quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Caderno de ensino: XXVIII. Os círculos pavimentares

Os Círculos Pavimentares são pontos de partida e zonas de travamento que se encontram desenhados no solo. Têm diâmetros que variam entre 50 e 60 cm e possibilitam diferentes sentidos e direcções entre si, de acordo com as ordens dadas ao cão. Servem os objectivos da condução nuclear e são invariavelmente executados pela linguagem gestual. O concurso aos Círculos Pavimentares pressupõe o treino para as evoluções silenciosas, típicas das manobras defensivas e ofensivas. Para além disso, nos meios televisivo e cinematográfico, o treino aturado nestes círculos possibilita ainda as evoluções em cena, tanto para o retorno à marcação como para a evolução dos planos, já que o adestrador se encontra por detrás das câmaras e impedido de falar. O uso mais frequentes destes círculos remete-nos para a rápida execução da linguagem gestual, quer nos automatismos de imobilização quer nos direccionais. Os Círculos Pavimentares que usamos, que outra coisa não são do que círculos direccionais, são geralmente feitos de pedra mármore, de várias cores e contrastantes com a do solo.

Dançar nos píncaros

As actividades deste fim-de-semana aconteceram entre os 380 e os 420 metros de altitude, porque importava procurar temperaturas menos elevadas para o desenvolvimento dos trabalhos e preparar os cães para as altitudes que se avizinham. Todas as disciplinas que ministramos mereceram especial incidência e o aproveitamento excedeu as expectativas. O Francisco Marques retornou e apresentou-se com o CPA Nick, agora mais forte e robusto. Finalmente o Buster despertou e a Maggy de Belém vai de vento em popa. A Patrícia necessita de exercitar os braços e de aumentar a sua concentração, a bem da condução e em prol do grupo. O tema do último número do “Caderno de Ensino” foi exemplificado e o Binómio António Cunha/Zorro fez-se presente, recuperando de alguns atrasos prà sua capacitação.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: António Almeida/Shadow, António da Cunha/Zorro, Carla Abreu/Becky, Carla Ferreira/Dirka, Célia/Igor, Francisco/Iris, Francisco Marques/Nick, Hugo/Lobi, Joana/Flikke, João Moura/Bonnie, Joaquim/Maggie, Luis Leal/Rocky, Maria Luis/Tyson, Marta/Maggy, Patrícia/Boneca, Rodrigo/Tarkan, Tiago Sane, Teresa/Buster e Vitor Hugo/Yoshi. A logística ficou ao cargo do Américo Abreu e do Rui Coito.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Correntes e outros grilhões: passar a vida num navio negreiro

No dia em que os homens conseguirem compreender que a verdadeira liberdade está para além das regras que estipulam e que não observam, talvez venham a devolver a liberdade aos animais e a compreender os cães doutra forma, quando despojados do subjectivismo que alimenta o seu gozo individual, efémero e comezinho, que os tem ridicularizado e causado vítimas, advindo do tribalismo intrínseco que tem obstado à felicidade colectiva. A fraternidade continua a ser um ideal universal e o respeito pelos animais esvoaça sobre o coração de muito poucos. Os cães não esperam nenhum messias ou mahdi, não abrangem milagres e perdem-se pela experiência. Porém, continuam a revoltar-se diariamente de muitas formas, à boca calada e de acordo com o fardo de cada um deles, à revelia dos donos e prà além da sua compreensão, através de gritos sufocados que só alguns conseguem ouvir, abafados por detrás de muros que afastam os olhos e sustentam o politicamente correcto. Se a hipocrisia ainda grassa entre os homens, ela toma proporções gigantescas na relação com os cães, escravos dos seus desígnios e pau para toda a obra. E se para eles não houver vida vindoura, a sua redenção terá que acontecer aqui e agora, enquanto é tempo e antes que muitos deles pereçam. Valer aos cães é educar homens e isso jamais será uma tarefa fácil, porque a espécie dominante neste mundo continua em guerra consigo própria, ainda que os cães sempre tenham vindo a suavizar a sua existência, enquanto companheiros, terapeutas, serviçais, escravos e bodes expiatórios.

Ainda hoje e por mais estranho que nos pareça, a vida de muitos cães é comparável ao padecimento dos africanos no tempo dos navios negreiros, porque também se encontram acorrentados e privados da liberdade, dispensados da higiene e sujeitos a dieta imposta, abandonados a si mesmos e rotulados para determinado fim, por tempo indeterminado ou até que a morte lhes bata à porta. Com alguma dificuldade poderemos entender o recurso à corrente, quando esporadicamente, como subsídio pedagógico ou forma de castigo, consoante queiramos aumentar a territorialidade de um cão ou alcançar a sua submissão, muito embora hajam outros meios mais eficazes e menos violentos que preconizamos – os relativos à instituição binomial.

Trabalhar um cão e prendê-lo depois à corrente, é uma violência que não esconde o comodismo dos donos e que atenta contra os objectivos anteriores à prisão, desrespeitando em simultâneo o descanso, a ascensão social e a recompensa do animal, porque a corrente obriga-o à vigilância constante, afasta-o dos donos e não se constitui em prémio. O hábito de acorrentar cães, profundamente enraizado entre nós e a necessitar de proibição urgente, é anterior ao sedentarismo e remonta a hábitos nómadas que se perdem pelos confins dos tempos, continuados aqui pelos famigerados godos do oeste (visigodos) e pelos berberes que em 711 por cá entraram a convite. O pragmatismo germânico e a cultura semita, tanto da Berbéria quanto da Judeia, influencia até hoje o nosso modo de estar com os cães, porque para uns eram serviçais e para outros sinal de maldição, geralmente associados à destruição, à desgraça e à miséria, visões diferentes das encontradas entre os celtas e os alanos. Ainda hoje se pode ver nas armas do município de Alenquer o “cão dos alanos”, um caçador que era ao mesmo tempo um guardião, sem grilhões e imponente. O peso da cultura e a economia de sobrevivência condenaram o cão à corrente, como se houvesse nascido para ela ou dela resultasse o seu lugar.

Se há que acorrentar cães, e não vemos qualquer razão para tal, então que o façamos de modo menos lesivo para os animais. Antes de adiantarmos o modo, queremos manifestar a nossa preferência pelos canis, que segundo a nossa tradição, a da Acendura Brava, deverão ter uma área superior aos 10 m2, obedecer a regras específicas e não se constituírem em habitação permanente, flagelo ou degredo. Para minorar os malefícios causados pela corrente, tanto psicológicos quanto físicos, importa que ela tenha um comprimento de 3 m, seja de elo miúdo, rematada por um mosquetão e suspensa por uma argola num cabo aéreo de aço, numa extensão nunca inferior aos 5 metros, possibilitando em simultâneo a entrada para o habitáculo, o deitar do animal e a procura da sombra. O cabo aéreo evita os desaprumos e as feridas causadas pela prisão junto ao solo, dá maior liberdade de movimentos, sobrecarrega menos o cão e melhor subsidia o policiamento. Só aceitamos a permanência do cão na corrente excepcionalmente, quando o canil se encontra em construção ou por breves períodos, porque não queremos atentar contra o viver social do animal e reclamamos a sua presença ao nosso lado, mais-valia que se agiganta com o passar dos dias e viabiliza a cumplicidade interespécies, segredo para o nosso caminhar conjunto.

Descansaremos no dia em que a corrente for abolida e vier a ser espólio num museu dedicado ao nosso passado etnográfico, quando já ninguém se lembrar dela e ignorar para que serviu. Até lá, continuaremos a esclarecer e a aconselhar, a pregar contra a evocação do navio negreiro fantasma, diariamente reinventado em cada cão acorrentado.

O regresso da família Xantiaga

O nome indicado para a família tem o seu quê de galego, o que de certa forma se coaduna, já que a Alexandra é uma loira das terras altas, das serrarias da Beira. Ficou Xantiaga por causa do Santiago, um mestiço já falecido, muito dócil e com o qual chegou à Acendura. Trocou-se o “X” pelo “S” por questões fonéticas ligadas à pronúncia da condutora, aproveitou-se o “X” de Alexandra e assim nasceu o seu nome escolar: Xantiaga. A Alexandra não gosta de ser tratada pelo seu primeiro nome, que é exactamente o que foi dado à filha de Maomé. Depois de longa ausência (a última vez que a vimos foi antes de dar à luz a filha), ela retornou aos nossos trabalhos e carregou consigo a família. A menina já tem mais de 1 ano de idade e a Lori já tem dois. A Lori é uma CPA lobeira, gerada por nosso conselho, bonita, robusta e atenta, recessiva em negro e de variedade original. Foi conduzida pelo Hugo e ambos estiveram à altura. Dos alunos presentes, somente a Joana Moura conhecia esta família agora retornada, o que se constitui numa alegria para a jovem. O lugar da Alexandra nunca foi preenchido nas nossas fileiras e é com rara emoção que a recebemos de volta, a si e à sua família. Sejam bem vindos!

Are you ready?

A Marta é a nova coqueluche da Escola, todos lhe dedicam a maior atenção e todos lhe manifestam o seu apoio, cuidados facilitados pela disponibilidade desta nova aluna. Gradualmente e contra o tempo, a Marta vai redescobrindo o viver com a natureza e a alegria de não estar só, de caminhar com outros e de dividir com eles os seus anseios e objectivos, trabalhos aliviados pelo amor que nutre pelos animais. Tem vivido experiências únicas, que segundo ela pecam por ter chegado atrasadas, novidades que têm aumentado a sua auto-confiança e contribuído para o bem-estar do grupo. Ela tem emprestado às classes um colorido único e revelado uma vontade louvável. Apesar do Rui Coito e o Américo Abreu serem os seus padrinhos, todos se interessam pela Marta e tudo fazem para que se sinta feliz entre nós. Com isto tudo, a Maggie está mais activa e alegre, adora o treino e brevemente julgar-se-á uma pastora alemã. O binómio tem o seu quê de carinhoso, tem merecido a protecção do grupo e ambas descobriram uma nova família. A Marta, trazida por bons ventos, tem vindo adquirir os indíces de disponibilidade e prontidão que nos caracterizam, surpreendentemente e em tão curto espaço de tempo. Que Deus a conserve entre nós, porque tudo fazemos para que assim continue. Parabéns Marta, o teu lugar é no nosso meio!

Unidade de propósitos e comunhão de vida

Nenhum grupo de trabalho subsiste sem comunhão de vida e ninguém pode andar com um pé dentro e outro fora se quer chegar acompanhado. Os portugueses são tradicionalmente desunidos e independentes, resistem ao colectivo e enveredam por acções individuais, são mais tribais que universalistas e agem segundo a sua génese. A nação resultou duma desavença entre mãe e filho e todos os que por aqui passaram foram congregados à força. Uma das partes mais omissas da nossa história, particularmente ignorada por causa do nosso sentido europeu, também porque a história é escrita pelos vencedores, é a relativa às duas tribos berberes que ocuparam a Península Ibérica: os macemuda e os zenagas, de quem se calhar também herdámos a nossa cegueira individualista, tradicionalmente desunidos e constantemente em guerra uns com os outros. Largando o campo hipotético, uma coisa é certa: os portugueses são naturalmente desapegados, em cada um há uma sentença e só se congregam por imperativos. Quem andou pelos círculos da emigração sabe, por experiência própria, que é mais fácil obter apoio junto dos galegos do que próximo de alguns portugueses, porque o português tendencialmente abraça o estranho e despreza o seu igual, na ânsia de se camuflar e no esforço para ser aceite, o que acaba por denunciar um injustificado complexo de inferioridade, geralmente mais comum nas classes sociais menos favorecidas.

Contrariando essa propensão nacional e combatendo o actual viver quotidiano, isolado, fratricida e desinteressado, a Acendura apresenta-se como um projecto colectivo, de cariz familiar onde todos são bem vindos. A opção pelas aulas colectivas prende-se com esses propósitos, estabelecendo o discipulado, a paridade entre os binómios e a sua mais-valia enquanto agentes de ensino, tomando como ponto de partida a necessidade gregária humana e o viver social dos cães. Ainda que o desempenho cinotécnico seja o nosso objectivo, temos como meta principal, para além do seu apetrechamento, a recuperação dos donos nos aspectos anímico, cognitivo, físico, psicológico e social, mediante a comunhão de vida proposta ao redor dos cães. Por causa disso, nem tudo o que fazemos tem a ver com a canicultura ou com a cinotecnia, vai para além e procura o bem-estar dos homens que se tornaram condutores caninos. A extensão dos nossos horários e a escolha das nossas actividades, para além de aumentarem o quadro experimental dos cães e operarem assim o desenvolvimento do seu impulso ao conhecimento, oferecem ainda momentos raros de comunhão de vida para os seus líderes, através de jogos que propiciam o aparecimento do espírito de corpo e de acções que reforçam a dinâmica do grupo, o que favorece a unidade e o estabelecimento de vínculos afectivos entre os alunos, num espírito idêntico ao encontrado nos camaradas de armas ou nos companheiros de trincheira. Não queremos ninguém só, todos temos um caminhar comum, para além das diferenças e na defesa da fraternidade – os nossos cães só ganharão com isso!

Caderno de ensino XXVII. O lateralizar

O lateralizar é uma figura de obediência sem comando específico, que tanto pode ser solicitada através do comando de “junto” como pelo batimento da mão esquerda do condutor, quer o binómio se desloque para o lado da reunião quer lateralize para o lado esquerdo. A execução perfeita da figura obriga ao lateralizar do cão sem o concurso de qualquer adiantamento ou atraso. A deslocação para o lado do condutor é mais fácil do que a para o lado do cão, devendo começar-se o seu ensino por aí. Para garantir a perfeita lateralização do animal, que nunca deverá adulterar o “junto”, podemos valer-nos de uma vara indicadora ou do concurso da nossa mão esquerda. Só se deve ensinar um cão a lateralizar depois dele ter absorvido os comandos de “à frente” e “atrás”, que funcionarão como subsídios para a obtenção da figura. O lateralizar, uma vez assimilado como automatismo gestual, pode garantir a recolocação silenciosa do cão em cena e respeitar a marcação tanto nos decors quanto no plateau. Exceptuando as necessidades ligadas ao mundo do espectáculo (cinema e televisão), a figura é utilizada nas exibições de obediência ou como meio para reforçar o “junto”. O movimento torna-se mais fácil entre os cães menos angulados e de dorso paralelo à linha do solo.

Actividades de campo

As actividades deste fim-de-semana foram de campo, de índole operacional e sociológica, relativas à prestação dos cães e ao melhor desempenho dos donos, havendo ainda lugar para acções típicas de defesa. Os trabalhos desenvolveram-se entre a Capital e Tocadelos, a concorrência às aulas foi grande e o empenho não se ficou por menos. Foram notadas as ausências da Alexandra Ferreira, Ana Pinto, António da Cunha e Clara, entre outros condutores.

Participaram nos trabalho os seguintes binómios: António Almeida/Shadow, Bruno/Iris II, Carla Abreu/Becky, Carla Ferreira/Dirka, Célia/Igor, Francisco/Iris, Joana/Flikke, João Moura/Bonnie, Liliana/Bolt, Luis Leal/Rocky, Maria Luis/Tyson, Marta/Maggie, Miriam/Índigo, Patrícia/Boneca, Roberto/Turco, Rodrigo/Tarkan, Rui Ribeiro/Babel, Tiago/Sane e Vitor Hugo/Yoshi. O Américo Abreu e o Rui Coito colaboraram no desenvolvimento dos trabalhos.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Os cães de caça no adestramento convencional

A elaboração deste pequeno artigo prende-se com a presença de cães de caça nas nossas fileiras, situação que se vem repetindo ao longo dos anos e que merece cuidados especiais da nossa parte, porque adoptámos as aulas colectivas e não desprezamos os benefícios oferecidos pela “troca de condutores”, enquanto manobra de sociabilização e subsídio pedagógico de valor inestimável. Os cães de caça são animais únicos, extremamente sensíveis e duma docilidade extrema, ainda que alguns sejam um pouco distantes e arredados da parceria. Para além disso, eles não aguentam a disciplina rígida e desencantam-se com a mecanicidade das acções, porque colidem com a sua carga instintiva, obstando assim ao prazer inerente à sua aprendizagem. O cão de caça necessita de ser cativado, conduzido pelo coração e com muito açúcar, porque facilmente se isola e envereda pela desconfiança. O ideal para um cão do grupo de caça é ser treinado num centro próprio para as suas características, onde o treino será seguramente mais do seu agrado e de acordo com as suas potencialidades. Mas como o mundo persiste em andar às avessas, a maioria dos cães urbanos é injustificadamente de caça, para incómodo dos donos e martírio dos cães, porque aos primeiros falta tempo e aos segundos a liberdade. A coabitação forçada irá obrigar-nos à sua adaptação, a uma capacitação para além das suas tendências particulares, que deverá acontecer de modo suave, tolerante e sem cronograma predefinido, tal qual um namoro votado à maior das cautelas – o cão de caça necessita de ser conquistado. Doravante, quando lhe couber conduzir um cão deste grupo, seja generoso e delicado, respeite a sensibilidade e a desprotecção do indivíduo que o acompanha, porque ele foi feito para ir adiante e ninguém quer que ele se perca. Conduzir cães de caça é a melhor das terapias para aqueles que pressupõem ser muito carinhosos, porque o adestramento é uma permuta e os cães agem por reflexo. Se todos os condutores iniciassem o adestramento com um cão de caça, certamente seriam melhores líderes e alcançariam resultados superiores.

A ideia, o momento e a foto

Fotografar animais nunca foi fácil e encontrar um especialista nesta arte ainda é mais difícil, porque exige experiência e conhecimento, um envolvimento tangível àquilo que se pretende retratar. Um bom profissional sabe encobrir defeitos, enaltecer virtudes e captar os momentos a perpetuar, geralmente únicos e absorvidos pelo seu instinto, porque um fotógrafo é essencialmente um caçador de imagens. A divisão entre fotógrafos amadores e profissionais não é arbitrária, porque qualquer um bate fotos e apenas alguns sabem o que retratar. Ser um bom fotógrafo de retratos ou paisagens não implica em ser um bom fotógrafo de animais, porque o objecto é outro, obriga à novidade de planos e a outro tipo de enquadramentos. Um bom fotógrafo de cavalos ou cães é geralmente alguém assaz ligado à equitação e à cinotecnia, um indivíduo que sabe o que procura e encontra aquilo que é importante nessas artes. Os fotógrafos das actividades da Acendura, gente imprescindível para a divulgação dos nossos ideais, são maioritariamente elementos neutros e não condutores cinotécnicos, pessoas que acompanham os seus pares no decorrer do adestramento. As fotos por eles produzidas, na sua maioria, reflectem os condicionalismos da sua investidura pedagógica e raramente os momentos inolvidáveis que o treino oferece, segundo as suas expectativas e aquém da mais-valia dos simulacros operados ou da excelência dos exercícios realizados. Em média, aproveitam-se 18 fotografias das 200 que semanalmente nos são enviadas. No intuito de alcançar melhor qualidade e enaltecer o nosso trabalho, adiantamos de seguida algumas sugestões, conselhos que não dispensam o aproveitamento e a capacitação individual de cada um na arte de fotografar, o que é expectável e desejável, porque somos um projecto colectivo que sobrevive pelo concurso do rendimento individual – todos são importantes e todos têm uma missão.

Em abono da verdade, diga-se, quem deveria ser o fotógrafo das actividades seria o adestrador ou aquele que administra as classes, sobrecarga quase impossível atendendo ao bom andamento dos trabalhos. Não sendo isso exequível, coisa há muito verificada, o fotógrafo indigitado deverá inquirir junto do adestrador o que fotografar, trabalhando debaixo do seu parecer e de acordo com o desenvolvimento das classes, contribuindo desse modo para o melhor registo dos trabalhos e para a exaltação do grupo em instrução. A sublimidade de uma foto encontra-se condicionada à ideia e ao momento, a ideia é-lhe prévia e o momento aguardado. Convém não esquecer que estamos a tratar de fotografias de propaganda, sabendo-se de antemão que uma foto pode valer mais do que mil palavras, porque poderá despertar num só momento uma ou mais emoções nos seus destinatários. Cada foto deverá pressupor um convite, precipitar um desafio, buscar apoio ou desaprovo – ninguém lhe deverá ficar indiferente.

As metas e os objectivos de cada aula obedecem ao seu plano e dele irá resultar o tema da semana (a publicar no blog e no site), que indicará também qual o motivo das fotos (ideia), já que elas irão ilustrar e explicar o trabalho que foi desenvolvido. A obtenção de fotos alheias a estes propósitos, como claramente se antevê, irá obrigar a adaptações e por vezes até à alteração dos temas propostos ou desenvolvidos, o que não é fácil e obriga a algum transtorno. Os fotógrafos das nossas actividades, ainda que não tomem conhecimento imediato disso, são repórteres fotográficos, gente que imortalizará cada momento dos nossos procedimentos, dificuldades e vitórias. A ideia para as fotos será desnudada pelo tema do Plano de Aula e ser-lhe-á circunscrita (enquanto uns trabalham os cães, os outros registam para a posteridade o seu esforço). Quando não existe unidade entre o trabalho e a reportagem fotográfica, falta-se à verdade, desconsidera-se o trabalho e dificulta-se o esclarecimento. Para que isso não aconteça, é necessário que o fotógrafo aja em sintonia com o adestrador em exercício, porque ele, melhor do que ninguém, saberá o que publicitar ou divulgar, de acordo com a salvaguarda do grupo e a excelência do seu trabalho.

O momento para as fotos deverá ser procurado quando as metas ou objectivos forem alcançados, podendo também ser encontrado nas distintas etapas que os antecedem. O recurso à fotografia e ao vídeo são subsídios didácticos que nenhuma escola pode dispensar, porque denunciam erros, adiantam soluções e explicam os caminhos para os automatismos (como fazer). Tanto os planos como as perspectivas das fotografias deverão pressupor o fácil entendimento daqueles que não se fizeram presentes e que aguardam em casa a compreensão dos trabalhos, porque a foto é também notícia. Aconselhamos aos nossos fotógrafos um melhor aprofundamento nessa arte e na cinotecnia, para que os seus trabalhos evidenciem o que temos para oferecer, em prol dos binómios, a bem dos condutores e para alegria dos cães. A imagem é o modo mais rápido para transitarmos do nosso pequeno círculo para o mundo de todos nós.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Das ameias do seu castelo para a terra de ninguém

Todos os cães são territoriais, uns mais do que outros, o que lhes possibilita o ofício guardião, o policiamento da casa e a guarda dos pertences dos donos. A não atribuição de um território específico aumenta a sua vulnerabilidade e lança-os na mais profunda confusão, fenómenos também alcançáveis pela troca sucessiva de territórios. Quando um cão se encontra bem instalado no seu grupo e divide com ele o seu território, mais depressa e de modo mais aguerrido o defenderá. A excursão do cão pressupõe o seu regresso a casa, local do seu agrado onde retempera as forças, coabita com o seu grupo, sente-se protegido e donde expulsa os intrusos. O cão robustece-se em casa para sair com o dono e dificilmente esquece o seu local de pernoita, porque dele também resulta, em grande parte, a confiança para enfrentar a novidade e os desafios que lhe irão ser propostos. Os bons cães de guarda sempre emanam da simbiose fornecida pelo correcto escalonamento social e pela coabitação territorial, porque o cão resiste a ficar só e depende do grupo para se sentir confiante. Um cão isolado, perdido numa vasta extensão e entregue a si próprio, é um soldado apátrida e perdido, rodeado por pretensos inimigos que sempre o assolam e confundem. O cão que nunca sai, jamais se sentirá confiante na rua, porque a novidade sufocá-lo-á e será dominado pela desconfiança, mercê da experiência havida e do seu despreparo. O viver social canino que sustenta a sua territorialidade, não pode e não deve ser ignorado, caso contrário, o cão nem a sim mesmo valerá.

Banho de noite para melhores dias

Com o duplo objectivo de reforçar os vínculos binomiais e aumentar a sua autonomia, na sequência do trabalho desenvolvido nos últimos seis meses, a Acendura empreendeu uma caminhada nocturna na noite do dia 27 e madrugada do dia 28. O percurso teve uma extensão de 33.5 km e a velocidade horária foi respeitada – 5 km/h. O local de partida aconteceu em Cheleiros e o de chegada no Jardim do Campo Grande em Lisboa. O itinerário excursionista abraçou as seguintes localidades: Cheleiros – Rebanque – Anços – Pedra Furada – Negrais – Igª Stª Eulália – Bocal – Pt. Lousa – Guerreiros – Pinheiro de Loures – Barro – Loures – Flamenga – Pvª Stº Adrião – Olival Basto – Calçada de Carriche – Alª das Linhas de Torres e Campo Grande (Lisboa). A coluna partiu de Cheleiros às 23H18 e chegou ao Campo Grande às 05H24. Foram respeitados os dois check-points anunciados, que aconteceram respectivamente na Ig. Stª Eulália e no jardim de Loures, onde refrescámos os cães, mais por prevenção do que por necessidade. Participaram na caminhada os seguintes binómios: Alexandra/Abu, António Almeida/Shadow, Carla Abreu/Becky, Célia/Igor, Isabel Leal/Teka I, Joaquim/Maggie, Joana/Flikke, Luís Leal/Rocky, Marta/Maggie II, Patrícia/Boneca, Rodrigo/Tarkan, Rui Ribeiro/Babel, Tiago/Sane, Teresa/Buster e Vitor Hugo/Yoshi. O batedor foi o Rui Coito e os cerra-filas foram o Américo Abreu, o Manuel Veiga Santos e o Paulo Almeida. O condutor da viatura de comando foi a Cristina Alberto. A Carla Ferreira, a Marta Patrício e o Pedro Figueiredo foram os condutores das viaturas de apoio (as que se deslocaram na cauda coluna). Não se registou qualquer percalço, os cães chegaram bem e a enfermeira de serviço não trabalhou de acordo com a sua vocação. Somente 3 condutores não completaram o percurso: a Alexandra Ferreira, o Rodrigo Coito e a Teresa Figueiredo, que acabaram transportados, até ao final, nas viaturas de apoio. As desistências das senhoras aconteceram entre o km 25 e 27, por inadequação de calçado (ao que consta). O Rodrigo Coito aguentou-se até Negrais, batendo o espectro dos 7 km e alcançando 14, o que para um menino de 9 anos de idade é algo surpreendente. Feitas as contas, 80% da coluna venceu o percurso. Nos Negrais fomos testemunhas de um episódio macabro e infelizmente muito comum, uma condutora distraída atropelou um cachorro podendo e preparava-se para se pôr em fuga. Foi interpelada pelos elementos de apoio e identificada pelo Américo Abreu. O cachorro foi conduzido ao veterinário pela Carla Ferreira e felizmente apenas apresentou uma luxação nos ossos da bacia. Neste momento encontra-se aos cuidados desta nossa aluna e as despesas com o seu socorro foram suportadas por todos e em partes iguais. A Marta, a condutora da SRD Maggie, ainda percorreu 16 km, iniciando-se desse modo nos nossos trabalhos, por vontade própria e por resistência aos conselhos que lhe foram dados. Os binómios viram nascer o dia debaixo de pinheiros mansos e tiveram como almofada as mochilas que carregaram até ali. Os trabalhos continuaram até às 13 horas daquele dia e encerraram a partir daí, sendo retomados às 09H00 do dia seguinte (29 de Agosto). Queremos felicitar os alunos e acompanhantes que se fizeram presentes nesta jornada estival, contribuindo dessa forma para a unidade e fortalecimento do grupo. Queremos deixar também aqui uma palavra de apreço para o Rui Coito, porque cumpriu cabalmente a sua função e serviu de alento para todos.

Análise técnico-funcional: Os lobeiros de ontem e de hoje

No avanço da genética fala-se hoje em activar ou desactivar genes, do retorno ao atavismo ou da sua supressão, servindo os animais como laboratório experimental. O desenvolvimento da ciência genética tem produzido alterações na canicultura e produzido indivíduos iguais mesmo dentro de variedades cromáticas diferentes. O caso mais flagrante é o verificado entre os CPA’S Lobeiros, já que os actuais apresentam uma evolução pigmentária diversa dos originais. Os lobeiros ancestrais nasciam cinzentos com um risco longitudinal mais escuro ao longo do dorso e os actuais evoluem pigmentariamente tal qual os preto-afogueados. Esta alteração cromática tornou os lobeiros actuais mais precoces, possibilitando o alcance das suas maturidades mais cedo, nivelando-os com a variedade dominante ou antecedendo-a. O carácter imediatista actual talvez tenha contribuído em parte para isso e o lobeiro actual obriga a outros procedimentos e cuidados, porque se estabiliza mais cedo e pode vir a ser desaproveitado, se a mudança for desrespeitada e não se agir em conformidade. A diferença entre uns e outros bem que poderia subsidiar a hipotética divisão entre linha antiga e moderna, entre linha de beleza e trabalho, porque a diferença existe e está ao alcance dos olhos de cada um.

O Lobeiro original, e são muito poucos os que ainda sobrevivem, é um cão serôdio, de grande impulso ao conhecimento e alta capacidade de aprendizagem, um indivíduo dotado de excelente máquina sensorial e com os ciclos infantis bastante demarcados, o que lhe confere um carácter esquivo quando comparado com exemplares doutra variedade cromática. Geralmente equilibra-se depois dos 18 meses de idade e alcança excelentes prestações na pistagem, no resgate e salvamento, sendo próprio para acções de desencarceramento ou manobras de evasão. Por causa de ser serôdio, no tempo em que os cães de patrulha eram essencialmente CPA’S, os lobeiros eram entregues às praças, para que a pouca erudição dos seus tratadores não entravasse o seu avanço cognitivo e fosse por eles compensada. A experiência militar e policial portuguesa é relativamente recente (1957/1958) e obra do então General Kaulza de Arriaga, que herdou dos alsacianos os pressupostos selectivos e os procedimentos operacionais, posteriores e em parte alheios à prestação militar dos cães alemães, presente na I e II Guerras Mundiais e isso deve ser considerado, na diferença que existe entre franceses e alemães, segundo as diferentes expectativas de cada um desses povos. A queda do lobeiro original e a sua substituição pela variedade actual originou um conjunto de menos valias para raça, hoje colmatadas por indivíduos de outras e de distintos grupos somáticos.

O Lobeiro actual estabiliza-se mais cedo e obriga a cuidados especiais, porque nasce praticamente feito e isso pode ser-lhe fatal, face à operacionalidade esperada e à sua capacitação, tornando assim mais difícil a recuperação dos indivíduos menos aptos ou carenciados de adaptação. Os seus ciclos infantis são mais curtos e obrigam a um acompanhamento mais cuidado, porque o tempo concorre contra nós e tudo acontece mais depressa. Apesar de tudo continuam lobeiros, para o melhor e para o pior, podendo verificar-se a sua impropriedade por incúria ou desuso. O lobeiro actual abraça mais cedo a constituição binomial e as atribuições policiais, mas pode tornar-se impróprio pelo particular genético e descuido ambiental, porque a sua plasticidade é menor e ainda conserva algumas das suas características atávicas, facto comprovado nas ninhadas heterozigóticas com indivíduos originais, porque nelas subsistem cachorros de ambas as variedades. O lobeiro actual não deve ser jogado num quintal e votado ao abandono, porque bem depressa adquire uma postura silvestre e desinteressa-se de qualquer investidura, porque a sua curva de crescimento, ao ser mais célere, é menor, contratempo que obsta à novidade dos desafios e ao desenvolvimento do seu impulso ao conhecimento. A aquisição de um lobeiro destes obriga à atribuição precoce das tarefas e a uma parceria incisiva. A recente alteração do lobeiro aproximou-o do negro e pô-lo em consonância com o preto-afogueado, diminuindo dessa forma a distância que o separava as restantes variedades cromáticas.

Mi & Indy

A sigla acima sugere uma marca de roupa ou um conjunto musical, mas não é nem uma coisa nem outra, somente identifica um binómio recém-chegado à escola, a parceria que existe entre a Miriam e o Índigo. A Miriam é uma jovem simpática e introvertida, irmã da Liliana Reis e que nos chegou através dela. O Índigo é um Pastor Suíço, ex-Pastor Alemão Branco, inteligente, activo e silencioso. Tem 3 meses e meio de idade e é portador de um charme invejável. Toda a gente se derrete por ele e dispensa-lhe o maior dos carinhos. Adoramos o binómio e tudo faremos para que continue a frequentar as nossas classes. Parabéns aos dois!

Novo binómio

Deu entrada nas nossas fileiras um novo binómio, o constituído pela Marta e pela Maggie. A Marta é uma senhora simpática e devotada à causa dos animais. O resgate do Serra da Estrela abandonado em Belém foi da sua autoria e de uma amiga sua. A Maggie é uma SRD bicolor (dourada e branca), de tamanho médio e pêlo comprido, bem disposta e de excelente impulso ao conhecimento. Desejamos para ambas os maiores sucessos e estendemos-lhes o nosso caloroso bem-vindo.

Binómio Maria Luís / Tyson

O binómio Maria Luís/Tyson ingressou na nossa escola neste último Domingo. A Maria é uma senhora dinâmica e decidida, mãe de família e dedicada ao seu CPA. O Tyson é um Pastor Alemão Lobeiro com 15 meses, de características originais, robusto e disponível, com excelentes aptidões. É produto da Carla Ferreira e encontra-se excelentemente cuidado. Atendendo ao particular de ambos, o binómio tem tudo para seguir em frente, porque a líder mostra aptidões e cão não se faz rogado. Estamos muito contentes com o seu ingresso, porque certamente contribuirão para o nosso bom-nome e aproveitarão o que temos a transmitir. Sejam bem vindos.

Ele deixou uma ovelha paraplégica e obrigou ao abate de outra

Este cachorro com ar inocente, um cruzado de Husky, foi abandonado à porta de uma almas generosas que depressa o acolheram. Passado pouco tempo, levado pelo instinto, o bicho optou por correr atrás das ovelhas do seu lar de adopção, deixando uma paraplégica e outra condenada ao abate. O treino canino existe para inibir ou controlar instintos, desenvolvendo em simultâneo o carácter dos indivíduos, algo possível pelo aproveitamento dos seus impulsos herdados. A obediência requerida a um cão, enquanto requisito de toda e qualquer disciplina cinotécnica, perde a sua eficácia sem o contributo da sociabilização (entre iguais e interespécies). Bem que o cachorro poderia ter saído ao rafeiro que lhe deu origem, as ovelhas ficariam gratas e os novos donos sossegados. De qualquer modo, o cachorro é recuperável, basta investir a liderança e levá-lo a aceitá-la. Diante da necessidade, estamos prontos a ajudar e sabemos que iremos ser bem sucedidos. Infelizmente os cães não nascem com um kit de obediência!

No país dos cães capados

No País dos cães capados, que é o nosso, badala-se muito acerca dos direitos dos animais, condena-se o especicismo e castram-se os animais domésticos por comodismo. Mudou-se o discurso e não se alterou a prática. Já lá vai o tempo em que os eunucos eram maioritariamente animais para consumo, agora são os animais de companhia. Cães e gatos engrossam as fieiras dos capados, o seu número aumenta dia após dia e o holocausto parece não ter fim. Contribuirá para o facto alguma razão económica? O que causará mais dano à sociedade: um cão inteiro ou um pervertido sexual à solta? Porque se capam uns e os outros não?

As voltas do reviralho: As diferentes posturas

Não estamos aqui a tratar de nenhuma intentona anarco-sindicalista ou de algum atentado bombista, daqueles perpetrados contra figuras proeminentes do Estado Novo, mas a alertar para a mistura explosiva entre a postura doméstica e a postura escolar dos condutores, que ao não ser a mesma, rebentará o adestramento dos seus cães pelas costuras. Os procedimentos escolares são subsídios para o quotidiano dos binómios, suporte para a liderança dos donos e meios para a obediência dos cães. O trabalho desenvolvido na escola é um simulacro para a investidura dos donos, perante as situações domésticas que exigem a sua correcta resolução. Não podemos ter posturas diferentes na escola e em casa, porque os cães tirarão partido disso e tudo farão para destronarem os seus líderes, novatos na função e sobrecarregados de sentimentos. O exercício da disciplina de obediência é tão-somente conjunto eficaz de normas de convivência. O dono não pode dar azo à desobediência, coisa fácil de suceder quando adquire diferentes posturas e mal representa aquela que é exigível.

Caderno de ensino: XXVI. As escadas

Ensinar a subir e descer escadas é tarefa obrigatória para os cães de resgate, busca e salvamento, já que elas são utilizadas como meio tanto pró socorro como para a evacuação. Ensinamos as escadas aos cães familiares para que possam auxiliar-nos nos trabalhos de manutenção ou bricolage, entregando-nos ferramentas e utensílios. O cão aprovado nas escadas aumenta também as suas hipóteses de sobrevivência, porque estes obstáculos são parte obrigatória dos destinados à evasão. A adaptação às escadas não é automática e carece de ensino, para que o cão não passe degraus em falso e venha a ser projectado para o solo. Há que ensiná-lo a avançar primeiro os posteriores e só depois os anteriores, não deixando entre eles qualquer degrau em vão. Considerando a ginástica e a destreza inerentes ao obstáculo, convém que os cães já tenham adquirido a desenvoltura física e os indíces atléticos próprios para a tarefa. Todos os cães podem e devem aprender a subir e a descer escadas, a menos que a sua morfologia os impeça. Deseja-se que o cão ande nas escadas com a mesma à segurança e rapidez com que anda no chão.