domingo, 19 de setembro de 2010
As aventuras do Zorro
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Implicações do isolamento social canino no adestramento
Se a proliferação de líderes pode relegar o cão para a base da pirâmide social e condená-lo ao lugar destinado aos mais fracos, submissos e inibidos, o isolamento desconcerta-o e entrega-o aos seus fantasmas, porque o ostracismo forçado, uma vez instituído e aceite, causa-lhe a maior das confusões e entrega-o aos poucos instintos inatos, tornando-o desconfiado, de menor préstimo e resistente ao futuro trabalho de equipa. Assiste-se à troca de alvos nos cães que sempre viveram amatilhados e que nunca usufruiriam do redireccionamento humano, guerreando entre si e desprezando a defesa do território. Nesta situação, apesar da conversão dos dominantes ser mais fácil, mas não isenta de riscos, a recuperação dos submissos revelar-se-á um duro desafio. O cão urbano, aquele que sobrevive diariamente a 10 ou mais horas de isolamento, que sai esporadicamente à rua em curtos intervalos de tempo, ao ser privado da excursão e do ensino por ela facultado, engorda, mostra menor disponibilidade, resiste à liderança e sente-se mais seguro dentro de casa, o que é compreensível. A situação de muitos é ainda agravada por ocasião das férias familiares, já que irão ser desalojados do seu território e arrancados do seu grupo, desterrados para um hotel dito “convidativo” e por certo conveniente.O sincretismo eo improviso na cinecultura actual.
Memórias, aptidão e longevidade
E ainda dizem que gostam deles!
Quando pensar em adoptar um cão, não faça como os demais, que pensam que basta garantir-lhe um lar, mimá-lo e dar-lhe comidinha a horas, tal qual como procedemos com um gato, um rato ou um hamster. A felicidade de um cão encontra-se cativa ao seu particular social e sexual, ao desejo excursionista, às interacções que eles possibilitam e à capacitação fornecida pelo seu quadro experimental. Triste é o cão que é tratado como um cavalo, normalmente arrumado na box e eventualmente montado, quando temos tempo ou nos lembramos dele. O cão nasceu para a parceria e o seu ensino acontece em movimento, nasceu para bater território e necessita de ser alertado para os perigos que o cercam. Apesar de ser um caso raro de adaptação, ele precisa de ser preparado para a novidade, porque não gosta de ser surpreendido e incomoda-se com o desconhecido. À parte disto, há que considerar o seu manancial cognitivo, porque nasce com impulso ao conhecimento e é naturalmente curioso, próprio para aprender e ser ensinado. O gato fixa-se na casa e o hamster brinca sozinho, o cão vive para o dono e os brinquedos são para ambos. Há gente que transforma os cães em animais de zoo ou que estende o circo em sua casa, gente que a si mesma se considera sensível e que acaba por atentar contra o bem-estar canino, geralmente amante de si própria, dita intérprete dos desejos dos bichos e que ignora aquilo que lhes é devido. Debaixo das suas “boas intenções”, castram os cães, vetam-lhe o exercício físico, impedem a sua sociabilização, não operam a sua capacitação, obstam o seu desenvolvimento cognitivo e ainda dizem que gostam deles. O hedonismo humano jamais irá ao encontro das necessidades dos cães, por mais terapêutico que seja o seu uso. O cão não é só serotonina, exige suor, porque obriga à permuta e à descoberta. O melhor cão do mundo para gente que não quer ser incomodada, que está sempre limpo e reluzente, que não reclama para sair, não maça as visitas e não causa contratempos, já há muito tempo que se encontra à venda nas olarias (os chineses também o vendem e mais barato).A segunda chance
Ração: Junk food or not
Mas afinal o que é mais indicado para os cães: a ração ou a comida confeccionada? Esta é uma pergunta que sempre volta à tona entre os proprietários e criadores caninos, ainda que uso da ração se encontre generalizado. Para melhor compreendermos o problema, importa ir à origem histórica da ração, que surgiu pela necessidade e que se encontra ligada a Napoleão. Até ao Imperador dos franceses, todos os exércitos continentais sobreviviam pelo assalto e pelo saque das populações invadidas e a partir dele, deu-se início à fabricação de rações. Toda e qualquer ração é comida de substituição, a melhor opção para os alimentos frescos, desde que a sua qualidade se mantenha pelo período estipulado, o que cada vez é mais certo por força dos novos métodos de conservação. Particularmente somos adeptos da comida fresca e por razões operacionais optámos pela ração, porque temos vários cães e não nos sobra outra opção. Se tivéssemos um só cão, optaríamos pela outra solução e bicho agradecer-nos-ia.O desalento da Marta e a nossa solução
Pontualidade e métodos: o cronograma dos atrasados
Condutores: As estratégias de uns e outros
Caderno de ensino: XXVIII. Os círculos pavimentares
Dançar nos píncaros
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Correntes e outros grilhões: passar a vida num navio negreiro
O regresso da família Xantiaga
Are you ready?
Unidade de propósitos e comunhão de vida
Caderno de ensino XXVII. O lateralizar
O lateralizar é uma figura de obediência sem comando específico, que tanto pode ser solicitada através do comando de “junto” como pelo batimento da mão esquerda do condutor, quer o binómio se desloque para o lado da reunião quer lateralize para o lado esquerdo. A execução perfeita da figura obriga ao lateralizar do cão sem o concurso de qualquer adiantamento ou atraso. A deslocação para o lado do condutor é mais fácil do que a para o lado do cão, devendo começar-se o seu ensino por aí. Para garantir a perfeita lateralização do animal, que nunca deverá adulterar o “junto”, podemos valer-nos de uma vara indicadora ou do concurso da nossa mão esquerda. Só se deve ensinar um cão a lateralizar depois dele ter absorvido os comandos de “à frente” e “atrás”, que funcionarão como subsídios para a obtenção da figura. O lateralizar, uma vez assimilado como automatismo gestual, pode garantir a recolocação silenciosa do cão em cena e respeitar a marcação tanto nos decors quanto no plateau. Exceptuando as necessidades ligadas ao mundo do espectáculo (cinema e televisão), a figura é utilizada nas exibições de obediência ou como meio para reforçar o “junto”. O movimento torna-se mais fácil entre os cães menos angulados e de dorso paralelo à linha do solo.Actividades de campo
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Os cães de caça no adestramento convencional
A elaboração deste pequeno artigo prende-se com a presença de cães de caça nas nossas fileiras, situação que se vem repetindo ao longo dos anos e que merece cuidados especiais da nossa parte, porque adoptámos as aulas colectivas e não desprezamos os benefícios oferecidos pela “troca de condutores”, enquanto manobra de sociabilização e subsídio pedagógico de valor inestimável. Os cães de caça são animais únicos, extremamente sensíveis e duma docilidade extrema, ainda que alguns sejam um pouco distantes e arredados da parceria. Para além disso, eles não aguentam a disciplina rígida e desencantam-se com a mecanicidade das acções, porque colidem com a sua carga instintiva, obstando assim ao prazer inerente à sua aprendizagem. O cão de caça necessita de ser cativado, conduzido pelo coração e com muito açúcar, porque facilmente se isola e envereda pela desconfiança. O ideal para um cão do grupo de caça é ser treinado num centro próprio para as suas características, onde o treino será seguramente mais do seu agrado e de acordo com as suas potencialidades. Mas como o mundo persiste em andar às avessas, a maioria dos cães urbanos é injustificadamente de caça, para incómodo dos donos e martírio dos cães, porque aos primeiros falta tempo e aos segundos a liberdade. A coabitação forçada irá obrigar-nos à sua adaptação, a uma capacitação para além das suas tendências particulares, que deverá acontecer de modo suave, tolerante e sem cronograma predefinido, tal qual um namoro votado à maior das cautelas – o cão de caça necessita de ser conquistado. Doravante, quando lhe couber conduzir um cão deste grupo, seja generoso e delicado, respeite a sensibilidade e a desprotecção do indivíduo que o acompanha, porque ele foi feito para ir adiante e ninguém quer que ele se perca. Conduzir cães de caça é a melhor das terapias para aqueles que pressupõem ser muito carinhosos, porque o adestramento é uma permuta e os cães agem por reflexo. Se todos os condutores iniciassem o adestramento com um cão de caça, certamente seriam melhores líderes e alcançariam resultados superiores.A ideia, o momento e a foto
Fotografar animais nunca foi fácil e encontrar um especialista nesta arte ainda é mais difícil, porque exige experiência e conhecimento, um envolvimento tangível àquilo que se pretende retratar. Um bom profissional sabe encobrir defeitos, enaltecer virtudes e captar os momentos a perpetuar, geralmente únicos e absorvidos pelo seu instinto, porque um fotógrafo é essencialmente um caçador de imagens. A divisão entre fotógrafos amadores e profissionais não é arbitrária, porque qualquer um bate fotos e apenas alguns sabem o que retratar. Ser um bom fotógrafo de retratos ou paisagens não implica em ser um bom fotógrafo de animais, porque o objecto é outro, obriga à novidade de planos e a outro tipo de enquadramentos. Um bom fotógrafo de cavalos ou cães é geralmente alguém assaz ligado à equitação e à cinotecnia, um indivíduo que sabe o que procura e encontra aquilo que é importante nessas artes. Os fotógrafos das actividades da Acendura, gente imprescindível para a divulgação dos nossos ideais, são maioritariamente elementos neutros e não condutores cinotécnicos, pessoas que acompanham os seus pares no decorrer do adestramento. As fotos por eles produzidas, na sua maioria, reflectem os condicionalismos da sua investidura pedagógica e raramente os momentos inolvidáveis que o treino oferece, segundo as suas expectativas e aquém da mais-valia dos simulacros operados ou da excelência dos exercícios realizados. Em média, aproveitam-se 18 fotografias das 200 que semanalmente nos são enviadas. No intuito de alcançar melhor qualidade e enaltecer o nosso trabalho, adiantamos de seguida algumas sugestões, conselhos que não dispensam o aproveitamento e a capacitação individual de cada um na arte de fotografar, o que é expectável e desejável, porque somos um projecto colectivo que sobrevive pelo concurso do rendimento individual – todos são importantes e todos têm uma missão.
As metas e os objectivos de cada aula obedecem ao seu plano e dele irá resultar o tema da semana (a publicar no blog e no site), que indicará também qual o motivo das fotos (ideia), já que elas irão ilustrar e explicar o trabalho que foi desenvolvido. A obtenção de fotos alheias a estes propósitos, como claramente se antevê, irá obrigar a adaptações e por vezes até à alteração dos temas propostos ou desenvolvidos, o que não é fácil e obriga a algum transtorno. Os fotógrafos das nossas actividades, ainda que não tomem conhecimento imediato disso, são repórteres fotográficos, gente que imortalizará cada momento dos nossos procedimentos, dificuldades e vitórias. A ideia para as fotos será desnudada pelo tema do Plano de Aula e ser-lhe-á circunscrita (enquanto uns trabalham os cães, os outros registam para a posteridade o seu esforço). Quando não existe unidade entre o trabalho e a reportagem fotográfica, falta-se à verdade, desconsidera-se o trabalho e dificulta-se o esclarecimento. Para que isso não aconteça, é necessário que o fotógrafo aja em sintonia com o adestrador em exercício, porque ele, melhor do que ninguém, saberá o que publicitar ou divulgar, de acordo com a salvaguarda do grupo e a excelência do seu trabalho.
O momento para as fotos deverá ser procurado quando as metas ou objectivos forem alcançados, podendo também ser encontrado nas distintas etapas que os antecedem. O recurso à fotografia e ao vídeo são subsídios didácticos que nenhuma escola pode dispensar, porque denunciam erros, adiantam soluções e explicam os caminhos para os automatismos (como fazer). Tanto os planos como as perspectivas das fotografias deverão pressupor o fácil entendimento daqueles que não se fizeram presentes e que aguardam em casa a compreensão dos trabalhos, porque a foto é também notícia. Aconselhamos aos nossos fotógrafos um melhor aprofundamento nessa arte e na cinotecnia, para que os seus trabalhos evidenciem o que temos para oferecer, em prol dos binómios, a bem dos condutores e para alegria dos cães. A imagem é o modo mais rápido para transitarmos do nosso pequeno círculo para o mundo de todos nós.
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