terça-feira, 31 de agosto de 2010

Em campanha

Realizou-se no último fim-de-semana, dias 20, 21 e 22 deste mês, o Acampamento da Acendura Brava, na Lourinhã e no Cazal da Várzea, propriedade do nosso amigo e aluno Dr. Zé Gabriel. O Acampamento decorreu ao estilo resort, já que a maioria dos seus participantes não tinha experiência prévia nestas campanhas. Montámos arraiais sobre a relva, à beira duma piscina, perto dos balneários e próximo de uma área coberta destinada aos grelhados, mais-valias logísticas de valor inestimável e que contribuíram para o melhor andamento dos trabalhos.

Foram constituídas equipas de segurança, manutenção, saneamento, cozinha, acompanhamento de menores, de informática, fotografia, vídeo e de primeiros socorros, respectivamente capitaneados pelo Rui Coito, Vitor Hugo, Liliana Reis, Francisco Silva, Isabel Silva, António Almeida, Vitor Hugo e Marta. O coordenador de campo indigitado foi o Tiago Soares, que cumpriu, tal como os outros, cabalmente as suas funções. Foram montados dois turnos de vigilância, das 23h00 às 07h00, subdivididos cada um deles em duas horas, um ao redor do acampamento e outro no seu exterior, junto ao parque automóvel. A alvorada aconteceu às 07h00, os almoços às 13h00, os jantares às 19H30 e o recolher às 23H00.

Foram ministradas 3 aulas teóricas, 3 práticas e ainda houve instrução nocturna, que constou de uma caminhada de 13.5 km, afim de se reforçar o “junto”, estabelecer a parceria e aumentar a autonomia binomial. A coluna venceu o percurso em duas horas, ultrapassando os 6.5 km/h. Somente o Joaquim desistiu ao 10º quilómetro, vítima de uma afecção muscular de carácter passageiro. A geografia do percurso assentou sobre 6 km de subida e 7.5 km de descida. A coluna escolar foi capitaneada pelo Rui Coito na vanguarda e rematada pelo Duarte Morgado na retaguarda, o primeiro como batedor ou estafeta e o último como cerra-fila e elemento de ligação. A coluna foi ainda acompanhada por duas viaturas, uma na sua frente e outra na sua cauda, funcionando a primeira como carro de comando e a segunda como carro de apoio, onde se deslocava a nossa enfermeira, cujos préstimos, felizmente, foram dispensados. Os binómios acabaram o passeio com um sprint de 120 metros.

Nas aulas teóricas foram desenvolvidos aspectos ligados à selecção, genética e aproveitamento dos cães, com especial enfoque sobre a disciplina de guarda. As aulas práticas procuraram diferentes capacitações para o ofício guardião. O António Almeida, o Duarte Morgado, o Jaime Esteves e o Rui Coito tudo fizeram para que esses objectivos fossem alcançados. O Joaquim completou entre nós o seu 17º aniversário e a Célia Coito trabalhou desalmadamente. Houve piscina para todos e as crianças raramente saíram dela. O Pedro Rocha participou dos nossos trabalhos e o Master agradeceu. Os gastos com a alimentação quedaram-se por 9.9€ per capita (3.3€ diários), o que não espelha o muito que foi consumido.

Participaram nos trabalhos os seguintes condutores e acompanhantes: Ana Pinto, Américo Abreu, António Almeida, Bruno, Carla Abreu, Carla Ferreira, Carolina Coito, Célia Coito, Cristina Alberto, Duarte Morgado, Fátima Figueiredo, Francisco Silva, Irina Golovanova, Isabel Silva, Jaime Esteves, João Silva, Joaquim, Jorge Almeida, Liliana Reis, Marta, Miriam Reis, Olga Oliveira, Patrícia Oliveira, Paulo Oliveira, Pedro Figueiredo, Pedro Rocha, Rodrigo Coito, Rui Coito, Rui Ribeiro, Teresa, Tiago Soares e Vitor Hugo. A Família Figueiredo ofereceu o magnífico repasto de Domingo.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Transformar um problema alheio numa mais-valia global

Nos bons adestradores caninos, naqueles que se esforçam para compreender os cães e que acabam por compreendê-los, subsiste, de tempos a tempos, um sentimento de desânimo e revolta que os leva a questionar toda a sua actividade. O amor que sentem pelos cães obriga-os a sonhar, a desejar a liberdade dos bichos sobre as barreiras da regra, para além do espectro do uso e da coabitação forçada, já que servem homens pelo concurso dos cães. E quando pensamos friamente no assunto, “descobrimos” que estamos cá para servir, independentemente dos nossos sentimentos ou afeições, porque os donos precisam de nós e os cães só têm a ganhar com isso. O adestramento é uma reivindicação humana e jamais será um anseio canino, verdade que a suavidade dos métodos nunca conseguirá encobrir, diante do direito que a uns elege como proprietários e a outros como sua propriedade. O que fazemos no adestramento é transformar um problema alheio numa mais-valia global e talvez esta seja a sua melhor definição, porque ao consertarmos a relação entre um homem e o seu cão, estamos a promover a aceitação de ambos e a demonstrar as vantagens da parceria animal. Bem sabemos que sempre será mais fácil educar cães do que adequar donos, porque dos primeiros se aproveita e dos segundos espera-se mudança (alguns necessitarão quase de um renascimento). Regrar submissos é fácil, difícil é despir os “senhores” das suas prerrogativas e dos seus direitos neo-divinos, que a troco dessa investidura, resistem à novidade, desprezam a cumplicidade e criam barreiras à comunicação interespécies. A excelência de um cão só será possível pela capacitação do seu dono e isso é incumbência nossa, quer queiramos ou não, porque estamos aqui de livre vontade e sabemos o trabalho que nos espera – este é o nosso maior desafio!

30.000 anos à espera de afecto

As teorias são várias e as opiniões dividem-se, há quem diga que foi à 100.000 anos e ninguém sabe ao certo quando o cão foi domesticado. Parece haver mais consenso em torno de uma data: à 30.000 anos atrás. A distância parece-nos enorme, perdida nos confins dos tempos, especialmente quando comparada com os 2.000 anos que os judeus demoraram a retornar a Israel ou perante os quase 1.000 anos da nossa história pátria. 30.000 anos é muito tempo! Desde então até agora, a vida dos cães pouco ou nada se alterou, debaixo do especicismo que os resgatou do seu viver silvestre, uma vez que continuam explorados, desrespeitados, sujeitos ao abandono e condenados à morte. 300 Séculos de promessas vãs sobre um número infindo de gerações, para vanglória e enriquecimento dos seus donos, 300 Séculos de sobrecarga à espera de afecto. Será a maldade imortal ou nascerá com os indivíduos? Seremos capazes de reverter essa injustiça tão antiga? O passado não o podemos alterar, porque caminhamos para o nosso destino, mas podemos alterar o presente e perspectivar o futuro. Comece pelo seu cão, seja justo com ele e lembre-se que já parte atrasado!

Start to fly

Os cachorros começam a dar mostras do seu potencial, tal qual passarinhos prontos para levantar voo. Breve tornar-se-ão em cães garbosos e aptos para a sua função, à imitação dos seus progenitores e pela investidura binomial. Este progresso foi também visível neste fim-de-semana, quando a maioria deles evoluiu em liberdade e bem junto dos seus donos. Grande número dos nossos condutores encontra-se de férias e breve regressará para o seu lugar, cerrando fileiras connosco e abraçando os nossos propósitos. Se não houver novidade, o Loki e a Dirka irão ser pais em breve, contribuindo dessa forma para o aumento dos CPA’s Negros e Lobeiros.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: António/Shadow, Bruno/Iris II, Carla Abreu/Becky, Carla Ferreira/Dirka, Célia/Igor, Francisco/Iris, Liliana/Bolt, Patrícia/Boneca, Rodrigo/Tarkan, Rui Ribeiro/Loki, Tiago/Yoshi e Victor Hugo/Yoshi.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Cães alheios & crianças (grandes e pequenas): regras de convivência

Os ânimos acalmaram, as notícias são cada vez mais raras, a crise económica tomou conta das manchetes, mas o holocausto dos cães continua. No passado recente eram frequentes as notícias e reportagens sobre cães que atacavam crianças, um pouco por toda a parte, como se as feras houvessem descido às cidades, tomadas de raiva e reclamassem os seus distantes territórios de caça. Descriminaram-se raças, catalogaram-se donos, lançou-se o pânico e muitos cães acabaram abatidos, perigosos ou não, porque o medo a isso obrigou, pelo parecer social e pela denúncia dos vizinhos. E no calor dessa azáfama inquisitorial, a desconsideração dos factos reinou e a turba encontrou um bode expiatório para os seus sentimentos mais mesquinhos, constitui-se em milícia e deu caça ao lobo familiar, segundo a ultrapassada visão medieval que tomava o todo pela parte. Não temos dúvidas que muitos cães foram abatidos injustamente, vítimas de regras que desconheciam e de outras tantas que lhes foram impostas, tanto ambientais quanto genéticas. A coabitação com os cães não pode ser arbitrária, carece de regras, porque são animais e ainda conservam muitas características atávicas, inclusive algumas de recente e procurada infusão. E porque importa salvaguardar as crianças e respeitar os cães alheios, exactamente como as alertamos para outros perigos, adiantaremos em seguida um conjunto de regras com esse duplo propósito, também elas válidas para os adultos.

A. NA VIA PÚBLICA (Calçadas, Jardins, Esplanadas, Passeios Pedestres, Florestais, etc.).

1. Quando pretender acercar-se de um cão conduzido pelo dono, dirija-se primeiro ao proprietário e não directamente ao cão, para não ser tomado por intruso e acabar escorraçado.
2. Nunca se aproxime de um cão pela retaguarda e sem o dono deste se aperceber, porque naturalmente o animal será levado à defesa do seu proprietário.
3. Pelas mesas razões, nunca apareça de surpresa.
4. Nunca se apresente munido de um pau, uma vara ou algo parecido, porque o cão pode compreender isso como uma ameaça e reagir de acordo com o seu particular psicológico.
5. Nunca faça festas a um cão sem o consentimento do dono, porque essa relação íntima é pertença sua e a quem ele a delegar. Existem cães que pura e simplesmente desprezam e abominam as carícias de terceiros.
6. Se apesar do consentimento, você tiver algum pânico de cães, não lhes faça festas, o seu receio pode ser mal entendido e constituir-se em presa.
7. Evite fixar o olhar directamente sobre o cão, porque existem cães que tomam isso como uma afronta ou ameaça, o cão nasceu para observar e detesta ser observado.
8. Não corra nem grite na frente dos cães alheios, pois pode ser confundido e acabar perseguido, graças ao impulso ao movimento canino que despoleta os inerentes à perseguição e captura.
9. Não abrace o dono ou os seus acompanhantes inesperadamente, porque o cão poderá interpretar isso como uma ameaça e defender quem o acompanha.
10. Não importune um cão enquanto ele come, espere que ele acabe de comer e espere pela sua disponibilidade, já que os cães defendem o seu alimento.
11. Não pegue ou furte os brinquedos e demais acessórios do cão sem autorização do seu proprietário. Do mesmo modo, não deverá mexer nos pertences do seu condutor, porque o animal, dependendo do grau da sua territorialidade, poderá tratá-lo asperamente e confundi-lo com um vulgar larápio. 12. Alerte os donos dos cães quando ao seu redor intentar que os seus filhos joguem à bola, patinem ou andem de bicicleta.
13. Não se dirija a um cão atrelado com outro animal doméstico, com outro cão inclusive, porque o animal pode não estar sociabilizado e atacar aquele que você transporta. Os cães ao lado dos donos ficam com “as costas quentes” e podem tornar-se mais agressivos.
14. Não faça festas aos cães dentro dos automóveis, quer eles se encontrem sozinhos ou acompanhados, porque o excessivo condicionamento contribui para o aumento da sua agressividade.
15. Não se engane, o aforismo popular que diz: “cão que ladra, não morde”, não é totalmente fiável, porque o cão pode transitar automaticamente do aviso para o ataque.
16. Quando o seu filho lhe pedir para acariciar um cão, pergunte ao dono do animal qual o modo indicado para o fazer.
17. Ensine os seus filhos a respeitar a integridade dos cães, porque isso contribuirá para a sua salvaguarda e para a sua boa imagem diante desses animais. Não são só os cães que precisam de ensino!
18. Cuidado com as máscaras de Carnaval e os seus acessórios que levam à adopção de comportamentos extraordinários, porque raros são os cães que diferenciam a ficção da realidade, particularmente se tal acontecer de modo inesperado. Certifique-se que todos os cães ao seu redor se encontram devidamente atrelados e só depois autorize a brincadeira, para que o “Zorro” saia vencedor e não com os fundilhos rasgados.
19. Quando você ou os seus filhos circularem nas florestas de bicicleta ou empreenderem qualquer tipo de cross, é de todo conveniente que escolham trajectos libertos da presença dos cães e dos seus condutores, evitando-se dessa forma perseguições inesperadas. No campo, tanto os desportistas como os proprietários de cães, tendem a ignorar as mais elementares regras de segurança, quer colidindo quer importunando-se reciprocamente, o que poderá deixará mazelas a alguém.
20. Se porventura vier a ser vítima da perseguição de um cão, tente correr o menos possível e deite-se de imediato no chão, na posição de decúbito ventral, com as pernas afastadas, com as mãos entrelaçadas a proteger a nuca e o pescoço e com os cotovelos flectidos sobre as orelhas e a face. Permaneça imóvel e respire normalmente, isso diminui os danos e pode salvar-lhe a vida. A maioria das raças caninas, tidas como guardiãs, opera por ataque frontal e dificilmente ataca alvos imóveis, a menos que alguém as tenha preparado para o efeito, o que felizmente é mais do que raríssimo. No entanto, é possível que o cão tente virá-lo, aplicando-lhe para o efeito pequenas dentadas. Nesse caso, não reaja às mordeduras, não solte gritos de dor e faça-se de morto. O pormenor das pernas afastadas dificultará os intentos do cão. Se por acaso se esquecer de todas estas regras, guarde a de ouro: nunca mexa num cão sem autorização.

B. NAS VISITAS AO DOMICÍLIO DE PARENTES E AMIGOS COM CÃES.

1. A menos que os visitemos amiudadas vezes, estabelecendo desse modo os vínculos afectivos necessários, os cães dos nossos parentes e amigos ver-nos-ão como intrusos ou invasores, porque não fazemos parte do grupo doméstico, do seu quotidiano e a nossa visita poderá obrigar à alteração das suas rotinas. Convém não esquecer e estar precavido.

2. Toque à campainha exterior e aguarde ser atendido, não entre deliberadamente pela propriedade adentro, porque o cão pode estar solto e não adivinhar quais as suas intenções.

3. Peça ao dono que o prenda e só entre depois disso se verificar, mesmo que o dono diga que não há qualquer problema, porque os cães não agem de igual modo diante de pessoas diferentes.

4. Evite abraçar efusivamente os donos da casa, empurrá-los, gritar-lhes ou destinar-lhes gestos vigorosos na presença do cão, porque ele pode confundir as suas atitudes e entender pô-lo na ordem.

5. Inquira dos hábitos domésticos do animal, não viole o seu espaço e não se aproxime dos seus pertences, porque grande número de cães são territoriais e defendem os seus haveres.

6. Se não lhe derem autorização para tal, não dê comida ou guloseimas ao cão, porque para além de estar a alterar as suas rotinas, pode estar também a contribuir para a sua eliminação.

7. Pela mesma razão, avise os seus filhos para procederem de igual modo, advertindo-os para que não deixem comida pelo chão ou ao alcance do animal.

8. Se o cão estiver solto, não circule pela casa sozinho, avance só depois de se certificar que o cão se encontra seguro ou debaixo de controlo – espere a visita guiada!

9. Evite ficar sozinho em casa com os donos no quintal, porque o animal pode enveredar por acções policiais na ausência dos donos.

10. Não se aproxime dos seus comedouros ou bebedouros, ele pode não gostar disso.

11. Não mexa nos cães dos seus amigos quando eles estiverem a comer, porque poderá vir a ser atacado.

12. Não corra trás das crianças da casa, não os pegue bruscamente ao colo e evite os seus gritos ou pranto, porque o cão pede entender isso como um pedido de ajuda e carregar sobre si.

13. Nunca dê ordens aos cães dos seus amigos e não intente encarcerá-los, porque isso é obrigação dos donos e os animais podem revoltar-se vigorosamente.

14. Não invada os seus canis, pois pode vir a ser desalojado da pior maneira.

15. Evite pegar nos pertences do dono sem autorização, o cão pode entender isso como um abuso.

16. Não entre nos carros estacionados dos seus amigos dentro dos quintais ou garagens, com eles ausentes e na presença do cão, o animal poderá não gostar da intromissão, danificar as viaturas e esperá-lo à saída.

17. Não ameace com paus ou com pedras os cães dos seus anfitriões.

18. Se o dono o consentir, só acaricie o animal depois deste aprovar esse seu desejo.

19. Não se escude no facto de não ter medo de cães, eles também poderão não ter medo de pessoas e achar por bem escorraçá-las: cumpra as regras!

20. Evite sair da casa dos seus amigos com o cão à solta, porque alguns cães transformam a saída dos visitantes num verdadeiro ajuste de contas! Se tiver pouco apego aos procedimentos e se preocupar com sua integridade e dos seus, a regra de ouro é: obrigar os seus amigos ao controlo dos seus cães. Caso esse controlo não seja objectivo, solicite o isolamento ou a prisão dos animais.

Procedimentos públicos para condutores de cães: regras de coabitação

PARÁGRAFO ÚNICO. Usámos o termo “coabitação” e não “sociabilização”, porque esta assenta sobre um esforço bilateral que não existe, já que as pessoas continuam a ignorar o mundo canino, mantendo com ele uma relação especicista e descuidada, arbitrária e desordenada, desrespeitando os cães e obrigando-os à coabitação forçada, pesado encargo para os seus proprietários e condutores que esforçando-se pelo reconhecimento dos direitos dos animais, se vêem obrigados ao cumprimento de toda a sorte de disposições legais, também elas maioritariamente unilaterais e discriminatórias.

A. EM DESCANSO

1. Quando parar com o seu cão na via pública, num jardim, passeio pedestre ou floresta, proteja-o das intromissões pela retaguarda, operando dessa forma a segurança do animal e a dos bajuladores, que sempre aparecem para fazer festas sem consentimento, tirando partido de sebes naturais, muros ou paredes de alvenaria, pois importa evitar os malefícios provocados pela surpresa (o pavor do cão ou seu possível ataque).
2. A paragem binomial não dispensa o automatismo de imobilização a aplicar ao cão, reforçado se necessário e próprio para a situação.
3. Escolha uma área livre três vezes superior ao comprimento da trela, pois há que contar com os imprevistos.
4. Evite as zonas mais recônditas afim de proteger a saúde ambos.
5. Não escolha locais húmidos, rodeados por água ou sujeitos a rega automática ao amanhecer e ao anoitecer, porque nessas ocasiões espreita o mosquito portador da leshmania.
6. Bata previamente o território onde se irão instalar, certifique-se da inexistência de restos de comida, dejectos, lixos orgânicos ou industriais.
7. Nãos se esqueça: o seu cão é obrigado a andar à trela!
8. Afaste-se das brincadeiras das crianças e não se coloque junto às principais vias de acesso ao local.
9. Tenha especial cuidado junto a minorias étnicas, gente sem abrigo, pedintes, leitores de sina, deficientes (físicos e mentais), ébrios e polícias, porque a novidade de odores e comportamentos pode provocar alterações no seu cão.
10. Não force o convívio do seu cão com pessoas que têm medo de cães, porque a sua resistência pode ser mal entendida pelo animal.
11. Caso alguma criança pretenda acariciar o seu cão, desarme-a primeiro, livrando-a de objectos susceptíveis de accionar os seus mecanismos de auto-defesa.
12. Nas áreas muito concorridas não exponha os pertences do cão, porque ele pode obrigar-se a guardá-los.
13. Não consinta que ninguém alimente o seu companheiro, tornando-o assim guloso e altamente vulnerável.
14. Depois do animal se refrescar, guarde de imediato o seu bebedouro, não vá ele entender policiá-lo.
15. Ensine aos transeuntes mais afectuosos a maneira correcta para abordarem o seu cão e qual a melhor forma de se despedirem dele (sem correrias).
16. Evite ao máximo ausentar-se, porque não sabe com o que irá ser confrontado, mesmo que o cão seja da máxima confiança.
17. Conserve-o sempre ao seu lado e não o prenda afastado de si.
18. Devido aos possíveis despistes, afaste-se das estradas.
19. Não se abriguem debaixo de pinheiros ou cedros, por causa dos perigos da processionária dos pinheiros.
20. Conte sempre com a presença de cães à solta, vadios ou a vadiar, que aparecem donde menos se espera.
21. Evite que as pessoas acompanhadas por cães façam festas ao seu, porque só poderá responder por aquele que ensinou.
22. Se por acaso o seu cão tiver especial afeição por um membro do seu agregado familiar e ele estiver presente, afaste-o do cão e só depois consinta que outros façam festas ao animal, não vá ele entender protegê-lo.
23. Leve sempre consigo vários sacos para os dejectos do seu cão.
24. Não o sente nos bancos de jardim e não consinta que beba nos chafarizes destinados às pessoas.
25. Evite estacionar o seu carro com o cão lá dentro em zonas sujeitas ao seu policiamento, densamente povoadas e fortemente batidas pelo sol. Entende-se o porquê! Qualquer cão bem sociabilizado coabitará sem problemas nos recintos públicos, por mérito escolar e benefício da sua experiência, tornando obsoletas algumas destas regras. No entanto, todo o cuidado é pouco e a assiduidade escolar nem sempre acontece, factores que obrigam ao cumprimento destes procedimentos, a bem dos cidadãos e em prol dos cães.

B. EM TRÂNSITO (quem vai para o mar, avia-se em terra; quem sai com o cão, deve ir preparado!)

1. Todo e qualquer trajecto binomial deverá respeitar tanto as pessoas como os animais no seu decurso.

2. Internamente, o passeio binomial aponta para 3 objectivos: para a coabitação harmoniosa do cão na sociedade, para o reforço da liderança e para a melhoria dos índices de prontidão caninos, alcançados pela experiência que induz à adaptação. Outros terão propósitos diferentes.

3. Todos os trajectos deverão ser reconhecidos previamente pelos donos (sem cães), afim de se aquilatar dos seus proveitos, dificuldades, riscos e imponderáveis. Nenhum trajecto deverá ser endereçado à fortuna e ao azar.

4. Não entre em zonas de risco se não confia na protecção do seu cão.

5. Antes de sair de casa consulte as previsões meteorológicas e vá preparado para elas.

6. Respeite o Quadro Geral de Temperatura e humidade.

7. Dentro da mesma distância, dê preferência aos percursos mais longos do que aos mais curtos, atendendo a indesejável saturação do cão.

8. Prepara-se para afugentar os cães soltos e proteger o seu.

9. Não escolha percursos ermos e de difícil acesso, porque poderá necessitar de socorro.

10. Evite passar junto a lixeiras, caixotes do lixo e zonas permissíveis a engodos e envenenamentos.

11. Nos percursos à beira da estrada circule no sentido contrário ao dos automóveis, pois importa que sejam vistos.

12. Se circular à noite use coletes reflectores (também os há para os cães).

13. Ao evoluir paralelamente às estradas, quando for caso disso, use o “troca” para proteger o cão.

14. Sempre que possível, atravesse as estradas nas passadeiras para peões.

15. Nos percursos urbanos aproveite para condicionar o seu cão a sentar-se junto às passagens para peões.

16. Despreze as pistas para ciclistas, porque são simultaneamente perigosas para os atletas e para os binómios.

17. Evite os trilhos dos “Moto4” e os utilizados pelos ciclistas BTT por causa dos riscos de acidente.

18. No final do Inverno e no princípio da Primavera evite progredir debaixo de pinheiros e cedros, pois há o risco de se cruzar com a “lagarta dos pinheiros”.

19. No Verão evite as clareiras nos bosques e florestas, locais preferenciais para as víboras. Em Portugal existem duas variedades.

20. Na época estival não avance por zonas de mato ou florestas, que são autênticos focos de carraças, se não tiver as coleiras e as pipetas antiparasitas em dia.

21. Passear o seu cão ao amanhecer e ao anoitecer obriga à validade da coleira insecticida ou ao uso doutro repelente de insectos.

22. Nos passeios à beira-mar tome cuidado com a qualidade das areias, porque alguns cães já saíram das praias intoxicados.

23. Não proceda a percursos natatórios quando a temperatura da água for inferior aos 15º centígrados.

24. Nas evoluções no meio de espinhos e na neve aconselha-se o uso de botas de botas de protecção para os cães.

25. O horário, a cadência de marcha, a extensão dos trajectos, a geografia do terreno e as condições climatéricas deverão considerar a capacidade canina para os levar de vencida.

26. Doseie o esforço do seu cão e não o traga estafado para casa.

27. Não saia imediatamente após o seu cão se ter refrescado abundantemente ou ter consumido o seu penso diário.

28. Os valorosos condutores cinotécnicos que perfazem uma milha diária com os seus cães, devem transportar consigo uma mochila.

29. A mochila deverá carregar: 1) Água, bebedouro e cantil. 2) 600 gramas de penso. 3) Acessórios de reserva (trela, estrangular, peitoral ou arnês). 4) Um kit de primeiros socorros. 5) O trem de limpeza. 6) Uma estaca de prisão. 7) Uma corda de 6 metros ou uma trela extensível de igual extensão e resistência. 8) Uma toalha. 9) Isqueiro ou fósforos. 10) Um canivete multiusos. 11) Uma bússola. 12) Uma pequena lanterna. Alguns destes acessórios já se encontram acoplados uns nos outros. Como o peso total do material não deverá exceder ¼ do peso do condutor, convém que se escolham materiais e embalagens leves e resistentes.

30. Ao sair de casa, os condutores devem comunicar o trajecto que empreenderão aos seus familiares, não o alterando sem aviso prévio. A isso obrigam as mais elementares regras de segurança. Por causa disso, os percursos que não permitam o socorro imediato devem ser excluídos.

31. Os condutores devem fazer-se acompanhar da sua identificação e dos documentos do cão, de algum dinheiro e do telemóvel, nunca do cartão de crédito.

32. Sair para exterior implica em saber de cor o número de contacto do veterinário assistente ou tê-lo memorizado no telemóvel.

33. E porque os acidentes acontecem, convém que os condutores tragam à vista a identificação do seu grupo sanguíneo, assim como a sua dependência relativa a algum medicamento.

34. O cão em trânsito obriga ao uso da trela.

35. O andamento preferencial e maioritário dos trajectos deverá ser a marcha e esta deverá ser tirada a partir do “junto”.

36. O comando de “junto” é o garante de uma progressão segura nas áreas urbanas. Assim se deve deslocar ali.

37. Todos os trajectos deverão pressupor o uso dos diferentes automatismos direccionais, quando tal for seguro e possível, assim como a recapitulação doméstica dos conteúdos escolares ministrados ou a necessitarem de reavivamento.

38. Evite a condução nuclear (com o cão solto), nas áreas que não garantam a sua salvaguarda e da dos restantes utentes.

39. Repreenda severamente o seu cão quando se atiçar a gatos ou a outros cães, porque para isso o instruímos e não queremos que acabe mutilado, abatido ou morto.

40. Não consinta que ele se refresque em águas paradas, regatos ou lagoas.

41. Se tem mais do que um cão, passeie cada um isoladamente, sempre que tal esteja ao seu alcance.

42. Perante a aproximação de um cego com o seu cão-guia, sempre que possível, deveremos desobstruir o seu caminho, evitando o cruzamento cão-a-cão. Nessa impossibilidade, deveremos suspender a marcha e imobilizar o nosso cão. Se nenhuma destas condições for fazível, então deveremos operar o “troca” para evitar o cruzamento frontal dos cães.

43. Caso haja essa necessidade, procederemos de igual modo perante deficientes físicos, gente de muletas, canadianas e cadeiras de rodas.

44. Recorremos ao mesmo comando (troca), quando nos cruzarmos com outros cães ou pessoas que se possam constituir em presas.

45. Use o comando de “atrás” quando for necessário refrear os ímpetos do seu cão, alterar a sua fixação ou evitar confrontos com outros cães. Recorra a ele também quando efectuar descidas bastante acentuadas

46. Use o comando de “à frente” nas seguintes situações: nas passagens estreitas, nas subidas íngremes, como subsídio de tracção e nas ruas mal iluminadas, usando o cão como protecção e presença ostensiva, se o animal estiver preparado para isso e a manobra não cause dolo a terceiros.

47. Anuncie as mudanças de direcção pelo comando de “roda”.

48. Ao terminar os passeios na época seca, passe minuciosamente o seu cão em revista, tome cuidado com as praganas e outras espigas que teimam em enroscar-se nas suas narinas, orelhas e membranas interdigitais.

49. Depois de um passeio à chuva, seque primeiro o animal e escove-o depois.

50. Regressar a casa implicará sempre em limpar o cão de alto a baixo e de uma ponta à outra.

As regras que aqui fizemos saber, intrinsecamente ligadas aos preparativos, logística e acções no terreno, quando cumpridas, poderão garantir a salvaguarda e sobrevivência dos binómios em excursão. Bons passeios, regressem sãos e salvos e não causem vítimas!

Procedimentos domésticos para proprietários de cães que recebem visitas

Elaborámos este texto para aqueles proprietários caninos que valorizam o convívio com os seus amigos, que lhes abrem as portas e não desejam que os seus cães lhes causem qualquer dolo, sem contudo prejudicarem a sã relação de cumplicidade que mantêm com os seus animais. Se não consegue convencer os seus amigos, como levará a sociedade a aceitar os seus cães? Adiantaremos em seguida as regras a observar para que tudo corra bem e as suas visitas não se transformem em cobaias. Não obstante, elas poderão ajudar no processo pedagógico que levará a um melhor apetrechamento dos seus amigos de quatro patas.

1. Se algum dos seus amigos têm pavor ou antipatia por cães, não hesite, isole os animais ou proceda ao seu encarceramento (toda a gente deveria ter um canil apropriado), porque o medo de uns pode transformá-los em presas e a antipatia de outros pode ser correspondida. Há que jogar pelo seguro!
2. Encerre os seus cães antes da chegada das visitas, impedindo dessa forma que os cães as escorracem ou as ponham receosas. Pois deixar os cães à solta não será certamente o melhor cartão de visita.
3. Se pretende estar à vontade com os seus convivas, aquando das manifestações de júbilo e fraternidade, espere um pouco mais para soltar o seu cão, isto se tiver condições para isso, para que o animal não seja invadido pelo ciúme ou entenda regrar esse convívio.
4. Antecipe ou atrase as refeições do seu cão, para que ele não desconfie dos propósitos da assistência e venha a defender o seu repasto.
5. Recolha os pertences do cão para que ele não os dispute ou opere a sua defesa.
6. Em abono da salvaguarda das crianças, guarde ou esconda o comedouro e o bebedouro do animal.
7. Havendo a possibilidade de o cão se fazer presente, faça respeitar os seus locais de descanso e pernoita, impedindo as visitas de neles se instalarem. Se não houver outra hipótese, sente-se ao lado do cão no seu lugar preferencial. Pretende-se com isto evitar a defesa territorial.
8. Persuada as crianças a não darem de comer ao animal e repare se deixam comida pelo chão.
9. Segure ou prenda o animal quando elas se encontram a brincar (jogos e correrias), para que ele não lhes furte os brinquedos ou lute pela sua posse, as magoe ou lhes cause qualquer dano.
10. Não disponibilize para o efeito qualquer brinquedo do cão, a menos que o bicho se dê à brincadeira, porque de outro modo, lutará justificadamente pela sua posse.
11. Caso tal seja viável, ensine às crianças e aos adultos as salutares normas de convivência com o cão.
12. Esteja sempre atento aos abusos de uns e aos excessos do outro.
13. Evite o deambular isolado das visitas pela casa fora se o cão estiver solto, não vá ele interpretá-los como intrusos.
14. Se tiver canis, mantenha-os fechados à chave, porque as crianças teimam em acoitar-se dentro deles e cão pode não gostar.
15. Pela mesma razão, vete a entrada das visitas aos canis, porque eles são para os cães o seu castelo forte.
16. Escolha passatempos que não despoletem os mecanismos de agressividade do seu cão.
17. Não vá regar a relva e deixar os convidados dentro casa entregues aos cuidados seu cão.
18. Não permita que as visitas dêem ordens ao animal (tendência generalizada), porque ele pode revoltar-se e insurgir-se contra a impropriedade dessa autoridade.
19. Certifique-se que só você tem o comando das portas para o exterior, porque não raramente as crianças abrem-nas e o cão pode evadir-se.
20. Quando estiverem a comer, se não tiver o cão preparado para isso, afaste-o das mesas, não vá ele furtar comida ou reclamar a sua parte.
21. Se o seu cão não estiver devidamente sociabilizado e as visitas se fizerem acompanhar por outros animais, proceda ao seu encarceramento, porque naturalmente não verá com bons olhos a evasão do seu território.
22. Seja você a entregar os pertences ou utensílios da casa, não deixe que as visitas lhes peguem deliberadamente, não vá o cão identificá-los como larápios.
23. Não deixe que ninguém isoladamente entre no seu carro, coisa que o seu cão poderá desaprovar.
24. Evite gritar para os visitantes, isso pode levar o cão ao reforço inusitado das suas acções policiais e carregar sobre quem não deve.
25. Mantenha o seu cão imobilizado debaixo de ordem e acompanhe as visitas à saída., não vá ele querer apressar as despedidas. Apesar de ser mais cómodo e seguro conservar o cão encerrado, a sua sociabilização deverá ser alcançada, tarefa de um líder que se faz entender e respeitar.
Os pontos 1, 2, 4, 5, 6, 8, 13, 14, 15, 17, 18, 19, 23, 24 e 25, devem ser criteriosamente observados quando tiver alguém estranho a trabalhar dentro da sua casa.

Normas prà disposição binomial nos acampamentos da Acendura

Como o aproximar do novo acampamento da Acendura, no intuito de melhor preparar os nossos alunos para esse evento, adiantamos algumas normas relativas à instalação, à logística e ao trabalho a desenvolver pelos binómios. Estas normas premeiam aspectos ligados à segurança, à boa ordem, à sobrevivência e à autonomia do grupo e ao melhor andamento dos trabalhos. Não podemos publicitá-las todas, porque o seu número é grande e tornaria enfadonha a sua enumeração. Entretanto, queremos lembrar aos nossos alunos que a saída da escola para o exterior obriga ao cumprimento escrupuloso das suas NEPES (procedimentos) em vigor, já que o sucesso nos eventos anteriores sempre esteve ligado à sua observação.

Cabe somente ao adestrador a escolha do local, que deverá obedecer aos seguintes critérios:
1.O local escolhido deverá garantir a comunicação do grupo com o exterior. 2. O lugar deverá ser seguro e de fácil acesso, que satisfaça simultaneamente a protecção, a privacidade e a pronta evacuação do grupo escolar.3. O ecossistema encontrado deverá subsidiar o propósito excursionista, contribuir para a melhor autonomia de cada binómio, reforçar os vínculos binomiais e fortalecer o espírito de grupo. 4. A geometria do terreno e as dificuldades que apresenta deverão estar de acordo com o particular etário dos condutores e com a capacidade de resolução dos seus cães. 5. A localização do acampamento não deverá provocar alterações no quotidiano das populações adjacentes, prejudicar os seus trabalhos, alterar as suas rotinas ou violar os seus direitos. 6. O local deverá garantir o pronto abastecimento de água, alimentos e combustível. 7. A escolha do local deverá pressupor o desenvolvimento das três disciplinas clássicas do adestramento (obediência guarda e pistagem), para além das relativas ao resgate e salvamento… Cabe também ao adestrador estabelecer líderes, nomear e escalar equipas para os seguintes serviços: 1. Liderança. 2. Segurança. 3. Reconhecimento. 4. Instalação e manutenção 5. Logística. 6. Limpeza e saneamento. 7. Desenvolvimento pedagógico. 8. Serviço de apoio binomial. 9. Acompanhamento de menores. 10. Enquadramento cultural. 11.Staff de simulacros. 12. Fotografia e vídeo. 13. Informática e redacção de actas. 14. Prestação de socorros. 15. Evacuação de sinistrados. 16. Detecção e protecção contra incêndios …

Os binómios acampados obrigam-se, entre outros deveres, a: 1. Cumprir e a fazer cumprir as orientações do Director de Instrução e dos seus líderes directos. 2. Executar zelosamente os serviços que lhe forem distribuídos. 3. Respeitar as normas em vigor no acampamento. 4. Desenvolver um espírito de franca camaradagem. 5. Apostar no seu melhor apetrechamento teórico-prático. 6. Gerir o esforço dos seus cães de acordo com o seu potencial, capacidade e resistência. 7. Manter a sua disponibilidade perante a novidade de serviços ou desafios… Breve tomaremos conhecimento da totalidade das normas, regras que possibilitarão momentos únicos e que dificilmente virão a ser esquecidos. Até lá!

Binómio Patrícia / Boneca

A Patrícia é uma jovem simpática, alegre e interessada, conduz uma fêmea CPA lobeira chamada “Boneca”, produção da Carla Ferreira. O binómio trabalha connosco desde o último Sábado e já revelou alguns progressos. O entrosamento da Patrícia tem sido fácil, muito por mérito próprio e também pelo apoio dos restantes alunos. Desejamos pró binómio o maior sucesso e queremos manifestar-lhe aqui o nosso sincero bem-vindo.

Caderno de ensino: XXV. O "junto instantâneo"

O “junto instantâneo”é um modo mais célere e alternativo de executar o comando de “aqui”, dispensando o rodopiar do cão à volta do dono ou condutor, entrando directamente prà mão de condução (a esquerda). Nele, o cão gira sobre si mesmo, encosta-se ao líder e coloca-se à sua disposição. O movimento canino é de uma elegância extraordinária, espelha grande prontidão e não esconde a cumplicidade binomial. Quando mais rápida for a execução, mais espectacular é o seu efeito. De nada adianta executar a figura a partir da coerção ou da mecanicidade pura e simples, porque isso sempre será notório e sujeito a maior delonga, sendo por isso mesmo caricato e imprestável. Aqui impera o contributo da memória afectiva para o condicionamento. O modo correcto para a obtenção da figura virá da brincadeira e da fixação do cão num dos pertences da sua eleição, que usado correctamente, reproduzirá o movimento procurado. Para que o interesse do cão se mantenha, é necessário, após cada ensaio, devolver-lhe o pertence, solicitando-lhe a sua procura e captura. O “junto instantâneo” esteve durante muito tempo cativo aos mestres e arredado dos instruendos, na vã relação que intenta sustentar as diferenças e garantir a supremacia. Essa relação imprópria e egoísta é própria dos indivíduos que não querem que os outros saibam tanto quanto eles. O “junto instantâneo” é um automatismo indispensável para o retomar da unidade binomial e pode também servir para a cessação das acções, dispensando assim a inibição que opera a perca de velocidade canina. A melhor apresentação da figura acontece pela linguagem gestual, quando o condutor substitui o comando verbal pelo batimento na sua perna esquerda.

Sociabilização e espanto

Trabalhámos Sábado e Domingo debaixo de calor intenso, o que nos obrigou a várias interrupções e ao prolongamento do horário de trabalho. No Domingo encerrámos os trabalhos perto das 23H00 e acabámos por jantar em cima da relva. O “cruza”, o “para trás” e a condução em liberdade mereceram especial enfoque. Os binómios presentes mostraram progresso e devotaram os seus trabalhos à sociabilização. Muita gente assistiu espantada às nossas evoluções e alguns quiseram saber mais sobre a Escola e o seu funcionamento.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: António/Shadow, Bruno/Iris II, Carla Abreu/Becky, Carla Ferreira/Dirka, Célia/Igor, Eduardo/Vega, Francisco/Iris, Isabel Silva/Luna, Liliana/Bolt, Luís Leal/Ricky e Teka, Patrícia/Boneca, Rodrigo/Tarkan, Tiago/Sane, Teresa/Buster e Vitor Hugo/Yoshi. O Rui Coito deu o seu contributo.

sábado, 7 de agosto de 2010

Um velho e duro inimigo: a processionária dos pinheiros

A Processionária dos Pinheiros (Thaumetopoea Phityocampa Schiff.), vulgarmente conhecida nos meios rurais como “Bicho do Pinheiro” ou “Lagarta do Pinheiro”, é um insecto desfolhador, que pode parasitar todas as espécies de pinheiros e cedros, é extremamente nocivo para as árvores e altamente perigoso para pessoas e animais, particularmente quando em lagarta, graças aos seus pêlos urticantes que injectam substâncias tóxicas na pele e nas mucosas de grave consequência para a saúde pública. O contacto com os pêlos urticantes da processionária, consoante os cães os pisem, cheirem, abocanhem ou comam, pode causar-lhes problemas tais como: conjuntivite (inflamação da conjuntiva ocular), queratite (inflamação da córnea do olho), focinho inchado, língua grossa (macroglossia), língua azul (cianótica), babar intenso (hipersiália e sialorreia), vómitos, comichão e dor intensa. Esporadicamente pode também provocar tosse, dificuldades respiratórias ou asfixia. A demora no tratamento, geralmente associada à ignorância e pouco reparo dos donos, que os levam a confundir ou a desconsiderar os sintomas, pode provocar, dependendo do tempo decorrido e da quantidade de alergeno recebido, a necrose da língua, dos lábios e até cegueira, incapacidades que impedirão os animais de se alimentar e que poderão induzir ao seu abate conforme a gravidade das lesões. A ida rápida e pronta para o veterinário torna-se indispensável, porque o tempo corre a desfavor do cão.

É geralmente no final do Inverno e no princípio da Primavera, nos meses de Março, Abril e Maio, que as lagartas da processionária abandonam as árvores e iniciam a sua conhecida “procissão”, encabeçadas por uma fêmea, rumo ao solo, onde em grupo começam a escavar. Dali sairão já borboletas no Verão, apesar dessa fase subterrânea poder prolongar-se até 3 anos. A maioria dos acidentes acontece nesta altura (meses de Março, Abril e Maio), mas pode também acontecer no Verão, quando as colónias descem ao solo para depois treparem para outros pinheiros em busca de alimento. A presença da processionária nas árvores é facilmente detectada pelos grandes casulos que constroem, de cor branca ou amarelada, normalmente dispostos sobre os seus píncaros ou nas extremidades mais altas, não raramente depauperadas de folhas (agulhas dos pinheiros). Existem vários meios para combater esta praga e o Ministério da Agricultura tem vários trabalhos publicados na Internet onde os descrimina. Não obstante, sobressai a questão económica e são raros os proprietários florestais que dão combate à praga. Aconselhamos aos nossos leitores, que têm pinheiros ou cedros no quintal, a colocação de cintas nessas árvores, de papel ou de plástico, embebidas nas suas duas faces com uma cola inodora à base de poli-isolbutadieno, para que as lagartas ao descerem fiquem ali coladas. Esta cola encontra-se à venda nas lojas dedicadas à agricultura e os seus técnicos darão indicações detalhadas para a sua colocação. Entretanto, caso veja essas lagartas no chão, proceda à sua eliminação pelo fogo, usando para o efeito um produto altamente inflamável (petróleo, diluente celuloso, etc.). Caso não exista o perigo de contacto com os outros animais e você seja sádico quanto baste, pode seguir o exemplo do nosso amigo Jean-Henri Fabre, grande entomologista, etólogo e naturalista francês, já nosso conhecido e de quem tomámos lições. Ele descobriu que as larvas da processionária marcham sempre em fila por efeito congénito, cada uma delas procura não se separar da que vai na frente, deslizando sobre o fio deixado por esta atrás de si (geralmente uma fêmea). Com uma à frente a marcha é tranquila e confiante, porque só a ela cabe examinar o terreno. Fabre fê-las marchar em círculo e elas acabaram por esgotar as suas reservas de gordura e perecer.

Pelas razões acima expostas, já não é bom ter uma escola canina junto a um pinhal, mas pior do que isso é plantar pinheiros ou cedros no seu perímetro. Há quem goste de fazer canis ao redor das árvores, o que nos parece óptimo, desde que as árvores sejam de folha perene, não sejam tóxicas e não chamem pragas. Quando escolher a flora para o seu jardim, não o faço de modo arbitrário, considerando somente a estética e o seu gosto pessoal, lembre-se que tem um cão e que muitas plantas, por mais bonitas que sejam, podem ser altamente tóxicas. A “santa” Internet já disponibiliza essa informação, adiantando quais as plantas mais nocivas para as pessoas e para os animais, quer por contacto, inalação ou ingestão. Não se esqueça: o pinheiro do vizinho encostado ao nosso muro pode dar-nos pinhões, mas também nos pode dar grandes arrelias e ser fatal para alguém. Alerte a sua vizinhança para o problema, aconselhe-a a colocar cintas nos pinheiros e cedros, isso pode salvar vidas, valer às crianças e aos animais domésticos. E o que dizer do meu cão a correr, livre e feliz, por um grande pinhal, sem eu ter batido previamente o território? Ao entrar num pinhal, nem que seja só para “piquenicar”, não se abrigue debaixo da copa de uma árvore, sem antes olhar para ela e para o chão que a circunda.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

1, 2, 3, disparate

A “menina dos cinco olhos” (palmatória, férula ou Santa Luzia) reinou nas escolas primárias portuguesas, como subsídio pedagógico, desde o final do Sec. XIX até à década de 80 do Sec. XX, mas sua memória permanece ainda viva. Quando alguma coisa não vai bem na sociedade, breve alguém exclama: “ o pau é o pai da humanidade!”, o que a ninguém espanta, atendendo à propensão dos vitimados em causar vítimas. Contudo, no adestramento não deverá ser assim, porque lidamos com animais irracionais, indefesos por força da coabitação, sujeitos a respostas artificiais e capacitados pelo condicionamento, companheiros sem perspectiva de futuro que entendem o presente pela experiência anterior. Ainda que a “lei do pau” seja de fácil assimilação para os cães, porque assim se dispõem hierarquicamente entre si, segundo a lei do mais forte, a prática dos castigos corporais rebenta com a cumplicidade que garante o bom desempenho binomial. Um cão agredido pelo dono jamais voltará a ser o mesmo, assimilará o trabalho como uma decorrência da liderança imposta e evoluirá com medo do reparo, perdendo com isso a alegria indispensável às tarefas. Com alguma sorte não confundirá o seu dono com outros, tremendo diante deles mal aconteça a sua apresentação. É-lhe muito difícil confiar na mão que se estende em ajuda quando ela é ao mesmo tempo um porrete. Se a violência física subjuga os submissos, ela levará à indesejável confrontação com os dominantes, assistindo-se à troca de mimos sem se saber, à partida, quem sairá vencedor. E para que não restem dúvidas, os que menos gastam as botas são os que mais tendem a molhar o bico! Tomando como exemplo a antiga escola primária e o uso da palmatória, quem apanhava mais, os bons alunos ou os maus alunos? Os mais zelosos ou os menos aplicados? O que faz um bom cão é a qualidade dos seus mestres e o tempo que dedicam ao condicionamento, porque a sobrevivência canina obriga ao entendimento com os homens. Será que nos fazemos entender? Quem merecerá um puxão de orelhas?

Ainda que a violência possa ser, nalguns casos, o caminho mais curto para a obtenção de algo, raramente se aquilata das consequências para as vítimas, na velha política que justifica os fins e desconsidera os meios. Será justo proceder assim com os nossos cães? O adestramento exige um final feliz, trabalha por aproveitamento e indução, baseia-se na confiança recíproca e procura a complementaridade, condições só possíveis pelo uso da razão que gera a tolerância e induz à paciência. Os impacientes sempre serão mal sucedidos no adestramento, porque lhe são alheios e impróprios, descarregando nos cães a carga que não suportam. O que será mais fácil modificar, os homens ou os cães? A resposta é óbvia, porque poucos se darão ao incómodo. Quando intentar ensinar algo de novo ao seu cão, não faça como alguns, que depois de contarem até três, caiem em cima dos animais, ignorando que a justeza dos seus procedimentos só poderá ser comprovada pela resposta dos cães. Troque a inibição pelo incentivo, vença os contratempos e aumente o estímulo, ajude e não reprove, recompense e não despreze, é isso que o seu cão espera de si – seja homem!

Encarceramento canino, reflexos e postura

Já todos sabemos que o encarceramento forçado dos cães, ao diminuir a sua qualidade de vida, contribui para o seu envelhecimento precoce. Atendendo à curta esperança de vida dos cães, os seus reflexos tornam-se rapidamente mais lentos do que entre os humanos, o que implicará numa actividade motora mais curta, em movimentos desajeitados, numa resposta tardia e no desuso dos seus automatismos de atenção e alerta. A perca de reflexos induzida, quer os cães se encontrem acorrentados ou sistematicamente confinados em áreas inferiores aos 5 m2, porque impedem as transições entre os andamentos naturais e enfraquecem a frequência dos seus ritmos vitais, é uma verdade indesmentível que é provada pela curta duração daqueles que se encontram presos a uma estaca. Com propriedade identificamos aqui um processo degenerativo, que a breve trecho tenderá também a eliminar os reflexos inerentes à postura, o que condenará os animais a um conjunto de afecções, que não esconde o encurtamento dos seus dias. A inactividade canina favorece o aparecimento de graves anomalias físicas e psicológicas, instala várias taras e induz à perca e irremediável das suas mais-valias – o cão não nasceu para estar preso. Qualquer canil deverá pressupor a saída do cão para o exterior várias vezes ao dia e nenhum deles deverá ter uma área inferior aos 10 m2. Perca de reflexos e encarceramento sempre andarão de mãos dadas. É bom que se saiba, porque sabemos o que vem a seguir!

Um pinto no meio dos cães

O Pinto a que nos referimos é o marido da Carla Ferreira, que apesar de António Almeida, tem ainda esse apelido. Perante a inactividade da esposa e diante da juventude do Shadow, que se encontra subaproveitado, o homem tomou ao seu encargo a educação do cão. Participou connosco nos trabalhos de fim-de-semana e recebeu o apoio dos alunos que se fizeram presentes. Apesar do ritmo elevado dos trabalhos, o binómio satisfez as exigências mínimas relativas às metas traçadas. Desejamos que o seu entusiasmo se mantenha e se faça presente sempre que lhe for possível, o Shadow agradece e nós alegramo-nos com isso. Talvez agora, mediante o exemplo do marido, a Carla pegue noutro dos muitos cães que possui, por sinal demasiados e entregues ao confinamento forçado. Para além das vantagens para o Shadow, o António, enquanto bicho de secretária, tem tudo a ganhar com o treino, porque carece de melhor forma física e necessita dos benefícios oferecidos pelo ar livre. Aceitámos o homem e reclamamos a sua presença nas nossas fileiras, queremos que passe de pinto a galo e abrace o nosso esforço em prol dos cães. Bem-vindo António!

Terapia canina: -Talitha cumi!

Não queremos aqui parodiar a Escritura Sagrada (Mc.5, 35-43), porque somos cristãos, infelizmente somos cada vez menos e vivemos felizes com a nossa Fé. Mas as palavras do nosso Divino Mestre, expressas naquela ocasião bíblica, repercutem-se no nosso quotidiano e ganham forma através da terapia canina. A relação binomial será sempre uma permuta, porque se os cães alcançam adaptação, os donos acabarão por colher os seus benefícios. Um deles, por vezes o menos perceptível, é o operado pela terapia canina, acção multifacetada que opera mais-valia físicas, psicológicas e sociais nos condutores cinotécnicos, contribuindo para a recuperação da sua boa forma, melhor equilíbrio e ajudando na sua integração social. No meio dos nossos trabalhos dominicais alguém disse, alto e em bom som: “É pá! Aqui até os coxos correm!”. A razão de espanto deste nosso espectador imprevisto assentou sobre o particular de dois condutores nossos: um vítima de grave acidente doméstico e o outro dum brutal acidente de trânsito, ambos do sexo feminino e de igual força de vontade, apesar de termos outro, vítima de uma doença infantil, que ao momento não se encontrava presente. Aos três queremos congratular pelo empenho e sentimo-nos seus devedores. Ainda que todos mereçam nota de destaque, a título de exemplo, queremos manifestar aqui o caso da Célia Coito, esposa do Rui e mãe do Rodrigo, condutora do CPA Igor e frequentadora assídua dos nossos trabalhos. Ela, num dia de má memória, acabou debaixo de um camião, com uma perna cortada em vários lados e com a vida presa por um fio. A sua recuperação foi penosa, deixou sequelas e alterou-lhe a carreira. Chegou à escola com manifestas dificuldades locomotoras. No princípio via-se obrigada a parar amiúde e chegava a casa com o joelho esquerdo feito num trambolho, situação incómoda e assaz dolorosa. Com o decorrer dos trabalhos, a Célia reaprendeu a andar, apanhou a cadência de marcha e recuperou a alegria de correr, metas que há muito desejava e que foram alcançadas inesperadamente. Atendendo ao sucesso, somos obrigados a reconhecer o trabalho do Igor, um fisioterapeuta de quatro patas, um amigo sempre presente e um companheiro de valor inestimável. Aos donos dos cães que trocam o passeio diário com eles pelo refastelar nos sofás, efémero, doentio e mórbido, apraz-nos dizer que se levantem (“talitha cumi”), que saiam para a rua e descubram que vale a pena viver. À imagem de um bom relógio de pulso, o relógio do nosso corpo pode também ser atrasado, basta querer, isto se alvo inevitável não nos surpreender! Queremos deixar aqui o nosso muito obrigado a todos os Igor’s do mundo, àqueles que suavizaram as dores dos seus donos, que lhes abriram caminho, que os dotaram de maior autonomia e que os devolveram mais confiantes ao seu mundo.

Como proceder com os cães guias de cegos

Os procedimentos que adiantamos já foram publicitados na Internet, constituídos em forma de apelo, excelentemente ilustrados e de fácil entendimento. Não pretendemos adornar o que foi dito, acrescentar-lhe algo ou apossar-nos do mérito alheio, tão-somente tornar extensível o seu conteúdo aos nossos leitores, geralmente distantes do mundo e da problemática destes cães de trabalho, sujeitos a treino rigoroso e de valor inestimável. Enumeraremos as 15 regras que possibilitarão a estes cães dar continuidade aos seus bons ofícios, segundo aquilo que nos fizeram saber.
1. O cão guia de cegos é um cão de trabalho, não uma comum mascote. Quanto mais for ignorado melhor para ele e para o seu dono.
2. O comportamento do cão guia é diferente dos outros cães. A sua dupla função, a de guia e companheiro do seu dono, deve ser escrupulosamente respeitada.
3. Ninguém lhe deve tocar ou acariciar, quanto estiver a trabalhar (com o arnês posto). Caso contrário podemos distrai-lo e criar entraves à sua função.
4. Não há que temer os cães guias, porque são objecto de treino aturado e jamais farão mal a alguém.
5. Evite cruzar-se com o seu cão perante um cão guia, particularmente se não for capaz de o controlar. Há que evitar a ocorrência de acidentes tanto para o animal como para o cego.
6. Não alimente ou dê guloseimas aos cães guias. Isso é tarefa específica dos seus donos. Eles são bem alimentados e têm horários pré-estabelecidos para comer.
7. Quando vir um cego acompanhado do seu cão guia, fale directamente para o dono e nunca para o animal.

8. Se um cego lhe pedir ajuda, aproxime-se dele pelo lado direito, para que o cão se possa manter à esquerda
9. Nesse caso, ele ordenará ao cão que o siga, ou então que lhe dê o seu cotovelo esquerdo. Nessa situação o cego dará uma senha ao cão para que ele entenda que está, temporariamente, fora de serviço.
10. Se um cego acompanhado pelo seu cão lhe pedir que lhe indique uma direcção, dê-lhe instruções claras sobre o sentido para o qual se deve voltar ou seguir para chegar ao lugar para onde se dirige.
11. Não corra nem agarre o braço dum cego com um cão antes de lhe falar. Nunca toque no arnês do animal! Cabe exclusivamente ao cego fazê-lo, para isso foi instruído.
12. Os cães guias têm horas e lugares pré-determinados para esvaziar os seus esfíncteres, o que os torna asseados entre nós.
13. Estes cães foram habituados e estão habilitados a viajar em qualquer meio de transporte, encostados aos pés dos donos e sem causar incómodo aos outros passageiros, tanto dentro como fora do País. Respeite o lugar do cão.
14. Se vir um cão com um arnês próprio para guia de cegos, em qualquer estabelecimento ou edifício público, hospital, escola, cinema, teatro ou biblioteca, não lhe mexa porque ele foi treinado rigorosamente para isso, evitando dessa forma o incómodo alheio, tanto de utentes como de funcionários.
15. Os cães guias nunca vagueiam pelos recintos, estão sempre encostados aos seus donos e têm com eles os mesmos direitos de livre acesso a todos os locais públicos. Deixe-os em paz!

Frase da semana

Liev Tolstói (mais conhecido por Leon Tolstói), escritor russo nascido na 2ª metade do Séc. XIX, um monstro da literatura mundial, autor do celebérrimo romance “Guerra e Paz”, abre a sua obra “Anna Karenina” com a seguinte frase: “ Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes são-no cada uma à sua maneira”. Ao meditarmos sobre o assunto, apetece-nos transliterar a sentença e dizer: “Todos os cães felizes são iguais. Os infelizes são conforme a sua sorte”. Pergunta-se: O que é que você tem feito pela felicidade do seu cão?

Caderno de ensino: XXIV. O "arco de fogo"

O Arco do Fogo é um obstáculo de exibição que não esconde a capacitação dos cães para o resgate e salvamento. O fogo é um dos inimigos ancestrais dos cães, uma barreira que colide com o seu instinto de sobrevivência, sendo inclusive um meio para os pôr em debandada. A habituação ao fogo deverá ser gradual e acontecer sem qualquer risco para os animais, tirada a partir de pequenas barreiras junto ao solo e de fácil transposição. Convém que antes do convite para o arco do fogo, o cão já esteja acostumado a estes obstáculos tipo alvo, que nunca deverão ter um diâmetro inferior a 45 cm e que normalmente são de 60 cm. Os arcos com diâmetros de 45 cm são próprios para os cães especialistas, não estando por isso ao alcance de todos. Pela mesma razão, a altura do arco em relação ao solo não deve ser superior aos 80 cm, porque só os cães mais ágeis e arduamente treinados conseguirão executar esse salto a 1.20 m de altura, exactamente a mesma que dista entre o parapeito duma janela do rés-do-chão e o solo. Recomendamos somente o salto elevado a 60 cm de altura. Os comuns cães de companhia dispensam este tipo de treino, o mesmo já não se pode dizer acerca dos cães de guarda, porque um simples isqueiro aceso pode pô-los a milhas! Os comandos a utilizar são iguais aos de qualquer transposição. Há que ter especial atenção com a direcção do vento, particularmente durante a fase instrutória, para que a capacitação a operar não se venha a reverter num trauma para os cães, factor ligado às incapacidades produzidas pela sua experiência directa. O concurso ao arco do fogo deve pressupor a total aprovação dos cães em todos os obstáculos de uma pista táctica, primeiro forma-se o atleta e só depois se passa prà função.

Azeitonas maduras perdidas no verde

Este fim-de-semana continuámos a condução em liberdade e evoluímos em vários percursos indutores à técnica de condução. Tornámos extensível o “corta” a todos os binómios e convidámos alguns deles para o “cruza”. O grupo escolar está a evoluir segundo as expectativas, abraçando as disciplinas clássicas do adestramento sem maior dificuldade. O Rodrigo voltou das férias e já sentia falta do seu amigo Tarkan. A Isabel Silva ficou de resguardo e a Isabel Paiva partiu para Férias. Quem quiser saber da Princesa vai encontrá-la em Tróia. Sentimos a falta da Alexandra Ferreira e contámos com a presença do condutor do Zorro. Graças à iniciativa do Rui Coito, foram distribuídas novas camisolas escolares de cor preta, lembrando azeitonas maduras entre o verde onde evoluímos. Agradecemos o empenho do Rui e do Tiago.

Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: António Cunha/Zorro, António Almeida/Shadow, Bruno II/ Isis, Carla Abreu/Becky, Célia/Igor, Francisco/Iris, Joana/Flick, João Moura/Bonnie, Luís Leal/Teka, Liliana/Bolt, Paulinha/Teka II, Roberto/Turco, Rodrigo/Tarkan, Tiago/Sane, Teresa/Buster e Vitor Hugo/Yoshi. A Carla Ferreira fez de fotógrafa.