Na nossa última excursão convidámos dois proprietários caninos para as nossas actividades, um no Sábado e outro no Domingo. No Sábado trabalhou connosco a Mariana, uma jovem proprietária dum Weimaraner que julgamos chamar-se “Júnior”. No Domingo estendemos o nosso convite a um proprietário dum pastor alemão, do qual ignoramos o nome e que se cruzou connosco. A integração dos binómios convidados coube ao Tiago Soares, monitor desta escola e homem apostado na sua expansão.quinta-feira, 1 de julho de 2010
Simplesmente Mariana
Na nossa última excursão convidámos dois proprietários caninos para as nossas actividades, um no Sábado e outro no Domingo. No Sábado trabalhou connosco a Mariana, uma jovem proprietária dum Weimaraner que julgamos chamar-se “Júnior”. No Domingo estendemos o nosso convite a um proprietário dum pastor alemão, do qual ignoramos o nome e que se cruzou connosco. A integração dos binómios convidados coube ao Tiago Soares, monitor desta escola e homem apostado na sua expansão.Caderno de Ensino: XVII. O APC
O QUE É O “APC”. Chamamos “APC” ao conjunto de saltos realizados pelo cão sobre o seu dono, manifestando dessa forma os seus índices atléticos e grau de prontidão, através de figuras previamente estabelecidas. A sigla “APC” estabelece a ordem dos exercícios ou figuras: Arco, Perna e por Cima e é geralmente complementado pelos saltos de “ mochila e “abraço”, consoante o cão salte para as costas ou para o colo do dono. A sequência dos saltos respeita a sua dificuldade e evolui gradativamente.ALTERAÇÕES DA ORDEM SEQUENCIAL. Por se tornar mais fácil e diante da desconfiança dos cães, normalmente introduzimos o “APC” pelo salto sobre a perna do condutor, respeitando mais tarde a sequência dos exercícios.
O QUE É O ARCO (A) E COMO SE ENSINA. É de todo conveniente que a execução do “APC” suceda à ginástica sobre obstáculos e à instalação insuspeitável dos automatismos que sustentam a obediência (de imobilização e direccionais). O Arco é feito pelos braços do dono e paralelo à altura da sua cabeça. Aqui há que ter um cuidado: a cabeça do condutor deverá estar por detrás do arco formado e distante do seu centro. Caso contrário, a cabeça do líder tapará a figura e duas coisas podem acontecer: ou o cão não salta ou o condutor apanhará com ele em cheio, bem no meio dos olhos. Introduzimos a figura pela contribuição da trela, que dobrada ao meio entre as mãos do condutor, perfaz um arco ou um círculo maior, primeiro junto ao solo e depois, gradualmente, até à altura pretendida. Entretanto, o comprimento da passará de metade para ¼. Caso haja algum arco amovível na pista de obstáculos, ele poderá também ser usado como subsídio prà figura. A figura correctamente executada, pressupõe o entrelaçar dos dedos da mão do condutor, muito embora os indivíduos com altura inferior a 1.65 m se vejam obrigados a separar um pouco as mãos, devido à menor amplitude dos seus braços. Há casos que não dispensam a ajuda de uma segunda pessoa para a execução da figura, especialmente quando o convite é insuficiente perante a imobilidade do seu emissor.
O EU É E COMO SE ENSINA O SALTO SOBRE A PERNA. Como atrás se disse, esta é a figura mais fácil de alcançar. As maiores dificuldades para a obtenção do “APC” residem no receio do cão em molestar o dono, muito embora sempre hajam cães manhosos, que aproveitando-se da imobilização dos seus condutores se façam desentendidos. Diante destas dificuldades, a ajuda de um segundo condutor será bem vinda, porque será ele a conduzir o cão para a figura. O salto sobre a perna consiste na transposição de uma das pernas do condutor, projectada para a frente e num ângulo de 90 graus. Para a obtenção da figura socorremos de um truque: da última vara amovível de uma barreira tradicional, que uma vez sobreposta sobre a perna a transpor, facilitará a introdução à figura. A elevação da perna é gradual e acabará por dispensar o uso da barreira.O QUE É COMO SE ENSINA O SALTO POR CIMA. O salto por cima, designado pela letra C, consiste no salto do cão sobre o dono que se encontra dobrado sobre a cintura, com as mãos apoiadas nos joelhos e perfazendo um ângulo de 90 graus. O sucesso alcançado nas figuras anteriores contribui para o seu êxito. Como a tendência dos cães é transpor os seus donos na diagonal, porque não querem aleijar os seus líderes, por vezes somos obrigados a projectar um dos braços para a frente afim de centrarmos o salto. A altura do obstáculo constituído pelo dono deverá aumentar gradualmente. Perante o medo infundado do cão convidado para a figura, a ajuda ser-nos-á dada por outro condutor que, conduzindo o cão pela trela prà transposição, contribuirá para a eliminação do receio patenteado no animal.
SALTOS DE REVERSO, ABRAÇO E MOCHILA. O salto de reverso é quase igual ao salto à perna, diferindo apenas na perna a projectar. O salto à perna é feito com a perna projectada para a frente e o de reverso com ela estendida pra trás no mesmo ângulo (90º). O salto de abraço consiste no salto vertical do cão para o colo do dono, com cada pata assente em cada um dos seus ombros. O salto de mochila resulta do salto do cão para as costas do dono, como se de uma mochila se tratasse. A correcção da figura obriga o cão a distribuir as patas dianteiras pelos ombros do dono. Tanto numa figura como na outra, o condutor vê-se obrigado a segurar os membros posteriores do animal. O salto de mochila, quando usado como subsídio para a defesa dos donos, pode projectar para o solo um larápio em fuga. Do mesmo modo, o salto de abraço pode provocar o derrube de um agressor, podendo ser complementado ou não com um comando específico de guarda. Para que tudo decorra sem novidade e o binómio não acabe estatelado no chão, convém que os condutores tenham pelo menos o dobro do peso dos cães.Todos deveriam ter... Uns domínio e outros juízo
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Média da carga horária semanal dos alunos da Acendura Brava
Os alunos da Acendura Brava são gente assídua e apostada no progresso dos seus cães, a julgar pela sua carga horária semanal. A média é de 9 horas e há gente que ultrapassa as 12 horas. Os menos dedicados dispensam, em igual período, entre 4 a 6 horas prò ensino dos seus cães. Os campeões da assiduidade chegam a participar nas actividades escolares 10 horas num só dia e 14 horas por fim-de-semana, o que nos enche de alegria e aumenta a nossa responsabilidade, porque progresso binomial deve ser proporcional ao seu empenho, e assim tem sido. Para que o treino surta efeito, são necessárias 6 horas semanais e somente um binómio apresenta uma carga horária abaixo desse valor, o mesmo que raramente procede à recapitulação doméstica. A sigla escolar “fidutia et labor” não perdeu o seu significado e importa felicitar os nossos alunos, aqueles que nos seguem por roda a parte e que connosco dividem os mesmos desafios.O azeite pràs carraças
Já ouvimos aos mais pessimistas que Portugal, diante da actual crise económica, vai voltar às dificuldades das décadas de 40 e 50 do século passado. É possível encontrar este vaticínio junto de pessoas mais idosas e para quem a vida não foi fácil, gente que interpreta o futuro pela experiência que teve, num apego ao passado que legitima a sua história. Se são videntes ou não, não sabemos. Certo é que sobrevive entre nós uma pacovice crónica que nos distancia da ciência e nos remete para práticas ancestrais. Esta semana uma aluna nossa surpreendeu-nos e o caso não foi para menos, porque se muniu de azeite para arrancar uma carraça ao seu cão e ainda por cima é estudante de veterinária. Usar o azeite pode irritar o parasita e provocar regurgitação para o hospedeiro, aumentando assim as possibilidades de infecção. O caso teria passado desapercebido se o bicho não ficasse com uma pelada na cabeça. Antes que outros optem pela mesma técnica e prática, própria de tempos idos e resistente ao avanço científico, adiantaremos os procedimentos correctos contra estes parasitas que teimam em infestar os nossos cães no Verão.
O combate mais eficaz contra as carraças é a prevenção, por isso aconselhamos o uso simultâneo de coleiras e pipetas. O princípio activo de algumas delas já perdeu a sua eficácia e isso pode estar ou não relacionado com o seu preço de venda ao público. Como ninguém nos paga a publicidade, não adiantamos aqui as que recomendamos, mas particularmente daremos o nosso parecer. Antecipamos a sua troca diante de exercícios dentro de água ou nos animais sujeitos ao constante rastreio em áreas húmidas. Para a extracção das carraças usamos acetona, a mesma usada para retirar o verniz das unhas das senhoras e dos cavalheiros metrossexuais. Uma pequena gota deste solvente desprenderá o parasita ou ajudará na sua extracção. Para arrancar uma carraça e não deixar na pele do cão os seus apêndices sugadores, responsáveis pelas peladas nas áreas atingidas, convém rodá-la 90º e só depois proceder à sua extracção, munindo-nos para o efeito de uma pinça adequada. Para evitar a infestação destes ectoparasitas hematófagos no lar, convém proceder-se ao corte ou à queima da vegetação sazonal e à pulverização dos muros adjacentes com um produto próprio e segundo um calendário predefinido.Dois para tudo e dois para nada
Nibal, Rocky & Turco: Os filhos do Zucker
A robustez dos nossos CPA’S negros é advinda da contribuição dos preto-afogueados e dos lobeiros presentes na sua construção. Destacaram-se entre eles o Brusko e o Zucker, exemplares extremamente robustos e que transmitiram à sua prole idêntica robustez. O famoso Warrior d’Acendura Brava também resultou de um beneficiamento idêntico, mas o progenitor que mais estabeleceu a diferença foi o Zucker (filho do Kyrios-Scwartz e da Tranquila) e devemos ao Brusko o aparecimento de cães totalmente cinzentos. O Zucker era um exemplar preto-afogueado, de grande cabeça, bem aprumado e de excelente ossatura, com um perímetro torácico de 93 cm. Trazia consigo as marcas dos primórdios da raça, porque apresentava um manto ligeiramente encrespado, o seu crânio era bastante desenvolvido e os seus caninos eram excepcionalmente grandes. No resto, apesar de ter manifestado um notável impulso ao conhecimento, era igual aos demais e um excelente companheiro. Hoje o seu nome volta à baila, graças à presença dos seus netos e bisnetos, também eles esplendorosos, excepcionalmente robustos e funcionais. Quando olhamos para o Nibal, para o Rocky e para o Turco, descobrimos o que têm em comum: o Zucker como ascendente. O “Bom Gigante”, porque assim era tratado, continua vivo entre nós e continuará doravante para nosso gozo… se houver cuidado na selecção.Posso ir descansado?
Como adiantámos na semana anterior, no texto “ NO HOTEL OU NO DOMICÍLIO “, é sempre melhor deixar o cão no seu território quando os donos se ausentam. Mas se o ele viver num apartamento e se tornar necessário levá-lo à rua, para que possamos ir descansados, importa prepará-lo para o particular e novidade da liderança, porque o animal não a aceitará de imediato, movido pela estranheza e dominado pela procura dos donos, factores que o induzirão à desobediência, mesmo que a pessoa encarregue para o efeito seja dele conhecida, porque nunca substituirá por completo os seus proprietários nem conseguirá colmatar a sua ausência – o cão é um animal de hábitos. Antes de ir de férias, porque não lhe sobra outro remédio e há que diminuir os riscos, ensaie com o condutor substituto as saídas ao exterior, praticando com ele os automatismos direccionais e os comandos inibitórios inerentes à excursão. Esse trabalho deverá ser desenvolvido debaixo da sua supervisão e evoluir da sua presença para a sua ausência, objectivo alcançável pelo domínio absoluto do novo condutor sobre o cão. Cabe-lhe também a si determinar quais os percursos recomendáveis. A “troca de condutores”, manobra escolar que visa a sociabilização e possibilita a condução do cão por uma segunda pessoa, desde que conheça os seus códigos funcionais, facilitará essa transferência e virá em seu auxílio. Por outro lado, importa preparar a pessoa responsável para os problemas ou situações mais comuns, diminuindo dessa forma os embaraçados provocados pela surpresa (ela deve ficar conhecedora das tendências e preferências do animal). Nunca deverá ser alguém que você já usou como cobaia (facilmente se entende porquê) e convém que seja um familiar ou alguém muito próximo à família, considerando o bem-estar do animal e a sua funcionalidade. Se o seu cão for aluno duma escola, dê o número do telefone do seu director à pessoa a quem irá confiar o cão, possibilitando dessa forma o apoio técnico para alguma eventualidade, mas não se esqueça de o avisar atempadamente, não vá acontecer que se encontre de férias também. Boa viagem, óptimo cruzeiro e boas férias.Amigos, amigos, passwords à parte
Disciplina, unidade & excursão
O adufe e o espanto
O adufe é um instrumento musical português, um pandeiro bimembrafone quadrado que foi introduzido pelos árabes na Península Ibérica entre os Séculos VII e XII. É geralmente tocado por mulheres e a madeira usada para a sua confecção é de pau de laranjeira. Hoje encontra-se essencialmente concentrado no Distrito de Castelo Branco. Um aluno nosso que nasceu nessas paragens, depois de inscrever a sua filha numa escola de equitação, admirou-se com o modo de instrução daquele estabelecimento de ensino. Para espanto seu, as aulas são colectivas e preferencialmente sujeitas à evolução circular. Mais espantados ficámos nós com a causa do seu espanto, porque recorremos ao mesmo método e sempre dissemos onde o fomos buscar. A evolução circular, a formação de esquadras, as evoluções do carrossel e até as normas relativas à segurança no escalonamento escolar que usamos, foram extraídas da equitação e das tácticas da cavalaria (a cavalo). Aconselhamos aos interessados no assunto a consulta dos seguintes textos dos cadernos escolares: “ O Círculo de 36 metros”; “ Manobras de Sociabilização” e “O Escalonamento Escolar”, a fim de dissiparem as suas dúvidas.Biomecânica: Marchadores e trote suspenso
Um bom Pastor Alemão, no que à marcha diz respeito e porque é um trotador inato, deve abraçar e alcançar o trote suspenso, movimento gracioso que lhe é característico e indispensável. Antes que comecem por aí a dizer que só montados em bicicletas lá chegarão, adiantamos aqui os modos para o seu alcance, baseados na técnica e económicos para os condutores. O movimento é caracterizado pela suspensão da elevação que antecede a projecção dos seus membros e pode ser alcançado de duas maneiras: pelo contributo do “extensor de solo” (que é um avivador da marcha) ou pela técnica de mão do condutor, consoante os modos procurados (mecânicos ou de estímulo). Em qualquer dos casos a alegria do animal é indispensável e aconselha-se o uso do extensor aos condutores menos hábeis. A técnica de mão do condutor assenta sobre o puxar da mão de condução, para dentro e para cima, a cada passo de marcha, auxiliando assim a suspensão pretendida. Se não houver extensor de solo e a técnica do condutor for deficitária, um brinquedo na mão direita poderá produzir o mesmo efeito. A marcha suspensa, que acaba por facilitar a transição para o galope, espelha a boa saúde articular e contribui para a sua manutenção.Caderno de Ensino: XVI. O "devagar"
O QUE É O “DEVAGAR”. O “devagar” é um indicador de modo para os diferentes automatismos direccionais que sucede à sua instalação. O concurso dos diferentes indicadores de modo, ao possibilitar o desempenho canino seguro, dispensa o recurso a todo e qualquer comando inibitório, o que é imprescindível à concentração e à celeridade das acções, garantindo dessa forma a unidade binomial sem atropelos.
PARA QUE SERVE O “DEVAGAR”. Este indicador de modo serve para reduzir a velocidade do atleta ou executor canino, quando se intenta fazê-lo respeitar certas zonas de contacto, aprimorar qualquer figura de obediência ou alertá-lo para um perigo eminente ao seu redor ou colocado à sua frente.
INDICAÇÃO DO MODO. A indicação mais segura para a obtenção do modo é a requerida pelo comando verbal, muito embora nos estágios superiores da obediência ele possa ser solicitado somente pelo concurso da linguagem gestual e resultar da combinação nos comandos de “alto” e “junto”, que usados alternadamente operam a redução da velocidade e a concentração exigidas.
A RELAÇÃO ENTRE O EXERCÍCIO E O MODO. O recurso ao modo indicador não deve pressupor a quebra de ânimo dos cães, mas suceder à sua prestação confiante e alegre. Primeiro ensinam-se os obstáculos e só depois se avança para a exigência. O indicador de modo não deve servir como bengala para os condutores menos hábeis ou atleticamente pouco disponíveis. Por outro lado, o ensino de cães para deficientes, pode exigir para cada automatismo diferentes modos de execução, consoante as incapacidades a levar de vencida, transformando-o assim em ensino especial.
Líderes em terapia
Este fim-de-semana continuámos no exterior e desenvolvemos manobras típicas do carrossel, praticámos diferentes induções e aprimorámos o 3º automatismo de imobilização. Dedicámos algum tempo à transposição de obstáculos ocasionais e melhorámos o “quieto”. Estes conteúdos de ensino obedeceram a um tríplice objectivo: ao robustecimento da liderança, ao aumento de prontidão dos cães e à sua apresentação perante viandantes e estranhos. A terapia funcionou e o progresso foi visível. Fomos visitados pela Diana Oliveira, uma jovem interessada pelos benefícios da terapia canina, agora a concluir um trabalho escolar. Acabou por conduzir um dos nossos cães.
Participaram nos trabalhos os seguintes binómios: Ana/Loki, Bruno II/Iris II, Célia/Igor, Clara/Shara, Irina/Max, Joana/Flikke, João Moura/Bonnie, Joaquim/Maggie, Luís Leal/Rocky, Liliana/Bolt, Maria/Isis, Paulinha/Teka II Princesa/Ricky, Roberto/Turco, Rodrigo/Tarkan, Rui Ribeiro/Babel, Tatiana/Teka I, Tiago/Sane e Teresa/Buster. O Rui Coito fez-se presente e os cães agradaram-se dele, como já vem sendo hábito.quinta-feira, 17 de junho de 2010
Quando o colectivo não resolve
Apesar da reconhecida contribuição do colectivo para a capacitação individual, sempre existirão binómios distantes desse benefício, gente e cães que necessitarão de aulas individuais para o seu progresso escolar, o que não é novidade, acontece noutras áreas e advém do particular dos indivíduos. Os condutores mais introvertidos e menos hábeis tendem a atrasar-se na absorção e prática dos conteúdos de ensino, acabando por condenar o rendimento global das classes ou a abandoná-las apressadamente, o que não deixa de ser um contra-senso face aos propósitos escolares. A perca dos binómios em treino sempre aponta para a impropriedade de quem os dirige, por maiores que sejam as suas dificuldades ou os problemas colocados pelos seus cães, porque é obra do adestramento encontrar-lhes solução. Procurar-nos-iam se não tivessem ou sentissem dificuldades?
Perante à opção pelo “Método da Precocidade”, apostado no desenvolvimento do impulso ao conhecimento canino pelo acompanhamento dos seus ciclos infantis e pelo concurso da experiência variada e rica, não devemos tratar os condutores abaixo de cão, como seres inferiores aos animais que conduzem. Homens e cães carecem de aprendizado, atendendo à percepção dos instintos comuns que os separam e à novidade da comunicação interespécies. Cabe à Escola e ao seu responsável directo adequá-los entre si, valendo-se dos meios ao seu alcance e tirando partido das estratégias possíveis, porque o avanço de uns não justifica o atraso de outros e importa não deixar ninguém para trás. O que eleva uma escola canina é a qualidade do seu ensino e os resultados alcançados, nomeadamente entre aqueles onde tal parecia impossível. A excelência dos mestres não se pode remeter somente ao aproveitamento ou transformação dos mais aptos, mas estender-se à adequação dos inaptos e à procura das suas mais-valias, encobertas à partida e por isso mesmo inimagináveis.
Na presença destes casos excepcionais e ainda que tal não nos seja solicitado, devemos convidar os binómios deficitários para as aulas individuais, ocasião que usaremos para a sua recuperação, longe dos entraves causados pela presença dos demais e melhor focalizados na origem e natureza dos problemas a resolver, já que o atraso no ensino pode resultar do desacompanhamento individual e certos indivíduos podem necessitar de pedagogias diferentes. As aulas individuais dão-nos essa vantagem, através da explicação demorada e da recapitulação sistemática dos exercícios, condições inerentes à correcta resolução. Mais cedo ou mais tarde, perante o aumento das disciplinas e dos conteúdos de ensino, a maioria dos condutores necessitará de explicações complementares e procurar-nos-á, o que nos obrigará a uma maior disponibilidade e flexibilidade. Mesmo que uma escola opte pelas aulas colectivas, ela não pode desprezar ou desconsiderar a importância das individuais, porque sempre será confrontada com o atraso de alguns dos seus binómios. De outro modo como poderemos salvaguardar os cães?As implicações do "efeito campainha"
Entendemos as prestações caninas anómalas como efeitos da prestação deficitária dos seus condutores, segundo a clássica relação causa-efeito, porque os cães são pouco instintivos e profundamente sujeitos ao seu viver social, comportando-se pela experiência anterior e sempre reflectindo as marcas do seu grupo. É evidente que eles nascem diferentes, que uns têm alguns impulsos herdados mais desenvolvidos do que outros e que subsistem diferentes temperamentos e propensões. Mas mesmo assim, porque o cão é um caso raro de indução bem sucedida, muito coisa pode ser disfarçada, atenuada ou transformada. Atribuímos o nome de “efeito campainha” ao fenómeno que leva o cão a evoluir com a cabeça nivelada pelo dorso, como se nela carregasse uma pesada guizeira, postura de difícil eliminação que resulta duma condução descuidada e imprópria, responsável muitas vezes pelo cumprimento tardio das ordens e pelo surgimento de inúmeros acidentes, lesivos pró cão, para o dono e para terceiros, porque a postura atenta contra a unidade binomial e entrega o animal ao seu próprio juízo.
São várias as razões ambientais que levam ao aparecimento deste “efeito” e a genética dos indivíduos pode apropriar-se facilmente de algumas delas, reforçando-as e obstando à sua eliminação. As causas mais frequentes são: a ausência de vínculos afectivos binomiais, o atrelamento esporádico, tardio ou apressado, a ausência de disponibilidade dos donos (física, anímica e cognitiva), a sua opção pelo improviso e o desconhecimento relativo aos animais que transportam pela trela. Como a segura condução em liberdade sempre dependerá de um bom trabalho à trela, o “efeito” deverá ser combatido imediatamente após a sua apresentação, para que não se torne irreversível e se reverta numa tremenda menos valia. Tudo temos feito para que nunca aconteça, mas torna-se mais fácil educar cães do que pessoas, porque qualquer requisito técnico humano deve constituir-se em estímulo para o cão e isso nem sempre transparece.
Para que não restem dúvidas e o entendimento geral aconteça, nunca se deve conduzir um cão em constante travamento, com a mão de condução a exercer a sua força para trás, coisa fácil de acontecer quando o condutor não aguenta a marcha do cão e intenta conduzi-lo a passo ou condicioná-lo ao passo de andadura. Só os cães velhos ou estafados optam naturalmente pelo passo em detrimento da marcha. Para que a marcha canina aconteça de modo solto e cadenciado é necessário que a cada passada o condutor puxe o cão para o seu joelho esquerdo, aliviando-lhe assim a frente e possibilitando-lhe o libertar da traseira. O convite para o “junto” deverá ser tanto ou mais veemente quanto a resistência encontrada. O “efeito campainha” sempre resulta de duas coisas que podem ser combinadas ou não: do mau uso da mão de condução e do despreza pela cadência de marcha. Os cães sujeitos a estas “terapias” respondem com a postura que aqui condenamos, ainda que pela impropriedade da indução
As implicações do “efeito” são de vária ordem, pois condenam a obediência, põem em perigo a saúde dos animais e comprometem o seu desenvolvimento atlético e cognitivo. Sem o cão a olhar para o dono toda a obediência sai comprometida e condenada ao logro, devido ao atraso no cumprimento das ordens e à ausência de celeridade entre os automatismos., porque o cão apesar de presente faz-se ausente e ensurdece-se prós comandos. Esta postura canina coloca em risco a saúde dos animais que a adoptarem, porque induz ao selamento do dorso, aumenta a frequência dos seus ritmos vitais, sobrecarrega as suas articulações traseiras (também por causa disto se diz que a displasia é uma afecção multifactorial) e obriga à divergência de mãos, deslocando-se os animais com a cernelha abaixo da linha da garupa. Diz-se que a evidência do “efeito” compromete o desenvolvimento atlético e cognitivo dos cães seus portadores, o que é verdade e pode ser extensível a qualquer disciplina cinotécnica clássica, porque os animais não musculam para a função, evoluem precariamente e resistem à novidade dos desafios, tornando-se imprevisíveis e de difícil controlo. Um cão com estas características não deve ser convidado para os obstáculos porque carece de conserto e porque ao ser surpreendido por eles, reduzirá a velocidade por não ver a sua linha de transposição, o que o obrigará a saltos de recurso e a um sem número de pancadas, colocando dessa forma a sua integridade em risco e aumentando justificadamente a sua resistência contra a prática desportiva.No hotel ou domicílio?
Doseadores de ração e bebedouros automáticos
Os acessórios acima descriminados são essenciais para a conservação do cão no seu domicílio, porque garantem a autonomia do guardião e podem evitar acidentes de vária ordem. São relativamente baratos e de fácil instalação. A soma do conjunto dificilmente ultrapassará os 70 € e apenas os bebedouros necessitarão do auxílio dum profissional. Convém que entre os acessórios se guarde uma distância mínima de 50 cm, para se evitar o entupimento das bóias e o travamento da ração, porque se o bebedouro estiver mesmo ao lado do doseador, o cão poderá depositar alguns grãos de ração no bebedouro, o que alterará o funcionamento da bóia e poderá impedir o fornecimento de água. Diante da mesma circunstância, depois de beber água, por força da humidade transportada, o cão poderá selar a saída da ração. Fica o aviso.Quando distribuir o penso diário?
Aqui está uma discussão já antiga e sempre acalorada, as opiniões dividem-se e cada um age como entende. Reportamo-nos ao horário da distribuição diária do penso a fornecer ao guardião, ainda que muitos cães sejam impróprios para o ofício e não tenham recebido qualquer tipo de adestramento prà função, o que para além de caricato pode-lhes ser fatal. Uns dizem que dão comida de manhã para que o cão se mantenha atento à noite, o que não deixa de ser verdade; outros dão comida à noite para que o cão melhor resista aos petiscos dos envenenadores, o que é também acertado. Porém, há que considerar o particular geográfico da casa, a dependência canina relativa ao relógio biológico e as variantes daí resultantes, considerando em simultâneo o treino específico de cada cão, o seu particular falível e a recapitulação dos seus códigos, porque as adaptações produzidas pelo treino não são eternas e umas são menos duradouras do que outras, sobretudo as de natureza inibitória.
Retornemos ao assunto principal: quando distribuir o penso diário. Qualquer desempenho canino deve considerar a natureza do cão e a sincronia que teima em manter com o relógio biológico, no intuito de lhe evitar maiores esforços e potenciar a sua prestação, já que o percentual de humidade e as oscilações de temperatura influem directamente no seu apetite e levam-no a comer em horários diferentes. Assim, o comer de manhã ou à noite só por si não está certo, porque o animal deve ser alimentado quando mais precisa e em função da estação do ano que atravessa. Ele opta por comer à noite pelo Verão ou quando a temperatura sobe e mostra apetite logo pela manhã no Inverno ou quando as temperaturas são mais baixas. E isto deve ser tomado em consideração, por implica num melhor suprimento do animal e diminui-lhe significativamente os riscos, mantendo-o capaz para a função e mais atento. Se invertermos esta tendência e o cão comer pela manhã no Verão, ele irá passar a noite de barriga vazia, exactamente quando a temperatura é mais baixa e convidativa para uma maior actividade, o que o torna mais vulnerável diante da oferta de petiscos indesejáveis. Do mesmo modo, se lhe distribuirmos o penso no Inverno à noite e diante de temperaturas mais baixas ou negativas, o cão enroscar-se-á para manter a temperatura corporal e acabará por dormir ou ficar desatento. A teimosia que leva à fixação do horário do penso, contrariando a influência do relógio biológico, serve melhor os propósitos dos donos que as necessidades energéticas dos cães. O cão deverá comer à noite no Verão e de manhã no Inverno.
A transição do penso matinal para o nocturno e vice-versa deve acontecer nas estações intermédias, respectivamente na Primavera e no Outono, de modo gradual e ao longo das suas 13 semanas de duração, na Primavera por adiantamento e no Outono por atraso. Estes cuidados não dispensam o treino da recusa de engodos, a sua recapitulação ou reciclagem, garantindo somente a melhor prestação funcional e autonomia desejável prà tarefa. Obedecendo ao mesmo princípio e porque muitos são os cães em muda constante, também os teores de gordura deverão ser administrados de acordo com a estação do ano, mais gordos nas estações frias e menos gordos nas estações quentes. A imutabilidade do penso distribuído aos cães tem sido responsável pelo aparecimento de várias doenças e tem contribuído para o encurtamento dos seus dias. O que aqui se disse reforça a importância da lei natural contra a ineficácia do artificialismo da norma humana, que ao ser fictícia, pode condenar os nossos preciosos auxiliares. Manifestamos desde já a nossa disponibilidade para prestar maiores esclarecimentos sobre este assunto que consideramos de vital importância.Ninhadas, na primavera ou no final do verão?
Subscrever:
Mensagens (Atom)