sábado, 8 de julho de 2017

O DIÁLOGO DOS SONS

Os sons e os odores estão para os cães assim como as palavras e as imagens estão para nós. Se considerarmos a música como uma combinação de sons e silêncios capaz de despertar-nos emoções, então podemos também compreender a importância dos sons para a obtenção de diferentes respostas caninas, o que transforma a comunicação homem-cão num diálogo de sons que pode dispensar as palavras, verdade que não constitui qualquer novidade.
O que queremos trazer para a berlinda é a descoberta e uso de vários sons para o despoletar de vozes que os cães raramente usam ou resistem em usar (ex: bufar, ganir, gemer, ladrar, latir, rosnar e uivar) enquanto subsídios preciosos para os cães de utilidade e do mundo da ficção. Com isto não estamos a ir na peugada da “Tier-Sprechschule ASRA”, obra da Alemanha nazi, ao tempo localizada nos arredores de Munique (Leutenburg) e dirigida por Margarethe Schmitt, porque não estamos a querer ensinar aos cães uma língua alheia ou estranha mas a suscitar-lhes o desenvolvimento da sua própria linguagem que é por natureza emocional.
Todos já reparámos que alguns cães uivam ao tocar dos sinos ou quando ouvem sirenes, que muitos ladram quando ouvem algo anormal e que outros gemem perante fenómenos naturais tais como trovões e tremores de terra, o que realça a importância dos sons para o comportamento e desenvolvimento das “vozes” caninas que acontecem por resposta (os cães reagem de diferente maneira a palavras ou consoantes dentais, guturais, labiais e nasais).
Para a aquisição da “voz” ou “vozes” em falta há que descobrir primeiro a que tipo de sons o cão em questão é mais sensível, se aos sugeridos por imitação, se aos agudos, graves ou metálicos, considerando a sua intensidade, combinação, variação e ressonância. Uma vez redescoberto o cão ou desvendada a sua sensibilidade auditiva, ao som que lhe provoca a resposta, deveremos associar-lhe em seguida o comando verbal próprio para a obtenção da “voz” até ali em falta.
Considerando que alguns cães são pouco gulosos e/ou nasceram com fraco impulso ao alimento, insuficiência que dificulta a sua recompensa e consequentemente a sua aprendizagem, o diálogo binomial dos sons surge como um inescusável subsídio de ensino, o que torna o uso do “Método Clicker” indicado e por vezes indispensável para os cães mais sensíveis, menos solícitos e pouco curiosos. Estabelecer com o seu cão um diálogo de sons irá ajudá-lo a melhor conhecer e a comunicar com o seu cão.
Convém dizer que a omissão de uma ou mais vozes caninas é mais frequente nos cães ditos de raça, fruto da selecção operada em função da mais-valia ou benefícios procurados, supressão a que a consanguinidade e a endogamia obviamente não são alheias. Contrariando os esforços nazis nesta matéria, que não deverão ser desconsiderados pelos avanços que trouxeram, apraz-nos dizer que não são os cães que precisam de aprender a falar, são os donos que precisam de dar-lhes voz!

Sem comentários:

Enviar um comentário