos 727.50€ para
os incumpridores, a bem da saúde pública e em prol da higiene e bem-estar de
quem anda pelas ruas e frequenta os espaços públicos. Como os avisos afixados não
são muitos e por vezes desaparecem misteriosamente (será?), alertamos agora os
nossos leitores para as leis a que se vêem obrigados e que se encontram em
vigor há vários anos, para que não venham a ser multados e vejam assim agravada
a sua já frágil economia. Leis idênticas encontram-se em vigor por toda a
Europa, sendo anteriores e precursoras destas que hoje observamos.
Estas
leis têm surtido efeito nos aspectos social, pedagógico e dissuasor, protegendo
cidadãos e cães, enquanto regras que garantem a higiene e a protecção de todos,
que têm evitado as escaramuças entre cães, promovido a sã convivência e a
melhoria dos espaços públicos. Já sabe, quando sair à rua com o seu cão, leve-o
atrelado e não se esqueça de levar o saco para a apanha dos seus dejectos.
Entretanto, evite os espaços mais densamente arborizados, porque podem
encontrar-se minados de dejectos que os donos menos asseados teimam em lá
deixar. Deve evitar também os lugares menos acessíveis e mais recônditos,
locais onde geralmente são soltos os cães perigosos.
MAIS AZUL PARA UM FUTURO MENOS CINZENTO
Alegra-nos
que o número de Pastores Alemães unicolores esteja a aumentar em Portugal,
porque nunca se viram tantos negros, cor de fígado (chocolate) e cinzentos
(azuis). E ficamos felizes porque esses exemplares irão melhorar
significativamente o desempenho dos CPA’s nacionais e arejar o seu reduzido
banco genético, pelo alcance de melhores resultados que advém do retorno às
origens e à multivariedade da raça, caminho que já percorremos e que nos foi
grato. Os cães cinzentos são os que mais aumentaram, o que dará à raça, mercê
dessa contribuição azul, um futuro menos cinzento e mais auspicioso. O aumento
dos cães azuis deverá estar ligado ao retorno dos negros e à proliferação dos
lobeiros, muito embora haja quem se sirva do branco para o efeito, em segredo e
à revelia do que reza o estalão, até porque o número de pastores “suíços”
também tem vindo a aumentar. Resta agora despistar a displasia e se necessário,
usar as linhas modernas para o efeito, tornando-os recessivas nesses factores
cromáticos para a eliminação desse atroz sofrimento, que desde o princípio tem
flagelado os Pastores Alemães. Os cães azuis, quando descendentes dos negros,
são muito interactivos, asseados, disponíveis e silenciosos, os descendentes
dos brancos poderão ser igualmente silenciosos, ainda que mais instintivos e
distantes, apesar de libertos dos problemas resultantes da excessiva endogamia
que tem vitimado a raça.
ROTTWEILER: O AMIGO DECLARADO INIMIGO
Recordando
as muitas dezenas de raças que treinámos e ainda treinamos, apesar de sermos
fãs rendidos aos Pastores Alemães, mais pela sua versatilidade, até hoje nunca vimos nenhuma raça tão amiga
e fiel como o Rottweiler, porque jamais conhecemos algum indivíduo destes
falso, velhaco, despegado, desinteressado ou inimigo do seu dono. Ao invés, os
melhores binómios que treinámos, em mais de 80% dos casos, foram constituídos
por rottweilers, destacando-se dos demais pela sua extraordinária obediência
aos donos, predicado congénito que sempre os diferenciou. E as excepções que
houveram entre nós, porque as houve (somente 3 casos em 86 cães inscritos,
menos de 3.5%), ou resultaram do desleixo dos animais ou da sua entrega a
terceiros. Cão meigo, submisso e subordinado como poucos, capaz de nos
acompanhar para todo o lado e sem reservas, o Rottweiler transmite-nos paz e
dá-nos segurança, porque permanece sempre ao nosso lado e não vacila perante a
grandeza ou novidade dos desafios. Este soldado ao nosso dispor, tratado como
guerrilheiro por quem o desconhece, encontra-se
hoje indexado à lista dos cães perigosos, mais pelo pânico do que pelo dolo que
tem causado, também graças à cinofobia que aumenta as audiências.
Oxalá os seus criadores não
o estraguem ou façam dele um igual a tantos, carentes de protecção e por isso
mesmo sem qualquer préstimo defensivo. Infelizmente só temos seguro contra roubos, não
contra ladrões, assassinos e violadores. E quando o socorro tarda, que bom é
ter um Rottweiler à mão! Não estamos com isto a justificar uma política de
“vigilantes” ou “justiceiros”, porque a incidência dos crimes violentos em
Portugal é muito baixa quando comparada com a verificada noutros países e
continentes, mas a expressar uma das mais-valias presentes neste excelente cão.
Seria também irrisório fazê-lo face aos poucos proventos da maioria dos
portugueses que não despertam a cobiça de ninguém e diante dos mais ricos que continuam
a ter à sua disposição meios mais eficazes para a defesa das suas pessoas e
património. Na última década do século passado, o Rottweiler virou cão da moda
e qualquer um tinha um cão destes. Apesar disso, os ataques atribuídos à raça,
instintivos ou condicionados, não chegaram à meia dúzia nos últimos 20 anos, o
que bem a abona em termos de equilíbrio. Essa excessiva proliferação poderia
ter alcançado repercussões desastrosas, porque num ápice chegou a mãos
impróprias e a gente sem condições para a liderar, o que lança uma dupla
questão: quem precisa dum Rottweiler e
quem poderá tê-lo?
Comecemos pela última
questão: quem poderá tê-lo? Só quem goze de boa saúde física
e psíquica, capaz de garantir a robustez necessária à liderança e de
resistir às suas alterações de humor, porque o cão é valente, protector e vai
para onde o mandam, pelo que não deve ser entregue a indivíduos em crescimento,
imaturos, debilitados, descuidados, abusivos, confiados, incapacitados, sem
disponibilidade, alienados, cobardes, desequilibrados, criminosos, de propensão
fratricida, vingativos, de má catadura, temperamentais, passionais e
depressivos, o que equivale a dizer que o
Rottweiler não é um cão para todos, somente para os mais fortes e equilibrados,
o que infelizmente não está ao alcance de qualquer um, já que o animal não se
furta ao papel de carrasco. Dir-nos-ão (como se não o soubéssemos): “ eu tive
um Rottweiler muito meigo, que nunca fez mal a ninguém, que adorava crianças e
que nunca rosnou”, ao que reponderemos, sem faltar à verdade: nós também! Mas
serão todos os rottweilers assim? Porque continuam a ser procurados? Qual o uso
a que mais se prestam? Não terão eles uma mordedura forte, capaz de grande dolo
e até de matar? Não foram seleccionados com base nos fortes impulsos à luta e
ao poder? Se o Rottweiler não é um cão
para todos, a muito poucos deverá ser concedida a sua criação, considerando,
entre outras condicionantes, a importância do “imprinting”, a sua carga
genética e potência de mordedura.
O mundo canino encontra-se cheio de falsos pressupostos
e mentiras, que tomados como verdades podem lesar muitos e ser fatais para
alguns. Uma dessas patranhas diz que os
cães são todos bons e que são os donos que os fazem maus, o que não
corresponde à realidade, porque há cães que nascem muito agressivos,
resistentes à autoridade, dominantes e de forte instinto predador, que evoluem
para a confrontação e que irão necessitar de mão forte, numa palavra:
muito-dominantes. Afortunadamente são raros, mas existem raças mais propensas
ao fenómeno e já vimos alguns deles entre os rottweilers. Se optar por um Rottweiler, certifique-se se tem a disponibilidade, a
robustez, o equilíbrio a persistência e a tenacidade para o encargo. Na
dúvida opte por outra raça ou peça conselho. Sempre será melhor, se persistir nessa escolha, optar por um cachorro
oriundo das linhas de exposição, porque nelas a ocorrência de cães rijos é bem
menor. De qualquer modo, ter um Rottweiler e não o adestrar
convenientemente é insanidade!
Quem
precisará dum Rottweiler? Somente quem não possa dispensar o concurso dum cão
de guarda,
o que em Portugal se remete a um número restrito de pessoas, nomeadamente às
mais abastadas e sujeitas à cobiça, àquelas que vivem isoladas e onde o socorro
policial tarda, às mais vulneráveis ao crime e ao abuso, também àquelas que,
por um motivo ou outro, não se conseguem livrar das visitas inoportunas dos
“amigos do alheio”. O Rottweiler continua a ser muito requisitado pelas
polícias e também por algumas forças militares ou paramilitares, onde a
natureza dos serviços exige um cão com as suas características.
Naturalmente impoluto e incorruptível, o Rottweiler
é um amigo incondicional do seu dono e do seu agregado familiar, guardando
afincadamente o seu espaço e património. De fácil sociabilização entre iguais e
relativamente tolerante com os restantes animais domésticos, ele não se distrai
com alvos menores, não se furta ao serviço e não carece de maiores recompensas,
porque é naturalmente grato a quem o adoptou. Fácil de constituir binómios
entre gente de todas as raças, o “cão romano” encontra-se distribuído por todas
as latitudes, mantendo incólumes as qualidades que sempre o exaltaram entre os
demais.
O que transformou este
excelente amigo no pior dos inimigos foi o facto de ter ido parar a mãos
erradas, a gente que não precisava dele e o desrespeitou, que malbaratou o seu
serviço e se aproveitou das suas características, mercê de caprichos, demência,
sede de vingança e sonhos incontidos de justiça. Desde pequeno que oiço: “é tão
ladrão o que vai à vinha como aquele que fica à porta”, contudo o aforismo não
tem abrangido os donos dos cães. Treinámos muitos rottweilers e eu tive um meu,
já morreu há dezanove anos, ainda me lembro do que foi, do seu nome de registo
e do seu número do LOP, do muito que me deu e do vazio que me deixou. Como
nunca temos amigos demais, quando um parte ficamos mais pobres. Obrigado amigo
Rottweiler, ver-nos-emos? Revejo-te nos teus iguais e morro de saudades!
Subscrever:
Mensagens (Atom)


































